Gênesis 29 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 29 na sua vida hoje

21 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Gênesis 29?

Gênesis 16 narra a tentativa de Sarai e Abrão de “ajudar” o cumprimento da promessa de Deus por meio de Agar, a serva egípcia. O plano gera rivalidade, injustiça e sofrimento dentro da casa de Abrão. Agar foge para o deserto, onde o Anjo do Senhor a encontra, a chama pelo nome, a orienta a voltar e lhe promete uma grande descendência por meio de seu filho Ismael. O capítulo termina com o nascimento de Ismael quando Abrão tem 86 anos, preparando o cenário para o desenvolvimento futuro da promessa de Deus.

Temas principais em Gênesis 29

Impatência humana diante da promessa de Deus (versiculos 1-6)

Após anos de espera, Sarai conclui que o Senhor a impediu de ter filhos e tenta resolver o problema com um arranjo culturalmente aceitável, mas espiritualmente desajustado. Abrão concorda, e o resultado é tensão e dor. A narrativa mostra como a impaciência e a tentativa de controlar o cumprimento da promessa geram consequências complexas.

Versiculos-chave: 2, 4

Rivalidade, injustiça e sofrimento familiar (versiculos 4-6)

Quando Agar engravida, passa a desprezar Sarai, e Sarai responde com aflição e dureza. Abrão se omite, deixando o conflito nas mãos de Sarai. A relação entre senhora e serva se deteriora, revelando como decisões tomadas sem discernimento espiritual podem destruir a paz em casa.

Versiculos-chave: 5, 6

Deus que vê e ouve o aflito (versiculos 7-14)

Agar, grávida, estrangeira e oprimida, foge para o deserto. Ali, o Anjo do Senhor a encontra, chama seu nome, escuta sua história e lhe dá direção e promessa. Agar reconhece que Deus a vê e ouve sua aflição, dando a ela uma revelação única da atenção divina aos vulneráveis.

Versiculos-chave: 11, 13

Ismael e suas consequências históricas (versiculos 11-16)

O filho de Agar, Ismael, é anunciado como alguém que terá uma descendência numerosa e viverá em conflito com outros. Seu nascimento estabelece uma linhagem real, mas marcada por tensões, que influenciará a história do povo de Deus e de outros povos ao redor.

Versiculos-chave: 12, 15

Graça de Deus mesmo em meio a erros humanos (versiculos 1-16)

Embora a concepção de Ismael esteja ligada à incredulidade e à pressa de Sarai e Abrão, Deus não abandona Agar nem seu filho. Ele transforma uma situação nascida de falhas em ocasião de misericórdia, providência e promessa.

Versiculos-chave: 10, 11

Contexto historico e literario

Gênesis 16 se passa no período patriarcal, quando Abrão já se estabelecera em Canaã por cerca de dez anos (v. 3). Nessa época, era socialmente aceitável e até comum que uma esposa estéril desse sua serva ao marido para gerar filhos considerados da família. Esse costume aparece em códigos legais do antigo Oriente Próximo, onde a serva continuava subordinada à senhora, mesmo após dar à luz.

Agar é apresentada como serva egípcia, provavelmente adquirida no período em que Abrão esteve no Egito (Gênesis 12). Isso evidencia a presença e a vulnerabilidade de estrangeiros em contextos patriarcais. Como escrava, Agar não tinha poder real de decisão sobre seu corpo ou seu destino.

O deserto mencionado, no caminho de Sur (v. 7), aponta para a rota entre Canaã e o Egito, indicando que Agar provavelmente tentava retornar ao seu país de origem. Beer-Laai-Rói (v. 14) torna-se um local geográfico e memorial, ligado à experiência de Agar com Deus. Ismael, o filho prometido a Agar, é descrito como ancestral de um grupo que viveria em constante tensão com outros povos, o que se refletirá mais adiante na narrativa bíblica.

