Jeremias 9 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 9 na sua vida hoje

26 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Jeremias 9?

Jeremias 9 apresenta o lamento profundo do profeta diante da corrupção moral de Judá e do juízo inevitável de Deus sobre o povo. A infidelidade, a mentira e o engano são descritos como marcas da nação, resultando em devastação da terra, exílio entre as nações e morte generalizada. Em meio a esse cenário, Deus revela a verdadeira base de glória humana: não a sabedoria, a força ou as riquezas, mas o conhecimento do Senhor que pratica beneficência, juízo e justiça. O capítulo termina destacando que a verdadeira circuncisão é a do coração, e não apenas um sinal externo.

Temas principais em Jeremias 9

Lamento profético e dor pelo povo (versículos 1-2, 10-11, 17-22)

Jeremias expressa um choro intenso, desejando que sua cabeça fosse um manancial de lágrimas por causa da condição espiritual e do futuro sofrimento da “filha do meu povo”. O profeta sofre junto com o povo, ainda que o povo não queira ouvir a mensagem de Deus.

Versículos-chave: 1, 2, 10, 19, 21

Corrupção moral e social (versículos 2-8)

O texto descreve um povo marcado por adultério espiritual, engano, calúnia, mentira ensinada como hábito e incapacidade de falar a verdade. A língua é comparada a um arco e a uma flecha mortal, revelando o poder destrutivo das palavras num ambiente de desconfiança generalizada.

Versículos-chave: 3, 4, 5, 8

Juízo divino sobre a infidelidade (versículos 10-16, 21-22, 25-26)

A destruição da terra, a ruína de Jerusalém, a dispersão entre as nações e a morte disseminada são apresentados como consequência direta de terem abandonado a lei do Senhor, seguido o próprio coração e buscado outros deuses.

Versículos-chave: 11, 13, 14, 15, 16, 22, 25, 26

A verdadeira sabedoria e motivo de glória (versículos 23-24)

Deus confronta o orgulho humano e redefine o que realmente importa: não a sabedoria humana, a força ou as riquezas, mas o entendimento e o conhecimento do Senhor como Deus que se agrada em misericórdia, juízo e justiça sobre a terra.

Versículos-chave: 23, 24

Circuncisão do coração (versículos 25-26)

O Senhor anuncia juízo sobre nações circuncidadas e incircuncisas, ressaltando que o problema de Israel não é a falta do sinal externo, mas um coração não consagrado. A verdadeira identidade do povo de Deus é medida pela condição interior, não apenas por ritos religiosos.

Versículos-chave: 25, 26

Contexto histórico e literario

Jeremias 9 situa-se no período final do reino de Judá, pouco antes e durante o avanço do Império Babilônico (final do século VII e início do VI a.C.). Politicamente, Judá estava enfraquecida, cercada por potências como Egito e Babilônia, em constantes tensões e alianças instáveis. Religiosamente, embora houvesse culto no templo, o povo vivia em sincretismo: misturava a adoração ao Senhor com práticas ligadas aos baalins, herdadas de gerações anteriores. A liderança espiritual e política estava corrompida, a justiça social era negligenciada, e a mentira se tornara prática comum. Nesse contexto, Jeremias anuncia que a destruição da terra, a devastação de Jerusalém e o exílio não são acidentes históricos, mas juízo de Deus pela quebra da aliança: abandono da lei, teimosia em seguir o “propósito do seu próprio coração” (v.14) e confiança em aparências religiosas, como a circuncisão externa, sem mudança interior. As imagens de montes desolados, cidades em ruínas e cadáveres espalhados refletem as consequências das campanhas militares e cercos que logo recairiam sobre Judá.

Estrutura de Jeremias 9

Jeremias 9 é composto principalmente por poesia profética, entremeada com declarações diretas do Senhor. A estrutura pode ser vista assim:

