Jeremias 51:1
" Assim diz o SENHOR: Eis que levantarei um vento destruidor contra babilônia, e contra os que habitam no meio dos que se levantam contra mim. "
Entenda os temas principais e aplique Jeremias 51 na sua vida hoje
64 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Babilônia, antes instrumento de Deus, agora se torna alvo do Seu juízo por causa da soberba, violência e opressão. O capítulo descreve com detalhes militares e cósmicos sua ruína total, mostrando que nenhum poder humano pode resistir à decisão do Senhor.
Mesmo disciplinando seu povo, Deus afirma que Israel e Judá não foram abandonados. Ele trará à luz a justiça deles, vingará o sofrimento causado em Sião e os chamará a sair de Babilônia, preservando um remanescente.
O texto contrasta o Deus vivo, Criador dos céus e da terra, com os ídolos de Babilônia, obras vazias e enganosas. As imagens de escultura serão julgadas, e o principal deus babilônico será envergonhado.
Deus se apresenta como o Deus das recompensas, que retribui Babilônia com a mesma medida de violência e morte que ela trouxe sobre Israel e outras nações. O juízo é descrito como vingança justa, não como explosão arbitrária de ira.
Há um chamado insistente para que o povo de Deus saia do meio de Babilônia e não participe de seus pecados nem sofra com seu juízo. Trata-se tanto de um movimento físico quanto de uma separação espiritual do sistema idólatra e violento.
O Senhor é apresentado como Criador e Governante da criação e das nações. Ele levanta reis, desperta exércitos, determina o tempo da colheita do juízo e cumpre fielmente seus planos, por mais inabaláveis que pareçam os impérios humanos.
Jeremias 51 situa-se no período final do reino de Judá e nos anos do exílio babilônico. Babilônia, sob Nabucodonosor, tornou-se a grande potência mundial após derrotar Assíria e Egito, destruindo Jerusalém e o templo por volta de 586 a.C. O povo de Judá foi levado cativo, e muitos passaram a viver na própria Babilônia, uma cidade rica, fortificada e famosa por seus templos e pela adoração ao deus Bel/Marduque.
Neste contexto, o capítulo anuncia antecipadamente a queda de Babilônia, que historicamente começaria a se cumprir com a ascensão da Média-Pérsia. A menção aos reis da Média (v.11, 28) antecipa o cenário em que Ciro e depois Dario dariam fim ao domínio babilônico, por volta de 539 a.C. A destruição descrita em termos poéticos aponta para o colapso político, militar, religioso e cultural daquele império.
A cena final com Seraías (v.59-64) provavelmente ocorre durante uma viagem oficial de Zedequias, rei de Judá, a Babilônia, no quarto ano de seu reinado. Jeremias escreve num livro todas as palavras contra Babilônia e ordena que Seraías leia a profecia na própria cidade e, depois, lance o livro ao rio Eufrates, como ato simbólico da queda definitiva da cidade. Isso reforça a convicção de que o juízo de Deus sobre Babilônia é tão certo quanto o afundar daquele rolo nas águas profundas.
No panorama bíblico mais amplo, Babilônia se torna símbolo de todo sistema humano arrogante, opressor e idólatra que se levanta contra Deus e contra o seu povo. Jeremias 51, portanto, fala de uma situação histórica concreta, mas também alimenta o significado teológico de “Babilônia” que reaparece em outros livros bíblicos.
Jeremias 51 apresenta-se como um longo oráculo poético, com elementos proféticos, litúrgicos e narrativos. Pode ser organizado em blocos:
Abertura do juízo e chamado à fuga (v.1-6)
Anúncio de um “vento destruidor” vindo contra Babilônia, descrição de padejadores que limpam a terra e ordem para que o povo de Deus fuja e livre a própria vida, pois é o tempo da vingança do Senhor.
Lamento pela queda e confissão da incurabilidade de Babilônia (v.7-10)
Babilônia é descrita como copo de ouro que embriaga as nações. Em pouco tempo cai e se arruína; há tentativa de curá-la, mas se reconhece que não há cura. Em contraste, a justiça de Israel é trazida à luz.
Descrição militar do ataque e anúncio da vingança do templo (v.11-14)
Preparação de flechas e escudos, despertamento do espírito dos reis da Média, e afirmação de que o juízo é vingança do Senhor, especialmente por causa de seu templo profanado.
