Gênesis 48:1
" E estes são os nomes das tribos: desde o extremo norte, ao longo do caminho de Hetlom, indo para Hamate, até Hazar-Enom, termo de Damasco para o norte, ao pé de Hamate, terá Dã uma parte, desde o lado oriental até o ocidental. "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 48 na sua vida hoje
35 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Deus chama Jacó de volta a Betel, lugar do primeiro encontro, e ali reafirma o novo nome Israel e as promessas feitas a Abraão e Isaque. Esse retorno envolve obediência, altar, memória da fidelidade divina e confirmação da aliança.
Antes de subir a Betel, Jacó ordena que sua família abandone os deuses estranhos, se purifique e mude as vestes. Há um rompimento simbólico e prático com a idolatria para viver de forma consagrada diante de Deus.
Ao partir, o terror de Deus cai sobre as cidades ao redor, impedindo que persigam os filhos de Jacó. A jornada de obediência é cercada pela proteção do Senhor, mesmo em território potencialmente hostil.
Versiculos-chave: 5
A morte de Débora, de Raquel e de Isaque mostra que a história da promessa passa por dor e despedidas. As colunas erguidas por Jacó funcionam como marcos de memória, tanto da ação de Deus quanto do amor pelos que se foram.
Ao registrar o pecado de Rúben com Bila, o texto expõe a fragilidade moral dentro da própria casa de Israel, antecipando consequências futuras e mostrando que o povo da aliança ainda luta com o pecado.
Versiculos-chave: 22
Gênesis 35 se situa na fase em que Jacó, após anos em Padã-Arã servindo a Labão, retorna para a terra de Canaã, onde Abraão e Isaque haviam peregrinado. Geograficamente, o capítulo menciona Siquém, Betel (antiga Luz), Efrata (Belém), Migdal Éder e Hebrom (Quiriate-Arba). Betel já havia sido marco espiritual na vida de Jacó, quando fugia de Esaú e teve o sonho da escada que ligava céu e terra. Agora, Deus ordena que ele volte ali para estabelecer residência e culto.
A prática de enterrar ídolos e joias associadas ao culto pagão sob uma árvore reflete um costume antigo de marcar, de forma definitiva, o abandono de objetos religiosos proibidos. As colunas de pedra erguidas por Jacó como memoriais eram comuns no antigo Oriente Próximo, servindo para registrar encontros importantes com a divindade ou eventos marcantes.
O “terror de Deus” sobre as cidades vizinhas indica que, na percepção dos povos locais, a família de Jacó estava sob uma proteção sobrenatural especial, o que inibia ataques em um contexto em que caravanas e grupos de pastores corriam perigo. A morte de Isaque aos 180 anos e seu sepultamento em Hebrom conecta a narrativa às gerações anteriores (Abraão e Sara) e prepara o cenário para o foco posterior em José e na ida da família para o Egito.
O capítulo apresenta uma estrutura narrativa organizada em blocos bem definidos:
Chamado divino e preparação espiritual (35.1-5): Deus ordena a Jacó que suba a Betel; Jacó convoca sua casa ao abandono dos ídolos, purificação e mudança de vestes; os ídolos são enterrados e Deus protege o grupo na jornada.
Chegada a Betel e renovação da aliança (35.6-15): Jacó chega a Betel, edifica um altar e nomeia o lugar El-Betel; registra-se a morte de Débora; Deus aparece novamente, reafirma o nome Israel, repete as promessas de fecundidade, nações, reis e terra; Jacó ergue uma coluna, faz libação e unge com azeite, reafirmando Betel como lugar de encontro com Deus.
Partida de Betel, nascimento de Benjamim e morte de Raquel (35.16-20): No caminho para Efrata, Raquel entra em trabalho de parto difícil; nasce o filho, chamado por ela de Benoni e por Jacó de Benjamim; Raquel morre e é sepultada ali, e Jacó ergue uma coluna em sua sepultura.
Deslocamento e pecado de Rúben (35.21-22a): Israel prossegue viagem e arma sua tenda além de Migdal Éder; é relatado, de forma breve e seca, o pecado de Rúben com Bila, concubina de seu pai, e a reação de Israel ao saber.
