Jeremias 49:1
" Contra os filhos de Amom. Assim diz o SENHOR: Acaso Israel não tem filhos, nem tem herdeiro? Por que, pois, herdou Malcã a Gade e o seu povo habitou nas suas cidades? "
Entenda os temas principais e aplique Jeremias 49 na sua vida hoje
39 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
O Senhor fala e age contra povos diversos (Amom, Edom, Damasco, tribos do deserto e Elão), mostrando que nenhum reino está fora de seu governo. Ele convoca guerras, determina quedas e até espalha povos pelos “quatro ventos”.
Amom confia em seus vales férteis e tesouros, Edom na sabedoria e em suas fortalezas rochosas, Quedar e Hazor numa vida tranquila e desprotegida. Em todos os casos, o orgulho e a autoconfiança são desmascarados e julgados.
O capítulo descreve cidades em ruínas, gritos de guerra, corações tomados de terror, jovens caindo nas ruas e terras transformadas em desolação permanente, com comparação à destruição de Sodoma e Gomorra.
Mesmo no contexto de juízo, o Senhor se apresenta como guardião de órfãos e defensor de viúvas, mostrando que seu caráter misericordioso permanece, ainda quando disciplina nações.
Versiculos-chave: 11
Jeremias 49 faz parte de uma seção em que o profeta anuncia oráculos contra as nações vizinhas de Judá, provavelmente no contexto da ascensão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, no final do século VII e início do VI a.C.
Filhos de Amom: Os amonitas eram descendentes de Ló e viviam a leste do Jordão, tendo como capital Rabá (v. 2-3). Eles haviam se aproveitado da fraqueza de Israel e Judá para ocupar territórios de Gade. O texto menciona Malcã (ou Milcom), divindade amonita, alinhando a injustiça política à idolatria.
Edom: Povo descendente de Esaú, irmão de Jacó, ao sul de Judá, em região montanhosa cheia de rochedos e fortalezas naturais (Temã, Bozra, v. 7, 13, 16). Edom era conhecido por sua sabedoria tradicional e por posição estratégica nas rotas comerciais. Ainda assim, o profeta anuncia que sua segurança aparente e seu prestígio entre as nações seriam destruídos.
Damasco: Capital de Aram (Síria), centro político e econômico importante. Hamate e Arpade (v. 23) eram cidades arameias do norte, também impactadas pelos avanços militares da Babilônia. O oráculo mostra a queda de uma cidade antes admirada, “cidade do louvor” (v. 25).
Quedar e Hazor: Quedar estava associado a tribos nômades árabes do deserto, conhecidas pelo pastoreio e criação de camelos. Hazor, aqui, não parece ser a cidade cananeia do norte de Israel, mas reinos e povoados do deserto ligados a essas tribos (v. 28-33). Seu modo de vida parecia tranquilo e seguro, sem muros nem ferrolhos (v. 31), até que o poder babilônico os alcança.
Elão: Região ao leste da Babilônia, correspondente aproximadamente ao sudoeste do atual Irã. Elão era um povo com tradição militar (o “arco de Elão”, v. 35), às vezes aliado e às vezes inimigo de potências como a Assíria e a Babilônia. A profecia é datada “no princípio do reinado de Zedequias” (v. 34), situando-a pouco antes da queda definitiva de Jerusalém (586 a.C.).
Nabucodonosor aparece como instrumento de Deus (v. 28, 30), ainda que não seja o foco principal. A mensagem é que o Senhor, e não os impérios humanos, é o verdadeiro soberano da história, levantando e abatendo nações de acordo com seus desígnios santos.
