Jeremias 25:1
" A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá (que é o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de babilônia), "
Entenda os temas principais e aplique Jeremias 25 na sua vida hoje
38 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Por vinte e três anos, Jeremias e outros profetas chamaram o povo ao arrependimento, mas Judá se recusou a ouvir. A paciência de Deus é longa, mas não anula sua justiça. A dureza de coração diante de repetidas advertências torna o juízo inevitável.
Nabucodonosor, rei da Babilônia, é chamado de “meu servo”, mostrando que até impérios pagãos podem ser usados por Deus para cumprir seus propósitos. O juízo começa em Judá, mas se estende a todas as nações ao redor.
O período de setenta anos de serviço à Babilônia é definido, sinalizando que o juízo tem limites estabelecidos por Deus. Depois desse tempo, a própria Babilônia será julgada, recebendo de volta segundo suas obras.
O símbolo do cálice de vinho representa o juízo de Deus que as nações são obrigadas a beber, gostem ou não. Isso enfatiza a soberania divina e a inevitabilidade do acerto de contas com o mal.
O juízo não é apenas local, mas alcança “toda a carne” e todos os moradores da terra. Pastores e principais do rebanho sofrem com intensidade, mostrando a responsabilidade especial dos líderes diante de Deus.
Jeremias 25 está situado no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, que corresponde ao primeiro ano de Nabucodonosor como rei da Babilônia (por volta de 605 a.C.). Este é o momento em que o poder babilônico se consolida após derrotar o Egito na batalha de Carquemis. Politicamente, Judá está espremida entre grandes potências e, espiritualmente, mergulhada em idolatria e injustiça, apesar das reformas anteriores de Josias. Jeremias relembra que vem profetizando desde o 13º ano de Josias, somando mais de vinte anos de chamadas ao arrependimento. A menção explícita de setenta anos de cativeiro antecipa o exílio babilônico que começará com deportações sucessivas, culminando na destruição de Jerusalém em 586 a.C. A lista de nações que “bebem o cálice” reflete o mapa geopolítico do Antigo Oriente Próximo: Egito, Filístia, Edom, Moabe, Amom, Tiro, Sidom, Arábia, Média e outros reinos. A expressão “rei de Sesaque” é geralmente entendida como um codinome criptografado para Babilônia. O capítulo mostra que o juízo de Deus não se restringe a Israel, mas envolve todo o sistema de nações que se opõe à vontade divina.
O capítulo se organiza em quatro grandes movimentos:
1) Recapitulação do ministério de Jeremias e recusa do povo (vv. 1-7) - Introdução datada no quarto ano de Jeoiaquim / primeiro de Nabucodonosor. - Jeremias revisa os vinte e três anos de pregação constante. - Menção aos demais profetas enviados por Deus. - Chamado ao arrependimento, rejeitado pelo povo.
2) Anúncio do cativeiro babilônico de setenta anos (vv. 8-14) - Declaração do Senhor dos Exércitos por causa da desobediência. - Nabucodonosor (Babilônia) como instrumento de juízo. - Desolação da terra, fim da alegria e do cotidiano. - Profecia dos setenta anos de serviço ao rei da Babilônia. - Juízo posterior sobre a própria Babilônia e retribuição segundo as obras.
3) O cálice do furor de Deus às nações (vv. 15-29) - Ordem para Jeremias tomar o cálice do furor de Deus. - Ato simbólico de fazer as nações “beberem”, indicando juízo. - Lista extensa de povos e reinos, começando por Jerusalém. - Declaração de inevitabilidade: mesmo que recusem, “certamente bebereis”. - Princípio: o juízo começa pela cidade do nome de Deus, mas alcança toda a terra.
4) Cena de juízo universal e queda de pastores (vv. 30-38) - Voz de Deus bramindo desde o alto, como quem pisa uvas no lagar. - Contenda com as nações e juízo sobre “toda a carne”. - Imagens fortes de morte, desolação e falta de sepultamento. - Lamento dos pastores e principais do rebanho, sem refúgio possível. - Conclusão com a terra desolada pela ira do Senhor e pelo opressor.
