Gênesis 24:1
" E veio a mim a palavra do SENHOR, no nono ano, no décimo mês, aos dez do mês, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 24 na sua vida hoje
27 versículos | Almeida Corrigida Fiel
A construção da torre de Babel revela um coração coletivo que deseja “fazer um nome” para si mesmo e evitar a dispersão, em contraste com o mandato divino de encher a terra. O foco não é adorar a Deus, mas construir segurança e fama próprias.
Versículos-chave: 4
O Senhor desce para ver a cidade e a torre, confunde as línguas e dispersa os construtores. Deus limita o avanço de um projeto humano que, embora pareça impressionante, está afastado do seu propósito e poderia levar a um mal maior.
A confusão das línguas em Babel explica a multiplicidade de idiomas e a dispersão de grupos pela terra. A diversidade que surge não é mero acaso histórico, mas consequência de uma ação divina que freia o orgulho coletivo.
Versículos-chave: 9
A genealogia de Sem até Terá não é apenas uma lista de nomes; ela mostra a linha através da qual Deus continuará seu plano redentor, culminando em Abrão. Em meio à dispersão de Babel, Deus preserva uma história específica.
A sucessão de gerações, o destaque para a esterilidade de Sarai e a morte de Harã e Terá lembram que, apesar de longevidades ainda grandes, a vida é limitada e marcada por perdas. A história avança não pela força humana, mas pela ação de Deus em meio à fragilidade.
Gênesis 11 se situa no período pós-dilúvio, quando a humanidade ainda vivia relativamente agrupada e compartilha uma mesma língua. A “terra de Sinar” (v.2) é uma referência à região da Mesopotâmia, que mais tarde será associada à Babilônia. O uso de tijolos queimados e betume (v.3) é típico da construção na Mesopotâmia, onde faltavam pedras naturais abundantes e se utilizavam estruturas de tijolos secos ou cozidos ao forno, com betume como argamassa.
A torre que “toque nos céus” (v.4) ecoa as torres-templos conhecidas como zigurates, comuns na região de Sinar, que combinavam funções religiosas e políticas, simbolizando poder e conexão entre céu e terra. O projeto de Babel representa uma cultura urbana organizada em torno de um grande centro de poder humano.
A genealogia de Sem (v.10-26) liga a linha piedosa do capítulo 10 ao surgimento de Abrão no fim de Gênesis 11. Ur dos caldeus (v.28, 31) era uma importante cidade-estado na região sul da Mesopotâmia, próspera e sofisticada em termos econômicos, culturais e religiosos, mas também marcada por idolatria. Harã (v.31) ficava ao norte, em uma rota comercial importante. Terá desloca sua família de um grande centro urbano idolátrico rumo a Canaã, mas se estabelece provisoriamente em Harã, preparando o cenário para a chamada direta de Deus a Abrão no capítulo seguinte.
O capítulo pode ser dividido em duas grandes seções literárias:
1) A narrativa da torre de Babel (11.1-9) - v.1: Situação inicial – uma só língua e uma só fala em toda a terra. - v.2-4: Projeto humano – migração para Sinar, tecnologia de construção, decisão de erguer cidade e torre para fazer um nome e evitar dispersão. - v.5: Descida divina – o Senhor observa a obra humana. - v.6-7: Deliberação divina – avaliação da unidade humana e decisão de confundir as línguas. - v.8-9: Resultado – dispersão sobre a terra, interrupção da construção e nomeação do lugar como Babel.
2) A genealogia de Sem até Terá e a família de Abrão (11.10-32) - v.10-26: Fórmula genealógica repetitiva (“viveu X tantos anos e gerou Y”) que descreve a linha de Sem até Terá, marcando idades, descendentes e longevidades decrescentes. - v.27-30: Foco narrativo em Terá e seus filhos – Abrão, Naor e Harã, com destaque para Ló e para a esterilidade de Sarai. - v.31-32: Transição geográfica e narrativa – Terá reúne parte da família, sai de Ur dos caldeus em direção a Canaã, mas para em Harã, onde morre, preparando o palco para Gênesis 12.
Literariamente, o capítulo faz uma ponte entre a “história primeva” (Gênesis 1–11) e a “história patriarcal” (Gênesis 12 em diante), encerrando a seção universal e focalizando em uma família pela qual Deus desenvolverá seu plano.
