Ezequiel 11 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Ezequiel 11 na sua vida hoje

25 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Ezequiel 11?

Ezequiel 11 mostra o profeta sendo levado pelo Espírito à porta oriental do templo, onde vê líderes que planejam maldade em Jerusalém. Deus denuncia seus conselhos perversos, anuncia juízo com espada e dispersão entre as nações, e confirma a morte de um dos príncipes como sinal. Em contraste com a infidelidade dos líderes, o Senhor consola o povo exilado, prometendo ser para eles um “pequeno santuário” no cativeiro, reuni-los novamente na terra, purificá-los da idolatria e lhes dar um só coração e um espírito novo. A glória de Deus se retira da cidade e Ezequiel comunica aos exilados tudo o que viu.

Temas principais em Ezequiel 11

Juízo sobre líderes corruptos e falsos conselhos (versículos 1-13)

Os vinte e cinco homens à porta do templo, incluindo Jaazanias e Pelatias, representam a liderança que planeja perversidade e transmite segurança enganosa ao povo. Deus expõe suas palavras, revela sua responsabilidade pela multiplicação dos mortos na cidade e anuncia que serão julgados à espada e entregues a estrangeiros, desmascarando a falsa sensação de proteção em Jerusalém.

Versículos-chave: 2, 6, 11

Deus conhece os pensamentos e intenções do coração (versículos 2-5, 13)

O Senhor afirma conhecer o que sobe ao espírito da casa de Israel, revelando que nenhuma trama, conselho ou motivação interior está escondida diante dele, seja para o mal dos líderes ou para o clamor angustiado de Ezequiel em favor do remanescente.

Versículos-chave: 5, 13

Dispersão e presença de Deus no exílio (versículos 15-16, 24-25)

Mesmo espalhando o povo entre as nações como juízo, Deus promete ser para eles um “pequeno santuário” nas terras para onde forem. A presença de Deus não fica limitada à cidade ou ao templo; Ele acompanha o seu povo no cativeiro e ali mesmo preserva e sustenta a fé do remanescente.

Versículos-chave: 16, 24

Restauração, novo coração e novo espírito (versículos 17-20)

Deus promete ajuntar o povo das nações, trazê-los de volta à terra, purificá-los de suas abominações e operar uma transformação interior: dar um só coração, tirar o coração de pedra e colocar um coração de carne, com um espírito novo, a fim de que andem em seus estatutos e vivam em aliança verdadeira com Ele.

Versículos-chave: 19, 20

Saída da glória de Deus de Jerusalém (versículos 22-23)

A glória do Senhor se ergue do meio da cidade e se coloca sobre o monte a leste de Jerusalém, sinalizando o abandono do templo profanado pela idolatria e pela injustiça. É uma cena solene de afastamento da presença manifesta de Deus, ao mesmo tempo que Ele continua agindo em favor do seu povo no exílio.

Versículos-chave: 22, 23

Contexto histórico e literario

Ezequiel 11 se passa no contexto do exílio babilônico, por volta do início do século VI a.C. Ezequiel, sacerdote e profeta, está entre os exilados na Caldeia após a primeira deportação de judeus (597 a.C.), enquanto Jerusalém ainda não havia sido totalmente destruída (o que ocorreria em 586 a.C.). Havia uma divisão de mentalidades: os que ficaram em Jerusalém se consideravam os verdadeiros herdeiros da terra e desprezavam os exilados, acreditando que a cidade e o templo garantiam sua segurança. Os “vinte e cinco homens” mencionados à porta oriental provavelmente são representantes políticos e religiosos influentes, que davam conselhos de aparente prudência, mas contrários à vontade de Deus, alimentando a ilusão de que Jerusalém era um “caldeirão” protetor. Ezequiel, em visão, é transportado de Babilônia para Jerusalém, para assistir e anunciar o juízo que viria sobre a cidade e sua liderança, ao mesmo tempo em que traz esperança de restauração futura para o remanescente espalhado pelas nações.

