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Jeremias 8:4 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Porventura cairão e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão, e não voltarão? "

Jeremias 8:4

menu_book Versículo no contexto

2 E expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem tinham servido, e após quem tinham ido, e a quem tinham buscado e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a face da terra.

3 E será escolhida antes a morte do que a vida por todos os que restarem desta raça maligna, que ficarem em todos os lugares onde os lancei, diz o Senhor dos Exércitos.

4 Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Porventura cairão e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão, e não voltarão?

5 Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia tão contínua? Persiste no engano, não quer voltar.

6 Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua carreira, como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O profeta é instruído a colocar diante do povo a tolice da sua teimosa recusa em se arrepender, que foi exatamente o que trouxe o desastre sobre eles. O quadro é o de um povo extremamente insensato, que não quer aprender com as muitas maneiras pelas quais Deus, em sua sabedoria, procurou despertá-los e impedi-los de caminhar para a ruína.

Primeiro, eles não davam ouvidos ao simples bom senso. Nas coisas da alma, não agiam com a mesma sabedoria básica que usavam na vida cotidiana. Pecadores se tornariam santos se agissem com sensatez, e a religião logo os dominaria se apenas se deixassem convencer pela razão. Deus diz: venham, vamos refletir juntos (Jeremias 8:4, Jeremias 8:5). Se alguém cai, não procura levantar-se? Se um viajante erra o caminho, não volta assim que percebe o erro? É claro que sim. No entanto, Jerusalém havia “deslizado para trás com um perpétuo retroceder”. Eles não apenas caíram em pecado, mas continuaram nele, em vez de se levantarem por meio do arrependimento. Desviaram-se do caminho reto para uma vereda que levava à destruição e, a menos que a graça onipotente os detivesse, continuariam a escorregar cada vez mais para longe. O pecado é um engano profundo: não só induz à prática do mal, como mantém a pessoa presa a ele. As pessoas se apegam às suas mentiras, se desculpam e recusam correção. Todo aquele que persiste escolhendo o pecado está agarrado a algum tipo de falsidade que o impede de voltar-se para Deus.

Segundo, eles não ouviam a consciência, que é a razão olhando para trás, avaliando os próprios atos (Jeremias 8:6). O profeta prestou atenção para ver se sua pregação havia produzido algum efeito. Deus também escutou, como quem não tem prazer na morte do pecador, e teria recebido com alegria qualquer sinal de arrependimento. Ele observa as pessoas depois que fazem o mal, para ver o que farão em seguida. Mas eles não falavam o que era reto; Deus não conseguia deles uma só palavra boa, nada que revelasse tristeza pelo pecado ou desejo de mudança. Ninguém dizia o que um verdadeiro arrependido diria: “Que foi que eu fiz?” Aqui começa o verdadeiro arrependimento: num exame honesto e cuidadoso de si mesmo. Em vez de voltar atrás, cada um seguia obstinadamente na sua própria carreira de pecado, como um cavalo que se lança à batalha. Zombava do medo e não aceitava freio. Assim também os pecadores atrevidos riem dos avisos da palavra de Deus e correm ao encontro da própria ruína.

Terceiro, eles não aprendiam com a providência de Deus, isto é, com o modo como Deus governa os acontecimentos da vida (Jeremias 8:7). É um triste sinal da sua insensatez que, embora fossem povo de Deus, não entendessem os seus tratamentos para com eles. Não conheciam o juízo do Senhor, isto é, não sabiam ler o que Deus dizia por meio da misericórdia ou por meio da tribulação. Não sabiam como responder quando Deus enviava profetas para adverti-los, nem quando sua voz clamava por meio das aflições. Não discerniam os sinais dos tempos (Mateus 16:3), nem compreendiam o que Deus estava fazendo com eles. Isso se torna ainda mais vergonhoso quando se observa a sabedoria das criaturas inferiores: a cegonha sabe o tempo de ir e de voltar, e o mesmo ocorre com a rola, o grou e a andorinha. Por instinto, movem-se conforme as estações. Mas o povo de Deus se recusava a entender os caminhos do Senhor.

Quarto, eles não davam ouvidos à palavra escrita. Diziam: “Nós somos sábios”, mas como podiam dizer isso? (Jeremias 8:8). Como podiam afirmar ser sábios se não se conheciam nem ao menos tão bem quanto os animais se conhecem? Achavam-se sábios porque tinham a lei de Deus entre eles, e porque também eram vistos assim por outros povos (Deuteronômio 4:6). Mas essa pretensão era vazia. Era como se Deus lhes tivesse dado as Escrituras em vão, pois faziam tão pouco uso delas. Nenhum povo jamais teve a palavra de Deus com tão pouco proveito como eles.