Resumo genealógico dos filhos de Jacó (35.22b-26): O texto faz um registro ordenado dos doze filhos de Jacó, organizados conforme as mães (Lia, Raquel, Bila, Zilpa), consolidando a formação da futura nação.
Retorno a Isaque e sua morte (35.27-29): Jacó volta a seu pai em Hebrom; resume-se a idade de Isaque, sua morte e o sepultamento conjunto realizado por Esaú e Jacó, fechando o ciclo da geração patriarcal anterior.
Gênesis 35 realça a fidelidade de Deus em dar continuidade à aliança mesmo em meio à fragilidade humana. O chamado de Deus para que Jacó volte a Betel mostra que a história da salvação não se baseia apenas em um momento decisivo do passado, mas em um caminhar contínuo de volta à presença do Senhor. A ordem de remover ídolos, purificar-se e mudar as vestes tem forte conotação teológica: o Deus da aliança exige exclusividade, pureza e um estilo de vida distinto, simbolizado pela troca de roupas.
A reafirmação do nome Israel é teologicamente importante. O nome não é apenas um rótulo, mas sinaliza a nova identidade do patriarca e do povo que surge dele: aqueles que lutam com Deus e prevalecem pela graça. Deus se apresenta como “Deus Todo-Poderoso” (El Shaddai), título associado à capacidade de cumprir promessas impossíveis, como tornar um homem em uma nação e assegurar a posse da terra.
O capítulo ainda mostra que a promessa de Deus não elimina a realidade da dor: a morte de Raquel no parto de Benjamim ocorre justamente quando a promessa de multiplicação está sendo cumprida. A tensão entre bênção e sofrimento aponta para uma teologia em que Deus age por meio da história real, com luto, fracassos e reconciliações, sem que isso anule seu plano. A preservação de Jacó e de seus filhos, a listagem dos doze e a morte de Isaque com sepultamento conjunto de Esaú e Jacó indicam que a aliança passa de geração em geração, apesar de conflitos familiares e tropeços morais.
O breve registro do pecado de Rúben ressalta a santidade de Deus e antecipa juízos internos na própria linhagem da promessa. O povo da aliança não é retratado como moralmente impecável, mas como alvo de disciplina e graça. Assim, Gênesis 35 junta a reafirmação das promessas com o lembrete de que a obra de Deus inclui purificar, corrigir e conduzir seu povo até o cumprimento pleno da aliança.
A narrativa de Gênesis 35 oferece um quadro rico para acolher dores humanas e processos de mudança. Jacó e sua família vivem um tempo de transição profunda: saem de um ambiente marcado por conflitos, carregam hábitos e ídolos do passado e são chamados a uma nova fase de obediência e consagração em Betel. O cuidado divino se revela tanto na ordem clara quanto na proteção concreta ao longo do caminho.
O capítulo também é atravessado por lutos significativos: Débora, figura materna de apoio; Raquel, esposa amada que morre no parto; e, mais à frente, Isaque, patriarca da família. Há dor, sepultamentos, colunas de memória e mudança de rotas de viagem em função das perdas. O texto reconhece que a caminhada com Deus inclui lágrimas, despedidas e ajustes internos profundos.
Do ponto de vista terapêutico, a cena da purificação da casa de Jacó mostra um movimento de deixar para trás o que prende ao passado e ao medo, com um gesto concreto (enterrar ídolos e joias religiosas) que simboliza decisão interna. Ao mesmo tempo, Deus não abandona a família em meio ao processo; Ele protege, fala novamente, reafirma identidade e promessa. O capítulo valoriza a memória (colunas erguidas em Betel e no túmulo de Raquel), o que é importante para integrar lembranças de dor e de cuidado divino na história pessoal.
Também aparece o tema das tensões familiares e da quebra de confiança (o ato de Rúben com Bila). A Bíblia não romantiza a família de Jacó: conflitos, pecado e vergonhas são registrados, apontando para a necessidade de verdade, responsabilidade e, muitas vezes, de um longo caminho de restauração. Gênesis 35 convida a ler a vida como um processo em que perdas, pecados e recomeços são acolhidos por um Deus que conduz com firmeza e ternura.
