Jeremias 32 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 32 na sua vida hoje

44 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Jeremias 32?

Jeremias 32 narra um episódio marcante em que o profeta, preso no pátio da guarda enquanto Jerusalém é sitiada pelos babilônios, recebe de Deus a ordem de comprar um campo em Anatote. Esse ato aparentemente ilógico, em meio à destruição iminente, torna‑se um sinal profético de esperança: Deus promete restaurar o povo, trazê‑lo de volta do cativeiro e renovar a aliança. O capítulo alterna entre o relato da compra, a oração de Jeremias reconhecendo o poder e a justiça de Deus, e a resposta divina que reafirma tanto o julgamento por causa do pecado quanto a restauração futura.

Temas principais em Jeremias 32

Esperança em meio ao juízo (versiculos 6-15, 36-44)

A compra do campo por Jeremias, exatamente quando a terra está prestes a ser perdida para os caldeus, simboliza que o juízo não será a última palavra. Deus anuncia que novamente se comprarão casas, campos e vinhas na terra, sinalizando restauração e futuro depois do cativeiro.

Versiculos-chave: 15, 37, 43, 44

A soberania e o poder ilimitado de Deus (versiculos 17-20, 26-27)

Jeremias reconhece que Deus criou os céus e a terra e que nada é demasiadamente difícil para Ele. O próprio Senhor confirma essa verdade ao declarar que é o Deus de toda a carne e que não há impossíveis para Ele, seja para trazer juízo, seja para operar restauração.

Versiculos-chave: 17, 27

Juízo por causa da persistência no pecado (versiculos 23-25, 29-35)

O capítulo destaca a longa história de rebeldia de Judá e Israel: idolatria, sacrifícios de crianças, profanação do templo e recusa persistente em ouvir a instrução de Deus. O cerco e a destruição de Jerusalém são apresentados como consequência justa dessa maldade.

Versiculos-chave: 30, 31, 35

Aliança eterna e transformação do coração (versiculos 37-41)

Deus promete reunir o povo disperso, dar‑lhes um mesmo coração e um só caminho, colocar o temor dEle em seus corações e fazer com eles uma aliança eterna de não cessar de lhes fazer o bem. A restauração inclui mudança interior e relacionamento profundo e duradouro com Deus.

Versiculos-chave: 38, 39, 40, 41

Deus que vê, conhece e retribui (versiculos 18-23, 28-32, 42)

Jeremias declara que os olhos de Deus estão abertos sobre todos os caminhos dos seres humanos, para dar a cada um segundo as suas obras. A história de Israel, desde o êxodo até a situação presente, é vista como palco em que Deus age, abençoando, advertindo e julgando com justiça.

Versiculos-chave: 19, 23, 32, 42

Contexto historico e literario

Jeremias 32 se passa no décimo ano do rei Zedequias, que corresponde ao décimo oitavo ano de Nabucodonosor (cerca de 587 a.C.), pouco antes da queda definitiva de Jerusalém. A cidade está sitiada pelo exército da Babilônia, e Jeremias encontra‑se preso no pátio da guarda, na casa do rei de Judá, por ter profetizado que Jerusalém cairia nas mãos dos caldeus e que Zedequias seria levado cativo para a Babilônia.

A ordem divina para que Jeremias compre um campo em Anatote, na terra de Benjamim, acontece em um momento em que, humanamente, a propriedade perde valor, pois a região está prestes a ser dominada pelo inimigo. A compra segue o costume de resgate familiar de terras dentro do clã, preservando a herança. Ao registrar a transação perante testemunhas e guardar as escrituras em vaso de barro, Jeremias obedece à instrução de Deus e transforma esse ato em sinal profético de que a vida voltará ao normal após o cativeiro.

