Gênesis 22:1
" E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 22 na sua vida hoje
31 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Após o juízo do dilúvio, Deus se compromete com Noé, sua descendência e todos os seres vivos, prometendo nunca mais destruir toda a terra por meio de um dilúvio. O arco-íris é estabelecido como sinal permanente dessa aliança, lembrando a fidelidade e a misericórdia de Deus para com toda a criação.
Deus reafirma a dignidade única do ser humano criado à sua imagem. Comer sangue é proibido, pois ele representa a vida, e o derramamento de sangue humano passa a exigir prestação de contas. O homicídio é tratado com extrema seriedade porque atacar a vida humana é atacar a imagem de Deus.
Assim como em Gênesis 1, Deus abençoa Noé e seus filhos com a ordem de frutificar, multiplicar e encher a terra. A história da humanidade recomeça a partir desses três filhos, e toda a terra é novamente povoada, mostrando que o propósito criacional de Deus continua apesar do pecado.
Deus entrega os animais ao domínio humano e amplia a alimentação para incluir carne, mas com a restrição quanto ao sangue. O temor dos animais em relação ao ser humano mostra um mundo marcado pela queda, ainda assim sob a ordem e providência de Deus.
Noé, antes descrito como justo, aparece agora vulnerável em sua embriaguez. A forma como seus filhos reagem à sua nudez exposta revela atitudes opostas: desrespeito e exposição por parte de Cão, respeito e cuidado por parte de Sem e Jafé. A honra familiar, o cuidado com a vergonha do outro e as consequências éticas dessas atitudes são evidenciadas.
As palavras de Noé sobre Canaã, Sem e Jafé apontam para destinos distintos de seus descendentes. Há maldição, servidão, bênção ligada ao Deus de Sem e ampliação para Jafé. Mostra-se como atitudes presentes podem repercutir em gerações futuras, dentro do plano soberano de Deus na história.
Gênesis 9 situa-se imediatamente após o dilúvio, num momento de reinício da humanidade. Noé e sua família representam o novo começo da história humana em um mundo purificado do mal extremo que havia motivado o juízo divino. Do ponto de vista literário e teológico, o capítulo ecoa o relato da criação em Gênesis 1: há bênção, mandato de frutificar, domínio sobre os animais e destaque para a imagem de Deus no homem.
Naquele contexto, alianças eram formas solenes de estabelecer compromissos entre partes. Aqui, porém, a aliança parte exclusivamente de Deus, sem condições explícitas impostas à humanidade como requisito para que Deus mantenha sua promessa de não destruir a terra com outro dilúvio. O arco-íris, fenômeno natural conhecido desde a antiguidade, é ressignificado como um “sinal” visível da aliança.
O episódio da embriaguez de Noé e da atitude de seus filhos reflete a importância da honra, do respeito aos pais e da postura diante da vergonha alheia nas culturas antigas do Oriente Próximo. A maldição sobre Canaã, filho de Cão, antecipa tensões posteriores entre os descendentes de Sem (particularmente Israel) e os cananeus. O longo período de vida de Noé (950 anos) mantém o padrão das genealogias antediluvianas, marcando uma transição entre o mundo antigo e a história posterior dos patriarcas.
Gênesis 9 pode ser dividido em quatro blocos principais:
Bênção e mandato à nova humanidade (9:1–7)
Aliança de Deus e o sinal do arco-íris (9:8–17)
Os filhos de Noé e o repovoamento da terra (9:18–19)
A embriaguez de Noé e as bênçãos/maldições (9:20–29)
Gênesis 9 é central para compreender como Deus lida com um mundo ainda marcado pelo pecado após um grande juízo. Teologicamente, o capítulo enfatiza a continuidade da graça e do propósito criacional de Deus, apesar da inclinação humana ao mal.
A aliança com Noé tem alcance universal: envolve não apenas a família de Noé, mas toda a sua descendência e todos os seres vivos. Isso revela Deus como soberano, mas também comprometido com a preservação da vida. A promessa de que não haverá outro dilúvio global destaca a paciência divina e sustenta a ordem estável do mundo em que a história da salvação prossegue.
