Jeremias 8:1
" Naquele tempo, diz o SENHOR, tirarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, e os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalém; "
Entenda os temas principais e aplique Jeremias 8 na sua vida hoje
22 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
O capítulo começa com uma cena chocante: os ossos de reis, príncipes, sacerdotes, profetas e habitantes de Jerusalém sendo tirados das sepulturas e expostos ao sol, à lua e ao exército do céu, exatamente os astros que haviam idolatrado. Essa imagem comunica vergonha pública e a total inutilidade de confiar em falsos deuses. O juízo não atinge apenas a vida presente, mas também a memória e a honra daqueles que se afastaram do Senhor.
Deus confronta o povo por sua apostasia contínua. Enquanto seria natural levantar-se após uma queda, Judá insiste em permanecer no erro. Ninguém se pergunta: "Que fiz eu?"; cada um segue seu próprio caminho com a mesma força cega de um cavalo correndo para a batalha. Até as aves migratórias reconhecem o tempo determinado, mas o povo não reconhece o juízo do Senhor, revelando uma cegueira espiritual profunda.
O povo afirma ser sábio e possuir a lei do Senhor, mas Deus denuncia a escrita enganosa dos escribas e a corrupção que alcança desde o menor até o maior, do profeta ao sacerdote. A ferida espiritual do povo é tratada de forma superficial, com discursos de "paz" quando não há paz. A rejeição da palavra do Senhor anula qualquer pretensão de sabedoria verdadeira.
A disciplina de Deus é descrita com imagens agrícolas: a vide sem uvas, a figueira sem figos, até as folhas caíram. O povo percebe que o tempo passou, a colheita e o verão acabaram, e eles continuam sem salvação. A expectativa de paz e cura é substituída por terror, e a invasão inimiga é descrita como uma força que devora a terra e tudo o que há nela.
Jeremias expressa dor intensa pela situação da "filha do meu povo". Seu coração desmaia, ele anda de luto e se espanta com a dureza espiritual. A famosa pergunta sobre o bálsamo em Gileade e a presença de médico aponta para a busca de uma cura real, não superficial, para a ferida espiritual do povo. O problema não é a ausência de remédio em Deus, mas a recusa do povo em se submeter à verdadeira cura.
Jeremias 8 se situa no final do período do reino de Judá, provavelmente durante os últimos reinados antes do exílio babilônico (final do século VII e início do VI a.C.). Judá vivia uma mistura de culto ao Senhor com idolatria aos astros e a outros deuses, prática muito comum nas nações vizinhas. Apesar de possuírem a lei, o povo e seus líderes a haviam distorcido e negligenciado.
A referência a ossos tirados das sepulturas reflete uma forma extrema de humilhação pós-morte, sinalizando total derrota diante dos inimigos. A menção de Dã (ao norte) indica o avanço das tropas invasoras vindas provavelmente da Babilônia, cuja chegada fazia tremer toda a terra. Gileade, por sua vez, era conhecida por seus bálsamos medicinais, produzidos a partir de resinas valiosas; por isso, o "bálsamo em Gileade" se torna metáfora de cura que parece distante ou não acessada.
Esse contexto é marcado por alianças políticas fracassadas, insegurança militar, injustiça social, idolatria generalizada e líderes religiosos que prometiam segurança enquanto ignoravam as advertências divinas. Jeremias atua como profeta nesse cenário, anunciando o juízo inevitável, mas também lamentando a condição espiritual do povo.
Jeremias 8 apresenta uma sequência de oráculos e lamentos estruturados em blocos temáticos e imagens fortes:
Profanação dos ossos e juízo sobre a idolatria (vv. 1-3)
Imagem inicial impactante de ossos exumados e expostos aos astros, simbolizando vergonha e o fim da confiança nos ídolos.
Acusação da apostasia teimosa (vv. 4-7)
Série de perguntas retóricas que expõem a incoerência do povo: caem e não se levantam, desviam-se e não retornam, ao contrário até das aves migratórias.
Crítica à falsa sabedoria e à distorção da lei (vv. 8-9)
Confronto direto com escribas e supostos sábios que rejeitaram a palavra do Senhor, tornando sua sabedoria vazia.