Exaltação do Criador e crítica à idolatria (v.15-19)
Hino ao Deus Criador, que fez a terra com poder e os céus com entendimento, contrastado com as imagens de escultura, vazias e mentirosas; Israel é apresentado como a porção de Jacó e herança de Deus.
Babilônia como instrumento de guerra e, ao mesmo tempo, alvo do juízo (v.20-26)
A imagem do “machado de batalha” com o qual Deus despedaçou nações e agora será quebrado. Segue-se a metáfora de Babilônia como “monte destruidor” que será transformado em monte queimado, em desolação perpétua.
Convocação das nações contra Babilônia (v.27-33)
Levantamento de estandarte, toque de trombeta e reunião de reinos para o ataque. A terra treme diante do cumprimento dos desígnios do Senhor. A filha de Babilônia é comparada a uma eira pronta para a colheita.
Clamor de Sião e promessa de vingança divina (v.34-37)
Descrição poética da violência sofrida por Sião nas mãos de Nabucodonosor e resposta divina: Deus pleiteará a causa de seu povo, secará o mar de Babilônia e a transformará em morada de chacais.
Embriaguez do juízo e completa devastação (v.38-44)
Imagem dos babilônios rugindo como leões e sendo embriagados pelo próprio juízo. Babilônia, antes glória da terra, torna-se objeto de espanto. O “mar” sobe sobre ela, e Bel é castigado e esvaziado.
Novo chamado para sair e lembrança de Jerusalém (v.45-51)
Convite insistente ao povo de Deus para sair do meio de Babilônia. Menciona-se rumores, violência, vergonha pelo opróbrio e profanação dos santuários do Senhor.
Reafirmação da certeza do juízo, por mais alta que seja Babilônia (v.52-58)
Mesmo que Babilônia suba aos céus, destruidores virão. O texto descreve o clamor de destruição, o quebrar dos poderosos, o sono eterno dos líderes e a queda dos muros e portas da cidade.
Epílogo narrativo: o rolo lançado ao Eufrates (v.59-64)
Passagem em prosa que relata a missão de Seraías em Babilônia. Jeremias registra a profecia em um livro, ordena que seja lida na cidade e, depois, amarrada a uma pedra e lançada ao Eufrates, como sinal da queda irremediável de Babilônia. O livro se encerra com a frase: “Até aqui são as palavras de Jeremias”.
Jeremias 51 oferece uma visão teológica densa sobre o juízo de Deus, sua fidelidade ao povo e sua soberania sobre a história.
Em primeiro lugar, o capítulo mostra que o juízo divino é justo, específico e proporcional. Babilônia é julgada não apenas por ser uma potência estrangeira, mas por sua arrogância, violência contra Sião, idolatria e abuso do poder que recebera como instrumento de Deus. Expressões como “tempo da vingança do SENHOR” e “Deus das recompensas” indicam que o juízo não é caprichoso, mas resposta santa ao mal acumulado.
Em segundo lugar, o texto reafirma que a disciplina de Deus sobre seu povo não significa abandono. Israel e Judá sofreram, foram exilados e envergonhados, mas o versículo 5 declara que não foram abandonados do seu Deus. A vingança contra Babilônia é também vindicação de Sião: Deus pleiteia a causa de seu povo, ouve o clamor dos oprimidos e traz à luz sua justiça.
O capítulo também aprofunda a doutrina da soberania de Deus sobre nações e impérios. Ele levanta “um vento destruidor”, desperta o espírito de reis estrangeiros, convoca reinos, determina o tempo da colheita do juízo e faz tremer a terra. Mesmo quando um império parece invencível, como Babilônia, Deus afirma que pode derrubá-lo, tornando seus muros e portas em nada. Isso ensina que o poder humano é sempre relativo e subordinado ao governo divino.
Outro aspecto central é a condenação da idolatria. Os ídolos são chamados de mentira, vaidade e obra de engano, sem espírito. Em contraste, o Senhor é apresentado como Criador da terra, dos céus e das forças da natureza. Teologicamente, isso reforça a exclusividade de Deus, sua superioridade sobre quaisquer deuses das nações e a loucura de confiar em obras humanas em vez do Deus vivo.