O capítulo faz referência à longa história de Israel: o êxodo do Egito, a concessão da terra prometida e a repetida desobediência do povo por meio da idolatria e práticas detestáveis, como sacrificarem filhos a Moloque no vale do filho de Hinom. O juízo babilônico é apresentado como clímax desse processo, mas não como o fim da história, pois Deus promete reunir o povo disperso, restaurar Jerusalém e firmar uma aliança eterna.

Estrutura de Jeremias 32

Jeremias 32 é construído em forma narrativa com seções bem definidas e trechos de oração e discurso divino:

  1. Introdução histórica e situação de Jeremias (v.1-5) – Localização temporal (anos de Zedequias e Nabucodonosor), descrição do cerco de Jerusalém e menção ao aprisionamento de Jeremias por causa de sua profecia de juízo.

  2. A ordem divina e a compra do campo (v.6-15) – Deus anuncia que Hanameel virá oferecer a terra em Anatote; o acontecimento se cumpre e Jeremias compra o campo. A transação é descrita com detalhes legais (pesagem da prata, escritura selada e aberta, testemunhas, entrega a Baruque) e conclui com a instrução de guardar os documentos em vaso de barro, acompanhada da promessa de futura normalidade na terra.

  3. A oração de Jeremias (v.16-25) – Após cumprir a ordem, Jeremias ora, exaltando o poder criador de Deus, sua fidelidade e seus feitos na história de Israel, reconhecendo também o pecado do povo e a justiça do juízo. Ele expressa perplexidade por Deus ordenar a compra de um campo em meio à iminente entrega da cidade aos caldeus.

  4. A resposta de Deus: juízo inevitável (v.26-35) – O Senhor se apresenta como Deus de toda a carne e reafirma que nada é difícil demais para Ele. Confirma o juízo sobre Jerusalém, descreve a idolatria do povo, a provocação constante à ira divina e as abominações cometidas, inclusive sacrifícios de crianças no vale de Hinom.

  5. A resposta de Deus: restauração e aliança eterna (v.36-44) – Deus passa da exposição do juízo à promessa de restauração. Ele promete congregar o povo de todas as terras para onde os havia lançado, fazê‑los habitar em segurança, ser o Deus deles e dar‑lhes um só coração e um só caminho. Anuncia uma aliança eterna de fazer o bem, o plantio firme do povo na terra e o retorno da vida econômica normal, inclusive a compra de campos em Judá e arredores.

Significado teologico

Jeremias 32 ressalta a tensão entre juízo e esperança que atravessa todo o livro. O cerco de Jerusalém e o cativeiro babilônico não são acidentes políticos, mas expressão da justiça de Deus diante de séculos de rebeldia, idolatria e endurecimento do povo. Ao mesmo tempo, a ordem para Jeremias comprar um campo em meio ao colapso nacional enfatiza que o propósito final de Deus não é a destruição, mas a restauração.

A declaração de que nada é demasiadamente difícil para o Senhor (v.17, 27) fundamenta tanto a capacidade divina de julgar quanto Sua capacidade de salvar. Deus é apresentado como Senhor da história, que age com grande conselho e magníficas obras, observando os caminhos dos seres humanos e retribuindo segundo suas obras.

O capítulo também aprofunda o tema da nova aliança já anunciado em Jeremias 31. Aqui, a ênfase recai sobre um "mesmo coração" e um "só caminho", o temor de Deus implantado no interior e uma aliança eterna na qual Deus se compromete a não deixar de fazer o bem ao Seu povo. A relação "eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus" ganha contornos de intimidade, alegria divina e plantio firme, revelando o desejo de Deus de um relacionamento duradouro e transformado com Seu povo.

