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Jeremias 13:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Assim me disse o SENHOR: Vai, e compra um cinto de linho e põe-no sobre os teus lombos, mas não o coloques na água. "

Jeremias 13:1

menu_book Versículo no contexto

1 Assim me disse o SENHOR: Vai, e compra um cinto de linho e põe-no sobre os teus lombos, mas não o coloques na água.

2 E comprei o cinto, conforme a palavra do Senhor, e o pus sobre os meus lombos.

3 Então me veio a palavra do Senhor pela segunda vez, dizendo:

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos um sinal: o estragamento de um cinto que o profeta havia usado por algum tempo, escondendo-o numa fenda de rocha perto do rio Eufrates. Os profetas muitas vezes ensinavam por meio de sinais, para que um povo lento e pouco reflexivo fosse mexido a pensar, crer e sentir o peso do que Deus lhes colocava diante dos olhos.

Primeiro, Jeremias deveria usar por algum tempo um cinto de linho (Jeremias 13:1, Jeremias 13:2). Alguns pensam que ele o usava debaixo das roupas, por ser de linho e depois ser dito que “se apegava aos lombos” (Jeremias 13:11). Porém, é mais provável que o usasse por cima da roupa, já que o cinto servia para ser visto, como honra e adorno, à semelhança dos cintos finos usados por oficiais no Oriente. Ele não devia lavá‑lo, mas usá‑lo como estava, para que permanecesse firme e não se gastasse depressa. O linho se enfraquece com a lavagem quase tanto quanto com o uso. Como não era molhado, continuaria mais rígido e menos flexível, e ainda assim Jeremias precisava conseguir vesti‑lo. Provavelmente era um linho bem fino, capaz de durar bastante sem ser lavado. Como João Batista, o profeta não era homem de roupas macias, de modo que seria algo incomum vê‑lo com um cinto assim, quando provavelmente estava acostumado a usar um de couro.

Depois de tê‑lo usado por algum tempo, Jeremias deveria ir e escondê‑lo numa fenda de rocha, à beira da água (Jeremias 13:4). Ali, quando o nível do rio subisse, o cinto ficaria encharcado; quando baixasse, secaria de novo. Esse repetido molhar e secar apressaria o apodrecimento, mais rápido do que se estivesse sempre molhado ou sempre seco. Então, passados muitos dias, ele deveria voltar ao lugar, procurá‑lo e encontrá‑lo estragado, rasgado e imprestável (Jeremias 13:7).

Intérpretes da Bíblia há muito perguntam se isso aconteceu de fato, diante do povo, ou se foi apenas em visão, na mente de Jeremias. Parece difícil imaginar que o profeta tivesse sido enviado em duas longas viagens até o Eufrates, gastando tanto tempo, quando era tão necessário em casa. Por isso, muitos pensam que, ao menos em parte, a jornada se deu em visão, como as de Ezequiel, que foi transportado em espírito do cativeiro na Babilônia até Jerusalém (Ezequiel 8:3) e de volta (Ezequiel 11:24). A explicação do sinal é dada apenas a Jeremias (Jeremias 13:8), não ao povo, o que também sugere que não tenha sido um ato público. Mesmo assim, é provável que houvesse boas estradas entre Jerusalém e Babilônia, e parte do Eufrates ficava perto da fronteira da terra prometida (Josué 1:4). Portanto, não há dificuldade real em admitir que Jeremias possa de fato ter feito essas viagens. A Escritura afirma claramente que ele fez “conforme a palavra do SENHOR”. Assim ele demonstrou obediência pronta a Deus, deixando sem desculpa a teimosa desobediência de Israel.

O esforço da viagem combinava bem com a mensagem. Mostrava o trabalho penoso do pecado deles, pois se esforçavam para se corromper com ídolos, e antecipava o sofrimento do cativeiro que se aproximava. O Eufrates era o rio da Babilônia, a terra para onde seriam levados cativos, o que tornava o sinal ainda mais adequado.

Jeremias estava disposto a se gastar e a ser gasto para fazer pesar sobre o povo a palavra de Deus. Ministros de Deus precisam se gastar pelo bem das almas. O sentido do sinal é explicado em Jeremias 13:9‑11.