Estrutura de Gênesis 29

O capítulo apresenta uma narrativa contínua, com movimentos bem definidos:

  1. Introdução do problema: esterilidade e proposta de Sarai (v. 1-3)

    • Sarai não consegue ter filhos.
    • Proposta de usar Agar como substituta.
    • Abrão aceita o plano e toma Agar como esposa secundária.
  2. Concepção e conflito na casa de Abrão (v. 4-6)

    • Agar engravida.
    • Agar despreza Sarai.
    • Sarai reclama com Abrão e invoca o juízo do Senhor.
    • Abrão devolve a autoridade a Sarai; Agar é afligida e foge.
  3. Encontro de Agar com o Anjo do Senhor no deserto (v. 7-9)

    • O Anjo do Senhor encontra Agar junto à fonte no deserto.
    • Perguntas sobre sua origem e destino.
    • Ordem para voltar e humilhar-se sob Sarai.
  4. Promessa divina a Agar e anúncio de Ismael (v. 10-12)

    • Promessa de descendência numerosa.
    • Anúncio do nascimento de um filho, com nome e caráter.
    • Descrição profética do modo de vida de Ismael.
  5. Resposta de Agar e nome do lugar sagrado (v. 13-14)

    • Agar reconhece Deus como “Deus que me vê”.
    • O poço recebe o nome Beer-Laai-Rói.
  6. Conclusão: nascimento de Ismael e idade de Abrão (v. 15-16)

    • Agar dá à luz Ismael.
    • Abrão nomeia o filho.
    • Registro da idade de Abrão, situando o acontecimento na cronologia patriarcal.

Significado teologico

Gênesis 16 confronta a tendência humana de tentar garantir por meios próprios aquilo que Deus prometeu realizar. Sarai interpreta sua esterilidade como impedimento definitivo e formula uma solução baseada em práticas culturais, não na confiança plena na promessa divina. Abrão, embora tenha ouvido repetidas promessas de descendência, consente em um caminho alternativo, revelando a fragilidade da fé mesmo em figuras centrais da história bíblica.

A narrativa apresenta também o tratamento de Deus para com os vulneráveis. Agar é mulher, serva, estrangeira e grávida em uma situação de abuso de poder. Mesmo assim, Deus a vê, a procura no deserto e a chama pelo nome. A expressão de Agar, “Tu és Deus que me vê” (v. 13), sublinha a revelação de um Deus pessoal, atento ao sofrimento e à injustiça social. Ismael, ainda que fruto de um plano marcado por incredulidade, não é descartado por Deus, mas é incluído na esfera da promessa de multiplicação.

Teologicamente, o capítulo ajuda a distinguir entre o propósito soberano de Deus e os caminhos humanos paralelos que buscam antecipar ou corrigir a obra divina. A história de Ismael e Agar ilustra como Deus pode agir com graça e promessa mesmo em meio a consequências de escolhas equivocadas, sem invalidar o plano central que será confirmado em Isaac. Ao mesmo tempo, destaca que as decisões tomadas fora da confiança plena no Senhor podem gerar conflitos duradouros na história e na experiência das famílias.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Este capítulo expõe temas de dor emocional, sensação de fracasso, relações de poder injustas e conflitos familiares intensos. Sarai se sente impedida, frustrada e envergonhada por não ter filhos, o que reflete o peso social da infertilidade em seu contexto. Agar, por sua vez, vive a vulnerabilidade de uma serva que é usada, engravida, reage com desprezo e depois sofre retaliação severa, fugindo para o deserto em desespero.

A presença do Anjo do Senhor junto à fonte no deserto funciona como um ponto de reviravolta terapêutica: Agar é vista, ouvida e chamada pelo nome. Sua dor é reconhecida, e ela recebe sentido para sua história e para a vida do filho que carrega. O capítulo sugere que, mesmo quando as relações humanas falham, Deus enxerga a profundidade do sofrimento, acolhe a pessoa ferida e oferece uma narrativa maior na qual essa dor não é ignorada.