O capítulo é formado por uma coleção de oráculos poéticos, com forte linguagem profética e imagética:
1) Oráculo contra Amom (49.1-6) - Acusação: usurpação da herança de Gade e orgulho em riquezas e vales (v. 1, 4) - Anúncio de guerra e ruína de Rabá e suas filhas (v. 2-3) - Ameaça de terror e dispersão (v. 5) - Breve promessa de restauração futura (v. 6)
2) Oráculo contra Edom (49.7-22) - Perguntas retóricas sobre o fim da sabedoria de Temã (v. 7) - Convocação para fuga de Dedã (v. 8) - Imagens de saque: vindimadores e ladrões (v. 9) - Desnudamento total de Esaú e extermínio de sua descendência (v. 10) - Nota de cuidado de Deus com órfãos e viúvas (v. 11) - Confirmação do juízo universal (o “copo” da ira, v. 12) - Juramento divino sobre a desolação de Bozra (v. 13) - Notícias de guerra e convocação de nações contra Edom (v. 14) - Denúncia da arrogância e falsa segurança nas rochas (v. 15-16) - Comparação com Sodoma e Gomorra: desolação absoluta (v. 17-18) - Imagem do leão que irrompe e do pastor incapaz de resistir (v. 19-20) - Descrição sonora da queda, sentida até o Mar Vermelho (v. 21) - Figura da águia atacando Bozra, aterrorizando os valentes (v. 22)
3) Oráculo contra Damasco (49.23-27) - Reação de Hamate e Arpade às más notícias (v. 23) - Damasco enfraquecida, tomada de pânico, comparada a mulher em parto (v. 24) - Lamento pela cidade outrora motivo de louvor (v. 25) - Queda dos jovens e extermínio dos guerreiros (v. 26) - Fogo sobre os muros e palácios de Bene-Hadade (v. 27)
4) Oráculo contra Quedar e Hazor (49.28-33) - Ordem divina para atacar Quedar e “filhos do oriente” (v. 28) - Descrição do saque: tendas, gado, cortinas, utensílios e camelos (v. 29) - Chamado à fuga de Hazor, diante do plano de Nabucodonosor (v. 30) - Ataque contra nação que vivia tranquila, sem defesas (v. 31) - Espalhamento ao vento e ruína por todos os lados (v. 32) - Destino de Hazor: morada de chacais, desolação para sempre (v. 33)
5) Oráculo contra Elão (49.34-39) - Introdução histórica (início do reinado de Zedequias, v. 34) - Quebra do arco de Elão, símbolo de seu poder (v. 35) - Espalhamento pelos quatro ventos, exílio internacional (v. 36) - Terror diante de inimigos, ira divina, espada perseguidora (v. 37) - Declaração de que Deus põe seu trono em Elão, removendo rei e príncipes (v. 38) - Promessa escatológica de restauração dos cativos de Elão (v. 39)
Jeremias 49 reforça a visão bíblica de um Deus que governa toda a história humana. Ele não é apenas Deus de Israel, mas Senhor das nações. Amom, Edom, Damasco, tribos do deserto e Elão são responsabilizados diante dEle por sua arrogância, violência, idolatria e injustiça.
O tema do orgulho é central. Amom se gloria em vales luxuriosos e tesouros (v. 4), Edom em sua sabedoria e fortificações naturais (v. 7, 16), Hazor em uma vida tranquila e desprotegida (v. 31), Elão em seu arco de guerra (v. 35). Em todos os casos, Deus mostra que qualquer fundamento de segurança, quando substitui a confiança nEle, torna-se ídolo e é derrubado. A pergunta “Quem é semelhante a mim?” (v. 19) ecoa a confissão de que não há outro Deus acima do Senhor.
O motivo do “copo” (v. 12) remete ao conceito bíblico da ira de Deus: uma resposta santa e justa à maldade humana, que mais cedo ou mais tarde precisa ser “bebida” por aqueles que persistem na rebelião. O fato de que até os que “não estavam condenados a beber” o fazem indica o caráter abrangente do juízo divino, alcançando até quem aparentemente estaria fora do alcance.
