Jeremias 13 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 13 na sua vida hoje

27 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Jeremias 13?

Jeremias 13 apresenta duas parábolas proféticas fortes – o cinto de linho apodrecido e os odres cheios de vinho – para ilustrar como o orgulho, a idolatria e a teimosia de Judá levariam à ruína, vergonha pública e cativeiro. O capítulo alterna entre ações simbólicas, anúncio de juízo, apelo urgente ao arrependimento e o lamento profundo de Jeremias pelo povo que se recusa a ouvir.

Temas principais em Jeremias 13

Orgulho que corrompe o povo de Deus (versículos 1-11, 15-18)

O cinto de linho, feito para ficar junto ao corpo, representa a proximidade para a qual Deus chamou Israel e Judá. Quando o cinto é escondido e apodrece, simboliza como o orgulho endureceu o povo, tornando-o inútil para o propósito de Deus.

Versículos-chave: 9, 10, 15, 18

Aliança rompida e inutilidade espiritual (versículos 10-11)

Deus havia ligado Israel e Judá a si para serem povo, nome, louvor e glória. Ao seguirem outros deuses e rejeitarem a palavra do Senhor, tornam-se como um cinto estragado, incapaz de cumprir a função para a qual foram separados.

Versículos-chave: 10, 11

Juízo inevitável sobre toda a liderança e o povo (versículos 12-14, 18-21)

A imagem dos odres cheios de vinho é usada para mostrar um derramar de juízo: embriaguez, confusão e conflito entre reis, sacerdotes, profetas e habitantes de Jerusalém. O castigo alcança todas as camadas da sociedade.

Versículos-chave: 13, 14, 18, 21

Apelo urgente ao arrependimento antes da escuridão (versículos 15-17)

Ainda há chamado à humildade e à rendição a Deus. Jeremias conclama a dar glória ao Senhor antes que venha a escuridão irreversível, mostrando que o juízo é iminente, mas não totalmente consumado naquele momento.

Versículos-chave: 15, 16, 17

Impossibilidade de mudar sem intervenção divina (versículos 22-25)

A ilustração do etíope e do leopardo aponta para a profundidade do pecado adquirido: um povo acostumado ao mal não consegue, por si só, passar a praticar o bem. A raiz do problema é interna e profunda.

Versículos-chave: 23, 25

Vergonha exposta e idolatria como prostituição espiritual (versículos 24-27)

As imagens de roupas levantadas, nudez exposta e prostituição nos outeiros retratam a idolatria como infidelidade conjugal diante de Deus. O resultado é vergonha pública e dispersão como restolho levado pelo vento.

Versículos-chave: 24, 26, 27

Contexto histórico e literario

Jeremias 13 situa-se no período final do reino de Judá, pouco antes da queda de Jerusalém diante da Babilônia (século VII–VI a.C.). A nação vivia uma combinação de decadência espiritual, política e social: idolatria persistente, alianças equivocadas e confiança em falsos profetas que negavam o juízo iminente.

O cinto de linho lembra o tipo de tecido usado pelos sacerdotes, sugerindo pureza, serviço e proximidade de Deus. A ordem para escondê-lo junto ao Eufrates provavelmente aponta para a região sob influência da Babilônia, a potência que executaria o juízo divino. Quando Jeremias retorna e encontra o cinto apodrecido, a imagem comunica visualmente o estado espiritual do povo e o resultado de seu distanciamento do Senhor.

A metáfora dos odres cheios de vinho explora algo bem conhecido da vida cotidiana. Odres eram recipientes de couro usados para guardar vinho; dizer que todo odre se enche de vinho era uma obviedade. Deus usa essa expressão comum para revelar que encheria os habitantes da terra de uma espécie de embriaguez de juízo: confusão, discórdias internas e colapso social.

Reis da linhagem de Davi, rainha (possivelmente a rainha-mãe com posição política relevante), sacerdotes e profetas aparecem lado a lado como alvos do juízo, indicando que a corrupção e a infidelidade atingiam tanto a liderança política quanto a religiosa. As referências ao inimigo vindo do norte ecoam as campanhas militares babilônicas, que cercariam cidades e levariam cativos os habitantes de Judá.