Do ponto de vista emocional, Gênesis 16 dá linguagem para sentimentos de rejeição, opressão, medo do futuro e solidão. Ao mesmo tempo, oferece uma imagem forte de cuidado divino no meio do deserto interno e externo, o que pode ajudar pessoas que se sentem invisíveis ou usadas a reconhecer que há um olhar atento e compassivo sobre suas vidas.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos de Gênesis 16 podem ativar memórias dolorosas ou desconfortos intensos:

  • Temas de infertilidade, esterilidade e frustração com expectativas familiares (v. 1-2).
  • Uso de uma serva como solução para a falta de filhos, evocando abuso de poder, objetificação do corpo e ausência de consentimento real (v. 2-3).
  • Relações de humilhação, desprezo, violência emocional e possível violência física contra Agar (v. 4-6).
  • Fuga em situação de vulnerabilidade extrema, associada a sentimentos de desamparo e desespero (v. 6-7).
  • Descrições de conflitos duradouros e vida marcada por hostilidade (v. 12).

Pessoas com histórico de abuso, opressão doméstica, infertilidade, rejeição familiar ou relacionamentos abusivos podem se sentir particularmente sensibilizadas por este texto. Em contextos de cuidado pastoral ou terapêutico, é importante ler e trabalhar esse capítulo com delicadeza, oferecendo espaço para processar emoções despertadas pela narrativa e, se necessário, buscando apoio profissional especializado.

Aplicacao pratica para hoje

Gênesis 16 oferece diversas lições práticas para a vida cotidiana:

  1. Cuidado com decisões tomadas na pressa da dor A tentativa de Sarai e Abrão de resolver a promessa de Deus por conta própria mostra como a dor prolongada pode levar a soluções que parecem práticas, mas trazem consequências profundas. Em situações de frustração, é sábio buscar conselho, oração e reflexão antes de tomar decisões que afetem a família e outras pessoas vulneráveis.

  2. Responsabilidade nas relações de poder A relação entre Sarai e Agar evidencia o risco de usar pessoas mais frágeis como instrumento para objetivos pessoais. No ambiente de trabalho, em casa ou na igreja, a posição de autoridade exige vigilância ética, reconhecimento da dignidade do outro e atenção para não transformar pessoas em meios para fins pessoais.

  3. Importância de não se omitir em conflitos familiares Abrão transfere a responsabilidade do conflito apenas para Sarai (v. 6), o que agrava a situação de Agar. Em conflitos familiares, a omissão e o “lavar as mãos” podem alimentar injustiças. Lideranças familiares são chamadas a intervir com justiça, humildade e cuidado.

  4. Consciência de que Deus vê os invisíveis A experiência de Agar no deserto convida a reconhecer que Deus não ignora os que sofrem à margem: mulheres, estrangeiros, pessoas exploradas ou sem voz. Essa consciência pode inspirar ações concretas de acolhimento, hospitalidade e defesa dos vulneráveis em nossa realidade.

  5. Nomear experiências de encontro com Deus Agar dá um nome a Deus e ao poço ligado à sua experiência (v. 13-14). Na vida prática, lembrar e “dar nome” aos momentos em que se percebeu o cuidado de Deus pode fortalecer a fé em tempos de deserto, ajudando a interpretar o presente à luz da fidelidade divina no passado.

  6. Reconhecer que Deus trabalha apesar dos erros humanos A história de Ismael mostra que, embora decisões equivocadas tenham consequências, elas não impedem Deus de agir com graça. Na prática, isso pode gerar humildade para admitir falhas, buscar reparação quando possível e, ao mesmo tempo, descansar na capacidade de Deus de redimir histórias marcadas por escolhas ruins.

Perguntas frequentes

Por que Sarai deu Agar a Abrão como mulher?

No contexto do antigo Oriente Próximo, era um costume socialmente aceito que uma esposa estéril desse sua serva ao marido para gerar filhos. Esses filhos eram considerados parte da família da senhora. Sarai, sentindo-se impedida de ter filhos e pressionada pela demora no cumprimento da promessa, recorre a esse costume como uma tentativa humana de “ajudar” o plano de Deus. O texto, porém, mostra que essa solução gera rivalidade, sofrimento e complicações, indicando que nem tudo o que é culturalmente permitido está alinhado à vontade de Deus.

Quem é o Anjo do Senhor que aparece a Agar no deserto?