Além disso, o chamado para que o povo saia de Babilônia aponta para a dimensão espiritual da santidade e separação. Não se trata apenas de deixar uma geografia, mas de romper com um sistema opressor e idólatra. Mais tarde, esse tema ecoará na Escritura como convite constante para que o povo de Deus não se conforme com estruturas de injustiça e idolatria.
Por fim, o gesto simbólico de lançar o rolo ao Eufrates ressalta a confiabilidade da palavra profética. O destino do livro nas águas profundas ilustra a certeza do cumprimento da palavra do Senhor. A teologia de Jeremias 51, portanto, une justiça, juízo, misericórdia, soberania e fidelidade, mostrando que Deus conduz a história à revelação final da sua glória e à queda dos sistemas que se opõem a Ele.
Jeremias 51 toca em emoções intensas ligadas à injustiça sofrida, à perda, à humilhação e à espera por reparação. O texto coloca voz na dor de um povo oprimido por um poder esmagador, mas também na certeza de que essa opressão não ficará impune para sempre. Em termos terapêuticos, o capítulo valida o sofrimento histórico e coletivo, mostrando que Deus leva a sério a violência sofrida e promete intervir.
A linguagem forte de vingança e juízo pode funcionar como espaço seguro para a expressão da raiva, indignação e desejo de justiça que acompanham traumas profundos. Em vez de negar esses sentimentos, o texto os reorienta para Deus, o “Deus das recompensas”, que assume para si a tarefa de retribuir. Essa transferência da vingança para Deus ajuda a aliviar o peso de ter de fazer justiça com as próprias mãos.
Ao mesmo tempo, o capítulo oferece consolo ao lembrar que Deus não abandona seu povo, mesmo quando este passa por disciplina e exílio. A afirmação de que Israel e Judá não foram abandonados, associada ao chamado gentil para sair de Babilônia e preservar a própria vida, comunica cuidado, proteção e futuro possível após o trauma.
O contraste entre a aparente invencibilidade de Babilônia e sua queda anunciada trabalha a esperança: nenhum sistema opressor, nenhuma situação dolorosa é eterna diante de Deus. Essa visão pode fortalecer a resiliência, ajudando a reenquadrar experiências de injustiça dentro de uma história maior, na qual o mal não tem a palavra final.
Assim, Jeremias 51 pode ser lido como texto de cura para memórias coletivas feridas: ele nomeia a violência, legitima o clamor por justiça, devolve a dignidade aos que foram pisados e aponta para um Deus que se envolve ativamente na defesa dos vulneráveis.
O capítulo contém imagens de guerra, destruição em massa, linguagem de vingança e cenas de morte e embriaguez relacionadas ao juízo divino. Para pessoas sensíveis a temas de violência, com histórico de trauma, guerra, abuso ou perseguição, tais imagens podem acionar lembranças dolorosas ou provocar ansiedade.
A linguagem de “despedaçar” homens, mulheres, jovens e idosos (v.20-23), bem como de sono eterno imposto a príncipes e poderosos (v.57), pode ser particularmente perturbadora. Sem um enquadramento adequado, alguém pode interpretar o texto como incentivo à violência pessoal ou vingança humana, o que contraria a mensagem mais ampla da Escritura, que confia a Deus a justiça final.
Outro ponto sensível é o tom de celebração cosmológica sobre a queda de Babilônia (v.48), que, lido de forma isolada, pode ser entendido como simples alegria pela desgraça alheia. Pessoas em sofrimento podem relacionar esse texto à ideia de que Deus se alegra com qualquer queda, inclusive a delas, o que gera imagens distorcidas do caráter divino.
Por tratar de juízo coletivo, há ainda o risco de quem se sente culpado ou envergonhado projetar-se como alvo inevitável da destruição, especialmente se já carrega uma visão dura e punitiva de Deus. A falta de distinção entre o juízo contra o sistema opressor (Babilônia) e o cuidado com o povo de Deus pode reforçar culpa ou medo exagerado.
Leituras pastorais e terapêuticas deste capítulo precisam enfatizar:
– o contexto histórico específico do juízo contra um império opressor;
– a diferença entre a vingança de Deus e a vingança humana;
– as declarações claras de cuidado, preservação e não-abandono do povo de Deus.
Esse enquadramento ajuda a transformar o texto de gatilho de medo em fonte de esperança na justiça divina.