Teologicamente, Gênesis 11 mostra que a unidade humana pode ser tanto bênção quanto ameaça, dependendo de para onde o coração coletivo se volta. Na torre de Babel, a unidade serve ao orgulho e à busca de autonomia em relação a Deus: a humanidade quer alcançar os céus e garantir o próprio futuro, negando o mandado de se espalhar pela terra. Deus intervém, confunde as línguas e dispersa os povos, não por medo, mas para conter um projeto de rebelião organizada.
A confusão de línguas revela que Deus continua soberano sobre a história humana, inclusive sobre culturas, idiomas e fronteiras. A dispersão, que pode parecer apenas juízo, também tem um aspecto de proteção: limita o alcance do mal e impede um totalitarismo espiritual e social.
Ao lado disso, a genealogia de Sem até Terá mostra que, mesmo em meio a julgamentos e dispersões, Deus preserva uma linha pela qual seu propósito de bênção avançará. A menção da esterilidade de Sarai, bem como as mortes e deslocamentos, revela que a história da salvação acontece em contextos marcados por dor e limites humanos. O foco progressivamente se estreita: de toda a humanidade em Babel para uma família específica, da qual Deus chamará Abrão e fará uma aliança que terá impacto em todas as nações. Assim, Gênesis 11 antecipa que Deus responderá à dispersão das nações não apenas com juízo, mas com uma promessa que visa abençoar todos os povos por meio da fé.
Gênesis 11 toca em questões profundas de identidade, controle, medo de dispersão e necessidade de segurança. A construção da torre de Babel nasce de um desejo coletivo de não ser espalhado e de garantir importância própria. Em linguagem emocional, revela o medo de perder lugar, de ser esquecido, de não ter nome. Esse movimento leva a um projeto grandioso, mas desconectado da vontade de Deus, que acaba gerando exatamente o oposto do que se buscava: dispersão e quebra da comunicação.
Psicologicamente, o texto espelha tentações humanas comuns: usar trabalho, sucesso, projetos coletivos ou religiosos como forma de preencher inseguranças internas e buscar controle sobre o futuro. O capítulo lembra que quando a unidade se constrói em cima de orgulho, fuga da vulnerabilidade e recusa a obedecer, há risco de colapso e confusão de relacionamentos.
A genealogia e a história da família de Terá trazem uma dimensão de finitude, luto e frustração: morte de um filho (Harã), mudanças de cidade, sonhos interrompidos (a parada em Harã em vez de chegar a Canaã) e a esterilidade de Sarai. Tudo isso ecoa perdas, expectativas frustradas e a sensação de caminho inacabado. Ainda assim, a narrativa mostra uma história maior em andamento, na qual limites e dores não são o fim, mas parte do cenário onde novos começos surgirão.
Para a saúde emocional, o capítulo oferece dois movimentos importantes: reconhecer os perigos de construir identidade apenas em conquistas externas e, ao mesmo tempo, encontrar consolo na ideia de que a vida pessoal se insere em algo maior que as próprias capacidades e fracassos. Há uma sabedoria em aceitar limites, mudanças e dispersões, confiando que Deus continua escrevendo a história mesmo quando estruturas humanas desmoronam.
Alguns pontos de Gênesis 11 podem acender alertas para quem está emocionalmente fragilizado:
Orgulho coletivo e autopreservação extrema (v.4): a ênfase em “fazer um nome” para si e evitar qualquer risco de dispersão pode ressoar com pessoas que vivem sob forte perfeccionismo, medo intenso de fracasso ou necessidade obsessiva de reconhecimento. Isso pode acentuar culpa indevida se o texto for lido apenas como condenação moral, sem perceber que Deus também está protegendo a humanidade.
Quebra de comunicação (v.7-9): a confusão de línguas pode ser lida, simbolicamente, como ruptura em relacionamentos, brigas familiares ou desentendimentos profundos. Pessoas que sofrem com conflitos podem sentir-se ainda mais angustiadas se interpretarem toda dificuldade de diálogo como juízo direto de Deus sobre elas.
Morte e luto (v.28, 32): a morte de Harã em vida de Terá, e a morte de Terá em Harã, podem ativar lembranças dolorosas em quem passou por perdas recentes ou lutos complicados, especialmente quando a morte pareceu “fora de hora” ou interrompeu planos de vida.