Denúncia da corrupção geral e da falsa paz (vv. 10-12)
Declarações de juízo abrangendo todos os estratos sociais, com ênfase nos líderes religiosos que tratam a ferida do povo levianamente.
Imagem da vinha e figueira infrutíferas e consciência do juízo (v. 13-15)
Metáfora agrícola da esterilidade espiritual e reconhecimento tardio do povo sobre sua culpa e destino.
Descrição da ameaça invasora e das serpentes enviadas (vv. 16-17)
Linguagem militar e natural (cavalos, terra tremendo, serpentes e basiliscos) figura o avanço inimigo e o juízo inevitável.
Lamento pessoal do profeta (vv. 18-21)
Mudança de tom para primeira pessoa, expressando tristeza profunda e identificação de Jeremias com a dor do povo.
Pergunta sobre o bálsamo em Gileade (v. 22)
Final em forma de pergunta retórica, condensando o tema central: há recurso de cura, mas a cura ainda não aconteceu.
Jeremias 8 destaca a seriedade do pecado persistente e da recusa em se arrepender, mesmo diante de advertências claras. O texto mostra que conhecer a lei de Deus de forma meramente formal, sem obediência, é ilusório; sabedoria verdadeira só existe quando a palavra do Senhor é acolhida e praticada.
O capítulo confronta especialmente a idolatria, tanto manifesta (imagens e culto aos astros) quanto sutil (confiança em líderes falsos, em segurança política, em riqueza). A exposição dos ossos aos deuses que o povo havia amado expõe o vazio de toda confiança que não está fundamentada no Senhor.
Também há um forte destaque à responsabilidade dos líderes espirituais. Profetas, sacerdotes e escribas que deveriam conduzir à verdade passam a oferecer diagnósticos superficiais e mensagens de paz sem arrependimento. A teologia do juízo aqui não é apenas punitiva; é também reveladora: o juízo expõe a falsidade, denuncia a hipocrisia e revela o que é verdadeiro.
Ao mesmo tempo, o lamento de Jeremias e a pergunta sobre o bálsamo em Gileade revelam o coração de Deus, que não se alegra com a destruição, mas se entristece pela recusa do povo em buscar a cura. O capítulo aponta, em perspectiva mais ampla, para a necessidade de um médico e de um bálsamo espirituais plenos, que no conjunto da Escritura encontram cumprimento na obra redentora de Cristo, o verdadeiro Médico das almas.
Jeremias 8 funciona como um espelho para identificar mecanismos de negação, autoengano e dureza de coração. O povo insiste em dizer "paz" quando não há paz, nega a gravidade da própria ferida e evita fazer a pergunta honesta: "Que fiz eu?". A mensagem expõe como a recusa de encarar a verdade pode aprofundar o sofrimento e levar a um estado de desespero em que a morte parece preferível à vida.
O texto também mostra a diferença entre consolo superficial e cura verdadeira. Líderes prometem bem-estar sem tratar a raiz do problema, enquanto o profeta se deixa afetar pela dor real, lamenta e reconhece a profundidade da ferida. Em termos emocionais, isso aponta para a importância de validar a dor, reconhecer a culpa quando existe e buscar ajuda que vá além de frases prontas.
Há ainda um elemento de esperança implícita: se há a pergunta sobre o bálsamo e sobre o médico, é porque existe, em Deus, uma possibilidade de cura real. A angústia de Jeremias revela que a tristeza pode ser vivida diante de Deus como lamento sincero, em vez de ser abafada ou negada. Assim, o capítulo encoraja um processo de confrontação honesta com a própria condição interior, arrependimento profundo e busca de restauração no Senhor, em vez de fuga ou anestesia emocional.
O capítulo traz alguns sinais de alerta importantes para a saúde emocional e espiritual:
Preferir a morte à vida (v. 3)
A expressão de que muitos escolherão a morte em vez da vida indica um nível de desespero extremo. Em contextos atuais, pensamentos persistentes de morte, desesperança constante e sensação de que nada pode mudar são sinais de risco emocional grave e exigem atenção pastoral e, muitas vezes, apoio profissional.