Estrutura de Ezequiel 11

O capítulo pode ser organizado em quatro movimentos principais:

  1. Visão dos líderes perversos em Jerusalém (11.1-4)

    • O Espírito levanta Ezequiel e o leva à porta oriental do templo.
    • Ele vê vinte e cinco homens, entre eles Jaazanias e Pelatias, líderes do povo.
    • Deus identifica esses homens como conselheiros do mal.
  2. Oráculo de juízo contra os líderes da cidade (11.5-13)

    • O Espírito do Senhor vem sobre Ezequiel e lhe dá palavras proféticas.
    • Denúncia: Deus conhece seus pensamentos, acusa-os de encher a cidade de mortos.
    • Inversão da metáfora do “caldeirão”: os mortos, não os líderes, são a “carne”.
    • Anúncio de juízo: espada, entrega a estrangeiros, julgamento nos confins de Israel.
    • A morte de Pelatias durante a profecia e o clamor angustiado de Ezequiel pelo remanescente.
  3. Mensagem ao remanescente exilado e promessa de restauração (11.14-21)

    • Reversão da arrogância dos que ficaram em Jerusalém: os exilados também são a casa de Israel.
    • Deus promete ser um “pequeno santuário” para os dispersos.
    • Promessa de ajuntar o povo de volta à terra de Israel.
    • Purificação da idolatria e promessa de um só coração e um espírito novo.
    • Distinção entre os que se voltam para Deus e os que seguem suas abominações.
  4. Retirada da glória de Deus e retorno de Ezequiel ao exílio (11.22-25)

    • Os querubins, as rodas e a glória de Deus se movem e se erguem da cidade.
    • A glória se coloca sobre o monte a oriente de Jerusalém.
    • O Espírito retorna Ezequiel à Caldeia, para os exilados.
    • Ezequiel relata a eles tudo o que o Senhor lhe mostrou.

Significado teológico

Ezequiel 11 trabalha temas centrais da teologia bíblica: a santidade de Deus, a responsabilidade da liderança, a presença divina, o juízo e a restauração. O capítulo mostra que Deus não tolera a corrupção dos líderes que deveriam promover justiça e fidelidade, mas que, em vez disso, dão conselhos que distorcem a realidade espiritual e moral. A metáfora do “caldeirão” é teologicamente significativa porque desmonta a teologia falsa de segurança automática ligada à cidade e ao templo: a proteção de Deus não é um amuleto geográfico, mas está conectada à obediência e à aliança.

A afirmação de Deus de que conhece o que “sobe ao espírito” do povo ressalta sua onisciência e o fato de que ele julga não só as ações, mas também as intenções. A cena da glória se afastando de Jerusalém reforça a santidade de Deus: Ele não permanece onde sua presença é desonrada por idolatria e injustiça, mesmo que o lugar seja o templo.

Ao mesmo tempo, o capítulo é um ponto importante na revelação sobre a nova aliança. A promessa de um só coração, de um espírito novo, da remoção do coração de pedra e da concessão de um coração de carne antecipa claramente a obra interior que Deus realizaria em seu povo, ligada ao derramamento do Espírito em tempos futuros. A obediência, aqui, não é apenas uma exigência externa, mas fruto de uma transformação profunda realizada por Deus.

A ideia de Deus como “pequeno santuário” entre os exilados amplia a compreensão da presença divina: Ele não está restrito a edifícios ou fronteiras nacionais. Sua presença acompanha e sustenta o povo no sofrimento, preparando uma restauração histórica e, em última instância, apontando para a comunhão plena e eterna com Ele. Assim, o capítulo une juízo justo e graça restauradora, mostrando um Deus que disciplina, mas não abandona seu remanescente.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Ezequiel 11 carrega elementos que dialogam fortemente com experiências emocionais de perda, deslocamento e injustiça. A visão do juízo sobre Jerusalém, a morte súbita de Pelatias em meio à profecia e o clamor de Ezequiel pelo remanescente revelam um cenário de luto, medo e incerteza coletiva. Ao mesmo tempo, o texto apresenta o consolo de um Deus que permanece presente mesmo em contextos de exílio, afirmando-se como um “pequeno santuário” no meio da dispersão.

A promessa de um novo coração e de um espírito novo tem ressonância terapêutica para quem convive com dureza interior, culpa, ressentimentos ou sensação de coração endurecido pela dor. O capítulo mostra que a mudança profunda não depende apenas de força de vontade humana, mas da ação graciosa de Deus, que trabalha no interior das pessoas, restaurando sua capacidade de responder em amor, obediência e confiança.

