Gênesis 32:1
" E sucedeu que, no ano duodécimo, no duodécimo mês, ao primeiro do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 32 na sua vida hoje
32 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Sodoma e Gomorra são destruídas porque sua maldade se tornou insuportável diante de Deus. O pecado não é apenas individual, mas também coletivo e estrutural, envolvendo toda a cidade, do moço ao velho.
Enquanto executa o juízo, Deus mostra misericórdia a Ló, segurando sua mão, poupando Zoar por causa dele e lembrando-se de Abraão ao livrá-lo da destruição.
A ordem é clara: fugir e não olhar para trás. A mulher de Ló se volta, desobedecendo, e se torna estátua de sal. Apegos ao passado e à vida anterior podem levar à ruína.
Ló recebe os anjos com hospitalidade, mas oferece suas filhas à multidão violenta, hesita em obedecer, teme o monte e pede uma alternativa. Sua vida mostra fé misturada com fraqueza e escolhas confusas.
As filhas de Ló, com medo do fim de sua linhagem, tomam uma decisão pecaminosa e manipuladora. Dessa relação incestuosa nascem Moabe e Ben-Ami, ancestrais de povos que mais tarde serão adversários de Israel.
Deus se lembra de Abraão ao livrar Ló. A intercessão de Abraão no capítulo anterior não foi ignorada; a relação de Deus com seus servos tem impacto concreto em outras vidas.
Versiculos-chave: 29
Gênesis 19 se insere no período patriarcal, quando Abraão e sua família viviam como nômades na terra de Canaã. Sodoma e Gomorra eram cidades da campina do Jordão, região fértil e próspera, mas marcadas por forte corrupção moral e injustiça. No capítulo anterior, Abraão havia intercedido por Sodoma, pedindo que a cidade fosse poupada se houvesse justos ali. Em resposta, Deus envia dois anjos, que chegam a Sodoma ao entardecer. Ló, que havia escolhido viver naquela região por causa de sua fertilidade, agora se vê no centro do juízo divino. O texto reflete práticas culturais da antiguidade, como a forte obrigação de hospitalidade ao estrangeiro e a ameaça de violência coletiva contra visitantes. O episódio final, envolvendo o incesto das filhas de Ló, explica a origem dos moabitas e amonitas, povos vizinhos e, em muitos momentos, inimigos de Israel ao longo do Antigo Testamento.
O capítulo pode ser dividido em quatro grandes movimentos narrativos:
1) Chegada dos anjos e perversão de Sodoma (19.1-11) - Ló recebe os mensageiros na porta da cidade. - Ele insiste para que se hospedem em sua casa. - Os homens de Sodoma cercam a casa e exigem acesso sexual aos visitantes. - Ló tenta negociar, inclusive oferecendo suas filhas. - Os anjos intervêm, puxam Ló para dentro e cegam os agressores.
2) Anúncio do juízo e fuga apressada de Ló (19.12-23) - Os anjos anunciam a destruição iminente e mandam Ló reunir seus familiares. - Os genros desprezam a advertência. - Ao amanhecer, os anjos insistem; Ló demora. - Deus, em misericórdia, faz com que os anjos peguem Ló e sua família pela mão e os tirem da cidade. - A ordem é: fugir, não olhar para trás, ir ao monte. - Ló pede para ir a Zoar, cidade pequena; o pedido é aceito.
3) Destruição de Sodoma, olhar de Abraão e lembrança de Deus (19.24-29) - Deus faz chover fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra. - A mulher de Ló olha para trás e se torna estátua de sal. - Abraão observa de longe a fumaça subindo como de uma fornalha. - O texto ressalta que Deus se lembrou de Abraão e tirou Ló do meio da destruição.
