Versículo em destaque
Ezequiel 8:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Sucedeu, pois, no sexto ano, no sexto mês, no quinto dia do mês, estando eu assentado na minha casa, e os anciãos de Judá assentados diante de mim, que ali a mão do Senhor DEUS caiu sobre mim. "
Ezequiel 8:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Sucedeu, pois, no sexto ano, no sexto mês, no quinto dia do mês, estando eu assentado na minha casa, e os anciãos de Judá assentados diante de mim, que ali a mão do Senhor DEUS caiu sobre mim.
2 E olhei, e eis uma semelhança como o aspecto de fogo; desde o aspecto dos seus lombos, e daí para baixo, era fogo; e dos seus lombos e daí para cima como o aspecto de um resplendor como a cor de âmbar.
3 E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava o assento da imagem do ciúmes, que provoca ciúmes.
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Ezequiel estava na Babilônia, mas as advertências que dera nos capítulos anteriores diziam respeito a Jerusalém. Os exilados entendiam que a paz ou aflição deles estava ligada à paz ou aflição daquela cidade; por isso Deus deu a Ezequiel uma visão do que estava acontecendo lá. Essa visão se estende até o fim do capítulo 11.
Essa visão é datada com cuidado. A primeira grande visão de Ezequiel ocorreu no quinto ano do cativeiro, no quarto mês, no quinto dia do mês (Ezequiel 1:1-2). Esta nova visão veio cerca de quatorze meses depois. Pode ter sido depois de ele ter ficado deitado sobre o lado esquerdo por 390 dias, levando a culpa de Israel, e antes de começar os quarenta dias sobre o lado direito, levando a culpa de Judá, pois agora ele está sentado em casa, não deitado. Deus registra cuidadosamente as mensagens que envia, porque em breve cobrará de nós o que fizemos com elas.
O cenário também é importante. Ezequiel estava sentado em sua casa, provavelmente calmo, reflexivo, talvez em profunda oração e meditação. Quanto mais nos afastamos do barulho do mundo e nos voltamos para dentro, diante de Deus, mais aptos ficamos para comunhão com ele. Aqueles que param para ponderar o que já aprenderam são os que recebem mais ensinamento.
É possível que ele estivesse sentado em sua casa pronto para falar ao povo que se reunia em volta dele, esperando que Deus lhe mostrasse o que dizer. Deus concede mais luz àqueles que repartem fielmente a luz que já possuem. Os anciãos de Judá, que estavam exilados com ele, se assentavam diante dele. Provavelmente era um sábado, e talvez se reunissem com ele a cada sábado para ouvir a palavra de Deus e unir-se em oração e louvor. De que outra forma poderiam empregar melhor o sábado, agora que não tinham templo nem sinagoga, nem sacerdote nem altar?
Isso também era uma misericórdia, como os homens piedosos que se ajuntavam ao redor de Eliseu (2 Reis 4:23). Alguns entendem que, nessa ocasião, eles vieram porque queriam buscar ao Senhor por direção e se sentaram aos pés do profeta para ouvi-lo. Quando em Jerusalém a lei já havia desaparecido dos lábios dos sacerdotes, que deveriam conservar a ciência (Ezequiel 7:26), os que estavam na Babilônia ainda tinham um profeta a quem recorrer. Deus não está limitado a um único lugar nem a uma única pessoa.
Esses anciãos no cativeiro parecem ter valorizado mais os profetas de Deus do que o faziam em sua própria terra. Quando Deus leva pessoas ao sofrimento, muitas vezes abre seus ouvidos para a instrução (Jó 36:8, 36:10; Salmo 141:6). Os que antes desprezavam a palavra de Deus no “vale da visão” agora a estimavam, porque a palavra do Senhor se tornara preciosa e a visão aberta era rara. Quando nossos mestres são empurrados para dentro de casas particulares, ainda assim devemos ouvi-los com atenção. A casa de um ministro deve ser como uma igreja para todos os seus vizinhos. Paulo pregou em sua casa alugada em Roma, e Deus o usou ali, e ninguém pôde detê-lo.
Então o profeta sentiu o poder de Deus sobre si: “a mão do Senhor DEUS caiu sobre mim”. A mão de Deus o tomou, por assim dizer, para usá-lo nessa visão, e ao mesmo tempo o fortaleceu para suportá-la. Ezequiel viu então a semelhança de um homem, muito provavelmente a mesma figura gloriosa que já havia visto antes, brilhante da cintura para cima e cheia de fogo da cintura para baixo, como a aparência descrita em (Ezequiel 1:27). É provável que fosse o próprio homem Cristo Jesus.
Os anciãos que estavam com ele podem ter visto uma luz e se enchido de temor, como os homens que estavam com Paulo viram uma luz (Atos 22:9). Eles alcançaram esse privilégio por estarem junto ao profeta naquela reunião íntima, embora não tenham tido uma visão nítida daquele que falava com ele. Em seguida a visão transportou Ezequiel para Jerusalém. A figura que ele via estendeu algo como a forma de uma mão e o tomou por um cacho de cabelos, o que representa o poder do Espírito erguendo-o. O Espírito de Deus é chamado de “dedo de Deus”, e aqui o Espírito dentro de Ezequiel o levantou, de modo que ele foi conduzido por uma força interior, não compelido por algo externo.
