Jeremias 11 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 11 na sua vida hoje

23 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Jeremias 11?

Jeremias 11 traz a renovação da aliança e o anúncio do juízo por causa da rebelião de Judá. Deus lembra o povo do compromisso assumido desde a saída do Egito e denuncia a conspiração geral contra Ele por meio da idolatria e da desobediência. O capítulo mostra a seriedade de quebrar a aliança, a inutilidade dos ídolos na hora da angústia e a dor pessoal de Jeremias ao descobrir que até os homens de Anatote, sua própria terra, conspiravam para tirá‑lhe a vida por causa da profecia. Deus afirma que o tempo de intercessão por aquele povo terminou e anuncia castigo sem remanescente para os perseguidores do profeta.

Temas principais em Jeremias 11

Renovação e quebra da aliança (versículos 1-10)

Deus relembra a aliança feita quando tirou Israel do Egito: se ouvissem Sua voz, seriam Seu povo e Ele seria seu Deus. Mas Judá voltou às maldades dos pais, recusou-se a ouvir e quebrou a aliança, atraindo sobre si as maldições previstas.

Versículos-chave: 4, 8, 10

Juízo inevitável sobre a idolatria (versículos 11-17)

A multiplicação de deuses e altares em Judá mostra a profundidade da idolatria. No dia da calamidade, esses deuses não poderiam livrá-los. O tempo de clamor e intercessão terminou; o juízo de Deus se torna inevitável.

Versículos-chave: 11, 12, 13, 14

Falsa segurança religiosa (versículos 15-16)

O povo confiava em sacrifícios e ritos, como se isso compensasse sua infidelidade e vida moral corrupta. Deus confronta essa ilusão, mostrando que práticas religiosas sem obediência não afastam o mal.

Versículos-chave: 15, 16

A perseguição ao profeta fiel (versículos 18-21)

Jeremias descobre que é alvo de uma conspiração mortal, comparando-se a um cordeiro levado ao matadouro. A fidelidade ao chamado profético traz oposição e ameaça de morte, inclusive de pessoas de sua própria cidade.

Versículos-chave: 19, 21

Deus como justo Juiz (versículos 20-23)

Jeremias entrega sua causa ao Senhor, reconhecendo-O como justo Juiz que prova rins e coração. O profeta confia que Deus fará justiça contra os que o perseguem e que nenhum plano oculto passa despercebido ao Senhor.

Versículos-chave: 20, 22, 23

Contexto histórico e literario

Jeremias 11 se encaixa no período final do reino de Judá, pouco antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios (século VII–VI a.C.). Judá vivia um sincretismo religioso intenso: além do culto ao Senhor, o povo erguia altares a Baal e a outros deuses, inclusive dentro e ao redor de Jerusalém (v.13). A referência constante ao Êxodo (v.4-7) lembra que a relação entre Deus e Israel é baseada em uma aliança feita quando o Senhor os tirou do Egito, descrita em Êxodo, Levítico e Deuteronômio. Nessa aliança, obediência traria bênçãos, e desobediência, maldições, inclusive invasão e destruição da terra.

A expressão “fornalha de ferro” (v.4) é uma imagem do sofrimento e opressão no Egito, de onde Deus resgatou o povo. Agora, porém, Judá retorna às práticas dos “primeiros pais” rebeldes (v.10), repetindo o padrão de infidelidade. A menção a Anatote (v.21-23) situa Jeremias em seu contexto local: Anatote era uma cidade sacerdotal na região de Benjamim, de onde o profeta era natural. Ali viviam sacerdotes e líderes religiosos que, em vez de apoiarem o profeta, conspiraram para silenciá-lo. O anúncio de juízo específico sobre Anatote indica que até os círculos religiosos estavam profundamente corrompidos. O tom de “conspiração” (v.9) mostra que a infidelidade não era apenas individual, mas estrutural e generalizada, envolvendo povo, líderes e sacerdotes.