Apesar da severidade, o capítulo é marcado por traços de graça. No meio de um oráculo contra Edom, Deus se apresenta como guardião de órfãos e como Aquele em quem viúvas podem confiar (v. 11). Para Amom (v. 6) e Elão (v. 39), há promessas de restauração após o cativeiro, sugerindo que o juízo é instrumento de correção e não o fim definitivo. Quando Deus declara que colocará seu trono em Elão (v. 38), aponta para sua presença soberana inclusive em terras estrangeiras, abrindo espaço para a ideia de que povos distantes também podem ser alcançados por sua obra.
Assim, Jeremias 49 sustenta uma teologia na qual justiça e misericórdia caminham juntas: Deus disciplina orgulhosos e injustos, derruba estruturas que se opõem a Ele, mas continua atento aos vulneráveis e mantém um plano maior de restauração e intervenção redentora na história.
Este capítulo, com sua linguagem dura de juízo e destruição, pode acionar sentimentos de medo, inquietação ou até culpa espiritual. Ao mesmo tempo, ele traz elementos de consolo, como o cuidado com órfãos e viúvas e a promessa de restauração após tempos difíceis.
Do ponto de vista emocional, o texto trabalha com temas como a queda de seguranças falsas, o colapso de estruturas estáveis (cidades, reinos, riquezas) e a experiência de ser espalhado, deslocado ou exilado. Pessoas que já viveram perdas grandes, migrações forçadas, guerras, violência ou falência podem se identificar, ainda que numa outra escala.
Há também uma dimensão terapêutica na revelação de que Deus vê e ajusta desequilíbrios de poder entre nações. Para quem sofreu injustiça prolongada, a afirmação de que o mal não fica impune pode gerar um senso de validação: o sofrimento não foi ignorado por Deus. Ao mesmo tempo, o texto confronta o orgulho e a confiança absoluta em recursos humanos, abrindo espaço para um reposicionamento interior mais humilde e dependente.
Os lampejos de misericórdia (v. 6, 11, 39) podem funcionar como âncoras emocionais: mesmo em meio ao juízo, Deus continua fiel ao seu caráter de cuidado, guarda vulneráveis e, no fim, prepara caminhos de retorno e reconstrução. Essa combinação de verdade dura e esperança profunda pode ajudar a integrar experiências de disciplina, perda e recomeço na vida espiritual e emocional de uma pessoa.
Para pessoas sensíveis a temas de destruição, guerra ou violência, Jeremias 49 pode ser gatilho para ansiedade, medo intenso ou lembranças traumáticas. Termos como “ruína”, “espanto”, “espada”, “desolação perpétua” e comparações com Sodoma e Gomorra (v. 13, 17-18) são fortes e podem reacender memórias de tragédias, conflitos familiares graves ou experiências de abuso.
A linguagem da ira de Deus e do “copo” que deve ser bebido (v. 12, 37) pode ser especialmente delicada para quem veio de contextos religiosos marcados por medo, culpa tóxica ou legalismo. Há risco de interpretar o texto como se qualquer sofrimento pessoal fosse um castigo direto e imediato por pecados específicos, o que pode piorar quadros de depressão, escrúpulos religiosos (culpa obsessiva) ou baixa autoestima espiritual.
Quem já viveu guerra, expulsão de casa, migração forçada ou violência urbana pode se identificar demais com as imagens de fuga, terror e queda de cidades (v. 5, 21, 26, 29-30), o que pode reativar sintomas de estresse pós-traumático.
Se a leitura despertar angústia intensa, sensação de condenação sem saída, pensamentos autodepreciativos ou memórias traumáticas, é importante buscar apoio: conversar com alguém maduro na fé, procurar acompanhamento pastoral equilibrado e, se necessário, ajuda profissional em saúde mental. Leituras complementares sobre o amor de Deus, sua graça e o ministério consolador de Cristo podem ajudar a equilibrar a percepção da justiça divina apresentada aqui.