O texto se refere a essa figura como “o anjo do SENHOR” e, ao mesmo tempo, fala como se o próprio Senhor estivesse falando com Agar (v. 10-11). Em várias passagens bíblicas, essa expressão designa uma manifestação especial da presença de Deus, não apenas um anjo comum. Em Gênesis 16, o foco não está em definir exatamente a identidade dessa figura, mas em mostrar que Deus se aproxima pessoalmente de Agar, a encontra em sua fuga e lhe dirige palavras de promessa e cuidado.

Por que Agar é orientada a voltar para Sarai?

A ordem para que Agar volte e se humilhe sob as mãos de Sarai (v. 9) reflete a realidade social da época, em que escravos e servos estavam juridicamente ligados às casas de seus senhores. O texto não apresenta essa situação como ideal, mas como um dado do contexto. Ao mesmo tempo, Deus não apenas manda Agar voltar; Ele a abençoa com uma promessa de descendência numerosa e assegura que sua aflição foi ouvida. A tensão entre a ordem e o sofrimento de Agar convida à leitura cuidadosa, lembrando que o relato descreve o que aconteceu em um mundo caído, sem endossar todas as estruturas sociais envolvidas.

O que significa o nome Ismael e qual a importância disso?

O nome Ismael significa “Deus ouve” ou “Deus ouvirá” (v. 11). Deus manda que Agar dê esse nome ao filho porque “o Senhor ouviu a tua aflição”. Esse nome se torna um memorial permanente de que Deus ouviu o clamor de uma serva fugida no deserto. Assim, a própria identidade de Ismael carrega a mensagem de que o sofrimento de Agar não passou despercebido aos olhos de Deus.

Como entender a descrição de Ismael como um “homem feroz”?

A expressão em Gênesis 16:12 descreve o estilo de vida e o perfil dos descendentes de Ismael: independentes, nômades, frequentemente em conflito com outros povos. A “mão contra todos” e a “mão de todos contra ele” apontam para uma existência marcada por confrontos e tensões. Não se trata apenas de um rótulo moral sobre Ismael, mas de uma descrição profética do tipo de vida que seu povo levaria, vivendo “diante da face de todos os seus irmãos”, isto é, próximo, mas em constante atrito com outros grupos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 16 é um retrato de corações cansados, feridos e confusos. Sarai carrega há anos o peso de não conseguir ter filhos. Em seu mundo, isso significava vergonha, sensação de fracasso e a impressão de que Deus a tinha impedido de viver algo básico da vida. Dessa dor nasce um plano apressado, tentando resolver o que doía, mas que acaba criando novas feridas. Agar entra na história como alguém sem voz: serva, estrangeira, entregue às decisões dos outros. Ela é colocada numa situação em que seu corpo e sua vida são usados para suprir a falta de outra pessoa. Quando finalmente engravida, talvez se sinta valorizada, importante, e isso se mistura com desprezo pela senhora que tanto a controlava. O resultado é uma casa cheia de tensão, mágoa, acusações e omissão. No meio desse caos, Agar foge. Grávida, sozinha, sem apoio, no deserto. A imagem é forte: alguém que não vê mais saída, que prefere se arriscar na solidão e na fome a continuar num ambiente que a machuca. É justamente ali, nesse lugar onde ninguém iria procurá-la, que o Anjo do Senhor a encontra. Ele a chama pelo nome, pergunta de onde vem e para onde vai. Sua história é ouvida. Suas lágrimas não estão invisíveis. Quando Agar chama Deus de “Deus que me vê”, há um alívio profundo: mesmo quando pessoas importantes a usaram, a feriram ou a ignoraram, ela descobre que existe um olhar mais fiel sobre a sua vida. Um olhar que não passa batido pela sua dor, que não a reduz à função de serva ou mãe de alguém, mas que a reconhece como pessoa inteira. A fonte no deserto se torna o símbolo de um Deus que aparece justamente quando tudo parece sem saída. Este capítulo guarda espaço para sentimentos de injustiça, humilhação, ciúme e abandono, mas também para a certeza de que nenhuma dessas coisas é forte o bastante para esconder alguém do cuidado de Deus. Ele vê as histórias que foram distorcidas por escolhas alheias, ou pelas próprias decisões na hora da dor, e entra nelas com uma presença que não acusa, mas que chama pelo nome e promete que aquela vida não é um erro descartável.

