Jeremias 34 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 34 na sua vida hoje

22 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Jeremias 34?

Jeremias 34 descreve a mensagem de Deus ao rei Zedequias sobre a queda inevitável de Jerusalém nas mãos da Babilônia e denuncia a infidelidade do povo que, após libertar seus servos hebreus em aliança solene, volta atrás e os torna a escravizar. O capítulo conecta a crise política com a quebra da aliança com Deus, mostrando que o juízo vem tanto pela idolatria quanto pela injustiça social.

Temas principais em Jeremias 34

Juízo inevitável sobre Jerusalém e Zedequias (versículos 1-7, 21-22)

Deus declara que Jerusalém será entregue ao rei da Babilônia, que queimará a cidade, e que Zedequias será levado cativo. Mesmo com um fim menos violento, o rei não escapará das consequências da desobediência nacional.

Versículos-chave: 2, 3, 22

Aliança, libertação e responsabilidade social (versículos 8-11, 15-16)

Zedequias e o povo fazem uma aliança para libertar os servos hebreus, em consonância com a lei de Deus. A princípio obedecem, proclamando liberdade, mas depois se arrependem e voltam a sujeitar como escravos aqueles que haviam libertado.

Versículos-chave: 8, 10, 16

Quebra da aliança com Deus e profanação do Seu nome (versículos 13-16)

Deus relembra a aliança feita quando tirou Israel do Egito e mostra que a desobediência à ordem de libertar o irmão hebreu é, na verdade, uma violação direta à própria aliança com Ele, profanando Seu nome.

Versículos-chave: 13, 14, 16

Liberdade verdadeira versus falsa liberdade (versículos 17)

O povo se recusa a proclamar liberdade a seus irmãos; em resposta, Deus “proclama liberdade” para eles à espada, à peste e à fome, revelando que rejeitar a liberdade que vem da obediência leva à escravidão do juízo.

Versículos-chave: 17

Peso sagrado dos votos e alianças (versículos 18-20)

O texto descreve o antigo rito de aliança com o bezerro dividido, mostrando que quem passa entre as partes assume sobre si mesma a maldição caso quebre o pacto. Deus toma esse ato muito a sério e julga os que o desonram.

Versículos-chave: 18, 19

Contexto histórico e literario

Jeremias 34 situa-se nos últimos anos do reino de Judá, durante o cerco babilônico a Jerusalém sob Nabucodonosor. Zedequias é o último rei de Judá, colocado no trono pela própria Babilônia como vassalo, mas acaba se rebelando. O texto menciona especificamente o cerco não só a Jerusalém, mas também às cidades fortificadas de Laquis e Azeca (v.7), indicando que o conflito já estava em estágio avançado, com poucas fortalezas restantes.

Em meio à pressão militar, Zedequias faz uma aliança com o povo em Jerusalém para libertar os servos hebreus, obedecendo à lei do ano sétimo (Êxodo 21; Deuteronômio 15). Essa decisão provavelmente tem tanto um aspecto religioso (clamar pela misericórdia de Deus) quanto prático (reduzir tensões internas em tempo de crise). O rito de cortar um bezerro ao meio e passar entre as partes (v.18-19) era um costume de aliança do Antigo Oriente, simbolizando que quem quebrasse o pacto mereceria ser partido como o animal.

Em algum momento, possivelmente quando o exército babilônico se retira temporariamente por causa da intervenção egípcia, os líderes e o povo voltam atrás na libertação, mostram-se infiéis à aliança e retornam à prática de escravizar seus irmãos hebreus. Jeremias interpreta esse ato como violação direta da aliança de Deus estabelecida desde o Êxodo, ligando injustiça social e escravidão com infidelidade espiritual. O capítulo antecipa, assim, a queda final de Jerusalém e o exílio, que se cumpririam pouco tempo depois.

