Gênesis 40 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 40 na sua vida hoje

49 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 40?

Gênesis 27 narra a disputa pela bênção de Isaque entre seus filhos Esaú e Jacó. Com a visão já comprometida, Isaque decide abençoar Esaú, seu primogênito, pedindo-lhe que prepare um guisado de caça. Rebeca, ouvindo a conversa, organiza um plano para que Jacó se passe por Esaú e receba a bênção. O engano é bem-sucedido, Isaque abençoa Jacó com palavras de prosperidade e domínio. Quando Esaú volta e descobre o que aconteceu, explode em choro e ressentimento, recebendo de Isaque uma bênção bem mais dura, ligada à luta e sujeição ao irmão. O ódio de Esaú cresce a ponto de planejar matar Jacó, e Rebeca manda o filho fugir para a casa de Labão, em Harã, preparando o cenário para os próximos capítulos da história de Jacó.

Temas principais em Gênesis 40

Engano dentro da família e suas consequências (versículos 5-24)

Rebeca e Jacó usam mentira, disfarce e manipulação para garantir que Jacó receba a bênção reservada a Esaú. O capítulo mostra como a falta de transparência, o favoritismo e os meios tortuosos geram dor, divisão e medo, mesmo quando se cumpre um propósito maior de Deus.

Versículos-chave: 12, 23, 35

A seriedade da bênção patriarcal (versículos 27-40)

A bênção dada por Isaque não é algo simbólico ou facilmente revogável. Suas palavras carregam peso de promessa, destino e autoridade. Por isso Esaú reage com choro profundo, e Isaque treme ao perceber que a bênção principal já foi dada e não pode ser desfeita.

Versículos-chave: 27, 29, 33, 38

Favorecimento e rivalidade entre irmãos (versículos 1-6, 34-41)

Isaque ama Esaú, Rebeca ama Jacó, e esse favoritismo alimenta uma rivalidade que explode em ódio, desejo de vingança e separação. A família é marcada por ressentimentos acumulados, injustiças percebidas e palavras que ferem.

Versículos-chave: 4, 6, 34, 41

Profecia sobre o futuro de Jacó e Esaú (versículos 27-40)

As bênçãos de Isaque sobre Jacó e Esaú descrevem não só seus destinos pessoais, mas também o futuro dos povos que surgiriam deles. A Jacó é prometida abundância e senhorio; a Esaú, vida dura, à espada, mas com a possibilidade de um dia sacudir o jugo do irmão.

Versículos-chave: 28, 29, 39, 40

Deus conduzindo a história apesar do pecado humano (versículos 27-29, 39-40)

Mesmo em meio a engano, dor e ódio, Deus segue adiante com Seu plano de fazer de Jacó o herdeiro da promessa. O capítulo mostra uma tensão entre a responsabilidade humana pelos pecados cometidos e a soberania de Deus que usa até situações tortas para cumprir Seus propósitos.

Versículos-chave: 27, 28, 29

Contexto histórico e literario

Gênesis 27 se passa no contexto da família de Isaque, herdeiro da promessa feita a Abraão. Na cultura patriarcal do Antigo Oriente, o primogênito normalmente tinha direito a uma porção maior da herança e recebia a bênção principal do pai, o que envolvia autoridade sobre os demais irmãos e, muitas vezes, uma espécie de reconhecimento oficial de sucessão. Já havia tensão anterior entre Jacó e Esaú: em Gênesis 25, Esaú vendera sua primogenitura a Jacó por um prato de lentilhas. Agora, a questão da bênção final do pai vem à tona. A época é marcada por estruturas familiares extensas, vida seminômade, rebanhos como principal riqueza e alianças estabelecidas por meio de casamentos. A bênção proferida por um patriarca não era vista apenas como desejo pessoal, mas como uma declaração com peso quase profético, que se acreditava vinculada à vontade de Deus. Por isso, uma vez pronunciada, não era simplesmente anulada. A menção de Harã, para onde Jacó é enviado, liga esta narrativa à família de Abraão na Mesopotâmia, reforçando conexões de parentesco e casamento dentro do mesmo clã.

