Jeremias 35 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 35 na sua vida hoje

19 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Jeremias 35?

Jeremias 35 narra a ida do profeta à casa dos recabitas, um clã que vivia como nômade e se abstinha de vinho por ordem de seu antepassado Jonadabe. Postos à prova dentro do templo, eles mantêm firme obediência às instruções recebidas. Deus usa o exemplo deles para confrontar Judá, que se recusa a ouvir a voz divina, apesar de muitos alertas proféticos. O capítulo termina com juízo anunciado sobre Judá e com uma promessa de bênção e permanência para a casa de Jonadabe, por causa de sua fidelidade.

Temas principais em Jeremias 35

Obediência fiel às instruções recebidas (versiculos 6-10, 14, 16)

Os recabitas permanecem obedientes ao mandamento de seu antepassado Jonadabe, mesmo após muitas gerações, recusando vinho e vida sedentária. Sua constância contrasta com a desobediência persistente de Judá à palavra de Deus.

Versiculos-chave: 6, 8, 10, 16

Contraste entre fidelidade humana e infidelidade ao Senhor (versiculos 13-16)

Deus destaca que os recabitas obedecem a um mandamento humano, enquanto o povo de Judá ignora repetidamente a voz do próprio Deus, mesmo após muitos avisos e apelos ao arrependimento.

Versiculos-chave: 13, 14, 15

Juízo sobre Judá por rejeitar a palavra de Deus (versiculos 15-17)

A recusa de Judá em ouvir e responder ao chamado de Deus resulta na confirmação do juízo anunciado: o mal prometido virá sobre Judá e Jerusalém, pois não deram atenção à voz do Senhor.

Versiculos-chave: 15, 17

Bênção e permanência para os que obedecem (versiculos 18-19)

Em contraste com o juízo sobre Judá, a casa de Jonadabe recebe uma promessa de continuidade diante de Deus, como recompensa pela obediência perseverante aos mandamentos recebidos.

Versiculos-chave: 18, 19

Vida simples, peregrina e desapegada (versiculos 7-11)

A escolha dos recabitas de viver em tendas, sem terras, vinhas ou casas construídas, reflete um estilo de vida marcado por simplicidade, peregrinação e obediência, visando longevidade na terra.

Versiculos-chave: 7, 9, 10, 11

Contexto historico e literario

Jeremias 35 se passa nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá (final do século VII a.C.), período de grande instabilidade política e espiritual. Jeoaquim não segue a reforma espiritual de seu pai Josias e conduz o povo de volta à idolatria e injustiça. Ao fundo, o império babilônico, sob Nabucodonosor, desponta como potência dominante, trazendo ameaça real à Judá. O versículo 11 indica que, diante da invasão babilônica e da pressão dos exércitos caldeus e sírios, os recabitas, que viviam como nômades, foram obrigados a se refugiar em Jerusalém.

Os recabitas descendem de Recabe e seguem as instruções de Jonadabe, filho de Recabe, figura conhecida de épocas anteriores (ligada ao período de Jeú no reino do Norte, conforme outras tradições bíblicas). Jonadabe havia estabelecido regras rígidas: não beber vinho, não construir casas, não plantar vinhas, não possuir campos, e habitar em tendas. Essa forma de vida os diferenciava do padrão urbano e agrícola predominante em Judá, enfatizando simplicidade, separação e vigilância moral. Deus usa esse grupo como exemplo vivo diante dos líderes de Judá, mostrando que é possível obedecer fielmente a uma aliança ao longo das gerações.

No cenário mais amplo, Jeremias está em plena missão profética, advertindo sobre o iminente juízo de Deus através da Babilônia por causa da infidelidade do povo. O episódio com os recabitas ocorre dentro do templo, em uma das câmaras ligadas aos príncipes e oficiais do santuário, dando ao evento um caráter público, pedagógico e simbólico. Assim, o capítulo funciona como uma ilustração histórica e profética, posicionada pouco antes da queda de Jerusalém, quando as advertências de Jeremias estavam se aproximando de seu cumprimento.