Estrutura de Jeremias 13

Jeremias 13 é construído em torno de ações simbólicas e oráculos explicativos, intercalados com apelos e lamentos:

  1. A parábola do cinto de linho (13:1-7)

    • Ordem para comprar e usar o cinto (v.1-2)
    • Segunda ordem: esconder o cinto junto ao Eufrates (v.3-5)
    • Retorno após muitos dias e descoberta do cinto apodrecido (v.6-7)
  2. Interpretação do símbolo: orgulho e inutilidade de Judá (13:8-11)

    • Anúncio: Deus fará apodrecer a soberba de Judá e Jerusalém (v.8-9)
    • Caracterização do povo: maligno, teimoso, idólatra (v.10)
    • Propósito original de Deus para Israel e Judá (v.11)
  3. Parábola dos odres cheios de vinho (13:12-14)

    • Palavra proverbial: todo odre se encherá de vinho (v.12)
    • Reinterpretação divina: embriaguez de juízo sobre toda a população (v.13)
    • Violência e ruptura social sem piedade (v.14)
  4. Apelo à humildade e lamento de Jeremias (13:15-17)

    • Exortação a ouvir e abandonar o orgulho (v.15)
    • Chamado a dar glória a Deus antes da escuridão (v.16)
    • Lamento íntimo do profeta pelo cativeiro do rebanho do Senhor (v.17)
  5. Mensagem aos reis, à rainha e ao povo sobre o cativeiro (13:18-21)

    • Chamado à humilhação da realeza e perda das coroas (v.18)
    • Notícia do fechamento das cidades e do cativeiro total (v.19)
    • Visão do inimigo do norte e perda do rebanho confiado (v.20)
    • Dor do castigo comparada às dores de parto (v.21)
  6. Diagnóstico do pecado e sua consequência (13:22-25)

    • Explicação da desgraça: multiplicação de maldades (v.22)
    • Impossibilidade de auto-transformação moral (etíope e leopardo) (v.23)
    • Dispersão como restolho ao vento do deserto (v.24)
    • Sentença: por ter esquecido o Senhor e confiado em mentiras (v.25)
  7. Vergonha exposta e descrição da idolatria como prostituição (13:26-27)

    • Exposição pública da vergonha (v.26)
    • Catálogo das abominações e prostituição espiritual de Jerusalém (v.27)
    • Clamor final: "Até quando ainda não te purificarás?" (v.27)

Significado teológico

O capítulo destaca a seriedade da aliança e da identidade do povo de Deus. O cinto de linho ilustra que Israel e Judá foram criados para viver colados a Deus, refletindo seu nome, louvor e glória. A inutilidade do cinto apodrecido mostra que afastar-se de Deus não é apenas desobediência, mas perda da razão de ser.

O orgulho aparece como raiz do afastamento. Rejeitar a voz de Deus, endurecer o coração e seguir outros deuses são manifestações de soberba: é a tentativa de definir a própria vida à parte do Senhor. Teologicamente, o texto mostra que o orgulho cega para a realidade, impede o arrependimento e torna o juízo inevitável.

A metáfora dos odres cheios de vinho desenvolve a ideia de juízo como um derramar divino que atinge toda a estrutura social: rei, sacerdotes, profetas e povo. Não se trata de um descontrole arbitrário, mas de uma resposta justa a um povo que trocou a verdade pela mentira e a fidelidade pela prostituição espiritual.

A imagem do etíope e do leopardo ressalta a profundidade do pecado humano. Há uma dimensão de pecado aprendido, incorporado ao hábito e ao caráter, de modo que o ser humano não consegue, por si mesmo, transformar-se em alguém que pratica o bem. Isso destaca a necessidade da intervenção graciosa de Deus para purificar, dar novo coração e restaurar a aliança.

Por fim, o capítulo enfatiza a tensão entre juízo e lamento. Enquanto Deus anuncia que não poupará, o profeta chora amargamente pelo rebanho levado cativo. A justiça de Deus não exclui sua compaixão; o juízo não é prazer divino, mas resposta ao pecado persistente de um povo que rejeita repetidamente a oportunidade de se humilhar e dar glória ao Senhor.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Jeremias 13 toca em temas que aparecem com frequência em processos terapêuticos: orgulho defensivo, autoengano, hábitos destrutivos que parecem impossíveis de mudar e as consequências de escolhas insistentes ao longo do tempo.