  1. Lamento pessoal do profeta (vv.1-2)
  • Jeremias expressa desejo de chorar sem cessar e até de se afastar do povo devido à sua corrupção.
  1. Diagnóstico da corrupção moral (vv.3-6)
  • Descrição da mentira institucionalizada, da traição entre irmãos e da recusa em conhecer o Senhor.
  1. Anúncio de prova e juízo (vv.7-9)
  • Deus se apresenta como quem irá fundir e provar o povo, e afirma a legitimidade do castigo.
  1. Lamento pela devastação da terra (vv.10-11)
  • Imagem poética da desolação dos montes, pastagens e cidades, esvaziadas de vida.
  1. Pergunta sobre a causa do desastre e resposta divina (vv.12-16)
  • Pergunta retórica sobre por que a terra pereceu, seguida da explicação de Deus: abandono da lei, idolatria e consequente juízo (losna, água de fel, dispersão entre as nações).
  1. Convocação para o lamento público (vv.17-20)
  • Chamado às carpideiras e às mulheres para aprenderem e ensinarem o pranto, marcando o reconhecimento coletivo da ruína.
  1. Descrição da morte generalizada (vv.21-22)
  • A morte é personificada como invasora que entra pelas janelas, e os cadáveres são comparados a esterco e feixes largados no campo.
  1. Redefinição da verdadeira glória (vv.23-24)
  • Oráculo em forma de antítese: o que não deve ser motivo de glória e o que deve ser, centrado no conhecimento do Senhor.
  1. Juízo contra circuncidados e incircuncisos (vv.25-26)
  • Conclusão que relativiza o sinal externo da circuncisão e enfatiza a incircuncisão do coração, incluindo Israel entre os povos sob juízo.

Significado teológico

Teologicamente, Jeremias 9 destaca a seriedade do pecado como ruptura da aliança com Deus e desordem de toda a vida social. A mentira, a traição e o engano não são apenas falhas éticas pontuais, mas evidências de uma relação quebrada com o Senhor: “a mim não me conhecem, diz o Senhor” (v.3). Conhecimento de Deus, aqui, não é apenas informação teológica, mas relacionamento obediente e reverente. O capítulo também aprofunda a teologia do juízo: a devastação da terra, o exílio e a morte são apresentados como consequências justas do abandono da lei e da idolatria. O juízo é ao mesmo tempo doloroso e necessário, descrito como um processo de “fundir e provar” (v.7), com conotações de purificação. Jeremias 9 contribui ainda para a compreensão bíblica da verdadeira sabedoria e glória humanas (vv.23-24). Ele confronta os pilares tradicionais de segurança – sabedoria, força e riqueza – e afirma que o único motivo legítimo de glória é conhecer o Senhor que se agrada em beneficência, juízo e justiça. Esse ensino ecoa em toda a Escritura, preparando o terreno para a ênfase posterior de que Deus olha para o coração e que a verdadeira circuncisão é interior (v.26). Assim, o capítulo expõe a insuficiência de sinais religiosos externos sem transformação do coração e aponta para a necessidade de uma obra profunda de Deus no interior do ser humano.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Do ponto de vista pastoral e terapêutico, Jeremias 9 é um texto de lamento honesto diante da realidade do mal, da injustiça e das consequências do pecado coletivo. O profeta não minimiza a dor, nem foge da angústia; ele a nomeia com imagens fortes, chora pelos mortos e pela destruição, e admite o peso emocional que carrega. O capítulo valida a experiência de sofrimento diante de realidades que parecem maiores do que a capacidade humana de suportar: violência, perda, vergonha nacional, sensação de abandono e desamparo social. Ao mesmo tempo, oferece um eixo de sentido: mesmo em meio à ruína, Deus continua definindo o que é verdadeiro valor – conhecê-lo e viver sob seu caráter de misericórdia, justiça e retidão. Há também uma dimensão comunitária do lamento: carpideiras são chamadas, mulheres são instruídas a ensinar o choro umas às outras. A dor não é isolada, mas compartilhada, reconhecida e expressa em conjunto. Isso sugere o valor espiritual e emocional de espaços onde a tristeza pode ser assumida com sinceridade, em vez de mascarada por aparências religiosas ou sociais. Por fim, o texto confronta falsas bases de segurança emocional – autoconfiança na própria inteligência, força ou riqueza – e redireciona o coração para um fundamento mais estável: o relacionamento com o Deus que continua sendo justo e misericordioso, mesmo quando corrige e disciplina.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos de Jeremias 9 podem ser difíceis para pessoas em sofrimento intenso ou com histórico de traumas religiosos. As imagens de morte generalizada (especialmente envolvendo crianças e jovens, v.21), corpos espalhados como esterco (v.22) e desolação total podem ativar lembranças de perdas, violência, desastres ou guerras. A linguagem de juízo e vingança divina (vv.9, 15-16, 25-26) pode ser mal interpretada por quem já sofreu abusos espirituais, levando à sensação de que todo sofrimento atual é punição direta de Deus, sem considerar o contexto histórico específico e a dimensão coletiva do pecado tratado no texto. Pessoas com tendência à culpa excessiva, escrúpulos religiosos ou quadro depressivo podem ler esse capítulo como confirmação de que são irremediavelmente rejeitadas por Deus. Por isso, é importante lembrar que o alvo aqui é uma nação persistente na rebeldia, que rejeita a lei e se apega à idolatria, e que mesmo o juízo é parte de um processo maior em que Deus ainda busca um povo purificado e restaurado. Em contextos de acompanhamento pastoral ou clínico, recomenda-se muita sensibilidade ao trabalhar esse texto, acolhendo as reações emocionais, explicando o contexto histórico e redirecionando o foco para o convite positivo do capítulo: conhecer o Senhor que se agrada em beneficência, juízo e justiça (v.24), e não em destruição pela destruição.