O valor sagrado da vida humana é fortemente afirmado. Ao vincular a proibição do homicídio à imagem de Deus no homem, o texto oferece um fundamento teológico para a dignidade humana e para a justiça. A proibição de comer sangue ressalta que a vida pertence a Deus e não pode ser tratada de forma banal. Esse princípio estará na base de muitas leis posteriores em Israel.
O arco-íris como sinal da aliança torna visível a misericórdia divina: um lembrete constante de que o juízo não é a última palavra de Deus sobre a criação. A linguagem de Deus “lembrando-se” não indica esquecimento, mas um compromisso ativo de agir conforme sua promessa.
O episódio de Noé embriagado mostra que mesmo um homem justo e usado por Deus continua sendo pecador e vulnerável. A grande figura do “novo começo” tropeça, revelando que o problema do pecado não foi eliminado com o dilúvio. O contraste entre a atitude de Cão e a de Sem e Jafé ilustra respostas diferentes diante da fraqueza alheia: exposição desrespeitosa ou cuidado honroso. As bênçãos e maldições de Noé apontam para linhas futuras da história bíblica, especialmente a importância da linhagem de Sem.
Assim, Gênesis 9 sustenta temas fundamentais: Deus é juiz, mas também preservador; a vida humana é sagrada; a criação é sustentada por uma aliança; e mesmo os justos dependem da graça, num mundo em que o pecado ainda atua.
Este capítulo oferece base para reflexões importantes em cuidado emocional e espiritual. O arco-íris como sinal da aliança traz uma imagem forte de esperança: após um período de trauma coletivo (o dilúvio), Deus estabelece um limite para a destruição e um compromisso com a preservação da vida. Essa ideia pode fortalecer a percepção de que, mesmo depois de grandes perdas e crises, ainda é possível recomeçar sob a promessa de cuidado divino.
O texto também reafirma o valor da vida humana, o que dialoga com sentimentos de desvalorização, culpa extrema ou autodepreciação. A afirmação de que o ser humano é feito à imagem de Deus oferece uma identidade básica de dignidade, independentemente de falhas e fraquezas.
A vulnerabilidade de Noé, apresentado antes como justo e obediente, aparece aqui em sua fragilidade, embriagado e exposto. Isso pode aliviar expectativas irreais de perfeição espiritual, mostrando que até figuras exemplares têm quedas. Ao mesmo tempo, a narrativa mostra como o ambiente ao redor reage a essa fragilidade: com zombaria e exposição, no caso de Cão, ou com respeito e proteção, no caso de Sem e Jafé. Essa dinâmica se aproxima de situações de vergonha, segredos familiares e como as pessoas lidam com erros e pecados uns dos outros.
Em contextos de terapia ou aconselhamento, Gênesis 9 pode servir para trabalhar temas como: reconstrução após traumas, limites à autodestruição, responsabilidade pelas próprias ações, respeito à intimidade do outro, impacto geracional das atitudes e a necessidade de ambientes seguros, em que a vergonha seja coberta com cuidado, não com negação nem com exposição cruel.
Alguns pontos do capítulo podem ser mal utilizados de forma emocionalmente prejudicial. A maldição sobre Canaã (versos 25–27) já foi distorcida historicamente para justificar racismo, escravidão e preconceitos étnicos. Qualquer leitura que associe esse texto a superioridade de um povo ou de uma raça sobre outra entra em choque com a dignidade de todos os seres humanos criados à imagem de Deus.
O princípio de que “requererei o sangue” (versos 5–6) pode ser interpretado de modo legalista ou vingativo, alimentando desejos de punição sem espaço para arrependimento, restauração e justiça equilibrada. Em pessoas com tendência à culpa excessiva, pode ser lido como ameaça constante, em vez de proteção ao valor da vida.
O episódio de Noé embriagado e a maldição subsequente pode ser usado de forma imprudente para encobrir abusos, manter segredos destrutivos ou exigir silêncio absoluto em situações de violência doméstica, abuso de poder ou outras situações que necessitam de denúncia e proteção. O texto fala de cobrir a vergonha, não de acobertar injustiça continuada.