Estrutura de Gênesis 40

O capítulo tem uma estrutura narrativa bem marcada, com tensão crescente e reviravolta:

  1. Preparação da bênção de Esaú (27.1-4): Isaque, idoso e com a visão debilitada, decide abençoar Esaú e pede caça e um guisado especial.
  2. Ouvindo e planejando: a intervenção de Rebeca (27.5-10): Rebeca escuta a conversa e formula um plano detalhado para que Jacó receba a bênção.
  3. Resistência de Jacó e insistência de Rebeca (27.11-17): Jacó teme ser descoberto e amaldiçoado, mas Rebeca assume o risco e organiza o disfarce.
  4. O engano diante de Isaque e a bênção concedida a Jacó (27.18-29): Jacó conversa com o pai, mente mais de uma vez, é testado pelo toque, cheiro e voz, e recebe a bênção completa.
  5. A chegada tardia de Esaú e a descoberta (27.30-35): Esaú volta, e a casa é tomada por choque, espanto e desespero quando se percebe o engano.
  6. O choro de Esaú e sua bênção secundária (27.36-40): Esaú reclama do nome de Jacó, chora amargamente e recebe de Isaque uma bênção dura, com traços de julgamento e esperança limitada.
  7. Ódio, ameaça e plano de fuga (27.41-45): Esaú decide matar Jacó após a morte do pai; Rebeca toma conhecimento e organiza a fuga do filho para Harã.
  8. Pretexto de Rebeca sobre o casamento de Jacó (27.46): Rebeca apresenta a Isaque a questão das mulheres heteias, preparando o envio de Jacó a Labão como algo aceitável.

Essa estrutura cria um arco de engano, revelação e ruptura na família, com diálogos intensos e repetição de termos como "bênção", "meu filho" e "primogênito", reforçando o conflito central.

Significado teológico

Gênesis 27 é um dos capítulos mais densos da história patriarcal por mostrar, ao mesmo tempo, a fragilidade humana e a firmeza do propósito divino. Do ponto de vista teológico, destaca:

  1. A importância da bênção na economia da aliança. A bênção de Isaque não é mero gesto afetivo; ela carrega a continuidade da promessa feita a Abraão: terra, descendência e influência entre as nações. Em Jacó, essa linha é oficialmente transmitida.

  2. A tensão entre promessa divina e meios humanos. Deus já havia declarado que o mais velho serviria ao mais novo (Gn 25.23). No entanto, em vez de confiar plenamente nessa palavra, Rebeca e Jacó recorrem à astúcia e mentira. O texto não elogia o engano, mas mostra como Deus, soberanamente, ainda assim cumpre o que prometeu. Isso não elimina a responsabilidade moral dos envolvidos nem as consequências amargas que eles colherão.

  3. A irreversibilidade da palavra abençoadora. Quando Isaque percebe que abençoou Jacó, declara: "e ele será bendito" (v.33). Isso aponta para a seriedade da palavra proferida diante de Deus. Na teologia bíblica, a palavra abençoa ou amaldiçoa, cria caminhos e marca destinos, refletindo o poder da palavra de Deus na criação e na história.

  4. Julgamento e misericórdia na bênção de Esaú. A bênção que Esaú recebe é, em parte, um juízo: vida a duras penas, pela espada, em submissão ao irmão. Ao mesmo tempo, há uma fresta de esperança: haverá um momento em que ele sacudirá o jugo (v.40). Isso antecipa a complexa relação futura entre Edom (descendente de Esaú) e Israel (descendente de Jacó).

  5. A realidade do pecado mesmo na linhagem da promessa. Os patriarcas não são retratados como heróis impecáveis, mas como pessoas reais, capazes de favoritismo, mentiras e vingança. A graça de Deus se destaca ao trabalhar com gente falha, sem aprovar o pecado, mas chamando essa mesma linhagem a ser instrumento de bênção para o mundo.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo expõe uma família profundamente marcada por favoritismo, mentiras, ressentimentos antigos e comunicação quebrada. Em termos de cuidado emocional e espiritual, a narrativa toca em temas como dor de rejeição, medo, culpa, rivalidade entre irmãos, insegurança afetiva e luto antecipado.

Isaque aparece vulnerável, envelhecido, dependente e, de certa forma, desconectado do que Deus já havia dito sobre seus filhos. Rebeca, movida por zelo e talvez por medo de perder o que Deus prometera a Jacó, recorre ao controle e à manipulação, assumindo o risco da maldição. Jacó se deixa conduzir pelo plano, consciente do engano, dividido entre temor e desejo de ser abençoado. Esaú expressa a ferida de quem se sente passado para trás mais uma vez, com um choro intenso que mistura raiva, perda e vergonha.