4) Ló nas montanhas e o incesto das filhas (19.30-38) - Ló deixa Zoar e se refugia em uma caverna com as duas filhas. - Temendo ficar sem descendência, as filhas planejam embebedar o pai e deitar-se com ele em duas noites sucessivas. - Ló, embriagado, não percebe o que está acontecendo. - Ambas engravidam; nascem Moabe (pai dos moabitas) e Ben-Ami (pai dos amonitas).
O texto combina cenas de grande tensão moral, diálogos diretos, ordens divinas claras, e um final sombrio que prepara o cenário para conflitos futuros na história bíblica.
Gênesis 19 expõe com força a santidade de Deus e a gravidade do pecado. A destruição de Sodoma e Gomorra mostra que Deus não é indiferente à violência, à injustiça e à degradação moral persistente. O juízo não é impulsivo, mas resposta a um “clamor” que sobe até Ele, linguagem que aponta para opressão e maldade social extrema.
Ao mesmo tempo, o capítulo enfatiza a misericórdia de Deus. Ele envia anjos, avisa com antecedência, dá oportunidade de fuga aos familiares de Ló e, diante da hesitação do próprio Ló, segura sua mão e o tira dali. O texto liga explicitamente o livramento de Ló à lembrança de Abraão, mostrando que Deus leva a sério a intercessão dos seus servos.
A figura de Ló é teologicamente complexa: ele demonstra hospitalidade e algum senso de justiça, mas também revela compromissos confusos com a cultura ao seu redor e uma ética profundamente comprometida, especialmente ao oferecer as filhas. O texto não o idealiza; expõe uma fé fraca, rodeada por decisões questionáveis, e ainda assim alcançada pela graça.
O episódio da mulher de Ló ilustra a seriedade da obediência. O mandamento de não olhar para trás é desrespeitado, e o resultado é juízo imediato. A imagem da estátua de sal se torna símbolo de uma vida presa ao passado e ao mundo condenado.
Por fim, o nascimento de Moabe e Ben-Ami a partir de um ato incestuoso mostra como o pecado produz consequências duradouras na história dos povos. Mesmo assim, Deus é capaz de, mais adiante na narrativa bíblica, usar até moabitas em Seu plano redentor, revelando juízo e graça atuando misteriosamente na história.
Este capítulo toca em temas emocionalmente pesados: violência sexual, colapso moral de uma comunidade inteira, destruição em massa, perda repentina, trauma familiar e decisões extremas em contextos de medo. Em termos de cuidado emocional, o texto mostra pessoas em estado de choque, hesitação diante de mudanças abruptas e tentativas desordenadas de preservar algo de segurança ou futuro.
Ló parece paralisado entre duas lealdades: a vida construída em Sodoma e o chamado para fugir. Sua demora e sua dificuldade em soltar o que conhece lembram a ambivalência comum em processos de ruptura com ambientes destrutivos. A mulher de Ló simboliza o coração dividido, incapaz de se desprender do que está ficando para trás.
As filhas de Ló, por sua vez, revelam o dano profundo que o contexto de Sodoma e a experiência traumática da destruição causaram na sua percepção de segurança, futuro e sexualidade. Seu plano distorcido nasce de medo, isolamento e ausência de referências saudáveis, resultando em mais dor e confusão.
Ao mesmo tempo, a misericórdia de Deus ao pegar Ló pela mão sugere uma intervenção divina que alcança até quem está confuso, lento e fragilizado. Há uma imagem de Deus atuando em meio ao caos, resgatando, ainda que as marcas da história permaneçam.
Lido terapeuticamente, o capítulo ilumina o peso dos ambientes tóxicos, o impacto da violência e da perda súbita sobre famílias, e a tendência humana de tomar decisões precipitadas no desespero. Também indica que, mesmo em cenários extremos, o cuidado de Deus não é anulado pelo colapso em volta.