Estrutura de Jeremias 35

Jeremias 35 apresenta uma narrativa cuidadosamente construída, com forte caráter didático e simbólico:

  1. Introdução e ordem divina (v.1-2)
  • Localização temporal: dias de Jeoaquim, filho de Josias.
  • Deus ordena a Jeremias que vá à casa dos recabitas, os conduza ao templo e lhes ofereça vinho.
  1. Convocação e cenário no templo (v.3-4)
  • Jeremias reúne Jazanias, seus irmãos, filhos e toda a casa dos recabitas.
  • Descrição detalhada da câmara do templo, ligada aos filhos de Hanã e aos príncipes, reforçando o caráter público e solene do teste.
  1. A prova de obediência: oferta de vinho (v.5)
  • Jeremias coloca taças e copos cheios de vinho diante deles e ordena que bebam.
  1. Resposta e testemunho dos recabitas (v.6-11)
  • Recusa firme: “Não beberemos vinho” por ordem de Jonadabe.
  • Exposição do estatuto recebido: não beber vinho, não construir casas, não plantar vinhas, nem possuir campos, mas habitar em tendas.
  • Testemunho de obediência contínua de toda a comunidade.
  • Explicação da presença em Jerusalém como resposta a uma situação de guerra, não como abandono do estilo de vida.
  1. Aplicação profética e acusação contra Judá (v.12-16)
  • Nova palavra do Senhor a Jeremias.
  • Jeremias deve falar aos homens de Judá e moradores de Jerusalém.
  • Comparação direta: obediência plena às palavras de Jonadabe versus desobediência à voz do Senhor.
  • Recapitulação do esforço divino: envio de profetas, chamados ao arrependimento e à exclusividade no culto, todos ignorados.
  1. Declaração de juízo sobre Judá e Jerusalém (v.17)
  • Anúncio do mal que virá sobre Judá e Jerusalém.
  • Motivo: Deus falou e não foi ouvido; clamou e não recebeu resposta.
  1. Bênção profética à casa dos recabitas (v.18-19)
  • Palavra específica à casa dos recabitas.
  • Reconhecimento da obediência à ordem de Jonadabe.
  • Promessa: nunca faltará descendente de Jonadabe que esteja diante de Deus todos os dias.

A estrutura alterna entre narrativa histórica (teste dos recabitas) e discurso profético (aplicação e oráculos de juízo e bênção), usando o contraste para reforçar a mensagem central.

Significado teologico

O capítulo destaca a seriedade da obediência à palavra de Deus em contraste com a fidelidade a tradições humanas. Os recabitas, obedientes a um mandamento de seu antepassado, são colocados como espelho para Judá, que resiste à voz do próprio Deus. Isso ressalta a responsabilidade do povo da aliança: se a palavra de um líder humano pode ser seguida por séculos, quanto mais a revelação e o chamado divinos deveriam ser acolhidos.

A figura dos recabitas levanta ainda a questão da vida consagrada e distintiva dentro do povo de Deus. Seu estilo de vida simples, peregrino, desapegado de terras e vinhedos, não é apresentado como norma universal, mas como um testemunho específico de obediência, que Deus honra. Teologicamente, isso aponta para a diversidade de vocações dentro do povo de Deus, onde determinadas ordens e estilos de vida servem como sinal profético para lembrar a geração contemporânea do chamado à fidelidade.

O texto também sublinha a paciência de Deus e sua insistência em chamar ao arrependimento. Ele “madruga” e fala, envia profetas, insiste para que o povo abandone o mau caminho e rejeite a idolatria. Entretanto, a recusa contínua conduz inevitavelmente ao juízo. A teologia da retribuição aqui não é mecânica, mas ligada à relação de aliança: o juízo é cumprimento da palavra já anunciada, fruto de uma longa história de recusa.

Por fim, a promessa à casa de Jonadabe mostra que Deus não ignora a obediência. A ideia de que “nunca faltará homem” diante de Deus sugere continuidade de presença, serviço e memória diante do Senhor. A longo prazo, esse texto alimenta a reflexão sobre a recompensa da fidelidade, não apenas em termos materiais, mas especialmente em termos de permanência na presença de Deus e participação em seus propósitos ao longo das gerações.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Jeremias 35 oferece uma imagem de firmeza e coerência de vida que pode trazer segurança emocional em meio a contextos de instabilidade. Os recabitas aparecem como um grupo que, mesmo sob pressão externa e perigo (guerra, deslocamento para Jerusalém), se apega à identidade e às convicções recebidas. Para quem enfrenta crises, perdas de referência ou pressão para ceder a padrões contrários à própria consciência, essa narrativa mostra que é possível manter limites claros sem perder o senso de pertencimento.