Negação do erro e ausência de autoexame (v. 6)
A incapacidade de dizer "Que fiz eu?" mostra um bloqueio para o arrependimento e para a autocrítica saudável. Na vida emocional, isso pode se manifestar como rigidez, vitimismo constante, incapacidade de reconhecer responsabilidades próprias em conflitos e resistência a qualquer correção.
Fuga para mensagens de falsa paz (v. 11)
Buscar apenas palavras de conforto que não enfrentem a realidade, rejeitando qualquer confronto amoroso, pode manter feridas abertas. Promessas rápidas de solução sem mudança de atitude tendem a agravar problemas emocionais e espirituais.
Culpa sem esperança (vv. 14-15, 20)
Reconhecer o pecado, mas permanecer paralisado em culpa e terror, sem se voltar para Deus em arrependimento confiante, gera angústia profunda. Sentir-se destinado apenas à destruição, sem enxergar possibilidade de restauração, é um sinal de distorção da visão de Deus e de si mesmo.
Insensibilidade moral e ausência de vergonha (v. 12)
Não saber mais o que é envergonhar-se de práticas destrutivas indica um embrutecimento interior. Isso se reflete em escolhas repetidas que ferem a si e aos outros, sem remorso, o que dificulta qualquer processo de mudança.
Jeremias 8 sugere aplicações práticas para a vida cotidiana:
Cultivar o hábito do autoexame sincero
Em vez de seguir no automático, é importante reservar momentos para perguntar, diante de Deus: "O que tenho feito?". Isso inclui revisar atitudes em relacionamentos, decisões éticas no trabalho, uso de recursos e prioridades de tempo.
Rejeitar consolos superficiais
Buscar apenas palavras agradáveis, sem enfrentar a verdade, prolonga problemas. Na prática, isso implica valorizar conselhos que apontem para arrependimento, mudança de rota e responsabilidade, mesmo que inicialmente sejam desconfortáveis.
Levar a sério a influência dos líderes que se escuta
O capítulo alerta sobre profetas e sacerdotes que mentem. Hoje, isso incentiva a avaliar mensagens, pregadores e conselheiros pela fidelidade às Escrituras, e não só pelo carisma, pela popularidade ou pelo quão tranquilizadoras são suas palavras.
Reconhecer sinais de teimosia espiritual
Repetir os mesmos padrões destrutivos, apesar de alertas e consequências, indica dureza de coração. Uma resposta prática é estar disposto a ouvir confrontos amorosos, pedir perdão, fazer reparações e mudar efetivamente atitudes.
Aprender a lamentar de forma saudável
Jeremias não mascara sua tristeza. Isso inspira a admitir dores, perdas e frustrações diante de Deus, inclusive quando são resultado de escolhas erradas. O lamento honesto abre espaço para cura mais profunda do que o otimismo artificial.
Buscar a cura em Deus, e não em substitutos
A pergunta sobre o bálsamo em Gileade convida a buscar a solução principal no Senhor, e não apenas em estratégias humanas. Na prática, isso inclui oração sincera, arrependimento, reconciliação com pessoas feridas e, quando necessário, combinar apoio espiritual com ajuda profissional responsável.
A retirada dos ossos de reis, príncipes, sacerdotes, profetas e habitantes de Jerusalém é uma imagem forte de juízo e vergonha. Na cultura da época, a sepultura e o descanso dos ossos eram sinais de honra e respeito. Expor os ossos ao sol, à lua e aos astros, que o povo havia cultuado, mostra que esses falsos deuses não podem proteger ninguém. É uma forma de Deus revelar a inutilidade da idolatria e a extensão da disciplina sobre uma nação que persistiu em se afastar do Senhor.
A expressão descreve líderes e pessoas que insistem em declarar segurança e bem-estar quando, na realidade, há pecado não tratado, injustiça e afastamento de Deus. É uma crítica a discursos religiosos e políticos que minimizam a gravidade da situação espiritual e emocional do povo. Essa falsa paz impede o arrependimento e a cura verdadeira, porque acalma a consciência sem resolver a causa da ferida.
A referência a serpentes e basiliscos, contra os quais não há encantamento, é uma linguagem figurada para descrever juízos inevitáveis e perigos incontroláveis. Dentro do contexto do livro, remete principalmente à invasão inimiga e às consequências do afastamento de Deus. A ideia é que não haverá meios humanos ou mágicos capazes de neutralizar o que Deus decidiu permitir como disciplina sobre o povo.