1) Reconhecer e confrontar seguranças falsas: Amom, Edom, Hazor e Elão se apoiavam em riquezas, geografia, poder militar ou estilo de vida tranquilo. Na prática, isso inspira o exame de que tipo de segurança se tornou absoluto: dinheiro, status, inteligência, contatos, estabilidade profissional ou familiar. O texto convida a redistribuir essa confiança, colocando Deus no centro e os demais recursos em segundo plano.
2) Cultivar humildade pessoal e coletiva: A arrogância de Edom, baseada em sua posição elevada e em sua reputação de sabedoria (v. 7, 16), serve de alerta. Na vida diária, isso pode significar ouvir conselhos, admitir limitações, aprender com correções, e não usar conhecimento, cargo ou poder para se sentir intocável.
3) Levar a sério as consequências das escolhas: O capítulo mostra que ações injustas, orgulhosas e idólatras têm efeitos concretos para pessoas e sociedades. Em termos práticos, isso incentiva responsabilidade ética em áreas como trabalho, política, família e finanças, lembrando que decisões e sistemas que exploram outros não passam despercebidos diante de Deus.
4) Cuidar dos vulneráveis, em sintonia com o coração de Deus: O versículo 11 destaca o cuidado divino com órfãos e viúvas. No cotidiano, isso inspira atenção especial a quem está em situação de fragilidade: famílias enlutadas, pessoas idosas, crianças sem apoio, mães ou pais solo, migrantes e empobrecidos. A prática de generosidade, hospitalidade e defesa dos fracos reflete o caráter do próprio Deus.
5) Ler o sofrimento também como oportunidade de recomeço: Para Amom e Elão, há promessa de restauração após o cativeiro (v. 6, 39). Embora não se deva romantizar a dor, o texto sugere que ruínas podem se tornar ponto de partida para uma nova etapa mais humilde, dependente de Deus e livre de ídolos. Isso pode se traduzir em reavaliações de vida após crises, buscando novos caminhos mais alinhados com a vontade divina.
6) Entender a história sob a perspectiva de Deus: O capítulo mostra o Senhor usando até impérios hostis para cumprir seus propósitos. Em termos práticos, isso estimula a olhar para eventos históricos, crises nacionais e globais com discernimento, orando e buscando compreender como viver com fidelidade a Deus em meio a cenários instáveis, sem cair em desespero nem em triunfalismo.
Os filhos de Amom eram descendentes de Ló e viviam a leste do Jordão, com capital em Rabá. Eles tomaram para si territórios pertencentes à tribo de Gade (v. 1), aproveitando-se da fraqueza de Israel. Além disso, estavam ligados ao culto a Malcã (possivelmente um deus nacional) e confiavam em riquezas e vales férteis como segurança (v. 3-4). O juízo anunciado por Jeremias denuncia essa combinação de injustiça territorial, idolatria e orgulho. Ainda assim, Deus promete um futuro de restauração para eles (v. 6).
Edom, descendente de Esaú, era conhecido por sua sabedoria e pelas fortalezas em rochedos altos. Essas vantagens levaram à arrogância nacional (v. 7, 16). A comparação com Sodoma e Gomorra (v. 17-18) intensifica a mensagem de que nem mesmo um povo tão bem posicionado e confiante está imune ao juízo de Deus. O uso de imagens extremas sublinha a gravidade do pecado e a certeza da queda de estruturas que se erguem em oposição ou independência orgulhosa do Senhor.
Quebrar o arco de Elão (v. 35) simboliza destruir o principal instrumento de poder militar daquele povo. É uma forma poética de dizer que a capacidade de defesa e ataque de Elão seria anulada. Já “pôr o meu trono em Elão” (v. 38) indica que Deus estabeleceria ali seu domínio soberano, julgando e removendo reis e príncipes locais. Não significa que Elão substituiria Jerusalém como centro da adoração, mas que o governo de Deus se manifestaria também em terras estrangeiras, tanto para juízo como, no fim, para restauração (v. 39).