Do ponto de vista emocional, Ezequiel 11 valida tanto a angústia do profeta diante da possibilidade de aniquilação do povo quanto a realidade dura do juízo sobre a injustiça sistêmica. Ao mesmo tempo, oferece esperança realista: não nega o sofrimento do exílio, mas afirma que, nele, existe presença divina, cuidado e um futuro de reconstrução. Essa combinação de verdade sobre o mal e promessa de restauração pode ajudar a integrar experiências difíceis, ampliando a percepção de que Deus vê, conhece os pensamentos profundos e continua atuando mesmo quando o cenário parece de pura perda.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo descreve morte, juízo severo, violência (espada), dispersão e a retirada da glória de Deus da cidade. Pessoas em sofrimento intenso, com sentimentos de culpa extrema, medo de castigo divino ou histórico de abuso religioso podem interpretar essas imagens de forma distorcida e autodestrutiva, reforçando ideias de rejeição absoluta ou desesperança.

É importante lidar com o texto lembrando que ele fala a um contexto coletivo específico de idolatria persistente e injustiça estrutural, não como ameaça direta e personalizada a cada leitor individual. Quem estiver em crise aguda, em pensamentos suicidas, automutilação ou colapsos de culpa deve buscar ajuda profissional imediata (psicólogos, psiquiatras) e apoio comunitário seguro. A leitura espiritual do texto não substitui acompanhamento clínico. Líderes espirituais e cuidadores precisam ter sensibilidade para não usar passagens de juízo como instrumento de medo ou controle, mas sim integrá-las à mensagem mais ampla de cuidado, arrependimento saudável e restauração que o próprio capítulo apresenta.

Aplicação prática para hoje

Ezequiel 11 traz implicações práticas para a vida comunitária, espiritual e ética. A denúncia contra os líderes que planejam perversidade e dão maus conselhos destaca a responsabilidade daqueles que influenciam outras pessoas: decisões e discursos de liderança têm impacto real na vida e até na morte de muitos. Isso desafia líderes espirituais, políticos e comunitários a avaliarem se suas orientações promovem justiça, verdade e cuidado, ou se apenas reforçam privilégios e ilusões de segurança.

A falsa sensação de proteção ligada à cidade e ao templo lembra o perigo de confiar em estruturas, tradições ou rótulos religiosos em vez de confiar genuinamente em Deus e em seus caminhos. A prática de fé é chamada a ir além de símbolos externos, buscando coerência de vida com os estatutos e juízos do Senhor.

A promessa de um só coração e de um espírito novo inspira a busca por unidade e integridade interior e comunitária. Isso se traduz em práticas concretas como arrependimento de atitudes idólatras, abandono de hábitos e ambientes que alimentam “coisas detestáveis” e compromisso renovado com a obediência aos mandamentos de Deus. Comunidades podem se perguntar se estão cultivando corações de pedra, marcados pela insensibilidade à dor alheia, ou corações de carne, sensíveis à vontade de Deus e às necessidades do próximo.

Por fim, a figura de Deus como santuário no exílio encoraja a viver a fé mesmo em contextos adversos: migrantes, deslocados, pessoas em perdas radicais ou mudanças involuntárias podem reconhecer que a presença de Deus não está limitada a um lugar ideal. A prática diária de lembrar dessa presença, de se reunir em pequenos grupos de fé e de ouvir a Palavra mesmo em “terra estranha” é uma maneira concreta de viver essa verdade.

Perguntas frequentes

Quem são os vinte e cinco homens mencionados em Ezequiel 11.1?

Os vinte e cinco homens vistos por Ezequiel à porta oriental do templo representam líderes influentes de Jerusalém, provavelmente uma combinação de autoridades políticas e religiosas que exerciam forte poder sobre o povo. Dois deles são nomeados: Jaazanias, filho de Azur, e Pelatias, filho de Benaia, chamados de “príncipes do povo”. Eles são apontados por Deus como homens que maquinam perversidade e dão mau conselho na cidade, sustentando a falsa ideia de segurança e incentivando caminhos contrários à vontade do Senhor.

O que significa a expressão “esta cidade é o caldeirão, e nós a carne”?

A metáfora do “caldeirão” e da “carne” é uma figura de linguagem usada pelos líderes de Jerusalém para expressar uma falsa segurança. Eles pareciam dizer que Jerusalém era como um caldeirão protetor, dentro do qual estariam a salvo, enquanto o perigo ameaçava outros. Deus, porém, inverte essa imagem: os mortos na cidade é que são a carne, e Ele tirará os líderes desse suposto “caldeirão”, expondo-os à espada e ao juízo nas fronteiras de Israel. A expressão, portanto, denuncia uma teologia ilusória de proteção automática ligada ao lugar, que Deus desmascara.

