Gênesis 41 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 41 na sua vida hoje

26 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 41?

Em Gênesis 28, Jacó parte de casa rumo a Padã-Arã com a bênção formal de Isaque, que reafirma sobre ele a promessa de Abraão. Esaú reage de forma superficial, tentando agradar aos pais com um novo casamento. Na viagem, Jacó dorme ao relento e tem um sonho marcante: uma escada que liga céu e terra, com anjos subindo e descendo, e o Senhor no topo, que renova as alianças feitas com Abraão e Isaque e promete presença, proteção e retorno à terra. Acordando impressionado, Jacó reconhece aquele lugar como “casa de Deus” e “porta dos céus”, ergue um memorial, unge a pedra e faz um voto de fidelidade e de consagração do dízimo, se Deus o guardar e o fizer voltar em paz.

Temas principais em Gênesis 41

Transmissão da bênção e da promessa de Abraão (versículos 1-5)

Isaque assume conscientemente o papel de herdeiro da promessa e a transmite a Jacó, pedindo que ele escolha uma esposa entre os parentes em Padã-Arã e invocando sobre ele a bênção de multiplicação e posse da terra. A história mostra que a aliança de Deus passa por gerações de forma intencional, dentro da família da fé.

Versículos-chave: 3, 4

Reação de Esaú e religiosidade interesseira (versículos 6-9)

Esaú percebe que as mulheres cananeias desagradam a seus pais e tenta, tardiamente, ajustar sua conduta escolhendo uma mulher da família de Ismael. Sua atitude revela mais uma preocupação em recuperar aprovação humana do que um compromisso profundo com o propósito de Deus.

Versículos-chave: 8, 9

Deus que se revela no exílio e na vulnerabilidade (versículos 10-15)

Jacó, fugindo de casa e dormindo sobre uma pedra, encontra Deus em um lugar comum. O sonho da escada mostra que o céu não está distante; Deus abre acesso, envia seus anjos e se apresenta como o Deus de Abraão e de Isaque, agora também comprometido com Jacó em sua jornada.

Versículos-chave: 12, 15

Presença, proteção e promessa de retorno (versículos 13-15)

O Senhor garante que está com Jacó, que o guardará por onde for e o fará voltar à terra prometida, declarando que não o deixará até cumprir tudo o que falou. Essa promessa une cuidado diário e cumprimento de um plano maior de Deus na história.

Versículos-chave: 14, 15

Resposta de reverência e compromisso (versículos 16-22)

Ao despertar, Jacó reconhece a santidade do lugar, ergue a pedra como coluna consagrada, dá ao lugar o nome de Betel e faz um voto. Sua resposta mistura temor, gratidão e ainda certa imaturidade, mas marca um ponto de virada em sua relação com Deus.

Versículos-chave: 17, 20, 22

Contexto histórico e literario

Gênesis 28 se insere no período patriarcal, quando Abraão, Isaque e Jacó vivem como nômades na terra de Canaã, cerca do segundo milênio a.C. A escolha de esposa dentro do próprio clã, em Padã-Arã (também associado à região de Harã, no norte da Mesopotâmia), era prática importante para preservar a identidade de fé e a linhagem da promessa. Isaque, seguindo o padrão estabelecido quando o servo de Abraão buscou Rebeca, não quer que Jacó se case com mulheres cananeias, associadas a costumes religiosos contrários ao Deus de Abraão.

Esaú, já casado com mulheres hititas, percebe que esses casamentos foram fonte de desgosto para os pais. Ao buscar uma mulher entre os descendentes de Ismael, filho de Abraão, ele tenta se alinhar à família, mas sem compreender plenamente o caminho específico da promessa.

