Gênesis 34:1
" E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 34 na sua vida hoje
31 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Depois de anos de espera, Deus visita Sara e cumpre exatamente o que havia prometido: o nascimento de Isaque, no tempo determinado. A alegria de Sara transforma vergonha em riso, mostrando que Deus não se esquece do que diz, mesmo quando a realização parece humanamente impossível.
O riso de escárnio de Ismael gera uma crise na família, levando Sara a pedir a expulsão de Agar e do menino. Deus orienta Abraão a obedecer, afirmando que a descendência da promessa viria por meio de Isaque, mas sem abandonar Ismael, a quem também faria uma grande nação.
Agar e Ismael, sozinhos e sem água no deserto, chegam ao limite. Deus ouve o choro do menino, consola Agar, mostra um poço e acompanha o crescimento de Ismael. O texto revela que o Senhor vê, ouve e intervém em favor dos que parecem descartados e sem futuro.
Abraão e Abimeleque reconhecem a ação de Deus na vida de Abraão e formalizam uma aliança de paz em torno de um poço disputado. A solução inclui diálogo, reparação simbólica e juramento, ensinando a importância de tratar conflitos com clareza, honra e temor a Deus.
Abraão planta um bosque em Berseba e invoca o nome do Senhor, o Deus eterno. Mesmo ainda peregrino, sem possuir plenamente a terra, ele estabelece ali um lugar de memória e adoração, reconhecendo que sua história está nas mãos de um Deus que ultrapassa gerações.
Gênesis 21 se passa na fase em que Abraão vive como estrangeiro em Canaã, antes da formação de Israel como povo organizado. Deus já havia chamado Abraão de Ur e feito promessas de descendência e terra. O nascimento de Isaque ocorre quando Abraão tem cerca de cem anos e Sara, já idosa, é estéril havia décadas. Esse nascimento era fundamental para a continuidade da aliança, pois Deus havia dito que faria de Abraão uma grande nação por meio de um filho que nasceria de Sara.
Agar, serva egípcia de Sara, havia tido Ismael como tentativa humana de cumprimento da promessa, conforme relatado em Gênesis 16. O conflito entre Sara e Agar reflete a tensão entre herdeiros e servos em estruturas familiares antigas, onde concubinas ou servas podiam gerar filhos para o patriarca. A expulsão de Agar e Ismael, embora dura, aparece em um cenário no qual questões de herança e primogenitura eram centrais.
O cenário geográfico inclui o deserto de Berseba e o deserto de Parã, regiões ao sul de Canaã, áridas e perigosas, onde a água era um recurso estratégico. Poços definem posses e relações de poder. A disputa em torno do poço mostra a realidade de pastores e reinos locais, onde controladores de água tinham grande influência. Abimeleque é apresentado como um rei da região filisteia, formando uma aliança de proteção mútua com Abraão, o que indica o reconhecimento político e espiritual da importância do patriarca na região.
A referência a Berseba e à plantação de um bosque sugere um lugar de culto e memorial, prática comum no Antigo Oriente Próximo para marcar encontros significativos com o divino e pactos duradouros.
Gênesis 21 é construído em blocos narrativos bem definidos, que mostram diferentes facetas da atuação de Deus e da caminhada de Abraão:
Cumprimento da promessa e nascimento de Isaque (21:1-8) – O texto destaca três vezes que Deus fez “como tinha dito/como tinha prometido”, reforçando a confiabilidade da palavra divina. A ênfase cai na alegria de Sara, na circuncisão de Isaque e no banquete do desmame, marcando o menino como filho da aliança.
Conflito entre Sara e Agar e a confirmação da linhagem da promessa (21:9-13) – Surge a tensão interna: Ismael zomba, Sara reage com firmeza e Abraão se entristece. Em meio à dor, Deus intervém com orientação específica, confirmando a escolha de Isaque sem rejeitar Ismael.
Agar e Ismael no deserto e o cuidado de Deus (21:14-21) – A narrativa se desloca do acampamento de Abraão para o deserto de Berseba. Há progressão dramática: provisão inicial, esgotamento de recursos, desespero de Agar, choro do menino, intervenção divina, revelação do poço e crescimento de Ismael.