Estrutura de Jeremias 34

O capítulo apresenta uma estrutura relativamente clara, combinando narrativa histórica com oráculos proféticos:

  1. Introdução histórica do cerco e da palavra do Senhor (v.1-2)

    • Contexto: Nabucodonosor, seu exército e os reinos aliados atacando Jerusalém e as cidades de Judá.
  2. Oráculo a Zedequias sobre a queda de Jerusalém (v.2-7)

    • Anúncio da entrega da cidade ao rei da Babilônia e sua destruição pelo fogo (v.2).
    • Destino pessoal de Zedequias: encontro cara a cara com o rei da Babilônia, cativeiro, mas morte em paz e com honras fúnebres (v.3-5).
    • Confirmação do contexto militar: o exército babilônico combate Jerusalém, Laquis e Azeca (v.6-7).
  3. Nova palavra do Senhor sobre a aliança de libertação (v.8-11)

    • Descrição da aliança feita por Zedequias com o povo para proclamar liberdade aos servos hebreus (v.8-9).
    • Obediência inicial: todos soltam seus servos e servas (v.10).
    • Quebra posterior: arrependimento no mau sentido, retomando os servos libertos e tornando-os escravos novamente (v.11).
  4. Releitura divina da aliança à luz do Êxodo (v.12-16)

    • Deus relembra a aliança com os pais no Êxodo, tirando-os da “casa da servidão” (v.13).
    • Reafirmação do mandamento da libertação no sétimo ano (v.14).
    • Deus reconhece o arrependimento e a obediência momentânea do povo, mas denuncia a mudança de atitude e a profanação do Seu nome (v.15-16).
  5. Oráculo de juízo pela quebra da aliança (v.17-20)

    • Ironia divina: como eles não proclamaram liberdade entre si, Deus proclama liberdade para juízos (espada, peste, fome) e faz deles um espanto para as nações (v.17).
    • Destino dos que transgrediram a aliança selada com o bezerro: serão entregues a inimigos, mortos, e seus cadáveres servirão de alimento para aves e animais (v.18-20).
  6. Destino final de Zedequias e das cidades de Judá (v.21-22)

    • Entrega de Zedequias e seus príncipes na mão dos inimigos e do exército babilônico (v.21).
    • Retorno do exército babilônico, retomada do ataque, conquista, queima da cidade e desolação das cidades de Judá (v.22).

Significado teológico

Jeremias 34 evidencia que Deus governa tanto o destino das nações quanto os detalhes da vida social interna de Seu povo. A invasão babilônica não é apenas um evento geopolítico, mas consequência da aliança quebrada, tanto na esfera do culto quanto na esfera da justiça social.

O capítulo destaca que a libertação de Deus no Êxodo estabelece um padrão ético permanente: quem foi libertado não pode perpetuar a escravidão injusta sobre o irmão. A ordem de libertar o servo hebreu no sétimo ano (v.14) está enraizada na memória da salvação de Deus. Portanto, negar liberdade ao outro é negar, na prática, a própria experiência de libertação recebida de Deus.

Teologicamente, a quebra da aliança é retratada como profanação do nome de Deus (v.16). Isso mostra que a reputação divina no mundo está ligada à obediência do Seu povo. Quando o povo viola a justiça e quebra compromissos solenes, o nome de Deus é envergonhado entre as nações.

O texto também ilumina a seriedade dos votos e alianças feitos diante de Deus. O ritual do bezerro partido (v.18-19) indica que quem assume uma aliança invoca sobre si maldição caso seja infiel. O juízo anunciado – entrega aos inimigos, morte vergonhosa, corpos devorados por aves e animais (v.20) – reflete essa maldição autoassumida.

Além disso, o destino de Zedequias manifesta tanto juízo quanto misericórdia. Ele será levado cativo e verá o rei da Babilônia face a face (v.3), mas não morrerá à espada, e terá um funeral honroso “em paz” (v.4-5). Deus preserva um resquício de dignidade mesmo no meio do castigo, apontando para um caráter que une santidade e compaixão.

Por fim, o contraste entre a “liberdade” que o povo se recusa a conceder e a “liberdade” que Deus proclama para o juízo (v.17) ensina que não existe neutralidade: ou se entra na liberdade da obediência ao Senhor, ou se colhem as consequências da rebelião. A verdadeira liberdade é inseparável da fidelidade à aliança e da prática da justiça.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Jeremias 34 toca em temas que frequentemente aparecem em contextos terapêuticos: promessas quebradas, retrocessos em decisões importantes, injustiça e o peso da culpa coletiva. A narrativa mostra pessoas que, sob pressão, tomam uma decisão correta, mas recuam quando a situação parece mudar, repetindo padrões destrutivos. Isso se aproxima de processos humanos de mudança, em que há avanços temporários e recaídas.