Jacó parte de Berseba, uma importante localidade no sul de Canaã, e ruma a Harã, região onde Abraão havia vivido antes de ir para Canaã. No caminho, ele para em um lugar que receberá o nome de Betel (“casa de Deus”), provável ponto de culto cananeu anterior (Luz), agora ressignificado como marco da revelação do Senhor. A prática de erigir uma coluna de pedra (maṣṣebah) e ungi-la com óleo faz parte de gestos de consagração e memorial comuns no Antigo Oriente Próximo. O voto de Jacó inclui promessas de fidelidade e devolução do dízimo, refletindo a ideia de que tudo o que ele vier a possuir pertence, em última instância, a Deus.

Estrutura de Gênesis 41

O capítulo apresenta uma narrativa contínua, mas pode ser organizado em blocos:

1) Despedida e bênção de Isaque (28.1-5) - Isaque chama Jacó, abençoa-o e o orienta a não tomar esposa entre as filhas de Canaã. - Envia Jacó a Padã-Arã, para a casa de Betuel e de Labão. - Invoca sobre Jacó a bênção de Deus Todo-Poderoso, associando-a à bênção de Abraão: descendência numerosa e posse da terra.

2) Reação de Esaú (28.6-9) - Esaú observa a bênção de Isaque a Jacó e sua obediência aos pais. - Percebe que as filhas de Canaã são más aos olhos de Isaque. - Toma Maalate, filha de Ismael, como esposa adicional, numa tentativa de correção tardia.

3) A viagem de Jacó e o sonho em Betel (28.10-15) - Jacó parte de Berseba e vai a Harã. - Ao anoitecer, para em um lugar, usa uma pedra como travesseiro e dorme. - No sonho, vê uma escada que liga terra e céu, com anjos de Deus subindo e descendo. - O Senhor se apresenta, renova as promessas de terra e descendência, e assegura presença constante, proteção e retorno.

4) A reação de Jacó e seu voto (28.16-22) - Jacó acorda impressionado, reconhecendo a presença de Deus naquele lugar. - Expressa temor reverente e identifica o lugar como casa de Deus e porta dos céus. - Ergue a pedra em forma de coluna, derrama azeite e renomeia o lugar para Betel. - Faz um voto: se Deus o guardar, sustentar e fazê-lo voltar em paz, o Senhor será seu Deus, aquele lugar será casa de Deus e ele dará o dízimo de tudo o que receber.

Significado teológico

Gênesis 28 destaca a fidelidade de Deus em dar continuidade à aliança com Abraão, apesar da fragilidade humana. A bênção de Isaque sobre Jacó não é apenas um ato familiar; é o meio pelo qual Deus leva adiante seu plano de formar um povo e, por meio dele, abençoar todas as famílias da terra (28.14).

O sonho da escada é teologicamente marcante. A imagem da ligação entre céu e terra, com anjos subindo e descendo, mostra que Deus não está isolado em um céu distante. Ele se envolve, envia mensageiros, acompanha a história e sustenta a vida de seu povo. O Senhor se identifica como o Deus de Abraão e Isaque, mas agora fala diretamente com Jacó, incorporando-o pessoalmente à aliança.

A declaração divina em 28.15 une três dimensões: presença (“estou contigo”), proteção (“te guardarei por onde quer que fores”) e propósito (“te farei tornar a esta terra” e “não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado”). Não se trata apenas de consolo individual, mas de garantia de que o plano de Deus para a história será cumprido por meio daquela vida.

A experiência de Jacó em Betel também marca um progresso em sua fé. Ele, que até aqui é retratado mais por sua astúcia e engano, agora é confrontado com a realidade da presença de Deus. Sua reação mistura temor, adoração e um voto que ainda carrega traços de barganha, mas que aponta para um relacionamento em formação. O dízimo prometido por Jacó expressa reconhecimento de que Deus é o verdadeiro dono de tudo, antecipando a ideia de consagração de bens que será depois regulamentada na lei.

