Gênesis 38:1
" Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 38 na sua vida hoje
23 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O capítulo mostra Abraão chegando ao fim da vida, organizando sua casa e deixando claro que a linhagem da promessa segue por meio de Isaque. Depois de sua morte, a bênção de Deus é explicitamente transferida para Isaque, indicando a continuidade do plano divino apesar da mudança de geração.
A genealogia de Ismael mostra que também dele surgem doze príncipes, cumprindo promessas anteriores. Ao mesmo tempo, Deus revela a Rebeca que duas nações nasceriam de seu ventre, e que o maior serviria ao menor, indicando que a escolha divina não segue os padrões humanos de primogenitura.
Isaque intercede insistentemente por Rebeca, que era estéril, e Deus responde abrindo seu ventre. A nova geração nasce não apenas por meios naturais, mas como resultado direto da ação e da promessa de Deus.
Esaú e Jacó já lutam dentro do ventre de Rebeca, sinalizando um conflito que atravessará toda a história da família. As diferenças de temperamento, afinidades dos pais e disputas por bênção e primogenitura se tornam um eixo importante da narrativa bíblica.
Esaú, dominado pela fome e pelo cansaço, vende sua primogenitura por um simples guisado. A narrativa enfatiza que ele menosprezou algo de grande valor espiritual, trocando um privilégio duradouro por satisfação imediata.
Gênesis 25 se situa no período patriarcal, por volta do segundo milênio antes de Cristo, na região de Canaã e arredores. Abraão, já idoso, vive seus últimos anos após ter recebido e confirmado a aliança com Deus. A menção a Quetura e aos filhos de Abraão com concubinas reflete o contexto cultural em que um patriarca podia ter mais de uma esposa e concubinas, especialmente para ampliar descendência e alianças familiares. A separação desses filhos para o oriente mostra um arranjo típico de herança: o filho da promessa (Isaque) recebe a herança principal e a liderança do clã, enquanto outros recebem presentes e são estabelecidos em outras regiões.
A genealogia de Ismael apresenta doze príncipes, ecoando a promessa anterior de que ele também seria pai de uma grande nação. As localidades mencionadas (Havilá, Sur, Egito, Assíria) situam seus descendentes numa vasta faixa de território árido ao leste e sul de Canaã, refletindo o surgimento de tribos nômades e semi-nômades na região. Já a história de Isaque e Rebeca ocorre em um ambiente de vida pastoral, com tendas, poços (como Beer-Laai-Rói) e práticas de caça e agricultura. O tema da esterilidade e da oração segue o padrão de outras matriarcas em Gênesis, enfatizando que a continuidade do povo de Deus depende da ação direta do Senhor, não apenas de costumes e forças humanas.
O conflito entre Esaú e Jacó antecipa tensões entre povos aparentados (edomitas e israelitas). O direito de primogenitura, que normalmente garantia maior porção da herança e liderança familiar, aparece aqui ligado também à promessa de Deus. Vender a primogenitura por comida mostra o choque entre valores espirituais de longo prazo e necessidades imediatas num contexto em que alimento, caça e sobrevivência eram questões concretas do dia a dia.
Gênesis 25 é estruturado em blocos narrativos e genealógicos bem definidos:
O capítulo alterna entre genealogias (listas estáticas) e cenas narrativas vívidas, criando uma ponte entre o ciclo de Abraão e o de Jacó. O uso de fórmulas (“estas são as gerações”) marca divisões literárias importantes dentro do livro.
Teologicamente, Gênesis 25 reforça que a história da salvação é conduzida pela fidelidade de Deus à sua promessa, mesmo quando as gerações mudam e surgem conflitos internos. A ênfase na herança de Isaque e na bênção que passa para ele após a morte de Abraão mostra que a aliança não morre com o patriarca; ela é sustentada pela iniciativa de Deus.
A genealogia de Ismael lembra que Deus também cumpre o que prometeu em relação a ele, concedendo doze príncipes e território. Ainda assim, o foco da aliança especial permanece na linhagem de Isaque e, adiante, de Jacó. Assim, o capítulo apresenta ao mesmo tempo a amplitude da bênção de Deus, alcançando outros povos, e a particularidade da promessa messiânica.
A experiência de esterilidade de Rebeca e a oração insistente de Isaque revelam que a descendência prometida não é fruto automático de carne e sangue, mas dom da graça. Deus abre o ventre e orienta a história familiar com sua palavra revelada, ao anunciar que o maior serviria ao menor. Essa inversão de expectativas humanas (o mais velho servindo ao mais novo) aponta para a liberdade de Deus em escolher instrumentos para seu plano, sem ficar preso a convenções culturais.