Jeremias 25 apresenta um retrato denso da justiça e da soberania de Deus na história. A longa paciência de Deus, expressa em décadas de advertências proféticas, evidencia que o juízo não é impulsivo, mas resposta à persistente recusa em se converter. O fato de Nabucodonosor ser chamado de “meu servo” mostra que Deus governa até sobre impérios pagãos, utilizando-os como instrumentos temporários para disciplinar seu povo e para julgar outras nações. A profecia dos setenta anos ressalta que o juízo tem limites e está dentro de um plano maior de restauração, o que se conecta depois às promessas de retorno do exílio.
O cálice do furor divino é uma imagem teológica forte: o pecado coletivo das nações acumula “vinho” de indignação, que precisa ser derramado de forma justa. Esse símbolo atravessa a Escritura e, no Novo Testamento, é invertido quando Cristo assume o cálice do juízo, para que seu povo seja poupado. O capítulo também desenvolve a ideia de juízo começando pela casa de Deus (a cidade chamada pelo seu nome) e se estendendo ao mundo inteiro, afirmando a responsabilidade maior de quem recebeu mais luz.
Além disso, Jeremias 25 enfatiza a retribuição moral: Babilônia, mesmo sendo usada por Deus, será julgada por sua própria maldade. Isso preserva a justiça divina e nega qualquer fatalismo que exima da responsabilidade moral. Deus é apresentado como Pastor e ao mesmo tempo como Juiz universal, que “tem contenda com as nações” e entra em juízo com “toda a carne”, sublinhando que nenhuma estrutura política ou religiosa está acima de seu tribunal.
Em termos de cuidado emocional, Jeremias 25 toca em temas de advertência severa, perda, colapso de estruturas conhecidas e sensação de inevitabilidade. O texto retrata o fim de um ciclo longo de avisos ignorados, o que pode ressoar com vivências de quem sente que certas consequências na vida se tornaram irreversíveis. A imagem da terra desolada, do fim da alegria cotidiana e da queda de líderes desperta emoções de luto, medo e insegurança.
Ao mesmo tempo, o capítulo revela que mesmo o juízo de Deus é delimitado e não caótico. Há um tempo definido (setenta anos) e uma ordem: Deus sabe o que está fazendo, mesmo quando tudo parece ruir. Isso pode oferecer uma base de segurança para quem vive perdas grandes ou desorganização interna, lembrando que caos não é a última palavra. A insistência de Deus em enviar profetas por tantos anos também comunica que a rejeição não foi final desde o início; houve inúmeras oportunidades, o que ajuda a entender que Deus não é impulsivo nem cruel.
Para quem carrega culpa por decisões passadas, a mensagem pode ser ambivalente: de um lado, confirma que escolhas têm consequências; de outro, mostra que Deus continua soberano e pode transformar até cativeiros em contextos de correção e futuro recomeço. Em termos terapêuticos, o capítulo pode ser lido como um convite a encarar a realidade com honestidade, reconhecer padrões destrutivos e, ao mesmo tempo, confiar que Deus permanece presente mesmo em tempos de disciplina.
O conteúdo de Jeremias 25 é intenso e pode acionar gatilhos em algumas pessoas. As imagens de destruição massiva, mortes não sepultadas e juízo universal (vv. 31-33) podem ser particularmente perturbadoras para quem lida com ansiedade intensa, pensamentos catastróficos, histórico de violência, trauma de guerra ou desastres, ou luto complicado. A ideia de um “cálice do furor” que todos são obrigados a beber (vv. 15-29) pode acentuar sentimentos de culpa extrema em pessoas com tendência à autoacusação ou visão distorcida de Deus como apenas punitivo.
A linguagem dirigida a “pastores” e “principais do rebanho” (vv. 34-36) também pode ser pesada para líderes espirituais em esgotamento, que já se sentem sobrecarregados ou com medo constante de falhar. Em contextos de depressão severa, o tom de desolação e falta de refúgio (v. 35) pode intensificar desesperança.
Nessas situações, é importante ler o capítulo dentro da narrativa maior da Bíblia, que inclui graça, perdão e restauração, e, se necessário, buscar apoio de pessoas de confiança ou profissionais de saúde mental. Leituras isoladas e sem contexto podem reforçar imagens de Deus distorcidas por experiências traumáticas prévias.
