Gênesis 47 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 47 na sua vida hoje

23 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Gênesis 47?

Gênesis 34 relata o abuso de Diná por Siquém, príncipe heveu, e a resposta violenta de seus irmãos Simeão e Levi. O capítulo mostra a negociação enganosa envolvendo casamento e circuncisão, culminando em um massacre e saque à cidade de Siquém. No fim, Jacó reprova os filhos pela consequência de seus atos, enquanto eles justificam sua vingança em defesa da honra da irmã.

Temas principais em Gênesis 47

Abuso, vergonha e honra ferida (versiculos 1-7, 31)

O abuso de Diná traz dor, vergonha e sensação de desonra para a família de Jacó. A narrativa reconhece a gravidade da agressão como uma grande insensatez em Israel, algo que "não se devia fazer". A preocupação com a honra da filha e da família permeia o capítulo.

Versiculos-chave: 2, 7, 31

Engano e falsa espiritualidade (versiculos 13-24)

Simeão e Levi usam o sinal da circuncisão, que era uma marca da aliança com Deus, como estratégia de vingança. A exigência feita aos homens de Siquém não nasce da fé, mas de um plano de violência, mostrando como elementos sagrados podem ser distorcidos quando o coração está tomado por ódio.

Versiculos-chave: 13, 15, 24

Vingança desmedida e violência coletiva (versiculos 25-29)

A reação dos irmãos de Diná vai muito além de buscar justiça contra o agressor. Eles matam todos os homens da cidade, incluindo Hamor e Siquém, saqueiam bens e tomam mulheres e crianças. A narrativa evidencia uma vingança desproporcional, que envolve inocentes e gera ainda mais injustiça.

Versiculos-chave: 25, 27, 29

Tensão entre justiça e sobrevivência (versiculos 30-31)

Jacó repreende Simeão e Levi não por defenderem a honra de Diná em si, mas pelo risco trazido a toda a família. Surge um conflito entre o desejo de reparar o mal sofrido e a necessidade de preservar a vida diante de povos mais numerosos na região.

Versiculos-chave: 30, 31

Convivência com povos vizinhos e risco de assimilação (versiculos 8-12, 20-23)

Hamor propõe alianças de casamento, comércio e posse de terras, convidando Jacó e seus filhos a se misturarem plenamente com os heveus. Essa aproximação econômica e familiar mostra a tensão constante entre viver em paz com outros povos e manter a identidade dada por Deus.

Versiculos-chave: 9, 10, 21, 23

Contexto historico e literario

Gênesis 34 se passa no período patriarcal, quando Jacó e sua família viviam como nômades na terra de Canaã. A região de Siquém era um importante centro cananeu, e Hamor é apresentado como líder local. Os heveus mencionados fazem parte dos povos cananeus entre os quais os patriarcas peregrinavam.

Naquele contexto, a honra da família estava profundamente ligada à sexualidade das filhas e irmãs. Relações sexuais prévias ao casamento, especialmente quando forçadas ou sem o consentimento da família, eram vistas como grande desonra. Ao mesmo tempo, um casamento posterior com pagamento de dote às vezes era usado como forma de reparar, aos olhos da sociedade, a ofensa cometida.

A circuncisão, já instituída na aliança com Abraão, era o sinal de pertencimento ao povo da promessa. Quando os filhos de Jacó exigem a circuncisão dos homens de Siquém, fazem uso de um símbolo sagrado com finalidade política e bélica. A entrada pela “porta da cidade” (v. 20) indica o lugar de deliberação comunitária, onde os líderes e homens influentes discutiam assuntos públicos.

O relato também reflete a fragilidade política de Jacó: ele e sua família eram poucos em número, cercados por povos estabelecidos, poderosos e capazes de formar alianças contra eles. Por isso Jacó teme represálias quando seus filhos massacram os homens de Siquém.

Estrutura de Gênesis 47

O capítulo tem uma estrutura narrativa clara e dramática:

  1. Introdução e abuso de Diná (34:1-4)
    Diná sai para ver as filhas da terra; Siquém a vê, toma, humilha e depois manifesta apego e desejo de casar-se com ela.

  2. Reação de Jacó e dos filhos (34:5-7)
    Jacó ouve o ocorrido e aguarda os filhos; ao saberem, eles se entristecem e enfurecem, chamando o ato de insensatez em Israel.

  3. Proposta de Hamor e Siquém (34:8-12)
    Hamor e Siquém pedem Diná em casamento, propõem alianças de casamento entre os povos e oferecem pagar qualquer dote exigido.

  4. Plano enganoso dos filhos de Jacó (34:13-17)
    Os filhos de Jacó, movidos pelo abuso sofrido por Diná, respondem com engano, exigindo a circuncisão de todos os homens como condição de união.

  5. Convencimento da cidade de Siquém (34:18-24)
    Hamor e Siquém apresentam a proposta à cidade, destacando vantagens econômicas e de posse de bens; todos os homens aceitam e se circuncidam.