Por fim, o capítulo reforça que Deus escolhe agir em meio a contextos imperfeitos: conflitos familiares, decisões apressadas (como as de Esaú) e um patriarca fugindo das consequências de seus atos. Mesmo assim, a aliança é reafirmada, a presença é prometida e um lugar comum se torna “casa de Deus” pelo fato de o Senhor se revelar ali.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo toca temas existenciais profundos: ruptura familiar, sensação de estar sozinho, medo do futuro e, ao mesmo tempo, descoberta de que a vida está sob um cuidado maior. Jacó sai de casa não apenas em viagem, mas em fuga, possivelmente carregando culpa, medo e incerteza. Deus se encontra com ele exatamente nesse cenário vulnerável, transformando uma noite dura em um marco espiritual.

A visão da escada que liga céu e terra funciona como imagem poderosa para a mente e o coração: há conexão entre o mundo visível e o invisível, entre o cotidiano difícil e o cuidado de Deus. A promessa de presença, proteção e retorno dialoga com sentimentos de abandono, ansiedade e desorientação.

A resposta de Jacó, com temor, memorial e voto, mostra um sujeito em processo, aprendendo a se relacionar com Deus, organizando internamente o que acabou de viver. Ele marca o lugar, nomeia a experiência e formula um compromisso. Tudo isso se aproxima de processos terapêuticos de ressignificar lugares de dor, criar marcos de mudança e reorganizar esperanças.

Em suma, Gênesis 28 oferece imagens e palavras que podem apoiar quem se sente em trânsito, sem chão e sem rumo, lembrando que a vulnerabilidade pode se tornar ponto de encontro com Deus e início de uma nova história.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do texto podem ser mal interpretados em contextos de sofrimento emocional. O voto de Jacó, por exemplo, pode ser lido de forma literalista como um modelo de barganha com Deus: “Se Deus fizer isso, então eu farei aquilo”. Em pessoas já sobrecarregadas por culpa ou perfeccionismo religioso, isso pode reforçar a sensação de que é preciso negociar ou merecer a proteção divina, o que contrasta com o movimento de graça que o próprio texto mostra: Deus fala e promete antes de qualquer voto humano.

A experiência visionária de Jacó também pode ser entendida equivocadamente como padrão obrigatório de espiritualidade, criando frustração em quem não vive momentos “extraordinários” de fé. Há risco de se gerar comparação doentia ou sensação de inferioridade espiritual.

Além disso, a história se desenrola em meio a conflitos familiares graves, que não são resolvidos imediatamente. Uma leitura ingênua poderia esperar que um encontro marcante com Deus eliminasse de forma mágica todas as tensões e dores. Em contextos terapêuticos, é importante ressaltar que o processo de reconciliação, amadurecimento e cura é longo, e que a presença de Deus não anula a necessidade de lidar com consequências, buscar ajuda e tomar decisões responsáveis.

Por fim, a prática do dízimo aqui é espontânea e ligada ao reconhecimento da fidelidade de Deus. Em pessoas com histórico de abuso espiritual ou financeiro, é fundamental evitar leituras que associem diretamente dízimo a garantias de proteção ou prosperidade, o que alimenta medos e expectativas irreais.

Aplicação prática para hoje

Gênesis 28 sugere diversos princípios práticos para a vida diária:

1) Cuidado com escolhas relacionais Isaque insiste que Jacó não se una às filhas de Canaã, apontando para a importância de vínculos profundos com pessoas que caminham na mesma direção de fé. A vida afetiva e os relacionamentos próximos influenciam fortemente o rumo espiritual e ético.

2) Reconhecimento da presença de Deus em lugares comuns Jacó descobre que Deus estava naquele lugar e ele não sabia. Situações aparentemente banais ou difíceis – uma noite de viagem, um chão duro, uma pedra por travesseiro – podem se tornar momentos significativos de encontro com o cuidado divino. A atenção e a abertura interior ajudam a perceber essa presença.

3) Construção de memoriais saudáveis Ao erguer a pedra e derramar azeite, Jacó registra fisicamente o que viveu. Na prática, isso se aproxima de hábitos como anotar experiências marcantes, registrar agradecimentos, celebrar datas e lugares que lembram o cuidado de Deus. Esses marcos ajudam a sustentar a fé em tempos posteriores de incerteza.