Gileade era uma região conhecida por seus bálsamos medicinais. Perguntar se há bálsamo em Gileade e se há médico ali é uma maneira poética de questionar por que a ferida espiritual do povo ainda não foi curada, se há em Deus recurso suficiente para isso. O problema não é a falta de remédio, mas a recusa em receber o tratamento de Deus, que envolve arrependimento, retorno à sua palavra e abandono da idolatria.
Jeremias não é um mensageiro frio de condenação; ele se identifica profundamente com o sofrimento da "filha do meu povo". Sua dor reflete o próprio coração de Deus, que disciplina, mas não tem prazer na destruição. O profeta chora porque vê a ferida e sabe que havia possibilidade de outro caminho, caso o povo tivesse se arrependido. Sua postura mostra que a proclamação da verdade sobre o pecado deve andar junto com compaixão e lamento sincero.
Jeremias 8 revela uma dor que não é apenas doutrinária, mas profundamente emocional. Ao longo do capítulo, surgem vozes de desespero, de gente que sente que o tempo passou, a colheita acabou, o verão terminou, e ainda assim a salvação não chegou. É o retrato de corações cansados, decepcionados, que olham ao redor e só enxergam falhas, perdas e silêncio. Nesse cenário, a figura de Jeremias se destaca como alguém que não endurece o coração diante da dor coletiva. Ele admite: o coração desfalece, anda de luto, está quebrantado pela ferida do povo. Não tenta minimizar o sofrimento, nem se coloca acima dos outros. Sua empatia mostra que Deus não ignora lamentos sinceros, mesmo quando são fruto de consequências difíceis. Há também o contraste entre a falsa paz dos discursos religiosos e a dor real do povo. Frases prontas, garantias vazias e promessas rápidas de solução não alcançam feridas profundas. O texto valoriza a honestidade: reconhecer a ferida, admitir a tristeza, permitir que o choro exista. O lamento de Jeremias indica que é possível viver a dor diante de Deus, sem precisar mascará-la para parecer forte ou "espiritual". A pergunta sobre o bálsamo em Gileade ressoa como um grito do coração que busca consolo verdadeiro. Há, nas entrelinhas, a lembrança de que existe, sim, um lugar de cura em Deus, ainda que o povo naquele momento se recuse a acessá-lo. Assim, Jeremias 8 acolhe a experiência de quem se sente sem saída e, ao mesmo tempo, sussurra que o coração de Deus continua sensível, atento e disposto a curar quando há um retorno sincero a Ele.
Jeremias 8, lido em continuidade com o capítulo anterior, aprofunda a exposição da crise de Judá por meio de imagens cuidadosamente escolhidas. A abertura com a profanação das sepulturas é teologicamente significativa: na mentalidade bíblica, honra pós-morte e sepultura adequada eram sinais de bênção. A exumação e exposição dos ossos constituem um juízo extremo, que revela a falência total da proteção oferecida pelos deuses astralistas aos quais o povo havia se devotado. A seção dos versículos 4 a 7 emprega perguntas retóricas, um recurso frequente na literatura profética, para confrontar a irracionalidade da apostasia: cair e não levantar, desviar e não voltar contrasta com a experiência comum e com o comportamento das aves migratórias. A crítica é não apenas moral, mas também cognitiva: o povo se comporta de forma menos sensata que a criação não racional, porque ignora os tempos do juízo divino. Nos versículos 8 e 9, a crítica se dirige à elite letrada. A "falsa pena dos escribas" sugere adulteração ou interpretação distorcida da lei, possivelmente para legitimar práticas idolátricas ou injustas. A consequência é que os supostos sábios são desmascarados: rejeitaram a palavra do Senhor, portanto qualquer pretensão de sabedoria cai por terra. Aqui aparece uma linha mestra da teologia de Jeremias: sabedoria autêntica é inseparável da submissão à revelação divina. A partir do versículo 10, o profeta expõe a corrupção generalizada: desde o menor até o maior, todos se entregam à avareza; do profeta ao sacerdote, todos praticam falsidade. O problema não é apenas individual, mas sistêmico. O diagnóstico espiritual é superficial, resumido no refrão "Paz, paz", que ecoa também em outros textos proféticos. A esterilidade da terra (v. 13) e a imagem da colheita perdida (v. 20) reforçam a ideia de que o tempo da oportunidade foi desperdiçado. A menção ao resfolegar dos cavalos vindos de Dã (v. 16) localiza geograficamente a ameaça no norte, tradicional rota de invasão. As serpentes e basiliscos (v. 17) podem ser entendidos como metáforas para inimigos ou calamidades inevitáveis. O trecho final (vv. 18-22) muda para o lamento pessoal de Jeremias, aproximando o leitor da experiência interna do profeta. A referência a Gileade e seu bálsamo, conhecida por seus recursos medicinais, serve como pergunta retórica sobre por que a cura espiritual ainda não ocorreu, mesmo havendo remédio em Deus. Teologicamente, o capítulo reforça temas-chave: a inseparabilidade entre ética e culto, a centralidade da palavra do Senhor contra qualquer pseudo-sabedoria e a tensão entre juízo e compaixão no coração de Deus, refletida nas lágrimas de Jeremias.
