Jeremias 42 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Jeremias 42 na sua vida hoje

22 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Jeremias 42?

Jeremias 42 narra o momento em que o remanescente de Judá, assustado após a tragédia em Jerusalém, procura o profeta Jeremias pedindo direção de Deus. Eles prometem obedecer a tudo o que o Senhor disser, seja agradável ou difícil. Depois de dez dias, Deus responde: o plano dele é que o povo permaneça na terra, confiando na proteção divina contra o rei da Babilônia. Porém, muitos já alimentavam no coração o desejo de fugir para o Egito, buscando segurança humana. O Senhor, então, adverte com firmeza que a ida ao Egito traria exatamente os males que eles tentavam evitar: espada, fome e peste. O capítulo termina com a constatação de que o povo enganou a si mesmo, pedindo orientação mas rejeitando a palavra de Deus.

Temas principais em Jeremias 42

Pedir direção a Deus com coração dividido (versículos 1-6, 20-21)

O povo procura Jeremias e pede que Deus lhes mostre o caminho, prometendo obediência total. Porém, o restante da narrativa revela que muitos já tinham uma decisão prévia no coração. A oração, então, se torna apenas uma formalidade, não um ato sincero de submissão.

Versículos-chave: 3, 5, 6, 20

A promessa de Deus para quem permanece na vontade dele (versículos 7-12)

Deus garante que, se o povo ficar na terra, Ele mesmo os edificará e plantará, protegendo-os do rei da Babilônia. Mesmo após o juízo, o Senhor se revela disposto a restaurar, consolar e ter misericórdia do remanescente.

Versículos-chave: 10, 11, 12

A ilusão de segurança fora da vontade de Deus (versículos 13-18, 22)

O povo imagina que o Egito será um lugar sem guerra, sem alarme de trombetas e sem fome. Deus revela o oposto: a espada, a fome e a peste os alcançarão precisamente lá, no lugar em que buscam proteção humana em vez de confiar nele.

Versículos-chave: 14, 16, 17, 22

Autodecepção espiritual (versículos 19-21)

Jeremias denuncia que o povo se enganou a si mesmo: pediram oração e garantiram obediência, mas ao receberem a resposta de Deus, recusaram-se a ouvi-la. A autodecepção aparece como um perigo espiritual profundo, capaz de conduzir à ruína.

Versículos-chave: 19, 20, 21

Contexto histórico e literario

Jeremias 42 se situa logo após a queda de Jerusalém pelas mãos da Babilônia (586 a.C.). O rei Nabucodonosor havia colocado Gedalias como governador sobre os que ficaram na terra de Judá, mas ele foi assassinado por Ismael, causando caos e medo entre o povo restante. Muitos temiam que a Babilônia interpretasse o assassinato como rebelião geral. Nesse clima de insegurança, Joanã e outros líderes militares resgatam os sobreviventes e se reúnem perto de Belém, avaliando se deveriam fugir para o Egito, potência tradicional da região e, na percepção deles, possível refúgio contra o domínio babilônico. A história de Israel com o Egito, porém, é marcada pela lembrança da escravidão e pela proibição divina de confiar nos cavalos e exércitos egípcios como fonte de segurança. Jeremias, profeta há décadas em Judá, permanece como porta-voz de Deus para esse pequeno remanescente. O capítulo mostra a tensão entre a promessa divina de proteção sob o jugo babilônico e a tendência política e estratégica do povo de recorrer ao Egito. A linguagem de “edificar e plantar” retoma anúncios anteriores de Jeremias, mostrando que, mesmo depois do juízo, Deus continua com um plano de restauração para aqueles que acolhem sua palavra.