4) Viver entre promessa e processo Deus promete a Jacó proteção, presença e retorno, mas a jornada ainda será longa, com desafios e conflitos. A vida de fé, muitas vezes, se desenrola nesse intervalo: caminhando em direção a um futuro prometido, mas lidando com o cansaço e as tensões do presente. Isso incentiva a perseverança e a confiança, mesmo quando as circunstâncias ainda não mudaram.

5) Consciência de mordomia O voto de Jacó, incluindo o dízimo de tudo que receber, aponta para uma postura de reconhecer que bens, oportunidades e vida vêm de Deus. Na prática, isso se traduz em generosidade, responsabilidade com recursos materiais e disposição em consagrar o que se possui ao bem e à justiça, não apenas ao benefício próprio.

6) Diferenciar aprovação humana de compromisso com Deus Esaú tenta ajustar sua conduta para agradar aos pais, mas o texto sugere que a raiz do problema não é apenas com quem ele se casa, e sim o coração diante de Deus. Isso lembra a importância de decisões que vão além de buscar aprovação de família, igreja ou sociedade, e brotam de um compromisso interno com a vontade do Senhor.

Perguntas frequentes

O que significa a escada que Jacó viu em seu sonho?

A escada (ou rampa) que Jacó viu ligando terra e céu, com anjos subindo e descendo, simboliza a ligação entre Deus e a humanidade. Em um contexto em que os deuses das nações pareciam distantes, essa visão mostra um Deus que se aproxima, que envia mensageiros, que age na história. A imagem quebra a ideia de separação absoluta entre o céu e a vida diária; o lugar comum onde Jacó dorme se torna ponto de encontro com o Senhor. Em outras partes da Bíblia, essa ideia de ligação entre céu e terra é aprofundada, apontando para a forma como Deus abre acesso a si mesmo e acompanha seu povo.

Por que Isaque não queria que Jacó se casasse com mulheres de Canaã?

Isaque segue o padrão de Abraão, que não queria que Isaque se casasse com mulheres cananeias. As mulheres de Canaã estavam ligadas a práticas religiosas e valores contrários ao Deus de Abraão, o que poderia desviar o coração da família da promessa. Ao enviar Jacó para Padã-Arã, à casa de Betuel e Labão, Isaque busca preservar a identidade de fé e o caminho específico pelo qual Deus havia decidido abençoar as nações por meio da descendência de Abraão.

O voto de Jacó significa que ele estava tentando barganhar com Deus?

O voto de Jacó contém elementos que podem soar como barganha, pois ele diz “se Deus for comigo, e me guardar... então o Senhor me será por Deus”. Isso mostra que sua fé está em formação, misturando confiança e insegurança. No entanto, é importante notar que o voto vem depois da iniciativa de Deus: o Senhor já havia prometido presença, proteção e retorno antes de qualquer condição. O texto destaca mais o começo de um relacionamento pessoal de Jacó com Deus do que um modelo ideal de oração condicional. A Bíblia, em outros textos, convida à confiança na graça de Deus, não a uma relação baseada em trocas.

O que é Betel e por que Jacó muda o nome do lugar?

Betel significa “casa de Deus”. A cidade antes se chamava Luz, mas, após o sonho e a revelação divina, Jacó renomeia o lugar para marcar espiritualmente o que aconteceu ali. Ao reconhecer aquele local como casa de Deus e porta dos céus, ele transforma um ponto qualquer da viagem em marco de encontro com o Senhor. Dar nome novo a um lugar é uma forma de ressignificar a memória; Betel passa a ser lembrada como espaço de promessa, presença e início de um novo caminho na vida de Jacó.

Por que Jacó promete dar o dízimo de tudo o que receber?