Para eles, era quase como se não tivessem lei, já que não a utilizavam de modo digno. Deus realmente fez a lei apta para tornar as pessoas sábias para a salvação, mas, para eles, a lei se tornava inútil, porque não se deixavam tornar mais sábios por meio dela. A “pena dos escribas”, isto é, tanto o trabalho dos que primeiro escreveram a lei como o dos que agora a explicavam, também se mostrava desperdiçada sobre eles. Tanto o favor de Deus quanto o esforço dos escribas eram perdidos, porque eles recebiam a graça de Deus em vão.

Muita gente dispõe de abundantes meios de graça – muitas Bíblias, muitos ministros – e, ainda assim, não obtém benefício algum disso. Possuem esses meios, mas não os usam para o fim para o qual Deus os concedeu. Alguém poderia objetar que, ao menos, alguns sábios entre eles não estavam desperdiçando a lei nem o trabalho dos escribas. Jeremias responde (Jeremias 8:9): os sábios estão envergonhados. Tinham motivos para isso, pois não usaram bem a sabedoria que possuíam, nem viveram como deveriam.

Eles ficam confundidos e são pegos. Toda a sua sabedoria não os preservou dos caminhos que conduziam à ruína. Caíram nos mesmos laços que seus vizinhos, que nunca haviam feito tais pretensões de sabedoria, e acabaram cobertos pela mesma vergonha. Aqueles que sabem mais do que os outros, mas não fazem melhor uso desse conhecimento para o bem de suas próprias almas, têm todos os motivos para se envergonhar. Gabam-se de sua sabedoria, mas rejeitaram a palavra do Senhor. Não permitiram que ela os guiasse, não seguiram sua direção, nem praticaram o que sabiam ser correto. Que sabedoria real existe neles? Nenhuma que importe, nenhuma que lhes traga honra no último dia, ainda que agora alimente seu orgulho.

O povo que dizia: “Somos sábios, e a lei do Senhor está conosco” eram os sacerdotes e os falsos profetas, e o profeta se dirige a eles de maneira clara. Primeiro, ele os adverte quanto ao juízo de Deus. Suas famílias e seus bens seriam arruinados (Jeremias 8:10). Suas mulheres seriam dadas a outros quando eles fossem levados em cativeiro, e seus campos seriam tomados pelo inimigo e entregues a novos donos. Esses novos proprietários não apenas usariam a terra por algum tempo, mas se estabeleciam nela como sua posse e a repassariam a seus filhos.

Em (Jeremias 8:12), apesar de todas as suas pretensões de sabedoria e santidade, cairiam juntamente com os demais que viessem a cair. Se cegos guiam cegos, ambos cairão no barranco. Quando Deus viesse examinar a terra e revelar o seu pecado, ficaria claro que esses líderes contribuíram mais do que ninguém para a ruína do povo. Por isso, certamente seriam abatidos e expulsos.

Ele também apresenta a razão desse juízo (Jeremias 8:10-12), a mesma acusação já descrita em (Jeremias 6:13-15). Eles eram gananciosos por lucro terreno, o que já é grave em qualquer pessoa, mas muito pior em sacerdotes e profetas, que deveriam saber mais e amar menos as coisas deste mundo. Do menor ao maior, todos eram dominados pela cobiça. Os sacerdotes ensinavam por interesse, e os profetas adivinhavam por dinheiro (Miqueias 3:11).

Além disso, não se preocupavam com a verdade, nem mesmo quando falavam na qualidade de sacerdotes e profetas. Cada um agia falsamente, aparentando uma coisa e querendo outra. Não havia sinceridade real entre eles. Lisonjeavam o povo em seus pecados e, com isso, os encaminhavam para a destruição. Agiam como médicos da nação, mas não sabiam tratar a doença que só piorava. Curavam apenas superficialmente, como quem coloca um curativo em uma ferida mortal. Acalmavam os medos e as queixas do povo com palavras suaves: “Paz, paz, está tudo bem”, quando, na verdade, Deus tratava com eles em juízo, e não podia haver paz.

Quando sua falsidade foi desmascarada, não sentiram vergonha alguma. Ao contrário, pareciam orgulhosos disso (Jeremias 8:12). Haviam perdido todo senso de vergonha e de honra. Mesmo quando flagrados em mentiras evidentes, defendiam o que tinham feito e zombavam daqueles que haviam enganado. Gente assim estava plenamente preparada para a ruína.

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