Gênesis 20:1
" E aconteceu, no sétimo ano, no quinto mês, aos dez do mês, que vieram alguns dos anciãos de Israel, para consultarem o SENHOR; e assentaram-se diante de mim. "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 20 na sua vida hoje
49 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Noé segue cuidadosamente todas as instruções de Deus: entra na arca, leva sua família e organiza os animais segundo o mandado divino. Sua obediência se torna o meio pelo qual a vida é preservada em meio ao juízo.
O dilúvio não é apenas uma enchente local, mas descrito como um juízo que alcança toda a terra, cobrindo montes e destruindo toda criatura que tinha fôlego de vida. Revela a seriedade do pecado humano e a santidade de Deus.
Mesmo em meio à destruição, Deus cuida para que a criação não seja completamente aniquilada. A arca, a seleção de animais e o cuidado com a família de Noé demonstram a intenção de Deus de recomeçar a história humana e animal.
O texto apresenta Deus controlando tempos, prazos e elementos da natureza: anuncia o início em sete dias, determina quarenta dias e noites de chuva, e as águas prevalecem cento e cinquenta dias. Nada é aleatório; tudo está sob Seu governo.
Noé é destacado como justo em sua geração, e isso o coloca em um caminho diferente do restante da humanidade. A separação física na arca simboliza também uma separação espiritual entre aqueles que caminham com Deus e aqueles que o rejeitam.
Gênesis 7 se insere na narrativa primeva (Gênesis 1–11), que trata das origens do mundo, da humanidade e da expansão do pecado. A história do dilúvio aparece após a descrição da crescente corrupção da terra (Gênesis 6), em que a violência e a maldade se tornaram generalizadas. Noé é apresentado como justo e íntegro em uma geração corrompida, achando graça diante de Deus.
Do ponto de vista histórico-cultural, relatos de grandes inundações aparecem em várias culturas antigas do Oriente Próximo, sugerindo a memória de algum evento de grande impacto. O texto bíblico, porém, não se limita a descrever um desastre natural; ele interpreta o dilúvio como um ato de juízo moral conduzido por Deus. A precisão temporal (“ano seiscentos da vida de Noé”, “mês segundo”, “aos dezessete dias do mês”) reforça a ideia de um acontecimento concreto na história.
A distinção entre animais limpos e impuros (v. 2) antecipa categorias que serão detalhadas mais tarde na Lei de Moisés, indicando que certos padrões de culto e sacrifício já estavam, de alguma forma, presentes. A arca, preparada antes em obediência (Gênesis 6), agora entra em cena como instrumento de preservação. O cenário é de uma estrutura familiar patriarcal, em que Noé, como chefe de família, conduz esposa, filhos e noras na obediência à ordem divina.
O capítulo também reflete uma visão antiga do cosmos, em que as “fontes do grande abismo” e as “janelas dos céus” se rompem, sugerindo que as águas que Deus havia separado na criação (Gênesis 1) agora voltam a invadir a terra. É uma espécie de “desfazimento” temporário da ordem criada, em resposta à corrupção moral da humanidade.
Gênesis 7 apresenta uma narrativa contínua, mas é possível perceber uma organização clara em blocos:
Convite de Deus e instruções finais (vv. 1-5)
Deus ordena que Noé entre na arca com sua casa, ressalta sua justiça e especifica a quantidade de animais limpos e não limpos, além das aves. Anuncia o prazo de sete dias até o início do dilúvio e a duração de quarenta dias e noites de chuva. O trecho conclui com a nota de que Noé fez tudo conforme Deus ordenou.
Entrada na arca e preparação (vv. 6-10)
O texto registra a idade de Noé, a entrada dele, da família e dos animais na arca “por causa das águas do dilúvio”. A repetição da expressão “como Deus ordenara” reforça a obediência. O bloco termina com a chegada efetiva das águas após os sete dias.
Início do dilúvio com marcação temporal precisa (vv. 11-12)
O narrador informa a data exata na vida de Noé em que as fontes do abismo se rompem e as janelas dos céus se abrem. A chuva de quarenta dias e noites é descrita como o mecanismo visível do juízo.
Confirmação da entrada na arca (vv. 13-16)
Há uma espécie de recapitulação solene: lista de Noé, seus filhos, esposas e todas as espécies que entram na arca. O texto enfatiza a variedade da criação representada ali. O parágrafo culmina com a frase “o Senhor o fechou dentro”, marcando o cuidado ativo de Deus.