Ao prometer o dízimo, Jacó expressa que reconhece Deus como fonte de tudo o que vier a possuir. O dízimo funciona como sinal concreto de que sua vida e seus bens pertencem, em última instância, ao Senhor. É um gesto de gratidão e de consagração, não apenas uma obrigação. É importante lembrar que, nesse ponto da narrativa bíblica, o dízimo ainda não é uma lei formal para todo o povo, mas uma resposta voluntária de alguém que percebe que sua história está nas mãos de Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 28 mostra Jacó em um momento de travessia: ele sai de casa com medo, com a família quebrada, sem saber como será o futuro. De noite, sozinho e cansado, ele dorme com a cabeça sobre uma pedra. O cenário é duro, frio e inseguro. É justamente aí que Deus se aproxima de forma profunda. A imagem da escada que toca o céu diz muito ao coração ferido. Não é Jacó que sobe até Deus; é Deus que abre um caminho, envia anjos, fala, promete. Em meio à culpa, à saudade e à incerteza, a iniciativa é do Senhor. Ele não espera que a vida de Jacó esteja arrumada para então se revelar. Ele vem no meio da fuga, no susto, no chão de pedra. As palavras divinas são cheias de cuidado: “estou contigo”, “te guardarei”, “te farei tornar”, “não te deixarei”. Não minimizam a realidade difícil, mas colocam sobre ela um abraço maior. O Deus que fala com Jacó conhece sua história, suas falhas e medos, e mesmo assim decide caminhar com ele. A reação de Jacó também é humana: ele sente medo, fica impressionado, percebe que Deus estava ali e ele não sabia. Isso lembra que muitas vezes, depois de passar por situações pesadas, a pessoa só percebe depois: “Deus estava comigo e eu não tinha notado”. A fé amadurece aos poucos, entre descobertas e respostas ainda imperfeitas. O gesto de erguer a pedra como coluna e derramar azeite é quase como guardar uma lembrança em um lugar especial. Jacó precisa de um sinal visível para se lembrar daquele encontro. Isso fala à necessidade de ter memórias de esperança em meio às dores, de marcar dentro de si que, mesmo no chão duro da vida, houve um dia em que algo do céu tocou a terra. Esse capítulo mostra que a jornada de quem sofre não é descartada por Deus. Ao contrário, muitas vezes é na estrada, cansada e cheia de incertezas, que o coração começa a descobrir que nunca esteve completamente sozinho.

Mind
Mente

Do ponto de vista da leitura atenta, Gênesis 28 é um elo importante entre as narrativas de Isaac e Jacó e o futuro de Israel como povo. A estrutura do capítulo une três movimentos: a transmissão da bênção patriarcal, a reação de Esaú e a teofania em Betel. O envio de Jacó a Padã-Arã ecoa o relato de Gênesis 24, quando Abraão envia seu servo para buscar esposa a Isaque. A insistência de Isaque para que Jacó não tome mulher das filhas de Canaã não é mero preconceito étnico, mas preocupação com a identidade espiritual da família portadora da promessa. O uso do título “Deus Todo-Poderoso” (El Shaddai) em 28.3 remete a Gênesis 17.1, reforçando a continuidade da aliança de Abraão. Os vv. 6–9 funcionam como comentário narrativo sobre Esaú: ele observa os fatos, mas não capta plenamente o sentido da eleição. Seu casamento com uma filha de Ismael é tentativa de correção formal, sem indicação de mudança de coração. A menção a Ismael e a Maalate também amarra literariamente as diversas linhas da descendência de Abraão. O centro teológico do capítulo está no sonho da escada. A palavra hebraica sugere algo como uma rampa ou zigurate, estrutura conhecida na cultura mesopotâmica, o que contextualiza a imagem no Antigo Oriente Próximo. Ao contrário dos zigurates humanos que tentam alcançar o céu (como em Babel, Gn 11), aqui é Deus quem estabelece o caminho e quem fala de cima. O movimento dos anjos subindo e descendo marca uma comunicação constante entre o domínio divino e o humano. O discurso divino em 28.13–15 retoma as três promessas fundamentais: terra, descendência e bênção universal. A expressão “como o pó da terra” intensifica a ideia de multiplicação. A inclusão de todas as direções geográficas (ocidente, oriente, norte, sul) sugere o alcance amplo da promessa. A cláusula “em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” reforça o caráter missionário da eleição de Jacó. Jacó, por sua vez, passa de alguém que se beneficia da bênção do pai para alguém que se encontra diretamente com o Deus da aliança. A fórmula “o Senhor me será por Deus” indica a personalização da fé, ainda que expressa em forma condicional. O voto em si não é apresentado como modelo normativo, mas como registro honesto do estágio de maturidade espiritual de Jacó. A nomeação do lugar como Betel e o uso da coluna de pedra (maṣṣebah) e do óleo se alinham a práticas cultuais antigas, mas aqui recebem novo conteúdo: o culto não é dirigido a uma divindade local e sim ao Deus que se revela por iniciativa própria. O capítulo, assim, prepara o leitor para a importância posterior de Betel na história de Israel e para a centralidade da experiência de Jacó na identidade do povo que leva seu nome.