O episódio da venda da primogenitura traz uma dimensão ética e espiritual: Esaú, focado apenas em sua fome momentânea, despreza um privilégio ligado à promessa de Deus. A narrativa critica a superficialidade que troca valores espirituais duradouros por gratificações imediatas. Jacó, embora use um método questionável, valoriza a primogenitura, mostrando que reconhecer o valor da bênção pode coexistir com caráter ainda em formação, que Deus trabalhará ao longo da história.
Ao final, o capítulo ensina que Deus conduz a história por meio de famílias concretas, com suas fragilidades, preferências e conflitos, e que sua vontade soberana prevalece acima de padrões humanos de poder, ordem de nascimento ou merecimento.
Lido em chave terapêutica, Gênesis 25 traz elementos sensíveis sobre envelhecimento, organização do fim da vida, luto, infertilidade, rivalidade entre irmãos e decisões impulsivas em momentos de cansaço extremo.
Abraão é apresentado concluindo seu ciclo de forma organizada: define herança, abençoa, despede filhos, morre “farto de dias” e é sepultado por dois filhos que antes estiveram em tensão (Isaque e Ismael). Isso traz a imagem de uma vida que, mesmo com conflitos, encontra algum tipo de reconciliação no fim. Para quem lida com envelhecimento, medo da morte ou fechamento de ciclos, essa passagem pode evocar a possibilidade de uma despedida com sentido e dignidade.
A esterilidade de Rebeca e a oração insistente de Isaque tocam em frustrações profundas, relacionadas à impossibilidade de gerar, aos sonhos adiados e à dor silenciosa. Essa dor não é ignorada, mas levada a Deus, e a resposta vem no tempo dele. Isso pode confortar quem carrega processos demorados e não vê resultados imediatos.
O conflito dos gêmeos, a diferença de temperamento entre irmãos e as preferências afetivas de pais por um filho ou outro refletem dinâmicas familiares comuns, que muitas vezes deixam marcas emocionais. O texto reconhece a existência de rivalidade, favoritismo e tensão, sem romantizar a família. Isso valida experiências de quem vem de lares com desigualdades afetivas ou comparações constantes.
A atitude de Esaú, vendendo a primogenitura num momento de exaustão e fome, ilumina como necessidades físicas e emocionais intensas podem levar a decisões precipitadas e arrependimentos posteriores. Em termos terapêuticos, chama atenção para a importância de cuidar do cansaço, da fome (em todos os sentidos) e dos limites humanos, porque decisões importantes tomadas sob forte pressão tendem a desconsiderar valores profundos.
O capítulo toca em temas delicados que podem acionar lembranças dolorosas:
Esses pontos, se trabalhados sem sensibilidade, podem intensificar sentimentos de culpa, comparação ou desespero. Uma leitura cuidadosa precisa reconhecer as dores envolvidas e evitar conclusões simplistas do tipo “basta ter fé e tudo se resolve” ou “Deus sempre muda o final da história do mesmo jeito”.
Gênesis 25 oferece vários princípios práticos para a vida cotidiana:
Ao incorporar esses princípios, a vida diária ganha uma perspectiva mais ampla: decisões são vistas não só pelo alívio imediato, mas pelo impacto duradouro, e a fé passa a dialogar com planejamento, autocuidado, relações familiares e responsabilidade diante de Deus.
Quetura é apresentada como outra mulher de Abraão na velhice. Ela gera vários filhos que se tornam antepassados de outros povos ao redor de Israel. A menção a Quetura mostra que Abraão foi pai de muitas nações, como Deus prometera, e explica a origem de grupos que, mais tarde, aparecem ligados à região árabe e ao oriente. Ao mesmo tempo, o texto deixa claro que, apesar de ter outros descendentes, Abraão entrega a herança principal a Isaque, preservando o fio da promessa.
Abraão deu presentes aos filhos das concubinas e os enviou para o oriente enquanto ainda estava vivo, para diferenciá-los de Isaque, o filho da promessa, que receberia tudo o que ele tinha. Esse gesto evitava disputas futuras de herança e consolidava Isaque como herdeiro principal do pacto, sem negar, porém, provisão e futuro aos demais filhos. Culturalmente, era uma forma de organizar a sucessão, garantindo a liderança do clã a um único herdeiro principal.