O texto também lida com a dor de consequências inevitáveis. Zedequias e o povo precisam enfrentar um futuro de perda e desolação, ainda que tenham experimentado momentos de esperança. Isso se conecta a experiências de pessoas que percebem que certas consequências não podem mais ser evitadas, mesmo havendo sinais de arrependimento. Nesse cenário, aparece um fio de consolo na palavra de que Zedequias não morreria à espada, mas em paz (v.4-5). Há sofrimento, mas também uma medida de misericórdia.

Outro aspecto terapêutico é a relação entre opressão e identidade. O povo liberto do Egito volta a reproduzir a escravidão entre si. Isso se assemelha a dinâmicas de trauma, em que quem foi oprimido pode, sem transformação profunda, repetir a opressão sobre outros. O texto relembra que curar-se inclui romper com padrões herdados de injustiça, e que isso tem dimensão espiritual e comunitária.

Ao mesmo tempo, Jeremias 34 pode inspirar elaboração de culpa coletiva e responsabilidade compartilhada. A culpa não está só no rei, mas também nos príncipes, sacerdotes e em “todo o povo da terra” (v.19). O reconhecimento conjunto do erro e a busca por caminhos mais justos e fieis podem ser vistos como parte de um processo de cura comunitária.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo contém imagens e temas potencialmente difíceis para algumas pessoas:

  1. Violência e morte: há descrições fortes de juízo, com corpos servindo de alimento para aves e animais (v.20), bem como referências à espada, à peste e à fome (v.17). Isso pode ser perturbador para pessoas sensíveis a imagens de violência ou que lidam com lutos recentes.

  2. Linguagem de juízo divino: a ideia de Deus “proclamar liberdade” para a destruição (v.17) pode ser difícil para quem já sofreu abusos espirituais, recebeu mensagens religiosas baseadas apenas em medo ou lida com imagem de um Deus exclusivamente punitivo.

  3. Temas de escravidão e opressão: o texto fala de servos e servas hebreus sendo libertos e depois retomados à força (v.9-11, 16). Para pessoas com histórico de abuso, exploração ou opressão estrutural, isso pode acionar memórias dolorosas.

  4. Consequências irrevogáveis: a noção de que o juízo sobre Jerusalém é inevitável pode intensificar sentimentos de desespero em quem já tende a pensar que sua situação pessoal é irremediável.

Leituras pastorais e terapêuticas precisam enfatizar o contexto histórico e teológico, a diferença entre este cenário de aliança nacional e histórias individuais, e destacar também a presença de misericórdia no texto, evitando interpretações que alimentem culpa tóxica, fatalismo ou medo paralisante.

Aplicação prática para hoje

Jeremias 34 oferece lições práticas sobre compromisso, justiça e coerência entre fé e vida cotidiana:

  1. Levar a sério promessas e alianças: o texto destaca a gravidade de fazer um pacto diante de Deus e depois voltar atrás (v.8-11, 18-19). Isso incentiva integridade em compromissos assumidos – seja em casamento, trabalho, acordos comunitários ou decisões espirituais.

  2. Vínculo entre fé e justiça social: libertar o servo hebreu não era apenas um ato humanitário, mas obediência à aliança de Deus (v.13-14). Isso sugere que uma espiritualidade saudável inclui a busca por relações mais justas, respeito à dignidade de quem está em posição vulnerável e recusa a explorar o outro.

  3. Evitar retrocessos conscientes: o povo de Judá primeiro obedece, depois “se arrepende” no sentido de desfazer o bem que havia feito (v.10-11). Isso alerta para o perigo de voltar a padrões antigos depois de passos de obediência e mudança, lembrando a importância de sustentar decisões corretas mesmo quando a pressão externa diminui.

  4. Reconhecer que Deus vê além das aparências: no momento de crise, o povo toma uma decisão religiosa e pública (uma aliança no templo, v.15), mas depois a nega na prática. Isso mostra que Deus não se impressiona apenas com gestos externos; Ele considera a continuidade, a coerência e o tratamento real dado ao próximo.

  5. Perceber a seriedade da injustiça: para Deus, retomar como escravos aqueles que haviam sido libertos é profanar Seu nome (v.16). Isso aponta para a responsabilidade de não reproduzir estruturalmente opressão, abuso de poder ou exploração econômica, especialmente sobre pessoas que já experimentaram libertação ou melhora.