Alguns elementos do capítulo podem tocar pontos sensíveis. A morte de Raquel durante o parto pode reativar memórias dolorosas em pessoas que viveram perdas gestacionais, morte de mãe ou experiências traumáticas de parto. A forma direta com que o texto relata que Raquel morre enquanto dá à luz pode despertar angústia em gestantes ou em quem já passou por complicações médicas.
O luto aparece repetidas vezes: morte de Débora, de Raquel e de Isaque. Pessoas em processo de luto recente podem sentir intensificação de tristeza ao ler sobre sepultamentos e marcas de túmulo. A expressão “saindo-se-lhe a alma (porque morreu)” pode ser especialmente impactante para quem tem medo da morte ou vem de contextos de perdas repentinas.
O episódio do pecado de Rúben com Bila envolve temática de sexualidade em um contexto de poder desigual e familiar. Leitores com histórico de abuso ou de traição conjugal podem encontrar aqui um gatilho, sobretudo pela brevidade do relato, sem um fechamento explícito de justiça imediata dentro do capítulo.
A lista genealógica e a ênfase na fertilidade e na multiplicação de descendência podem ser dolorosas para quem enfrenta infertilidade, perda de filhos ou frustrações com sonhos de família não realizados. Como o texto é antigo e não entra em detalhes emocionais de cada personagem, alguns leitores podem sentir falta de acolhimento explícito para essas dores.
Por envolver temas de luto, maternidade, sexualidade e conflitos familiares complexos, o capítulo merece ser lido com sensibilidade, reconhecendo a necessidade de apoio emocional ou pastoral quando essas memórias pessoais se tornam intensas.
Gênesis 35 sugere caminhos práticos para a vida cotidiana. O chamado de Deus para que Jacó volte a Betel, acompanhado da ordem de abandonar ídolos, inspira decisões concretas de reorientar prioridades. No contexto atual, isso pode significar identificar e afastar práticas, hábitos e apegos que ocupam o lugar de Deus no coração: dependências, injustiças toleradas, relacionamentos desordenados ou padrões que já se sabe serem prejudiciais. A mudança de vestes simboliza a escolha de um novo modo de viver, coerente com a fé professada.
A atitude de Jacó de erguer altares e colunas de memória mostra a importância de marcar, de forma visível, momentos em que se experimenta cuidado divino. Na prática, isso pode se traduzir em registrar testemunhos, criar pequenos símbolos em casa, anotar respostas percebidas de Deus ou celebrar marcos de superação em família e comunidade de fé. Tais lembranças fortalecem a fé em tempos de crise.
O capítulo também incentiva a encarar com honestidade as questões internas da família. O registro do pecado de Rúben indica que conflitos e falhas não devem ser encobertos como se não existissem. A vida prática pede conversas difíceis, construção de limites saudáveis e, quando necessário, buscar ajuda para lidar com consequências de erros graves, sobretudo nas áreas de sexualidade e confiança.
A forma como a narrativa lida com o luto – com enterros, marcos físicos e continuidade da caminhada – sugere que a dor precisa ser reconhecida, lembrada e integrada, sem paralisar completamente a vida. Cuidar da memória de quem partiu, ao mesmo tempo em que se segue adiante com responsabilidade, é um aprendizado importante. A presença de Deus ao longo das transições do capítulo inspira perseverança nas próprias fases de mudança, reconhecendo que perdas, recomeços e ajustes de rota fazem parte do caminho.
Betel era o lugar onde Jacó havia tido um encontro marcante com Deus, quando fugia de Esaú e recebeu promessas de proteção e bênção. Ao mandá-lo de volta, Deus o chama a retomar aquele compromisso inicial, agora com mais maturidade e responsabilidade familiar. Em Betel, a aliança é reafirmada, o nome Israel é confirmado e Jacó é convidado a estabelecer ali um centro de culto, deixando para trás os ídolos e práticas antigas.
Tirar os deuses estranhos aponta para o abandono da idolatria e de qualquer símbolo religioso ligado a outros cultos, resultado do convívio com povos vizinhos e da permanência em Padã-Arã. Purificar-se e mudar as vestes são gestos simbólicos de consagração, indicando limpeza moral e espiritual, rompimento com o passado e disposição para viver de forma separada para Deus. Não é apenas um ato exterior, mas um sinal visível de um compromisso mais profundo.