Deus havia prometido que Ismael também seria pai de uma grande nação. Em Gênesis 25, essa promessa aparece cumprida na lista de seus doze filhos, descritos como doze príncipes com vilas e castelos, espalhados por uma ampla região entre Havilá e Sur, diante do Egito e em direção à Assíria. A genealogia, o número doze e a menção ao território indicam que Ismael se torna de fato ancestral de um conjunto importante de povos, mesmo que a aliança especial siga por meio de Isaque.
Quando Rebeca procura o Senhor por causa da luta em seu ventre, Deus revela que duas nações nasceriam dela e que o maior serviria ao menor. Isso quer dizer que, ao contrário do costume de a primogenitura pertencer ao mais velho, Deus escolhe o mais novo, Jacó, como portador da promessa principal. A profecia não é apenas sobre a relação entre dois irmãos, mas sobre os povos que sairiam deles (edomitas de Esaú e israelitas de Jacó) e aponta para a liberdade de Deus em definir seus caminhos sem se prender às convenções humanas.
Esaú chega do campo cansado e faminto, e dá mais valor à satisfação imediata da fome do que ao direito de primogenitura, que envolvia herança, liderança familiar e a bênção ligada à promessa de Deus. Ao se ver à beira da exaustão, ele menospreza algo de valor duradouro, achando que “para que me servirá a primogenitura?”. O texto mostra essa atitude como um desprezo pela primogenitura, criticando a impulsividade que troca o permanente pelo momentâneo.
O texto não elogia explicitamente a atitude de Jacó. Ele valoriza a primogenitura, o que é positivo, mas o modo como a obtém é esperto, oportunista e explorador da fraqueza do irmão. A Bíblia, ao longo da história de Jacó, mostra que esse tipo de postura trará consequências e que o próprio Jacó passará por um processo de transformação. Assim, o capítulo destaca tanto a falta de discernimento de Esaú quanto o caráter complexo de Jacó, que Deus ainda trabalhará.
Gênesis 25 retrata uma família de fé vivendo fins e começos ao mesmo tempo. De um lado, Abraão, já velho, encerra sua caminhada: põe a casa em ordem, reparte o que tem, despede filhos, e então morre “farto de dias”. Sua história não foi perfeita, mas termina com uma sensação de ciclo completo e, de algum modo, pacificado. Até Isaque e Ismael, antes separados, se unem para sepultá-lo. Isso lembra que, mesmo depois de muitas dores e desencontros, ainda pode haver gestos de honra, reconciliação parcial, despedidas significativas. O capítulo também acolhe dores silenciosas: Rebeca é estéril, como foi Sara. A esterilidade, mais que um dado biológico, é uma ferida na esperança, um confronto com o sentimento de inadequação, de falha. O texto não ignora isso; mostra Isaque orando insistentemente. A resposta de Deus não apaga os anos de espera, mas mostra que o Senhor esteve atento, ainda que em silêncio por muito tempo. Dentro do ventre de Rebeca, há luta. Antes mesmo de nascerem, Esaú e Jacó já trazem conflito. Algumas famílias conhecem de perto esse tipo de história: brigas, comparações, favoritos, tensões que parecem começar “desde sempre”. O texto não romantiza a casa de Abraão. Mostra um pai que prefere um filho, uma mãe que prefere o outro, e dois irmãos muito diferentes, que mais tarde se machucam. Há consolo nisso para quem veio de lares complicados: mesmo famílias usadas por Deus carregam falhas profundas, e ainda assim o Senhor segue escrevendo sua história. A cena de Esaú cansado, faminto, disposto a trocar algo valioso por um prato de comida, toca em um ponto humano: todos têm momentos em que o cansaço e a dor parecem grandes demais. Em situações assim, pode surgir o desejo de jogar tudo para o alto, de abrir mão de valores e sonhos, só para ter algum alívio. O texto não minimiza essa fraqueza, mas a expõe com franqueza. Ele lembra que Deus conhece nosso limite e vê quando as decisões nascem do esgotamento, não de calma e clareza. Por trás de cada versículo, há um fio de cuidado: um Deus que acompanha a velhice, que ouve a oração na esterilidade, que não se assusta com conflitos familiares, e que continua guiando a história mesmo quando as pessoas erram em momentos de fraqueza. Essa presença fiel oferece abrigo para corações cansados que carregam luto, frustrações e marcas de família.