Soul
Alma

Gênesis 28 é um retrato de encontro vocacional e espiritual. Jacó sai de casa levando, na bagagem, a bênção e também as marcas de engano e conflito. Ele ainda não parece compreender plenamente o que significa ser herdeiro da promessa de Abraão. É na solidão da viagem que Deus o encontra e lhe mostra que sua história faz parte de algo muito maior. A escada que liga céu e terra, com anjos em movimento, é uma imagem de mediação: há um caminho aberto entre o mundo de Deus e o mundo humano. Jacó não sobe por mérito ou esforço; ele apenas contempla. O chamado de Deus começa com revelação e graça, não com desempenho. A palavra que o Senhor dirige a ele não é apenas de consolo, mas de identidade e missão: a terra, a descendência, a bênção para todas as famílias da terra. A promessa “não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” é chave espiritual. Ela indica que o propósito de Deus sobre a vida de uma pessoa não depende apenas da constância dela, mas da fidelidade divina. Jacó ainda oscila, ainda formula votos condicionais, mas Deus se compromete a conduzir o processo até o fim. O desenvolvimento espiritual é uma caminhada longa, na qual Deus vai formando, quebrando, curando e ensinando. Ao despertar, Jacó reconhece: “Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia”. Essa frase reflete uma descoberta fundamental: Deus já estava presente antes de ser percebido. A vida espiritual, muitas vezes, é justamente aprender a dar nome à presença que já nos acompanha. O “lugar” de Betel pode ser lido como símbolo de qualquer ponto da nossa história em que, de repente, se percebe que o comum era sagrado. O voto de Jacó, incluindo o reconhecimento do Senhor como seu Deus e o compromisso com o dízimo, expressa uma resposta inicial de consagração. Ele começa a alinhar sua vida material, seu futuro e sua identidade a essa revelação. Embora ainda imaturo, esse gesto aponta para um princípio espiritual: encontrar-se com Deus reorganiza prioridades, afetos e projetos. A partir daqui, a trajetória de Jacó não será linear nem perfeita, mas Betel permanece como referência. Espiritualmente, isso lembra que o caminho com Deus é feito de marcos: momentos em que a voz do Senhor reorienta a direção, afirma um chamado, revela uma promessa. A alma é convidada a lembrar esses marcos, a voltar a eles em oração e a deixar que a certeza da aliança — “estou contigo” — dê forma ao modo como se encara a jornada, a vocação e a eternidade.