Teologicamente, Jeremias 32 mostra que a disciplina de Deus pode ser severa, mas é pedagógica e orientada a um futuro de graça. A restauração prometida, com reunião do povo disperso e transformação do coração, antecipa a obra mais plena de redenção e renovação que, no conjunto das Escrituras, se cumpre em Cristo e na ação do Espírito Santo.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Jeremias 32 oferece forte consolo para situações de colapso e incerteza. Jeremias vive um momento de extrema pressão: cidade sitiada, prisão injusta e um futuro aparentemente arruinado. Mesmo assim, Deus o convida a agir simbolicamente com esperança, comprando um campo quando tudo indica perda. Essa dinâmica fala aos processos humanos de luto, crise e desânimo, mostrando que a história não termina no ponto mais escuro.

A oração de Jeremias integra fé e perplexidade. Ele lembra os feitos poderosos de Deus e, ao mesmo tempo, expõe a estranheza de obedecer a uma ordem que parece ilógica. Isso legitima a experiência de sentir confusão diante dos caminhos de Deus, sem que isso anule a confiança na soberania divina. A lembrança da fidelidade de Deus no passado torna‑se recurso interno para sustentar a esperança no presente.

As promessas de um coração transformado, de segurança restaurada e de uma aliança eterna desenham um futuro de cura profunda, que não é apenas externa (volta à terra), mas interna (novo coração, temor de Deus, relacionamento renovado). Em termos emocionais, o texto fala de um Deus que não abandona definitivamente, mas que corrige para depois plantar de forma firme e alegre, comunicando estabilidade, propósito e cuidado duradouro.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo descreve práticas profundamente traumáticas e abomináveis, como sacrifícios de filhos e filhas a Moloque no fogo (v.35), o que pode acionar memórias dolorosas para quem sofreu abuso, violência infantil ou abandono extremo. As referências à ira, furor e grande indignação de Deus ao longo do texto podem ser mal interpretadas por pessoas com histórico de pais ou figuras de autoridade abusivas, projetando nessas imagens uma ideia distorcida de Deus como instável ou sádico.

Também há risco de alguém em sofrimento agudo ler o juízo de Deus sobre Judá e concluir que toda dor presente é punição direta e específica, intensificando culpa patológica ou sensação de rejeição definitiva. Para alguns, a ênfase no juízo pode reforçar visões legalistas ou fatalistas da vida espiritual.

Quando temas como abuso religioso, medo intenso de castigo divino, pensamentos autodepreciativos extremos, ideação suicida ou lembranças traumáticas forem despertados durante a leitura deste texto, é aconselhável buscar apoio seguro em pessoas de confiança e, se necessário, ajuda profissional qualificada em saúde mental, além de acompanhamento pastoral sensível, que destaque também as dimensões de graça, restauração e cuidado presentes no capítulo.

Aplicacao pratica para hoje

Jeremias 32 inspira atitudes concretas de fé em contextos difíceis. O gesto de Jeremias ao comprar um campo em meio ao cerco ensina a importância de escolhas que apontam para a esperança, mesmo quando as circunstâncias parecem caminhar para a perda. Esse tipo de obediência se traduz, em situações cotidianas, em decisões de continuar investindo em relacionamentos, caráter, estudos, trabalho honesto e compromisso com Deus, ainda que o contexto pareça desfavorável.

A sequência da oração de Jeremias sugere uma prática de lembrar intencionalmente quem Deus é e o que já fez na história. Em termos práticos, isso pode se manifestar em resgatar memórias de livramentos, promessas bíblicas, cânticos e testemunhos que renovam a confiança, especialmente quando a obediência a Deus parece incoerente aos olhos humanos.

O capítulo convida à seriedade quanto ao pecado e às suas consequências. As descrições da idolatria de Judá e de suas práticas abomináveis mostram a importância de avaliar lealdades do coração, rotinas, prioridades e valores, abandonando o que profana a presença de Deus e destrói a vida. Isso abrange desde práticas claramente pecaminosas até compromissos sutis que tomam o lugar de Deus na agenda e nas afeições.

Por fim, as promessas de um coração renovado e de um mesmo caminho estimulam a busca por unidade interior e coerência de vida, bem como a valorizar a comunidade de fé. Na prática, isso implica cultivar disciplinas espirituais, relacionamentos que encorajam a fidelidade a Deus e escolhas consistentes que reflitam a nova identidade de um povo plantado por Deus com firmeza.