O cinto apodrecido ecoa a experiência de pessoas que sentem ter perdido propósito ou valor depois de anos se afastando de princípios que um dia consideraram importantes. A figura dos odres cheios de vinho, levando à confusão e conflito, lembra ambientes familiares ou comunitários em que decisões erradas acumuladas geram um clima permanente de tensão, brigas e incompreensão.

O texto também valida a tristeza profunda de quem assiste à autodestruição de pessoas amadas. Jeremias chora em secreto pela soberba e pelo cativeiro do rebanho do Senhor. Essa dor se aproxima da experiência de familiares que veem alguém se afundando em vícios, relacionamentos abusivos ou escolhas autodestrutivas, e se sentem impotentes.

Ao mesmo tempo, o capítulo aponta para a necessidade de reconhecer limites pessoais: certas mudanças não acontecem apenas pela força de vontade. A imagem do etíope e do leopardo sugere como padrões de comportamento podem se tornar tão entranhados que exigem ajuda externa, inclusive espiritual, para serem transformados. Reconhecer essa realidade abre espaço para humildade, busca de ajuda e recomeço.

Há ainda um componente de vergonha e exposição: a linguagem de roupas levantadas e ignomínia traz à tona o medo de ter pecados ou fraquezas expostos. Trabalhar esse tema em uma perspectiva de verdade e graça pode ajudar a romper o ciclo de negação, culpa tóxica e fuga.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo contém imagens duras de juízo, violência e vergonha pública que podem ser gatilho para algumas pessoas.

Possíveis pontos sensíveis: - Linguagem de destruição, "não perdoarei, nem pouparei" (v.14), pode ser malinterpretada por pessoas com histórico de abuso religioso como prova de que Deus é apenas castigador e implacável. - Imagens de nudez exposta e vergonha (v.22, 26) podem acionar lembranças traumáticas em quem sofreu abuso sexual, humilhação pública ou violência doméstica. - Comparações com prostituição (v.27) podem ser dolorosas para quem tem histórico de exploração sexual ou sente grande culpa ligada à área sexual. - A ideia de que "não podeis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal" (v.23) pode ser lida, de forma distorcida, como sentença de desespero absoluto, especialmente por pessoas em depressão ou com forte autoaversão.

Uma leitura pastoralmente sensível precisa enfatizar que o texto fala de um contexto específico de rebeldia coletiva e persistente ao longo de gerações, não de qualquer fraqueza individual isolada. Também é importante lembrar que o testemunho bíblico mais amplo apresenta o desejo de Deus de restaurar, purificar e acolher os que se voltam a Ele.

Aplicação prática para hoje

  1. Reconhecer o orgulho sutil: o texto convida a perceber como a recusa em ouvir correção e a insistência em "seguir o próprio coração" podem, com o tempo, afastar completamente de Deus e das pessoas.

  2. Reavaliar hábitos arraigados: a imagem do etíope e do leopardo encoraja a olhar com honestidade para padrões repetitivos de comportamento que parecem fazer parte da própria identidade, e a admitir a necessidade de ajuda externa – de Deus e também de pessoas maduras e confiáveis.

  3. Valorizar a proximidade com Deus: o cinto junto aos lombos lembra que o propósito do povo de Deus é viver em intimidade com o Senhor. Isso incentiva a cultivar práticas que reforçam essa proximidade: meditação na Palavra, confissão sincera, vida comunitária saudável.

  4. Humilhar-se antes da escuridão: o chamado a dar glória a Deus antes que venha a escuridão incentiva decisões antecipadas de arrependimento, reconciliação e mudança, em vez de adiar indefinidamente ajustes que se sabe serem necessários.

  5. Assumir responsabilidade coletiva: reis, sacerdotes, profetas e povo são mencionados juntos. Isso sugere a importância de reconhecer a participação pessoal em ambientes corrompidos (família, igreja, trabalho) e não apenas culpar líderes ou estruturas.

