Gênesis 21 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 21 na sua vida hoje

32 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 21?

Gênesis 8 descreve o fim do dilúvio, quando Deus se lembra de Noé e inicia o processo de fazer as águas baixarem. A arca repousa nos montes de Ararate, e Noé, com paciência e discernimento, envia um corvo e depois pombas para verificar se a terra já está habitável. Quando a terra finalmente seca, Deus ordena que Noé, sua família e todos os animais saiam da arca e repovoem a terra. Noé responde construindo um altar e oferecendo sacrifícios ao Senhor. Deus, então, estabelece em seu coração que não tornará a amaldiçoar a terra por causa do homem e promete a continuidade das estações e ciclos da criação enquanto a terra durar.

Temas principais em Gênesis 21

Deus se lembra e intervém com graça (versículos Gênesis 8:1-5)

O capítulo começa enfatizando que Deus se lembra de Noé e de todos os seres na arca. Esse “lembrar” não é esquecimento prévio, mas linguagem bíblica para indicar que Deus age em favor de alguém, iniciando o processo de restauração após o juízo do dilúvio.

Versículos-chave: 1

Paciência, discernimento e espera pela direção de Deus (versículos Gênesis 8:6-14)

Mesmo depois que as águas diminuem, Noé não abandona a arca de forma precipitada. Ele observa, espera períodos de sete dias, envia o corvo e as pombas, e só sai quando Deus fala. É um retrato de obediência paciente em tempos de transição.

Versículos-chave: 10, 11, 13, 14

Resposta de adoração após o livramento (versículos Gênesis 8:18-20)

Ao sair da arca, o primeiro gesto de Noé é levantar um altar e oferecer holocaustos com animais limpos. O livramento não é apenas alívio, mas ocasião de culto, gratidão e entrega a Deus.

Versículos-chave: 20

Propósito renovado para a criação (versículos Gênesis 8:16-19)

Deus ordena que homens e animais saiam da arca para povoar abundantemente a terra e se multiplicar. O projeto original de frutificação é retomado, mesmo após o juízo.

Versículos-chave: 17

Reconhecimento da inclinação humana ao mal e promessa divina de preservação (versículos Gênesis 8:21-22)

Deus reconhece a maldade do coração humano desde a juventude, mas decide não destruir novamente toda criatura viva como antes. Ele firma um compromisso de manter os ciclos da natureza, sinal de sua paciência e graça contínuas.

Versículos-chave: 21, 22

Contexto histórico e literario

Gênesis 8 se insere no relato do dilúvio, uma narrativa de juízo e renovação logo após a expansão da violência e corrupção na humanidade descrita em Gênesis 6. O contexto é o mundo antigo do Oriente Médio, em que também existiam outras histórias de enchentes em povos vizinhos, mas aqui o foco está no Deus único, soberano e moral que julga o pecado e, ao mesmo tempo, preserva um remanescente. A arca, construída anteriormente por ordem divina, torna-se o meio de preservação de Noé, sua família e representantes de todas as espécies animais. Os montes de Ararate, onde a arca repousa, apontam para uma região montanhosa ao norte da Mesopotâmia, mais tarde associada à Armênia. A prática de sacrifícios e altares já aparece aqui como forma primitiva de culto, anterior à lei dada a Moisés. A estrutura do capítulo reflete uma transição do caos das águas de juízo para uma nova estabilidade da criação, culminando em uma promessa divina sobre a continuidade das estações e ciclos agrícolas, realidade vital para sociedades agrárias antigas.

Estrutura de Gênesis 21

O capítulo pode ser lido em movimentos claros, com ritmo de espera e progressão:

  1. Lembrança divina e retração das águas (8:1-5) – Deus se lembra de Noé, envia um vento sobre a terra, as fontes do abismo e janelas dos céus se fecham, e as águas começam a diminuir progressivamente até que a arca repousa nos montes de Ararate e os cumes aparecem.
  2. Testes de Noé para verificar a terra (8:6-12) – Após quarenta dias, Noé abre a janela da arca, envia um corvo e, depois, em ciclos de sete dias, envia uma pomba, que retorna sem achar descanso, depois com uma folha de oliveira, e por fim não volta mais.
  3. Constatação de que a terra está seca (8:13-14) – Noé remove a cobertura da arca e vê que o solo está seco; pouco depois, a terra está completamente seca.
  4. Ordem de Deus para sair da arca (8:15-19) – Deus fala a Noé, manda sair com sua família e todos os animais, com a ordem de que se multipliem e povoem a terra; todos saem conforme suas espécies.
  5. Altar de Noé e sacrifício ao Senhor (8:20) – Noé edifica um altar e oferece holocaustos com animais e aves limpos.
  6. Resolução interna de Deus e promessa sobre a criação (8:21-22) – Deus “diz em seu coração” que não tornará a amaldiçoar a terra por causa do homem, apesar da maldade humana, e promete que os ciclos naturais não cessarão enquanto a terra existir.

