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Jeremias 34:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" A palavra que do Senhor veio a Jeremias, depois que o rei Zedequias fez aliança com todo o povo que havia em Jerusalém, para lhes apregoar a liberdade; "

Jeremias 34:8

menu_book Versículo no contexto

6 E falou Jeremias, o profeta, a Zedequias, rei de Judá, todas estas palavras, em Jerusalém,

7 Quando o exército do rei de babilônia pelejava contra Jerusalém, e contra todas as cidades que restavam de Judá, contra Laquis e contra Azeca; porque estas fortes cidades foram as que ficaram dentre as cidades de Judá.

8 A palavra que do Senhor veio a Jeremias, depois que o rei Zedequias fez aliança com todo o povo que havia em Jerusalém, para lhes apregoar a liberdade;

9 Que cada um despedisse livre o seu servo, e cada um a sua serva, hebreu ou hebréia; de maneira que ninguém se fizesse servir deles, sendo judeus, seus irmãos.

10 E obedeceram todos os príncipes, e todo o povo que havia entrado na aliança, que cada um despedisse livre o seu servo, e cada um a sua serva, de maneira que não se fizessem mais servir deles; obedeceram, pois, e os soltaram,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos outra profecia dada em uma ocasião especial, que só se entende bem à luz da história. Jerusalém estava sob forte cerco do exército dos caldeus, e os príncipes e o povo resolveram reformar uma coisa em particular: o modo como tratavam seus servos.

Deus havia declarado claramente que homens e mulheres de origem israelita não deveriam ser mantidos como escravos por mais de sete anos. Depois de servir esse tempo, deveriam ser soltos e postos em liberdade. Essa regra valia mesmo que tivessem se vendido para pagar dívidas, ou que os juízes os tivessem vendido como castigo por seus crimes. Havia uma regra diferente para estrangeiros tomados em guerra ou comprados por dinheiro: esses podiam ser mantidos como escravos por toda a vida, eles e seus filhos. Mas os próprios irmãos e irmãs israelitas não deviam servir por mais de sete anos. Deus chama isso de aliança que fez com eles quando os tirou do Egito (Jeremias 34:13, 14). Também fazia parte da primeira lei civil que lhes foi dada (Êxodo 21:2).

Havia bons motivos para essa lei. Primeiro, Deus tinha dado honra a essa nação, e queria que essa honra fosse preservada também na maneira como viviam e se relacionavam. Segundo, ele os tinha tirado da escravidão no Egito e queria que manifestassem gratidão libertando aqueles que moravam em suas casas como servos. O Egito havia sido uma casa de servidão para seus pais. Por isso a libertação do Egito é mencionada aqui como fundamento para essa lei (Jeremias 34:13). A misericórdia que Deus nos mostra deve nos mover à misericórdia para com o próximo. Devemos libertar como fomos libertos, perdoar como fomos perdoados e socorrer como fomos socorridos. Essa lei também é chamada de aliança, porque a nossa obediência está ligada à continuidade dos bens que Deus nos concede.

Mas eles haviam quebrado essa lei, assim como seus pais. Seu próprio lucro lhes importava mais do que o mandamento de Deus. Quando os servos completavam sete anos, já conheciam bem o trabalho, eram úteis, e por isso os senhores não queriam deixá‑los ir, embora Deus os tivesse declarado livres. Deus diz: “Vossos pais não me ouviram acerca disso” (Jeremias 34:14). Assim, esse pecado se prolongava por gerações. Julgavam que podiam continuar na mesma prática porque os pais também a tinham seguido, mas nenhum costume ou longa tradição pode desculpar desobediência aberta a uma lei tão clara de Deus. Por esse pecado, Deus agora os entregava à escravidão, e com toda justiça.

Quando o exército dos caldeus cercou Jerusalém e o povo ficou encurralado, foram confrontados com o erro e mudaram de rumo imediatamente. Soltaram todos os servos que, pela lei de Deus, tinham direito à liberdade, e fizeram uma aliança para cumprir isso. Os profetas fielmente os advertiram do pecado em que viviam. Por meio deles ouviram que deviam deixar ir livres os seus servos hebreus (Jeremias 34:10). Podiam ter visto isso na própria lei de Deus, mas não a usaram como deviam, e por isso os profetas precisaram lembrá‑los. Isso mostra como a pregação é necessária, pois muitos não fazem o uso devido da Palavra escrita se ela não lhes é aplicada de modo vivo.