Do ponto de vista terapêutico, a passagem ajuda a nomear o peso que decisões injustas trazem para dentro de uma casa: culpa prolongada, afastamentos, segredos e ameaças que pairam sobre o ambiente. Também mostra como a busca desesperada por validação (no caso, a bênção do pai) pode empurrar pessoas a atitudes extremas.

Ao mesmo tempo, o texto abre espaço para refletir sobre como Deus acompanha histórias familiares confusas. Ainda que não conserte imediatamente todos os danos, Ele continua presente na trajetória, conduzindo processos de confronto, crescimento e reconciliação em etapas posteriores.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns sinais de alerta emocional e relacionais emergem neste capítulo:

  1. Favoritismo explícito dos pais: Rebeca e Isaque têm preferidos claros, o que alimenta rivalidade e insegurança afetiva entre os irmãos.
  2. Uso de engano como ferramenta recorrente: mentiras planejadas, disfarces físicos e até uso do nome de Deus (v.20) para legitimar o plano indicam um ambiente onde a confiança é frágil.
  3. Ameaça de violência letal dentro da família: o desejo de Esaú de matar Jacó (v.41) mostra ódio acumulado, desejo de vingança e risco extremo de ruptura.
  4. Comunicação indireta e manipulação: Rebeca não conversa diretamente com Isaque sobre a promessa de Deus a respeito de Jacó, preferindo atuar nos bastidores; mais tarde, usa o tema do casamento com mulheres heteias como argumento para a saída do filho (v.46).
  5. Carga excessiva de culpa e responsabilidade: Rebeca declara assumir sobre si a maldição (v.13), o que reflete um padrão de se colocar como "escudo" para o filho, assumindo riscos emocionais e espirituais que ninguém pode carregar plenamente por outro.
  6. Luto e sofrimento não elaborados: Esaú chora amargamente (v.38), mas a dor rapidamente se converte em ódio e planos de morte, sem espaço visível para reflexão, arrependimento ou mediação.

Em contextos atuais, sinais semelhantes — favoritismo, manipulação, ameaças, segredos persistentes — são indicadores de relacionamentos familiares que podem se beneficiar de apoio pastoral, comunitário e, em muitos casos, profissional.

Aplicação prática para hoje

Gênesis 27 oferece vários aprendizados práticos para a vida cotidiana:

  1. Cuidar do favoritismo nas relações familiares. A preferência afetiva declarada corrói laços, alimenta ciúmes e predispõe a conflitos graves. Pais e responsáveis podem aprender a demonstrar amor e respeito de forma equilibrada, sem comparar filhos ou colocar um contra o outro.

  2. Evitar o uso de meios tortuosos para alcançar fins bons. Mesmo quando um objetivo é justo ou até prometido por Deus, o caminho do engano, da manipulação e da mentira traz consequências amargas. O capítulo mostra que os atalhos podem até entregar um resultado imediato, mas geram medo, fugas e distâncias prolongadas.

  3. Reconhecer o peso das palavras. A bênção de Isaque ilustra como palavras ditas em momentos decisivos podem marcar profundamente a identidade de alguém. Isso inspira cuidado com o que se fala a filhos, cônjuges e pessoas próximas, especialmente em situações de crise.

  4. Levar a sério o ressentimento acumulado. A reação de Esaú revela quanto ressentimento não tratado pode se transformar em planos de vingança. Na prática, confrontar conflitos mais cedo, buscar reconciliação e pedir ajuda quando necessário é melhor do que deixar a amargura crescer em silêncio.

  5. Enxergar Deus atuando apesar do caos. O texto encoraja a lembrar que, mesmo em contextos familiares confusos, Deus não abandona a história. Isso convida a buscar caminhos de verdade, arrependimento e reconciliação, confiando que Ele pode redimir histórias marcadas por engano e ruptura.

  6. Planejar decisões importantes com diálogo e transparência. A preparação da bênção acontece de forma isolada entre Isaque e Esaú, sem incluir Rebeca nem Jacó. A falta de diálogo abre espaço para suspeitas, segredos e ações escondidas. Em decisões familiares relevantes — herança, mudanças, casamentos — a transparência tende a reduzir conflitos futuros.