A narrativa usa repetições numéricas (sete dias, períodos, meses) e imagens simbólicas (vento, corvo, pomba, folha de oliveira) para marcar o processo de transição do juízo para a nova ordem.

Significado teológico

Teologicamente, Gênesis 8 aprofunda a compreensão de quem é Deus diante do pecado humano. O “lembrar-se” de Deus indica sua fidelidade à aliança com Noé, mesmo em meio ao juízo. A atuação divina ao enviar um vento que faz as águas recuarem ecoa a linguagem da criação em Gênesis 1, sugerindo que o dilúvio é, ao mesmo tempo, um ato de desconstrução e de recriação. O capítulo também apresenta um retrato realista da condição humana: mesmo após o juízo, o coração do homem continua inclinado ao mal desde a juventude. Contudo, a resposta de Deus não é destruir novamente, mas agir com longanimidade e estabelecer um compromisso de preservação da ordem criada. A oferta de Noé, recebida como “suave cheiro”, destaca a importância da adoração e do sacrifício como meio de relacionamento com Deus, antecipando o sistema sacrificial que seria regulamentado mais tarde. A promessa de continuidade dos ciclos de semeadura e colheita, frio e calor, estações e ritmos do dia e da noite mostra que Deus sustenta não apenas pessoas, mas toda a estrutura da criação. Assim, Gênesis 8 anuncia um Deus que julga o mal, mas se compromete com a preservação da vida e com uma história que continua, mesmo reconhecendo a persistência do pecado humano.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Lido em chave terapêutica, Gênesis 8 fala de processos de reconstrução após grandes crises. A imagem do dilúvio funcionou como ruptura total: perda, isolamento, incerteza. Neste capítulo, a narrativa se concentra na descida lenta das águas, na espera de Noé, na observação paciente dos sinais, até chegar à terra seca. Isso se aproxima da experiência humana de sair de fases de luto, trauma ou mudança intensa, que raramente termina de um dia para o outro. O texto valoriza o tempo e os ciclos: dias, meses, períodos de sete dias, mostrando que a cura e a reorganização interna pedem cadência. A postura de Noé revela uma combinação de confiança em Deus com responsabilidade: ele espera a palavra do Senhor, mas também utiliza os recursos que tem (corvo, pombas, observação do ambiente) para discernir a realidade. No fim, a resposta de Noé é um ato de gratidão e entrega, mesmo sabendo que o coração humano continua vulnerável. A promessa divina sobre a continuidade dos ciclos naturais aponta para um chão estável, um mundo em que não é preciso viver em constante expectativa de destruição total. Para quem lida com medo, instabilidade ou esgotamento, a mensagem subjacente é que há um Deus que não apenas julga as tempestades da vida, mas também conduz o processo de acalmá-las e oferece um ritmo estável no qual a existência pode ser reconstruída.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo descreve um evento de destruição global, o que pode ser sensível para pessoas com histórico de traumas ligados a desastres, perdas familiares ou medo intenso de catástrofes. A imagem prolongada de isolamento dentro da arca, sem saber quando tudo acabará, pode ressoar com experiências de confinamento, doenças prolongadas ou lutos ainda muito recentes. A frase sobre a maldade do coração humano desde a meninice pode ser mal interpretada por quem já lida com culpa exagerada ou baixa autoestima, se usada de forma moralista, sem o contraponto da graça e da promessa de Deus. Também é importante cuidado para não aplicar a história do dilúvio de maneira simplista, como se toda tragédia pessoal fosse juízo direto de Deus. Leituras que pressionam alguém a “sair da arca” rápido demais, sem respeitar seu tempo de recuperação, podem aumentar a ansiedade e a sensação de inadequação. Em contextos de sofrimento psíquico, este texto necessita de acompanhamento sensível, destacando a presença fiel de Deus, o valor da espera e o processo gradual de cura, em vez de apenas exigir coragem ou fé imediata.