Jeremias 25 convida a levar a sério a voz de Deus ao longo do tempo. A recusa persistente de Judá em ouvir, apesar de décadas de chamados, mostra como a repetição de pequenas desobediências pode, com o tempo, produzir consequências grandes e difíceis de reverter. Em nível prático, o capítulo incentiva a valorizar alertas amorosos: conselhos de pessoas maduras, confrontos respeitosos, a própria consciência e a Palavra de Deus.
A figura de Nabucodonosor como “servo” lembra que circunstâncias difíceis, autoridades e até sistemas que parecem hostis podem ser, misteriosamente, usados por Deus para correção e redirecionamento. Isso não justifica injustiças, mas ajuda a enxergar que Deus continua no controle mesmo em ambientes adversos.
O cálice do furor de Deus aplicado às nações mostra que nenhuma estrutura de poder, pessoal ou coletiva, é imune à avaliação moral divina. Em termos concretos, o texto encoraja a examinar práticas injustas em relações, trabalho, liderança e sociedade, lembrando que o que se planta, cedo ou tarde, se colhe.
Por fim, o colapso dos “pastores” e “principais do rebanho” chama a atenção para a responsabilidade maior de quem lidera. Integridade, escuta às advertências e disposição de se arrepender rapidamente se tornam aspectos essenciais para quem influencia outros. O capítulo motiva uma postura de humildade, prontidão para corrigir rumos e confiança em Deus mesmo quando atravessa períodos de disciplina.
Os setenta anos representam o período em que Judá e as nações ao redor serviriam ao rei da Babilônia. Historicamente, esse tempo cobre aproximadamente da ascensão babilônica sobre Judá até o retorno dos exilados sob o decreto persa. O número indica um tempo completo de disciplina, estabelecido por Deus, após o qual Ele mesmo julgaria a Babilônia por sua maldade. Portanto, não é apenas um dado cronológico, mas um símbolo de juízo limitado e de futura restauração.
Nabucodonosor é chamado de “meu servo” porque, mesmo sem conhecê-lo plenamente ou obedecê-lo de forma consciente, ele é usado por Deus como instrumento para cumprir um propósito específico: disciplinar Judá e julgar outras nações. Isso não significa aprovação divina de tudo o que a Babilônia fez, mas destaca a soberania de Deus sobre os reinos humanos. Depois de cumprir seu papel, o próprio rei e sua nação são julgados por seus pecados.
O “copo do vinho do furor” é uma imagem simbólica do juízo de Deus. Beber desse cálice significa experimentar as consequências da ira divina contra o pecado coletivo das nações. O uso de vinho sugere algo que embriaga, faz tremer e perder o equilíbrio, indicando desorientação e queda diante do juízo. Essa figura reaparece em outras partes da Bíblia e, mais tarde, é contrastada com Cristo tomando sobre si o cálice do juízo em favor de seu povo.
O juízo começa com Jerusalém porque é a cidade que carrega o nome de Deus e que, portanto, recebeu maior luz e privilégio espiritual. A responsabilidade é proporcional ao conhecimento recebido. Ao iniciar seu juízo pela própria casa, Deus mostra que não há favoritismo injusto: o povo que recebeu mais revelação e cuidado também é chamado a prestar contas primeiro, e depois as demais nações seguem o mesmo princípio.
Embora Jeremias 25 enfatize o juízo, a menção dos setenta anos mostra que a disciplina tem limites temporais e propósito definido. O exílio não é o fim da história, mas uma etapa no processo de correção e posterior restauração. Em outros capítulos, Jeremias anuncia o retorno do cativeiro e novas alianças. Assim, este capítulo prepara terreno: confronta o pecado com seriedade para que, mais adiante, a promessa de restauração seja compreendida como graça e não como direito automático.