Diante dessas passagens, é importante leitura cuidadosa, preferencialmente com acompanhamento pastoral ou terapêutico quando há histórico de traumas, abuso religioso, violência familiar ou sentimentos profundos de inferioridade, para evitar reforçar culpas tóxicas, submissão abusiva ou discriminação.
Valorizar a vida em todas as esferas: Ver cada pessoa, inclusive a si mesmo, como portadora da imagem de Deus pode influenciar decisões em relacionamentos, trabalho, conflitos e uso de palavras. Promover respeito, evitar violência (física, verbal ou emocional) e cuidar do próximo fazem eco ao princípio de Gênesis 9:6.
Viver com consciência de aliança e esperança: O arco-íris lembra que Deus colocou limite ao caos. Em tempos de instabilidade, perdas econômicas ou crises familiares, essa perspectiva pode levar a atitudes mais confiantes: planejar o futuro, investir em relacionamentos saudáveis e não entregar a vida ao desespero.
Cuidado com a exposição da fraqueza alheia: A diferença entre Cão e seus irmãos aponta para duas maneiras de lidar com o erro ou a vergonha do outro: expor e ridicularizar, ou proteger com respeito. Na prática, isso se traduz em evitar fofoca, humilhação pública em família, trabalho ou igreja, e escolher formas discretas e honrosas de lidar com pecados e falhas, sempre que possível.
Atenção aos excessos e vícios: A embriaguez de Noé lembra que ninguém está imune a cair em excessos. Isso incentiva vigilância pessoal em relação a álcool, drogas, gastos, trabalho compulsivo ou outros comportamentos que podem levar à perda de controle e vergonha.
Responsabilidade geracional: As palavras de Noé sobre seus filhos mostram que atitudes presentes impactam descendentes. Isso pode inspirar a buscar romper ciclos de desrespeito, violência, irresponsabilidade ou descuido espiritual, construindo um legado mais saudável para filhos, sobrinhos e futuras gerações.
Construir ambientes seguros: Como Sem e Jafé, famílias e comunidades podem se tornar lugares em que a vergonha é tratada com cuidado e verdade, não com escândalo. Isso envolve escuta, correção amorosa, limites claros e apoio para restauração.
A aliança em Gênesis 9 é o compromisso de Deus com Noé, seus descendentes e todos os seres vivos de nunca mais destruir toda a terra por meio de um dilúvio. É uma aliança unilateral, ou seja, parte de Deus e não depende de promessas humanas para se manter. Ela garante uma ordem estável na criação, em que as estações e a vida podem continuar, abrindo espaço para o desenvolvimento da história da redenção. O arco-íris foi dado como sinal visível dessa promessa contínua.
O sangue é proibido porque representa a vida. Em Gênesis 9:4, Deus diz que a carne com sua vida, isto é, com seu sangue, não deveria ser comida. Ao reservar o sangue, Deus ensina que a vida pertence a Ele e não pode ser tratada de forma comum ou desrespeitosa. Esse princípio será aprofundado mais tarde nas leis de Israel, em que o sangue está ligado à expiação e ao altar. No contexto de Gênesis, a proibição reforça o valor e a sacralidade da vida, tanto humana quanto animal.
Quando o texto diz que Deus se lembrará da aliança ao ver o arco-íris (Gênesis 9:15–16), não significa que Ele possa esquecê-la como um ser humano. É uma forma humana de falar (linguagem antropomórfica) para comunicar que Deus está ativamente comprometido com sua promessa. O arco-íris funciona como um sinal que testemunha, diante de Deus e da humanidade, a decisão divina de preservar a terra e não repetir o juízo global do dilúvio.
O texto afirma que Cão cometeu a atitude desrespeitosa, mas a maldição recai sobre Canaã, seu filho (Gênesis 9:25). O texto não explica todos os motivos em detalhes, e isso gera diferentes interpretações. Uma leitura comum é que a narrativa prepara o leitor para o papel dos cananeus na história bíblica posterior, em contraste com a linhagem de Sem, da qual virá Israel. Assim, o episódio e a maldição servem como explicação teológica para futuras tensões entre esses povos. Em qualquer caso, a passagem não autoriza usar essa maldição para justificar preconceitos ou hierarquias de valor entre povos hoje.