Todas as camadas do povo participaram dessa reforma. O rei, os príncipes e todo o povo concordaram em libertar seus servos, fosse qual fosse o prejuízo. Quando o rei e os líderes dão o exemplo em uma boa obra, o povo dificilmente se recusa a segui‑los. A influência dos que têm poder pode muito para remover um mal antigo e enraizado.

Eles confirmaram essa decisão com um juramento solene e uma aliança, comprometendo‑se diante de Deus e uns com os outros. Aquilo que Deus exige por mandamento, é bom que nós nos obriguemos a fazer também por promessa. A aliança foi feita em lugar santo, diante de Deus, na casa que trazia o seu nome (Jeremias 34:15). Isso deveria enchê‑los de reverência e levá‑los à sinceridade. A aliança também foi selada com um sinal impressionante. Cortaram um bezerro ao meio e passaram entre as duas partes (Jeremias 34:18, 19), como se dissessem: “Se não cumprirmos esta promessa, que suceda conosco o mesmo que com este animal.” O bezerro provavelmente foi oferecido em sacrifício a Deus, fazendo dele testemunha da aliança. Quando Deus fez aliança com Abraão, um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo passaram por entre as partes do sacrifício, usando o mesmo tipo de sinal de aliança (Gênesis 15:17).

Esse tipo de sinal ajuda a sentir mais profundamente o terror da ira e da maldição de Deus, caso desprezemos nosso dever. Essa ira cortará os pecadores em pedaços (Mateus 24:51). Sinais visíveis tornam esse tipo de advertência mais marcante e duradoura em nossa mente.

Eles, por um tempo, obedeceram a Deus e cumpriram a aliança. Libertaram seus servos, embora, com a cidade sitiada, dificilmente pudessem dispensá‑los. Aos olhos de Deus, fizeram o que era reto (Jeremias 34:15). Ainda que a aflição os tivesse levado a isso, Deus se agradou do ato. Se tivessem continuado a mostrar misericórdia aos pobres, especialmente aos pobres que lhes serviam, talvez isso tivesse prolongado a sua paz (Daniel 4:27).

Mas, quando surgiu alguma esperança de que o cerco tinha sido levantado e o perigo havia passado, desfizeram o bem que tinham feito. Arrependeram‑se do próprio arrependimento e obrigaram os servos libertos a voltar à escravidão. O exército do rei da Babilônia se afastara de Jerusalém por algum tempo (Jeremias 34:21). Faraó vinha com um exército egípcio para combater contra a Babilônia e, quando os caldeus souberam disso, retiraram‑se por um tempo do cerco (Jeremias 37:5). Isso mostra como Deus está pronto a aliviar seus juízos ao primeiro sinal de mudança, pois é tardio em irar‑se e pronto em mostrar misericórdia. Assim que deixaram seus servos livres, Deus fez o exército que os cercava se afastar.

Mas, quando se sentiram novamente seguros, trouxeram seus servos de volta ao jugo (Jeremias 34:11, 16). Isso foi uma crueldade contra os servos, que sentiriam a escravidão ainda mais dolorosa depois de terem provado a liberdade. Foi também uma vergonha para os próprios senhores, que não conseguiram permanecer fiéis a uma boa decisão assim que o perigo passou.

Acima de tudo, porém, isso foi um ultraje contra Deus. Ao fazerem isso, profanaram o seu nome (Jeremias 34:16). Trataram o mandamento divino como se não tivesse força real, como se pudessem obedecê‑lo ou quebrá‑lo conforme lhes conviesse. Mostraram também desprezo pela aliança que haviam feito com ele e pela maldição que invocaram sobre si mesmos caso a quebrassem.

Foi como zombar do Deus Todo‑Poderoso, como se pudesse ser enganado por promessas falsas. Agiram como se, uma vez obtido o que desejavam, já não estivessem obrigados à palavra dada. Foi mentir a Deus com a boca e lisonjeá‑lo com a língua. Foi também desprezo pelos juízos de Deus, como se pudessem afrontá‑los impunemente.