Jeremias 25 descreve um tempo em que o coração de Deus, por muito tempo paciente, finalmente permite que as consequências caiam sobre um povo que não quis ouvir. Ao longo de vinte e três anos, a voz de Deus soou repetidas vezes, chamando ao arrependimento e à vida, mas essas palavras foram ignoradas. Há dor nesse texto, tanto na experiência do povo quanto na do próprio profeta, que viu sua mensagem ser rejeitada. Emocionalmente, o capítulo carrega o peso de ver tudo o que é familiar desmoronar: alegria, festas, casamentos, trabalho diário, segurança na terra. A imagem da terra vazia e silenciosa, e dos pastores uivando sem encontrar refúgio, toca no medo profundo de perder o que dá sentido à vida. É a experiência de chegar a um ponto em que algo se rompeu de vez. Ao mesmo tempo, há traços de cuidado mesmo nesse cenário duro. A disciplina não aparece como explosão repentina, mas como algo anunciado com antecedência, com tempo para responder. Deus não surpreende seu povo com a dor; Ele havia falado, insistido, repetido. Isso revela um amor que não ignora o mal, mas tenta por todos os meios evitar que o desfecho seja tão severo. Para quem lê essas palavras com o coração sensível, a mensagem não é de abandono, mas de um Deus que leva a sério tanto o sofrimento causado pelo pecado quanto o valor de uma vida alinhada com Ele. A certeza de que há um limite — setenta anos — indica que a dor, por mais real que seja, não é eterna. No fundo dessas linhas duras, ainda se percebe um Deus que continua comprometido com seu povo, mesmo quando precisa corrigi-lo com firmeza.
Do ponto de vista do estudo bíblico, Jeremias 25 é um eixo teológico e histórico dentro do livro. A data mencionada no versículo 1, quarto ano de Jeoiaquim e primeiro ano de Nabucodonosor, localiza o texto por volta de 605 a.C., justamente quando a Babilônia consolida sua hegemonia no Crescente Fértil. Essa datação ajuda a entender por que o tom do capítulo é tão definitivo: a mudança geopolítica já está em curso. A recapitulação de vinte e três anos de profecia (desde o 13º ano de Josias) mostra a continuidade do ministério de Jeremias e o fracasso da resposta do povo, apesar da presença de outros profetas enviados por Deus. A insistência no verbo “não escutastes” dá unidade à acusação divina. Teologicamente, a designação de Nabucodonosor como “meu servo” é crucial. Ela expressa a ideia de que Deus é Senhor da história e pode instrumentalizar poderes pagãos sem aprovar sua idolatria. A referência aos setenta anos é uma das cronologias proféticas mais nítidas do Antigo Testamento e será retomada em textos posteriores, como Daniel 9. O número pode ter conotação simbólica de completude, mas também corresponde aproximadamente ao período entre a ascensão babilônica e o início do retorno sob o império persa. A seção do cálice (vv. 15-29) utiliza linguagem simbólica e litúrgica: Jeremias recebe da mão de Deus um copo de vinho do furor, que ele “faz beber” às nações. Essa metáfora de beber o juízo de Deus reaparece em profetas posteriores e em literatura apocalíptica, enfatizando a inevitabilidade e a abrangência do juízo. A lista das nações segue um movimento geográfico que se expande em círculos a partir de Jerusalém até atingir “todos os reinos do mundo”. A expressão “rei de Sesaque” é entendida por muitos estudiosos como um criptograma (atbash) para Babilônia, reforçando o caráter literário trabalhado do texto. A parte final (vv. 30-38) adota um tom quase apocalíptico: a voz de Deus ecoa desde os céus, Ele litiga com as nações e entrega os ímpios à espada. Imagens agrícolas (lagar, pastagens, rebanho) são usadas para ilustrar realidades políticas e espirituais. O foco sobre pastores e principais sugere uma crítica às lideranças religiosas e políticas do período. O capítulo, portanto, articula de forma densa história, metáfora e teologia do juízo divino.