O nome Israel havia sido dado quando Jacó lutou com o anjo, mas em Gênesis 35 Deus o reafirma no contexto da renovação da aliança. Isso reforça a nova identidade de Jacó não apenas como indivíduo, mas como patriarca de um povo. Israel significa que sua história está marcada por encontros e lutas com Deus, em que a bênção não vem da força própria, mas da graça divina. A confirmação do nome consolida o papel de Jacó como pai da futura nação de Israel.
Benjamim completa o número dos doze filhos de Jacó, que se tornarão as doze tribos de Israel, portanto seu nascimento tem valor histórico e teológico na formação do povo. Ao mesmo tempo, a morte de Raquel no parto mostra que a promessa de multiplicação não exclui a realidade de dor e perda. O contraste entre a alegria pelo nascimento e o luto pela morte ressalta que o cumprimento do plano de Deus acontece dentro de uma humanidade frágil, em que o sofrimento ainda é presente.
O texto relata o ato de Rúben de forma sucinta, mas registra que Israel soube, indicando gravidade e impacto dentro da família. A narrativa não detalha consequências imediatas em Gênesis 35, porém esse episódio é lembrado depois quando Jacó abençoa seus filhos em Gênesis 49, influenciando o lugar de Rúben entre os irmãos. A brevidade do relato não minimiza o pecado, mas destaca que até dentro da casa do patriarca há atitudes que ofendem a santidade de Deus e geram consequências futuras.
Em Gênesis 35, Deus repete para Jacó as promessas dadas a Abraão e Isaque: multiplicação de descendência, surgimento de nações e reis, e a posse da terra de Canaã. Ao reafirmar essas promessas, o texto mostra que a aliança não é algo isolado em uma geração, mas um fio contínuo que atravessa avô, pai e filho. A lista dos doze filhos de Jacó e o retorno à região onde Abraão e Isaque peregrinaram reforçam essa continuidade da história da promessa.
Gênesis 35 é um capítulo cheio de voltas, despedidas e recomeços, muito parecido com as estações da vida. Jacó é chamado a voltar para Betel, lugar onde já tinha encontrado Deus em um momento de medo e solidão. Agora ele volta carregando família, lembranças boas e ruins, situações difíceis não resolvidas. É como quando alguém retorna a um ponto importante da própria história, mas já não é a mesma pessoa de antes. Nesse caminho, o texto mostra um Deus que cuida dos detalhes: protege a família de Jacó enquanto eles viajam, fala de novo com ele, reafirma identidade, relembra promessas. Ao mesmo tempo, nada disso apaga a dor que atravessa a história. Débora, que tinha sido ama de Rebeca, morre e é chorada. Raquel, tão amada por Jacó, morre justamente no momento de dar à luz um filho tão esperado. O capítulo não tenta suavizar a tristeza. Ele mostra um homem que precisa enterrar pessoas queridas, erguer colunas de memória e continuar caminhando. Há uma delicadeza no jeito como a Bíblia descreve esses marcos: o nome do carvalho onde Débora é sepultada, a coluna sobre o túmulo de Raquel, a volta de Jacó para perto do pai idoso, a cena final dos dois irmãos sepultando Isaque juntos. A vida com Deus não é uma sequência de vitórias fáceis; ela passa por despedidas, por reconcilhações silenciosas, por decisões de deixar coisas para trás – como os ídolos enterrados debaixo do carvalho – para poder seguir. Nesse cenário, Deus não desaparece. Ele não impede todas as lágrimas, mas permanece, fala, guarda, renova o nome e o sentido da caminhada. Gênesis 35 acolhe a realidade de corações cansados, famílias complicadas e lutos acumulados, e ao mesmo tempo mostra que a história não termina no cemitério, nem na culpa, nem no trauma. A história continua nas promessas de Deus que atravessam gerações, sustentando gente imperfeita em meio a perdas reais.