Por que a morte de Pelatias em Ezequiel 11.13 é importante na narrativa?

A morte de Pelatias, ocorrendo enquanto Ezequiel profetiza, serve como um sinal dramático e imediato da seriedade do juízo de Deus sobre a liderança corrupta. O episódio provoca um forte impacto emocional em Ezequiel, que cai com o rosto em terra e clama pelo remanescente de Israel, expressando medo de que o povo seja consumido por completo. Narrativamente, esse acontecimento marca a transição entre o anúncio de juízo sobre os líderes e a mensagem de consolo para o remanescente exilado que vem em seguida.

O que significa Deus ser um “pequeno santuário” para os exilados (Ezequiel 11.16)?

Quando Deus diz que será um “pequeno santuário” para os exilados, Ele afirma que sua presença e seu cuidado não estão limitados ao templo de Jerusalém. Mesmo longe da terra, em meio aos gentios, Ele continua sendo o lugar de encontro, proteção e adoração do seu povo. A expressão “pequeno santuário” destaca o cuidado especial e próximo de Deus com o remanescente, como se, em escala menor e mais íntima, Ele reproduzisse para eles a realidade do templo, assegurando que a comunhão com Ele continua possível no exílio.

Como entender a promessa de um coração de carne e um espírito novo em Ezequiel 11.19-20?

A promessa de Deus de dar um só coração, retirar o coração de pedra e conceder um coração de carne, juntamente com um espírito novo, aponta para uma transformação interior profunda realizada por Ele mesmo no seu povo. Um coração de pedra simboliza dureza, insensibilidade espiritual e resistência à vontade de Deus; um coração de carne indica sensibilidade, disposição para obedecer e resposta amorosa ao Senhor. O espírito novo está ligado à renovação da motivação e da capacidade de viver segundo os estatutos de Deus. Essa promessa antecipa a realidade da nova aliança, em que Deus escreve sua lei no coração e capacita a obediência por meio de sua própria ação interior.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Ezequiel 11 é um capítulo carregado de emoção: há juízo severo, morte inesperada, deslocamento e medo de perda total. No meio disso, aparece um profeta que cai com o rosto em terra e clama pelo remanescente, mostrando que o sofrimento do povo não passa despercebido. A dor é reconhecida, não minimizada. Há também a experiência de rejeição e exclusão. Os habitantes de Jerusalém dizem ao exilado: “Apartai-vos para longe do Senhor; esta terra nos foi dada em possessão”. A sensação é de ter sido descartado, como se a história com Deus tivesse terminado. Mas justamente ali Deus fala com ternura e firmeza, reafirmando que esses exilados também são casa de Israel e que Ele mesmo será um “pequeno santuário” para eles no meio das nações. Não é a presença no lugar certo que garante a aceitação, é a fidelidade amorosa de Deus que acompanha a caminhada, mesmo em terra estranha. O anúncio de um novo coração e de um espírito novo é profundamente consolador para quem se sente endurecido pelo sofrimento ou pela culpa. Um coração de pedra muitas vezes nasce de tantas feridas acumuladas, de tantas decepções, de tanto cansaço. E nesse cenário, Deus se apresenta como aquele que pode tocar justamente onde ninguém mais alcança, trocando dureza por sensibilidade, frieza por vida, desânimo por novo fôlego. O texto não nega as lágrimas nem o luto, mas mostra que, por trás do aparente abandono, há um Deus que vê, conhece o que sobe ao espírito e prepara um futuro de restauração para o seu povo ferido.