Lido sob a ótica da vida prática, Jeremias 25 mostra o que acontece quando avisos são ignorados por muito tempo. O povo de Judá teve anos de oportunidade para ajustar o rumo, abandonar a idolatria e a maldade nas ações, mas preferiu seguir seus próprios caminhos. Há aqui uma dinâmica que se repete em muitas áreas da vida: pequenos sinais de alerta vão surgindo — na saúde, nas finanças, nos relacionamentos, na espiritualidade — e podem ser ouvidos ou desprezados. O texto ensina que consequências acumuladas não surgem do nada. Há uma construção lenta, feita de decisões cotidianas, que pode levar a um “cativeiro”: situações em que a liberdade é reduzida, alternativas ficam mais estreitas e é preciso servir a circunstâncias que antes poderiam ter sido evitadas. O anúncio dos setenta anos lembra que certas escolhas têm impacto prolongado, inclusive para a coletividade. A visão de Deus usando um rei estrangeiro como “servo” também oferece um princípio prático: realidades desconfortáveis — mudanças econômicas, autoridades difíceis, crises — podem ser usadas para nos fazer rever valores, prioridades e hábitos. Não significa aceitar passivamente injustiças, mas buscar enxergar o que pode ser aprendido, corrigido e amadurecido em meio a contextos que fogem ao controle. A queda dos pastores e principais do rebanho expõe a responsabilidade de quem lidera em qualquer esfera: família, trabalho, comunidade. Liderança não é apenas posição, é prestação de contas. Ignorar sinais de desvio — seja em caráter, seja em práticas injustas — costuma ter impacto também sobre as pessoas que dependem dessa liderança. Integridade, disposição de ouvir críticas e coragem para mudar são atitudes que este capítulo coloca em evidência, ainda que por contraste. No dia a dia, Jeremias 25 inspira a cultivar uma escuta mais atenta: registrar advertências, levar a sério feedbacks difíceis e agir antes que situações se tornem irreversíveis. E, quando consequências já chegaram, o capítulo lembra que Deus continua conduzindo a história, inclusive nos períodos de aparente perda e restrição.
Espiritualmente, Jeremias 25 revela a seriedade com que Deus trata a relação entre pecado e juízo, e, ao mesmo tempo, a profundidade de seu propósito para além do momento de disciplina. O longo período de vinte e três anos de apelos mostra um Deus que não se alegra com a destruição, mas que procura, persistentemente, reconduzir o povo à aliança. A recusa contínua leva a um ponto em que o cálice do furor precisa ser bebido. O cálice é uma imagem que atravessa a Escritura. Aqui, ele simboliza o juízo que as nações não podem evitar. Mais adiante, essa figura ganha um significado ainda mais profundo quando Cristo, no Getsêmani, fala sobre o cálice que deve beber. A partir dessa conexão, o cálice de Jeremias 25 pode ser visto como antecipação do juízo que, em última instância, recai plenamente sobre o Filho de Deus, para que exista um caminho de perdão e reconciliação. Assim, o capítulo aponta para a necessidade de um substituto que absorva o furor divino em lugar do povo. Os setenta anos delimitam o tempo da disciplina e sugerem uma pedagogia espiritual: o exílio não é mero castigo, mas um tempo de purificação, desapego de ídolos e redescoberta da identidade. Em termos de caminhada espiritual, isso se traduz em períodos em que Deus permite que certas amarras e cativeiros revelem a profundidade de nossa dependência e nos levem a buscar novamente a sua face. O juízo começando pela cidade que carrega o nome de Deus ressalta um princípio espiritual: quem é chamado para perto também é chamado a viver com seriedade diante d’Ele. Privilégio e responsabilidade caminham juntos. Ao estender o juízo a todas as nações, o capítulo recorda que a história não é aleatória; caminha para um acerto de contas em um tribunal que alcança “toda a carne”. Para a alma, Jeremias 25 convida a uma visão de Deus que une amor paciente, santidade inegociável e soberania absoluta. Convida também a ler a própria vida à luz de um enredo maior: tempos de disciplina podem ser portais para renovação profunda, e o cálice que parecia apenas de ira, no fim, aponta para a obra daquele que bebeu, em nosso lugar, o juízo que não poderíamos suportar.