Esterilidade e frustração de sonhos (v.30): a afirmação de que Sarai era estéril pode ser particularmente sensível para casais que enfrentam infertilidade, pessoas que desejam muito ter filhos, ou qualquer um que se sinta “inútil” ou incapaz de realizar seus planos. Se mal trabalhado, esse texto pode acentuar sentimentos de inadequação.
Por causa desses elementos, é importante que a leitura seja acompanhada de sensibilidade pastoral e, quando necessário, apoio profissional em saúde mental. Não é adequado usar o texto para culpabilizar quem enfrenta limitações, perdas ou conflitos. A narrativa indica que Deus continua atuando em meio a luto, esterilidade e dispersão, e não que tais situações sejam sinais simples e diretos de rejeição divina.
Gênesis 11 oferece princípios práticos para a vida cotidiana:
1) Rever motivações em projetos coletivos: antes de se envolver em empreendimentos, ministérios ou metas profissionais, vale discernir se o objetivo principal é servir e obedecer a Deus ou “fazer um nome” para si, garantindo controle absoluto e reconhecimento.
2) Cuidar da forma de usar a unidade e a força do grupo: a história de Babel mostra que quando um grupo se une em torno de orgulho e medo, pode construir estruturas impressionantes, mas destrutivas. Em família, igreja, trabalho ou política, é sábio vigiar discursos que prometem segurança total à custa da humildade e da escuta de Deus.
3) Lidar com limites e frustrações: a menção da esterilidade de Sarai e as mortes na família de Terá lembram que há áreas da vida que escapam ao controle. Reconhecer a própria vulnerabilidade e buscar apoio em comunidade, em vez de tentar compensar com projetos grandiosos, é um passo saudável.
4) Valorizar histórias e gerações: a longa genealogia sugere que a vida não se resume a uma geração. Decisões de hoje influenciam pessoas que talvez nem serão conhecidas pessoalmente. Isso inspira responsabilidade nas escolhas familiares, espirituais e éticas.
5) Acolher mudanças de rota: Terá sai de Ur rumo a Canaã, mas para em Harã. Caminhos podem ser interrompidos, alterados ou adiados. Em vez de viver preso a um ideal rígido, é possível aprender a recomeçar, reorientar planos e perceber novas direções que podem surgir adiante, como acontecerá com Abrão.
6) Cuidar da comunicação nos relacionamentos: a confusão de línguas em Babel lembra o valor de buscar clareza, empatia e escuta ativa ao falar com outras pessoas. Quando a comunicação se quebra, vale investir em reconciliação, pedido de perdão e mediação sábia, em vez de insistir em autoafirmação e defesa de ego.
A torre de Babel, provavelmente semelhante aos zigurates mesopotâmicos, era parte de um projeto de cidade que queria “tocar os céus” e garantir fama e segurança aos construtores. O problema não era apenas a altura da torre, mas a motivação: orgulho, busca de autonomia e recusa ao mandado de Deus de encher a terra. Em vez de se espalhar obedecendo ao Criador, a humanidade decidiu se concentrar e construir uma identidade própria, independente dele.
Deus confundiu as línguas como resposta à tentativa humana de construir um projeto coletivo baseado em orgulho e autossuficiência. A dispersão e a diversidade de línguas atuam como juízo, pois quebram a falsa segurança construída, mas também como proteção, porque limitam o poder de um sistema unificado em rebelião. Assim, Deus impede um mal maior e, ao mesmo tempo, mantém seu propósito de que a terra seja povoada.
A genealogia de Sem até Terá faz a ponte entre a história universal dos capítulos 1–11 e a história específica de Abrão, a partir do capítulo 12. Ela mostra que, apesar da dispersão de Babel, Deus está conduzindo uma linha familiar específica por meio da qual sua promessa de bênção alcançará todas as nações. Cada geração mencionada ajuda a situar Abrão dentro do plano maior de Deus, mostrando continuidade e propósito.
O destaque à esterilidade de Sarai prepara a narrativa para mostrar que o cumprimento da promessa de Deus não dependerá de forças naturais ou capacidade humana. Quando Deus prometer descendência a Abrão, ficará claro que se trata de um ato de graça e poder divinos, não de um simples desenvolvimento biológico esperado. A esterilidade introduz tensão na história, mostrando que o plano de Deus se realiza em meio à fraqueza e à impossibilidade humana.