Gênesis 9:5–6 ensina que o derramamento de sangue humano exige prestação de contas porque a vida humana é feita à imagem de Deus. A ideia é que o homicídio é um ataque direto ao Criador. O texto lança o princípio de que a sociedade não pode ser indiferente à violência contra a vida. Mais tarde, esse princípio será desenvolvido nas leis de Israel em formas específicas de punição e proteção. Ao mesmo tempo, ao longo da Bíblia também se vê espaço para arrependimento, misericórdia e transformação, mostrando que justiça e graça caminham juntas no caráter de Deus.
Gênesis 9 mostra um mundo que acabou de passar por um trauma imenso. Tudo foi revirado pelo dilúvio, e agora uma família pequena precisa recomeçar a vida em solo novo. Nesse cenário pesado, aparece a voz de Deus dizendo: “Frutificai, multiplicai-vos e enchei a terra”. É como se Deus dissesse que a história não acabou, que ainda há espaço para vida, crescimento e futuro, mesmo depois de tanta perda. O arco-íris nas nuvens é uma das imagens mais ternas deste capítulo. Depois da chuva forte e dos céus escuros, a luz aparece em cores. Deus escolhe justamente esse sinal para falar de uma aliança de paz com a terra. Para corações cansados, marcados por experiências difíceis, essa figura ajuda a lembrar que nem toda tempestade termina em destruição. Há promessas de cuidado que continuam válidas, ainda que por dentro a sensação seja de terra arrasada. Outro ponto delicado do capítulo é ver Noé, o homem que obedeceu em meio a uma geração corrompida, agora vulnerável, embriagado e exposto. A Bíblia não esconde essa cena. Ela mostra que até pessoas muito usadas por Deus podem tropeçar, perder o controle, passar vergonha. Em histórias reais, há momentos assim: líderes, pais, figuras fortes da família caem, e isso causa confusão, tristeza, até revolta. O texto não celebra o erro, mas também não apaga a dignidade de Noé diante de Deus. A atitude dos filhos revela dois caminhos diante da fragilidade do outro: o de Cão, que olha e expõe, e o de Sem e Jafé, que se aproximam com cuidado, cobrem a vergonha sem negar o que aconteceu, evitando alimentar a humilhação. Para quem carrega lembranças de ter sido exposto, ridicularizado ou julgado em momentos de fraqueza, essa cena toca fundo. Ela sugere que há uma maneira mais humana de lidar com o erro: não é fazer de conta que nada existe, mas também não é usar a queda para ferir ainda mais. Gênesis 9, então, fala de um Deus que coloca um arco de paz sobre o céu depois do juízo, de vidas que recomeçam apesar do medo e de relações familiares atravessadas por falhas graves, mas também por gestos de cuidado. É um capítulo que, visto com calma, ajuda a lembrar que a vida com Deus é feita de recomeços, de promessas firmes e de uma graça que alcança gente real, quebrada, com histórias marcadas por vergonha e, ainda assim, amada.