Aplicação prática para hoje

Gênesis 8 inspira alguns caminhos práticos para a vida diária. A postura de Noé ao esperar a diminuição das águas mostra o valor de não agir impulsivamente em momentos de transição: é possível combinar oração, observação da realidade e passos graduais antes de grandes decisões. A obediência de Noé à voz de Deus, tanto para entrar quanto para sair da arca, encoraja a buscar direção de forma consistente, e não apenas em momentos extremos. A ordem para que pessoas e animais se multipliquem e povoem a terra lembra que, após fases difíceis, retomar a responsabilidade e a produtividade faz parte da restauração. O altar de Noé ensina a responder ao livramento com gratidão concreta: separar tempo, recursos e atenção para reconhecer a ação de Deus na história, em vez de apenas seguir em frente. A promessa da continuidade dos ciclos naturais pode ser traduzida em confiança prática: organizar a vida, o trabalho e o descanso considerando que Deus mantém o mundo, o que abre espaço para planejamento realista, sem paralisia pelo medo. Por fim, a consciência de que o coração humano continua inclinado ao mal convida à vigilância e ao arrependimento constantes, não com desespero, mas com lucidez e dependência diária da graça.

Perguntas frequentes

O que significa que Deus “lembrou-se” de Noé em Gênesis 8:1?

Na linguagem bíblica, quando se diz que Deus “lembrou-se” de alguém, não significa que ele havia esquecido e depois recordou, mas que decidiu agir em favor dessa pessoa. Em Gênesis 8:1, o “lembrar-se” marca o momento em que Deus inicia o fim do dilúvio, fazendo as águas baixarem e conduzindo Noé e todos na arca para uma nova fase da história.

Por que Noé enviou um corvo e depois pombas?

O corvo é uma ave que pode se alimentar de carcaças e sobreviver mesmo em ambiente ainda hostil, por isso podia ficar voando sem necessariamente indicar que a terra estava habitável. Já a pomba precisa de lugar limpo e seco para pousar e construir ninho. Ao enviar a pomba em intervalos de sete dias e observar seu retorno, Noé buscava sinais concretos de que as condições da terra estavam melhorando, até que a pomba trouxe uma folha de oliveira e, depois, não voltou mais.

Quanto tempo aproximadamente durou o dilúvio até a terra secar?

Considerando os dados do relato bíblico, o dilúvio começou quando Noé tinha 600 anos, no segundo mês (Gênesis 7:11). Em Gênesis 8, as águas prevalecem por 150 dias e, depois, começam a baixar. A terra aparece seca completamente no ano 601 de Noé, no segundo mês, dia 27 (Gênesis 8:14). Isso indica um período de vários meses, aproximadamente um ano entre o início do dilúvio e o momento em que a terra está totalmente seca e eles saem da arca.

Por que Noé oferece sacrifícios logo ao sair da arca?

Ao sair da arca, Noé experimenta o fim de uma fase de juízo intenso e preservação miraculosa. Sua resposta imediata é adorar: ele constrói um altar e oferece holocaustos de animais limpos. Esse gesto expressa gratidão, reconhecimento da soberania de Deus e entrega da própria vida e futuro nas mãos do Senhor. O texto diz que Deus sentiu o “suave cheiro”, indicando que aceitou esse culto.

O que significa a promessa de Gênesis 8:22 sobre sementeira e sega, frio e calor, verão e inverno?