  6. Viver à luz da própria história de libertação: assim como Israel foi lembrado de que foi tirado da “casa da servidão” (v.13), pessoas que se reconhecem alcançadas pela graça são chamadas a refletir essa graça na forma de tratar quem depende delas ou está sob sua influência.

Perguntas frequentes

Quem era o rei Zedequias mencionado em Jeremias 34?

Zedequias foi o último rei de Judá antes da queda de Jerusalém para a Babilônia. Ele foi colocado no trono por Nabucodonosor como rei vassalo, mas acabou se rebelando contra o domínio babilônico. Em Jeremias 34, ele recebe a mensagem de que Jerusalém seria entregue ao rei da Babilônia, que ele seria levado cativo e veria o rei babilônico face a face, embora não morresse pela espada, mas em paz.

Por que a libertação dos servos hebreus era tão importante neste capítulo?

A libertação dos servos hebreus estava ligada diretamente à aliança de Deus com Israel desde o Êxodo. A lei determinava que, após seis anos de serviço, o irmão hebreu deveria ser libertado no sétimo ano. Ao obedecerem, Zedequias e o povo estavam, por um momento, alinhados com a vontade de Deus. Quando voltaram atrás, retomando os libertos como escravos, violaram tanto a justiça social quanto a própria aliança com Deus, profanando Seu nome.

O que significa o ritual do bezerro partido em duas partes?

O ritual mencionado em Jeremias 34:18-19 descreve uma prática de aliança do Antigo Oriente. Um animal era cortado ao meio, e as partes eram colocadas uma diante da outra. As partes que faziam o pacto passavam entre os pedaços, simbolizando que aceitavam sobre si mesmas a maldição de se tornarem como o animal, caso quebrassem a aliança. Deus usa essa imagem para mostrar a seriedade da transgressão da aliança feita em Jerusalém.

Por que Deus diz que vai ‘proclamar liberdade’ para a espada, a peste e a fome?

A expressão em Jeremias 34:17 é irônica e judicial. O povo se recusou a proclamar liberdade a seus irmãos hebreus, como a lei mandava. Em resposta, Deus anuncia que proclamará liberdade para que juízos – espada, pestilência e fome – alcancem o povo. A ideia é que, já que escolheram não viver na liberdade da obediência, enfrentarão as consequências de sua rebelião, sem proteção contra esses agentes de destruição.

Há alguma esperança ou misericórdia em Jeremias 34?

Mesmo em meio ao forte anúncio de juízo, há sinais de misericórdia. Deus reconhece que o povo tinha, por um momento, feito o que era reto aos Seus olhos ao proclamar liberdade (v.15). Além disso, a palavra para Zedequias inclui que ele não morreria à espada, mas em paz, com honras fúnebres semelhantes às de seus antepassados (v.4-5). Isso mostra que, ainda no juízo, Deus preserva espaço para dignidade e compaixão.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 34 mostra um povo vivendo uma tensão profunda entre o que sabe que é certo e aquilo que teme perder. Em meio ao cerco, à ameaça, à insegurança, eles tomam uma decisão bonita: libertar aqueles que estavam servindo como escravos. Por um momento, há um vislumbre de arrependimento e de retorno ao coração de Deus. Mas logo a pressão, o medo e o desejo de controle falam mais alto, e eles voltam atrás. Esse ir e vir entre obediência e retrocesso é muito humano. Há decisões que nascem em meio à dor, promessas feitas no desespero, gestos sinceros que depois parecem difíceis de sustentar quando o cenário muda. O texto não minimiza a gravidade desse retrocesso, mas também não ignora o fato de que houve um passo em direção ao que era reto. Há também a figura de Zedequias, que recebe uma notícia dura: a cidade será tomada, ele será levado ao encontro do rei da Babilônia, a destruição virá. Ainda assim, Deus lhe promete que não morrerá à espada, mas em paz, com lamentos honrosos, como os reis antes dele. Em meio à catástrofe nacional, Deus reserva uma palavra específica de cuidado sobre a forma como sua vida se encerraria. Para corações cansados e sobrecarregados, esse capítulo lembra que Deus vê as ambiguidades da história humana: a coragem que vacila, o passo certo que depois é negado, o medo que nos puxa para trás. Ele se importa com a justiça e com o oprimido, mas também enxerga indivíduos dentro de situações coletivas confusas. Sua santidade é firme, mas Sua forma de tratar cada um não é indiferente nem fria. Há dor no texto, há perda, há juízo. Mas há também um Deus que se lembra de quando Seu povo fez o que era reto, que não esquece as pequenas obediências, mesmo quando existem recaídas. E há um lembrete silencioso de que, mesmo em tempos de colheita amarga, a história de cada vida não é invisível diante dEle.