Perguntas frequentes

Por que Deus mandou Jeremias comprar um campo durante o cerco de Jerusalém?

A compra do campo em Anatote, em plena crise, foi um sinal profético de que o cativeiro não seria o fim da história. Humanamente, o terreno estava prestes a ser tomado pelos caldeus e perder valor, mas Deus ordena a compra para mostrar que novamente se comprariam casas, campos e vinhas na terra. O ato de Jeremias, documentado com escrituras guardadas em vaso de barro, apontava para a futura restauração e retorno do povo.

Qual é o sentido de dizer que nada é demasiado difícil para o Senhor?

Quando Jeremias declara que nada é demasiado difícil para Deus (v.17) e o próprio Senhor reafirma essa verdade (v.27), está sendo sublinhado que o poder de Deus abrange tudo: criar, salvar, julgar, restaurar. Ele é o Deus de toda a carne, soberano sobre nações, reis e circunstâncias. Assim, tanto o juízo sobre Jerusalém quanto a promessa de uma restauração improvável, depois do exílio, são possíveis porque nada está fora do alcance do Seu poder.

Por que o juízo sobre Jerusalém é apresentado como tão severo?

O capítulo mostra que o juízo não surgiu de repente. Jerusalém vinha sendo, por muito tempo, "para a ira" e "furor" de Deus, por causa de uma sucessão de pecados graves: idolatria persistente, prática de abominações dentro do próprio templo e sacrifício de filhos a Moloque. Deus enviou ensinamento e advertências repetidas, mas o povo virou‑Lhe as costas. O cerco e a destruição são apresentados como consequência acumulada dessa rebeldia, não como explosão arbitrária de ira.

O que significa Deus prometer um mesmo coração e um só caminho ao povo?

A expressão indica uma profunda transformação interior e comunitária. Um "mesmo coração" e um "só caminho" falam de unidade de propósito, reverência e obediência a Deus. Não se trata apenas de voltar fisicamente para a terra, mas de ter o coração alinhado à vontade divina, abandonando a duplicidade e a idolatria. Deus mesmo se compromete a colocar o Seu temor no coração do povo, para que nunca mais se afastem dEle, o que aponta para uma renovação espiritual abrangente.

O que é a aliança eterna mencionada em Jeremias 32?

Deus promete fazer com o povo uma aliança eterna, na qual Ele não se desviará de fazer‑lhes o bem e colocará o Seu temor nos seus corações. Essa aliança destaca a iniciativa e o compromisso de Deus em manter o relacionamento, expressando graça e fidelidade contínuas. Em diálogo com outros textos de Jeremias, essa aliança aponta para uma realidade em que a lei de Deus é internalizada e o relacionamento com Ele é marcado por intimidade, segurança e transformação interior, indo além de meros rituais externos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 32 se passa em um dos momentos mais sombrios da história de Judá: a cidade cercada, o medo espalhado, o futuro desmoronando. No centro desse cenário, Jeremias está preso, limitado, incompreendido por dizer a verdade que Deus lhe dera. Nesse lugar de dor e aperto, Deus faz algo surpreendente: manda o profeta comprar um campo. A cena parece estranha, mas carrega um cuidado profundo. Enquanto tudo à volta diz "acabou", Deus faz com que Jeremias execute um gesto concreto de esperança. A escritura guardada em um vaso de barro, para muitos dias, é como guardar uma lembrança viva de que a promessa não será esquecida. O campo comprado se torna um símbolo de que ainda haverá vida, risos, colheitas e recomeços onde hoje só há ruínas. A oração de Jeremias é carregada de emoção. Ele reconhece o poder de Deus, lembra Sua bondade, mas também expõe sua própria perplexidade: por que comprar um campo agora, se a cidade está prestes a cair? Esse misto de confiança e estranheza é acolhido por Deus, que não rejeita o coração confuso, mas responde reafirmando: "Eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne; haveria coisa demasiadamente difícil para mim?". Ao longo do capítulo, aparece um Deus profundamente envolvido: que se entristece com a maldade, que corrige com firmeza, mas que também promete reunir, dar um novo coração, fazer o bem com alegria e plantar o povo com todo Seu coração e com toda Sua alma. Essa linguagem é terna e intensa: Deus não está distante, mas comprometido emocionalmente com Seu povo. Mesmo no meio do juízo, a história é conduzida por um Deus que conhece a dor, vê cada caminho, e prepara, de dentro da escuridão, um futuro de restauração. A narrativa mostra que o tempo de ruína não é o último capítulo, e que o coração de Deus se inclina para curar, restaurar e firmar de novo aqueles que foram quebrados.