Perguntas frequentes

Por que Rebeca decidiu enganar Isaque para favorecer Jacó?

O texto mostra que Rebeca ouviu a decisão de Isaque de abençoar Esaú e imediatamente planejou favorecer Jacó. Em Gênesis 25.23, Deus já havia revelado que o mais velho serviria ao mais novo, o que pode ter alimentado em Rebeca a convicção de que Jacó era o herdeiro da promessa. No entanto, em vez de buscar caminhos abertos, diálogo ou confiar na ação de Deus, ela recorre à astúcia. O capítulo não apresenta Rebeca como exemplo nesse ponto; apenas descreve sua escolha, que produz dor, separação e medo, ainda que Deus, soberanamente, use essa situação para confirmar Jacó como herdeiro da bênção.

A bênção de Isaque para Jacó poderia ser anulada ou transferida de volta para Esaú?

Pelo contexto do capítulo, a bênção é tratada como algo definitivo. Quando Esaú chega e descobre o ocorrido, Isaque treme profundamente e declara: "e ele será bendito" (v.33). Isso reflete a visão de que a bênção patriarcal, pronunciada diante de Deus, tem caráter de confirmação da vontade divina, não sendo simplesmente uma decisão administrativa revogável. Por isso, mesmo em meio ao engano, a palavra se mantém, e Esaú recebe apenas uma segunda bênção, bem diferente em conteúdo e alcance.

O texto aprova o engano de Jacó e Rebeca?

Não. A narrativa registra os fatos sem elogiar o engano. As consequências apontam na direção contrária: Jacó precisará fugir, viverá anos afastado de casa, experimentará engano semelhante por parte de Labão, e a família ficará marcada por dor e separação. O capítulo ilustra como Deus pode cumprir Seus planos mesmo através de ações tortas, mas isso não transforma o pecado em algo aceitável. A Escritura, em seu conjunto, valoriza verdade, justiça e confiança na providência divina, e Gênesis 27 funciona como um alerta sobre os efeitos destrutivos da manipulação.

Por que Esaú reagiu com tanta dor e ódio ao perder a bênção?

A bênção do pai, na cultura patriarcal, significava muito mais do que um gesto simbólico. Era reconhecimento, destino, autoridade e, no caso da família de Abraão, ligação com a promessa de Deus. Esaú já havia desprezado a primogenitura vendendo-a a Jacó, mas a perda da bênção o atinge de modo profundo. Ele sente que não há mais lugar especial para ele (v.34, 38), chora amargamente e, em vez de processar essa dor em arrependimento, transforma o sofrimento em ódio e desejo de vingança. A reação de Esaú mostra como escolhas passadas se encontram com decisões presentes, gerando um peso emocional grande quando a pessoa percebe que certas oportunidades foram definitivamente perdidas.

O que significa a parte da bênção de Esaú sobre viver pela espada e sacudir o jugo?

Na bênção de Esaú, Isaque diz que ele viverá pela espada e servirá ao irmão, mas que um dia sacudirá o jugo do pescoço (v.40). Isso descreve uma existência marcada por conflitos, sobrevivência difícil e sujeição ao domínio do descendente de Jacó. Ao mesmo tempo, a referência a "sacudir o jugo" aponta para momentos futuros em que os descendentes de Esaú (o povo de Edom) escapariam temporariamente do domínio de Israel. Teologicamente, essa bênção mostra um misto de juízo e certa medida de liberdade, lembrando que, mesmo para aquele que não recebe a bênção principal da aliança, Deus continua soberano sobre sua história.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 27 é uma janela para uma família cheia de dor. Há um pai envelhecido, vulnerável, prestes a morrer. Há uma mãe aflita, com medo de perder o futuro do filho e talvez de ver frustrada a promessa que carregava no coração. Há dois irmãos marcados por comparações e histórias mal resolvidas. E há lágrimas: as de Esaú, que grita e chora alto, sentindo-se enganado e rejeitado. Esse capítulo fala com quem vem de lares confusos, onde palavras feriram, promessas foram quebradas e o amor pareceu muitas vezes condicionado. A busca pela bênção de Isaque não é apenas sobre riqueza ou poder; é também desejo de ser visto, escolhido, reconhecido. Jacó se disfarça não só com roupas e peles, mas com o anseio profundo de ser o filho preferido. Esaú, ao perceber que perdeu, sente que não há mais espaço para ele. Em meio a tanta confusão, o texto não romantiza essa família. Mostra o peso da mentira, o custo do favoritismo, a dor de quem não foi ouvido nem respeitado. Ao mesmo tempo, lembra que Deus não desiste de caminhar com gente quebrada. A história de Jacó ainda vai passar por encontros transformadores, e até o choro de Esaú é levado a sério no relato. Nada disso apaga o sofrimento, mas aponta para um Deus que continua presente onde há lágrimas, culpa e rupturas, abrindo caminho, no tempo dEle, para cura, verdade e reconcilhação.

