Versículo em destaque
Jeremias 8:13 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Certamente os apanharei, diz o Senhor; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles. "
Jeremias 8:13
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
11 E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.
12 Porventura envergonham-se de cometerem abominação? Não; de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo em que eu os visitar, diz o Senhor.
13 Certamente os apanharei, diz o Senhor; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles.
14 Por que nos assentamos ainda? Juntai-vos e entremos nas cidades fortificadas, e ali pereçamos; pois já o Senhor nosso Deus nos destinou a perecer e nos deu a beber água de fel; porquanto pecamos contra o Senhor.
15 Espera-se a paz, mas não há bem; o tempo da cura, e eis o terror.
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Nesses versículos, Deus ameaça destruir um povo pecador. Ele tinha sido paciente com eles por muito tempo, mas eles continuaram a provocá-lo cada vez mais. Por isso, a sua ruína agora está decidida: “Certamente os apanharei” (Jeremias 8:13). A expressão não indica apenas que o juízo é certo, mas que será completo, com um castigo sucedendo ao outro até que sejam totalmente destruídos, como naquela “consumpção determinada” de que fala (Isaías 10:23).
Eles seriam despojados de todos os seus confortos. “Já não há uvas na vide” (Jeremias 8:13). Alguns entendem que isso significa que Deus não encontrou fruto neles, nenhuma resposta ao seu cuidado, como em (Isaías 5:2) e (Lucas 13:6). Eles eram estéreis, como a figueira sem folhas em (Mateus 21:19). Mas é mais provável que a frase se refira diretamente aos juízos de Deus sobre eles. O inimigo tomaria as colheitas, apoderar-se-ia das uvas e dos figos, e deixaria o povo sem nada em que se alegrar. O sentido é resumido na linha seguinte: “o que lhes dei passará deles”. Os dons de Deus são concedidos sob condição, e, quando as pessoas não a cumprem, ele pode retirá-los. Misericórdias abusadas são misericórdias perdidas, e Deus é justo ao retomar aquilo que foi mal usado.
Eles também seriam atacados por todo tipo de tribulação e cercados por desastres (Jeremias 8:17). Deus diz: “Eis que enviarei serpentes entre vós”. Isso aponta para o exército caldeu, os invasores babilônios, que seriam como serpentes abrasadoras, rápidas e ferozes, mordendo com veneno mortal. Eles não seriam “encantados”, como algumas serpentes que se deixavam acalmar por música, pois esses inimigos não poderiam ser abrandados nem desviados. Eram firmes em seu propósito cruel, como a víbora surda que não quer ouvir a voz do encantador. Não haveria paz com Deus, e, portanto, também não haveria paz com esses inimigos.
O povo então afunda em desespero debaixo do peso dessas angústias. Antes, quando o perigo parecia distante, eles eram destemidos e desafiadores. Agora que o juízo se aproxima, perdem o ânimo e não sabem como enfrentá-lo (Jeremias 8:14). Já não se sentem seguros nas aldeias abertas e dizem: “Por que estamos ainda assentados? Ajuntemo-nos e entremos nas cidades fortificadas.” Sabem que, no fim, também ali serão cortados, mas esperam que isso aconteça mais tarde ali do que no campo. Decidem ir e ficar em silêncio ali, não um silêncio humilde, mas um silêncio de desesperança. Na aflição, aqueles que eram alegres na prosperidade costumam tornar-se os mais abatidos.
O que os leva a esse desespero? Em primeiro lugar, o sentimento de que Deus está irado com eles. Dizem: “O Senhor nosso Deus nos fez calar, e nos deu a beber água de fel” (compare com Salmo 60:3). Ou seja, ele os feriu com espanto e lhes deu de beber algo amargo e perturbador. Eles acrescentam: “porque pecamos contra o Senhor”. Essas palavras podem expressar irritação contra Deus, como se ele os tivesse tratado com dureza excessiva. Mas é melhor entendê-las como o início de uma verdadeira convicção. Finalmente começam a ver a mão de Deus em sua miséria e a admitir que o provocaram. Mais cedo ou mais tarde, Deus leva até os mais teimosos a reconhecerem tanto o seu governo quanto a sua justiça em meio às tribulações.