" A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá (que é o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de babilônia), "
" A qual anunciou o profeta Jeremias a todo o povo de Judá, e a todos os habitantes de Jerusalém, dizendo: "
" Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra do Senhor, e vo-la tenho anunciado, madrugando e falando; mas vós não escutastes. "
" Também vos enviou o Senhor todos os seus servos, os profetas, madrugando e enviando-os, mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir, "
" Quando diziam: Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da maldade das suas ações, e habitai na terra que o Senhor vos deu, e a vossos pais, para sempre. "
" E não andeis após outros deuses para os servirdes, e para vos inclinardes diante deles, nem me provoqueis à ira com a obra de vossas mãos, para que não vos faça mal. "
" Porém não me destes ouvidos, diz o Senhor, mas me provocastes à ira com a obra de vossas mãos, para vosso mal. "
" Portanto assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que não escutastes as minhas palavras, "
" Eis que eu enviarei, e tomarei a todas as famílias do norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei de babilônia, meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e farei que sejam objeto de espanto, e de assobio, e de perpétuas desolações. "
" E farei desaparecer dentre eles a voz de gozo, e a voz de alegria, a voz do esposo, e a voz da esposa, como também o som das mós, e a luz do candeeiro. "
" E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de babilônia setenta anos. "
" Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de babilônia, e esta nação, diz o SENHOR, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas. "
" E trarei sobre aquela terra todas as minhas palavras, que disse contra ela, a saber, tudo quanto está escrito neste livro, que profetizou Jeremias contra todas estas nações. "
" Porque também deles se servirão muitas nações e grandes reis; assim lhes retribuirei segundo os seus feitos, e segundo as obras das suas mãos. "
" Porque assim me disse o Senhor Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei. "
" Para que bebam e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre eles. "
" E tomei o copo da mão do Senhor, e dei a beber a todas as nações, às quais o Senhor me enviou; "
" A Jerusalém, e às cidades de Judá, e aos seus reis, e aos seus príncipes, para fazer deles uma desolação, um espanto, um assobio, e uma maldição, como hoje se vê; "
" A Faraó, rei do Egito, e a seus servos, e a seus príncipes, e a todo o seu povo; "
" E a toda a mistura de povo, e a todos os reis da terra de Uz, e a todos os reis da terra dos filisteus, e a Ascalom, e a Gaza, e a Ecrom, e ao remanescente de Asdode, "
" E a Edom, e a Moabe, e aos filhos de Amom; "
" E a todos os reis de Tiro, e a todos os reis de Sidom; e aos reis das ilhas que estão além do mar; "
" A Dedã, e a Tema, e a Buz e a todos os que estão nos lugares mais distantes. "
" E a todos os reis da Arábia, e todos os reis do povo misto que habita no deserto; "
" E a todos os reis de Zinri, e a todos os reis de Elão, e a todos os reis da Média; "
" E a todos os reis do norte, os de perto, e os de longe, tanto um como o outro, e a todos os reinos do mundo, que estão sobre a face da terra, e o rei de Sesaque beberá depois deles. "
" Pois lhes dirás: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Bebei, e embebedai-vos, e vomitai, e caí, e não torneis a levantar-vos, por causa da espada que eu vos enviarei. "
" E será que, se não quiserem tomar o copo da tua mão para beber, então lhes dirás: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Certamente bebereis. "
" Porque, eis que na cidade que se chama pelo meu nome começo a castigar; e ficareis vós totalmente impunes? Não ficareis impunes, porque eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra, diz o Senhor dos Exércitos. "
" Tu, pois, lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O Senhor desde o alto bramirá, e fará ouvir a sua voz desde a morada da sua santidade; terrivelmente bramirá contra a sua habitação, com grito de alegria, como dos que pisam as uvas, contra todos os moradores da terra. "
" Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; os ímpios entregará à espada, diz o Senhor. "
" Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que o mal passa de nação para nação, e grande tormenta se levantará dos confins da terra. "
" E serão os mortos do Senhor, naquele dia, desde uma extremidade da terra até à outra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; mas serão por esterco sobre a face da terra. "
" Uivai, pastores, e clamai, e revolvei-vos na cinza, principais do rebanho, porque já se cumpriram os vossos dias para serdes mortos, e dispersos, e vós então caireis como um vaso precioso. "
" E não haverá refúgio para os pastores, nem salvamento para os principais do rebanho. "
" Voz de grito dos pastores, e uivos dos principais do rebanho; porque o Senhor está destruindo o pasto deles. "
" Porque as suas malhadas pacíficas serão desarraigadas, por causa do furor da ira do Senhor. "
" Deixou a sua tenda, como o filho de leão; porque a sua terra foi posta em desolação, por causa do furor do opressor, e por causa do furor da sua ira. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.