Um servo fiel de Deus se move até ao menor sinal da vontade divina, porque seu coração já está inclinado a obedecer (Salmo 27:8). Ezequiel foi elevado entre o céu e a terra, como se pudesse voar com asas de águia. Os anciãos podem ter visto isso também, segundo alguns entendem: primeiro a mão tomando-o pelos cabelos, depois erguendo-o, e depois talvez tornando a colocá-lo, enquanto ele permanecia em êxtase e as visões se sucediam. Se ele estava no corpo ou fora do corpo, não podia afirmar, assim como Paulo em experiência semelhante. Não podemos saber mais do que o próprio profeta soube.
As pessoas ficam mais bem preparadas para comunhão com Deus quando a graça as eleva acima da terra e de seus atrativos. Então, enquanto era erguido em direção ao céu, ele foi levado em visão a Jerusalém, ao santuário de Deus ali. Quem deseja ir ao céu precisa antes trilhar esse caminho no coração. O Espírito tornou a cidade e o templo tão nítidos à mente de Ezequiel como se ele estivesse lá fisicamente. Ah, se pela fé pudéssemos adentrar a Jerusalém celestial, a cidade santa, e contemplar o que não pode ser visto com os olhos!
Ali ele viu a glória de Deus (Ezequiel 8:4), a mesma glória que já havia contemplado, com os seres viventes, as rodas e o trono do capítulo 1. Os servos de Deus, aonde quer que vão, devem manter sempre diante de si a glória dele. Aqueles que já viram o poder e a glória de Deus no santuário devem ansiar por revê-los, como antes (Salmo 63:2). A repetição da visão da glória de Deus em Ezequiel tinha o propósito de dar peso ao que viria a seguir e de o honrar.
Ao mesmo tempo, isso tornava o pecado de Israel ainda mais horrendo. Eles haviam trocado o próprio Deus, o Deus de Israel, que se manifestava em tal glória, por ídolos inúteis, ídolos vergonhosos, deuses falsos, que na verdade não são deuses. Quanto mais claramente enxergamos a glória de Deus, mais feio o pecado se mostra, sobretudo a idolatria, que transforma a verdade em mentira e a glória em vergonha. Essa visão também tornava mais grave a miséria que se aproximava, porque essa glória do Senhor logo se retiraria e deixaria a casa e a cidade vazias (Ezequiel 11:23).
Então Ezequiel viu a vergonha de Israel, a imagem que provocava o ciúme de Deus, colocada ao norte, junto ao portão do altar (Ezequiel 8:3, 5).
Não é certo que imagem era essa, mas provavelmente era uma imagem de Baal, ou o poste-ídolo que Manassés, rei de Judá, fizera e colocara no templo (2 Reis 21:7; 2 Crônicas 33:3). Josias depois o removeu, mas seus sucessores provavelmente o recolocaram, junto com os carros do sol que Josias encontrara à entrada da casa do Senhor (2 Reis 23:11). O texto diz que a imagem estava à entrada, mas Ezequiel não se detém em nomeá-la.
Esse é o ponto. Em vez de satisfazer a curiosidade, ele a chama de “imagem de ciúmes”, porque, fosse qual fosse, ofendia profundamente a Deus e despertava seu santo ciúme. Deus a tratava como um marido trataria a infidelidade da esposa, e certamente a puniria, pois Deus é ciumento e o Senhor é vingador (Naum 1:2).
O simples fato de essa imagem estar na casa do Senhor já bastava para provocá-lo. Em matéria de culto, Deus já havia declarado: “Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso”. O povo a havia colocado à porta do átrio interior, onde o povo se ajuntava, junto ao portão do altar (Ezequiel 8:5). Eles pretendiam afrontar a Deus, erguendo um ídolo como rival para o culto de seu povo, e também induzir as pessoas ao erro, justamente quando vinham trazer ofertas a ele.
Ezequiel certamente ficou chocado e entristecido ao ver isso na casa de Deus. Ele talvez esperasse que os juízos já derramados sobre eles tivessem produzido alguma mudança, mas costuma haver muito mais impiedade no mundo, e até na comunidade de fé, do que os piedosos imaginam. Deus lhe pergunta, em essência, se isso já não é suficiente para mostrar por que ele deveria abandoná-los à ruína.
Poderia alguém esperar que Deus permanecesse junto a um santuário cheio de tais pecados? Eles faziam tudo isso deliberadamente, como se quisessem que ele se retirasse, e assim ele faria. Nesse sentido, eram como os gadarenos, que pediram a Jesus que se afastasse do território deles, e Deus já não honraria nem protegeria seu santuário como antes, mas o entregaria à vergonha e à destruição.
Mesmo assim, isso era apenas o começo. Deus diz a Ezequiel que se volte novamente, e ele ficará espantado ao ver pecados ainda maiores do que estes. Onde se encontra um pecado, em geral outros o acompanham. Os pecados não andam sozinhos.
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Deste capítulo
Ezequiel 8:2
"E olhei, e eis uma semelhança como o aspecto de fogo; desde o aspecto dos seus lombos, e daí para baixo, era fogo; e dos seus lombos e daí para cima como o aspecto de um resplendor como a cor de âmbar."
Ezequiel 8:3
"E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava o assento da imagem do ciúmes, que provoca ciúmes."
Ezequiel 8:4
"E eis que a glória do Deus de Israel estava ali, conforme o aspecto que eu tinha visto no vale."
Ezequiel 8:5
"E disse-me: Filho do homem, levanta agora os teus olhos para o caminho do norte. E levantei os meus olhos para o caminho do norte, e eis que ao norte da porta do altar, estava esta imagem de ciúmes na entrada."
Ezequiel 8:6
"E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Mas ainda tornarás a ver maiores abominações."
Ezequiel 8:7
"E levou-me à porta do átrio; então olhei, e eis que havia um buraco na parede."
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