A comparação entre a obediência dos recabitas e a desobediência de Judá também toca em temas de culpa coletiva, responsabilidade e consequências. O texto não suaviza o fato de que escolhas repetidas contra a vontade de Deus geram dor e juízo. Ao mesmo tempo, mostra que Deus percebe e valoriza profundamente pequenos grupos fiéis, mesmo quando o ambiente ao redor está em decadência. Essa percepção pode ser terapêutica para quem se sente minoria ou isolado ao tentar viver de forma íntegra.

Em nível interior, o capítulo trabalha a noção de limites saudáveis: dizer “não” a algo legítimo em si (como o vinho, a propriedade de terras) por causa de um propósito maior e de uma aliança assumida. Essa capacidade de recusar, mesmo quando há permissão social ou incentivo externo, fortalece a identidade e evita diluição de valores. A história convida a refletir sobre quais compromissos são estruturantes para a vida e como preservá-los, mesmo em mudanças de contexto e momentos de crise.

warning Importante: maus usos comuns

Este capítulo contém elementos que podem ser delicados para algumas pessoas:

  1. Linguagem de juízo e “mal” sobre Judá e Jerusalém (v.13-17) pode ser gatilho para quem já carrega medo intenso de punição divina ou experiências de abuso espiritual, especialmente se a imagem de Deus estiver fortemente associada apenas a castigo.

  2. A comparação entre obediência dos recabitas e desobediência de Judá pode ser interpretada de forma rígida, alimentando perfeccionismo religioso, medo de errar e culpa excessiva, principalmente em pessoas que já lutam com autocondenação.

  3. A noção de obediência radical a mandamentos de antepassados (v.6-10, 18-19) pode ser usada de forma distorcida em contextos de famílias ou comunidades abusivas, legitimando controles doentios sob o rótulo de “fidelidade” ou “tradição”.

  4. A ideia de que o mal anunciado se concretiza porque o povo não ouviu (v.17) pode ser mal utilizada para atribuir a qualquer sofrimento pessoal uma culpa direta, sem considerar fatores complexos e sem espaço para graça e cuidado.

Ao trabalhar esse texto em contexto de cuidado emocional, é importante enfatizar o caráter coletivo e histórico da passagem, a paciência de Deus ao longo do tempo e o valor da obediência como resposta amorosa, não como instrumento de medo ou coerção.

Aplicacao pratica para hoje

Jeremias 35 inspira decisões concretas em várias áreas da vida:

  1. Coerência entre convicções e prática: Os recabitas mantêm, por gerações, um estilo de vida em harmonia com as instruções que receberam. Isso desafia a cultivar hábitos e limites que reflitam convicções profundas, mesmo quando o ambiente social segue outra direção.

  2. Capacidade de dizer “não” sob pressão: Eles recusam o vinho em ambiente solene, dentro do templo, diante de um profeta respeitado. Isso ilustra a importância de manter princípios em situações de pressão de grupo, status ou autoridade, preservando integridade pessoal.

  3. Valor de uma vida simples e desapegada: A opção por habitar em tendas e não acumular propriedades aponta para uma postura de desapego, mobilidade e prontidão. Em contextos atuais, isso pode inspirar escolhas mais simples, moderação no consumo e liberdade em relação à posse como fonte de segurança.

  4. Escuta atenta à voz de Deus: O contraste com Judá, que ignora a palavra do Senhor apesar de muitos avisos, incentiva a cultivar sensibilidade à direção de Deus — por meio da Escritura, de conselhos sábios e da consciência moldada pelo Espírito.

  5. Responsabilidade geracional: O exemplo de Jonadabe mostra que decisões de uma geração podem marcar profundamente as seguintes. Isso estimula a refletir sobre valores, práticas e exemplos que são transmitidos em famílias, comunidades e igrejas, buscando legar caminhos de fidelidade, justiça e misericórdia.