Em segundo lugar, eles veem que o inimigo é mais forte do que eles (Jeremias 8:16). Percebem rapidamente que resistir a uma força tão poderosa é inútil. O ânimo deles e de todo o povo desfalece, e, quando uma nação perde o coração, o seu número já não vale muito. O resfolegar dos cavalos é ouvido desde Dã, a cidade do extremo norte, isto é, as notícias da cavalaria inimiga se espalham pelo país com terror. O som de seus cavalos apavora a todos, porque eles devoram a terra e tudo o que está na cidade. Campo e cidade são assolados, e tanto a riqueza quanto o povo são destruídos. Quando Deus é contra nós, tudo o que se levanta contra nós parece irresistível. Mas, se Deus é por nós, tudo o mais se torna pequeno e fraco, como diz (Romanos 8:31).
Em terceiro lugar, eles ficam arrasados porque o socorro que esperavam não vem. Tinham sido surpreendidos quando a calamidade chegou, e agora também são decepcionados porque o livramento continua sendo adiado. O problema veio quando eles menos esperavam (Jeremias 8:15). Haviam esperado paz, que as coisas continuassem como estavam, mas nenhum bem veio. Esperavam saúde e prosperidade, mas em vez disso contemplaram guerra e perigo. Seus falsos profetas continuavam clamando: “Paz, paz”, de modo que o surgimento repentino da guerra tornou o desastre ainda mais terrível. A mesma queixa aparece novamente em (Jeremias 14:19).
O livramento também não veio quando havia muito tempo eles o esperavam (Jeremias 8:20). “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.” Muito tempo se passou, como uma estação inteira ou muitas estações. Ano após ano, campanha após campanha se sucederam, mas a situação deles não melhorou em nada. Pior ainda, tempo precioso foi perdido. A estação própria para agir se foi, e um inverno frio e triste chegou em seu lugar. A salvação da igreja e do povo de Deus muitas vezes caminha devagar, porque Deus tem razões sábias e santas para a demora. Em certas ocasiões, as próprias pessoas emperram o seu socorro e não são salvas porque não estão preparadas para a salvação.
Eles foram enganados justamente pelas coisas em que confiavam para sua segurança e paz (Jeremias 8:19). A “filha do meu povo” clama por causa dos que vêm de uma terra remota, por causa do inimigo estrangeiro que invade e se apodera do que era deles. É isso que provoca o seu clamor. O seu brado é: “Não está o Senhor em Sião? Não está nela o seu Rei?”
Eram essas as duas coisas em que se apoiavam havia muito tempo. Primeiro, criam que tinham o templo de Deus entre eles, com sinais claros de sua presença especial. O povo dizia: “Não está o Senhor em Sião? De que perigo teríamos de temer?” Apegaram-se a isso mesmo quando a calamidade já começara a irromper. Pensavam: “Estaremos seguros, porque Deus está conosco.” Mas, quando o desastre chegou ao extremo, isso apenas tornou sua miséria ainda mais amarga, porque tinham se iludido.
Segundo, confiavam por terem o trono da casa de Davi. Não tinham apenas um templo, mas também um reino estabelecido por direito divino, isto é, pela própria autoridade de Deus. Raciocinavam: “Não está o Rei de Sião no meio dela? Será que o Deus de Sião não protegerá o rei de Sião e o seu reino?” Certamente ele os teria protegido, mas por que não o fez? Clamavam como se Sião não tivesse nem Deus nem rei para defendê-la e livrá-la da ruína.
Mas esse clamor também se transformava numa queixa contra Deus, como se seu poder ou sua promessa tivessem falhado. Então Deus responde de imediato: Por que me provocaram à ira com as suas imagens de escultura? Eles culparam a Deus, como se ele os tivesse abandonado injustamente, mas foi a idolatria deles que o afastou. Eles quebraram sua lealdade a ele e se desligaram de sua proteção. Ficaram irados e amaldiçoaram seu rei e seu Deus (Isaías 8:21), quando o problema estava no próprio pecado que os separara de Deus (Isaías 59:2). Não temeram ao Senhor; então, que poderia um rei fazer por eles? (Oséias 10:3).
O profeta, então, lamenta o desastre e a ruína de seu povo. Jeremias teve muito mais lamentos do que os que estão registrados no livro chamado Lamentações. Ele viu com seus próprios olhos a destruição de sua pátria, e já a tinha contemplado em espírito antes que viesse. Diante dela, ou mesmo ao pressentir sua chegada, exclama: “De mágoa o meu coração desfalece em mim” (Jeremias 8:18). Quando tenta consolar a si mesmo, isso não o ajuda. Na verdade, cada esforço para aliviar a dor apenas a torna mais pesada.