Lido com atenção, Gênesis 35 mostra uma poderosa combinação entre narrativa histórica, teologia da aliança e símbolos rituais. Do ponto de vista estrutural, o capítulo encerra um ciclo importante na vida de Jacó e faz a transição para a história dos filhos, especialmente José. O chamado de Deus para que Jacó suba a Betel retoma Gênesis 28, ligando o passado de fugitivo ao presente de patriarca. O movimento de purificação (remoção de ídolos, purificação corporal, mudança de vestes) utiliza categorias típicas do antigo Israel para expressar consagração. É interessante notar que essas ações antecedem a aparição de Deus e a reafirmação das promessas, sugerindo uma relação entre obediência e renovação da aliança. Quando Deus se apresenta como El Shaddai (Deus Todo-Poderoso) e repete as promessas de fecundidade, nações, reis e terra, o texto conecta diretamente Jacó a Abraão (Gênesis 17). A reiteração do nome Israel ressalta que a identidade do patriarca é um tema chave: ele já não é apenas o “que agarra o calcanhar”, mas o que teve sua história transformada pela intervenção divina. As colunas, libação e unção com azeite são formas antigas de marcar espaço sagrado e encontro com a divindade. O capítulo também faz questão de registrar topônimos: Luz/Betel, Efrata/Belém, Migdal Éder e Hebrom, ajudando a situar o leitor dentro da geografia da terra prometida. A menção a Belém e Migdal Éder ganha eco posterior em outras tradições bíblicas, sobretudo ligadas à realeza e ao Messias. A inclusão do episódio de Rúben com Bila dentro de uma seção que fala de deslocamentos e família mostra como a narrativa não esconde falhas morais graves dentro do clã eleito. Embora o texto não apresente julgamento imediato, sabemos por Gênesis 49 que esse ato terá consequências na posição de Rúben entre os irmãos. A lista dos doze filhos funciona como uma espécie de registro oficial da formação de Israel como povo, reforçando que, a partir daqui, o foco se deslocará das figuras individuais (Abraão, Isaque, Jacó) para a coletividade das tribos. Finalmente, a morte de Isaque em Hebrom, com o sepultamento feito juntos por Esaú e Jacó, conclui o ciclo patriarcal numa nota de reconciliação familiar e continuidade da promessa. Em suma, Gênesis 35 é uma peça de articulação: consolida temas de identidade, culto e promessa e prepara o terreno para a próxima grande etapa da narrativa bíblica.
Gênesis 35 conversa diretamente com decisões práticas do dia a dia. Quando Jacó diz à família para tirar os deuses estranhos, se purificar e mudar as vestes, ele está organizando a casa antes de dar um passo importante. Isso lembra que grandes mudanças normalmente exigem ajustes concretos: rever o que entra em casa, que valores orientam a rotina, quais hábitos já não combinam com o caminho escolhido. O gesto de enterrar os ídolos e as joias ligadas a cultos estranhos mostra uma escolha firme, não apenas emocional. A vida prática pede esse tipo de definição: saber o que precisa ser literalmente afastado da rotina para que a nova fase seja sustentável. Jacó não sobe a Betel improvisando; ele toma providências, dá instruções claras e conduz toda a casa nessa direção. Outro ponto importante é como o capítulo lida com as perdas. Jacó sofre com a morte de Débora e, pouco depois, com a morte de Raquel. Ainda assim, ele marca esses lugares, sepulta com cuidado, ergue colunas e continua a viagem. Isso não significa “superar rápido”, mas aprender a integrar a dor sem abandonar responsabilidades. Na prática, isso pode inspirar a não congelar a vida em torno de um sofrimento, mas também a não ignorá-lo: há um tempo de chorar, um gesto concreto de memória, e um passo à frente. O registro do pecado de Rúben lembra que problemas sérios dentro de casa não desaparecem porque são evitados. Ficam marcados na história e costumam cobrar um preço mais à frente. Na vida familiar e comunitária, isso sugere a importância de tratar com seriedade questões de desrespeito, sexualidade, traição e quebra de confiança, em vez de normalizá-las. Colocar limites, buscar ajuda quando necessário e reconhecer as consequências das escolhas é parte de uma caminhada responsável. Por fim, ver Esaú e Jacó juntos enterrando Isaque mostra que, apesar de tanta história difícil entre eles, ainda é possível cooperar em momentos decisivos. No cotidiano, isso inspira a construir, na medida do possível, pontes de respeito em relacionamentos marcados por conflitos antigos, especialmente em torno de pais, heranças e decisões de família. Nem sempre haverá reconciliação plena, mas pequenos gestos de colaboração podem mudar a atmosfera e abrir espaço para novas atitudes.