  6. Lealdade maior a Deus do que à tradição: Embora o texto exalte a fidelidade à instrução de Jonadabe, a comparação deixa claro que a fidelidade fundamental é à voz de Deus. Na prática, isso significa avaliar tradições herdadas à luz da vontade de Deus revelada, mantendo o que promove vida e deixando o que contraria o caráter do Senhor.

Perguntas frequentes

Quem eram os recabitas em Jeremias 35?

Os recabitas eram um clã dentro de Israel que seguia as instruções de seu antepassado Jonadabe, filho de Recabe. Eles viviam como nômades, em tendas, sem plantar vinhas, sem possuir campos e sem beber vinho. Essa forma de vida os distinguia do padrão urbano de Judá e funcionava como testemunho de simplicidade, separação e obediência a um mandamento recebido no passado.

Por que Jeremias ofereceu vinho aos recabitas no templo?

Jeremias ofereceu vinho aos recabitas por ordem de Deus, como uma espécie de teste público da fidelidade deles às instruções de Jonadabe. Ao recusarem o vinho, mesmo em ambiente sagrado e diante de uma figura profética, os recabitas se tornam um exemplo concreto de obediência que Deus usa para confrontar a desobediência de Judá à Sua própria palavra.

O mandamento de Jonadabe sobre não beber vinho vale para todos os crentes?

O texto não apresenta o mandamento de Jonadabe como norma universal, mas como instrução específica para sua linhagem. Deus honra a fidelidade dos recabitas a essa ordem particular e os usa como exemplo de obediência. O princípio geral que se aplica a todos é a importância de obedecer às orientações de Deus e viver de acordo com convicções piedosas, e não necessariamente imitar o estilo de vida exato dos recabitas.

Por que Deus usa os recabitas para confrontar Judá?

Deus usa os recabitas porque eles mostram, na prática, que é possível obedecer fielmente por gerações inteiras à palavra recebida. Se um mandamento humano, dado por um antepassado, é tão respeitado, o contraste com a recusa do povo em ouvir o próprio Deus se torna evidente. Isso expõe a gravidade da desobediência de Judá e reforça a justiça do juízo anunciado.

O que significa a promessa de que nunca faltará homem de Jonadabe diante de Deus?

A promessa indica que a linhagem de Jonadabe não seria extinguida e que sempre haveria descendentes seus servindo ou permanecendo na presença de Deus. É uma forma de dizer que a memória e a influência desse clã obediente continuariam ao longo do tempo. Teologicamente, aponta para a ideia de que Deus honra e preserva aqueles que vivem em fidelidade, garantindo-lhes lugar duradouro em Sua presença e em Seus propósitos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 35 mostra um pequeno grupo permanecendo fiel em meio a um povo que se afastou. Essa imagem pode tocar profundamente quem se sente minoria, diferente ou até deslocado por tentar viver de maneira íntegra. Os recabitas não são elogiados por perfeição, mas por uma obediência firme e simples ao que lhes foi confiado. A cena acontece em um tempo de ameaça e medo, com exércitos vindo contra a terra. Mesmo assim, eles conservam sua identidade e o modo de viver que aprenderam. Há conforto em saber que Deus vê essa fidelidade quieta, muitas vezes anônima. Enquanto Judá, como um todo, caminha para o juízo, Deus se volta com atenção especial para esse clã, chama-os pelo nome, reconhece sua história, lembra de seu antepassado e lhes dirige uma promessa. Para corações cansados de nadar contra a corrente, esse capítulo carrega uma mensagem de acolhimento: a fidelidade, mesmo em coisas pequenas, não passa despercebida. Deus nota a coerência ao longo dos dias, mesmo quando poucos ao redor entendem. E quando o ambiente está carregado de culpa coletiva e decisões ruins, Ele não deixa de distinguir e consolar aqueles que continuam buscando andar em retidão. O texto revela um Deus que não enxerga apenas massas e sistemas, mas família por família, geração por geração, guardando na memória os que O honram.