A expressão de que Deus “desceu” é uma forma humana de falar da atenção e inspeção divina. Não indica que Deus não sabia o que acontecia, mas comunica, de maneira acessível, que o Senhor leva a sério as ações humanas e as avalia. É uma imagem literária que contrasta a pretensão humana de alcançar os céus com o fato de que, diante de Deus, até grandes projetos precisam que Ele se “abaixe” para observá-los.
Em Gênesis 11, aparece uma humanidade com medo de se perder, de ser espalhada, de não ter nome. A torre de Babel nasce desse medo profundo: o receio de desaparecer, de não ser visto, de não ter importância. Em vez de levar esse temor a Deus, as pessoas se agarram a um projeto grandioso, tentando se proteger construindo algo enorme. O resultado é duro: confusão, dificuldade de se entender, dispersão. Muitos corações conhecem essa sensação: relações que se rompem, palavras que já não se encaixam, famílias espalhadas, planos que pareciam firmes e desabam. O texto não romantiza isso, mas mostra que mesmo ali Deus continua presente, olhando, interferindo, limitando o que pode nos destruir ainda mais. A longa lista de nomes depois de Babel traz uma outra face da vida: gente que nasce, cresce, gera filhos, e morre. No meio desses nomes, aparecem dores bem concretas: Harã morre antes do pai, Sarai não consegue ter filhos, uma família sai de uma terra para ir a outra, mas para no meio do caminho. Tem luto, frustração, mudança involuntária. É um retrato muito humano de perdas e recomeços inacabados. Ao olhar para esse capítulo, brota uma mensagem de consolo silencioso: Deus continua escrevendo a história em meio à confusão, à esterilidade, aos caminhos interrompidos. O nome que realmente importa não é o que se constrói com tijolos e betume, mas aquele que Deus conhece, mesmo quando ninguém mais vê. Em meio a idiomas confusos e famílias espalhadas, Ele acompanha gerações, segura histórias frágeis e prepara novos começos onde, humanamente, só parece haver limite. Essa percepção não apaga a dor, mas diz ao coração cansado que a confusão não é o fim da narrativa.
Gênesis 11 é um ponto de transição literária e teológica entre a história primeva (Gênesis 1–11) e a história patriarcal (Gênesis 12–50). A primeira parte (v.1-9) apresenta a narrativa de Babel, que funciona quase como um contraponto ao mandato de Gênesis 1.28 e 9.1 de encher a terra. Em vez de espalhar-se, a humanidade prefere concentrar-se em Sinar, evidenciando uma postura de resistência à ordem divina. O vocabulário técnico de construção (tijolos queimados, betume) e a referência a uma torre que alcança os céus aproximam o texto do contexto mesopotâmico dos zigurates. Porém, o objetivo aqui não é descrever um edifício específico, e sim criticar o projeto humano de autoexaltação: “façamo-nos um nome” e “para que não sejamos espalhados” (v.4). O foco está na motivação e nas implicações teológicas, não nos detalhes arquitetônicos. A linguagem antropomórfica de Deus que “desce” (v.5, 7) é irônica: a construção que deveria tocar o céu é tão pequena diante do Criador que ele “precisa descer” para vê-la. O pronunciamento divino (v.6-7) ressalta o poder da unidade humana, mas também o risco de que, sem restrições, essa unidade se torne instrumento de rebelião coordenada. A confusão de línguas é, ao mesmo tempo, juízo e contenção: fragmenta o poder concentrado e introduz uma limitação que marcará a história das nações. Do versículo 10 em diante, a genealogia de Sem assume um papel estrutural importante. Ela reduz o foco: das nações, para um grupo, depois para um homem – Abrão. As fórmulas genealógicas padronizadas servem para mostrar continuidade e, também, sugerem um declínio nas longevidades, aproximando a humanidade de uma expectativa de vida mais “normal”. A menção à esterilidade de Sarai (v.30) introduz um elemento dramático: a futura promessa de descendência a Abrão será humanamente impossível, o que reforça o tema da graça. Do ponto de vista histórico, Ur dos caldeus e Harã situam a família de Terá no ambiente da Mesopotâmia, com sua cultura urbana e politeísta. Literariamente, a jornada inacabada de Terá em direção a Canaã (v.31-32) prepara o chão para a chamada de Deus em Gênesis 12, indicando que, embora os movimentos humanos sejam importantes, é a palavra divina que realmente conduz o enredo. Assim, Gênesis 11 fecha o arco de “queda após queda” (queda, dilúvio, Babel) e abre espaço para uma nova estratégia de Deus: abençoar todas as famílias da terra por meio de uma aliança com um patriarca específico.
