Versículo em destaque

Ezequiel 29:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E sucedeu que, no ano vinte e sete, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "

Ezequiel 29:17

menu_book Versículo no contexto

15 Mais humilde se fará do que os outros reinos, e nunca mais se exalçará sobre as nações; porque os diminuirei, para que não dominem sobre as nações.

16 E não será mais a confiança da casa de Israel, para lhes trazer à lembrança a sua iniqüidade, quando olharem para trás deles; antes saberão que eu sou o Senhor DEUS.

17 E sucedeu que, no ano vinte e sete, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

18 Filho do homem, Nabucodonosor, rei de babilônia, fez com que o seu exército prestasse um grande serviço contra Tiro; toda a cabeça se tornou calva, e todo o ombro se pelou; e não houve paga de Tiro para ele, nem para o seu exército, pelo serviço que prestou contra ela.

19 Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu darei a Nabucodonosor, rei de babilônia, a terra do Egito; e levará a sua multidão, e tomará o seu despojo, e roubará a sua presa, e isto será a recompensa para o seu exército.

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auto_stories Comentário Bible Guided

A data desta profecia é importante. Ela veio no vigésimo sétimo ano do cativeiro de Ezequiel, dezesseis anos depois da profecia anterior neste mesmo capítulo, e quase esse mesmo intervalo antes das profecias que aparecem nos capítulos seguintes. Ela é colocada aqui para explicar tudo o que já fora dito contra o Egito. Depois que Jerusalém foi destruída, Nabucodonosor fez duas ou três campanhas para conquistar os amonitas e os moabitas, e depois passou treze anos cercando Tiro.

Durante todo esse tempo, os egípcios guerreavam contra os cireneus e também brigavam entre si. Isso os enfraqueceu e esgotou muito. Então, no fim do cerco de Tiro, Deus deu a Ezequiel esta profecia. Ela mostrava que a completa destruição do Egito, anunciada quinze ou dezesseis anos antes, agora seria levada a cabo por Nabucodonosor. Essa profecia parece estender-se até o versículo vinte do capítulo seguinte. O Dr. Lightfoot observa que provavelmente é a última profecia de Ezequiel, embora esteja colocada aqui para que todas as profecias contra o Egito fiquem reunidas.

A destruição específica do faraó Hofra, rei do Egito, já havia sido anunciada (Jeremias 44:30). A devastação mais ampla do Egito por Nabucodonosor também já estava profetizada (Jeremias 43:10). Aqui se mostra que êxito Deus daria a Nabucodonosor contra o Egito. Deus lhe entregou aquela terra para que tomasse o seu despojo e a saqueasse (Ezequiel 29:19, Ezequiel 29:20). Seria uma conquista fácil, com pouco derramamento de sangue e pouco gasto. Ao mesmo tempo, seria uma conquista rica, e ele levaria embora muitos bens valiosos.

As divisões internas certamente tornaram o Egito mais fácil de subjugar. Quando um povo gasta suas forças lutando entre si, um inimigo comum logo faz de todos eles sua presa. Quanta miséria traz a luta civil. Jeremias havia dito que Nabucodonosor envolveria a terra do Egito ao redor de si como o pastor veste o seu manto, o que indica quão rica e fácil seria aquela pilhagem.

Deus também tinha um propósito ao dar a Nabucodonosor essa vitória. Ela seria a recompensa pelo duro serviço que ele prestara contra Tiro (Ezequiel 29:18, Ezequiel 29:20). O cerco de Tiro foi longo e custoso. Durou treze anos, e o exército caldeu trabalhou arduamente todo esse tempo para dominá-la. Eles aterram parte do mar entre Tiro e o continente, e enfrentaram muitos outros obstáculos que pareciam impossíveis de superar. Um grande príncipe, uma vez iniciado um empreendimento dessa natureza, muitas vezes se sente preso pela honra a levá-lo até o fim, custe o que custar. Incontáveis vidas já foram desperdiçadas por causa de tais ideias de honra.

Durante aquele cerco, toda cabeça se fez calva e todo ombro ficou em carne viva, de tanto carregar cargas e trabalhar na água. Eles tiveram de lutar ao mesmo tempo contra uma maré forte e contra uma cidade fortemente defendida. O Egito, um grande reino, estava dividido internamente e, por isso, foi fácil de conquistar. Tiro, uma única cidade, estava unida, e por isso foi difícil de subjugar. Nos negócios deste mundo, algumas coisas avançam muito mais facilmente do que outras.