Estrutura de Jeremias 11

Jeremias 11 apresenta uma estrutura em blocos bem definidos, com alternância entre oráculo divino e resposta/experiência do profeta:

  1. Introdução e comando para proclamar a aliança (v.1-6)

    • A palavra do Senhor vem a Jeremias (v.1).
    • Ordem para chamar Judá e Jerusalém a ouvir as palavras da aliança (v.2-3).
    • Recordação da aliança do Êxodo: ouvir a voz de Deus, ser Seu povo, receber a terra (v.4-5).
    • Resposta de Jeremias: “Amém, ó Senhor” (v.5b).
    • Ordem de proclamar a aliança em todas as cidades e ruas (v.6).
  2. Histórico de advertência e rebelião (v.7-10)

    • Lembrança das repetidas advertências de Deus desde a saída do Egito (v.7).
    • Descrição da recusa do povo em ouvir e da obstinação do coração (v.8).
    • Declaração de uma “conspiração” em Judá (v.9).
    • Acusação formal: retorno às maldades dos pais, idolatria, quebra da aliança (v.10).
  3. Anúncio de juízo e inutilidade dos ídolos (v.11-14)

    • Juízo inevitável do qual não podem escapar (v.11).
    • Contraste entre clamor ao Senhor e clamor aos deuses falsos (v.12).
    • Ênfase na extensão da idolatria: tantos deuses quanto cidades, tantos altares quanto ruas (v.13).
    • Proibição a Jeremias de interceder pelo povo (v.14).
  4. Metáfora da oliveira e denúncia da falsa religião (v.15-17)

    • Pergunta retórica sobre o direito da “amada” na casa de Deus, em meio à lascívia e falso culto (v.15).
    • Imagem de Judá como oliveira verde e frutífera que agora tem seus ramos quebrados pelo fogo (v.16).
    • Explicação: o próprio Deus, que plantou, agora pronuncia o mal por causa da idolatria a Baal (v.17).
  5. Revelação da conspiração contra o profeta (v.18-19)

    • Deus revela a Jeremias as ações ocultas contra ele (v.18).
    • Jeremias se vê como cordeiro levado ao matadouro, sem saber da trama de destruição contra sua vida e memória (v.19).
  6. Apelo à justiça divina e sentença sobre Anatote (v.20-23)

    • Jeremias apela ao Senhor dos Exércitos, justo Juiz que prova rins e coração, pedindo ver a vingança divina (v.20).
    • Palavra do Senhor sobre os homens de Anatote que ameaçam o profeta para que pare de profetizar (v.21).
    • Anúncio do castigo: morte à espada, fome para filhos e filhas, ausência de remanescente, juízo no “ano da visitação” (v.22-23).

Significado teológico

O capítulo destaca a seriedade da aliança entre Deus e Seu povo. A relação não é apenas sentimental; está fundamentada em compromissos claros de obediência e exclusividade no culto. Ao lembrar o Êxodo (v.4-5), o texto mostra que a graça de Deus em libertar precede a exigência de obediência, mas não a dispensa. A maldição sobre quem não escuta as palavras da aliança (v.3) reflete a dinâmica de bênçãos e maldições descrita na Torá.

A insistência de Deus em advertir “madrugando” (v.7) revela Sua paciência prolongada, mas também que essa paciência tem limites quando há recusa persistente. Quando o povo “anda conforme o propósito do seu coração malvado” (v.8), as consequências previstas na própria aliança são ativadas. O juízo não é arbitrário; é coerente com o que Deus já havia dito.

A teologia da oração também aparece de forma intensa. Deus, em certos momentos, recusa a intercessão (v.14), indicando que há situações em que a obstinação torna o juízo irreversível. Isso não diminui o valor da oração, mas ressalta a soberania de Deus e a gravidade do endurecimento espiritual.

A idolatria é apresentada não apenas como erro religioso, mas como traição de aliança e provocação direta à ira de Deus (v.10, 17). A multiplicidade de altares e deuses (v.13) evidencia uma ruptura total da exclusividade de Deus. A falsa segurança em sacrifícios e ritos (v.15) denuncia a religião vazia, que tenta separar culto de vida e ética.

O papel do profeta ganha contornos cristológicos: Jeremias se vê como cordeiro levado à matança (v.19), antecipando, em figura, a experiência de perseguição injusta que culmina plenamente em Cristo, o Cordeiro de Deus. Ainda assim, ao contrário de Cristo, Jeremias clama por vingança (v.20), o que enfatiza tanto a humanidade do profeta quanto a tensão entre sofrimento e justiça. Deus é apresentado como “justo Juiz” que sonda o íntimo (v.20), reafirmando um dos pilares da fé bíblica: nenhum ato, intenção ou conspiração escapa ao Seu conhecimento e julgamento.