Mind
Mind

Jeremias 35 é um exemplo notável de uso de narrativa histórica como ilustração teológica. A localização temporal, “nos dias de Jeoaquim”, e a menção à subida de Nabucodonosor situam o episódio num período crítico, marcado por retrocesso espiritual após as reformas de Josias e pelo avanço babilônico. A presença no templo, em câmaras específicas ligadas aos príncipes e ao guarda do vestíbulo, indica que não se trata de um teste privado, mas de um ato didático com testemunhas e potencial de repercussão entre as elites de Judá. A figura dos recabitas remete à tradição de Jonadabe, filho de Recabe, associada a um movimento de reforma e de separação de práticas corruptas em Israel. Suas normas — não beber vinho, não construir casas, não plantar vinhas, viver em tendas — configuram um estilo de vida que preserva características nômades e pode ter sido pensado como contraponto às tentações de sedentarização, idolatria agrícola e acomodação. O importante para o texto é a perseverança dessa comunidade em manter o estatuto recebido, de forma corporativa e geracional. Retoricamente, o discurso divino em v.13-16 usa esse exemplo humano para destacar a dureza de Judá. Frases como “madrugando e falando” enfatizam a insistência de Deus em comunicar-se por meio dos profetas, criando um paralelismo entre a palavra de Jonadabe e a palavra do Senhor. A argumentação é clara: se uma tradição humana consegue moldar séculos de prática, a recusa em responder à palavra divina não se explica por incapacidade, mas por escolha. A seção final (v.17-19) apresenta a clássica estrutura de oráculo de juízo e oráculo de salvação. Sobre Judá e Jerusalém vem “todo o mal” anunciado — resultado acumulado da desobediência. Em contraste, à casa de Jonadabe é assegurada continuidade diante de Deus. Do ponto de vista teológico, o texto sublinha tanto a justiça do juízo quanto a fidelidade de Deus em reconhecer e recompensar a obediência. A narrativa funciona, portanto, como microcosmo da situação maior de Judá: em meio à infidelidade ampla, há focos de fidelidade que são vistos, lembrados e integrados ao plano divino.

Life
Life

Lido de forma prática, Jeremias 35 coloca sobre a mesa temas como estilo de vida, limites, caráter e transmissão de valores. Os recabitas receberam, de Jonadabe, orientações muito concretas: não beber vinho, não construir casa, não plantar vinha, viver em tendas. Independentemente de alguém adotar ou não algo parecido, o ponto central é que havia uma visão clara de quem eram e de como deveriam viver — e isso orientava escolhas diárias, inclusive em situações de pressão. Quando Jeremias oferece vinho no templo, o que está em jogo não é apenas uma bebida, mas a coerência deles com o que disseram ser importante. A recusa respeitosa, mesmo num cenário respeitável e religioso, mostra a capacidade de manter limites saudáveis ao redor de convicções. Em contextos atuais, isso se traduz na habilidade de dizer “não” a práticas que conflitam com valores essenciais, ainda que venham em forma de convite socialmente aceitável ou até religioso. O estilo de vida dos recabitas também levanta a questão do que é realmente necessário. Ao abrir mão de casa fixa e propriedades, eles reduzem riscos de apego, orgulho e dependência excessiva de estruturas materiais. A aplicação contemporânea não exige uma vida nômade, mas pode inspirar revisão de prioridades, consumo, forma de usar recursos e tempo. Menos apego pode significar mais disponibilidade para obedecer a Deus e servir onde for necessário. Por fim, o texto fala de legado. As decisões de Jonadabe ecoam gerações depois, moldando uma cultura familiar de obediência. Na prática, isso incentiva a pensar não apenas em escolhas imediatas, mas no tipo de trilha que se está abrindo para quem vem depois — filhos, discípulos, pessoas influenciadas pelo exemplo. Valores como sobriedade, integridade, fidelidade à palavra de Deus e simplicidade podem se tornar parte de um ambiente que ajuda outros a permanecer firmes, mesmo quando o “Jeoaquim” do tempo presente puxa na direção contrária.