Mind
Mind

Jeremias 32 é um texto riquíssimo em conteúdo histórico, jurídico e teológico. O cenário é precisamente datado: o décimo ano de Zedequias e o décimo oitavo de Nabucodonosor, período correspondente à fase final do cerco babilônico. A prisão de Jeremias no pátio da guarda revela a tensão entre a profecia autêntica e a política real: Zedequias se irrita com o anúncio de derrota e cativeiro e tenta silenciar o profeta. O episódio da compra do campo em Anatote é descrito com detalhes legais: direito de resgate, pesagem da prata, assinatura da escritura, selagem, presença de testemunhas, entrega dos documentos a Baruque, guarda em vaso de barro. Esses elementos ilustram práticas de transação imobiliária e preservação de registros na época, e funcionam literariamente como reforço da concretude do ato profético. Não é uma mera parábola: é um contrato real que aponta para uma realidade futura. A oração de Jeremias (v.16-25) segue um padrão teológico reconhecível: começa exaltando Deus como Criador, passa por Sua fidelidade histórica no êxodo e na concessão da terra, reconhece o pecado do povo e o consequente juízo, para então apresentar a perplexidade diante da ordem de comprar o campo. O profeta demonstra profunda compreensão da narrativa da aliança, articulando atributos divinos (poder, benignidade, justiça) com a história de Israel. Na resposta divina (v.26-44), surgem dois blocos. Primeiro, a reafirmação do juízo: a cidade será entregue aos caldeus, por causa da idolatria generalizada, da profanação do templo e das práticas detestáveis, como os sacrifícios a Moloque. A cidade é descrita como provocação constante à ira de Deus, desde sua fundação. Segundo, a promessa de restauração: Deus congregará o povo das terras de dispersão, restabelecerá a segurança, renovará a relação "meu povo / seu Deus", concederá um só coração e um só caminho e firmará uma aliança eterna de fazer o bem. Do ponto de vista teológico, Jeremias 32 complementa Jeremias 31 sobre a nova aliança. Aqui, o foco está no compromisso unilateral de Deus em não cessar de fazer o bem e em implantar o temor dEle no coração do povo, garantindo a permanência da relação. O contraste entre a infidelidade humana e a fidelidade divina é acentuado: o povo violou a antiga aliança, mas Deus se compromete com uma aliança que inclui transformação interior. A frase‑chave "nada há que te seja demasiado difícil" (v.17) e sua reiteração por Deus (v.27) estruturam o capítulo. O mesmo Deus que tem poder para derrubar Jerusalém tem poder para restaurá‑la. A disciplina e a esperança, o exílio e o retorno, são dimensões de uma mesma história governada por um Deus soberano, justo e misericordioso.