Estrutura de Jeremias 42

O capítulo apresenta uma estrutura narrativa clara, com diálogo e oráculo profético:

  1. Apresentação do pedido do povo (vv. 1-3): Capitães e povo, do menor ao maior, aproximam-se de Jeremias, pedindo intercessão e direção do Senhor.
  2. Compromisso solene de obediência (vv. 4-6): Jeremias promete transmitir toda a resposta de Deus, e o povo jura obedecer à voz do Senhor, seja agradável ou difícil.
  3. Tempo de espera pela resposta divina (v. 7): Um intervalo de dez dias realça que a mensagem vem de Deus e não de impulso humano.
  4. Oráculo de bênção para quem permanece na terra (vv. 8-12): Jeremias reúne o povo e proclama a promessa de edificação, plantação e proteção, caso permaneçam em Judá.
  5. Oráculo de juízo para quem desce ao Egito (vv. 13-18): O contraste é traçado com vigor: se insistirem em ir ao Egito, os males temidos — espada, fome e peste — os alcançarão ali.
  6. Acusação de autodecepção e recusa da voz divina (vv. 19-22): Jeremias declara que o Senhor já testemunhou contra o povo, por terem pedido direção mas rejeitado a resposta, e anuncia o fim trágico daqueles que escolhem o Egito.

Significado teológico

Jeremias 42 lança luz sobre temas centrais na relação entre Deus e seu povo. Primeiro, ressalta a seriedade de se buscar a vontade divina: não se trata de acrescentar uma bênção religiosa a decisões já tomadas, mas de submeter de fato planos, medos e estratégias à direção do Senhor. O capítulo denuncia a oração utilitarista, em que a pessoa deseja apenas a confirmação de seu próprio caminho. Em segundo lugar, a passagem evidencia que a verdadeira segurança não depende de alianças políticas, estruturas humanas ou cálculos estratégicos, mas da presença e promessa de Deus. O Egito simboliza a confiança na força humana, enquanto permanecer na terra, sob domínio babilônico, representa confiar no cuidado de Deus mesmo em circunstâncias frágeis. Além disso, o texto reforça o padrão bíblico de juízo e restauração: o mesmo Deus que corrigiu Jerusalém promete agora edificar e plantar o remanescente, caso este se renda à sua voz. Por fim, o capítulo alerta para o poder da autodecepção espiritual: é possível pronunciar palavras de obediência, jurar fidelidade e, ao mesmo tempo, manter o coração fechado à palavra de Deus. Nessa perspectiva, a verdadeira fé se expressa em obediência concreta, especialmente quando a orientação divina contraria os instintos de autopreservação.

Aplicação restauradora e de saúde mental

O capítulo tem forte valor terapêutico para a compreensão de decisões tomadas em momentos de medo e trauma. O remanescente de Judá está emocionalmente abalado: perdeu cidade, governo, estabilidade e vive sob ameaça externa. Nesse cenário, o impulso é buscar soluções rápidas que ofereçam sensação imediata de segurança, ainda que à custa de ignorar sinais espirituais claros. Jeremias 42 expõe o mecanismo interno da autodecepção: a pessoa pode se convencer de que está buscando ajuda, inclusive espiritual, quando na verdade espera apenas a validação de suas preferências. Do ponto de vista emocional, o texto legitima o medo — Deus conhece o temor do povo diante da Babilônia —, mas também mostra que decisões baseadas apenas em fuga do sofrimento tendem a reproduzir ou agravar a dor. A oposição entre “ficar na terra” e “descer ao Egito” simboliza a tensão entre enfrentar a realidade com confiança e responsabilidade ou escapar dela de forma impulsiva. A promessa de Deus de edificar, plantar e proteger traz consolo a quem se sente em ruínas, reforçando que a restauração é possível mesmo depois de perdas severas. Ao mesmo tempo, o capítulo chama à honestidade interior: reconhecer os próprios desejos e medos é passo necessário para ouvir genuinamente a voz de Deus e não usar a espiritualidade como cobertura para decisões já tomadas.

warning Importante: maus usos comuns

O texto sugere alguns sinais de alerta relevantes para cuidado emocional e espiritual:

  1. Medo paralisante ou impulsivo (vv. 11, 14): o povo teme tanto o rei da Babilônia que começa a idealizar o Egito como refúgio perfeito, revelando uma fuga da realidade motivada por pânico.
  2. Espiritualidade usada para confirmar decisões prontas (vv. 2-3, 20): eles pedem oração e prometem obediência, mas Jeremias revela que já haviam se enganado a si mesmos, indicando o perigo de buscar apenas validação espiritual.
  3. Resistência à orientação mesmo depois de esclarecida (vv. 19-21): Jeremias afirma que declarou tudo e mesmo assim não deram ouvidos, o que aponta para teimosia e dureza de coração.
  4. Negação das consequências (vv. 16-18, 22): o povo quer crer que o Egito é lugar de paz, enquanto Deus avisa sobre espada, fome e peste, ilustrando a tendência de minimizar riscos quando uma rota de fuga parece confortável.
  5. Culpa e vergonha coletivas (v. 18): expressões como “maldição”, “espanto” e “opróbrio” revelam um clima de humilhação nacional, que, se não for cuidado, pode se transformar em desespero ou cinismo.