Do ponto de vista da análise bíblica, Gênesis 25 é um capítulo de transição cuidadosamente construído. Ele encerra o ciclo de Abraão, organiza genealogias laterais (especialmente a de Ismael) e abre o ciclo de Isaque e Jacó. A fórmula “estas são as gerações” funciona como marcador literário interno de Gênesis, introduzindo novas seções. Aqui, ela aparece tanto em relação a Ismael (v.12) quanto a Isaque (v.19), mostrando a intenção do autor de organizar a história por linhagens. A menção a Quetura levanta debates: alguns intérpretes a veem como esposa posterior à morte de Sara; outros, possivelmente como concubina anterior cuja genealogia é apresentada agora. De todo modo, a lista de seus filhos tem função etiológica, isto é, explica a origem de povos conhecidos na região oriental. Assim, o texto mostra Abraão como figura ancestral ampla, não limitada a Israel. A herança concedida exclusivamente a Isaque (v.5-6) reforça a teologia da eleição: embora Abraão tenha muitos filhos, o portador da promessa da aliança é um só. Os presentes dados aos filhos das concubinas e seu envio ao oriente preservam a unidade da herança principal e, ao mesmo tempo, reconhecem esses descendentes. A genealogia de Ismael (v.12-18) cumpre a promessa anterior de que ele teria doze príncipes. A estrutura numericamente simétrica (doze) ecoa, em certa medida, a organização futura de Israel, embora aqui com foco em outra linhagem. A referência territorial de Havilá a Sur, diante do Egito e rumo à Assíria, situa os ismaelitas como um povo formado ao longo de rotas caravaneiras e regiões desérticas. A narrativa muda de tom ao entrar nas “gerações de Isaque”. Em v.21, o foco recai sobre a esterilidade de Rebeca, um motivo recorrente em Gênesis (Sara, mais tarde Raquel), que ressalta a dependência da promessa em relação à intervenção divina. A oração de Isaque é descrita com ênfase (“orou insistentemente”), e a resposta de Deus se expressa tanto na concepção quanto na oráculo dado a Rebeca. O oráculo do v.23 é central: “duas nações” no ventre, “dois povos”, um mais forte que o outro, e “o maior servirá ao menor”. Aqui, o texto estabelece uma inversão da norma cultural: o primogênito não será o principal na linha da promessa. Essa inversão reforça a liberdade de Deus na eleição e prepara o leitor para o papel predominante de Jacó em relação a Esaú. As descrições de Esaú (ruivo, peludo, caçador, homem do campo) e Jacó (simples, homem de tendas) traçam perfis contrastantes que se manterão pela narrativa. “Simples” pode ter conotação de íntegro ou de tranquilo, em contraste com o estilo ativo e impulsivo de Esaú. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento posterior mostrará Jacó como alguém capaz de astúcia, o que torna o rótulo mais complexo. Os versículos finais, sobre a venda da primogenitura, formam uma pequena unidade narrativa com forte valor teológico. A repetição do pedido de Esaú, o diálogo sobre a utilidade da primogenitura diante da morte iminente e o juramento criam um quadro em que Esaú aparece como alguém dominado pelo imediato, e Jacó, como alguém que calcula e aproveita a situação. O comentário final (“Assim desprezou Esaú a sua primogenitura”) guia a interpretação do leitor, enfatizando o aspecto moral e espiritual do ato. Em síntese, o capítulo amarra fios genealógicos, reforça a teologia da promessa e da eleição e estabelece o cenário dramático para as narrativas de Jacó, tudo isso por meio de uma combinação de listas e episódios cuidadosamente selecionados.