Mind
Mente

Lido com atenção, Gênesis 27 mostra uma narrativa teologicamente rica e literariamente bem construída. O conflito central gira em torno da bênção paterna, que, na mentalidade do Antigo Oriente, não é apenas um desejo, mas uma espécie de ato jurídico-espiritual que confirma quem herda a posição de liderança na família e, no caso da linhagem de Abraão, quem se alinha à promessa divina. Há uma camada importante de continuidade com Gênesis 25: já se sabia que "o maior servirá ao menor". A trama de Gênesis 27 se desenvolve exatamente nesse eixo: como essa palavra de Deus se confirma na história. O texto mostra que Isaque parece caminhar em sentido contrário ao anúncio divino, favorecendo Esaú; Rebeca, por sua vez, tenta "ajustar" os fatos ao que Deus já havia dito, porém por meios condenáveis. A estrutura de diálogos — entre Isaque e Esaú, Rebeca e Jacó, Jacó e Isaque, Isaque e Esaú novamente — cria paralelos e repetições que reforçam temas como engano, reconhecimento e irrevogabilidade da bênção. Um detalhe relevante é o papel dos sentidos de Isaque: a visão falha, o tato e o olfato utilizados para tentar identificar o filho, e a voz que denuncia a verdade. Literariamente, isso sublinha a tensão entre aparência e realidade. Também merece destaque a forma como o narrador deixa claro que, embora Jacó receba a bênção prometida, ele o faz de maneira moralmente ambígua, o que prepara o leitor para o fato de que esse patriarca será, posteriormente, confrontado, enganado e transformado. Em termos de teologia bíblica, Gênesis 27 afirma simultaneamente a soberania de Deus na eleição de Jacó e a responsabilidade humana pelos meios utilizados, sem simplificar a tensão entre essas duas dimensões.

Life
Vida

Gênesis 27 se parece com muitas histórias de família: preferências escondidas (ou nem tão escondidas), conversas paralelas, decisões importantes tomadas sem diálogo e pessoas tentando controlar o que não conseguem confiar nas mãos de Deus. Os resultados são previsíveis: ressentimento, brigas, distância, medo. Na prática, esse capítulo coloca um espelho diante de famílias que usam manipulação em vez de conversa franca. Rebeca, em vez de sentar com Isaque e relembrar a palavra de Deus sobre Jacó, escolhe a rota da estratégia oculta. Jacó, em vez de buscar o caminho da verdade, aceita se construir em cima de um personagem: ele põe a roupa do irmão, fala como o irmão, finge ser alguém que não é. Esaú, ao sentir-se injustiçado, não busca resolver a dor; transforma tudo em plano de vingança. Aplicado ao dia a dia, o texto incentiva a olhar com seriedade para os padrões que se repetem em casa: quem é sempre protegido, quem sempre leva a culpa, quem decide pelos outros sem escutar, quem engole mágoas até explodir. A narrativa mostra que esses caminhos cobram um preço: distância entre irmãos, necessidade de fuga, anos de histórias não resolvidas. Ao mesmo tempo, abre a possibilidade de outro percurso: mais verdade nas relações, disposição para tratar feridas antigas, e escolhas que não reproduzam a mesma lógica de manipular e revidar. Não se muda uma família da noite para o dia, mas assumir responsabilidade pelos próprios atos e abandonar, passo a passo, o terreno do engano já é um começo concreto.