Aliança entre Abraão e Abimeleque em Berseba (21:22-32) – Muda o foco para relações externas. O reconhecimento de Deus por Abimeleque abre diálogo sobre fidelidade e justiça. O episódio do poço, as sete cordeiras e o juramento dão um tom jurídico e cerimonial à narrativa.
Adoração em Berseba e nota de peregrinação (21:33-34) – O capítulo termina em tom contemplativo: Abraão planta um bosque, invoca o nome do Senhor como Deus eterno e permanece como peregrino entre os filisteus. É um fechamento que aponta para estabilidade relativa, mas ainda sem posse plena da promessa, mantendo a tensão da fé.
O texto alterna cenas de intimidade familiar (nascimento, riso, conflito), sofrimento no deserto (choro, quase morte, socorro) e negociações políticas (aliança, poço, juramento), formando um quadro rico da vida de fé em meio a alegrias, perdas e responsabilidades públicas.
Teologicamente, Gênesis 21 é um marco do cumprimento das promessas de Deus a Abraão. O nascimento de Isaque mostra que a aliança não se apoia na capacidade humana, mas na intervenção soberana do Senhor. A ênfase no “tempo determinado” sublinha que Deus cumpre seu plano no momento que considera apropriado, apesar da idade avançada de Abraão e Sara.
A distinção entre Isaque e Ismael aponta para o tema da escolha soberana de Deus na história da salvação. A promessa específica da descendência que traria bênção às nações está ligada a Isaque, mas isso não significa rejeição absoluta de Ismael; ao contrário, Deus o abençoa e faz dele uma grande nação. Assim, a eleição não anula o cuidado amplo de Deus pela humanidade.
O cuidado divino com Agar e Ismael aprofunda a revelação de um Deus que ouve o clamor dos vulneráveis. Mesmo quando Agar e seu filho são afastados da casa da promessa, o Senhor os acompanha, provê água e lhes garante futuro. Deus é apresentado como aquele que vê o sofrimento, ouve o choro e abre caminhos onde há apenas desespero.
A aliança entre Abraão e Abimeleque destaca a dimensão pública da fé. Abimeleque reconhece que Deus é com Abraão em tudo o que faz, o que mostra como a graça de Deus sobre a vida do patriarca se torna testemunho. O trato justo sobre o poço e o juramento em Berseba revelam que a fé bíblica se expressa também na forma como se lida com bens, conflitos e acordos.
Por fim, a invocação do “Senhor, Deus eterno” em Berseba apresenta um aspecto profundo da teologia bíblica: o Deus da aliança é eterno, acima do tempo, em contraste com a fragilidade e a temporariedade da peregrinação humana. Abraão adora esse Deus enquanto ainda está a caminho, antecipando a confiança de que o plano divino atravessa gerações e alcança seu propósito.
Este capítulo tem grande potencial terapêutico para pessoas que lidam com espera prolongada, conflitos familiares, sensação de rejeição e insegurança em relação ao futuro.
A história de Abraão e Sara mostra que esperas longas e cheias de frustração podem, em algum momento, ser visitadas pela fidelidade de Deus. A transformação do choro em riso na vida de Sara pode oferecer esperança a quem se sente cansado de aguardar mudanças, lembrando que a demora não significa abandono.
O conflito com Agar e Ismael toca o tema da dor em decisões difíceis. Abraão sofre ao despedir o filho, e ainda assim precisa caminhar em obediência. Isso pode ressoar com quem enxerga que algumas escolhas corretas também doem profundamente. O texto valida a tensão emocional, pois Deus não ignora a dor de Abraão e, ao mesmo tempo, mostra um cuidado ativo com Agar e Ismael.
A experiência de Agar no deserto é especialmente significativa para quem se sente descartado, sozinho ou à beira de perder tudo. Agar se afasta para não ver o filho morrer, chora e pensa estar no fim. A narrativa mostra que Deus ouve o choro infantil, fala com Agar, reduz seu medo e abre seus olhos para um recurso que já estava ali. Essa imagem trabalha a ideia de que, em situações-limite, nem sempre a realidade é ausência total de saída; às vezes, a dor impede de enxergar possibilidades.
A cena da aliança em Berseba toca aspectos de convivência, justiça e limites saudáveis. Abraão confronta Abimeleque sobre o poço tomado à força, e junto com ele estabelece um acordo claro. Isso oferece uma imagem de solução de conflitos com respeito, sem agressividade, mas também sem omissão.