Life
Life

Jeremias 32 transpõe, de forma muito prática, o desafio de viver pela fé quando as circunstâncias dizem o contrário. Jeremias está preso, o país está em colapso e, nesse contexto, Deus manda o profeta fazer um investimento aparentemente sem sentido: comprar um campo em uma região prestes a ser dominada pelo inimigo. Do ponto de vista humano, a transação é irracional. Ninguém, em sã consciência, investiria em terra numa zona de guerra iminente. Mas, aos olhos de Deus, esse ato é um testemunho público: a vida não termina ali, haverá retorno, reconstrução e normalidade. O gesto de Jeremias ilustra escolhas de fé que, no momento, não parecem estratégicas, mas se alinham com a perspectiva de Deus a longo prazo. O cuidado com os detalhes da compra – prata medida, escritura assinada, testemunhas, guarda do documento – mostra a importância de ser responsável e íntegro, mesmo em épocas de crise. A fé não dispensa a seriedade com contratos, processos e formalidades; pelo contrário, ela dá sentido a agir corretamente quando outros podem agir apenas movidos pelo desespero. A narrativa também oferece um espelho para padrões de vida: Judá é retratada como uma sociedade que se acostumou a práticas destrutivas, a ponto de normalizar abominações. Há uma advertência indireta sobre o perigo de, com o tempo, tornar aceitável o que é claramente contrário à vontade de Deus. Em termos de vida cotidiana, isso conduz a uma revisão de prioridades, hábitos e valores que podem estar, aos poucos, afastando da presença de Deus. As promessas finais de um mesmo coração, um só caminho e uma aliança eterna sugerem um estilo de vida mais integrado, sem duplicidade. Em vez de tentar servir a muitos senhores (Deus e ídolos), o povo é chamado a um caminho único, que unifica intenção, prática e direção. Isso se traduz em escolhas diárias mais coerentes, em relacionamentos e trabalho marcados por fidelidade, e em uma visão de futuro que não é guiada apenas pelo medo, mas pelo que Deus prometeu construir ao longo do tempo.

Soul
Soul

Jeremias 32 expõe, em profundidade, o modo como Deus conduz a história da alma coletiva de Seu povo. O cerco de Jerusalém e o exílio não são apenas eventos políticos; representam um momento de disciplina espiritual, em que Deus permite que o povo experimente as consequências de se afastar repetidamente da Sua presença. No entanto, o ato de Jeremias ao comprar um campo e guardar a escritura para o futuro revela um princípio espiritual importante: Deus planta sinais de esperança mesmo no terreno da disciplina. O campo de Anatote torna‑se um lembrete material de que a promessa de Deus ultrapassa o momento de juízo. Em linguagem de eternidade, esse gesto aponta para o fato de que a aliança de Deus não é anulada pelo fracasso humano, mas é redirecionada por meio da correção e da restauração. As promessas de reunir o povo de todas as terras, de estabelecer uma morada segura, de ser o seu Deus e dar‑lhes um novo coração, tocam o núcleo da espiritualidade bíblica. A relação com Deus deixa de ser apenas uma questão de território ou rituais e se torna profundamente interior: o temor do Senhor gravado no coração, um só caminho, uma aliança eterna. Esse movimento antecipa a realidade em que Deus, por Seu Espírito, transforma a natureza interior para que a fidelidade não seja apenas obrigação externa, mas resposta de um coração renovado. A declaração de que Deus se alegrará em fazer o bem e plantará o povo "com todo o meu coração e com toda a minha alma" é teologicamente impressionante. Ela sugere que, por trás da história humana, há um envolvimento profundo do próprio ser de Deus na redenção. A disciplina, embora dolorosa, não é o centro da intenção divina; o centro é uma alegria eterna em abençoar, firmar e restaurar. Em perspectiva de eternidade, Jeremias 32 encoraja a olhar para além do momento de ruína, reconhecendo que Deus é capaz de reverter sentenças de desolação em histórias de vida renovada. A promessa de uma aliança eterna e de um povo verdadeiramente alinhado com o Seu coração aponta para o propósito final de Deus: reunir para Si um povo transformado, que O conheça, viva em Sua presença e desfrute, de forma permanente, do bem que Ele se alegra em conceder.