Em contextos pastorais ou terapêuticos, esses elementos sugerem atenção especial a decisões tomadas sob forte pressão, à sinceridade na busca por ajuda espiritual e à forma como comunidades lidam com traumas coletivos.

Aplicação prática para hoje

Jeremias 42 oferece princípios concretos para decisões e atitudes do dia a dia. Em momentos de crise, o impulso é buscar saídas rápidas, empregos mais seguros, relacionamentos de “refúgio” ou mudanças bruscas que prometem aliviar o medo. O capítulo incentiva a desacelerar, buscar a direção de Deus com sinceridade e estar disposto a obedecer mesmo quando a resposta não coincide com expectativas. A promessa de que Deus edifica e planta aqueles que permanecem em sua vontade inspira perseverança em situações difíceis, em vez de abandonar compromissos por puro medo. Na prática, isso se traduz em revisar motivações antes de grandes decisões: o que está guiando o rumo — fé, responsabilidade e discernimento, ou apenas pânico e fuga? O texto também convida à coerência entre palavras e atitudes: não basta dizer que se quer ouvir a Deus; é necessário cultivar um coração que aceita ser confrontado, muda rotas e renuncia a estratégias aparentemente mais seguras quando percebem que afastam da obediência. Em relacionamentos, trabalho e escolhas financeiras, a mensagem se aplica à rejeição de atalhos que prometem proteção, mas exigem comprometer valores. Permanecer “na terra” pode significar manter-se fiel onde Deus já colocou, enquanto “descer ao Egito” pode representar escapismos que parecem inteligentes, mas ignoram princípios espirituais claros.

Perguntas frequentes

Por que o povo queria ir para o Egito em Jeremias 42?

O remanescente de Judá, traumatizado pela queda de Jerusalém e pelo assassinato de Gedalias, temia severa retaliação da Babilônia. O Egito, potência antiga e relativamente estável, parecia um refúgio onde, na visão deles, não haveria guerra, alarde de trombetas nem fome. Assim, buscavam apoio político e econômico egípcio como forma de proteção. No entanto, Deus deixa claro que essa impressão de segurança era ilusória e que a salvação não viria de alianças humanas, mas da obediência à sua palavra de permanecer em Judá.

O que significa Deus prometer edificar e plantar o povo se ficassem na terra?

No livro de Jeremias, “arrancar e derrubar” descreve o juízo de Deus, enquanto “edificar e plantar” descreve restauração. Ao dizer que edificará e plantará o povo se permanecerem na terra, Deus anuncia que deseja reconstruir a vida deles: reconstruir moradias, comunidades e rotinas, e estabelecer raízes duradouras com possibilidade de frutificação. É um convite à esperança após a disciplina. Essa promessa, porém, está ligada à obediência: somente ao aceitarem ficar onde Deus manda, mesmo sob o domínio babilônico, experimentarão esse processo de cura e renovação.

Por que Deus proíbe especificamente a ida ao Egito?

O Egito, na história de Israel, representa a antiga casa de escravidão e, mais tarde, uma potência na qual muitos reis confiaram em vez de depender de Deus. Descer ao Egito naquele momento significaria buscar segurança em exércitos estrangeiros, recusando-se a aceitar o caminho de disciplina e restauração que Deus traçara por meio do domínio babilônico. A proibição é, portanto, um ato de cuidado espiritual e prático: afastá-los de uma decisão que representaria desobediência aberta e que, como Deus anuncia, acabaria trazendo os mesmos males que desejavam evitar — guerra, fome e peste.

Como Jeremias 42 mostra o perigo de se enganar a si mesmo diante de Deus?