Mind
Mind

Jeremias 34 é um capítulo chave para entender a teologia da aliança em Jeremias e a ligação inseparável entre história da salvação e ética social. O texto está inserido no contexto do cerco final de Jerusalém por Nabucodonosor. A referência a Laquis e Azeca (v.7) é historicamente significativa, pois essas cidades são conhecidas de fontes arqueológicas e confirmam o cenário de um Judá já bastante reduzido. O ponto central do capítulo é a relação entre a aliança sinaítica – especialmente a legislação sobre servidão hebraica – e a situação contemporânea do povo. Deus relembra Sua aliança ao tirar Israel da “casa da servidão” (v.13), o que evoca diretamente o Êxodo. A instrução de libertar o servo hebreu no sétimo ano (v.14) está fundamentada na memória da própria experiência de escravidão de Israel. Trata-se de uma teologia da memória: quem foi resgatado deve agir de maneira compatível com esse resgate. A iniciativa de Zedequias de proclamar liberdade (v.8-10) provavelmente tem dupla motivação: recuperar o favor divino em um momento de crise e reorganizar a sociedade cercada pela guerra. Jeremias, porém, revela que, ainda que o ato inicial tenha sido correto “aos olhos” de Deus (v.15), sua reversão posterior configura transgressão grave. É notável que o texto use a expressão “profanastes o meu nome” (v.16). A injustiça social não é apenas um erro ético horizontal, mas um atentado contra a reputação de Deus entre as nações. O ritual do bezerro cortado (v.18-19) esclarece o peso jurídico-teológico da aliança. Em pactos do Antigo Oriente Próximo, a morte do animal simbolizava a sorte daqueles que violassem o acordo. Quando Deus diz que entregará os transgressores à morte, com corpos expostos a animais e aves (v.20), Ele está aplicando a lógica da maldição assumida no próprio ritual. Assim, o juízo divino é apresentado como coerente com as formas jurídicas que o próprio povo empregou. Quanto a Zedequias, o oráculo mantém a tensão entre juízo e misericórdia. Ele será capturado, encontrará Nabucodonosor face a face e será levado a Babilônia (v.3), mas não morrerá violentamente; antes, terá um fim em “paz” com ritos fúnebres honrosos (v.4-5). Essa distinção mostra que o juízo sobre a nação não anula nuances na experiência individual dos personagens. Em síntese, Jeremias 34 articula três eixos teológicos: (1) a soberania de Deus sobre a história política (a invasão babilônica é lida como juízo da aliança); (2) a ética da libertação, que deriva diretamente do Êxodo; e (3) a gravidade de quebrar juramentos feitos diante de Deus. O capítulo contribui de forma importante para a compreensão bíblica de que a ortodoxia da fé é inseparável da ortopraxia da justiça entre irmãos.