IA crista companheira

Pronto para aplicar Jeremias 32? Receba orientacao personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensao das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicacoes de versiculos e reflexoes guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia biblica arrow_forward 3 Aplicacao guiada

✓ Sem cartao de credito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 60 creditos gratis

Versiculos em Jeremias 32

Jeremias 32:1

" A palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR, no ano décimo de Zedequias, rei de Judá, o qual foi o décimo oitavo de Nabucodonosor. "

Jeremias 32:1 mostra que Deus fala em um momento histórico concreto, em plena guerra e crise política. A mensagem divina alcança Jeremias enquanto a cidade …

Ler analise completa

Jeremias 32:2

" Ora, nesse tempo o exército do rei de babilônia cercava Jerusalém; e Jeremias, o profeta, estava encerrado no pátio da guarda que estava na casa do rei de Judá; "

Jeremias 32:3

" Porque Zedequias, rei de Judá, o tinha encerrado, dizendo: Por que profetizas tu, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que entrego esta cidade na mão do rei de babilônia, e ele a tomará; "

Jeremias 32:4

" E Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus; mas certamente será entregue na mão do rei de babilônia, e com ele falará boca a boca, e os seus olhos verão os dele; "

Jeremias 32:5

" E ele levará Zedequias para babilônia, e ali estará, até que eu o visite, diz o SENHOR e, ainda que pelejeis contra os caldeus, não ganhareis? "

Jeremias 32:7

" Eis que Hanameel, filho de Salum, teu tio, virá a ti dizendo: Compra para ti a minha herdade que está em Anatote, pois tens o direito de resgate para comprá-la. "

Jeremias 32:8

" Veio, pois, a mim Hanameel, filho de meu tio, segundo a palavra do Senhor, ao pátio da guarda, e me disse: Compra agora a minha herdade que está em Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o direito de herança, e tens o resgate; compra-a para ti. Então entendi que isto era a palavra do Senhor. "

Jeremias 32:9

" Comprei, pois, a herdade de Hanameel, filho de meu tio, a qual está em Anatote; e pesei-lhe o dinheiro, dezessete siclos de prata. "

Jeremias 32:12

" E dei a escritura da compra a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaséias, na presença de Hanameel, filho de meu tio e na presença das testemunhas, que subscreveram a escritura da compra, e na presença de todos os judeus que se assentavam no pátio da guarda. "

Jeremias 32:14

" Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras, este auto de compra, tanto a selada, como a aberta, e coloca-as num vaso de barro, para que se possam conservar muitos dias. "

Jeremias 32:15

" Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda se comprarão casas, e campos, e vinhas nesta terra. "

Jeremias 32:17

" Ah Senhor DEUS! Eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido; nada há que te seja demasiado difícil; "

Jeremias 32:17 mostra que Deus é poderoso para cumprir seus planos, porque criou o céu e a terra e nada é difícil demais para Ele. …

Ler analise completa

Jeremias 32:18

" Tu que usas de benignidade com milhares, e retribuis a maldade dos pais ao seio dos filhos depois deles; o grande, o poderoso Deus cujo nome é o Senhor dos Exércitos; "

Jeremias 32:19

" Grande em conselho, e magnífico em obras; porque os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras; "

Jeremias 32:20

" Tu puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até ao dia de hoje, tanto em Israel, como entre os outros homens, e te fizeste um nome, o qual tu tens neste dia. "

Jeremias 32:21

" E tiraste o teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e com maravilhas, e com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, "

Jeremias 32:23

" E entraram nela, e a possuíram, mas não obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei; tudo o que lhes mandaste que fizessem, eles não o fizeram; por isso ordenaste lhes sucedesse todo este mal. "