A sentença específica contra Anatote, sem remanescente (v.23), mostra que o julgamento começa pela casa de Deus, atingindo inclusive líderes e locais religiosos. O “ano da visitação” sinaliza um momento determinado por Deus para trazer à luz e ajustar contas com o mal.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Jeremias 11 dialoga com temas emocionais fortes: traição, ruptura de confiança, consequências de escolhas e sofrimento por ser fiel em meio à oposição. A figura de Jeremias como cordeiro levado à matança (v.19) ressoa com a sensação de ser alvo de injustiça sem compreender plenamente o que está acontecendo. Há uma dor profunda quando a conspiração vem de pessoas próximas, como os homens de Anatote, sua própria cidade.

O texto também aborda a frustração de relacionamentos quebrados: Deus fala como alguém traído por aqueles que chamou de “minha amada” (v.15), que viraram as costas e se entregaram a outros deuses. Essa linguagem espelha a dor de vínculos rompidos, infidelidade e ingratidão.

Ao mesmo tempo, o capítulo oferece um lugar seguro para a indignação justa. Jeremias leva sua causa ao Senhor (v.20), em vez de tentar vingar-se por conta própria. Há validação da dor e do senso de injustiça, canalizados para Deus como justo Juiz. Isso aponta para um caminho de saúde emocional: reconhecer o mal sofrido, não minimizá-lo, mas entregá-lo a Deus, que vê o íntimo e conhece toda a verdade.

O contraste entre aparência religiosa e coração distante (v.15) também toca a dimensão psicológica da culpa e da negação. O texto desmascara a tendência de tentar compensar comportamentos destrutivos com gestos superficiais, chamando à honestidade interior. Nessa perspectiva, Jeremias 11 funciona como um espelho que convida a integrar fé, emoções e conduta, sem máscaras.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns trechos podem ser emocionalmente sensíveis. A linguagem de juízo severo, com a ausência de remanescente para os homens de Anatote (v.22-23), pode ser interpretada de forma distorcida por pessoas com sentimento intenso de culpa ou medo de rejeição, levando a pensar que não há perdão possível para elas. A ordem de “não ores por este povo” (v.14) pode ser mal aplicada por quem lida com conflitos familiares ou comunitários, interpretando que deve deixar de orar por pessoas difíceis ou em pecado, em vez de compreender o contexto específico de juízo nacional e histórico.

A oração de Jeremias pedindo vingança (v.20) pode ser lida por alguém com raiva intensa como autorização para nutrir desejo de dano direto contra pessoas, em vez de enxergar o movimento de entregar a causa ao julgamento de Deus. Em situações de trauma ou abuso, esse texto precisa ser lido com cuidado, para não alimentar fantasias de violência, mas sim o consolo de que Deus vê e fará justiça.

Pessoas em sofrimento agudo, com histórico de abuso religioso, podem ser abaladas pela crítica à falsa religião (v.15-17) e à inutilidade de rituais vazios. É importante, nesse caso, distinguir entre a denúncia bíblica da hipocrisia e o convite de Deus a um relacionamento verdadeiro, cheio de graça para quem se volta a Ele com sinceridade.

Aplicação prática para hoje

Jeremias 11 convida a levar a sério os compromissos feitos com Deus. A lembrança da aliança do Êxodo desafia a viver a fé não apenas como tradição, mas como relacionamento obediente, em que ouvir a voz de Deus tem prioridade sobre desejos e conveniências pessoais.

O alerta contra a idolatria se aplica hoje a qualquer coisa que ocupe o lugar central do coração: segurança financeira, reconhecimento, relacionamentos, poder ou mesmo uma religiosidade centrada em ritos, e não em obediência. O texto mostra que, na hora da crise, esses “deuses” não podem livrar.

A crítica à falsa segurança religiosa encoraja a alinhar práticas de fé com uma vida coerente. Participar de cultos, servir e ofertar ganha sentido quando está ligado a um coração que busca sinceramente obedecer a Deus, não quando serve para encobrir escolhas contrárias à Sua vontade.