Gênesis 35 oferece uma visão profunda da jornada espiritual como um ir e vir entre promessa, purificação, perda e renovação de identidade. O convite divino para que Jacó volte a Betel é, em essência, um chamado a retornar ao lugar do primeiro encontro com Deus. Em termos espirituais, é como ser conduzido de volta à raiz da vocação, à memória viva de quando a presença de Deus se tornou real pela primeira vez. Esse retorno, porém, não é nostálgico. Ele exige deixar para trás deuses estranhos, limpar-se e mudar as vestes. O caminho de formação espiritual passa por desapego de seguranças alternativas e símbolos que disputam o coração. A vida interior se aprofunda quando, diante de Deus, se escolhe tirar o que ocupa indevidamente o lugar do Criador, permitindo que Ele seja novamente a referência central. Na experiência de Jacó, a identidade é reafirmada: “não te chamarás mais Jacó, mas Israel”. A espiritualidade bíblica não é apenas um conjunto de práticas, é também um novo nome, um novo modo de ver a si mesmo. Israel é aquele cuja história foi marcada por encontros transformadores com Deus, alguém que aprendeu que a bênção não vem da astúcia, mas da graça. Esse novo nome ecoa na posteridade, definindo a identidade de um povo inteiro. Ao mesmo tempo, a presença de Deus não elimina mistérios dolorosos. Enquanto as promessas de multiplicação se cumprem no nascimento de Benjamim, Raquel morre. A benção da vida e a ferida da morte se encontram no mesmo episódio. Espiritualmente, isso revela que o caminho da aliança não é um atalho em torno da dor, mas uma travessia em que Deus continua presente mesmo quando o coração é rasgado. As colunas que Jacó ergue – em Betel e no túmulo de Raquel – podem ser vistas como ícones de memória: lugares onde se lembra tanto da voz de Deus quanto das lágrimas derramadas. O capítulo termina com Isaque sendo “recolhido ao seu povo” e com Esaú e Jacó unidos em seu sepultamento. Há aqui uma dimensão de eternidade: a ideia de ser reunido ao povo de Deus para além da morte, e de que, na perspectiva divina, a história das famílias e das gerações é abraçada por algo maior que os conflitos e pecados que as marcam. Gênesis 35 convida a enxergar a vida como peregrinação: Deus chama, purifica, nomeia, consola e conduz, até que, no tempo certo, recolhe os seus. No meio das idas e vindas, Ele permanece o Deus Todo-Poderoso, fiel àquilo que prometeu.
" E estes são os nomes das tribos: desde o extremo norte, ao longo do caminho de Hetlom, indo para Hamate, até Hazar-Enom, termo de Damasco para o norte, ao pé de Hamate, terá Dã uma parte, desde o lado oriental até o ocidental. "
" E junto ao termo de Dã, desde o lado oriental até o ocidental, Aser terá uma porção. "
" E junto ao termo de Aser, desde o lado oriental até o ocidental, Naftali, uma porção. "
" E junto ao termo de Naftali, desde o lado oriental até o lado ocidental, Manassés, uma porção. "
" E junto ao termo de Manassés, desde o lado oriental até o lado ocidental, Efraim, uma porção. "
" E junto ao termo de Efraim, desde o lado oriental até o lado ocidental, Rúben, uma porção. "
" E junto ao termo de Rúben, desde o lado oriental até o lado ocidental, Judá, uma porção. "
" E junto ao termo de Judá, desde o lado oriental até o lado ocidental, será a oferta que haveis de fazer de vinte e cinco mil canas de largura, e de comprimento de cada uma das porções, desde o lado oriental até o lado ocidental; e o santuário estará no meio dela. "
" A oferta que haveis de oferecer ao Senhor será do comprimento de vinte e cinco mil canas, e da largura de dez mil. "
" E ali será a oferta santa para os sacerdotes, medindo para o norte vinte e cinco mil canas de comprimento, e para o ocidente dez mil de largura, e para o oriente dez mil de largura, e para o sul vinte e cinco mil de comprimento; e o santuário do Senhor estará no meio dela. "