Jeremias 32:24

" Eis aqui os valados; já vieram contra a cidade para tomá-la, e a cidade está entregue na mão dos caldeus, que pelejam contra ela, pela espada, pela fome e pela pestilência; e o que disseste se cumpriu, e eis aqui o estás presenciando. "

Jeremias 32:25

" Contudo tu me disseste, ó Senhor DEUS: Compra para ti o campo por dinheiro, e faze que o confirmem testemunhas, embora a cidade já esteja entregue na mão dos caldeus. "

Jeremias 32:27

" Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne; acaso haveria alguma coisa demasiado difícil para mim? "

Jeremias 32:27 mostra que Deus governa toda a humanidade e nada é impossível para ele. O versículo foi dito em tempos de crise, para lembrar …

Ler analise completa

Jeremias 32:28

" Portanto assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão dos caldeus, e na mão de Nabucodonosor, rei de babilônia, e ele a tomará. "

Jeremias 32:29

" E os caldeus, que pelejam contra esta cidade, entrarão nela, e pôr-lhe-ão fogo, e queimarão, as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a Baal e ofereceram libações a outros deuses, para me provocarem à ira. "

Jeremias 32:30

" Porque os filhos de Israel e os filhos de Judá não fizeram senão mal aos meus olhos, desde a sua mocidade; porque os filhos de Israel nada fizeram senão provocar-me à ira com as obras das suas mãos, diz o Senhor. "

Jeremias 32:31

" Porque para a minha ira e para o meu furor me tem sido esta cidade, desde o dia em que a edificaram, e até ao dia de hoje, para que a tirasse da minha presença; "

Jeremias 32:32

" Por causa de toda a maldade dos filhos de Israel, e dos filhos de Judá, que fizeram, para me provocarem à ira, eles e os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes, e os seus profetas, como também os homens de Judá e os moradores de Jerusalém. "

Jeremias 32:33

" E viraram-me as costas, e não o rosto; ainda que eu os ensinava, madrugando e ensinando-os, contudo eles não deram ouvidos, para receberem o ensino. "

Jeremias 32:35

" E edificaram os altos de Baal, que estão no Vale do Filho de Hinom, para fazerem passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a Moloque; o que nunca lhes ordenei, nem veio ao meu coração, que fizessem tal abominação, para fazerem pecar a Judá. "

Jeremias 32:36

" E por isso agora assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já está dada na mão do rei de babilônia, pela espada, pela fome, e pela pestilência: "

Jeremias 32:37

" Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os tenho lançado na minha ira, e no meu furor, e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este lugar, e farei que habitem nele seguramente. "

Jeremias 32:39

" E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem, e o bem de seus filhos, depois deles. "

Jeremias 32:39 mostra que Deus deseja transformar o interior das pessoas, dando um coração unido e um modo de viver alinhado com Ele. Esse coração …

Ler analise completa

Jeremias 32:40

" E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim. "

Jeremias 32:41

" E alegrar-me-ei deles, fazendo-lhes bem; e plantá-los-ei nesta terra firmemente, com todo o meu coração e com toda a minha alma. "

Jeremias 32:41 mostra que Deus tem prazer em cuidar do seu povo e deseja firmá-lo em segurança, com todo o seu ser. O versículo fala …

Ler analise completa

Jeremias 32:42

" Porque assim diz o Senhor: Como eu trouxe sobre este povo todo este grande mal, assim eu trarei sobre ele todo o bem que lhes tenho declarado. "

Jeremias 32:43

" E comprar-se-ão campos nesta terra, da qual vós dizeis: Está desolada, sem homens, sem animais; está entregue na mão dos caldeus. "

Jeremias 32:44

" Comprarão campos por dinheiro, e assinarão as escrituras, e as selarão, e farão que confirmem testemunhas, na terra de Benjamim, e nos contornos de Jerusalém, e nas cidades de Judá, e nas cidades das montanhas, e nas cidades das planícies, e nas cidades do sul; porque os farei voltar do seu cativeiro, diz o Senhor. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.