A experiência de Jeremias oferece um modelo de como lidar com oposição por causa da fidelidade. Em vez de revidar, o profeta leva sua causa ao Senhor, reconhecendo-O como justo Juiz. Isso inspira a responder à injustiça sem vingança pessoal, confiando que Deus vê e fará justiça a Seu tempo.

Por fim, o capítulo encoraja a autoavaliação: examinar se há áreas em que se insiste em seguir o “propósito do coração malvado” (v.8), apesar das advertências de Deus. A resposta madura é deixar-se confrontar, abandonar os “altares” que se levantam no cotidiano e voltar à simplicidade de ouvir e obedecer à voz do Senhor.

Perguntas frequentes

O que significa a aliança mencionada em Jeremias 11?

A aliança mencionada é o pacto que Deus fez com Israel quando os tirou do Egito. Nessa aliança, Deus se comprometia a ser o Deus do povo, dar-lhes uma terra boa e protegê-los, enquanto o povo se comprometia a ouvir Sua voz e obedecer aos Seus mandamentos. Bênçãos e maldições estavam ligadas à fidelidade ou infidelidade a esse compromisso, como descrito na Lei. Jeremias 11 retoma essa aliança para mostrar que Judá a quebrou ao se voltar à idolatria e desobediência.

Por que Deus proíbe Jeremias de orar pelo povo em Jeremias 11:14?

A proibição de orar pelo povo aparece em um contexto de juízo iminente depois de muitos anos de advertências rejeitadas. Não significa que Deus, em geral, não queira intercessão, mas que, naquele momento específico da história de Judá, a medida da iniquidade estava completa e o juízo já estava decretado. A ordem sublinha a gravidade da situação espiritual do povo e o caráter irreversível daquela etapa do castigo, não um princípio geral para todas as situações.

Quem são os homens de Anatote que perseguem Jeremias?

Os homens de Anatote eram habitantes da cidade natal de Jeremias, um lugar com forte presença sacerdotal. Em vez de acolherem a mensagem do profeta, eles se sentiram ameaçados e conspiraram para matá-lo, dizendo: “Não profetizes no nome do Senhor, para que não morras às nossas mãos” (v.21). Isso mostra que a resistência à mensagem de Deus vinha também de dentro do meio religioso e próximo ao profeta, não apenas de inimigos externos.

O que significa Jeremias se comparar a um cordeiro levado à matança?

Quando Jeremias diz que era como um cordeiro ou boi levado à matança (v.19), ele expressa a sensação de vulnerabilidade e surpresa ao descobrir que havia um complô contra sua vida. Ele estava caminhando em obediência, sem saber que outros planejavam destruí-lo. A imagem destaca a inocência do profeta em relação à conspiração e aponta para o custo da fidelidade em um contexto hostil.

O que é o “ano da visitação” mencionado em Jeremias 11:23?

O “ano da visitação” é uma expressão que indica um tempo determinado por Deus para intervir de forma decisiva, trazendo à luz o pecado e aplicando o juízo ou a correção. No contexto de Jeremias 11, refere-se ao momento em que Deus traria o mal sobre os homens de Anatote por causa da conspiração contra o profeta. É um lembrete de que, embora Deus possa parecer paciente e silencioso por um tempo, há um momento em que Ele ajusta contas com o mal.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 11 transborda a dor de um relacionamento quebrado. Há a dor de Deus, que chamou o povo de “minha amada” e agora vê essa amada entregue a outros deuses e a uma vida distante da Sua voz. Há também a dor de Jeremias, que se descobre alvo de uma conspiração, como um cordeiro levado à matança, sem sequer saber o que tramavam contra ele. Esse capítulo toca feridas profundas: a sensação de ter confiado, investido amor, cuidado, e receber em troca traição ou indiferença. A linguagem de Deus, lembrando a aliança do Êxodo, revela um coração que amou primeiro, que avisou repetidas vezes, que “madrugou” para falar, mas foi rejeitado. Isso mostra que a Bíblia não esconde o sofrimento que nasce da rejeição e do abandono. Ao mesmo tempo, há consolo em ver que Deus acolhe o clamor de Jeremias. O profeta não precisa fingir que está tudo bem; ele leva sua causa ao Senhor, com dor e desejo de justiça. A fé, aqui, não é negação do sofrimento, mas confiança de que alguém maior vê tudo, conhece a verdade e se importa o suficiente para agir. Esse cuidado divino mostra que, mesmo quando relações humanas falham, existe um lugar seguro onde a dor é compreendida e levado a sério. A imagem da oliveira verde, antes tão bela e frutífera, agora queimada e com ramos quebrados, retrata corações que já foram cheios de vida, mas se veem feridos e marcados. A boa notícia implícita na história maior da Escritura é que Deus não é apenas o que julga; Ele também é o que restaura, planta de novo, cuida e rega. Jeremias 11 deixa clara a seriedade da infidelidade, mas, ao mesmo tempo, aponta para um Deus que continua atento a cada lágrima e a cada clamor sincero que sobe a Ele.