Descrição da intensidade do dilúvio (vv. 17-20)
Os versículos destacam o aumento progressivo das águas, que elevam a arca e cobrem todos os altos montes, quinze côvados acima. A repetição de verbos como “cresceram”, “prevaleceram” reforça o domínio das águas.
Resultado: destruição da vida fora da arca (vv. 21-23)
Uma série de expressões abrangentes descreve a morte de toda a carne que se movia sobre a terra. A frase “desde o homem até ao animal” sublinha a totalidade do juízo. O trecho contrasta com a breve nota de preservação: “ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca”.
Conclusão temporal (v. 24)
O capítulo fecha com a informação de que as águas prevaleceram por cento e cinquenta dias, preparando a transição para a fase de recuo do dilúvio em Gênesis 8.
Gênesis 7 aprofunda temas teológicos introduzidos em Gênesis 6 e prepara o terreno para a aliança pós-dilúvio em Gênesis 8–9.
Deus santo que julga o pecado
O capítulo apresenta o dilúvio como resposta à maldade humana acumulada. A abrangência do juízo (“toda a carne”, “todos os altos montes”) mostra que o pecado tem consequências coletivas e cósmicas. A santidade de Deus não permite que a corrupção se perpetue sem limite.
Graça e eleição em meio ao juízo
Noé, chamado de justo, não é poupado por méritos perfeitos, mas porque encontrou graça diante de Deus (como já indicado em Gênesis 6). O texto mostra que, mesmo em juízo, Deus age com graça ao escolher um meio de preservação: a arca. Isso antecipa o padrão bíblico em que Deus provê salvação quando anuncia juízo.
Obediência como expressão de fé
A repetição de que Noé fez “conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenara” destaca a obediência como resposta adequada à revelação divina. A fé de Noé não é descrita em termos abstratos, mas como ação concreta diante de algo ainda não visto (o dilúvio futuro). Assim, a obediência se torna o canal prático da salvação.
Soberania de Deus sobre o tempo e a natureza
Deus determina prazos exatos (sete dias, quarenta dias, cento e cinquenta dias) e comanda elementos do cosmos (fontes do abismo, janelas dos céus). Isso reforça que a criação não é autônoma; está sujeita à voz do Criador. O dilúvio aparece como um “desfazer” parcial da criação, indicando que a ordem criada depende constantemente da vontade sustentadora de Deus.
Juízo e novo começo
Ao preservar Noé, sua família e representantes de todas as espécies, Deus sinaliza que o juízo não tem a destruição total como fim último, mas a purificação e a possibilidade de recomeço. A arca se torna símbolo de um “remanescentes” fiel por meio do qual Deus continua Seu propósito.
Distinção entre limpo e impuro
A instrução sobre sete pares de animais limpos aponta para a intenção de oferecer sacrifícios após o dilúvio (o que acontece em Gênesis 8:20). O texto sugere que o relacionamento com Deus envolve não apenas sobrevivência física, mas também culto e adoração ordenados por Ele.
Lido com sensibilidade, Gênesis 7 pode tocar emoções profundas relacionadas a medo de juízo, perda, desamparo e também segurança em meio ao caos. A imagem das águas que cobrem tudo evoca experiências humanas de ser “engolido” por problemas, luto ou ansiedade, enquanto a arca simboliza proteção e cuidado em meio à tempestade.
Para pessoas em sofrimento, a figura de Noé obedecendo em silêncio, entrando na arca com sua família e confiando em um Deus que fecha a porta por fora pode ressoar como a vivência de entrar em um lugar de refúgio quando tudo ao redor desmorona. O texto não minimiza a seriedade do mal nem da dor, mas mostra que Deus não abandona o mundo à própria sorte: Ele vê, age, julga e preserva.
Em contextos de ansiedade, a ênfase nos tempos determinados por Deus (sete dias, quarenta dias, cento e cinquenta dias) pode ajudar a pensar em limites para as tempestades da vida. Mesmo períodos longos e difíceis não são eternos; estão debaixo de um controle maior. O capítulo também pode servir como base para refletir sobre a importância de respostas concretas de fé diante de avisos e alertas: Noé não controla a chuva, mas constrói a arca e entra nela no tempo certo.