Life
Life

Jeremias 34 coloca em evidência situações muito parecidas com desafios práticos de hoje: tomada de decisões sob pressão, promessas feitas em momentos de crise e o risco real de voltar atrás quando as circunstâncias mudam. Zedequias e o povo fazem algo certo: libertam os servos hebreus, obedecendo à instrução que vinha da lei de Deus. Eles passam por um momento de alinhamento com o que é justo: aliviar a carga dos que trabalhavam para eles, reconhecer limites no uso da força de trabalho, tratar irmãos com dignidade. Esse gesto tinha impacto econômico, social e político. Em termos práticos, significava abrir mão de uma vantagem imediata em favor de uma obediência maior. Quando surge uma mudança de cenário – possivelmente um alívio momentâneo no cerco, alguma esperança política –, eles recuam. Aquilo que parecia uma decisão firme, feita até com um ritual solene de aliança, é desfeito. Voltar a subjugar quem tinha sido libertado não foi apenas um passo atrás; foi o retorno a um padrão injusto que se queria deixar. Na prática, esse movimento lembra decisões que pessoas e comunidades tomam: reorientar finanças de forma mais justa, mudar a maneira de tratar funcionários, rever relacionamentos marcados por abuso ou desigualdade, corrigir vícios de exploração. Começa-se com convicção; depois, quando a pressão diminui, surgem as justificativas para reduzir o compromisso. O capítulo mostra que Deus leva a sério esse tipo de retrocesso, sobretudo quando envolve gente vulnerável. O tratamento dado a quem está em desvantagem – empregados, dependentes, pessoas em situação frágil – é um indicador central de fidelidade. Decisões éticas não são apenas “espirituais”; elas tocam contratos, dívidas, horários, salários, fronteiras de autoridade e respeito. Aplicando à vida diária, Jeremias 34 incentiva a sustentar, no tempo, escolhas que promovem liberdade, justiça e dignidade, mesmo quando elas parecem custosas. Aponta também para a importância de alinhar promessas públicas (compromissos assumidos em comunidade, diante de Deus) com práticas consistentes. E lembra que corrigir injustiças estruturais não é um detalhe opcional, mas parte fundamental do que significa viver como povo que foi alcançado por uma história de libertação.

Soul
Soul

Jeremias 34 convida a olhar a vida e a história a partir da lente da aliança. Deus relembra que tirou Seu povo da casa da servidão e, a partir dessa libertação, estabeleceu um modo de viver que deveria refletir Seu caráter. Ser povo de Deus não era apenas pertencer a uma tradição religiosa, mas participar de uma realidade de liberdade oferecida por Ele e, portanto, estendê-la ao próximo. Quando os líderes e o povo, por um breve momento, proclamam liberdade aos servos hebreus, tocam no coração da vocação espiritual de Israel. Fazem algo que espelha o próprio agir de Deus: libertam, soltam, permitem um recomeço. Mas, ao voltar atrás, mostram que não basta repetir rituais de aliança; é preciso permitir que a aliança transforme realmente maneiras de se relacionar, distribuir poder e tratar o irmão. A dimensão eterna do texto se manifesta nesse contraste entre libertação verdadeira e falsa liberdade. Ao recusar proclamar liberdade, o povo se coloca numa posição em que Deus proclama sobre eles uma outra “liberdade”: a de serem entregues à espada, à peste e à fome. Quando se foge da obediência amorosa que gera vida, termina-se exposto a forças de destruição que não se pode controlar. Espiritualmente, isso aponta para o fato de que não existe neutralidade em relação à aliança; ou se entra mais profundamente na comunhão com Deus, com seus frutos de justiça, ou se colhem as consequências do afastamento. O destino de Zedequias também tem um tom espiritualmente sugestivo. Ele atravessará humilhação, exílio, dor, mas Deus garante que sua morte não será pelo fio da espada, e que haverá um lamento honroso por ele. Em meio a uma geração marcada pelo juízo, sua história não é apagada sem traços de dignidade. Isso sinaliza que, mesmo quando Deus trata com o pecado de forma severa, não abandona completamente aqueles que estão sob Sua mão. Olhar Jeremias 34 com foco na alma é reconhecer que a verdadeira liberdade é dom de Deus, que começa na libertação que Ele concede e se prolonga em vidas que espelham essa graça em relação aos outros. A fidelidade à aliança não é uma exigência arbitrária, mas o caminho onde a liberdade recebida se torna liberdade compartilhada. E o juízo, por mais duro que pareça, lembra que Deus não é indiferente quando essa vocação é trocada por opressão, injustiça e promessas quebradas.

IA cristã companheira

Pronto para aplicar Jeremias 34? Receba orientação personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensão das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicações de versículos e reflexões guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia bíblica arrow_forward 3 Aplicação guiada

✓ Sem cartão de crédito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 30 créditos grátis

Versículos em Jeremias 34

Jeremias 34:1

" A palavra que do SENHOR veio a Jeremias, quando Nabucodonosor, rei de babilônia, e todo o seu exército, e todos os reinos da terra, que estavam sob o domínio da sua mão, e todos os povos, pelejavam contra Jerusalém, e contra todas as suas cidades, dizendo: "

Jeremias 34:2

" Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Vai, e fala a Zedequias, rei de Judá, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão do rei de babilônia, o qual queimá-la-á a fogo. "