Gênesis 11 coloca na mesa temas bem concretos da vida: medo de perder espaço, desejo de segurança, necessidade de reconhecimento, mudanças de cidade, luto, infertilidade, projetos interrompidos. Tudo isso aparece ali, comprimido em poucos versículos, de forma surpreendentemente próxima da experiência cotidiana. A torre de Babel começa com uma decisão prática: usar tecnologia (tijolos, betume), criar uma cidade forte e uma torre alta. A motivação, porém, denuncia o coração: evitar ser espalhado e construir um nome. Muitas agendas atuais se parecem com isso: busca por estabilidade financeira a qualquer custo, carreira pensada mais para status do que para vocação, igrejas e grupos que correm o risco de se organizar em torno da própria reputação. O texto não condena planejamento, nem trabalho, mas aponta o perigo de levantar estruturas para fugir da vulnerabilidade e da obediência. Quando Deus confunde as línguas, o que desmorona não são apenas paredes, mas relações: gente que não se entende mais, colaboração que vira ruído. Isso traz um alerta prático: em grupos, famílias, empresas ou comunidades de fé, a forma como as decisões são tomadas importa. Projetos baseados em orgulho e medo tendem a colapsar mais cedo ou mais tarde, deixando desentendimentos e dispersão. Por outro lado, projetos que buscam servir, ouvir, respeitar limites e alinhar-se com princípios de justiça e verdade têm mais chance de sustentar boas relações. A genealogia de Sem até Terá, com destaque para Harã, Abrão, Sarai e Ló, ajuda a ver a vida em perspectiva de longo prazo. Decisões de uma geração ecoam na outra: mudança de cidade, alianças familiares, maneiras de lidar com perdas e com a própria fé. A esterilidade de Sarai mostra que nem tudo depende de esforço ou organização. Há áreas nas quais a única postura possível é humildade, cuidado mútuo e abertura a soluções que fogem do controle humano. Na prática, esse capítulo encoraja a revisar prioridades: menos energia em erguer “torres” para provar valor, mais empenho em construir relacionamentos saudáveis, cultivar caráter íntegro e deixar espaço para que Deus conduza caminhos que fogem dos roteiros prontos. Também inspira a honrar a história familiar – com suas marcas boas e ruins – e a tomar decisões hoje que possam abençoar os que virão depois, mesmo que seus nomes nunca sejam conhecidos publicamente.
Em Gênesis 11, a alma humana aparece em busca de altura e controle: uma torre que chega aos céus, uma cidade que garanta identidade, um nome que não se perca. Há um desejo legítimo de pertencimento e significado, mas ele é desviado para uma construção que dispensa a dependência do Criador. Em vez de confiar que Deus dá nome e lugar, a humanidade tenta garantir isso com tijolos. A descida de Deus para ver a obra revela um contraste fundamental: enquanto o olhar humano está voltado para cima, para a própria conquista, o olhar divino se inclina para baixo, avaliando o que essa conquista revela sobre o coração. O juízo não recai apenas sobre a torre, mas sobre uma espiritualidade que procura alcançar o céu por mérito e esforço coletivo, sem escuta nem rendição. A confusão de línguas e a dispersão têm um sabor amargo, mas também um traço de misericórdia. Uma unidade sem Deus pode se tornar prisão espiritual. Ao espalhar povos e multiplicar idiomas, Deus impede um domínio total de uma cultura única sobre a alma humana. A diversidade de línguas, que nasceu como resposta ao orgulho, mais tarde será lugar de encontro, quando o Espírito, em outro momento da história bíblica, falar a muitos povos de uma só vez. Assim, o capítulo insinua que, mesmo em juízo, Deus prepara caminhos de reconciliação. A genealogia de Sem até Terá e a breve descrição da família de Abrão trazem a perspectiva do tempo longo de Deus. Nomes passam, gerações se sucedem, vidas se encerram, sonhos parecem estéreis. Entretanto, por trás dessa sequência aparentemente comum, Deus prepara um chamado específico que moldará a fé de incontáveis pessoas. A esterilidade de Sarai não é apenas um detalhe biográfico; é um lembrete espiritual de que a verdadeira fecundidade nasce da promessa, não da capacidade natural. Para a alma que busca propósito, Gênesis 11 sugere um deslocamento: sair da busca ansiosa por um grande projeto que garanta importância e entrar na história paciente em que Deus chama pelo nome, como fará com Abrão. O texto convida a receber a própria limitação, a aceitar que nem todas as pontas estão amarradas agora, e a confiar que o Criador tece sentido por gerações. Em vez de subir a uma torre para alcançar o céu, o chamado é aprender a viver na terra diante de Deus, esperando que Ele mesmo desça, fale e conduza.