A referência final ao Deus eterno, invocado por Abraão em meio à sua peregrinação, pode auxiliar pessoas em crise de sentido. Mesmo sem ter tudo resolvido, Abraão estabelece um lugar de memória e adoração, o que sugere a possibilidade de encontrar algum tipo de estabilidade interior em Deus no meio de cenários externos instáveis.
Alguns elementos do capítulo podem ser delicados para determinadas pessoas e contextos emocionais.
A expulsão de Agar e Ismael (21:9-14) pode ser gatilho para quem tem histórico de abandono, rejeição familiar ou separação traumática entre pais e filhos. A leitura sem cuidado pode ser percebida como normalização de abandono, se não se considera o contexto histórico e a posterior intervenção de Deus em favor de Agar e Ismael.
A cena de quase morte no deserto (21:15-16) pode acionar memórias dolorosas em pessoas com histórico de fome, negligência grave, tentativas de suicídio ou perdas infantis. A descrição de Agar se afastando para não ver o menino morrer é emocionalmente forte e pode exigir acolhimento sensível em contextos pastorais ou terapêuticos.
A menção à poligamia e à serva que gera filho para o patriarca (21:9-10) pode confundir quem vive relacionamentos abusivos ou irregulares hoje, especialmente se o texto for usado de forma distorcida para justificar injustiças. É importante lembrar que o relato descreve uma prática cultural antiga, não um modelo a ser copiado.
Em contextos de aconselhamento, é recomendável: - Evitar usar o texto para pressionar pessoas a permanecer em relacionamentos violentos ou claramente destrutivos sob a ideia de “suportar como Agar”, pois Deus não legitima a violência. - Ter cuidado ao aplicar a história de espera de Abraão e Sara a situações de infertilidade, para não sugerir que Deus obrigatoriamente dará um filho biológico a todos os casais. - Acolher com atenção especial pessoas com histórico de abandono, adoção, filhos de relacionamentos extraconjugais ou famílias recompostas, para que não se sintam menos amados por Deus ao lerem sobre a distinção entre Isaque e Ismael.
Gênesis 21 oferece vários caminhos práticos para a vida cotidiana:
Aprender a esperar com confiança: A experiência de Abraão e Sara convida a cultivar perseverança e fé diante de promessas não realizadas. Isso pode significar continuar fazendo o que é correto, mantendo a esperança e lembrando que o tempo de Deus nem sempre coincide com os cronogramas humanos.
Celebrar as pequenas e grandes vitórias: O banquete no desmame de Isaque mostra a importância de marcar momentos de avanço com gratidão. Na prática, isso pode inspirar a reconhecer e celebrar etapas importantes da vida familiar, profissional ou espiritual, fortalecendo a memória da fidelidade de Deus.
Enfrentar conflitos familiares com honestidade: O conflito entre Sara, Agar, Isaque e Ismael revela que tensões reais exigem decisões claras. Em vez de alimentar rivalidades indefinidamente, o texto encoraja a buscar caminhos definidos, ainda que difíceis, considerando o bem das partes envolvidas e buscando direção de Deus.
Confiar no cuidado de Deus em situações-limite: A história de Agar e Ismael lembra que, mesmo em cenários de escassez e abandono, o Senhor pode abrir novos caminhos. Na prática, isso incentiva a buscar ajuda, apoio comunitário, orientação e a não assumir que o desespero é a palavra final.
Tratar bens e recursos com justiça: O episódio do poço ensina a necessidade de lidar com propriedades, contratos e conflitos materiais de forma honesta. Isso pode se aplicar a acordos de trabalho, uso de recursos compartilhados, vizinhança e questões financeiras familiares.
Construir pontes de paz: Abraão busca um acordo com Abimeleque e firma um juramento. Essa atitude convida a, quando possível, dialogar com quem pensa diferente, estabelecer limites claros e acordos justos, evitando vingança e ressentimento prolongado.
Cultivar memória de fé em meio à instabilidade: A plantação do bosque e a invocação do nome do Deus eterno em Berseba sugerem criar marcos de lembrança espiritual: lugares, hábitos ou registros que ajudem a lembrar intervenções de Deus. Isso fortalece a fé em tempos de incerteza e peregrinação.