Mind
Mind

Jeremias 11 é um texto profundamente alicerçado na teologia da aliança mosaica. A introdução (v.1-6) ecoa fórmulas típicas de tratados de suserania do antigo Oriente Próximo: um soberano que liberta o vassalo (Êxodo), estabelece cláusulas (mandamentos) e define bênçãos e maldições. O verbo “ouvir” aparece repetidamente, indicando que a obediência é, antes de tudo, uma disposição de escuta atenta. O capítulo faz um movimento de retrospectiva histórica (v.7-8), mostrando que a rebelião não é um desvio recente, mas um padrão repetido desde o Êxodo. A menção à “conspiração” (v.9) sugere uma quebra coletiva e consciente da lealdade ao soberano divino, quase como uma traição política em larga escala. Tanto “casa de Israel” quanto “casa de Judá” são incluídas no veredito de quebra da aliança (v.10), conectando o que ocorre em Judá ao longo fio da história de infidelidade do povo. A densidade da idolatria é expressa matematicamente: tantos deuses quanto cidades, tantos altares quanto ruas (v.13). Essa hipérbole retórica sublinha a totalidade da corrupção religiosa. A proibição de intercessão (v.14) precisa ser lida no contexto do pacto: Deus já havia prometido juízo em caso de persistente rebelião, de modo que agora a intercessão não anula, mas confirma o caráter justo de Sua palavra. A imagem da oliveira (v.16) ressoa com outros textos bíblicos em que Israel é comparado a uma árvore plantada por Deus. A tensão teológica aqui é que o próprio Deus, que plantou, agora acende o fogo que quebra os ramos. Isso destaca a soberania divina tanto na eleição quanto no juízo. A crítica à confiança em sacrifícios desligados da obediência (v.15) é coerente com a linha profética maior, presente em livros como Isaías e Oséias. A seção final (v.18-23) introduz um elemento autobiográfico marcante: a perseguição a Jeremias pelos homens de Anatote. Aqui se vê a dinâmica profeta-povo de forma aguda: o mensageiro torna-se alvo do julgamento popular, enquanto Deus promete julgar os perseguidores. O “ano da visitação” (v.23) conecta-se à ideia de um tempo escatológico ou, ao menos, historicamente decisivo de intervenção divina. O capítulo, assim, entrelaça teologia da aliança, crítica à idolatria, ética do culto e teologia do martírio profético em um quadro coerente e denso.