Soul
Alma

Sob a superfície de enganos e lágrimas, Gênesis 27 fala de chamado, propósito e formação espiritual. Jacó recebe a bênção que o coloca na linha do plano de Deus para abençoar as nações, mas o modo como isso acontece revela muito sobre quem ele é naquele momento: alguém que deseja a bênção, mas não confia plenamente no abençoador; que quer o propósito, mas tenta segurá-lo com as próprias mãos, mesmo à custa da verdade. Espiritualmente, essa história mostra que Deus não chama pessoas prontas. Ele chama e, ao mesmo tempo, começa um trabalho paciente de transformação. A bênção não é um prêmio para quem merece, mas um ponto de partida para um caminho onde o caráter vai sendo moldado. Jacó terá de sair de casa, enfrentar o próprio medo, lidar com outros enganos e, mais adiante, encontrar-se com Deus de forma direta. O capítulo 27 é apenas o início de um processo em que o Deus da aliança se revela não só como quem promete, mas como quem confronta, disciplina e restaura. Há também uma palavra sobre perda e limite espiritual. Esaú, mesmo chorando, não encontra espaço para reverter o que foi desprezado antes. A narrativa sugere que decisões espirituais têm peso: aquilo que é tratado como leve em um momento pode se revelar precioso demais quando parece tarde. Ainda assim, Deus não desaparece da história de Esaú; há uma bênção possível para ele, ainda que distinta da de Jacó. No pano de fundo, Gênesis 27 convida a enxergar que a verdadeira segurança não está em manipular circunstâncias, mas em se render ao Deus que conduz a história. Ele é capaz de cumprir Sua vontade mesmo quando o cenário está marcado por falhas humanas, e é justamente nesse terreno imperfeito que forma, com paciência, um povo que O conheça de verdade.

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Versículos em Gênesis 40

Gênesis 40:1

" No ano vinte e cinco do nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, catorze anos depois que a cidade foi conquistada, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do SENHOR, e me levou para lá. "

Gênesis 40:2

" Em visões de Deus me levou à terra de Israel, e me pôs sobre um monte muito alto, sobre o qual havia como que um edifício de cidade para o lado sul. "

Gênesis 40:3

" E, havendo-me levado ali, eis que um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo um cordel de linho na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta. "

Gênesis 40:4

" E disse-me o homem: Filho do homem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, e põe no teu coração tudo quanto eu te fizer ver; porque para to mostrar foste tu aqui trazido; anuncia, pois, à casa de Israel tudo quanto vires. "

Gênesis 40:5

" E havia um muro fora da casa, em seu redor, e na mão do homem uma cana de medir, de seis côvados, cada um dos quais tinha um côvado e um palmo; e ele mediu a largura do edifício, uma cana, e a altura, uma cana. "

Gênesis 40:6

" Então veio à porta que olhava para o caminho do oriente, e subiu pelos seus degraus; mediu o umbral da porta, uma cana de largo, e o outro umbral, uma cana de largo. "

Gênesis 40:7

" E cada câmara tinha uma cana de comprido, e uma cana de largo, e o espaço entre os aposentos era de cinco côvados; e o umbral da porta, ao pé do vestíbulo da porta, por dentro, era de uma cana. "

Gênesis 40:9

" Então mediu o vestíbulo da porta, que tinha oito côvados, e os seus pilares, dois côvados, e este vestíbulo da porta, estava por dentro. "

Gênesis 40:10

" As câmaras da porta para o lado do oriente eram três de um lado e três do outro; a mesma medida era a dos três; também os pilares de um lado e do outro tinham a mesma medida. "

Gênesis 40:12

" E o espaço em frente das câmaras era de um côvado, e de um côvado o espaço do outro lado; e cada câmara tinha seis côvados de um lado e seis côvados do outro. "

Gênesis 40:13

" Então mediu a porta desde o telhado de uma câmara até ao telhado da outra, vinte e cinco côvados de largo, porta contra porta. "

Gênesis 40:16

" Havia também janelas estreitas nas câmaras, e nos seus pilares, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam ao redor, na parte de dentro, e nos pilares havia palmeiras. "

Gênesis 40:17

" E ele me levou ao átrio exterior, e eis que havia nele câmaras, e um pavimento que estava feito no átrio em redor; trinta câmaras havia naquele pavimento. "

Gênesis 40:19

" E mediu a largura desde a dianteira da porta inferior até a dianteira do átrio interior, por fora, cem côvados, do lado do oriente e do norte. "

Gênesis 40:20

" E, quanto à porta que olhava para o caminho do norte, no átrio exterior, ele mediu o seu comprimento e a sua largura. "