Mind
Mente

Gênesis 16 oferece um campo rico para observação exegética e teológica. A narrativa se insere no ciclo das promessas a Abrão, após a aliança e a confirmação da descendência em Gênesis 15. O contraste é evidente: depois de uma revelação direta e solene do Senhor, o casal tenta concretizar a promessa por meio de um arranjo legal apoiado em costumes do entorno cultural. A expressão de Sarai, “o Senhor me tem impedido de dar à luz” (v. 2), reconhece a soberania de Deus sobre a fertilidade, mas a conclusão prática é a busca de um atalho. A fórmula “Abrão ouviu a voz de Sarai” ecoa, para alguns intérpretes, a linguagem de Gênesis 3, sugerindo uma repetição do padrão de ouvir uma voz humana acima da confiança na palavra divina. O narrador, contudo, não faz uma condenação explícita; ele deixa que as consequências falem. O status de Agar como “serva egípcia” (v. 1) é ressaltado. O Egito, já associado ao episódio de Gênesis 12, reaparece aqui como origem de uma personagem cujo destino será entrelaçado à história de Israel. No texto hebraico, a descrição de Ismael em 16:12, como “um homem jumento selvagem” (tradução literal), é uma imagem semítica para um nômade livre, difícil de domesticar, em constante tensão com grupos vizinhos. Não é meramente um insulto, mas um retrato de um tipo de vida e caráter coletivo. A figura do “anjo do SENHOR” merece atenção. No relato, ele fala como o próprio Deus (“Multiplicarei sobremaneira a tua descendência”), e a reação de Agar é dirigida ao Senhor. Isso sugere uma teofania, uma manifestação de Deus sob a forma de mensageiro. O texto também mostra um padrão: Deus toma a iniciativa de encontrar a marginalizada, faz perguntas que revelam sua situação e, em seguida, anuncia promessa e orientação. Do ponto de vista literário, a narrativa é compacta, com economia de detalhes, mas carrega profunda ironia: a tentativa de Sarai de construir uma descendência por meio de Agar não só gera conflito imediato, como funda uma linhagem que viverá em constante tensão “diante da face de todos os seus irmãos”. Ao mesmo tempo, a história de Agar e Ismael prepara o leitor para uma distinção futura entre a descendência da promessa (Isaac) e a descendência segundo um arranjo humano (Ismael), sem que isso signifique que Deus abandona ou despreza esta última. Teologicamente, o capítulo ressalta duas linhas simultâneas: a fidelidade de Deus ao seu plano original por meio de Abrão e Sara, e a misericórdia ativa de Deus em relação àqueles que sofrem nas bordas desse plano, como Agar. Em outras palavras, o texto mantém a primazia da promessa sem que isso se traduza em descaso com quem sofre por causa das falhas humanas dentro da própria casa do patriarca.