Aplicação prática para hoje

Jeremias 9 oferece aplicações práticas para a vida contemporânea em várias dimensões:

  1. Integridade nas palavras e nos relacionamentos A descrição da língua como flecha mortífera e da convivência marcada por engano e calúnia desafia qualquer ambiente onde a mentira se naturaliza: família, trabalho, comunidade de fé. O texto chama à vigilância sobre a forma de falar, ao abandono da calúnia, da manipulação e da hipocrisia e à construção de confiança por meio da verdade.

  2. Discernimento sobre a cultura que nos cerca A “habitação no meio do engano” (v.6) aponta para a necessidade de reconhecer quando valores predominantes ao redor caminham contra a verdade de Deus. Isso pode envolver reavaliar padrões de consumo, ética profissional, discursos políticos ou religiosos que relativizam a justiça e a fidelidade.

  3. Responsabilidade coletiva O juízo descrito é dirigido a uma nação inteira que abandonou a lei de Deus. Isso incentiva a refletir sobre responsabilidade social: como escolhas coletivas de injustiça, idolatria do poder ou descaso com os vulneráveis podem gerar consequências amplas. A fé bíblica não se limita à esfera privada, mas se expressa em estruturas de justiça na sociedade.

  4. Valor do lamento sincero O chamado às carpideiras e ao pranto ensinado às filhas mostra que lamentar não é fraqueza, mas resposta adequada diante da destruição e da perda. Em vez de negar a dor, o texto legitima o choro e o reconhecimento da ruína, o que abre espaço para arrependimento, cura e eventual restauração.

  5. Redefinição de sucesso e segurança Os versículos 23-24 confrontam diretamente as bases comuns de identidade: conhecimento, força e riqueza. A aplicação prática é revisar prioridades pessoais e comunitárias, buscando que planos, metas e decisões sejam orientados pelo conhecimento de Deus, seu caráter e seu prazer em bondade, justiça e retidão, e não apenas por ganhos materiais ou prestígio.

  6. Cuidado com a religiosidade apenas externa A crítica à circuncisão sem circuncisão de coração (v.26) se traduz hoje em alerta contra uma fé reduzida a ritos, cargos, tradições ou aparências, sem transformação interna. Isso inspira exame honesto do próprio coração, avaliando se práticas religiosas são expressão de amor a Deus ou apenas convenção social.

Perguntas frequentes

Por que Jeremias demonstra tanta tristeza em Jeremias 9?

Jeremias sofre porque enxerga, pela palavra de Deus, a profundidade da corrupção do povo e as terríveis consequências que estão por vir: devastação da terra, morte, exílio e vergonha. Ele não é um mensageiro frio do juízo; ele se identifica com a dor da nação, a ponto de desejar chorar dia e noite (v.1) e lamentar pelos montes e pastagens (v.10). Sua tristeza também reflete a dor de Deus diante de um povo que o rejeita.

Qual é a causa principal do juízo descrito em Jeremias 9?

O próprio texto responde nos versículos 13-14: o povo abandonou a lei que Deus havia colocado diante deles, não deu ouvidos à voz do Senhor, não andou nos seus caminhos e seguiu o propósito do seu próprio coração, além de correr atrás dos baalins, como aprendera com os pais. Em outras palavras, houve rejeição consciente da vontade de Deus e prática deliberada de idolatria e injustiça.