Ao mesmo tempo, a dimensão de juízo pode ativar culpas e medos exagerados em pessoas frágeis. Por isso, é importante ler este texto junto com a revelação mais ampla do caráter de Deus: justo e também misericordioso, que não deseja a morte do pecador, mas a sua mudança. Gênesis 7, assim, pode ser trabalhado terapeuticamente como uma narrativa que reconhece a realidade do mal e da perda, mas também oferece uma imagem forte de cuidado, propósito e possibilidade de recomeço após as águas mais altas.
Gênesis 7 contém cenas de destruição em larga escala, morte de todos os seres viventes fora da arca e linguagem de juízo divino. Esses elementos podem ser gatilhos para algumas pessoas:
Pessoas com histórico de traumas ligados a desastres naturais, enchentes ou tragédias coletivas podem reviver memórias dolorosas ao ler sobre as águas cobrindo tudo e a morte generalizada.
Indivíduos com quadro de ansiedade religiosa ou culpa excessiva podem interpretar o texto como uma ameaça direta e constante de punição, especialmente se já carregam uma imagem de Deus predominantemente punitiva, o que pode agravar sentimentos de medo, vergonha ou desespero espiritual.
Pessoas em luto recente podem sentir desconforto intenso ao se depararem com uma narrativa de morte massiva, sobretudo se o luto envolver perdas traumáticas ou repentinas.
Indivíduos com histórico de abuso espiritual podem ter tido Gênesis 7 usado de forma coercitiva para controle ou manipulação, e a leitura pode reativar dores associadas a discursos religiosos violentos.
Nesses casos, o texto deve ser abordado com cuidado, preferencialmente em acompanhamento com líderes espirituais sensíveis ou profissionais de saúde mental que respeitem a fé da pessoa. É importante lembrar que esta passagem faz parte de uma história maior que inclui promessas de graça, aliança e salvação, para evitar uma leitura isolada que acentue apenas o medo.
Levar a sério a voz de Deus e responder com obediência prática
Noé transforma a palavra recebida em ação concreta: entrar na arca, organizar a família, acomodar os animais. Na vida diária, isso inspira a tratar os alertas e orientações de Deus com responsabilidade, traduzindo convicções em decisões reais na família, no trabalho e nas relações.
Viver com integridade em gerações corrompidas
Noé é descrito como justo em sua geração. Em contextos marcados por injustiça, corrupção e violência, a postura dele encoraja a cultivar honestidade, justiça e fidelidade, mesmo quando isso parece ir na contramão do ambiente.
Preparar-se antes da tempestade
Noé entra na arca antes de ver as águas. Esse princípio pode inspirar atitudes preventivas: fortalecer vínculos familiares, construir hábitos espirituais sólidos, ajustar finanças de modo responsável e tomar decisões saudáveis antes das crises chegarem.
Reconhecer limites e confiar no cuidado de Deus
Depois de cumprir o que lhe cabia, Noé é fechado na arca pelo próprio Senhor. Isso aponta para o equilíbrio entre fazer a parte humana e aceitar que há momentos em que o controle está fora das mãos. Na prática, significa agir com diligência e depois descansar em Deus quanto ao que não se pode controlar.
Valorizar a criação e a responsabilidade sobre ela
A preservação de representantes de todas as espécies mostra a importância da vida animal e da biodiversidade. Esse cuidado sugere uma postura de responsabilidade ecológica: respeito ao meio ambiente, consumo consciente e atenção às consequências das ações humanas sobre a terra.
Enxergar os fins como oportunidades de recomeço
O dilúvio encerra um ciclo de maldade, mas também prepara um novo começo. Na vida cotidiana, isso lembra que encerramentos dolorosos, embora difíceis, podem abrir caminho para reconstrução, reconciliação e novas formas de caminhar sob a direção de Deus.
A distinção entre animais limpos e impuros aponta para o uso dos animais limpos em sacrifícios e possivelmente em alimentação, o que exigiria um número maior para que a espécie fosse preservada sem ser extinta. Após o dilúvio, Noé oferece holocaustos de animais limpos (Gênesis 8:20), algo que só é possível porque havia mais de um par. A quantidade maior de animais limpos mostra que Deus já estava provendo para o culto e para a continuidade da vida depois do juízo.