Reconhecer que nenhuma estrutura injusta é definitiva. Jeremias 51 lembra que Deus vê e julga impérios que se constroem à custa de violência, exploração e idolatria. Na prática, isso encoraja a não se render ao cinismo diante de corrupções e opressões atuais, mantendo o compromisso com a justiça, mesmo que a mudança pareça lenta.
Entregar a Deus o desejo de vingança. A experiência de injustiça costuma acender raiva e desejo de retribuição. O capítulo convida a reconhecer esses sentimentos, mas também a confiar que o “Deus das recompensas” é quem faz justiça de forma perfeita. Isso implica abrir mão de acertos pessoais destrutivos e, em vez disso, buscar vias justas e pacíficas de reparação.
Romper com “Babilônias” pessoais e culturais. O chamado para sair de Babilônia pode ser aplicado à necessidade de se afastar de sistemas, ambientes ou práticas que alimentam idolatria, opressão, injustiça e violência. Isso pode significar rever vínculos, hábitos de consumo, compromissos profissionais ou relacionamentos que mantêm a consciência cativa.
Lembrar-se de Deus em tempos de exílio. Os que escapam da espada são orientados a lembrar-se do Senhor e trazer Jerusalém à memória (v.50). Em momentos de deslocamento, perda ou instabilidade, a prática de recordar quem Deus é, o que já fez e o que prometeu ajuda a manter firme a identidade e a esperança, mesmo longe de “casa”.
Rejeitar ídolos modernos. A crítica às imagens de escultura pode ser transposta para ídolos contemporâneos: poder, dinheiro, status, ideologias, dependências emocionais. A aplicação prática envolve identificar o que ocupa o lugar de confiança suprema no coração e substituir isso por confiança no Deus vivo, Criador e Senhor da história.
Cultivar uma visão longa da história. Jeremias 51 mostra que o juízo e a restauração podem levar tempo, mas são certos. Na vida cotidiana, isso encoraja a tomar decisões baseadas não apenas em ganhos imediatos, mas em fidelidade a Deus a longo prazo, com a consciência de que Ele está conduzindo a história para um desfecho justo.
Valorizar a Palavra como âncora em meio ao caos. A cena do rolo lançado ao Eufrates ilustra que a palavra de Deus é firme, mesmo quando tudo ao redor parece instável. Isso inspira o hábito de retornar à Escritura para reencontrar estabilidade, direção e discernimento em tempos turbulentos.
A severidade do juízo contra Babilônia se relaciona ao papel central que ela ocupou como império opressor. Babilônia não apenas conquistou povos, mas destruiu Jerusalém, profanou o templo, derramou sangue inocente e se exaltou em arrogância e idolatria. Ela havia sido usada por Deus como instrumento de disciplina contra Judá, mas ultrapassou limites com violência e orgulho. Jeremias 51 apresenta o juízo como “vingança do seu templo” e “recompensa” pelas maldades feitas em Sião. Trata-se de uma resposta justa e proporcional de Deus a um império que se colocou frontalmente contra Ele e contra o seu povo.
O chamado “fugi do meio de Babilônia” e “saí do meio dela, ó povo meu” tem um sentido imediato e outro mais amplo. Historicamente, aponta para o momento em que Deus abriria caminho para o retorno do exílio, convidando os judeus a saírem da cidade e não participarem de seu juízo. Em sentido mais amplo, simboliza a necessidade de o povo de Deus se separar de sistemas marcados por idolatria, injustiça e opressão. É um apelo a não se conformar com a mentalidade dominante que se opõe a Deus, preservando assim a vida espiritual e a fidelidade ao Senhor.
A linguagem de vingança em Jeremias 51 deve ser lida dentro da teologia bíblica de justiça. Quando o texto fala em vingança, não se refere à vingança impulsiva e pessoal que a Escritura condena, mas à ação justa de Deus que corrige o mal, defende os oprimidos e restaura a ordem moral violada. Ao afirmar que o Senhor é “Deus das recompensas”, o capítulo declara que ninguém pratica o mal impunemente. Em vez de incentivar vingança humana, o texto convida o povo a confiar que Deus fará justiça, liberando-o do peso de precisar ajustar contas com as próprias mãos.