O nascimento de Isaque é o cumprimento concreto da promessa que Deus havia feito a Abraão e Sara muitos anos antes. Ele representa o filho da aliança, por meio de quem Deus continuaria seu plano de formar um povo e abençoar todas as nações. O fato de Isaque nascer quando Abraão e Sara já estavam idosos reforça que a promessa não se cumpriu por força humana, mas por intervenção sobrenatural de Deus.
Sara viu Ismael zombando e temeu que o filho da serva tivesse parte na herança junto com Isaque. Dentro da cultura da época, essa questão de herança e status era muito séria. Sua reação foi dura, mas ligada à preocupação com quem seria o herdeiro da promessa. Deus, porém, não abandona Agar e Ismael: orienta Abraão, promete fazer de Ismael uma nação e cuida deles no deserto.
Deus não apresenta a situação como ideal, mas entra na história ferida para trazer cuidado e futuro. Ele orienta Abraão a ouvir Sara porque o plano da aliança passaria por Isaque, e ao mesmo tempo se revela a Agar e promete que Ismael também se tornaria uma grande nação. O texto mostra que, mesmo em decisões difíceis e marcadas por dor, Deus continua atento e atuante em favor dos vulneráveis.
A aliança em Berseba tem um caráter político e espiritual. Abimeleque reconhece que Deus está com Abraão e busca garantir paz e lealdade. Abraão, por sua vez, aproveita para tratar uma injustiça em relação a um poço tomado à força. As sete cordeiras servem como sinal público de que o poço pertence a Abraão. O episódio ensina sobre resolução justa de conflitos, importância de acordos claros e reconhecimento da ação de Deus na vida de seu povo.
Invocar o nome do Senhor é um ato de culto e dependência. Ao chamar Deus de “eterno”, Abraão reconhece que o Senhor está acima do tempo, firme e imutável, enquanto ele próprio vive como peregrino, em situação temporária. Plantar um bosque em Berseba e ali invocar o nome do Deus eterno cria um marco de adoração e memória, expressando confiança de que a história de Abraão está nas mãos de um Deus que atravessa gerações.
Gênesis 21 é cheio de emoções profundas: riso, dor, medo, alívio. A história começa com uma alegria quase inacreditável. Sara, que carregou por anos a vergonha da esterilidade, diz que Deus a fez rir. O riso aqui não é só de humor; é de alívio depois de muita lágrima escondida. Quem viveu longa espera entende a força desse momento. Mas, no meio da alegria, surge o conflito. Ismael zomba, Sara se sente ameaçada, Abraão fica despedaçado entre dois filhos. É um lar em tensão, com amor e sofrimento misturados. A Bíblia não esconde o quanto a vida em família pode ser complexa e às vezes injusta aos olhos humanos. E, ainda assim, Deus está presente, guiando, falando, cuidando das partes mais frágeis. A cena de Agar no deserto é de cortar o coração. Ela coloca o menino longe, porque não suporta vê-lo morrer, e chora. A dor de uma mãe que se sente sem saída é respeitada pelo texto. Deus ouve o choro do menino e chama Agar pelo nome, acalmando o medo: “Não temas”. Ele não exige forças que ela não tem; primeiro, consola, depois mostra o poço. O cuidado de Deus é sensível ao limite do coração humano. Para quem se sente descartado, como Agar, ou deslocado, como Abraão peregrino, esse capítulo sussurra que não há situação tão confusa ou injusta que esteja fora do alcance do olhar de Deus. O Senhor não está apenas na festa de nascimento de Isaque; está também no deserto com Agar e Ismael, e na mesa de negociação com Abimeleque. Ele acolhe lágrimas, sustenta em decisões dolorosas e oferece, aos poucos, lugares de descanso, memória e adoração em meio à peregrinação.