Mesmo assim, naquele serviço árduo, Deus declarou que eles trabalhavam para ele (Ezequiel 29:20). Ele os pôs naquela tarefa para humilhar uma cidade orgulhosa e o seu rei, embora eles não tivessem a intenção de servi-lo. Isso mostra que Deus usa até grandes homens perversos como instrumentos. Eles cumprem o propósito de Deus ao mesmo tempo em que buscam seus próprios planos gananciosos e ambiciosos. Ele governa todas as coisas de forma que tudo redunde em glória para si.

Apesar disso, Nabucodonosor não recebeu paga alguma pelo cerco de Tiro. Ele gastou muito para conquistá-la e, quando afinal a tomou, ficou decepcionado. Tiro havia enviado seus melhores bens por navios para longe, e lançado o restante ao mar, de modo que os conquistadores encontraram apenas paredes nuas. É isso que frequentemente acontece com os filhos deste mundo. Suas maiores expectativas em relação ao mundo quase sempre acabam frustradas.

Então Deus lhe deu o despojo do Egito para compensar o serviço prestado contra Tiro. Deus nunca deixa sem recompensa qualquer serviço feito para ele. De uma forma ou de outra, ele retribui. Ninguém acende fogo em seu altar em vão. Mas o serviço prestado por pessoas mundanas com objetivos mundanos é retribuído apenas com recompensa terrena. Os servos fiéis, que realmente se importam com a vontade e a glória de Deus, não se satisfariam com isso.

Isso ajuda a explicar por que os ímpios muitas vezes prosperam nesta vida. Deus está pagando a eles por algum serviço no qual os utilizou. Eles, de fato, já têm a sua recompensa. Ninguém deve invejá-la. A conquista do Egito é apresentada como o prêmio completo de Nabucodonosor, porque completou o seu domínio, em certo sentido, sobre o mundo conhecido. O Egito foi o último reino que ele subjugou, e quando se tornou seu senhor, ele passou a ser visto como a cabeça de ouro.

Há também aqui misericórdia para a casa de Israel, e ela viria pouco depois. Quando a maré chega ao ponto mais alto, começa a recuar; assim também quando está no ponto mais baixo. Nabucodonosor estava no auge de sua glória quando conquistou o Egito, mas em cerca de um ano enlouqueceu (Daniel 4), permaneceu assim por sete anos e, um ou dois anos depois de restaurado, morreu. No mesmo tempo em que ele estava no ponto mais alto, Israel estava no mais baixo, profundamente no cativeiro, como ossos mortos e sequíssimos. Mas então “o chifre da casa de Israel brotará” (Ezequiel 29:21).

A libertação deles começaria a despontar, e receberiam algum alívio, ainda no cativeiro, por meio da honra concedida a seus príncipes, os chifres da casa de Israel, isto é, o centro de sua força e dignidade. Isso começou a brotar quando Daniel e seus amigos foram elevados a cargos de destaque em Babilônia. Daniel se assentou à porta da cidade, e Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram postos sobre os negócios da província (Daniel 2:49). Todos eles eram da linhagem real e contados entre os príncipes (Daniel 1:3). Isso aconteceu dentro de um ano após a conquista do Egito. Logo depois, três deles foram ainda mais honrados pela forma como Deus os livrou da fornalha ardente. Isso pode ser chamado, com razão, de o brotar do chifre da casa de Israel. Alguns anos depois, a promessa foi ainda mais cumprida quando Jeoaquim, rei de Judá, foi libertado e novamente exaltado (Jeremias 52:31, Jeremias 52:32). Ambos os fatos foram sinais do favor de Deus para com Israel e felizes prenúncios.

Deus também mostraria misericórdia aos seus profetas, pois ele diz: “Eu te darei a abertura da boca”.

Embora nenhuma das profecias posteriores de Ezequiel esteja registrada depois desta, há bons motivos para crer que ele continuou profetizando. É provável que o tenha feito com mais liberdade e coragem quando Daniel e seus companheiros estavam no poder, pois eles estariam prontos para protegê-lo, não só dos babilônios, mas também dos ímpios de sua própria nação.

É um bom sinal para qualquer povo quando Deus concede aos seus ministros maior liberdade, e quando esses ministros são apoiados e encorajados em sua obra.

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