  6. Lidar com a vergonha de forma redentora: a exposição da ignomínia aponta para a realidade de que pecados encobertos acabam vindo à luz. Em vez de viver sob medo da exposição, o capítulo encoraja a trazer à luz em contextos seguros, buscando restauração antes que a vergonha seja pública e destrutiva.

  7. Permitir-se sentir e lamentar: o choro de Jeremias pelo rebanho mostra que o sofrimento causado pelo pecado e pelo juízo não deve ser banalizado. Há lugar para lamentar perdas, dores e consequências, o que pode ser um passo importante em direção à cura e à mudança.

Perguntas frequentes

O que simboliza o cinto de linho em Jeremias 13?

O cinto de linho representa a relação de proximidade e aliança que Deus estabeleceu com a casa de Israel e Judá. Assim como um cinto fica colado ao corpo, Deus havia ligado o povo a si para ser povo, nome, louvor e glória. Quando o cinto é escondido e apodrece, torna-se um sinal visível de como o orgulho e a infidelidade tornaram o povo inútil para o propósito de Deus.

Por que Deus manda Jeremias ir ao Eufrates com o cinto?

A ida ao Eufrates, região associada ao poder babilônico, reforça a ligação entre o sinal do cinto e o juízo que viria por meio da Babilônia. Esconder o cinto ali e depois encontrá-lo apodrecido sugere que o afastamento de Deus e a consequente inutilidade espiritual de Judá estão conectados ao cativeiro que se aproximava pelas mãos do império do norte.

O que significa a parábola dos odres cheios de vinho?

A frase "todo odre se encherá de vinho" era um provérbio óbvio. Deus a utiliza para anunciar que encheria de uma espécie de embriaguez de juízo todos os habitantes da terra, desde reis até sacerdotes e profetas. Essa embriaguez aponta para confusão, perda de discernimento e conflitos internos que levariam à destruição e ao colapso social.

Como entender a afirmação sobre o etíope e o leopardo no versículo 23?

A pergunta retórica sobre o etíope mudar a pele e o leopardo as manchas ilustra a profundidade do hábito do pecado em Judá. Assim como essas características não podem ser mudadas por esforço próprio, o povo, acostumado a praticar o mal, não conseguiria por si só passar a praticar o bem. A ideia não é negar a possibilidade de mudança pela graça de Deus, mas mostrar que o povo havia se endurecido a ponto de não querer nem buscar essa transformação.

Por que a idolatria é comparada à prostituição em Jeremias 13?

A aliança entre Deus e seu povo é frequentemente apresentada na Escritura com a imagem de um casamento. Quando Judá se volta a outros deuses, está quebrando essa aliança como um cônjuge infiel. Por isso a idolatria é descrita com termos de adultério, prostituição e impureza. As imagens fortes de Jeremias 13 mostram a gravidade dessa infidelidade e o quanto ela fere a relação com Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 13 transborda de dor e amor ao mesmo tempo. Por trás das imagens fortes e das palavras de juízo, aparece um Deus que havia ligado seu povo a si como um cinto precioso, desejando proximidade, honra e alegria compartilhada. Ver esse laço se romper, ver o povo se tornar "como um cinto que para nada presta", é motivo de profunda tristeza no coração de Deus e também no coração do profeta. O choro de Jeremias em lugares ocultos, suas lágrimas amargas pelo rebanho levado cativo, revelam que a dor causada pelo pecado e pelo afastamento de Deus não é fria nem distante. Existe um lamento genuíno por vidas que poderiam ser tão diferentes se tivessem escolhido ouvir. Esse lamento não é desprezo, mas sinal de um amor que não se acostuma com a perda nem com a destruição. As imagens de vergonha, exposição e ignomínia tocam em um medo humano profundo: o medo de ter o que há de pior em si revelado. Mesmo quando o texto fala de vergonha pública, ali está subentendido o desejo de que o povo se purifique, que não permaneça preso ao que o destrói. A pergunta final – "Até quando ainda não te purificarás?" – carrega uma mistura de dor e esperança: dor pelo endurecimento, esperança de que ainda seja possível uma mudança. Esse capítulo fala da seriedade do afastamento, mas também reconhece o peso emocional das consequências. Reconhece o pranto de quem ama e vê o outro se autodestruir, reconhece a angústia de quem percebe tarde demais a colheita amarga de escolhas antigas. Nessa dor, a presença de Deus não é indiferente; é a presença daquele que um dia restauraria cativos, enxugaria lágrimas e daria um novo começo a corações quebrantados.