Do ponto de vista da compreensão bíblica, Gênesis 21 funciona como um elo crucial entre promessa e cumprimento na narrativa patriarcal. O texto insiste que o que ocorre com Sara é exatamente o que o Senhor havia dito, enfatizando a confiabilidade da palavra divina. O nascimento de Isaque é teologicamente carregado: ele não é apenas um filho desejado, mas o portador da linhagem da aliança. A tensão entre Isaque e Ismael reflete a dinâmica entre promessa e tentativa humana. Ismael surgiu de uma solução culturalmente aceitável, mas teologicamente paralela ao plano de Deus. A reação de Sara, embora dura, coloca em primeiro plano a questão da herança. Quando Deus diz a Abraão que em Isaque será chamada sua descendência, ele delimita a linhagem pela qual seguirá o projeto redentor, sem por isso negar a bênção sobre Ismael. A narrativa de Agar e Ismael no deserto tem estrutura literária forte: esgotamento, afastamento, choro, intervenção divina, revelação, futuro. Deus “ouve a voz do menino” e “abre os olhos” de Agar, imagens que dialogam com temas maiores das Escrituras: o Deus que escuta o clamor e que possibilita enxergar o que antes estava oculto. A formação de Ismael como flecheiro no deserto e a escolha de uma esposa egípcia por sua mãe mostram o início de um povo com identidade própria, em paralelo à linhagem de Isaque. O relato da aliança com Abimeleque adiciona um componente político e jurídico à vida de Abraão. O reconhecimento de que “Deus é contigo em tudo o que fazes” mostra como a presença divina na vida de Abraão tem impacto público. O problema do poço ilustra a importância da água em contexto semiárido e como disputas por recursos podem ser resolvidas por meio de acordos formais. As sete cordeiras funcionam como prova concreta de propriedade, um tipo de documento vivo em forma de oferenda. O fechamento com Abraão invocando o “Senhor, Deus eterno” em Berseba conecta a experiência particular do patriarca com uma visão mais ampla de Deus. Abraão ainda é um peregrino, mas ergue um tipo de santuário natural para o Deus que transcende o tempo. Assim, Gênesis 21 articula micro-histórias familiares, deslocamentos geográficos e desenvolvimento de nações, sempre sob a perspectiva da aliança e da fidelidade divina.
Na dimensão prática, Gênesis 21 mostra como fé se traduz em atitudes concretas no meio de alegrias, conflitos e responsabilidades. Abraão e Sara ensinam algo sobre esperar e também sobre agir quando a promessa chega. Quando Isaque nasce, eles não tratam isso como algo comum. Dão o nome orientado por Deus, cumprem o sinal da circuncisão e celebram. Há um senso de responsabilidade diante do que receberam. Na prática, isso se parece com assumir com seriedade as oportunidades e bênçãos que chegam: cuidar, marcar, agradecer. A crise com Agar e Ismael mostra um tipo de situação que muitos vivem: conflitos irreconciliáveis dentro da estrutura familiar. Abraão sente a dor de ter de se afastar de um filho. Deus não minimiza essa dor, mas aponta um caminho, garantindo que cuidará de Ismael. Em termos de vida diária, isso lembra que há decisões difíceis, em que não se consegue “agradar a todos”, mas em que é possível confiar que Deus continua atuando também na parte que sai do nosso controle. Agar no deserto representa momentos em que uma pessoa sente que esgotou todos os recursos. Ela faz o que consegue: protege o menino, busca alguma sombra, chora. Deus entra na história não para romantizar o sofrimento, mas para mostrar um recurso real – o poço – e um futuro possível. Hoje, isso se traduz em buscar ajuda concreta: orientação, apoio comunitário, abertura para ver caminhos novos que, num primeiro momento, não pareciam existir. O episódio do poço com Abimeleque é um retrato valioso de como lidar com injustiças. Abraão não ignora o roubo do poço, mas também não parte para a violência. Ele conversa, explica, confronta respeitosamente e propõe um sinal visível de acordo. Isso inspira a tratar problemas de terreno, dinheiro, trabalho ou convivência com firmeza e clareza, documentando o que for necessário e buscando acordos honestos. Por fim, o bosque em Berseba lembra que, mesmo em vida de mudanças, vale a pena criar marcos que nos ajudem a lembrar quem Deus é. Podem ser hábitos, espaços ou símbolos que ancorem a rotina em algo maior que as circunstâncias. Assim, o dia a dia ganha direção dentro de uma história maior, guiada pelo Deus eterno.