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Versículos em Gênesis 41

Gênesis 41:1

" Então me levou ao templo, e mediu os pilares, seis côvados de largura de um lado, e seis côvados de largura do outro, que era a largura da tenda. "

Gênesis 41:2

" E a largura da entrada, dez côvados; e os lados da entrada, cinco côvados de um lado e cinco côvados do outro; também mediu o seu comprimento, de quarenta côvados, e a largura, de vinte côvados. "

Gênesis 41:3

" E entrou no interior, e mediu o pilar da entrada, dois côvados, e a entrada, seis côvados, e a largura da entrada, sete côvados. "

Gênesis 41:4

" Também mediu o seu comprimento, vinte côvados, e a largura, vinte côvados, diante do templo, e disse-me: Este é o Santo dos Santos. "

Gênesis 41:5

" E mediu a parede da casa, seis côvados, e a largura das câmaras laterais, quatro côvados, por todo o redor da casa. "

Gênesis 41:6

" E as câmaras laterais, estavam em três andares, câmara sobre câmara, trinta em cada andar, e elas entravam na parede que tocava na casa pelas câmaras laterais em redor, para prenderem nela, e não travavam na parede da casa. "

Gênesis 41:7

" E havia maior largura nas câmaras laterais superiores, porque o caracol da casa ia subindo muito alto por todo o redor da casa, por isso que a casa tinha mais largura para cima; e assim da câmara baixa se subia à mais alta pelo meio. "

Gênesis 41:8

" E olhei para a altura da casa ao redor; e eram os fundamentos das câmaras laterais da medida de uma cana inteira, seis côvados grandes. "

Gênesis 41:9

" A grossura da parede das câmaras laterais de fora era de cinco côvados; e o que foi deixado vazio era o lugar das câmaras laterais, que estavam por dentro. "

Gênesis 41:11

" E as entradas das câmaras laterais estavam voltadas para o lugar vazio; uma entrada para o caminho do norte, e outra entrada para o do sul; e a largura do lugar vazio era de cinco côvados em redor. "

Gênesis 41:12

" Era também o edifício que estava diante do lugar separado, do lado do ocidente, da largura de setenta côvados; e a parede do edifício de cinco côvados de largura em redor, e o seu comprimento era de noventa côvados. "

Gênesis 41:13

" Assim mediu a casa, do comprimento de cem côvados, como também o lugar separado, e o edifício, e as suas paredes, cem côvados de comprimento. "

Gênesis 41:15

" Também mediu o comprimento do edifício, diante do lugar separado, que estava por detrás, e as suas galerias de uma e de outra parte, cem côvados, com o templo de dentro e os vestíbulos do átrio. "

Gênesis 41:16

" Os umbrais e as janelas estreitas, e as galerias em redor nos três andares, defronte do umbral, estavam cobertas de madeira em redor; e isto desde o chão até às janelas; e as janelas estavam cobertas. "

Gênesis 41:17

" No espaço em cima da porta, e até na casa, no seu interior e na parte de fora, e até toda a parede em redor, por dentro e por fora, tudo por medida. "

Gênesis 41:18

" E foi feito com querubins e palmeiras, de maneira que cada palmeira estava entre querubim e querubim, e cada querubim tinha dois rostos, "

Gênesis 41:19

" A saber: um rosto de homem olhava para a palmeira de um lado, e um rosto de leãozinho para a palmeira do outro lado; assim foi feito por toda a casa em redor. "

Gênesis 41:20

" Desde o chão até acima da entrada estavam feitos os querubins e as palmeiras, como também pela parede do templo. "

Gênesis 41:21

" As ombreiras do templo eram quadradas e, no tocante à frente do santuário, a aparência de uma era como a aparência da outra, "

Gênesis 41:22

" O altar de madeira era de três côvados de altura, e o seu comprimento de dois côvados; os seus cantos, o seu comprimento e as suas paredes eram de madeira; e disse-me: Esta é a mesa que está perante a face do Senhor. "

Gênesis 41:25

" E nelas, isto é, nas portas do templo, foram feitos querubins e palmeiras, como estavam feitos nas paredes, e havia uma trave grossa de madeira na frente do vestíbulo por fora. "

Gênesis 41:26

" E havia janelas estreitas, e palmeiras, de um e de outro lado, pelos lados do vestíbulo, como também nas câmaras da casa e nas grossas traves. "

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