O “copo” é uma imagem bíblica para a ira ou juízo de Deus. Beber desse copo significa experimentar as consequências do pecado e da rebeldia contra o Senhor. Em Jeremias 49.12, Deus afirma que até aqueles que “não estavam condenados a beber” o beberão, indicando a amplitude do juízo, que alcança povos diversos. Ao mesmo tempo, essa linguagem não anula a misericórdia de Deus, mas ressalta que Ele leva a sério a injustiça, a idolatria e o orgulho das nações.
A menção de restauração para Amom (v. 6) e Elão (v. 39) mostra que, mesmo quando Deus disciplina severamente, seu objetivo não é apenas destruir, mas corrigir e abrir espaço para um novo começo. O padrão bíblico frequentemente é: pecado, juízo, restauração. Essas promessas sinalizam que a misericórdia de Deus se estende além de Israel, alcançando outros povos, e apontam para um futuro em que nações diversas podem experimentar renovação sob o governo do Senhor.
Jeremias 49 é um capítulo cheio de imagens de guerra, ruína e medo. Por trás dessas palavras duras, porém, aparece um Deus que não é indiferente à dor nem ao abuso de poder entre povos. Ele vê quando uma nação oprime outra, quando alguém se aproveita da fraqueza do próximo, e age para que a injustiça não seja a última palavra. No meio de tantos anúncios de queda, há um versículo que se destaca pela ternura: “Deixa os teus órfãos, eu os guardarei em vida; e as tuas viúvas confiem em mim” (v. 11). Em meio à tempestade, Deus volta seus olhos para quem está mais desprotegido. Ele não ignora as lágrimas de quem fica para trás, os que perdem casa, sustento, pessoas amadas. Isso revela algo profundo do coração de Deus: enquanto estruturas grandes caem, Ele continua atento às histórias de cada pequeno, cada vulnerável. O capítulo também fala de restauração após o cativeiro (v. 6, 39). Mesmo quando tudo parece quebrado, Deus preserva possibilidades de recomeço. Há uma honestidade dura aqui: algumas perdas são reais e irreversíveis. Mas isso não significa que a história acabou. Deus sabe reconstruir vidas a partir de ruínas, com delicadeza, passo a passo. Para quem olha para trás e vê momentos de disciplina, colheita de escolhas difíceis ou desmoronamentos inesperados, esse texto sugere que nada disso escapa ao olhar de Deus. O orgulho é confrontado, sim, mas o coração ferido é acolhido. Há espaço, neste Deus justo, tanto para lágrimas sinceras quanto para esperança silenciosa. Ele permanece presente no meio da queda e depois dela, guardando quem não tem como se proteger sozinho.
Jeremias 49 precisa ser lido como parte de um bloco de oráculos contra as nações, típico da literatura profética. Essa seção mostra que a mensagem de Jeremias não se limita a Judá; ela alcança o cenário internacional do Antigo Oriente Próximo. A sequência Amom, Edom, Damasco, tribos árabes (Quedar e Hazor) e Elão sugere abrangência geográfica e teológica: Deus se dirige a povos do oeste, sul, norte, deserto e leste de Israel. Cada oráculo combina elementos poéticos, imagens militares e alusões históricas. Contra Amom (v. 1-6), o foco está na usurpação da terra de Gade e na confiança em recursos naturais. Contra Edom (v. 7-22), o texto trabalha com o contraste entre a reputação de sabedoria de Temã e a realidade da ruína; a figura de Esaú representa o povo como um todo, e o desnudamento de seus esconderijos (v. 10) indica que nenhum estratagema pode ocultá-lo do juízo divino. O oráculo edomita ainda traz o motivo do “copo” (v. 12), que remete a outras passagens de Jeremias e de profetas, nas quais a ira de Deus é apresentada sob forma de bebida inevitável. A comparação com Sodoma e Gomorra (v. 18) situa a gravidade do juízo num dos paradigmas mais fortes da tradição bíblica. Damasco (v. 23-27) aparece dentro de um quadro de colapso regional, envolvendo