O texto traz conteúdos que podem acionar memórias dolorosas ou gatilhos em algumas pessoas:
Para pessoas com histórico de trauma, abuso ou luto recente, a leitura deste capítulo pode despertar angústia intensa, imagens intrusivas ou sensação de insegurança espiritual. Nesses casos, é prudente que a leitura seja acompanhada de apoio pastoral sensível ou acompanhamento terapêutico, e que se faça pausas quando necessário.
Gênesis 19 oferece vários aprendizados práticos para a vida cotidiana:
1) Atenção aos ambientes que moldam o caráter A escolha de Ló por Sodoma mostra como ambientes aparentemente vantajosos podem corroer valores e fé. Em decisões sobre onde morar, trabalhar ou se envolver, vale considerar não só benefícios materiais, mas também o impacto espiritual e moral.
2) Romper com contextos destrutivos A ordem de sair rapidamente e não olhar para trás aponta para a necessidade, às vezes urgente, de abandonar situações abusivas, corruptas ou espiritualmente perigosas. A hesitação de Ló ilustra o quanto apegos e confortos podem atrasar ações necessárias.
3) Levar a sério as advertências de Deus Os genros de Ló tratam a advertência como piada. A narrativa mostra o perigo de banalizar chamados divinos ao arrependimento, à mudança de vida e à busca da santidade.
4) Cuidar das decisões em tempos de medo As filhas de Ló tomam decisões graves baseadas em medo e isolamento. Em situações de pânico ou desespero, é importante buscar conselhos, parar para refletir e evitar ações irreversíveis tomadas no impulso.
5) Proteger a dignidade dos vulneráveis A atitude de Ló com suas filhas serve como advertência negativa. A proteção dos mais frágeis — especialmente crianças e mulheres — é responsabilidade que não pode ser sacrificada em nome de conveniências ou negociações com o mal.
6) Valor da intercessão Deus se lembra de Abraão ao livrar Ló. Isso reforça a importância de interceder por pessoas e cidades, confiando que Deus ouve e pode agir em misericórdia em resposta às orações.
O texto afirma que o “clamor” de Sodoma havia aumentado diante de Deus e que a cidade seria destruída por causa de sua injustiça e maldade extremas (v.13). A tentativa de estupro coletivo contra os visitantes revela a profundidade da perversão da cidade. Outras passagens bíblicas associam Sodoma à violência, arrogância, falta de cuidado com o pobre e imoralidade sexual persistente. A destruição é apresentada como juízo divino contra um sistema de pecado arraigado, não apenas contra pecados isolados.
Os anjos haviam ordenado que Ló e sua família fugissem sem olhar para trás (v.17). A mulher de Ló desobedece e olha, e o texto relata que ela se transforma em estátua de sal (v.26). A Bíblia não explica em detalhes o mecanismo desse acontecimento, mas o episódio funciona como sinal visível do juízo e da seriedade da ordem divina. A mulher de Ló se torna símbolo de alguém preso ao passado e à vida que Deus está julgando, incapaz de se desapegar do que precisa ser deixado para trás.
Não. Embora o texto relate o fato sem comentário moral direto, o conjunto da ética bíblica mostra que a atitude de Ló é condenável. Ele tenta proteger os hóspedes à custa da dignidade e segurança de suas filhas, invertendo o cuidado que um pai deveria ter. O episódio expõe a confusão moral de Ló, que, mesmo tendo algum senso de justiça, foi profundamente influenciado pelo ambiente de Sodoma. Sua ação é um exemplo negativo, não um modelo a ser seguido.
Quando a Bíblia diz que Deus se “lembra” de alguém, não quer dizer que Ele havia esquecido, mas que decide agir em favor dessa pessoa ou em resposta a ela. Em Gênesis 19.29, o texto afirma que, ao destruir as cidades da campina, Deus se lembrou de Abraão e tirou a Ló da destruição. Isso conecta o livramento de Ló à intercessão de Abraão no capítulo anterior. A oração de Abraão não impediu o juízo sobre Sodoma como um todo, mas teve impacto concreto ao poupar Ló.