O texto mostra que o povo recorre a Jeremias com palavras muito fortes de compromisso, mas Jeremias afirma que eles se enganaram a si mesmos. A autodecepção aparece quando a pessoa diz querer ouvir a Deus, mas na verdade está presa a um plano próprio e fica disposta a aceitar a voz divina somente se ela coincidir com o que já decidiu. Em Jeremias 42, isso se manifesta na recusa em aceitar a ordem de permanecer em Judá, embora tivessem prometido obedecer a tudo. Assim, o capítulo ilustra que a autodecepção espiritual não é apenas confusão interna; é um fechamento progressivo ao que Deus fala, mesmo quando sua vontade é claramente revelada.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Jeremias 42 retrata um povo profundamente ferido, tentando sobreviver depois de ter visto sua cidade cair, seus líderes morrerem e sua rotina ser completamente desfeita. Há medo em cada linha do texto: medo do rei da Babilônia, medo da fome, medo de mais guerra. No meio dessa vulnerabilidade, eles correm até o profeta procurando uma palavra, uma direção, talvez um pouco de consolo. Há algo muito humano em prometer a Deus: “Seja boa ou difícil a tua palavra, vamos obedecer”. É o grito de quem, no fundo, só quer que a dor pare. Deus responde com uma voz que mistura firmeza e cuidado: não fujam, fiquem. Ele fala de edificar e plantar, palavras suaves para quem está em ruínas. Também diz com carinho: “Não temais o rei da Babilônia… porque eu sou convosco, para vos salvar”. Em um cenário de tanta perda, o Senhor oferece algo que nenhum refúgio humano poderia dar: sua própria presença como proteção. Ao mesmo tempo, o texto revela o conflito interno desse povo: eles pedem ajuda, mas resistem à resposta. Essa tensão entre fé e medo, confiança e fuga, é familiar. O coração pode desejar confiar em Deus e, ao mesmo tempo, estar cansado, exausto, querendo algum caminho que pareça mais fácil ou mais rápido. Jeremias 42 mostra que Deus não ignora esse embate interior. Ele fala com clareza, alcança o ponto exato da angústia, nomeia os medos e as ilusões, e ainda assim propõe um futuro de reconstrução. O capítulo oferece consolo ao lembrar que a voz de Deus, mesmo quando confronta, não é a de um inimigo. É a de alguém que conhece os traumas, enxerga as perdas e, justamente por isso, chama o povo para um caminho em que a dor não seja repetida indefinidamente. No meio do medo e da confusão, permanece a certeza de que Deus continua vendo, ouvindo e convidando ao descanso na presença dele.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Jeremias 42 é um texto-chave para compreender a fase pós-queda de Jerusalém e a teologia da restauração. A estrutura narrativa mostra um remanescente em fase decisiva: entre aceitar a disciplina de Deus por meio da Babilônia ou insistir em uma rota político-militar alternativa via Egito. O pedido feito a Jeremias (vv. 1-3) parece, à primeira vista, um modelo de piedade: eles pedem intercessão, reconhecem o Senhor como Deus e buscam orientação para o “caminho” e “o que havemos de fazer”. A resposta imediata de Jeremias (v. 4) e o juramento do povo (vv. 5-6) criam uma expectativa de que haverá verdadeira obediência. O intervalo de dez dias (v. 7) é significativo. Ele sublinha que a mensagem não é fruto de reação imediata de Jeremias, mas um oráculo ponderado, recebido no tempo de Deus. O oráculo em si (vv. 9-18) se organiza em duas alternativas contrastantes: permanecer na terra ou descer ao Egito. Permanecer implica promessas com linguagem de plantio e edificação (v. 10), enquanto o Egito é associado às maldições da aliança, como espada, fome e peste (vv. 16-17). Vale notar o eco de Deuteronômio, onde tais calamidades aparecem como consequências da desobediência. O texto evidencia também uma inversão irônica: o Egito, idealizado como lugar de paz e ausência de fome (v. 14), torna-se precisamente o cenário dos desastres temidos. Além disso, a ida ao Egito reabre simbolicamente o tema do “retorno à casa da servidão”, tão fortemente rejeitado na tradição do Êxodo. Deus declara que sua ira, antes derramada sobre Jerusalém, recairá sobre aqueles que se refugiarem no Egito (v. 18), o que sugere que o problema não é simplesmente geográfico, mas teológico: trata-se de recusar o modo específico como Deus decidiu lidar com o seu povo por meio da Babilônia. A acusação de autodecepção (v. 20) é crucial para a teologia da resposta humana à revelação. O povo se autoengana ao pensar que busca apenas conhecer a vontade divina, quando, de fato, já estabelecera uma direção preferencial. Jeremias 42, portanto, não apenas registra um episódio histórico, mas também oferece um estudo de caso sobre como a vontade de Deus é discernida e sobre os riscos de instrumentalizar a oração e a profecia a serviço de agendas prévias.