Gênesis 21 convida a olhar a vida a partir de uma perspectiva de longo alcance, onde o tempo humano e o tempo de Deus se cruzam de forma misteriosa. A chegada de Isaque após tanta espera mostra que a história da salvação não é apressada. Deus atua no “tempo determinado”. Entre promessa e cumprimento, Abraão e Sara atravessam anos de silêncio, tentativas próprias e até risos de incredulidade. Ainda assim, o plano de Deus não se desfaz. Isso sugere uma espiritualidade que aprende a habitar o intervalo, confiando que o Deus eterno continua trabalhando mesmo quando nada aparenta mudar. A distinção entre Isaque e Ismael coloca em foco a soberania divina na condução da história. A linhagem pela qual virá, muito adiante, o Messias, é conduzida por escolha graciosa, não por lógica humana. Ao mesmo tempo, o cuidado com Ismael mostra que Deus não é um Deus de poucos, mas de todas as famílias da terra. A alma é chamada a descansar em um Deus que escolhe caminhos específicos para realizar seu plano redentor e, ainda assim, mantém um olhar abrangente sobre todos. Agar e Ismael no deserto revelam um aspecto íntimo do caráter de Deus: Ele ouve o clamor do vulnerável e se aproxima do exilado. A frase “Deus ouviu a voz do menino” ecoa em muitas outras partes das Escrituras, onde o clamor dos oprimidos sobe até Ele. Espiritualmente, isso lembra que nenhuma oração simples, nenhum gemido sem palavras escapa ao ouvido divino. O poço que se revela a Agar se torna imagem de uma graça que já estava ali, não percebida, até que Deus abre os olhos. A cena de Abraão invocando o nome do “Senhor, Deus eterno” em Berseba amplia o horizonte da fé. Abraão continua peregrino, mas ergue ali um sinal de que sua vida está ancorada em alguém que não passa. Ele não aguarda apenas terras e descendentes; aprende a conhecer o próprio Deus como sua segurança última. A espiritualidade que nasce daqui não se limita a pedir soluções pontuais, mas se inclina a adorar Aquele que existe antes e depois de todas as circunstâncias. Assim, Gênesis 21 aponta para uma vida espiritual que integra promessa e deserto, riso e choro, casa e peregrinação. A alma é convidada a caminhar com o Deus que cumpre o que promete, sustenta os rejeitados, orienta nas negociações da vida e permanece o mesmo enquanto todas as coisas ao redor mudam.
" E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
" Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas? "
" Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. "
" As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. "
" Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam. "
" As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse. "
" Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: "
" Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que, porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas; "
" Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: "
" Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto. "
" Porque assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. "
" Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. "
" E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. "
" Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. "
" Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor DEUS. "
" A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo. "
" E quanto a vós, ó ovelhas minhas, assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes. "
" Acaso não vos basta pastar os bons pastos, senão que pisais o resto de vossos pastos aos vossos pés? E não vos basta beber as águas claras, senão que sujais o resto com os vossos pés? "
" E quanto às minhas ovelhas elas pastarão o que haveis pisado com os vossos pés, e beberão o que haveis sujado com os vossos pés. "
" Por isso o Senhor DEUS assim lhes diz: Eis que eu, eu mesmo, julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha magra. "
" Porquanto com o lado e com o ombro dais empurrões, e com os vossos chifres escorneais todas as fracas, até que as espalhais para fora. "
" Portanto livrarei as minhas ovelhas, para que não sirvam mais de rapina, e julgarei entre ovelhas e ovelhas. "
" E suscitarei sobre elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor. "
" E eu, o Senhor, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o disse. "
" E farei com elas uma aliança de paz, e acabarei com as feras da terra, e habitarão em segurança no deserto, e dormirão nos bosques. "
" E delas e dos lugares ao redor do meu outeiro, farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênção serão. "
" E as árvores do campo darão o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu quebrar as ataduras do seu jugo e as livrar da mão dos que se serviam delas. "
" E não servirão mais de rapina aos gentios, as feras da terra nunca mais as devorarão; e habitarão seguramente, e ninguém haverá que as espante. "
" E lhes levantarei uma plantação de renome, e nunca mais serão consumidas pela fome na terra, nem mais levarão sobre si o opróbrio dos gentios. "
" Saberão, porém, que eu, o SENHOR seu Deus, estou com elas, e que elas são o meu povo, a casa de Israel, diz o Senhor DEUS. "
" Vós, pois, ó ovelhas minhas, ovelhas do meu pasto; homens sois; porém eu sou o vosso Deus, diz o Senhor DEUS. "
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