As filhas de Ló, após testemunharem a destruição de Sodoma e vivendo isoladas com o pai em uma caverna, temem ficar sem descendência (v.31). Em vez de confiar em Deus ou buscar outro caminho, elaboram um plano pecaminoso: embebedar o pai e ter relações sexuais com ele, em duas noites consecutivas (v.32-35). O texto não justifica seu ato; ao contrário, expõe a profundidade da distorção moral herdada do contexto de Sodoma e do trauma vivido. Daí nascem Moabe e Ben-Ami, ancestrais de povos que trarão muitos problemas a Israel. A narrativa é descritiva, não prescritiva, mostrando como escolhas movidas pelo medo e pela falta de fé podem gerar consequências de longo prazo.
Gênesis 19 é um capítulo pesado, cheio de cenas que doem: ameaça de violência, cidade em colapso, correria para fugir, perda no meio do caminho, família quebrada, decisões desesperadas. É a história de gente vivendo coisas que parecem maiores do que a capacidade de suportar. Ló aparece como alguém dividido. Ele se esforça para proteger os visitantes, mas toma decisões confusas e frágeis. Ele demora para sair, parece preso à vida que construiu em Sodoma. A mulher dele olha para trás e morre ali, transformada em estátua de sal. As filhas, marcadas pelo medo e pelo trauma, fazem um plano que revela o quanto ficaram distorcidas por tudo o que viveram. No meio desse cenário, há um detalhe cheio de consolo: os anjos “pegaram pela mão” Ló, sua mulher e suas filhas, por misericórdia do Senhor (v.16). Quando ele não consegue andar no ritmo que precisa, Deus intervém e segura sua mão. A história não esconde a fraqueza dele; ao contrário, mostra que, mesmo assim, Deus o alcança. Também é significativo que Deus se lembre de Abraão ao livrar Ló (v.29). Há uma relação, uma amizade com Deus, que toca a vida de outra pessoa em perigo. O cuidado de Deus passa pela história de intercessão de alguém que ora, pergunta, insiste. Este capítulo mostra que Deus vê ambientes violentos, clamor de injustiça, histórias familiares adoecidas. Ele não é indiferente ao mal nem ao sofrimento causado por ele. Seu juízo é duro, mas sua misericórdia aparece no modo como Ele protege, avisa, insiste, pega pela mão. Mesmo quando as marcas da dor permanecem, a narrativa sussurra que ninguém é deixado sozinho no meio do caos: Deus enxerga, se importa e age.
Lido com atenção, Gênesis 19 é um texto teologicamente denso e moralmente complexo. Ele articula três grandes eixos: o juízo de Deus, a misericórdia em meio a esse juízo e a ambiguidade humana representada em Ló e suas filhas. O contexto imediato é a intercessão de Abraão por Sodoma em Gênesis 18. Ali, Abraão questiona: destruirás o justo com o ímpio? O capítulo 19 funciona como resposta narrativa. Os anjos vão à cidade, constatam a corrupção extrema: a tentativa de estupro coletivo contra os visitantes mostra uma sociedade em que a violência sexual virou prática pública. A expressão “desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros” (v.4) indica algo estrutural, não um ato isolado. O pecado de Sodoma não é reduzido a um único tipo de prática, mas apresentado como um sistema de maldade que rejeita a justiça, a hospitalidade e a proteção do vulnerável. O comportamento dos homens da cidade contrasta com a insistente hospitalidade de Ló, refletindo um padrão do Antigo Oriente em que acolher o estrangeiro era obrigação moral séria. A figura de Ló é importante para a leitura. Ele é justo em certo sentido, mas moralmente frágil. Defende os hóspedes, porém oferece as filhas, revelando uma ética confusa. Ele crê na palavra dos anjos, mas demora a obedecer. Pede uma solução intermediária (Zoar) em vez de ir ao monte. O texto não o apresenta como herói ideal, e sim como alguém