É sábio e correto, quando coisas difíceis acontecem, procurar consolar-nos com pensamentos que possam firmar o coração e diminuir o pesar. Mas às vezes a dor é tão profunda que, quanto mais tentamos reprimi-la, mais ela reage. Isso pode acontecer até com pessoas piedosas, como aconteceu com esse profeta. Sua alma recusava o consolo, e ele desfalecia sob o peso disso (Salmo 77:2-3).
Ele explica a razão em (Jeremias 8:21): “Por causa da aflição da filha do meu povo estou quebrantado”. Ele foi ferido pela ferida deles, e se entristeceu por causa do pecado do povo e da miséria que atraíram sobre si mesmos. Por isso, ele estava “preto de espanto”, escurecido pela tristeza, como os enlutados, e dominado por choque e confusão, sem saber o que fazer nem para onde se voltar.
As aflições da nossa pátria deveriam nos entristecer profundamente. Um coração piedoso será também um coração público, terno e entristecido. Devemos nos compadecer dos sofrimentos dos outros e sentir ainda mais as calamidades da nossa própria nação, especialmente da igreja de Deus, e lamentar a aflição de José. Jeremias havia predito a destruição de Jerusalém. Mesmo quando duvidaram de seu aviso, ele não se alegrou quando sua palavra se cumpriu. Ele se importava mais com o bem-estar do seu país do que com a própria reputação.
Se Jerusalém tivesse se arrependido e sido poupada, Jeremias não teria ficado amargo por causa disso, como Jonas. Jeremias tinha muitos inimigos em Judá e em Jerusalém, que o odiavam, zombavam dele e o perseguiam. Mais tarde, Deus tratou com eles por causa disso e defendeu a causa do seu profeta. Ainda assim, Jeremias não se alegrou com a queda deles. Ele realmente perdoou seus inimigos e desejava que Deus também os perdoasse.
Então ele pergunta: “Não há bálsamo em Gileade, não há remédio para uma nação doente e à beira da morte? Não há médico ali?” Ele olha para a nação como além de qualquer esperança, fora de possibilidade de conserto. Não havia bálsamo em Gileade que pudesse curar a doença do pecado, nem médico ali que pudesse restaurar uma nação já invadida pelos caldeus, o exército da Babilônia. A ruína que eles mesmos haviam trazido sobre si parecia impossível de reparar, e a doença havia chegado a um estágio em que nada mais podia detê-la.
Ou o versículo pode querer dizer que a culpa de estarem em estado incurável recai inteiramente sobre eles mesmos. Nesse caso, a resposta seria: sim, há bálsamo em Gileade e há médico ali. Deus podia socorrê-los e curá-los. Ele era plenamente capaz de consertar todo o mal que tinham sofrido. Gileade ficava perto, dentro da própria terra deles. Eles tinham a lei de Deus e seus profetas no meio deles, pelos quais poderiam ter sido conduzidos ao arrependimento e preservados da ruína. Também tinham príncipes e sacerdotes, cujo dever era reformar a nação e lidar com seus problemas.
O que mais poderia ter sido feito por eles? Por que, então, sua saúde não foi restaurada? A falha não estava em Deus. Não era porque faltassem bálsamo ou médico. Era porque eles não aceitavam o tratamento nem se submetiam ao caminho da cura. O médico e o remédio estavam ambos à disposição, mas o paciente era teimoso e indomável. Ele não queria viver segundo as regras e só desejava ser mimado.
Se os pecadores morrem de suas feridas, só têm a si mesmos para culpar. O sangue de Cristo é o bálsamo em Gileade, e o seu Espírito é o médico ali. Ambos são totalmente suficientes, mais que suficientes. Eles poderiam ter sido curados, mas não quiseram.
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Deste capítulo
Jeremias 8:1
"Naquele tempo, diz o SENHOR, tirarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, e os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalém;"
Jeremias 8:2
"E expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem tinham servido, e após quem tinham ido, e a quem tinham buscado e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a face da terra."
Jeremias 8:3
"E será escolhida antes a morte do que a vida por todos os que restarem desta raça maligna, que ficarem em todos os lugares onde os lancei, diz o Senhor dos Exércitos."
Jeremias 8:4
"Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Porventura cairão e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão, e não voltarão?"
Jeremias 8:5
"Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia tão contínua? Persiste no engano, não quer voltar."
Jeremias 8:6
"Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua carreira, como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha."
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