Israel tinha sido para Deus como esse cinto em dois aspectos. Primeiro, Deus os havia trazido para uma aliança e comunhão consigo. Como um cinto se ajusta aos lombos de um homem, assim o Senhor tinha feito com que as casas de Israel e de Judá se apegassem a ele. Eles eram um povo chegado de Deus (Salmo 148:14). Pertenciam a ele como povo especial, reino de sacerdotes, com acesso mais próximo a Deus do que as outras nações. Ele os prendeu a si pela lei que lhes deu, pelos profetas que lhes enviou e pelas bênçãos que lhes concedeu em sua providência. Exigia deles presença constante em sua casa e renovação frequente da aliança por meio de sacrifícios. Dessa maneira, foram feitos para se apegar a ele de modo tão estreito que ninguém imaginaria que algum dia se separariam.

Segundo, Deus fizera isso visando à sua própria honra. Quando os escolheu para serem o seu povo, foi para que fossem para ele um nome, um louvor e uma glória, como um cinto enfeita e honra o homem que o usa. O cinto bem trabalhado sobre o éfode do sumo sacerdote era “para glória e para beleza”. Aqueles a quem Deus toma por seu povo, ele destina a serem seu louvor. Cabe a eles honrá‑lo guardando suas ordenanças e buscando a sua glória por meio delas, o que adorna a sua profissão de fé. E é também a bênção deles que Deus se considere honrado neles e por meio deles. Ele se agrada deles e se gloria em sua relação com eles, quando vivem como convém ao povo de Deus. Ele se agradava de ser chamado o Deus de Israel, ser “Deus para Israel” (1 Crônicas 17:24). Só fingimos ser povo de Deus se não formos também o seu louvor.

Mas Israel se soltou dele pela idolatria e outros pecados. Afastou‑se, roubou de Deus a honra que lhe devia e se enterrou na terra, até em terra estranha, ao misturar‑se com as nações. Tornara‑se estragado e corrompido, incapaz de servir para algo. Já não podia ser para Deus aquilo que fora destinado a ser, um nome e um louvor, porque não quis ouvir a palavra que o teria mantido perto do Senhor. Seguiu a inclinação do próprio coração e se concedeu tudo quanto desejava, especialmente no culto. Não quis apegar‑se a Deus, mas correu atrás de outros deuses para servi‑los e adorá‑los. Amaram os deuses das nações pagãs junto ao Eufrates e, assim, arruinaram‑se para o serviço do seu próprio Deus. Tornaram‑se como aquele cinto podre, vergonha de sua vocação em vez de adorno. É algo triste quando um povo assim se estraga de maneira tão profunda.

Deus os julgaria e os separaria de si. Enviá‑los‑ia ao cativeiro e lhes tiraria toda a beleza e valor, até que se tornassem como um belo cinto reduzido a trapos, inúteis e desprezados. Dessa forma, Deus destruiria a soberba de Judá e a grande soberba de Jerusalém. Tiraria todas as coisas nas quais confiavam e das quais se orgulhavam. Não ficariam apenas manchadas ou ofuscadas, mas destruídas, como o cinto de linho. Ele fala da soberba de Judá, porque o povo do campo se orgulhava de sua terra santa, terra boa. Fala da grande soberba de Jerusalém, porque ali estavam o templo e o palácio real, e assim seus habitantes eram ainda mais orgulhosos do que os das outras cidades.

Deus nota todo tipo de orgulho humano, o orgulho de uns e a grande soberba de outros. Ele a quebrará e a manchará. O orgulho sempre termina em queda, porque Deus resiste aos soberbos.

Ou Deus quebrará o orgulho em nós, ou quebrará aquilo de que nos orgulhamos. Ele pode fazer isso por sua graça, mortificando esse pecado, fazendo‑nos envergonhar dele e humilhando‑nos, como Ezequias foi humilhado pelo orgulho do seu coração, até mesmo por sua grande soberba, até ser curado dela. Essa humilhação pode ser dolorosa, mas é para o bem da alma. É uma bem‑aventurança quando Deus usa acontecimentos duros para abater o nosso coração.

Ou Deus pode estragar aquilo em que nos gloriamos. Pode arruinar nossas capacidades, dons, conhecimento, poder ou privilégios externos, se nos envaidecermos por causa deles. É justo que ele os derrube. Até o templo, quando Jerusalém se gloriou nele, foi destruído e reduzido a cinzas. Honra a Deus quando ele toma cada pessoa orgulhosa e a traz para baixo.

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