Jeremias 8 traz implicações muito concretas para a vida diária de uma comunidade. O cenário descrito é de crise completa: líderes religiosos desviados, povo acostumado com a mentira, sensação generalizada de insegurança e um clima de desespero em que muitos consideram a morte melhor que a vida. Esse quadro extremo ajuda a perceber como escolhas repetidas, aparentemente pequenas, podem conduzir a colapsos profundos. Um primeiro ponto prático é a questão da negação. O povo insiste em dizer "paz" quando tudo indica o contrário. Em termos de vida real, isso se parece com famílias que evitam conversar sobre problemas sérios, ambientes de trabalho que mascaram injustiças, comunidades de fé que silenciam conflitos em vez de tratá-los com verdade e graça. Essa negação prolongada impede mudanças necessárias e acaba tornando as crises mais dolorosas. Outro aspecto é a responsabilidade dos líderes. Profetas, sacerdotes e escribas, que deveriam cuidar do povo, estão envolvidos em ganância e falsidade. Na prática, isso alerta para o cuidado na escolha de referências: conselheiros, mentores, pastores, influenciadores. Quando aqueles que orientam vivem de maneira incoerente, o dano se espalha. Isso não significa buscar líderes perfeitos, mas sim pessoas que lidem com o pecado com seriedade, que não prometam atalhos fáceis e que estejam dispostas a reconhecer seus próprios erros. A metáfora da terra sem frutos e da colheita perdida também tem um lado prático. Ela sugere a importância de aproveitar tempos de oportunidade: momentos de abertura para mudança, de acesso a recursos, de liberdade para fazer o que é certo. Adiar decisões importantes, empurrar conversas difíceis com a barriga e ignorar sinais de alerta pode resultar em períodos em que, mesmo desejando, já não se consiga evitar certas consequências. Por fim, o lamento de Jeremias e a pergunta pelo bálsamo em Gileade lembram que a verdadeira solução não está em negar, mas em encarar com seriedade a ferida e buscar a origem certa de cura. Isso pode significar confessar pecados, procurar reconciliação em relacionamentos rompidos, abrir-se com transparência diante de Deus e, quando necessário, unir acompanhamento espiritual com ajuda profissional. Em vez de discursos vazios de "está tudo bem", o capítulo convida a um caminho mais honesto, que passa pelo reconhecimento da dor e segue em direção a uma restauração real.