Life
Vida

Gênesis 16 coloca a vida real na mesa: promessas que demoram, frustrações familiares, decisões precipitadas, uso de poder, conflitos dentro de casa e gente fugindo de situações insuportáveis. O que acontece na tenda de Abrão não está tão distante de muitos lares hoje. Sarai sente seu valor questionado pela infertilidade. Em vez de lidar com essa dor de forma aberta, conversando mais profundamente com Deus e com Abrão, ela corre para a solução que o contexto oferece: usar Agar como substituta. O plano parece prático, até coerente para a época, mas não considera com seriedade as emoções e a dignidade da serva, nem as consequências futuras. Na prática, a decisão de “resolver logo” cria um triângulo relacional explosivo. Agar, ao engravidar, passa a desprezar Sarai. Quem antes era apenas a senhora distante agora é a mulher que não pôde ter o que Agar carrega no ventre. O texto mostra como feridas de poder e hierarquia podem virar desprezo e competição. Isso acontece em ambientes de trabalho, famílias ampliadas e até igrejas, quando quem se sente oprimido passa, em algum momento, a agir com ironia, arrogância ou revanche. Abrão, por sua vez, se omite no ponto mais delicado: entrega o problema de volta a Sarai e não intervém para proteger Agar, mesmo sendo pai da criança que ela carrega. Há aqui um alerta prático para líderes de família e de comunidades: evitar o conflito pode parecer manutenção da paz, mas muitas vezes é apenas deixar que a injustiça continue. O encontro de Agar com o Anjo do Senhor no deserto também traz implicações para a vida cotidiana. Deus encontra uma mulher em fuga, cansada, grávida, sem planejamento, e não a reduz às escolhas erradas do sistema em que vive. Ele a chama pelo nome, escuta sua história, dá uma orientação dura (voltar) e, ao mesmo tempo, a envolve em uma promessa de futuro. Essa combinação de verdade e cuidado é um modelo de como relações saudáveis podem funcionar: nem omissão, nem dureza fria, mas presença que encara a realidade e, ao mesmo tempo, comunica valor. Na prática, o capítulo incentiva a rever como decisões são tomadas em momentos de espera: se há diálogo honesto, se há espaço para ouvir os mais vulneráveis, se a pressa está conduzindo mais do que a confiança em Deus. Também inspira a prestar atenção em quem está “no deserto” ao redor: pessoas em fuga de lares desestruturados, relações abusivas ou ambientes religiosos opressivos. A forma como Deus trata Agar sugere que, mesmo quando a história começou torta, ainda há possibilidade de cuidado, restauração gradual e um futuro que não é definido apenas pelos erros do passado.

Soul
Alma

Em Gênesis 16, a tensão entre promessa e realidade se torna quase insuportável. Deus havia prometido descendência, mas os anos passam, e o ventre de Sarai continua vazio. Essa demora toca em uma dimensão profunda da fé: como sustentar a confiança quando o tempo de Deus não acompanha o ritmo dos nossos desejos e temores. Sarai interpreta sua esterilidade como um impedimento definitivo: “o Senhor me tem impedido de dar à luz” (v. 2). A partir dessa leitura, ela decide agir segundo os recursos da cultura, não das promessas. A espiritualidade aqui é deslocada: Deus é mencionado, mas não é consultado; sua ação é presumida, mas não buscada. A fé se transforma em uma operação de bastidor, quase como se fosse preciso garantir, com as próprias mãos, aquilo que Deus parece não estar entregando. No deserto, porém, outra dimensão da relação com Deus se revela. Agar, que não recebeu promessas diretas antes, se torna a primeira pessoa na narrativa a atribuir um nome a Deus: “Tu és Deus que me vê” (v. 13). A espiritualidade que brota da dor e da fuga é marcada por surpresa: ela descobre que não estava só, que sua história estava sob o olhar de um Deus que não apenas governa o curso das nações e dos patriarcas, mas se inclina para uma serva grávida e fugida. Essa tensão entre o Deus da grande promessa (para Abrão) e o Deus que vê a pessoa esquecida (para Agar) forma um quadro mais completo da vida espiritual. O Deus que conduz a história da redenção é o mesmo que encontra indivíduos quebrados num caminho secundário no deserto. A fé amadurecida precisa aprender a sustentar essas duas verdades: Deus cumpre seu plano maior e, ao mesmo tempo, não ignora os que se machucam no percurso. Ismael nasce como sinal de uma história complexa. Sua existência não é o cumprimento final da promessa, mas também não é um acidente fora do alcance de Deus. Ele traz em seu nome, “Deus ouve”, um lembrete de que a oração, o clamor e o choro dos pequenos têm lugar na economia divina. O fato de Deus prometê-lo como pai de uma grande descendência mostra que, no horizonte da eternidade, Deus trabalha não só com linhas retas, mas também com linhas que, do nosso ponto de vista, parecem tortas. Do ponto de vista da formação espiritual, Gênesis 16 sugere um caminho: aprender a esperar sem manipular, a lamentar sem abandonar a confiança, a reconhecer que a presença de Deus às vezes se revela de modo mais nítido não na tenda dos patriarcas, mas junto a uma fonte no deserto. A vida com Deus, assim, deixa de ser apenas a busca de um resultado (o filho prometido) e se torna também a descoberta de quem Deus é no meio de caminhos complicados: Aquele que promete, que vê, que ouve e que insere até mesmo histórias marcadas por erros em um propósito maior de graça.