A promessa em Gênesis 8:22 afirma que, enquanto a terra existir, Deus manterá a regularidade dos ciclos naturais: plantio e colheita, estações do ano, frio e calor, dia e noite. Isso significa que Deus se compromete com a continuidade da ordem criada, garantindo um ambiente estável para a vida humana e animal, mesmo sabendo da persistência do pecado. É um fundamento bíblico para confiar que o mundo não está à deriva, mas sustentado pela fidelidade de Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Este capítulo acompanha o momento em que as “águas” da vida começam, enfim, a baixar. A cena não é de um milagre instantâneo, mas de um processo: o vento sopra, as águas vão recuando, os montes aparecem, Noé espera, testa, observa. Há algo muito humano nessa sequência, que se parece com a saída de uma fase de crise, luto ou exaustão. A sensação de estar preso na arca, cercado de incerteza, é trocada aos poucos por sinais de esperança, como a folha de oliveira no bico da pomba. Noé não reprime o que passou nem corre para “recuperar o tempo perdido”. Ele responde primeiro com um altar, com adoração. O coração que passou pelo dilúvio não é mais o mesmo: traz marcas, memórias, saudades. E, justamente por isso, o culto de Noé é carregado de profundidade. Ele oferece animais limpos, separa o melhor para Deus, como quem reconhece: foi Deus quem sustentou quando tudo parecia ruir. Ao mesmo tempo, o texto reconhece a verdade dura sobre o ser humano: a imaginação do coração é má desde a meninice. Ou seja, Deus conhece o lado escuro que habita o interior humano. Mas, mesmo assim, decide não destruir tudo de novo. Em vez de virar as costas, Deus se compromete com a continuidade da terra, dos ciclos, das estações. Nessa decisão divina há um cuidado que acolhe corações cansados: não é preciso viver com medo de que qualquer erro seja o fim de tudo. A vida fica marcada pela graça, não apenas pelo juízo. Para quem atravessa períodos de águas altas, Gênesis 8 sussurra que Deus não esquece. Ele vê, lembra, sopra o vento, conduz até que haja terra firme de novo. E, quando essa terra aparece, o texto mostra que há espaço para chorar o que se perdeu, agradecer pelo que ficou e recomeçar devagar, confiando que, enquanto a terra durar, Deus não largará a mão da criação.

Mind
Mente

Gênesis 8 está intimamente ligado ao relato do dilúvio em Gênesis 6–7 e à recriação que se desenha em Gênesis 9. Do ponto de vista literário, há ecos claros da criação: o vento que Deus envia sobre as águas remete ao Espírito pairando sobre o caos em Gênesis 1:2, e a diminuição das águas dialoga com a separação das águas na criação. O dilúvio, portanto, pode ser lido como uma espécie de “desfazer” e depois “refazer” da ordem criada. O verbo “lembrar-se”, aplicado a Deus no verso 1, é um termo de aliança. Não aponta para esquecimento, mas para a decisão de agir de acordo com uma promessa ou compromisso. Deus se lembra de Noé e de todos os seres vivos na arca, indicando que o foco não é apenas a salvação humana, mas também a preservação da criação como um todo. Os detalhes cronológicos (meses, dias, períodos de quarenta e de sete dias) reforçam a ideia de um evento longo e ordenado, e não caótico. O uso do corvo e da pomba, com seus comportamentos distintos, mostra um procedimento empírico de Noé para verificar a habitabilidade da terra. A pomba com a folha de oliveira, além de ser um sinal prático de vegetação brotando, ganha ao longo da tradição bíblica e cristã um valor simbólico de paz e restauração, embora o texto em si não faça essa explicitação. O altar e os sacrifícios de Noé refletem uma prática de culto anterior à lei mosaica, baseada em distinções entre animais limpos e impuros já pressupostas no capítulo anterior. O “cheiro suave” não é literalismo antropomórfico simples, mas expressão do agrado divino. O mais relevante está na declaração interna de Deus: ele não tornará a amaldiçoar a terra por causa do homem, apesar de saber que o coração humano é inclinado ao mal. Aqui surge um importante ponto teológico: Deus ajusta sua maneira de se relacionar com a humanidade pós-dilúvio, estabelecendo uma paciência estrutural, manifestada na promessa da estabilidade cósmica (v.22). Essa promessa sobre sementeira, sega e estações estabelece uma base teológica para a previsibilidade do mundo natural, elemento essencial para a vida e para a própria história da salvação. O texto sugere que, mesmo com a permanência do pecado, Deus escolherá trabalhar por meio da história, e não encerrá-la continuamente com juízos totais. Isso prepara o cenário para a aliança formal com Noé no capítulo seguinte, que incluirá o sinal do arco nas nuvens.