O texto de Gênesis 7 descreve o dilúvio com linguagem universal: todos os altos montes são cobertos, toda carne que se movia sobre a terra morre, apenas Noé e os que estavam na arca permanecem. Ao longo da história, intérpretes cristãos têm entendido de maneiras diferentes se isso corresponde a um evento realmente global em termos geográficos ou a uma grande catástrofe que, do ponto de vista do narrador, abrange todo o mundo conhecido. Em qualquer caso, o foco principal do texto é teológico: enfatizar a seriedade do juízo de Deus e Sua decisão de preservar um remanescente para recomeçar.
Quando o texto afirma que o Senhor fechou Noé dentro da arca (v. 16), indica que Deus assumiu pessoalmente o ato final de proteção. Noé preparou a arca e entrou com a família e os animais, mas é Deus quem sela o lugar de refúgio. Simbolicamente, isso reforça que a verdadeira segurança não vem apenas do esforço humano, mas do cuidado ativo de Deus que guarda aqueles que confiam nEle.
O dilúvio é apresentado como resposta à corrupção extrema da humanidade, marcada por violência e maldade contínuas, como já descrito em Gênesis 6. O objetivo não é apenas punir, mas conter a propagação do mal e, ao mesmo tempo, preservar um caminho para o plano de Deus na história por meio de Noé e sua família. O juízo é severo, mas está ligado à santidade de Deus e à decisão de não permitir que a injustiça domine para sempre. A narrativa bíblica, porém, também mostra que Deus faz alianças e oferece novos começos, revelando um caráter que une justiça e misericórdia.
Gênesis 7 menciona diferentes períodos relacionados ao dilúvio. Primeiro, Deus anuncia sete dias até o início da chuva (v. 4). Em seguida, afirma-se que choveu quarenta dias e quarenta noites (v. 12,17). Por fim, o capítulo conclui dizendo que as águas prevaleceram sobre a terra por cento e cinquenta dias (v. 24). Esses dados mostram um processo: preparação, início da chuva e um longo período em que as águas permaneceram dominando a paisagem, antes de começarem a baixar, o que será descrito em Gênesis 8.
Gênesis 7 é um capítulo pesado: muita água, muita perda, pouca fala. É como se o texto pegasse a sensação de um coração sufocado, cercado por problemas por todos os lados, e colocasse em forma de história. Há dor, há juízo, há fim de ciclo. Mas, ao mesmo tempo, há uma família protegida dentro de uma arca que Deus mesmo fecha por fora. A figura de Noé entrando com os seus na arca, carregando a responsabilidade de cuidar da família em meio ao caos, fala à experiência de quem tenta segurar tudo de pé quando o mundo parece desmoronar. Dentro da arca, eles ainda ouviam a chuva, sentiam o balanço, talvez tivessem medo, saudade, incerteza. O texto não romantiza: as águas realmente sobem, a destruição realmente acontece. E, mesmo assim, Deus está ali, silencioso mas presente, segurando aquela arca no meio do nada. Para um coração cansado, a imagem de Deus que fecha a porta é muito preciosa. Significa que, em momentos em que já não há forças para fazer mais nada, Ele pode cercar com cuidado, pôr limites no que atinge, guardar por dentro enquanto lá fora tudo é barulho e alagamento. A obediência de Noé não o livra de sentir a tempestade, mas o coloca em um lugar seguro dentro dela. O capítulo também toca a dor das perdas: tudo o que tinha fôlego de vida, em terra seca, morreu. Isso lembra situações em que quase tudo o que era conhecido se desfaz: relacionamentos, planos, segurança, saúde. Gênesis 7 não oferece respostas rápidas para o porquê de tanta dor, mas afirma que o mal não é ignorado por Deus e que, ainda quando decide lidar com ele de forma dura, Ele não abandona completamente a história. Há preservação, há futuro, mesmo quando o presente parece só destruição. Na experiência de quem sofre, essa narrativa pode funcionar como um espelho: a vida, às vezes, atravessa dilúvios que duram mais do que se imagina suportar (como os cento e cinquenta dias de águas altas). O texto não promete que os dias difíceis serão curtos, mas mostra que eles têm começo e fim, e que, no meio, existe um cuidado que não depende da força da pessoa, mas da fidelidade de Deus.