Mind
Mind

Ezequiel 11 articula com clareza o entrelaçamento entre contexto histórico, linguagem simbólica e teologia da aliança. O cenário é anterior à queda definitiva de Jerusalém, mas já sob a sombra do domínio babilônico. A visão do profeta, deslocado da Caldeia para a porta oriental do templo, o coloca frente a frente com a elite dirigente, aqui representada pelos vinte e cinco homens. O texto ressalta os aspectos cognitivos da rebeldia: eles “maquinam perversidade” e “dão mau conselho”, construindo uma interpretação distorcida da realidade político-espiritual (“esta cidade é o caldeirão, e nós a carne”). A resposta divina não apenas contradiz o conteúdo desse discurso, mas revela sua raiz: Deus afirma conhecer o que sobe ao espírito da casa de Israel. Há um desmascaramento da teologia de segurança automática, baseada no espaço sagrado. A inversão da metáfora do caldeirão mostra que a verdadeira linha de juízo não passa por dentro/fora da cidade, mas por fidelidade/infidelidade à aliança. Esse tema é reforçado pela ênfase nos estatutos e juízos de Deus (vv. 12, 20). Do ponto de vista da história da teologia bíblica, os vv. 19-20 são de grande importância. Eles antecipam a promessa da nova aliança, que será desenvolvida mais adiante no próprio livro de Ezequiel (caps. 36–37) e em outros profetas. A noção de um só coração, coração de carne e espírito novo desloca o foco de uma religião centrada em instituições externas para uma fé enraizada em transformação interior, ainda que sem abolir a dimensão comunitária e territorial (a volta à terra é igualmente prometida). A retirada da glória de Deus da cidade (vv. 22-23) conclui um arco literário que começou em capítulos anteriores, onde a glória gradualmente se desloca do Santo dos Santos para a porta do templo. Agora, ela se coloca sobre o monte oriental, possivelmente aludindo ao Monte das Oliveiras. Teologicamente, isso indica que o juízo é inevitável, mas não significa um desaparecimento absoluto da presença de Deus. A visão termina com Ezequiel de volta à Caldeia, como profeta-intérprete para os exilados, mostrando que a revelação sobre Jerusalém é destinada prioritariamente àqueles que, da perspectiva humana, pareciam excluídos da história da salvação.

Life
Life

Ezequiel 11 fala muito sobre responsabilidade em contextos de influência e sobre como ideias erradas podem moldar decisões coletivas desastrosas. Os líderes diante do templo não eram apenas indivíduos mal-intencionados; eram pessoas com poder para definir o tom da vida na cidade, oferecendo conselhos que davam uma sensação de segurança quando, na prática, levavam o povo para mais perto da destruição. Isso dialoga com realidades de hoje, em que discursos de segurança, prosperidade ou autojustificação podem mascarar escolhas injustas e afastadas de Deus. A metáfora do caldeirão mostra como se pode confiar em estruturas – uma organização, uma tradição, um nome religioso, um status – em vez de encarar com honestidade o estado real do coração e das práticas. No cotidiano, isso se traduz em pessoas e comunidades que se consideram protegidas apenas por estarem em determinado grupo ou posição, mas que toleram ou promovem o que Deus condena, especialmente em áreas de justiça, verdade e cuidado com os mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, o capítulo se volta para os que estão marginalizados, os “exilados” de hoje: quem foi afastado, quem perdeu espaço, quem vive longe do lugar que considerava seu. A mensagem de que Deus pode ser um santuário mesmo fora do contexto ideal convida à prática de uma fé resiliente: manter princípios, cultivar comunhão, buscar a Deus mesmo em ambientes hostis ou frágeis. Isso inspira atitudes concretas como organizar pequenos espaços de oração e estudo, manter ética no trabalho mesmo em estruturas corrompidas e não basear identidade espiritual apenas no reconhecimento institucional. Por fim, a promessa de um novo coração e de um espírito novo tem implicações comportamentais claras. Ela sugere que mudanças duradouras de atitude – deixar velhos hábitos, abandonar práticas que desonram a Deus, aprender novos modos de se relacionar – nascem de uma obra interior que Deus realiza, mas que precisa ser acolhida. Na prática, isso envolve abrir mão de justificativas, admitir durezas, permitir que a Palavra confronte motivações e construir, passo a passo, escolhas mais alinhadas com os estatutos e juízos do Senhor em todas as esferas da vida.