Jeremias ordena que Seraías leia a profecia contra Babilônia e, depois, amarre o rolo a uma pedra e o lance ao Eufrates. Esse gesto simbólico representa a queda definitiva de Babilônia: assim como o rolo afunda e não volta mais, também a cidade seria derrubada e não se levantaria por causa do mal que Deus traria sobre ela. O símbolo reforça a certeza do cumprimento da Palavra de Deus. Num contexto em que Babilônia parecia invencível, esse ato visual ajudava o povo a crer que o juízo anunciado não era mera retórica, mas realidade futura garantida.
O capítulo apresenta um contraste forte entre os ídolos de Babilônia e o Deus de Israel. Os ídolos são chamados de vaidade, mentira e obra de engano, sem espírito nem poder real. Já o Senhor é descrito como Aquele que criou a terra, ordenou o mundo e estendeu os céus com entendimento. Ele domina forças da natureza como relâmpagos, chuva e ventos. Israel é visto como sua herança, a “porção de Jacó”. Esse contraste ensina que confiar em ídolos – antigos ou modernos – é investir em algo vazio, enquanto confiar no Deus vivo é alinhar-se com Aquele que de fato governa a realidade.
Jeremias 51 carrega um peso emocional muito grande. Há dor acumulada, violência sofrida, vergonha, sensação de injustiça e um clamor silencioso por reparação. Ao mesmo tempo, o capítulo deixa claro que Deus não fechou os olhos para nada disso. Quando o texto diz que Israel e Judá não foram abandonados, mesmo com a terra cheia de culpas, há uma mensagem profunda de consolo. Deus não apaga o sofrimento do povo, nem finge que a dor não existe. Ele olha para a violência sofrida, para o sangue derramado, para a humilhação dos santuários profanados, e diz que pleiteará a causa dos seus. As imagens fortes de juízo, por trás de toda sua dureza, também mostram o quanto o coração de Deus leva a sério o que aconteceu com seu povo. O mal não é minimizado, nem passado por cima. A indignação que aparece no texto ecoa a indignação de quem ama: Deus se levanta em defesa daqueles que foram esmagados por Babilônia. O chamado para sair de Babilônia é, de certa forma, um gesto de cuidado. Como alguém que puxa com delicadeza uma pessoa para fora de um lugar perigoso, o Senhor convida seu povo a se afastar de um ambiente que só traria mais destruição. Há um tom protetor: “livrai cada um a sua alma”. Em meio a todo o caos, a vergonha e a sensação de exílio, o capítulo lembra que Deus ainda chama seu povo de “porção de Jacó” e “herança”. A identidade não é perdida, mesmo na terra da opressão. Isso dá lugar para uma esperança suave: por mais devastadoras que tenham sido as perdas, o vínculo com Deus permanece, e Ele não se esquece daqueles que pertencem a Ele.
Do ponto de vista exegético, Jeremias 51 é um exemplo consistente de oráculo contra nações, típico da literatura profética. O texto combina poesia e prosa, alternando imagens de guerra, teologia da criação, crítica à idolatria e narrativa simbólica. Historicamente, o alvo é o império neobabilônico, representado especialmente pela figura de Nabucodonosor, mas também pelos reis e poderosos que o sucederam. A menção frequente à Média e aos reis do norte aponta para o cenário da futura conquista medo-persa. O profeta lê essa reconfiguração geopolítica não apenas como mudança de poder humano, mas como execução dos desígnios do Senhor. Teologicamente, o capítulo refina a tensão entre disciplina e juízo. Deus utilizou Babilônia para punir Judá (tema recorrente em Jeremias), mas aqui deixa claro que o instrumento também é responsável por sua própria maldade e será julgado por isso. Há uma afirmação simultânea da soberania divina e da responsabilidade das nações. O trecho central sobre o Criador (v.15-19) está em forte diálogo com outras passagens do próprio Jeremias e de outros profetas. A estratégia literária é contrastar o Deus vivo com os ídolos mortos, estabelecendo o fundamento ontológico da fé de Israel: o Senhor não é apenas o deus de uma nação, mas o autor do cosmos. A crítica às imagens de escultura não é mero moralismo religioso, mas parte de uma visão de mundo na qual só o Deus que cria e sustenta a realidade é digno de culto. Outro ponto relevante é o uso da linguagem de “vingança” e “recompensa”. Essas categorias devem ser entendidas no contexto jurídico e de aliança do Antigo Testamento. O Senhor é o Fiador da justiça da aliança; quando ela é violada, especialmente com derramamento de sangue e opressão, Ele se compromete a restaurar a ordem justa. A vingança, aqui, é ação judicial restauradora, não descontrole emocional. O epílogo com Seraías e o rolo lançado ao Eufrates funciona como selo literário e teológico. Insere a profecia em um ato simbólico público, reforçando sua autoridade e perenidade. A fórmula “até aqui são as palavras de Jeremias” provavelmente marca o fim do corpo principal do livro, situando essa profecia como ponto culminante do ministério escrito do profeta. Por fim, o uso de Babilônia como tipo de um sistema mundial arrogante e idólatra cria pontes hermenêuticas com outras partes da Escritura. A leitura cuidadosa de Jeremias 51 fornece materiais para compreender como a Bíblia retrata a queda de poderes que se absolutizam e se colocam no lugar de Deus.