Gênesis 40:21

" E as suas câmaras eram três de um lado, e três do outro, e os seus pilares e os seus arcos eram da medida da primeira porta: cinqüenta côvados era o seu comprimento, e a largura vinte e cinco côvados. "

Gênesis 40:22

" E as suas janelas, e os seus arcos, e as suas palmeiras, eram da medida da porta que olhava para o caminho do oriente; e subia-se para ela por sete degraus, e os seus arcos estavam diante dela. "

Gênesis 40:23

" E a porta do átrio interior estava defronte da porta do norte bem como da do oriente; e mediu de porta a porta cem côvados. "

Gênesis 40:24

" Então ele me levou ao caminho do sul, e eis que havia ali uma porta que olhava para o caminho do sul, e mediu os seus pilares e os seus arcos conforme estas medidas. "

Gênesis 40:25

" E havia também janelas em redor dos seus arcos, como as outras janelas; cinqüenta côvados era o comprimento, e a largura vinte e cinco côvados. "

Gênesis 40:26

" E de sete degraus eram as suas subidas, e os seus arcos estavam diante delas; e tinha palmeiras, uma de um lado e outra do outro, nos seus pilares. "

Gênesis 40:27

" Também havia uma porta no átrio interior para o caminho do sul; e mediu de porta a porta, para o caminho do sul, cem côvados. "

Gênesis 40:29

" E as suas câmaras, e os seus pilares, e os seus arcos eram conforme estas medidas; e tinham também janelas ao redor dos seus arcos; o comprimento era de cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados. "

Gênesis 40:31

" E os seus arcos estavam na direção do átrio exterior, e havia palmeiras nos seus pilares; e de oito degraus eram as suas subidas. "

Gênesis 40:33

" E também as suas câmaras, e os seus pilares, e os seus arcos, conforme estas medidas; e havia também janelas em redor dos seus arcos; o comprimento de cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados. "

Gênesis 40:34

" E os seus arcos estavam no átrio de fora; também havia palmeiras nos seus pilares de um e de outro lado; e eram as suas subidas de oito degraus. "

Gênesis 40:36

" As suas câmaras, os seus pilares, e os seus arcos; também tinha janelas em redor; o comprimento era de cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados. "

Gênesis 40:37

" E os seus pilares estavam no átrio exterior; também havia palmeiras nos seus pilares de um e de outro lado; e eram as suas subidas de oito degraus. "

Gênesis 40:39

" E no vestíbulo da porta havia duas mesas de um lado, e duas mesas do outro, para nelas se matar o holocausto e a oferta pelo pecado e pela culpa. "

Gênesis 40:40

" Também do lado de fora da subida para a entrada da porta do norte havia duas mesas; e do outro lado, que estava no vestíbulo da porta, havia duas mesas. "

Gênesis 40:42

" E as quatro mesas para o holocausto eram de pedras lavradas; o comprimento era de um côvado e meio, e a largura de um côvado e meio, e a altura de um côvado; e sobre elas se punham os instrumentos com que imolavam o holocausto e o sacrifício. "

Gênesis 40:43

" E os ganchos de um palmo de comprimento, estavam fixos por dentro em redor, e sobre as mesas estava a carne da oferta. "

Gênesis 40:44

" E fora da porta interior estavam as câmaras dos cantores, no átrio de dentro, que estava ao lado da porta do norte e olhava para o caminho do sul; uma estava ao lado da porta do oriente, e olhava para o caminho do norte. "

Gênesis 40:46

" Mas a câmara que olha para o caminho do norte é para os sacerdotes que têm a guarda do altar; são estes os filhos de Zadoque, que se chegam ao Senhor, dentre os filhos de Levi, para o servir. "

Gênesis 40:47

" E mediu o átrio; o comprimento de cem côvados e a largura de cem côvados, um quadrado; e o altar estava diante da casa. "

Gênesis 40:48

" Então me levou ao vestíbulo da casa, e mediu a cada pilar do vestíbulo, cinco côvados de um lado, e cinco côvados do outro; e a largura da porta, três côvados de um lado, e três côvados do outro. "

Gênesis 40:49

" O comprimento do vestíbulo era de vinte côvados, e a largura de onze côvados, e era por degraus, que se subia a ele; e havia colunas junto aos pilares, uma de um lado e outra do outro. "

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