Life
Vida

Gênesis 8 mostra, em linguagem de narrativa, como se vive numa fase de “pós-crise”. Noé não decide as coisas na base do impulso: ele espera períodos definidos, avalia sinais concretos e não sai da arca até ouvir de Deus. Para a vida prática, isso modela uma combinação interessante: planejamento, observação e obediência. Ele faz o que está ao seu alcance — abre a janela, solta aves, olha a paisagem —, mas não confunde isso com independência total de Deus. O envio do corvo e das pombas lembra que é legítimo usar meios práticos para checar a realidade: buscar informações, testar alternativas, analisar se o “chão” já está firme antes de mudanças grandes. Ao mesmo tempo, a decisão final, no relato, vem acompanhada da palavra de Deus. Isso aponta para uma vida em que escolhas importantes passam por discernimento: oração, consulta à Escritura, escuta de conselhos, junto com leitura honesta das circunstâncias. Quando a família sai da arca, a ordem é clara: povoem abundantemente a terra, frutifiquem e se multipliquem. A sobrevivência não é o único objetivo; há um chamado para voltar a construir, trabalhar, gerar vida. Em termos práticos, há um momento de sair apenas da “postura de sobrevivência” e retomar metas, projetos e responsabilidades. O texto indica que faz parte da restauração reassumir o papel no mundo: cuidar da criação, desenvolver atividades produtivas, reorganizar a rotina. O altar que Noé constrói também traz uma lição de prioridades: antes de se estabelecer, ele separa tempo e recursos para reconhecer Deus. Isso sugere que recomeços saudáveis não se limitam a finanças, casa e trabalho, mas incluem reordenar a vida espiritual. O compromisso divino com a regularidade das estações lembra que viver pela fé não significa ignorar o ritmo natural da vida: há tempo de plantar, tempo de colher, período de frio e de calor. Planejar finanças, descanso e trabalho levando em conta esses ciclos é uma forma concreta de responder à fidelidade de Deus, sem esperar resultados imediatos de processos que, por natureza, são lentos.

Soul
Alma

Em Gênesis 8, a história avança do juízo para a continuidade. No plano espiritual, isso toca em temas profundos: aliança, paciência divina e vocação humana depois do caos. Quando o texto diz que Deus se lembra de Noé, revela um Deus que não abandona sua criação no meio da disciplina, mas a conduz para um novo começo. O vento que sopra, as águas que baixam, os montes que reaparecem: tudo isso aponta para um Deus que não apenas põe limites ao mal, mas também reabre caminhos de vida. O movimento da arca até o repouso nos montes de Ararate tem uma dimensão espiritual de “chegar ao lugar de descanso”. Depois do dilúvio, o mundo que se apresenta não é um paraíso intocado, mas um cenário de recomeço, ainda marcado pela fragilidade humana. É significativo que, exatamente neste contexto renovado, Deus afirme conhecer a maldade do coração humano desde cedo. A resposta de Deus, porém, não é desistir, e sim decidir não recomeçar a história sempre por aniquilação. Surge aqui um vislumbre da longa paciência divina que vai atravessar toda a Escritura e culminar em uma restauração definitiva. O altar de Noé e o holocausto que sobe como suave cheiro mostram que o caminho entre Deus e a humanidade passa pela oferta, pelo sacrifício e pela adoração. O culto de Noé é uma entrega total, uma confissão silenciosa de que viver é graça recebida. Espiritualmente, o capítulo convida a perceber que cada ciclo que se fecha — cada livramento, cada fase que termina — é ocasião para renovação do coração diante de Deus, e não apenas para retomada apressada da rotina. A promessa sobre a permanência de sementeira e sega, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, toca o fundo da experiência espiritual: viver numa criação sustentada pela fidelidade de Deus. A jornada de fé não se dá num universo aleatório, mas num mundo onde Deus decidiu manter o chão firme até o cumprimento de seus propósitos. Isso não nega a realidade do mal, mas afirma que, acima de tudo, há um Deus que sustenta, acompanha e conduz a história para além dos dilúvios. Em perspectiva eterna, Gênesis 8 antecipa a verdade de que o juízo não é a última palavra de Deus, mas um passo dentro de um plano maior de restauração e vida.