Quando o juízo é suspenso por um tempo, isso não é o mesmo que perdão. Se os pecadores usam essa pausa como motivo para continuar pecando, só se preparam para um castigo ainda mais pesado. Não se deixem enganar: Deus não se deixa escarnecer. Os que pensam poder enganar a Deus com arrependimento superficial, aliança falsa ou mudança parcial e temporária só enganam a si mesmos. O Senhor, cujo nome é Zeloso, é um Deus zeloso.

Aqui Deus os ameaça com ira bem clara. Como não proclamaram a liberdade a seus servos, Deus proclamaria liberdade a seus juízos, para agirem contra eles sem restrição (Jeremias 34:17). Ele diz: “Vós não deixastes livres os vossos servos.” Eles o fizeram por um momento (Jeremias 34:10), mas voltaram atrás, de modo que, aos olhos de Deus, era como se não tivessem feito nada. O que não permanece, de fato não foi feito. A justiça que é abandonada e da qual se volta atrás será esquecida, como se nunca tivesse existido (Ezequiel 18:24).

Por isso Deus diz: “Eu vos proclamarei a liberdade.” Ou seja, os soltará de seu serviço e os retirará de sua proteção, o que acontece com aqueles que se afastam do dever para com ele. Eles terão diante de si uma “escolha” de juízos: espada, fome ou peste. Esse foi o tipo de escolha que deixou Davi em grande angústia (2 Samuel 24:14). Os que não querem viver debaixo da lei de Deus se colocam debaixo de sua ira e maldição. A suposta liberdade para pecar não passa de liberdade para cair sob os piores juízos.

Como eles haviam forçado seus servos a voltarem para dentro de suas casas, Deus os espalharia por todos os reinos da terra. Ali viveriam como servos, e como estrangeiros não teriam os direitos de cidadãos naturais. Como quebraram a aliança que selaram com uma maldição solene, Deus traria sobre eles o próprio mal que invocaram sobre si, caso a quebrassem. Ele os julgaria pelas suas próprias palavras, e a sentença seria justa. Alguns entendem Jeremias 34:18 assim: “Farei aos homens que transgrediram a minha aliança como ao bezerro que partiram em duas metades, dividindo‑os como o dividiram.”

Como eles não quiseram libertar seus servos, Deus os entregaria àqueles que os odiavam, incluindo os príncipes e nobres de Judá e Jerusalém, os eunucos, os sacerdotes e todo o povo (Jeremias 34:19). Todos procederam com traição contra Deus, por isso todos participariam da mesma ruína, sem exceção. Seus inimigos perseguiriam as suas vidas, e alcançariam o que buscavam. Mesmo assim, não ficariam satisfeitos. Seus cadáveres ficariam insepultos, um espetáculo repugnante diante de todos e presa fácil para as aves e os animais do campo. Assim, uma marca duradoura de vergonha seria impressa sobre eles (Jeremias 34:20).

Como se animaram a voltar ao pecado depois que o exército dos caldeus se retirou, Deus faria esse exército voltar novamente. “Eles subiram de sobre vocês, e por enquanto o medo foi embora”, ele diz, “mas eu darei ordem para que retornem. Eles voltarão a esta cidade, vão conquistá-la e queimá-la” (Jeremias 34:22). A confiança em Deus é um sinal animador de que o livramento está próximo, mas a falsa segurança no pecado é um sinal triste de que a destruição está perto. Quando juízos são retirados antes de completarem sua obra, e o povo permanece impenitente e sem mudança, esses juízos apenas foram adiados, não encerrados. É como um inimigo que recua apenas para atacar de novo com mais força, pois, quando Deus julga, ele prevalece.

É justo que Deus frustre as esperanças de misericórdia que a sua providência parecia oferecer, quando quebramos, com nossa infidelidade, as expectativas de obediência que nossos votos e compromissos davam a ele. Se recuamos do bem que tínhamos a intenção de fazer, Deus pode recuar do bem que havia determinado para nós. “Para com o perverso, tu te mostras inabordável.”

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