" Assim diz o SENHOR: Eis que levantarei um vento destruidor contra babilônia, e contra os que habitam no meio dos que se levantam contra mim. "
" E enviarei padejadores contra babilônia, que a padejarão, e despejarão a sua terra; porque virão contra ela em redor no dia da calamidade. "
" O flecheiro arme o seu arco contra o que arma o seu arco, e contra o que se exalta na sua couraça; e não perdoeis aos seus jovens; destruí a todo o seu exército. "
" E os mortos cairão na terra dos caldeus, e atravessados nas suas ruas. "
" Porque Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, do Senhor dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas contra o Santo de Israel. "
" Fugi do meio de babilônia, e livrai cada um a sua alma, e não vos destruais na sua maldade; porque este é o tempo da vingança do SENHOR; que lhe dará a sua recompensa. "
" babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso as nações enlouqueceram. "
" Num momento caiu babilônia, e ficou arruinada; lamentai por ela, tomai bálsamo para a sua dor, porventura sarará. "
" Queríamos curar babilônia, porém ela não sarou; deixai-a, e vamo-nos cada um para a sua terra; porque o seu juízo chegou até ao céu, e se elevou até às mais altas nuvens. "
" O Senhor trouxe a nossa justiça à luz; vinde e contemos em Sião a obra do Senhor, nosso Deus. "
" Aguçai as flechas, preparai os escudos; o SENHOR despertou o espírito dos reis da Média; porque o seu intento é contra babilônia para a destruir; porque esta é a vingança do SENHOR, a vingança do seu templo. "
" Arvorai um estandarte sobre os muros de babilônia, reforçai a guarda, colocai sentinelas, preparai as ciladas; porque como o SENHOR intentou, assim fez o que tinha falado contra os moradores de babilônia. "
" Ó tu, que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros, é chegado o teu fim, a medida da tua avareza. "
" Jurou o Senhor dos Exércitos por si mesmo, dizendo: Ainda que te enchi de homens, como de lagarta, contudo levantarão gritaria contra ti. "
" Ele fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento. "
Jeremias 51:15 mostra que Deus criou tudo com poder, sabedoria e entendimento. Isso significa que o mundo não é fruto do acaso, mas de um …
Ler analise completa" Fazendo ele ouvir a sua voz, grande estrondo de águas há nos céus, e faz subir os vapores desde o fim da terra; faz os relâmpagos com a chuva, e tira o vento dos seus tesouros, "
" Embrutecido é todo o homem, no seu conhecimento; envergonha-se todo o artífice da imagem de escultura; porque a sua imagem de fundição é mentira, e nelas não há espírito. "
" Vaidade são, obra de enganos; no tempo da sua visitação perecerão. "
" Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque ele é o que formou tudo; e Israel é a tribo da sua herança; o Senhor dos Exércitos é o seu nome. "
" Tu és meu machado de batalha e minhas armas de guerra, e por meio de ti despedaçarei as nações e por ti destruirei os reis; "
" E por meio de ti despedaçarei o cavalo e o seu cavaleiro; e por meio de ti despedaçarei o carro e o que nele vai; "
" E por meio de ti despedaçarei o homem e a mulher, e por meio de ti despedaçarei o velho e o moço, e por meio de ti despedaçarei o jovem e a virgem; "
" E por meio de ti despedaçarei o pastor e o seu rebanho, e por meio de ti despedaçarei o lavrador e a sua junta de bois, e por meio de ti despedaçarei os capitães e os magistrados. "
" E pagarei a babilônia, e a todos os moradores da Caldéia, toda a maldade que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o SENHOR. "
" Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, diz o Senhor, que destróis toda a terra; e estenderei a minha mão contra ti, e te revolverei das rochas, e farei de ti um monte de queima. "