O que significa Deus dizer que dará ao povo losna para comer e água de fel para beber?

Losna e fel são imagens de amargura extrema. Comer losna e beber água de fel simboliza experimentar consequências amargas, sofridas e dolorosas do afastamento de Deus. Não é apenas desconforto, mas uma vida marcada por frustração, angústia e juízo. São figuras que comunicam como o pecado, em vez de trazer satisfação, acaba resultando em amarga colheita.

Como entender o chamado às carpideiras e às mulheres que devem aprender a lamentar?

Na cultura da época, carpideiras eram mulheres especializadas em conduzir lamentos públicos em funerais e grandes tragédias. Deus manda chamá-las (vv.17-20) para destacar a dimensão coletiva da desgraça que viria sobre Judá. O pranto não seria algo pontual, mas tão intenso e abrangente que as mulheres deveriam ensinar umas às outras a lamentar. Isso sublinha a gravidade do juízo e, ao mesmo tempo, legitima o lamento como resposta adequada diante da ruína.

O que significa gloriar-se em conhecer ao Senhor, segundo Jeremias 9.23-24?

Gloriar-se em conhecer ao Senhor é encontrar o verdadeiro valor, segurança e identidade no relacionamento com Deus, compreendendo quem Ele é e o que Ele faz: beneficência, juízo e justiça na terra. Em contraste com quem se orgulha da própria sabedoria, força ou riqueza, o texto ensina que o único motivo legítimo de glória é o conhecimento de Deus, que leva a uma vida alinhada ao seu caráter. Trata-se de uma glória que não exalta o eu, mas exalta o Senhor.

Por que Deus fala em castigar tanto o circuncidado quanto o incircunciso?

Nos versículos 25-26, Deus declara que o juízo alcançará tanto Israel quanto as nações ao redor. O ponto principal é mostrar que a circuncisão externa, sinal da aliança, não protege quem permanece com o coração rebelde. Todas as nações são descritas como incircuncisas, e “toda a casa de Israel é incircuncisa de coração”, ou seja, sem entrega interior a Deus. Assim, o critério do juízo não é apenas o ritual, mas a realidade espiritual e moral do coração.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 9 é um capítulo marcado por lágrimas. As primeiras palavras já são um grito de dor: o profeta deseja que sua cabeça se torne em águas, para chorar dia e noite pelos mortos da filha do seu povo. A dor aqui não é teórica; é concreta, intensa, quase insuportável. Há um coração que ama profundamente e, por isso mesmo, sofre com a destruição de quem se afastou de Deus. O texto descreve um clima pesado: pessoas que não conseguem confiar umas nas outras, irmãos que enganam, vizinhos que caluniam, uma língua que fere como flecha. Viver em um ambiente assim cansa, fere e gera solidão: “a tua habitação está no meio do engano” (v.6). Esse tipo de realidade emocional – conviver com traição, mentira, relacionamentos quebrados – deixa marcas profundas no interior. Também há o lamento pela perda: montes queimados, cidades em ruínas, crianças e jovens atingidos pela morte. A linguagem é forte, mas revela algo importante: Deus não passa por cima da dor humana como se fosse detalhe. Ele inspira um profeta que sente, chora e coloca em palavras a devastação de uma nação. O pranto é tão legítimo que Deus manda chamar carpideiras e ensinar o choro às filhas e vizinhas. A tristeza não é para ser negada ou abafada, mas reconhecida e compartilhada. Em meio a tanta dor, surge um raio de verdade que consola: o verdadeiro valor não está na força humana, nem na inteligência, nem nas riquezas, mas em conhecer o Senhor que faz beneficência, juízo e justiça (v.24. Mesmo quando corrige, Ele continua sendo bom, justo e fiel a si mesmo. O capítulo mostra um Deus que se entristece com a maldade, que disciplina o pecado, mas que ainda assim se agrada da misericórdia e da justiça. Nesse quadro duro, permanece a certeza de que o coração humano pode encontrar um lugar seguro: não nas circunstâncias, mas no caráter de Deus, que é estável quando tudo ao redor desmorona.