Mind
Mind

Jeremias 13 é um texto rico em símbolos proféticos dentro da tradição literária do Antigo Testamento. A ação simbólica do cinto de linho segue um padrão encontrado em outros profetas: um objeto do cotidiano é utilizado para encenar, de forma concreta, uma mensagem espiritual. O linho, associado à pureza sacerdotal, reforça a ideia de identidade consagrada do povo. A inutilidade final do cinto expressa a ruptura entre vocação e realidade. A menção ao Eufrates é relevante: geograficamente associado à região da Babilônia, o rio funciona como marco simbólico do poder que Deus levantaria para disciplinar Judá. Alguns estudiosos discutem se Jeremias teria viajado literalmente até lá ou se o termo poderia, em determinado contexto, referir-se a um afluente menor; porém, do ponto de vista teológico-literário, o foco está na associação entre o sinal e o agente do juízo divino. A perícope dos odres (v.12-14) utiliza um provérbio óbvio como recurso retórico. Ao responderem "Porventura não sabemos nós muito bem...?", o povo se mostra seguro de sua compreensão superficial. Em seguida, Deus subverte essa expectativa, reinterpretando a metáfora em termos de juízo. A "embriaguez" aqui é figura para confusão, perda de discernimento e desintegração social; é um tema encontrado em outros textos proféticos. O apelo nos versículos 15-17 combina exortação e lamento. A expressão "dai glória ao Senhor" pode remeter à ideia de reconhecer a verdade sobre Deus e sobre si mesmo – uma confissão pública de culpa e dependência. O contraste entre luz e escuridão, sombra de morte e claridade desejada, está em continuidade com outros escritos proféticos e sapienciais. O versículo 23 é teologicamente importante. Ele não nega a possibilidade de renovação futura prometida em outros textos do próprio Jeremias (como o novo coração e a nova aliança), mas enfatiza, naquele momento histórico, a incapacidade moral de um povo que se habituou ao mal. A função é denunciar a ilusão de que Judá poderia afastar-se prolongadamente de Deus e, ainda assim, reorientar-se facilmente quando quisesse. A linguagem de vergonha, nudez e prostituição espiritual segue um padrão já visto em profetas como Oséias e Ezequiel, em que a aliança é retratada nos termos de um casamento. Do ponto de vista literário, trata-se de hipérboles e imagens fortes que têm a função de desmascarar a gravidade da idolatria. A pergunta final de 13:27 atua como clímax retórico do capítulo, deixando em aberto a resposta do povo e preparando o leitor para os desdobramentos posteriores do livro.

Life
Life

Jeremias 13 expõe com muita clareza algo que se manifesta em situações bem práticas da vida: escolhas repetidas moldam o caráter e geram consequências inevitáveis. O povo de Judá havia se acostumado a seguir o próprio coração, a ouvir vozes que prometiam segurança fácil e a se apoiar em mentiras convenientes. Com o tempo, isso os tornou incapazes de responder de forma saudável quando a crise chegou. O cinto de linho, pensado para ficar firme junto ao corpo, lembra a função que princípios e valores têm no dia a dia: sustentam, ajustam, mantêm tudo no lugar. Quando esses princípios são cuidadosamente guardados, protegidos e mantidos próximos, a vida tende a se organizar melhor. Mas, quando são jogados para longe – como o cinto escondido numa fenda distante – começam a perder força até se tornarem quase irreconhecíveis. Na prática, o texto alerta para o perigo do orgulho nas relações: a recusa em ouvir conselhos, a insistência em ter razão, o desprezo por advertências claras. Essa postura, que às vezes parece força, na verdade deixa pessoas, famílias e comunidades vulneráveis. A imagem de pessoas sendo lançadas umas contra as outras sugere o tipo de ambiente onde todos brigam, ninguém cede e a convivência vira um campo de batalha. A metáfora do etíope e do leopardo ajuda a enxergar por que mudanças profundas exigem mais do que decisões impulsivas. Há hábitos, vícios, jeitos de reagir que foram aprendidos ao longo de anos e que não irão embora apenas com boa intenção. O texto não encoraja resignação, mas honestidade: reconhecer que determinados padrões pedem ajuda específica, limites concretos e, muitas vezes, acompanhamento de pessoas maduras. Também chama atenção a forma como o capítulo trabalha a vergonha. Roupas levantadas, ignomínia exposta, abominações vistas às claras: essas imagens mostram que encobrir indefinidamente pecados e injustiças não funciona. Em termos práticos, é melhor enfrentar a verdade em contextos de segurança, buscar acerto e restauração, do que esperar que tudo venha à tona de modo destrutivo. Por fim, o choro de Jeremias lembra que as consequências das escolhas não afetam apenas quem as toma. Líderes, pais, mães, responsáveis – quando se afastam de princípios saudáveis, não sofrem sozinhos. A responsabilidade que assumem sobre outros torna ainda mais urgente o cuidado com o coração, a humildade para ouvir e a disposição de mudar antes que a "escuridão" chegue.