Hamate e Arpade, reconhecíveis em textos assírios e babilônicos. A referência a Bene-Hadade (v. 27) conecta o oráculo à dinastia síria conhecida dos livros de Reis. Já o oráculo contra Quedar e Hazor (v. 28-33) introduz tribos nômades do deserto, mostrando que nem mesmo povos que vivem “sem portas nem ferrolhos” (v. 31) estão fora do alcance da política imperial babilônica nem do juízo de Deus. O saque de tendas, gado e camelos reflete o tipo de riqueza característico desse modo de vida. Por fim, o oráculo contra Elão (v. 34-39), datado do início do reinado de Zedequias, situa-se temporalmente próximo aos eventos finais de Judá. Elão, potência oriental com tradição arqueira, é retratado como alvo de dispersão global (“quatro ventos”, v. 36) e terror militar. A declaração de que Deus colocará seu trono em Elão (v. 38) é teologicamente significativa: ela enfatiza a universalidade do governo divino, o que prepara o terreno para visões posteriores nas quais nações diversas são integradas ao plano de Deus. A promessa de retorno dos cativos (v. 39) se harmoniza com a teologia da restauração presente em Jeremias, indicando que o juízo é penúltimo, e não último. Em resumo, Jeremias 49 oferece um panorama teológico em que pecado nacional (orgulho, violência, idolatria) gera consequências históricas concretas, e em que a soberania de Deus se manifesta tanto através quanto além dos grandes impérios da época.
" Contra os filhos de Amom. Assim diz o SENHOR: Acaso Israel não tem filhos, nem tem herdeiro? Por que, pois, herdou Malcã a Gade e o seu povo habitou nas suas cidades? "
" Portanto, eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei ouvir em Rabá dos filhos de Amom o alarido de guerra, e tornar-se-á num montão de ruínas, e os lugares da sua jurisdição serão queimados a fogo; e Israel herdará aos que o herdaram, diz o Senhor. "
" Lamenta, ó Hesbom, porque é destruída Ai; clamai, ó filhas de Rabá, cingi-vos de sacos, lamentai, e dai voltas pelos valados; porque Malcã irá em cativeiro, juntamente com seus sacerdotes e os seus príncipes. "
" Por que te glorias nos vales, teus luxuriantes vales, ó filha rebelde, que confias nos teus tesouros, dizendo: Quem virá contra mim? "
" Eis que eu trarei temor sobre ti, diz o Senhor DEUS dos Exércitos, de todos os que estão ao redor de ti; e sereis lançados fora cada um diante de si, e ninguém recolherá o desgarrado. "
" Mas depois disto farei voltar os cativos dos filhos de Amom, diz o Senhor. "
" Acerca de Edom. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Acaso não há mais sabedoria em Temã? Pereceu o conselho dos entendidos? Corrompeu-se a sua sabedoria? "
" Fugi, voltai-vos, buscai profundezas para habitar, ó moradores de Dedã, porque eu trarei sobre ele a ruína de Esaú, no tempo em que o castiguei. "
" Se vindimadores viessem a ti, não deixariam rabiscos? Se ladrões de noite viessem, não te danificariam quanto lhes bastasse? "
" Mas eu despi a Esaú, descobri os seus esconderijos, e não se poderá esconder; foi destruída a sua descendência, como também seus irmãos e seus vizinhos, e ele já não existe. "
" Deixa os teus órfãos, eu os guardarei em vida; e as tuas viúvas confiem em mim. "
" Porque assim diz o Senhor: Eis que os que não estavam condenados a beber do copo, totalmente o beberão; e tu ficarias inteiramente impune? Não ficarás impune, mas certamente o beberás. "
" Porque por mim mesmo jurei, diz o Senhor, que Bozra servirá de espanto, de opróbrio, de assolação, e de maldição; e todas as suas cidades se tornarão em desolações perpétuas. "
" Ouvi novas vindas do Senhor, que um embaixador é enviado aos gentios, para lhes dizer: Ajuntai-vos, e vinde contra ela, e levantai-vos para a guerra. "
" Porque eis que te fiz pequeno entre os gentios, desprezado entre os homens. "