Jeremias 8 fala com profundidade à alma, porque expõe não apenas comportamentos errados, mas uma postura interior diante de Deus. O capítulo descreve um povo que conhece, ao menos de forma externa, a lei do Senhor, mas prefere seguir ídolos, autoengano e promessas vazias de segurança. O problema central não é falta total de informação espiritual, mas recusa em se submeter à verdade revelada. A cena dos ossos expostos aos corpos celestes que o povo havia adorado é um aviso de longo alcance: tudo aquilo que é elevado ao lugar de deus acaba, no fim, se mostrando incapaz de proteger da morte e do juízo. Para a dimensão da alma, isso significa que qualquer confiança última colocada em algo criado – seja poder, dinheiro, religiosidade meramente externa, relacionamentos ou realizações pessoais – é instável. A eternidade desnuda a fragilidade desses "deuses". A ausência de arrependimento sincero, ilustrada pela incapacidade de perguntar "Que fiz eu?", aponta para um coração endurecido. Enquanto isso persiste, a pessoa pode ouvir sermões, participar de ritos e estar cercada de linguagem religiosa, mas sem experimentar transformação real. A situação descrita – colheita passada, verão findo, salvação ainda não experimentada – ecoa a urgência da resposta a Deus. A vida tem estações; adiar indefinidamente a entrega do coração ao Senhor é arriscar-se a perder tempos preciosos de visitação. Ao mesmo tempo, o lamento de Jeremias e a evocação do "bálsamo em Gileade" apontam para a esperança. A pergunta "Não há bálsamo? Não há médico?" sugere que existe, em Deus, um recurso verdadeiro para a cura da alma. Ao longo da revelação bíblica, essa expectativa se concentra na figura do Messias, que viria como médico dos enfermos espirituais, aquele que cura feridas profundas e oferece vida eterna. Assim, Jeremias 8 convida a alma a sair da neutralidade: deixar a falsa paz, abandonar a confiança em suportes passageiros e voltar-se ao Deus vivo com arrependimento real. Essa volta não é apenas moral, mas existencial e eterna. Envolve reconhecer que, sem a intervenção divina, a ferida da alma permanece aberta, e que somente o "bálsamo" que vem de Deus – sua graça, seu perdão, sua presença – pode restaurar plenamente, hoje e na eternidade.
" Naquele tempo, diz o SENHOR, tirarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, e os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalém; "
" E expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem tinham servido, e após quem tinham ido, e a quem tinham buscado e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a face da terra. "
" E será escolhida antes a morte do que a vida por todos os que restarem desta raça maligna, que ficarem em todos os lugares onde os lancei, diz o Senhor dos Exércitos. "
" Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Porventura cairão e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão, e não voltarão? "
" Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia tão contínua? Persiste no engano, não quer voltar. "
" Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua carreira, como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha. "
" Até a cegonha no céu conhece os seus tempos determinados; e a rola, e o grou e a andorinha observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece o juízo do Senhor. "
" Como, pois, dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Eis que em vão tem trabalhado a falsa pena dos escribas. "
" Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do Senhor; que sabedoria, pois, têm eles? "
" Portanto darei suas mulheres a outros, e os seus campos a novos possuidores; porque desde o menor até ao maior, cada um deles se dá à avareza; desde o profeta até ao sacerdote, cada um deles usa de falsidade. "
" E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. "
" Porventura envergonham-se de cometerem abominação? Não; de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo em que eu os visitar, diz o Senhor. "
" Certamente os apanharei, diz o Senhor; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles. "
" Por que nos assentamos ainda? Juntai-vos e entremos nas cidades fortificadas, e ali pereçamos; pois já o Senhor nosso Deus nos destinou a perecer e nos deu a beber água de fel; porquanto pecamos contra o Senhor. "
" Espera-se a paz, mas não há bem; o tempo da cura, e eis o terror. "
" Já desde Dã se ouve o resfolegar dos seus cavalos, toda a terra treme ao som dos rinchos dos seus fortes; e vêm, e devoram a terra, e sua abundância, a cidade e os que habitam nela. "
" Porque eis que envio entre vós serpentes e basiliscos, contra os quais não há encantamento, e vos morderão, diz o Senhor. "
" Oh! se eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração desfalece em mim. "
Jeremias 8:18 mostra o profeta tão angustiado pelo sofrimento do povo que sente o coração desfalecer. O versículo revela que até servos fiéis de Deus …
Ler analise completa" Eis a voz do clamor da filha do meu povo de terra mui remota; não está o Senhor em Sião? Não está nela o seu rei? Por que me provocaram à ira com as suas imagens de escultura, com vaidades estranhas? "
" Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos. "
" Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; ando de luto; o espanto se apoderou de mim. "
" Porventura não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo? "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.