Life
Life

Jeremias 42 funciona como um espelho de muitos processos de decisão que envolvem medo, pressão externa e pressa por soluções. Aqueles líderes militares e o povo remanescente estavam diante de uma encruzilhada: permanecer em uma terra destruída, sob o olhar desconfiado de um império vitorioso, ou buscar refúgio em uma potência aparentemente mais estável. Em termos práticos, a escolha pelo Egito parecia, à primeira vista, estratégica e sensata. No entanto, o texto revela dinâmicas internas que frequentemente aparecem em decisões do cotidiano. Primeiro, o grupo procura validação espiritual após já ter inclinado o coração para uma saída específica. Eles pedem oração, prometem obedecer, mas, quando a resposta divina contraria o plano, mostram-se indispostos a reconsiderar. Esse padrão é visível em mudanças de emprego, rompimentos de relacionamento, decisões financeiras: busca-se conselho, mas apenas até o ponto em que ele confirme o que já se deseja fazer. Outro aspecto prático é a idealização do “Egito”. Ele é descrito como um lugar sem guerra, sem alarme de trombetas, sem fome. Em outras palavras, constrói-se uma imagem de fuga perfeita, livre de tensões. Na realidade, como Deus aponta, essa rota traria precisamente os riscos que se tentava evitar. Em termos de vida prática, isso alerta para o perigo de romantizar alternativas de escape — mudar de cidade, trocar de ambiente, iniciar relações apressadas — como se fossem espaços mágicos sem conflitos ou limitações. A orientação divina de ficar na terra não significa imobilismo, mas uma postura de enfrentamento responsável: aceitar a realidade como ela é, negociar com a Babilônia, reconstruir aos poucos, confiar que Deus pode trazer estabilidade em solo instável. Em muitos contextos, isso se traduz em permanecer fiel a compromissos, trabalhar com recursos limitados, tratar conflitos com honestidade, em vez de abandonar tudo em nome de uma segurança ilusória. Jeremias 42, assim, oferece um convite à coerência entre discurso de fé e decisões concretas, à avaliação sincera de motivações e ao aprendizado de suportar processos, não apenas buscar atalhos.

Soul
Soul

Em Jeremias 42, a questão central não é apenas onde o povo viverá, mas em quem ele confiará. A escolha entre permanecer na terra, sob a promessa de Deus, ou descer ao Egito, sob a proteção humana, reflete uma decisão espiritual de fundo: colocar a alma sob o cuidado divino ou sob estruturas que parecem mais tangíveis, porém são passageiras. O remanescente de Judá está diante de uma prova de fé: confiar que Deus continua presente mesmo depois do juízo ou concluir que Ele os abandonou e que precisam salvar-se por conta própria. A promessa de Deus — “eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar” — ecoa convocações anteriores feitas a Israel. É um chamado a lembrar que a identidade do povo não se baseia em fortalezas, fronteiras ou alianças políticas, mas na presença do Senhor no meio deles. Essa consciência é profundamente formadora da espiritualidade: desloca o eixo de segurança do que pode ser visto para aquele que fala, promete e permanece. Em termos de formação espiritual, trata-se de aprender a caminhar em obediência mesmo quando o cenário externo parece contradizer a promessa. O texto também evidencia que buscar a vontade de Deus exige vulnerabilidade real. Não basta pronunciar compromissos de obediência; é necessário permitir que a palavra divina confronte planos já traçados e apegos internos. A autodecepção denunciada por Jeremias mostra como o coração pode usar até a linguagem da fé para proteger seus próprios projetos. A maturidade espiritual envolve reconhecer essa tendência e se abrir a uma escuta que transforma, não apenas confirma. Num horizonte mais amplo, Jeremias 42 aponta para um princípio que atravessa toda a Escritura: a vida verdadeira brota da confiança obediente, não da soma de estratégias de autopreservação. Quando o povo escolhe caminhos contrários à direção de Deus, mesmo que pareçam vias de escape, acaba caminhando rumo à morte. Por outro lado, ao aceitar permanecer onde Deus manda, ainda que em terra ferida, descobre-se a possibilidade de ser edificado e plantado novamente. Essa tensão entre fuga e permanência, entre Egito e terra prometida, espelha a jornada da alma que, no meio das perdas, é convidada a ancorar-se mais profundamente na fidelidade de Deus e a encontrar ali seu verdadeiro refúgio.