" Quanto à tua terribilidade, enganou-te a arrogância do teu coração, tu que habitas nas cavernas das rochas, que ocupas as alturas dos outeiros; ainda que eleves o teu ninho como a águia, de lá te derrubarei, diz o Senhor. "
" Assim servirá Edom de desolação; todo aquele que passar por ela se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas. "
" Será como a destruição de Sodoma e Gomorra, e dos seus vizinhos, diz o Senhor; não habitará ninguém ali, nem morará nela filho de homem. "
" Eis que ele como leão subirá da enchente do Jordão contra a morada do forte; porque num momento o farei correr dali; e quem é o escolhido que porei sobre ela? Pois quem é semelhante a mim? e quem me fixará o tempo? e quem é o pastor que subsistirá perante mim? "
" Portanto ouvi o conselho do Senhor, que ele decretou contra Edom, e os seus desígnios que ele intentou entre os moradores de Temã: Certamente os menores do rebanho serão arrastados; certamente ele assolará as suas moradas com eles. "
" A terra estremeceu com o estrondo da sua queda; e do seu grito, até ao Mar Vermelho se ouviu o som. "
" Eis que ele como águia subirá, e voará, e estenderá as suas asas contra Bozra; e o coração dos valentes de Edom naquele dia será como o coração da mulher que está com dores de parto. "
" Acerca de Damasco. Envergonhou-se Hamate e Arpade, porquanto ouviram más novas, desmaiaram; no mar há angústia, não se pode sossegar. "
" Enfraquecida está Damasco; virou as costas para fugir, e o tremor a tomou; angústia e dores a tomaram como da que está de parto. "
" Como está abandonada a cidade do louvor, a cidade da minha alegria! "
" Portanto cairão os seus jovens nas suas ruas; e todos os homens de guerra serão consumidos naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos. "
" E acenderei fogo no muro de Damasco, e consumirá os palácios de Bene-Hadade. "
" Acerca de Quedar, e dos reinos de Hazor, que Nabucodonosor, rei de babilônia, feriu. Assim diz o SENHOR: Levantai-vos, subi contra Quedar, e destruí os filhos do oriente. "
" Tomarão as suas tendas, os seus gados, as suas cortinas e todos os seus utensílios, e os seus camelos levarão para si; e lhes clamarão: Há medo por todos os lados. "
" Fugi, desviai-vos para muito longe, buscai profundezas para habitar, ó moradores de Hazor, diz o SENHOR; porque Nabucodonosor, rei de babilônia, tomou conselho contra vós, e formou um desígnio contra vós. "
" Levantai-vos, subi contra uma nação tranqüila, que habita confiadamente, diz o Senhor, que não tem portas, nem ferrolhos; habitam sós. "
" E os seus camelos serão para presa, e a multidão dos seus gados para despojo; e os espalharei a todo o vento, àqueles que estão nos lugares mais distantes, e de todos os seus lados lhes trarei a sua ruína, diz o Senhor. "
" E Hazor se tornará em morada de chacais, em assolação para sempre; ninguém habitará ali, nem morará nela filho de homem. "
" A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, o profeta, contra Elão, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, dizendo: "
" Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis que eu quebrarei o arco de Elão, o principal do seu poder. "
" E trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro cantos dos céus, e os espalharei na direção de todos estes ventos; e não haverá nação aonde não cheguem os fugitivos de Elão. "
" E farei que Elão tema diante de seus inimigos e diante dos que procuram a sua morte; e farei vir sobre eles o mal, o furor da minha ira, diz o Senhor; e enviarei após eles a espada, até que venha a consumi-los. "
" E porei o meu trono em Elão; e destruirei dali o rei e os príncipes, diz o Senhor. "
" Acontecerá, porém, nos últimos dias, que farei voltar os cativos de Elão, diz o Senhor. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.