Gênesis 7 aprofunda o relato do dilúvio com uma combinação de detalhes temporais, repetições e contrastes que ajudam a entender a intenção do autor. A marcação precisa da data na vida de Noé (ano seiscentos, mês segundo, dia dezessete) reforça a historicidade do evento na perspectiva do texto. A repetição da fórmula “como Deus ordenara a Noé” sublinha a obediência como motivo central da preservação. Literariamente, o capítulo faz uso de paralelismos e recapitulações. A entrada de Noé, da família e dos animais é narrada, e logo depois retomada com mais detalhes (vv. 7-9 e 13-16). Isso não é redundância gratuita, mas uma forma de destacar, diante do leitor, a importância dessa ação de obediência e da diversidade da criação representada na arca. A linguagem de “fontes do grande abismo” e “janelas dos céus” dialoga com a cosmologia de Gênesis 1, em que Deus separa as águas de cima e de baixo. No dilúvio, essa separação parece temporariamente desfeita. Teologicamente, isso sugere que o juízo divino tem dimensão cósmica: não é só a humanidade que sofre as consequências, mas também a ordem do mundo. A distinção entre animais limpos e não limpos, aqui mencionada sem explicação, aponta para uma tradição cultual pré-mosaica, preservada pelo autor. A quantidade maior de animais limpos provavelmente se conecta ao sacrifício de agradecimento que virá depois. Isso mostra que o objetivo de Deus não é apenas preservar a vida física, mas também manter a possibilidade de culto, de relacionamento com Ele. Do ponto de vista da composição, Gênesis 7 funciona como a parte descendente de uma estrutura maior de dilúvio: anúncio do juízo, preparação da arca, entrada e fechamento, intensificação das águas, ponto máximo, e, depois, em Gênesis 8, o recuo das águas e a saída. Tudo é narrado com foco duplo: o juízo universal de um lado, e a graça particular sobre Noé e sua casa do outro. Assim, o texto não deve ser lido só como crônica de desastre, mas como teologia narrativa sobre a santidade de Deus, a realidade do pecado e a preservação de um remanescente fiel. Em debates contemporâneos, questões como a extensão geográfica do dilúvio ou sua relação com relatos paralelos em outras culturas são importantes, mas o leitor precisa notar que o próprio texto guia a atenção para a dimensão moral e teológica do evento. A pergunta central não é apenas “como” aconteceu, mas “por que” e o que revela sobre Deus e sobre a humanidade.
Gênesis 7 traz uma cena forte: de um lado, uma geração inteira colhendo as consequências da própria corrupção; do outro, uma família que resolveu levar a sério a voz de Deus e se prepara com antecedência. Esse contraste rende aprendizados muito práticos para a vida cotidiana. Noé não sabia todos os detalhes do que iria enfrentar, mas sabia o suficiente para agir. Ele entra na arca com a família, organiza os animais, cumpre cada ordem. Isso se parece com as decisões que uma pessoa precisa tomar quando percebe sinais de que algo vai mudar: ajustar finanças antes da crise bater, buscar ajuda antes que o casamento desmorone, cuidar da saúde antes que o corpo peça socorro. A fé de Noé se traduz em planejamento, trabalho e coragem para ser diferente da sua geração. Outro aspecto é o cuidado com os seus. Noé não entra sozinho na arca; ele leva esposa, filhos, noras. A fé dele tem impacto familiar. Na prática, isso lembra a importância de incluir a casa nos movimentos de obediência: conversar sobre valores, tomar decisões que protejam todos, assumir postura de responsabilidade, mesmo quando isso é impopular. O texto também mostra limites claros do que cabe a cada um. Noé faz sua parte, mas quem fecha a porta é o Senhor. No dia a dia, muita angústia vem de tentar controlar o que está fora do alcance: decisões alheias, acontecimentos globais, o futuro distante. A narrativa inspira a separar o que é responsabilidade pessoal (agir com integridade, obedecer, se preparar) do que é domínio de Deus (os tempos, as águas, os resultados finais). A presença dos animais e de toda a diversidade da criação dentro da arca sugere uma forma prática de enxergar o mundo: o ser humano tem papel de cuidador, não de dono absoluto. No cotidiano, isso se traduz em escolhas mais responsáveis: evitar desperdícios, tratar a natureza com respeito, enxergar a vida como algo a ser preservado, e não explorado até o limite. Por fim, o tempo longo das águas sobre a terra lembra que recomeços nem sempre são imediatos. Há fases em que a pessoa está “dentro da arca”, sem ver muito progresso, só ouvindo a chuva. Nesses períodos, o caminho prático é manter a fidelidade nas pequenas coisas: rotina, trabalho, cuidado com a casa, perseverança nos compromissos. A transformação pode estar acontecendo, mesmo quando ainda não se vê terra seca pela janela.