Jeremias 34:3

" E tu não escaparás da sua mão, antes certamente serás preso e entregue na sua mão; e teus olhos verão os olhos do rei de babilônia, e ele te falará boca a boca, e entrarás em babilônia. "

Jeremias 34:4

" Todavia ouve a palavra do Senhor, ó Zedequias, rei de Judá; assim diz o Senhor acerca de ti: Não morrerás à espada. "

Jeremias 34:4 mostra que, mesmo em meio ao juízo, Deus dá uma medida de misericórdia a Zedequias: ele não morreria em batalha. O sentido é …

Ler análise completa

Jeremias 34:5

" Em paz morrerás, e conforme as queimas para teus pais, os reis precedentes, que foram antes de ti, assim queimarão para ti, e prantear-te-ão, dizendo: Ah, Senhor! Pois eu disse a palavra, diz o Senhor. "

Jeremias 34:7

" Quando o exército do rei de babilônia pelejava contra Jerusalém, e contra todas as cidades que restavam de Judá, contra Laquis e contra Azeca; porque estas fortes cidades foram as que ficaram dentre as cidades de Judá. "

Jeremias 34:8

" A palavra que do Senhor veio a Jeremias, depois que o rei Zedequias fez aliança com todo o povo que havia em Jerusalém, para lhes apregoar a liberdade; "

Jeremias 34:9

" Que cada um despedisse livre o seu servo, e cada um a sua serva, hebreu ou hebréia; de maneira que ninguém se fizesse servir deles, sendo judeus, seus irmãos. "

Jeremias 34:10

" E obedeceram todos os príncipes, e todo o povo que havia entrado na aliança, que cada um despedisse livre o seu servo, e cada um a sua serva, de maneira que não se fizessem mais servir deles; obedeceram, pois, e os soltaram, "

Jeremias 34:11

" Mas depois se arrependeram, e fizeram voltar os servos e as servas que haviam libertado, e os sujeitaram por servos e por servas. "

Jeremias 34:13

" Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu fiz aliança com vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, da casa da servidão, dizendo: "

Jeremias 34:14

" Ao fim de sete anos libertareis cada um a seu irmão hebreu, que te for vendido, e te houver servido seis anos, e despedi-lo-ás livre de ti; mas vossos pais não me ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos. "

Jeremias 34:15

" E vos havíeis hoje arrependido, e fizestes o que é reto aos meus olhos, apregoando liberdade cada um ao seu próximo; e fizestes diante de mim uma aliança, na casa que se chama pelo meu nome; "

Jeremias 34:16

" Mudastes, porém, e profanastes o meu nome, e fizestes voltar cada um ao seu servo, e cada um à sua serva, os quais já tínheis despedido libertos conforme a vontade deles; e os sujeitastes, para que se vos fizessem servos e servas. "

Jeremias 34:17

" Portanto assim diz o Senhor: Vós não me ouvistes a mim, para apregoardes a liberdade, cada um ao seu irmão, e cada um ao seu próximo; pois eis que eu vos apregôo a liberdade, diz o Senhor, para a espada, para a pestilência, e para a fome; e farei que sejais espanto a todos os reinos da terra. "

Jeremias 34:18

" E entregarei os homens que transgrediram a minha aliança, que não cumpriram as palavras da aliança que fizeram diante de mim, com o bezerro, que dividiram em duas partes, e passaram pelo meio das suas porções; "

Jeremias 34:19

" A saber, os príncipes de Judá, e os príncipes de Jerusalém, os eunucos, e os sacerdotes, e todo o povo da terra que passou por meio das porções do bezerro; "

Jeremias 34:20

" Entregá-los-ei, digo, na mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a sua morte, e os cadáveres deles servirão de alimento para as aves dos céus e para os animais da terra. "

Jeremias 34:21

" E até o rei Zedequias, rei de Judá, e seus príncipes entregarei na mão de seus inimigos e na mão dos que procuram a sua morte, a saber, na mão do exército do rei de babilônia, que já se retirou de vós. "

Jeremias 34:22

" Eis que eu darei ordem, diz o Senhor, e os farei voltar a esta cidade, e pelejarão contra ela, e a tomarão, e a queimarão a fogo; e as cidades de Judá porei em assolação, de sorte que ninguém habite nelas. "

auto_awesome

Estudo do capítulo por email

Receba 7 dias de reflexões de Jeremias 34

Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.

Grátis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.

Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.