Em Gênesis 9, a narrativa pós-diluviana retoma e desenvolve temas inaugurados na criação. O paralelismo com Gênesis 1 é nítido: bênção, mandato de frutificar, dominância sobre animais e a reafirmação da imagem de Deus no ser humano. Só que agora isso acontece em um mundo já impactado pelo pecado e pelo juízo. O texto abre com a bênção (vv.1–3), na qual Deus autoriza o consumo de carne, com uma importante exceção: o sangue. Essa proibição, associada à expressão “sua vida”, sugere desde cedo um vínculo entre sangue e vida, que se tornará fundamental na teologia do sacrifício em Israel. A vida pertence a Deus; por isso, o ser humano pode usar a criação para alimento, mas não tem poder absoluto sobre a vida. Os versículos 5–6 estabelecem um princípio jurídico-teológico sobre o homicídio: quem derrama sangue humano será responsabilizado, porque o homem é imagem de Deus. Há aqui um fundamento ético para qualquer forma posterior de justiça humana. A formulação “pelo homem o seu sangue será derramado” abre espaço para entender a legitimidade de estruturas sociais que penalizem o homicídio, sem entrar ainda em detalhes de sistemas legais. No bloco da aliança (vv.8–17), observa-se uma aliança que alguns intérpretes chamam de “noaica” ou “universal”, pois atinge toda a criação. É unilateral (Deus estipula e garante), incondicional e perpétua, no sentido de que perdura enquanto a ordem atual da criação existir. O arco-íris, chamado “meu arco”, pode ressoar com a imagem de um arco de guerra pendurado e apontado para cima, indicando o fim de um estado de hostilidade. Ainda que a interpretação simbólica não seja explicitada pelo texto, o foco está no fato de que o arco nas nuvens passa a ser memorial visível dessa decisão divina. Do ponto de vista narrativo, os vv.18–19 preparam o leitor para as genealogias e conflitos futuros. A menção antecipada de que Cão é pai de Canaã orienta a leitura do episódio seguinte para além de um simples drama doméstico: trata-se de um texto etiológico, que busca explicar relações posteriores entre povos, sobretudo a tensão entre Israel (descendente de Sem) e os cananeus. O episódio da embriaguez (vv.20–27) é rico em debates exegéticos. O texto hebraico fala que Cão viu a “nudez” do pai e contou aos irmãos, e que Sem e Jafé cobriram essa nudez andando de costas. A leitura mais simples entende que se trata de exposição vergonhosa do pai em estado de embriaguez, combinada com uma atitude desrespeitosa, talvez zombeteira, de Cão. Há, porém, interpretações que sugerem conotações sexuais ou simbólicas mais profundas para “ver a nudez”, embora o texto não desenvolva isso explicitamente. A maldição dirigida a Canaã, não a Cão, e as bênçãos sobre Sem e Jafé, funcionam teologicamente como um retrato do futuro: Canaã em posição de servidão, Sem associado de modo especial ao Senhor, e Jafé ampliado e abrigado nas “tendas de Sem”. Ao longo da história da interpretação, esse texto foi indevidamente usado para justificar racismo e escravidão, o que ignora o foco do texto em Canaã e na geopolítica regional do Antigo Oriente. Em termos literários e teológicos, o trecho prepara o caminho para a história da terra de Canaã e dos povos vizinhos de Israel. O encerramento com a longevidade de Noé (vv.28–29) conecta a narrativa do dilúvio às genealogias seguintes, mostrando que, apesar do juízo e das falhas humanas, há continuidade de vida, tempo e história sob a mão de Deus.
Gênesis 9 traz princípios muito concretos para a vida diária, em família, no trabalho e na sociedade. Deus abençoa Noé e seus filhos com um chamado bem objetivo: frutificar, multiplicar e encher a terra. Em termos práticos, isso aponta para a responsabilidade de construir, trabalhar, formar família, cultivar a terra e organizar a vida de forma que a criação continue florescendo. Quando Deus coloca o temor dos animais diante do ser humano e autoriza o uso deles para alimento (com limites), Ele também está estabelecendo uma relação de responsabilidade. Não é uma licença para exploração irresponsável, mas para um cuidado que reconhece a utilidade e os limites. Em linguagem atual, isso toca em temas como o uso equilibrado dos recursos naturais, respeito aos animais e consumo responsável. A ênfase no valor da vida humana (especialmente nos vv.5–6) tem impacto direto em como se tratam pessoas no dia a dia. Em ambientes de trabalho competitivos, em conflitos familiares ou em contextos de violência urbana, lembrar que cada pessoa carrega a imagem de Deus ajuda a frear a desumanização. Isso influencia escolhas: não alimentar discursos de ódio, evitar “matar” a reputação de alguém com fofoca e difamação, e