IA cristã companheira

Pronto para aplicar Jeremias 42? Receba orientação personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensão das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicações de versículos e reflexões guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia bíblica arrow_forward 3 Aplicação guiada

✓ Sem cartão de crédito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 30 créditos grátis

Versículos em Jeremias 42

Jeremias 42:1

" Então chegaram todos os capitães dos exércitos, e Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até ao maior, "

Jeremias 42:2

" E disseram a Jeremias, o profeta: Aceita agora a nossa súplica diante de ti, e roga ao Senhor teu Deus, por nós e por todo este remanescente; porque de muitos restamos uns poucos, como nos vêem os teus olhos; "

Jeremias 42:4

" E disse-lhes Jeremias, o profeta: Eu vos tenho ouvido; eis que orarei ao Senhor vosso Deus conforme as vossas palavras; e seja o que for que o Senhor vos responder eu vo-lo declararei; não vos ocultarei uma só palavra. "

Jeremias 42:5

" Então eles disseram a Jeremias: Seja o Senhor entre nós testemunha verdadeira e fiel, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o Senhor teu Deus. "

Jeremias 42:6

" Seja ela boa, ou seja má, à voz do Senhor nosso Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor nosso Deus. "

Jeremias 42:8

" Então chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães dos exércitos, que havia com ele, e a todo o povo, desde o menor até ao maior, "

Jeremias 42:9

" E disse-lhes: Assim diz o Senhor, Deus de Israel, a quem me enviastes, para apresentar a vossa súplica diante dele: "

Jeremias 42:10

" Se de boa mente ficardes nesta terra, então vos edificarei, e não vos derrubarei; e vos plantarei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito. "

Jeremias 42:11

" Não temais o rei de babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão. "

Jeremias 42:14

" Dizendo: Não, antes iremos à terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos som de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali ficaremos, "

Jeremias 42:15

" Nesse caso ouvi a palavra do Senhor, ó remanescente de Judá: Assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Se vós absolutamente propuserdes a entrar no Egito, e entrardes para lá habitar, "

Jeremias 42:16

" Acontecerá que a espada que vós temeis vos alcançará ali na terra do Egito, e a fome que vós receais vos seguirá de perto no Egito, e ali morrereis. "

Jeremias 42:17

" Assim será com todos os homens que puseram os seus rostos para entrarem no Egito, a fim de lá habitarem: morrerão à espada, e de fome, e de peste; e deles não haverá quem reste e escape do mal que eu farei vir sobre eles. "

Jeremias 42:18

" Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Como se derramou a minha ira e a minha indignação sobre os habitantes de Jerusalém, assim se derramará a minha indignação sobre vós, quando entrardes no Egito; e sereis objeto de maldição, e de espanto, e de execração, e de opróbrio, e não vereis mais este lugar. "

Jeremias 42:19

" Falou o Senhor acerca de vós, ó remanescente de Judá! Não entreis no Egito; tende por certo que hoje testifiquei contra vós. "

Jeremias 42:20

" Porque vos enganastes a vós mesmos, pois me enviastes ao Senhor vosso Deus, dizendo: Ora por nós ao Senhor nosso Deus; e conforme tudo o que disser o Senhor nosso Deus, declara-no-lo assim, e o faremos. "

Jeremias 42:21

" E vo-lo tenho declarado hoje; mas não destes ouvidos à voz do Senhor vosso Deus, em coisa alguma pela qual ele me enviou a vós. "

Jeremias 42:22

" Agora, pois, sabei por certo que morrereis à espada, de fome e de peste no mesmo lugar onde desejais ir, para lá morardes. "

auto_awesome

Estudo do capítulo por email

Receba 7 dias de reflexões de Jeremias 42

Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.

Grátis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.

Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.