Mind
Mind

Em Jeremias 9, a argumentação profética segue um encadeamento lógico: diagnóstico espiritual, anúncio de juízo, lamento pela desgraça e, por fim, uma redefinição teológica da verdadeira glória e identidade do povo de Deus. O diagnóstico é moral e teológico ao mesmo tempo. Moral, porque trata de mentiras, enganos, adultério e calúnia (vv.2-5); teológico, porque identifica tudo isso como fruto de uma ruptura com Deus: “a mim não me conhecem, diz o Senhor” (v.3) e “pelo engano recusam conhecer-me” (v.6). Conhecimento de Deus, na teologia bíblica, é relacional e prático; não se limita a ritos ou informações, mas se manifesta em fidelidade e justiça. O anúncio de juízo é coerente com a aliança mosaica. O motivo central é exposto nos vv.13-14: abandono da lei, surdez à voz de Deus, seguimento do próprio coração e dos baalins. Esses elementos recapitulam temas de Deuteronômio – se o povo deixasse a lei e se entregasse à idolatria, enfrentaria maldições como a desolação da terra, a amargura e a dispersão entre as nações. As imagens de losna e água de fel (v.15) e de dispersão com espada (v.16) refletem o cumprimento dessas cláusulas de aliança. Literariamente, o capítulo combina lamento e oráculo de juízo, com forte uso de metáforas: a língua como arco e flecha (vv.3,8), a morte entrando pelas janelas (v.21), os cadáveres como esterco (v.22). Essas imagens intensificam a percepção da gravidade do pecado e do alcance do juízo. Os versículos 23-24 representam um ponto teológico alto. Trata-se de uma crítica às bases convencionais de status: sabedoria (possivelmente sabedoria política ou estratégica), força (poder militar) e riquezas (recursos econômicos). Em contraste, a verdadeira “glória” é conhecer o Senhor em seu caráter: Ele pratica beneficência (hesed, fidelidade amorosa), juízo (mishpat, decisões corretas) e justiça (tsedaqah, retidão relacional). Esse trio de termos é central para a teologia profética e revela que o Deus da aliança se envolve ativamente na ordem moral do mundo. Nos versículos 25-26, Jeremias desconstrói uma segurança equivocada no sinal da circuncisão. Ao anunciar juízo sobre “todo o circuncidado com o incircunciso”, ele relativiza o privilégio externo e enfatiza a incircuncisão do coração de Israel. Essa é uma antecipação clara da crítica posterior à mera religião formal, tanto no próprio Jeremias (4.4; 31.31-34) quanto em outros autores bíblicos. Em síntese, o capítulo reforça a teologia da aliança: privilégios externos sem fidelidade interna resultam em juízo, e a verdadeira sabedoria consiste em conhecer e refletir o caráter do Deus justo e misericordioso.

Life
Life

Jeremias 9 toca em áreas muito concretas da vida diária: relacionamentos, comunicação, segurança, prioridades e religiosidade prática. O cenário descrito – pessoas enganando umas às outras, irmãos que não inspiram confiança, vizinhos que caluniam – lembra ambientes familiares, profissionais ou comunitários onde falta integridade. Onde a mentira é recorrente, a convivência se torna pesada, cansativa e perigosa, exatamente como o texto descreve. A imagem da língua como flecha mortífera mostra o impacto real das palavras. Em contextos de trabalho, por exemplo, boatos e calúnias podem destruir reputações e oportunidades. Em casa, palavras falsas ou manipuladoras corroem a confiança e o respeito. Jeremias 9 sugere que hábitos de linguagem – “ensinam a sua língua a falar a mentira” (v.5) – não surgem de um dia para o outro; são aprendidos, praticados e transmitidos. No dia a dia, isso estimula uma revisão de como se fala, do que se compartilha, de como se reage em conflitos. O capítulo também alerta sobre seguir apenas o “propósito do próprio coração” (v.14) sem referência à vontade de Deus. Numa cultura que muitas vezes incentiva fazer “o que der vontade” ou “o que faz sentir bem”, Jeremias mostra as consequências de um coração não alinhado com a lei de Deus: decisões que parecem boas no curto prazo podem resultar em amargura, perda e desestruturação de áreas inteiras da vida. Há uma forte dimensão comunitária: o juízo atinge coletivos inteiros, não só indivíduos isolados. Isso lembra que escolhas éticas e espirituais não afetam apenas a própria vida, mas também família, igreja, cidade e nação. Práticas injustas, idolatria do poder, descaso com a verdade e com os vulneráveis acabam gerando ambientes inseguros e marcados por sofrimento. Os versículos 23-24 oferecem um reorientador prático de prioridades. Em vez de colocar a meta de vida na busca por status intelectual, força de influência ou acumulação de riquezas, o texto convida a considerar o relacionamento com Deus e a prática de bondade, justiça e retidão como verdadeiro critério de sucesso. Isso influencia decisões profissionais (como usar competência e recursos), relacionamentos (como tratar os outros com justiça e misericórdia) e uso de tempo e dinheiro. Por fim, a crítica à circuncisão apenas externa lembra que não basta pertencer a uma comunidade religiosa, conhecer ritos ou ocupar funções. Sem transformação interna, tudo isso se torna fachada. Na prática, isso incentiva autenticidade: coerência entre discurso e vida, entre confissão de fé e comportamento real, tanto em público quanto no privado.