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Versiculos em Gênesis 29

Gênesis 29:3

" Fala, e dize: Assim diz o Senhor DEUS: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, grande dragão, que pousas no meio dos teus rios, e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim. "

Gênesis 29:4

" Mas eu porei anzóis em teus queixos, e farei que os peixes dos teus rios se apeguem às tuas escamas; e tirar-te-ei do meio dos teus rios, e todos os peixes dos teus rios se apegarem às tuas escamas. "

Gênesis 29:5

" E te deixarei no deserto, a ti e a todo o peixe dos teus rios; sobre a face do campo cairás; não serás recolhido nem ajuntado; aos animais da terra e às aves do céu te dei por mantimento. "

Gênesis 29:6

" E saberão todos os moradores do Egito que eu sou o Senhor, porquanto se tornaram um bordão de cana para a casa de Israel. "

Gênesis 29:7

" Tomando-te eles pela mão, te quebraste, e lhes rasgaste todo o ombro; e quando se apoiaram em ti, te quebraste, e lhes fazias tremer todos os seus lombos. "

Gênesis 29:9

" E a terra do Egito se tornará em desolação e deserto; e saberão que eu sou o Senhor, porquanto disse: O rio é meu, e eu o fiz. "

Gênesis 29:10

" Portanto, eis que eu estou contra ti, e contra os teus rios; e tornarei a terra do Egito deserta, em full-version desolação, desde a torre de Syene até aos confins da Etiópia. "

Gênesis 29:12

" Porque tornarei a terra do Egito em desolação no meio das terras desoladas; e as suas cidades entre as cidades desertas se tornarão em desolação por quarenta anos; e espalharei os egípcios entre as nações, e os dispersarei pelas terras. "

Gênesis 29:13

" Porém, assim diz o Senhor DEUS: Ao fim de quarenta anos ajuntarei os egípcios dentre os povos entre os quais foram espalhados. "

Gênesis 29:14

" E removerei o cativeiro dos egípcios, e os farei voltar à terra de Patros, à terra de sua origem; e serão ali um reino humilde; "

Gênesis 29:15

" Mais humilde se fará do que os outros reinos, e nunca mais se exalçará sobre as nações; porque os diminuirei, para que não dominem sobre as nações. "

Gênesis 29:16

" E não será mais a confiança da casa de Israel, para lhes trazer à lembrança a sua iniqüidade, quando olharem para trás deles; antes saberão que eu sou o Senhor DEUS. "

Gênesis 29:17

" E sucedeu que, no ano vinte e sete, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "

Gênesis 29:18

" Filho do homem, Nabucodonosor, rei de babilônia, fez com que o seu exército prestasse um grande serviço contra Tiro; toda a cabeça se tornou calva, e todo o ombro se pelou; e não houve paga de Tiro para ele, nem para o seu exército, pelo serviço que prestou contra ela. "

Gênesis 29:19

" Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu darei a Nabucodonosor, rei de babilônia, a terra do Egito; e levará a sua multidão, e tomará o seu despojo, e roubará a sua presa, e isto será a recompensa para o seu exército. "

Gênesis 29:20

" Como recompensa do seu trabalho, com que serviu contra ela, lhe dei a terra do Egito; porquanto trabalharam por mim, diz o Senhor DEUS. "

Gênesis 29:21

" Naquele dia farei brotar o poder na casa de Israel, e abrirei a tua boca no meio deles; e saberão que eu sou o Senhor. "

Ezequiel 29:21 mostra Deus restaurando a força de Israel e devolvendo voz ao seu profeta. Indica que, depois do sofrimento e do silêncio, Deus levanta …

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Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.