buscar soluções justas e pacíficas para conflitos sempre que possível. A cena de Noé embriagado fala com realismo sobre perigos de excessos. Quem já viu de perto o estrago de álcool e outras dependências entende o impacto que uma noite de descontrole pode ter em toda a família. O texto não traz um sermão longo sobre isso, mas a imagem de um homem respeitado caído e envergonhado dentro da própria tenda é forte. Em termos práticos, incentiva estabelecer limites: saber a hora de parar, pedir ajuda quando um hábito começa a fugir do controle, e proteger a si mesmo e aos outros de situações que abrem espaço para vergonha e dano. A diferença de atitude entre Cão e seus irmãos tem aplicações claras na convivência. Cão representa aquela postura de expor a fraqueza do outro, contar para os demais, tirar proveito da queda alheia. Sem e Jafé representam quem protege, cobre, cuida com respeito, sem negar o problema. Na prática, isso significa evitar fazer piada da desgraça do outro, não transformar erros em assunto de roda de conversa e, quando alguém falha, buscar abordagens discretas e restauradoras. Por fim, as palavras de Noé sobre seus filhos mostram que escolhas de hoje ecoam no amanhã. Uma cultura de desrespeito e exposição dentro de casa tende a se repetir em gerações seguintes; da mesma forma, um ambiente de honra, cuidado e responsabilidade gera frutos duradouros. Gênesis 9 incentiva a organizar a vida de forma que o futuro dos filhos e netos seja impactado por decisões mais sábias, justiça nas relações e um senso firme do valor da vida.
Gênesis 9 é um capítulo de aliança e recomeço à luz da eternidade. Depois de um juízo tão severo quanto o dilúvio, talvez se esperasse um Deus permanentemente irado com a criação. Ao contrário, o texto mostra um Deus que, conhecendo a inclinação do coração humano, decide estabelecer uma aliança de preservação com toda a terra. Isso fala de um propósito divino que atravessa o tempo: a história não está entregue ao caos; segue sustentada por uma promessa. O arco-íris, que aparece quando nuvens cobrem a terra, é um símbolo de que Deus mantém sua palavra mesmo quando o céu escurece. Espiritualmente, isso aponta para uma dimensão de confiança: a vida com Deus não está livre de nuvens, mas é vivida sob um pacto em que Ele se compromete com a continuidade da história, até que seus planos de redenção se completem. A criação inteira, conservada por essa aliança, torna-se o palco em que se desenrola o projeto maior: restaurar, em Cristo, aquilo que o pecado corrompeu. A reafirmação da imagem de Deus no ser humano (v.6) lembra que cada pessoa tem, desde o início, um chamado profundo: refletir algo do próprio Criador. Espiritualmente, isso confere identidade e missão. Não se trata apenas de existir, mas de existir como ícone vivo da presença de Deus no mundo — chamado que foi manchado pelo pecado, mas não anulado. A forma como se trata a vida humana se torna, então, uma expressão direta da visão que se tem de Deus. O fato de Noé, um homem descrito como justo, aparecer embriagado e vulnerável, mostra que o problema do coração humano permanece mesmo após o dilúvio. O juízo limpou a terra, mas não removeu a raiz do pecado. Isso prepara o olhar para algo maior do que um simples recomeço moral: indica a necessidade de uma transformação mais profunda, que, à luz do todo da Escritura, aponta para a renovação interior pelo Espírito e para a nova criação prometida. As palavras de bênção e maldição sobre Sem, Jafé e Canaã têm também um aspecto escatológico. Elas tocam em linhas de povos, alianças futuras, lugares na história da salvação. A bênção ligada ao “Senhor Deus de Sem” antecipa a linhagem pela qual virão Abraão, Israel e, finalmente, o Messias. Já a menção de Jafé habitando nas “tendas de Sem” sugere uma ampliação da graça, em que outros povos seriam alcançados e acolhidos na esfera da bênção. Em perspectiva de longo prazo, Gênesis 9 abre janelas para um plano que inclui não só uma família, mas nações inteiras. No fim, Noé morre, apesar de seus 950 anos. O homem do recomeço também é marcado pela finitude. A longevidade impressiona, mas a morte lembra que o mundo ainda está sob a condição da queda. O arco-íris, então, não é o fim da história, mas um sinal provisório de preservação, até que venha algo maior: uma aliança definitiva, selada não com água, mas com sangue, que abre caminho para uma nova criação onde juízo e misericórdia se encontram de forma plena. Gênesis 9, assim, convida a olhar a vida presente como parte de uma narrativa maior, na qual Deus sustenta o mundo enquanto leva adiante seu plano eterno de redenção e restauração.