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Versículos em Jeremias 9

Jeremias 9:1

" Oh! se a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos numa fonte de lágrimas! Então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo. "

Jeremias 9:2

" Oh! se tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então deixaria o meu povo, e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, um bando de aleivosos. "

Jeremias 9:3

" E encurvam a língua como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em malícia, e a mim não me conhecem, diz o Senhor. "

Jeremias 9:4

" Guardai-vos cada um do seu próximo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, e todo o próximo anda caluniando. "

Jeremias 9:5

" E zombará cada um do seu próximo, e não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira, andam-se cansando em proceder perversamente. "

Jeremias 9:7

" Portanto assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que eu os fundirei e os provarei; pois, de que outra maneira procederia com a filha do meu povo? "

Jeremias 9:8

" Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas. "

Jeremias 9:9

" Porventura por estas coisas não os castigaria? diz o Senhor; ou não se vingaria a minha alma de nação tal como esta? "

Jeremias 9:10

" Pelos montes levantarei choro e pranto, e pelas pastagens do deserto lamentação; porque já estão queimadas, e ninguém passa por elas; nem se ouve mugido de gado; desde as aves dos céus, até os animais, andaram vagueando, e fugiram. "

Jeremias 9:11

" E farei de Jerusalém montões de pedras, morada de chacais, e das cidades de Judá farei assolação, de sorte que não haja habitante. "

Jeremias 9:12

" Quem é o homem sábio, que entenda isto? e a quem falou a boca do Senhor, para que o possa anunciar? Por que razão pereceu a terra, e se queimou como deserto, sem que ninguém passa por ela? "

Jeremias 9:13

" E disse o Senhor: Porque deixaram a minha lei, que pus perante eles, e não deram ouvidos à minha voz, nem andaram nela, "

Jeremias 9:14

" Antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins, como lhes ensinaram os seus pais. "

Jeremias 9:15

" Portanto assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que darei de comer losna a este povo, e lhe darei a beber água de fel. "

Jeremias 9:16

" E os espalharei entre gentios, que não conheceram, nem eles nem seus pais, e mandarei a espada após eles, até que venha a consumi-los. "

Jeremias 9:17

" Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai, e chamai carpideiras que venham; e mandai procurar mulheres hábeis, para que venham. "

Jeremias 9:18

" E se apressem, e levantem o seu lamento sobre nós; e desfaçam-se em lágrimas os nossos olhos, e as nossas pálpebras destilem águas. "

Jeremias 9:19

" Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: Como estamos arruinados! Estamos mui envergonhados, porque deixamos a terra, e por terem eles lançado fora as nossas moradas. "

Jeremias 9:20

" Ouvi, pois, vós, mulheres, a palavra do Senhor, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua boca; e ensinai o pranto a vossas filhas, e cada uma à sua vizinha a lamentação; "

Jeremias 9:21

" Porque a morte subiu pelas nossas janelas, e entrou em nossos palácios, para exterminar as crianças das ruas e os jovens das praças. "

Jeremias 9:22

" Fala: Assim diz o Senhor: Até os cadáveres dos homens jazerão como esterco sobre a face do campo, e como gavela atrás do segador, e não há quem a recolha. "

Jeremias 9:23

" Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, "

Jeremias 9:24

" Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor. "

Jeremias 9:26

" Ao Egito, e a Judá, e a Edom, e aos filhos de Amom, e a Moabe, e a todos os que cortam os cantos do seu cabelo, que habitam no deserto; porque todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração. "

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