Soul
Soul

Espiritualmente, Jeremias 35 faz um contraste profundo entre a resposta humana à tradição e a resposta à revelação divina. Os recabitas encarnam um tipo de “pequeno resto” fiel: não estão no centro do poder, não ocupam o trono nem o sacerdócio, mas vivem uma obediência discreta e contínua. Sua fidelidade a uma palavra recebida, mesmo com os limites inerentes a um mandamento humano, aponta para uma realidade maior: a vida espiritual ganha forma concreta quando a palavra escutada molda hábitos, escolhas e identidade ao longo do tempo. O texto revela também o coração de Deus em relação ao Seu povo. A expressão de que Ele “madruga e fala”, enviando profetas, mostra um Deus que insiste, que não desiste facilmente, que chama ao arrependimento com paciência. O juízo que vem sobre Judá não é explosão repentina de ira, mas o desfecho de uma longa história de chamados recusados. Em perspectiva eterna, isso mostra que a resposta às iniciativas de Deus tem peso real: ouvir ou ignorar Sua voz não é algo neutro. A promessa final à casa de Jonadabe — “nunca faltará homem [...] na minha presença todos os dias” — ecoa um princípio espiritual profundo: Deus deseja cercar-Se de pessoas e famílias cuja vida é marcada por lealdade. Estar “na presença de Deus” não é apenas privilégio de um momento litúrgico, mas vocação duradoura. Esse tipo de promessa antecipa a realidade de um povo que, em Cristo, é chamado a viver continuamente diante do Senhor, participando de Sua comunhão e serviço. Em última análise, Jeremias 35 convida a uma espiritualidade que integra escuta, obediência e perseverança geracional. Não se trata apenas de experiências intensas, mas de uma caminhada longa em que se aprende a dizer “sim” a Deus e “não” ao que enfraquece a fidelidade. Essa trajetória tem ressonância eterna: a permanência diante de Deus, já antecipada para os recabitas, aponta para o chamado maior de uma vida e de uma comunidade que encontram seu lugar definitivo na presença do Senhor, agora e na era vindoura.

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Versiculos em Jeremias 35

Jeremias 35:2

" Vai à casa dos recabitas, e fala com eles, e leva-os à casa do Senhor, a uma das câmaras e dá-lhes vinho a beber. "

Jeremias 35:3

" Então tomei a Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, e a seus irmãos, e a todos os seus filhos, e a toda a casa dos recabitas; "

Jeremias 35:4

" E os levei à casa do Senhor, à câmara dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus, que estava junto à câmara dos príncipes, que ficava sobre a câmara de Maaséias, filho de Salum, guarda do vestíbulo; "

Jeremias 35:6

" Porém eles disseram: Não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: Nunca jamais bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos; "

Jeremias 35:7

" Não edificareis casa, nem semeareis semente, nem plantareis vinha, nem a possuireis; mas habitareis em tendas todos os vossos dias, para que vivais muitos dias sobre a face da terra, em que vós andais peregrinando. "

Jeremias 35:8

" Obedecemos, pois, à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, em tudo quanto nos ordenou; de maneira que não bebemos vinho em todos os nossos dias, nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas; "

Jeremias 35:11

" Sucedeu, porém, que, subindo Nabucodonosor, rei de babilônia, a esta terra, dissemos: Vinde, e vamo-nos a Jerusalém, por causa do exército dos caldeus, e por causa do exército dos sírios; e assim ficamos em Jerusalém. "

Jeremias 35:13

" Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Vai, e dize aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém: Porventura nunca aceitareis instrução, para ouvirdes as minhas palavras? diz o Senhor. "

Jeremias 35:14

" As palavras de Jonadabe, filho de Recabe, que ordenou a seus filhos que não bebessem vinho, foram guardadas; pois não beberam até este dia, antes obedeceram o mandamento de seu pai; a mim, porém, que vos tenho falado, madrugando e falando, não me ouvistes. "

Jeremias 35:15

" E vos tenho enviado todos os meus servos, os profetas, madrugando, e insistindo, e dizendo: Convertei-vos, agora, cada um do seu mau caminho, e fazei boas as vossas ações, e não sigais a outros deuses para servi-los; e assim ficareis na terra que vos dei a vós e a vossos pais; porém não inclinastes o vosso ouvido, nem me obedecestes a mim. "

Jeremias 35:16

" Visto que os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, guardaram o mandamento de seu pai que ele lhes ordenou, mas este povo não me obedeceu, "

Jeremias 35:17

" Por isso assim diz o Senhor Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre Judá, e sobre todos os moradores de Jerusalém, todo o mal que falei contra eles; pois lhes tenho falado, e não ouviram; e clamei a eles, e não responderam. "

Jeremias 35:18

" E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Pois que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, "

Jeremias 35:19

" Portanto assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará homem a Jonadabe, filho de Recabe, que esteja na minha presença todos os dias. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.