salvo pela misericórdia, não pelo desempenho. A mulher de Ló se torna símbolo narrativo da desobediência: a ordem de não olhar para trás é explícita (v.17), e sua transformação em estátua de sal (v.26) funciona como sinal de advertência. Abraão, por sua vez, é colocado em cena como observador distante da fumaça que sobe (v.27-28), reforçando a ligação com a intercessão anterior. O episódio final, frequentemente esquecido, é essencial para a teologia da narrativa. As filhas de Ló, isoladas e traumatizadas, articulam um plano de incesto com o pai, motivado por medo de perder a descendência (v.31-32). O texto destaca a embriaguez de Ló e sua inconsciência (v.33, 35), sublinhando a degradação de toda a situação. Dessa relação nascem Moabe e Ben-Ami (v.37-38), ancestrais de dois povos que terão papel tenso na história de Israel. Assim, o capítulo não só relata um juízo do passado, mas também explica origens étnicas e espirituais, preparando o leitor para conflitos posteriores. Do ponto de vista teológico, Gênesis 19 equilibra a gravidade do juízo com a força da misericórdia. Deus destrói Sodoma, mas poupa Ló “lembrando-se de Abraão” (v.29). O texto, portanto, mantém em tensão a santidade de Deus diante do pecado e sua disposição de salvar, especialmente em resposta à intercessão e à sua própria graça soberana.
Gênesis 19 encosta em questões muito práticas do dia a dia: onde se escolher viver, como lidar com ambientes tóxicos, como reagir em crises e o que o medo pode fazer com as decisões. Ló escolheu Sodoma de olho na fertilidade da terra, no potencial econômico. Com o tempo, está sentado à porta da cidade (v.1), lugar de influência. Mas toda a aparência de vantagem desaba quando a maldade do lugar se torna insuportável e vem o juízo. A vida dele mostra como decisões baseadas apenas em ganhos materiais podem colocar a família em ambientes que corroem valores, segurança e fé. A ordem de Deus através dos anjos é direta: levanta, sai, não para, não olha para trás (v.15-17). Ló, porém, “demorava-se” (v.16). Ele precisa literalmente ser puxado pela mão. Essa imagem retrata bem situações em que a pessoa sabe que precisa sair de um contexto destrutivo — um relacionamento abusivo, um círculo de amizades que arrasta para o mal, um esquema desonesto no trabalho —, mas posterga, relativiza, tenta acomodar. Quanto mais demora, maior o risco. A mulher de Ló ilustra o perigo do coração dividido. O corpo está saindo, mas o olhar fica preso ao que ficou. O texto não explica exatamente o que se passou ali, mas deixa claro que apego ao que Deus está julgando pode levar à perda total. Em termos de vida prática, isso lembra a importância de encerrar ciclos com decisão: se é para sair de algo que destrói, é para sair mesmo, sem manter “atalhos” de volta. As filhas de Ló, no final, mostram outro lado: quando o medo toma conta e não se enxerga saída, surgem planos que parecem “necessários”, mas passam por cima de princípios. Elas não consultam ninguém, não buscam alternativas, decidem sozinhas em ambiente fechado. Esse isolamento, somado ao trauma, produz uma escolha que marca gerações. Em termos práticos, o texto aponta para a importância de buscar ajuda, conselho e visão mais ampla justamente quando a situação parece sem saída. Por outro lado, a frase de que Deus foi misericordioso e que os anjos tomaram Ló pela mão (v.16) mostra que a história não é decidida apenas pela força humana. Mesmo decisões ruins, como a ida para Sodoma, não impedem Deus de intervir. Isso não anula as consequências, mas abre caminho para recomeços. Para a vida diária, isso significa que não existe situação tão confusa a ponto de Deus não poder entrar, orientar a saída e iniciar um caminho diferente.