" E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos, porque te tornarás em assolação perpétua, diz o Senhor. "
" Arvorai um estandarte na terra, tocai a buzina entre as nações, preparai as nações contra ela, convocai contra ela os reinos de Ararate, Mini, e Asquenaz; ordenai contra ela um capitão, fazei subir cavalos, como lagartas eriçadas. "
" Preparai contra ela as nações, os reis da Média, os seus capitães, e todos os seus magistrados, e toda a terra do seu domínio. "
" Então tremerá a terra, e doer-se-á, porque cada um dos desígnios do SENHOR está firme contra babilônia, para fazer da terra de babilônia uma desolação, sem habitantes. "
" Os poderosos de babilônia cessaram de pelejar, ficaram nas fortalezas, desfaleceu a sua força, tornaram-se como mulheres; incendiaram as suas moradas, quebrados foram os seus ferrolhos. "
" Um correio correrá ao encontro de outro correio, e um mensageiro ao encontro de outro mensageiro, para anunciar ao rei de babilônia que a sua cidade está tomada de todos os lados. "
" E os vaus estão ocupados, e os canaviais queimados a fogo; e os homens de guerra ficaram assombrados. "
" Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: A filha de babilônia é como uma eira, no tempo da debulha; ainda um pouco, e o tempo da sega lhe virá. "
" Nabucodonosor, rei de babilônia, devorou-me, colocou-me de lado, fez de mim um vaso vazio, como chacal me tragou, encheu o seu ventre das minhas delicadezas; lançou-me fora. "
" A violência que se fez a mim e à minha carne venha sobre babilônia, dirá a moradora de Sião; e o meu sangue caia sobre os moradores da Caldéia, dirá Jerusalém. "
" Portanto, assim diz o Senhor: Eis que pleitearei a tua causa, e tomarei vingança por ti; e secarei o seu mar, e farei que se esgote o seu manancial. "
" E babilônia se tornará em montões, morada de chacais, espanto e assobio, sem que haja quem nela habite. "
" Juntamente rugirão como filhos dos leões; bramarão como filhotes de leões. "
" Estando eles excitados, lhes darei a sua bebida, e os embriagarei, para que andem saltando; porém dormirão um perpétuo sono, e não acordarão, diz o Senhor. "
" Fá-los-ei descer como cordeiros à matança, como carneiros e bodes. "
" Como foi tomada Sesaque, e apanhada de surpresa a glória de toda a terra! Como se tornou babilônia objeto de espanto entre as nações! "
" O mar subiu sobre babilônia; com a multidão das suas ondas se cobriu. "
" Tornaram-se as suas cidades em desolação, terra seca e deserta, terra em que ninguém habita, nem passa por ela filho de homem. "
" E castigarei a Bel em babilônia, e tirarei da sua boca o que tragou, e nunca mais concorrerão a ele as nações; também o muro de babilônia caiu. "
" Saí do meio dela, ó povo meu, e livrai cada um a sua alma do ardor da ira do Senhor. "
" E para que porventura não se enterneça o vosso coração, e não temais pelo rumor que se ouvir na terra; porque virá num ano um rumor, e depois noutro ano outro rumor; e haverá violência na terra, dominador contra dominador. "
" Portanto, eis que vêm dias, em que farei juízo sobre as imagens de escultura de babilônia, e toda a sua terra será envergonhada, e todos os seus mortos cairão no meio dela. "
" E os céus e a terra, com tudo quanto neles há, jubilarão sobre babilônia; porque do norte lhe virão os destruidores, diz o SENHOR. "
" Como babilônia fez cair mortos os de Israel, assim em babilônia cairão os mortos de toda a terra. "
" Vós, que escapastes da espada, ide-vos, não pareis; de longe lembrai-vos do Senhor, e suba Jerusalém a vossa mente. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.