Gênesis 25 conversa diretamente com decisões, relações familiares e escolhas diárias. Abraão, já idoso, não espera a confusão chegar depois de sua morte: distribui presentes, separa os filhos, organiza a herança e deixa claro quem será o responsável principal pela continuidade da promessa. Há um princípio prático aqui sobre planejamento: quando alguém assume a responsabilidade de organizar o que Deus colocou em suas mãos, evita que os outros fiquem presos a brigas e ressentimentos no futuro. A situação de Rebeca mostra uma realidade comum: projetos importantes que não andam, expectativas legítimas que parecem travadas. O casal não finge que está tudo bem; Isaque ora insistentemente. Perseverança na oração não substitui atitudes responsáveis, mas combate a resignação passiva, aquela que diz “sempre foi assim, sempre será”. A fé aqui não é mágica, é persistente. A casa de Isaque também traz um alerta para os relacionamentos dentro da família. A Bíblia registra sem filtro: “Isaque amava Esaú” e “Rebeca amava Jacó”. Essa divisão afetiva, ainda que talvez sutil no dia a dia, alimenta rivalidades e acentua diferenças. Na prática, pais e cuidadores podem aprender a vigiar preferências, elogios e cobranças, evitando construir rótulos do tipo “o filho responsável” e “o filho problema”, ou “o que dá orgulho” e “o que decepciona”. Pequenos gestos diários de justiça e acolhimento equilibrado fazem diferença. O episódio da primogenitura é um retrato nítido de decisões ruins sob pressão. Esaú volta do campo exausto e faminto. No limite, ele enxerga só a dor da hora, não as consequências. A pergunta “para que me servirá a primogenitura?” mostra alguém pronto a abrir mão de algo maior por um alívio imediato. Isso se traduz em muitas situações atuais: negócios apressados que comprometem o futuro financeiro, envolvimentos afetivos que ferem princípios importantes, concessões éticas para garantir um ganho rápido. Há um aprendizado prático: decisões de alto impacto não devem ser tomadas em estado de grande cansaço, fome, raiva ou desespero. Nessas horas, o melhor passo costuma ser ganhar tempo, descansar, ouvir conselhos, e só então decidir. Também vale prestar atenção ao que tem valor duradouro na vida — fé, caráter, família, chamado — e não vendê-los por vantagens menores. Jacó, por sua vez, valoriza a primogenitura, mas usa uma estratégia manipuladora. Isso mostra que não basta desejar coisas espiritualmente corretas; é preciso cuidar do jeito de buscá-las. A forma como alguém persegue um objetivo (no trabalho, na família, na igreja) importa tanto quanto o objetivo em si. Em termos de rotina, o capítulo encoraja a alinhar a vida com alguns eixos: planejar com responsabilidade, insistir em oração diante de áreas travadas, cultivar justiça e equilíbrio nas relações familiares, e tomar decisões importantes em momentos de maior sobriedade, priorizando o que tem peso eterno sobre o que só sacia a pressa do agora.
Em Gênesis 25, a lente da eternidade atravessa uma sequência de eventos muito humanos: nascimentos, casamentos, conflitos, heranças, morte. A vida de Abraão, descrita como “farto de dias”, sugere mais do que longevidade; indica plenitude, como quem chegou ao fim sabendo que sua história estava nas mãos de Deus. Ele é “congregado ao seu povo”, expressão que aponta para uma comunhão que ultrapassa o túmulo, uma pertença que a morte não destrói. A passagem da bênção para Isaque mostra que a obra de Deus não depende de uma geração específica. Pessoas importantes partem, ciclos se encerram, mas o propósito do Senhor continua, passando de pai para filho, de geração em geração. Isso convida a contemplar a própria vida como parte de uma história maior, em que cada um é chamado a ser fiel no seu tempo, sabendo que Deus seguirá trabalhando depois. A esterilidade de Rebeca e a luta em seu ventre falam de processos internos invisíveis, que só Deus vê completamente. Por fora, talvez a vida pareça parada; por dentro, movimentos espirituais e conflitos profundos estão em curso. Rebeca, inquieta, procura o Senhor, e ele lhe dá uma palavra que interpreta o que ela sente. Na caminhada espiritual, muitas vezes é assim: sensações de conflito, peso, tensão não são apenas problemas a serem eliminados, mas sinais de que algo está sendo formado, dividido, purificado. A busca por Deus nesse lugar de desconforto abre a possibilidade de ouvir o que Ele está fazendo além do que os olhos veem. O oráculo “o maior servirá ao menor” revela um traço constante do agir divino: Deus frequentemente escolhe caminhos que invertem expectativas humanas. Ele exalta o que parece pequeno, usa o improvável, não se limita à lógica das hierarquias naturais. Espiritualmente, isso anima aqueles que se veem como “menores”, sem muitos títulos ou destaques, e, ao mesmo tempo, convida quem ocupa posições de “maior” a viver em humildade, ciente de que diante de Deus não há garantia automática de primazia. A atitude de Esaú, trocando a primogenitura por um guisado, espelha um risco espiritual recorrente: sacrificar realidades eternas por confortos imediatos. Ao desprezar seu direito, ele menospreza não só um privilégio cultural, mas seu lugar na história da promessa. A narrativa funciona como um espelho para escolhas que diluem a identidade em Deus em troca de alívios passageiros. Ela convida a um exame sereno: o que tem peso de eternidade na vida? O que é apenas momentâneo? Onde o coração corre o risco de desvalorizar o que Deus valoriza? Ao mesmo tempo, Jacó, que busca a primogenitura, ainda precisa ser transformado. O texto sugere que Deus chama pessoas em meio à sua ambiguidade, e as vai moldando ao longo dos anos. A vocação espiritual não nasce pronta; ela se desenvolve em um caminho de encontros com Deus, confrontos interiores e renúncias. Vista no conjunto, a narrativa aponta para um Deus que conduz a história por trilhas muitas vezes surpreendentes, mas firmes, guiando vidas frágeis rumo a um destino maior do que elas mesmas. A alma é convidada a descansar nesse pano de fundo: não em uma ausência de conflitos, mas na certeza de que, mesmo entre lutas no ventre, favoritismos na casa e decisões equivocadas, o Senhor segue fiel à sua promessa e ao propósito de conduzir um povo para si.
" Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
" Filho do homem, dirige o teu rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque, e Tubal, e profetiza contra ele. "
" E dize: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal; "
" E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos com primor, grande multidão, com escudo e rodela, manejando todos a espada; "
" Persas, etíopes, e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; "
" Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do extremo norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. "
" Prepara-te, e dispõe-te, tu e todas as multidões do teu povo que se reuniram a ti, e serve-lhes tu de guarda. "
" Depois de muitos dias serás visitado. No fim dos anos virás à terra que se recuperou da espada, e que foi congregada dentre muitos povos, junto aos montes de Israel, que sempre se faziam desertos; mas aquela terra foi tirada dentre as nações, e todas elas habitarão seguramente. "
" Então subirás, virás como uma tempestade, far-te-ás como uma nuvem para cobrir a terra, tu e todas as tuas tropas, e muitos povos contigo. "
" Assim diz o Senhor DEUS: E acontecerá naquele dia que subirão palavras no teu coração, e maquinarás um mau desígnio, "
" E dirás: Subirei contra a terra das aldeias não muradas; virei contra os que estão em repouso, que habitam seguros; todos eles habitam sem muro, e não têm ferrolhos nem portas; "
" A fim de tomar o despojo, e para arrebatar a presa, e tornar a tua mão contra as terras desertas que agora se acham habitadas, e contra o povo que se congregou dentre as nações, o qual adquiriu gado e bens, e habita no meio da terra. "
" Sebá e Dedã, e os mercadores de Társis, e todos os seus leõezinhos te dirão: Vens tu para tomar o despojo? Ajuntaste a tua multidão para arrebatar a tua presa? Para levar a prata e o ouro, para tomar o gado e os bens, para saquear o grande despojo? "
" Portanto, profetiza, ó filho do homem, e dize a Gogue: Assim diz o Senhor DEUS: Porventura não o saberás naquele dia, quando o meu povo Israel habitar em segurança? "
" Virás, pois, do teu lugar, do extremo norte, tu e muitos povos contigo, montados todos a cavalo, grande ajuntamento, e exército poderoso, "
" E subirás contra o meu povo Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra. Nos últimos dias sucederá que hei de trazer-te contra a minha terra, para que os gentios me conheçam a mim, quando eu me houver santificado em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos. "
" Assim diz o Senhor DEUS: Não és tu aquele de quem eu disse nos dias antigos, por intermédio dos meus servos, os profetas de Israel, os quais naqueles dias profetizaram largos anos, que te traria contra eles? "
" Sucederá, porém, naquele dia, no dia em que vier Gogue contra a terra de Israel, diz o Senhor DEUS, que a minha indignação subirá à minha face. "
" Porque disse no meu zelo, no fogo do meu furor, que, certamente, naquele dia haverá grande tremor sobre a terra de Israel; "
" De tal modo que tremerão diante da minha face os peixes do mar, e as aves do céu, e os animais do campo, e todos os répteis que se arrastam sobre a terra, e todos os homens que estão sobre a face da terra; e os montes serão deitados abaixo, e os precipícios se desfarão, e todos os muros desabarão por terra. "
" Porque chamarei contra ele a espada sobre todos os meus montes, diz o Senhor DEUS; a espada de cada um se voltará contra seu irmão. "
" E contenderei com ele por meio da peste e do sangue; e uma chuva inundante, e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre farei chover sobre ele, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que estiverem com ele. "
" Assim eu me engrandecerei e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor. "
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