Espiritualmente, Gênesis 19 é um espelho duro sobre o que acontece quando um coração, uma cidade ou uma cultura inteira se afastam de Deus. O capítulo mostra, ao mesmo tempo, o peso do juízo e a profundidade da misericórdia. Sodoma vive como se Deus não existisse. O mal se torna público, coletivo, normalizado. A tentativa de violência contra os mensageiros celestiais mostra que a cidade já não distingue o sagrado do profano. Quando o “clamor” sobe até Deus (v.13), é como se o sofrimento das vítimas e a afronta à santidade divina se encontrassem. O juízo que vem, com fogo e enxofre (v.24), antecipa, em miniatura, o que a Bíblia chama em outros textos de juízo final: um acerto de contas definitivo com o mal. Ao mesmo tempo, Deus não é retratado como indiferente ou distante. Ele envia anjos, avisa, insiste, dá tempo para que Ló reúna os seus. Quando Ló não consegue romper sozinho, Deus o alcança com misericórdia, pegando-o pela mão (v.16). Não é a firmeza espiritual de Ló que o salva, mas a graça de Deus agindo na sua fraqueza. A mulher de Ló, transformada em estátua de sal por olhar para trás (v.26), torna-se símbolo espiritual de quem tenta caminhar com Deus, mas sem soltar o coração das antigas seguranças. O chamado divino aqui é radical: “escapa-te por tua vida” (v.17). Há momentos na jornada espiritual em que não é possível negociar com o pecado ou com estruturas que afastam de Deus; é preciso fugir. O nascimento de Moabe e Ben-Ami, a partir de um ato incestuoso (v.36-38), mostra como o pecado deixa marcas na história. Ainda assim, mais adiante, Deus será capaz de, inclusive a partir dos moabitas, escrever capítulos de graça. Isso sugere que o juízo não é o fim da história, e que a mão de Deus consegue tecer redenção mesmo em linhas humanamente vergonhosas. No centro de tudo está a frase: “lembrou-se Deus de Abraão” (v.29). A memória de Deus não é apenas cognitiva; é uma decisão de agir em favor. A intercessão de Abraão, sua amizade com Deus, se torna canal de livramento para Ló. Espiritualmente, isso aponta para a importância de haver, na história humana, gente que se coloca diante de Deus, ora, suplica. E aponta também para Aquele que, no Novo Testamento, intercede de forma perfeita. Assim, Gênesis 19 convida a olhar para a própria vida e para o mundo com sobriedade: o mal é real e será julgado; Deus é santo e não se deixa zombar. Mas também convida à esperança: em meio ao colapso, Ele ainda estende a mão, lembra-se dos seus e abre caminho para uma nova história além do juízo.
" E sucedeu que, no ano duodécimo, no duodécimo mês, ao primeiro do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
" Filho do homem, levanta uma lamentação sobre Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Eras semelhante a um filho do leão entre as nações, mas tu és como uma baleia nos mares, e rompias os teus rios, e turbavas as águas com os teus pés, e pisavas os teus rios. "
" Assim diz o Senhor DEUS: Portanto, estenderei sobre ti a minha rede com reunião de muitos povos, e te farão subir na minha rede. "
" Então te deixarei em terra; sobre a face do campo te lançarei, e farei posar sobre ti todas as aves do céu, e fartarei de ti os animais de toda a terra. "
" E porei as tuas carnes sobre os montes, e encherei os vales da tua altura. "
" E regarei com o teu sangue a terra onde nadas, até aos montes; e os rios se encherão de ti. "
" E, apagando-te eu, cobrirei os céus, e enegrecerei as suas estrelas; ao sol encobrirei com uma nuvem, e a lua não fará resplandecer a sua luz. "
" Todas as brilhantes luzes do céu enegrecerei sobre ti, e trarei trevas sobre a tua terra, diz o Senhor DEUS. "
" E afligirei os corações de muitos povos, quando eu levar a tua destruição entre as nações, às terras que não conheceste. "