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Versículos em Gênesis 21

Gênesis 21:2

" Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras sobre os santuários, e profetiza sobre a terra de Israel. "

Gênesis 21:3

" E dize à terra de Israel: Assim diz o Senhor: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. "

Gênesis 21:4

" E, por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da sua bainha contra toda a carne, desde o sul até o norte. "

Gênesis 21:6

" Tu, porém, ó filho do homem, suspira; suspira aos olhos deles, com quebrantamento dos teus lombos e com amargura. "

Gênesis 21:7

" E será que, quando eles te disserem: Por que suspiras tu? Dirás: Por causa das novas, porque vêm; e todo o coração desmaiará, e todas as mãos se enfraquecerão, e todo o espírito se angustiará, e todos os joelhos se desfarão em águas; eis que vêm, e se cumprirão, diz o Senhor DEUS. "

Gênesis 21:10

" Para grande matança está afiada, para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois? A vara de meu filho é que despreza todo o madeiro. "

Gênesis 21:11

" E foi dada a polir, para ser manejada; esta espada está afiada, e está polida, para ser posta na mão do matador. "

Gênesis 21:12

" Grita e geme, ó filho do homem, porque ela será contra o meu povo, contra todos os príncipes de Israel. Estes, juntamente com o meu povo, estão espantados com a espada; bate, pois, na tua coxa. "

Gênesis 21:14

" Tu, pois, ó filho do homem, profetiza e bate com as mãos uma na outra; e dobre-se a espada até a terceira vez, a espada dos mortos; ela é a espada para a grande matança, que os traspassará até o seu interior. "

Gênesis 21:15

" Para que desmaie o coração, e se multipliquem as destruições, contra todas as suas portas, pus a ponta da espada, a que foi feita para reluzir, e está preparada para a matança! "

Gênesis 21:16

" Ó espada, une-te, vira-te para a direita; prepara-te, vira-te para a esquerda, para onde quer que o teu rosto se dirigir. "

Gênesis 21:17

" E também eu baterei com as minhas mãos uma na outra, e farei descansar a minha indignação; eu, o Senhor, o disse. "

Gênesis 21:19

" Tu, pois, ó filho do homem, propõe dois caminhos, por onde venha a espada do rei de babilônia. Ambos procederão de uma mesma terra, e escolhe um lugar; escolhe-o no cimo do caminho da cidade. "

Gênesis 21:20

" Um caminho proporás, por onde virá a espada contra Rabá dos filhos de Amom, e contra Judá, em Jerusalém, a fortificada. "

Gênesis 21:21

" Porque o rei de babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará as imagens, atentará para o fígado. "

Gênesis 21:22

" « sua direita estará a adivinhação sobre Jerusalém, para ordenar aos capitàes, para abrirem a boca, ordenando a matança, para levantarem a voz com júbilo, para pôrem os aríetes contra as portas, para levantarem trincheiras, para edificarem baluartes. "

Gênesis 21:23

" Isto será como adivinhação vã, aos olhos daqueles que lhes fizeram juramentos; mas ele se lembrará da iniqüidade, para que sejam apanhados. "

Gênesis 21:24

" Portanto assim diz o Senhor DEUS: Visto que me fazeis lembrar da vossa iniqüidade, descobrindo-se as vossas transgressões, aparecendo os vossos pecados em todos os vossos atos; visto que viestes em memória, sereis apanhados com a mão. "

Gênesis 21:26

" Assim diz o Senhor DEUS: Tira o diadema, e remove a coroa; esta não será a mesma; exalta ao humilde, e humilha ao soberbo. "

Gênesis 21:27

" Ao revés, ao revés, ao revés porei aquela coroa, e ela não mais será, até que venha aquele a quem pertence de direito; a ele a darei. "

Gênesis 21:28

" E tu, ó filho do homem, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor DEUS acerca dos filhos de Amom, e acerca do seu opróbrio; dize pois: A espada, a espada está desembainhada, polida para a matança, para consumir, por estar reluzente; "

Gênesis 21:29

" Entretanto te profetizam vaidade, te adivinham mentira, para te porem no pescoço dos ímpios, daqueles que estão mortos, cujo dia veio no tempo da iniqüidade final. "

Gênesis 21:31

" E derramarei sobre ti a minha indignação, assoprarei contra ti o fogo do meu furor, entregar-te-ei nas mãos dos homens brutais, inventores de destruição. "

Gênesis 21:32

" Ao fogo servirás para ser consumido; o teu sangue estará no meio da terra; já não serás mais lembrado, porque eu, o Senhor, o disse. "

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