" E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
" Tu, pois, ó filho do homem, porventura julgarás, julgarás a cidade sanguinária? Faze-lhe conhecer, pois, todas as suas abominações. "
" E dize: Assim diz o Senhor DEUS: Ai da cidade que derrama o sangue no meio de si para que venha o seu tempo! Que faz ídolos contra si mesma, para se contaminar! "
" Pelo teu sangue que derramaste te fizeste culpada, e pelos teus ídolos que fabricaste te contaminaste, e fizeste aproximarem-se os teus dias, e tem chegado o fim dos teus anos; por isso eu te fiz o opróbrio das nações e o escárnio de todas as terras. "
" As que estão perto de ti e as que estão longe escarnecerão de ti, infamada, cheia de inquietação. "
" Eis que os príncipes de Israel, cada um conforme o seu poder, estavam em ti para derramarem sangue. "
" Ao pai e à mãe desprezaram em ti; para com o estrangeiro usaram de opressão no meio de ti; ao órfão e à viúva oprimiram em ti. "
" As minhas coisas santas desprezaste, e os meus sábados profanaste. "
" Homens caluniadores se acharam em ti, para derramarem sangue; e em ti sobre os montes comeram; perversidade cometeram no meio de ti. "
" A vergonha do pai descobriram em ti; a que estava imunda, na sua separação, humilharam no meio de ti. "
" Um cometeu abominação com a mulher do seu próximo, outro contaminou abominavelmente a sua nora, e outro humilhou no meio de ti a sua irmã, filha de seu pai. "
" Presentes receberam no meio de ti para derramarem sangue; usura e juros ilícitos tomaste, e usaste de avareza com o teu próximo, oprimindo-o; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor DEUS. "
" E eis que bati as mãos contra a avareza que cometeste, e por causa do sangue que houve no meio de ti. "
" Porventura estará firme o teu coração? Porventura estarão fortes as tuas mãos, nos dias em que eu tratarei contigo? Eu, o Senhor, o disse, e o farei. "
" E espalhar-te-ei entre as nações, e dispersar-te-ei pelas terras, e porei termo à tua imundícia. "
" E tu serás profanada em ti mesma aos olhos dos gentios, e saberás que eu sou o Senhor. "
" E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escórias; todos eles são bronze, e estanho, e ferro, e chumbo no meio do forno; em escórias de prata se tornaram. "
" Portanto assim diz o Senhor DEUS: Pois que todos vós vos tornastes em escórias, por isso eis que eu vos ajuntarei no meio de Jerusalém. "
" Como se ajuntam a prata, e o bronze, e o ferro, e o chumbo, e o estanho, no meio do forno, para assoprar o fogo sobre eles, a fim de se fundirem, assim vos ajuntarei na minha ira e no meu furor, e ali vos deixarei e fundirei. "
" E congregar-vos-ei, e assoprarei sobre vós o fogo do meu furor; e sereis fundidos no meio dela. "
" Como se funde a prata no meio do forno, assim sereis fundidos no meio dela; e sabereis que eu, o Senhor, derramei o meu furor sobre vós. "
" E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Filho do homem, dize-lhe: Tu és uma terra que não está purificada; e que não tem chuva no dia da indignação. "
" Conspiração dos seus profetas há no meio dela, como um leão que ruge, que arrebata a presa; eles devoram as almas; tomam tesouros e coisas preciosas, multiplicam as suas viúvas no meio dela. "
" Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. "
" Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. "
" E os seus profetas têm feito para eles cobertura com argamassa não temperada, profetizando vaidade, adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor DEUS; sem que o SENHOR tivesse falado. "
" Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazendo violência ao pobre e necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão. "
" E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei. "
" Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho recaísse sobre a sua cabeça, diz o Senhor DEUS. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.