" E veio a mim a palavra do SENHOR, no nono ano, no décimo mês, aos dez do mês, dizendo: "
" Filho do homem, escreve o nome deste dia, deste mesmo dia; porque o rei de babilônia se pôs contra Jerusalém neste mesmo dia. "
" E fala por parábola à casa rebelde, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Põe a panela ao lume, põe-na, e deita-lhe também água dentro. "
" Ajunta nela pedaços, todos os bons pedaços, as coxas e as espáduas; enche-a de ossos escolhidos. "
" Escolhe o melhor do rebanho, e queima também os ossos debaixo dela; faze-a ferver bem, e cozam-se dentro dela os seus ossos. "
" Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Ai da cidade sanguinária, da panela que escuma por dentro, e cuja escuma não saiu dela! Tira dela pedaço por pedaço; não caia sorte sobre ela; "
" Porque o seu sangue está no meio dela, sobre uma penha descalvada o pôs; não o derramou sobre a terra, para o cobrir com pó. "
" Para fazer subir a indignação, para tomar vingança, eu pus o seu sangue numa penha descalvada, para que não fosse coberto. "
" Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Ai da cidade sanguinária! Também eu farei uma grande fogueira. "
" Amontoa muita lenha, acende o fogo, ferve bem a carne, e tempera o caldo, e ardam os ossos. "
" Então a porás vazia sobre as suas brasas, para que ela aqueça, e se queime o seu cobre, e se funda a sua imundícia no meio dela, e se consuma a sua escuma. "
" Ela com mentiras se cansou; e não saiu dela a sua muita escuma; ao fogo irá a sua escuma. "
" Na imundícia está a infâmia, porquanto te purifiquei, e não permaneceste pura; nunca mais serás purificada da tua imundícia, enquanto eu não fizer descansar sobre ti a minha indignação. "
" Eu, o SENHOR, o disse: viva isso, e o farei, não me tornarei atrás, e não pouparei, nem me arrependerei; conforme os teus caminhos, e conforme os teus feitos, te julgarão, diz o Senhor DEUS. "
" E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Filho do homem, eis que, de um golpe tirarei de ti o desejo dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. "
" Geme em silêncio, não faças luto por mortos; ata o teu turbante, e põe nos pés os teus sapatos, e não cubras os teus lábios, e não comas o pão dos homens. "
" E falei ao povo pela manhã, e à tarde morreu minha mulher; e fiz pela manhã como me foi mandado. "
" E o povo me disse: Porventura não nos farás saber o que significam para nós estas coisas que estás fazendo? "
" E eu lhes disse: Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu profanarei o meu santuário, a glória da vossa força, o desejo dos vossos olhos, e o anelo das vossas almas; e vossos filhos e vossas filhas, que deixastes, cairão à espada. "
" E fareis como eu fiz; não vos cobrireis os lábios, e não comereis o pão dos homens. "
" E tereis nas cabeças os vossos turbantes, e os vossos sapatos nos pés; não lamentareis, nem chorareis, mas definhar-vos-eis nas vossas maldades, e gemereis uns com os outros. "
" Assim vos servirá Ezequiel de sinal; conforme tudo quanto ele fez, fareis; quando isso suceder, sabereis que eu sou o Senhor DEUS. "
" E quanto a ti, filho do homem, não sucederá que no dia que eu lhes tirar a sua força, a alegria da sua glória, o desejo dos seus olhos, e o anelo de suas almas, com seus filhos e suas filhas, "
" Nesse dia virá ter contigo aquele que escapar, para te dar notícias pessoalmente? "
" Naquele dia abrir-se-á a tua boca para com aquele que escapar, e falarás, e não mais ficarás mudo; assim virás a ser para eles um sinal, e saberão que eu sou o Senhor. "
Estudo do capítulo por email
Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.