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Versículos em Jeremias 13

Jeremias 13:1

" Assim me disse o SENHOR: Vai, e compra um cinto de linho e põe-no sobre os teus lombos, mas não o coloques na água. "

Jeremias 13:4

" Toma o cinto que compraste, e que trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vai ao Eufrates, e esconde-o ali na fenda de uma rocha. "

Jeremias 13:6

" Sucedeu, ao final de muitos dias, que me disse o Senhor: Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto que te ordenei que o escondesses ali. "

Jeremias 13:7

" E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava. "

Jeremias 13:10

" Este povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração, e anda após deuses alheios, para servi-los, e inclinar-se diante deles, será tal como este cinto, que para nada presta. "

Jeremias 13:11

" Porque, como o cinto está pegado aos lombos do homem, assim eu liguei a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judá, diz o Senhor, para me serem por povo, e por nome, e por louvor, e por glória; mas não deram ouvidos. "

Jeremias 13:12

" Portanto, dize-lhes esta palavra: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Todo o odre se encherá de vinho; e dir-te-ão: Porventura não sabemos nós muito bem que todo o odre se encherá de vinho? "

Jeremias 13:13

" Mas tu dize-lhes: Assim diz o Senhor: Eis que eu encherei de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis da estirpe de Davi, que estão assentados sobre o seu trono, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de Jerusalém. "

Jeremias 13:14

" E fá-los-ei em pedaços atirando uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz o Senhor; não perdoarei, nem pouparei, nem terei deles compaixão, para que não os destrua. "

Jeremias 13:16

" Dai glória ao Senhor vosso Deus, antes que venha a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte, e a reduza à escuridão. "

Jeremias 13:17

" E, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em lugares ocultos, por causa da vossa soberba; e amargamente chorarão os meus olhos, e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do Senhor foi levado cativo. "

Jeremias 13:18

" Dize ao rei e à rainha: Humilhai-vos, e assentai-vos no chão; porque já caiu todo o ornato de vossas cabeças, a coroa da vossa glória. "

Jeremias 13:19

" As cidades do sul estão fechadas, e ninguém há que as abra; todo o Judá foi levado cativo, sim, inteiramente cativo. "

Jeremias 13:20

" Levantai os vossos olhos, e vede os que vêm do norte; onde está o rebanho que se te deu, o rebanho da tua glória? "

Jeremias 13:21

" Que dirás, quando ele te castigar porque os ensinaste a serem capitães, e chefe sobre ti? Porventura não te tomarão as dores, como à mulher que está de parto? "

Jeremias 13:22

" Quando, pois, disseres no teu coração: Por que me sobrevieram estas coisas? Pela multidão das tuas maldades se descobriram as tuas fraldas, e os teus calcanhares sofrem violência. "

Jeremias 13:23

" Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal. "

Jeremias 13:25

" Esta será a tua sorte, a porção que te será medida por mim, diz o Senhor; pois te esqueceste de mim, e confiaste em mentiras. "

Jeremias 13:27

" Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás? "

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