Gênesis 7 é uma janela para realidades profundas da vida espiritual: juízo, salvação, recomeço. A imagem da arca fechada por Deus em meio a um mundo coberto de águas fala de um mistério: ao mesmo tempo em que Deus julga, Ele cuida; enquanto encerra um ciclo, preserva em silêncio a semente de um novo. O caráter de Deus aparece aqui em tensão aparente: Ele é absolutamente santo, não tolera que a maldade se eternize; e, ao mesmo tempo, é paciente e cuidadoso, preparando um caminho de escape para que a história não acabe no caos. A arca simboliza esse caminho, uma espécie de refúgio provido antes que a tempestade comece. Espiritualmente, isso aponta para a forma como Deus, ao longo da Bíblia, prepara meios de salvação antes mesmo que o juízo se manifeste plenamente. A jornada de Noé é, em muitos aspectos, uma caminhada de fé em meio ao não visto. Ele vive um tempo em que a maioria ignora a realidade espiritual e continua seu curso, mas escolhe alinhar sua vida a uma palavra divina que aponta para algo além do imediato. Esse contraste entre a geração ao redor e a obediência de Noé convida a pensar no chamado de viver com os olhos fixos em realidades eternas, mesmo quando a cultura ao redor segue outros valores. As águas que voltam a cobrir a terra lembram que a criação depende continuamente de Deus para permanecer. Sem Sua sustentação, a ordem se desfaz. Espiritualmente, isso fala da condição humana sem o Criador: dispersão, perda de propósito, ausência de chão. A experiência de estar na arca, preservado em meio ao desfazer do mundo, é uma imagem potente da segurança que existe em estar abrigado em Deus, mesmo que externamente tudo pareça ruir. O tempo prolongado das águas, cento e cinquenta dias, aponta para a dimensão de espera na vida espiritual. Muitas vezes, a pessoa é chamada a permanecer em fidelidade dentro de “arcas” apertadas, limitadas, sem clareza sobre quando verá o novo começo. Nesse intervalo, forma-se algo íntimo: confiança, desprendimento daquilo que ficou para trás, abertura para o que Deus fará adiante. Ao meditar neste capítulo, emerge uma perspectiva de eternidade: a história humana não caminha ao acaso; há momentos de acerto de contas, há limites para o avanço do mal, há decisões divinas que redesenham o rumo do mundo. No meio disso, existe a possibilidade real de ser guardado por Deus, não por mérito, mas por graça. A narrativa do dilúvio, assim, não é apenas lembrança de um grande juízo passado, mas também um sinal de que, por trás das águas que sobem e descem ao longo da história, há um Deus que conduz tudo para um final onde justiça e misericórdia se encontram plenamente.
" E aconteceu, no sétimo ano, no quinto mês, aos dez do mês, que vieram alguns dos anciãos de Israel, para consultarem o SENHOR; e assentaram-se diante de mim. "
" Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Filho do homem, fala aos anciãos de Israel, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Viestes consultar-me? Vivo eu, que não me deixarei ser consultado por vós, diz o Senhor DEUS. "
" Porventura tu os julgarias, julgarias tu, ó filho do homem? Notifica-lhes as abominações de seus pais; "
" E dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito, e levantei a minha mão para eles, dizendo: Eu sou o SENHOR vosso Deus; "
" Naquele dia levantei a minha mão para eles, para os tirar da terra do Egito, para uma terra que já tinha previsto para eles, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras. "
" Então lhes disse: Cada um lance de si as abominações dos seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor vosso Deus. "
" Mas rebelaram-se contra mim, e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações dos seus olhos, nem deixava os ídolos do Egito; então eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles no meio da terra do Egito. "
" O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios, no meio dos quais estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a eles, para os tirar da terra do Egito. "
" E os tirei da terra do Egito, e os levei ao deserto. "
" E dei-lhes os meus estatutos e lhes mostrei os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. "
" E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica. "
" Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando os meus juízos, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; e profanaram grandemente os meus sábados; e eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir. "
" O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios perante a vista dos quais os fiz sair. "
" E, contudo, eu levantei a minha mão para eles no deserto, para não os deixar entrar na terra que lhes tinha dado, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras; "
" Porque rejeitaram os meus juízos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos. "
" Não obstante o meu olho lhes perdoou, e eu não os destruí nem os consumi no deserto. "
" Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos. "
" Eu sou o Senhor vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e executai-os. "
" E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus. "
" Mas também os filhos se rebelaram contra mim, e não andaram nos meus estatutos, nem guardaram os meus juízos para os fazer, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; eles profanaram os meus sábados; por isso eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir contra eles a minha ira no deserto. "
" Mas contive a minha mão, e o fiz por amor do meu nome, para que não fosse profanado perante os olhos dos gentios, à vista dos quais os fiz sair. "
" Também levantei a minha mão para eles no deserto, para os espalhar entre os gentios, e os derramar pelas terras, "
" Porque não executaram os meus juízos, e rejeitaram os meus estatutos, e profanaram os meus sábados, e os seus olhos iam após os ídolos de seus pais. "
" Por isso também lhes dei estatutos que não eram bons, juízos pelos quais não haviam de viver; "
" E os contaminei em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo tudo o que abre a madre; para assolá-los para que soubessem que eu sou o Senhor. "
" Portanto fala à casa de Israel, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Ainda até nisto me blasfemaram vossos pais, e que procederam traiçoeiramente contra mim. "
" Porque, havendo-os eu introduzido na terra sobre a qual eu levantara a minha mão, para lha dar, então olharam para todo o outeiro alto, e para toda a árvore frondosa, e ofereceram ali os seus sacrifícios e apresentaram ali a provocação das suas ofertas; puseram ali os seus cheiros suaves, e ali derramaram as suas libações. "
" E eu lhes disse: Que alto é este, aonde vós ides? E seu nome tem sido Bamá até o dia de hoje. "
" Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Contaminai-vos a vós mesmos a maneira de vossos pais? E vos prostituístes com as suas abominações? "
" E, quando ofereceis os vossos dons, e fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, não é certo que estais contaminados com todos os vossos ídolos, até este dia? E vós me consultaríeis, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que vós não me consultareis. "
" E o que veio à vossa mente de modo algum sucederá, quando dizeis: Seremos como os gentios, como as outras famílias da terra, servindo ao madeiro e à pedra. "
" Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós. "
" E vos tirarei dentre os povos, e vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada. "
" E vos levarei ao deserto dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco; "
" Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor DEUS. "
" Também vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo da aliança. "
" E separarei dentre vós os rebeldes, e os que transgrediram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o Senhor. "
" Quanto a vós, ó casa de Israel, assim diz o Senhor DEUS; Ide, sirva cada um os seus ídolos, pois que a mim não me quereis ouvir; mas não profaneis mais o meu santo nome com as vossas dádivas e com os vossos ídolos. "
" Porque no meu santo monte, no monte alto de Israel, diz o Senhor DEUS, ali me servirá toda a casa de Israel, toda ela naquela terra; ali me deleitarei neles, e ali requererei as vossas ofertas alçadas, e as primícias das vossas oblações, com todas as vossas coisas santas; "
" Com cheiro suave me deleitarei em vós, quando eu vos tirar dentre os povos e vos congregar das terras em que andais espalhados; e serei santificado em vós perante os olhos dos gentios. "
" E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu vos introduzir na terra de Israel, terra pela qual levantei a minha mão para dá-la a vossos pais. "
" E ali vos lembrareis de vossos caminhos, e de todos os vossos atos com que vos contaminastes, e tereis nojo de vós mesmos, por causa de todas as vossas maldades que tendes cometido. "
" E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu proceder para convosco por amor do meu nome; não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos corruptos, ó casa de Israel, disse o Senhor DEUS. "
" E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Filho do homem, dirige o teu rosto para o caminho do sul, e derrama as tuas palavras contra o sul, e profetiza contra o bosque do campo do sul. "
" E dize ao bosque do sul: Ouve a palavra do SENHOR: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que acenderei em ti um fogo que em ti consumirá toda a árvore verde e toda a árvore seca; não se apagará a chama flamejante, antes com ela se queimarão todos os rostos, desde o sul até ao norte. "
" E verá toda a carne que eu, o Senhor, o acendi; não se apagará. "
" Então disse eu: Ah! Senhor DEUS! Eles dizem de mim: Não é este um proferidor de parábolas? "
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