" E farei com que muitos povos fiquem pasmados de ti, e os seus reis tremam sobremaneira, quando eu brandir a minha espada ante os seus rostos; e estremecerão a cada momento, cada um pela sua vida, no dia da tua queda. "
" Porque assim diz o Senhor DEUS: A espada do rei de babilônia virá sobre ti. "
" Farei cair a tua multidão pelas espadas dos poderosos, que são todos os mais terríveis das nações; e destruirão a soberba do Egito, e toda a sua multidão será destruída. "
" E exterminarei todos os seus animais sobre as muitas águas; nem as turbará mais pé de homem, nem as turbarão unhas de animais. "
" Então farei assentar as suas águas, e farei correr os seus rios como o azeite, diz o Senhor DEUS. "
" Quando eu tornar a terra do Egito em desolação, e ela for despojada da sua plenitude, e quando ferir a todos os que habitam nela, então saberão que eu sou o Senhor. "
" Esta é a lamentação que se fará; que as filhas das nações farão; sobre o Egito e sobre toda a sua multidão, diz o Senhor DEUS. "
" E sucedeu que, no ano duodécimo, aos quinze do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
" Filho do homem, pranteia sobre a multidão do Egito, e faze-a descer, a ela e às filhas das nações magníficas, às partes mais baixas da terra, juntamente com os que descem à cova. "
" A quem sobrepujas tu em formosura? Desce, e deita-te com os incircuncisos. "
" No meio daqueles que foram mortos à espada cairão; à espada ela está entregue; arrastai-a e a toda a sua multidão. "
" Os mais poderosos dos fortes lhe falarão desde o meio do inferno, com os que a socorrem; desceram, jazeram com os incircuncisos mortos à espada. "
" Ali está Assur com toda a sua multidão; em redor dele estão os seus sepulcros; todos eles mortos, abatidos à espada. "
" Os seus sepulcros foram postos nas extremidades da cova, e a sua multidão está em redor do seu sepulcro; todos eles mortos, abatidos à espada; os que tinham causado espanto na terra dos viventes. "
" Ali está Elão com toda a sua multidão em redor do seu sepulcro; todos eles mortos, abatidos à espada; desceram incircuncisos às partes mais baixas da terra, causaram terror na terra dos viventes e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova. "
" No meio dos mortos lhe puseram uma cama, entre toda a sua multidão; ao redor dele estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos, mortos à espada; porque causaram terror na terra dos viventes, e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova; foi posto no meio dos mortos. "
" Ali estão Meseque, Tubal e toda a sua multidão; ao redor deles estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos, e mortos à espada, porquanto causaram terror na terra dos viventes. "
" Porém não jazerão com os poderosos que caíram dos incircuncisos, os quais desceram ao inferno com as suas armas de guerra e puseram as suas espadas debaixo das suas cabeças; e a sua iniqüidade está sobre os seus ossos, porquanto eram o terror dos fortes na terra dos viventes. "
" Também tu serás quebrado no meio dos incircuncisos, e jazerás com os que foram mortos à espada. "
" Ali está Edom, os seus reis e todos os seus príncipes, que com o seu poder foram postos com os que foram mortos à espada; estes jazem com os incircuncisos e com os que desceram à cova. "
" Ali estão os príncipes do norte, todos eles, e todos os sidônios, que desceram com os mortos, envergonhados com o terror causado pelo seu poder; e jazem incircuncisos com os que foram mortos à espada, e levam a sua vergonha com os que desceram à cova. "
" Faraó os verá, e se consolará com toda a sua multidão; sim, o próprio Faraó, e todo o seu exército, mortos à espada, diz o Senhor DEUS. "
" Porque também eu pus o meu espanto na terra dos viventes; por isso jazerá no meio dos incircuncisos, com os mortos à espada, Faraó e toda a sua multidão, diz o Senhor DEUS. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.