Life
Life

Jeremias 11 toca muitos pontos práticos do cotidiano. A primeira grande lição é que compromissos sérios exigem coerência ao longo do tempo. Judá declarou “Amém” à aliança (v.5), mas, na prática, escolheu seguir o próprio coração. No dia a dia, isso lembra que palavras bonitas, promessas e discursos de fé perdem força se não forem acompanhados por escolhas consistentes em casa, no trabalho e nos relacionamentos. A idolatria descrita aqui não se limita a estátuas; é a prioridade dada a qualquer coisa acima da vontade de Deus. As “muitas cidades” e “muitas ruas” com altares (v.13) lembram como é fácil espalhar pequenos altares pessoais: tempo, energia e dinheiro investidos em coisas que, no fim, não sustentam em tempos difíceis. Em situações de crise, fica evidente em que ou em quem se confiava de fato. O contraste entre culto e vida real aparece com força na pergunta: “Que direito tem a minha amada na minha casa, visto que com muitos tem cometido grande lascívia?” (v.15). Em linguagem prática, isso denuncia a tentativa de compensar atitudes erradas com gestos religiosos. Na rotina, isso se traduz em usar aparência de espiritualidade para encobrir injustiça, desonestidade ou infidelidade. O texto mostra que tal estratégia é insustentável a longo prazo. A experiência de Jeremias com perseguição traz uma lição importante sobre limites e segurança. A fidelidade ao que é certo pode provocar resistência, inclusive de pessoas próximas, como os homens de Anatote. O profeta não nega a gravidade da ameaça, mas também não negocia o essencial para preservar aceitação. Em termos práticos, isso inspira a manter integridade mesmo sob pressão, ao mesmo tempo em que se aprende a entregar situações de injustiça às mãos de Deus, em vez de devolver na mesma moeda. O conceito de “conspiração” (v.9) lembra que padrões de erro podem se tornar coletivos: grupos, famílias ou ambientes de trabalho podem normalizar práticas que desagradam a Deus. Diante disso, a postura prática é discernir se está se deixando arrastar pela corrente ou escolhendo, com consciência, um caminho alinhado à vontade de Deus, ainda que isso custe isolamento ou crítica.

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Versículos em Jeremias 11

Jeremias 11:3

" Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Maldito o homem que não escutar as palavras desta aliança, "

Jeremias 11:4

" Que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e fazei conforme a tudo quanto vos mando; e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus. "

Jeremias 11:5

" Para que confirme o juramento que fiz a vossos pais de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então eu respondi, e disse: Amém, ó Senhor. "

Jeremias 11:6

" E disse-me o Senhor: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança, e cumpri-as. "

Jeremias 11:7

" Porque deveras adverti a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, até ao dia de hoje, madrugando, e protestando, e dizendo: Dai ouvidos à minha voz. "

Jeremias 11:8

" Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, antes andaram cada um conforme o propósito do seu coração malvado; por isso trouxe sobre eles todas as palavras desta aliança que lhes mandei que cumprissem, porém não cumpriram. "

Jeremias 11:9

" Disse-me mais o Senhor: Uma conspiração se achou entre os homens de Judá, entre os habitantes de Jerusalém. "

Jeremias 11:10

" Tornaram às maldades de seus primeiros pais, que não quiseram ouvir as minhas palavras; e eles andaram após outros deuses para os servir; a casa de Israel e a casa de Judá quebraram a minha aliança, que tinha feito com seus pais. "

Jeremias 11:11

" Portanto assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei. "

Jeremias 11:12

" Então irão as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém e clamarão aos deuses a quem eles queimaram incenso; estes, porém, de nenhum modo os livrarão no tempo do seu mal. "

Jeremias 11:13

" Porque, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá! E, segundo o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares à impudência, altares para queimardes incenso a Baal. "

Jeremias 11:14

" Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal. "

Jeremias 11:15

" Que direito tem a minha amada na minha casa, visto que com muitos tem cometido grande lascívia? Crês que os sacrifícios e as carnes santificadas poderão afastar de ti o mal? Então saltarias de prazer. "

Jeremias 11:16

" Denominou-te o Senhor oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos, mas agora à voz de um grande tumulto acendeu fogo ao redor dela e se quebraram os seus ramos. "

Jeremias 11:17

" Porque o Senhor dos Exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade da casa de Israel e da casa de Judá, que para si mesma fizeram, pois me provocaram à ira, queimando incenso a Baal. "

Jeremias 11:19

" E eu era como um cordeiro, como um boi que levam à matança; porque não sabia que maquinavam propósitos contra mim, dizendo: Destruamos a árvore com o seu fruto, e cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória do seu nome. "

Jeremias 11:20

" Mas, ó Senhor dos Exércitos, justo Juiz, que provas os rins e o coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti descobri a minha causa. "

Jeremias 11:21

" Portanto, assim diz o Senhor acerca dos homens de Anatote, que buscam a tua vida, dizendo: Não profetizes no nome do Senhor, para que não morras às nossas mãos. "

Jeremias 11:22

" Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que eu os castigarei; os jovens morrerão à espada, os seus filhos e suas filhas morrerão de fome. "

Jeremias 11:23

" E não haverá deles um remanescente, porque farei vir o mal sobre os homens de Anatote, no ano da sua visitação. "

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