" E será para os sacerdotes santificados dentre os filhos de Zadoque, que guardaram a minha ordenança, que não se desviaram, quando os filhos de Israel se extraviaram, como se extraviaram os outros levitas. "
" E eles terão uma oferta, da oferta da terra, lugar santíssimo, junto ao limite dos levitas. "
" E os levitas terão, consoante ao termo dos sacerdotes, vinte e cinco mil canas de comprimento, e de largura dez mil; todo o comprimento será vinte e cinco mil, e a largura dez mil. "
" E não venderão disto, nem trocarão, nem transferirão as primícias da terra, porque é santidade ao Senhor. "
" Mas as cinco mil canas, as que restaram da largura, diante das vinte e cinco mil, ficarão para uso comum, para a cidade, para habitação e para arrabaldes; e a cidade estará no meio delas. "
" E estas serão as suas medidas: o lado do norte de quatro mil e quinhentas canas, o lado do sul de quatro mil e quinhentas, o lado oriental de quatro mil e quinhentas e o lado ocidental de quatro mil e quinhentas. "
" E os arrabaldes da cidade serão para o norte de duzentas e cinqüenta canas, para o sul de duzentas e cinqüenta, para o oriente de duzentas e cinqüenta e para o ocidente de duzentas e cinqüenta. "
" E, quanto ao que restou do comprimento, consoante com a santa oferta, será dez mil para o oriente, e dez mil para o ocidente; e corresponderá à santa oferta; e a sua novidade será para sustento daqueles que servem a cidade. "
" E os que servem à cidade, servi-la-ão dentre todas as tribos de Israel. "
" Toda a oferta será de vinte e cinco mil canas com mais vinte e cinco mil; em quadrado oferecereis a oferta santa, com a possessão da cidade. "
" E o que restou será para o príncipe; deste e do outro lado da oferta santa, e da possessão da cidade, diante das vinte e cinco mil canas da oferta, até ao termo do oriente e do ocidente, diante das vinte e cinco mil, até ao termo do ocidente, correspondente às porções, será para o príncipe; e a santa oferta e o santuário da casa estarão no meio dela. "
" E desde a possessão dos levitas, e desde a possessão da cidade, no meio do que pertencer ao príncipe, entre o termo de Judá, e o termo de Benjamim, será isso para o príncipe. "
" E, quanto ao restante das tribos, desde o lado oriental até o lado ocidental, Benjamim terá uma porção. "
" E junto ao termo de Benjamim, desde o lado oriental até o lado ocidental, Simeão terá uma porção. "
" E junto ao termo de Simeão, desde o lado oriental até o lado ocidental, Issacar terá uma porção. "
" E junto ao termo de Issacar, desde o lado oriental até o lado ocidental, Zebulom terá uma porção. "
" E junto ao termo de Zebulom, desde o lado oriental até o lado ocidental, Gade terá uma porção. "
" E junto ao termo de Gade, ao sul, do lado sul, será o termo desde Tamar até às águas da contenda de Cades, junto ao rio até ao mar grande. "
" Esta é a terra que sorteareis em herança às tribos de Israel; e estas são as suas porções, diz o Senhor DEUS. "
" E estas são as saídas da cidade, desde o lado norte: quatro mil e quinhentas canas por medida. "
" E as portas da cidade serão conforme os nomes das tribos de Israel; três portas para o norte: a porta de Rúben uma, a porta de Judá outra, a porta de Levi outra. "
" E do lado oriental quatro mil e quinhentas canas, e três portas, a saber: a porta de José uma, a porta de Benjamim outra, a porta de Dã outra. "
" E do lado sul quatro mil e quinhentas canas por medida, e três portas: a porta de Simeão uma, a porta de Issacar outra, a porta de Zebulom outra. "
" Do lado ocidental quatro mil e quinhentas canas, e as suas três portas: a porta de Gade uma, a porta de Aser outra, a porta de Naftali outra. "
" Dezoito mil canas por medida terá ao redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: o Senhor está ali. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.