Soul
Soul

Ezequiel 11 oferece uma visão profunda da jornada espiritual do povo de Deus entre juízo e esperança. A retirada da glória de Deus de Jerusalém é um dos momentos mais solenes da revelação bíblica, pois simboliza o afastamento da presença manifesta de Deus de um lugar que se tornou infiel. Espiritualmente, isso mostra que não basta estar próximo de símbolos sagrados: sem um coração voltado para Deus, até mesmo o templo pode ser abandonado. Ao mesmo tempo, o capítulo revela um Deus que não abandona seu povo, mesmo quando o disciplina. Ele se apresenta como “pequeno santuário” no exílio, mostrando que a comunhão com Ele não está acorrentada a um edifício, a uma cidade ou a um sistema religioso específico. Isso tem implicações eternas: a verdadeira segurança não está em estruturas visíveis, mas em pertencer a Deus e viver em aliança com Ele. A geografia espiritual se redefine; onde Deus está, ali está o santuário. A promessa de um novo coração e de um espírito novo aponta para a essência da salvação como transformação interior operada por Deus. A dureza do coração humano, resistente e insensível à vontade divina, é confrontada com a ação graciosa de Deus, que substitui o coração de pedra por um coração de carne. Essa imagem antecipa a obra do Espírito Santo, que escreve a lei no coração, capacita a obediência e forma um povo verdadeiramente consagrado. A finalidade é claramente relacional: “eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus”. Do ponto de vista da vida eterna, o capítulo lembra que o juízo de Deus é real e sério, especialmente sobre lideranças e estruturas que distorcem sua vontade. No entanto, também afirma que existe um remanescente, uma comunidade que Deus preserva e restaura, não por mérito, mas por graça. A trajetória do povo – de Jerusalém ao exílio, do exílio à restauração – torna-se um sinal da grande história em que Deus conduz seus filhos da queda à redenção, da dispersão ao ajuntamento final, da dureza à plena comunhão com Ele em sua presença eterna.

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Versículos em Ezequiel 11

Ezequiel 11:1

" Então me levantou o Espírito, e me levou à porta oriental da casa do SENHOR, a qual olha para o oriente; e eis que estavam à entrada da porta vinte e cinco homens; e no meio deles vi a Jaazanias, filho de Azur, e a Pelatias, filho de Benaia, príncipes do povo. "

Ezequiel 11:5

" Caiu, pois, sobre mim o Espírito do Senhor, e disse-me: Fala: Assim diz o Senhor: Assim haveis falado, ó casa de Israel, porque, quanto às coisas que vos sobem ao espírito, eu as conheço. "

Ezequiel 11:7

" Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Vossos mortos, que deitastes no meio dela, esses são a carne e ela é o caldeirão; a vós, porém, vos tirarei do meio dela. "

Ezequiel 11:9

" E vos farei sair do meio dela, e vos entregarei na mão de estrangeiros, e exercerei os meus juízos entre vós. "

Ezequiel 11:11

" Esta cidade não vos servirá de caldeirão, nem vós servireis de carne no meio dela; nos confins de Israel vos julgarei. "

Ezequiel 11:12

" E sabereis que eu sou o Senhor, porque não andastes nos meus estatutos, nem cumpristes os meus juízos; antes fizestes conforme os juízos dos gentios que estão ao redor de vós. "

Ezequiel 11:13

" E aconteceu que, profetizando eu, morreu Pelatias, filho de Benaia; então caí sobre o meu rosto, e clamei com grande voz, e disse: Ah! Senhor DEUS! Porventura darás tu fim ao remanescente de Israel? "

Ezequiel 11:14

" Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "

Ezequiel 11:14 mostra Deus falando novamente ao profeta em meio à crise do exílio. O versículo indica que, mesmo quando tudo parece perdido e as …

Ler análise completa

Ezequiel 11:15

" Filho do homem, teus irmãos, sim, teus irmãos, os homens de teu parentesco, e toda a casa de Israel, todos eles são aqueles a quem os habitantes de Jerusalém disseram: Apartai-vos para longe do Senhor; esta terra nos foi dada em possessão. "

Ezequiel 11:16

" Portanto, dize: Assim diz o Senhor DEUS: Ainda que os lancei para longe entre os gentios, e ainda que os espalhei pelas terras, todavia lhes serei como um pequeno santuário, nas terras para onde forem. "

Ezequiel 11:17

" Portanto, dize: Assim diz o Senhor DEUS: Hei de ajuntar-vos do meio dos povos, e vos recolherei das terras para onde fostes lançados, e vos darei a terra de Israel. "

Ezequiel 11:19

" E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; "

Ezequiel 11:20

" Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus. "

Ezequiel 11:21

" Mas, quanto àqueles cujo coração andar conforme o coração das suas coisas detestáveis, e as suas abominações, farei recair nas suas cabeças o seu caminho, diz o Senhor DEUS. "

Ezequiel 11:22

" Então os querubins elevaram as suas asas, e as rodas os acompanhavam; e a glória do Deus de Israel estava em cima sobre eles. "

Ezequiel 11:24

" Depois o Espírito me levantou, e me levou à Caldéia, para os do cativeiro, em visão, pelo Espírito de Deus; e subiu de sobre mim a visão que eu tinha tido. "

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