  6. Massacre e saque (34:25-29)
    No terceiro dia, Simeão e Levi atacam a cidade debilitada, matam os homens, resgatam Diná e, junto com os outros irmãos, saqueiam bens, rebanhos, mulheres e crianças.

  7. Confronto entre Jacó e seus filhos (34:30-31)
    Jacó repreende Simeão e Levi pelo perigo que trouxeram ao clã; eles respondem enfatizando a indignidade do tratamento dado à sua irmã.

O texto alterna diálogos e ações rápidas, destacando tensões: amor declarado x abuso cometido; proposta de paz x engano; desejo de honra x vingança desmedida; defesa da família x risco de destruição.

Significado teologico

Gênesis 34 não traz discursos diretos de Deus nem avaliações explícitas divinas, mas levanta questões importantes sobre pecado, justiça e uso distorcido do que é sagrado.

O abuso cometido por Siquém é apresentado como grande insensatez em Israel, “o que não se devia fazer”. Isso reforça a visão de que Deus leva a sério a dignidade e o corpo das pessoas; não é um detalhe social, mas um grave mal. Ao mesmo tempo, a narrativa não exalta a vingança de Simeão e Levi como modelo. Em Gênesis 49, o pai os repreenderá novamente por sua violência e ira cruel, mostrando que a Escritura enxerga com criticidade a reação desproporcional.

Outro ponto teológico é o mau uso da circuncisão. O sinal da aliança, dado por Deus como marca de pertença, é instrumentalizado como arma estratégica. Isso ilustra um perigo recorrente na história da fé: práticas ou símbolos sagrados podem ser usados de forma manipuladora, sem correspondência com um coração obediente.

O capítulo também expõe a tensão entre viver em meio a outros povos e manter a identidade. A proposta de Hamor envolve casamentos mistos, negócios e fusão econômica, onde até o gado e posses do outro povo se tornariam “nossos” (v. 23). A história mostra que não basta uma convivência aparentemente pacífica quando há injustiça de base e motivações egoístas.

Por fim, Gênesis 34 prepara o terreno para desenvolvimento posterior: a fama de Jacó entre os povos, o juízo sobre a violência de Simeão e Levi, e a necessidade de Deus conduzir a família de forma soberana, apesar de seus pecados e reações equivocadas. Deus continua a cumprir suas promessas mesmo quando a família da aliança age com engano, ira e descontrole.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Este capítulo toca em temas de grande carga emocional: abuso sexual, vergonha, sensação de desonra, raiva explosiva, vingança, violência coletiva e medo de represálias. Do ponto de vista terapêutico, é um texto que reconhece a profundidade da dor causada por uma violação e mostra que esse tipo de mal não é minimizado ou normalizado.

A experiência de Diná, ainda que o texto a mostre de forma sucinta, carrega marcas de trauma: invasão do corpo, perda de segurança, exposição familiar e social. A reação de seus irmãos mostra raiva intensa, desejo de reparar a ofensa e proteger a família, mas se transforma em violência que ultrapassa limites éticos. Esse ciclo de dor que gera mais dor é um padrão muito presente em histórias de violência.

A narrativa também revela medo e insegurança na figura de Jacó, aflito com as possíveis consequências para o grupo. Isso dialoga com famílias que, diante de um trauma, precisam lidar ao mesmo tempo com a dor interna e com riscos externos, como conflitos com outros, reputação abalada e sensação de vulnerabilidade.

Do ponto de vista do cuidado emocional e comunitário, Gênesis 34 convida a reconhecer: - a gravidade do abuso e a legitimidade da indignação; - o risco de que a raiva, se não for trabalhada, se transforme em ciclos de destruição; - a importância de respostas que busquem justiça sem repetir a lógica do agressor; - a necessidade de proteção e acolhimento da vítima, que muitas vezes quase desaparece na disputa dos outros.

Embora o texto não ofereça um “modelo ideal” de resposta saudável, ele escancara a complexidade das reações humanas à violência, abrindo espaço para reflexão, cura e para buscar caminhos de justiça que não aprofundem o dano.

warning Importante: maus usos comuns

['Leituras que romantizem a atitude de Siquém como se o "amor" posterior compensasse a violência inicial, minimizando o abuso sexual.', 'Uso do capítulo para justificar vinganças pessoais ou justiça com as próprias mãos, legitimando agressões físicas, emocionais ou verbais em nome de defesa da honra.', 'Interpretações que culpabilizam Diná por ter saído de casa, sugerindo que sua atitude provocou o abuso.', 'Emprego da circuncisão ou de qualquer prática religiosa aqui narrada como justificativa para manipulação espiritual ou imposições abusivas em contextos religiosos atuais.', 'Aplicações que incentivem alianças matrimoniais ou comerciais cegas com base apenas em vantagens materiais, ignorando caráter, justiça e respeito mútuo.', 'Leitura superficial em contextos de trauma sexual, sem a devida sensibilidade pastoral, que pode reabrir feridas e acentuar vergonha ou culpa indevida em sobreviventes.']

Aplicacao pratica para hoje

['Reconhecer a gravidade do abuso em qualquer forma e tratar situações de violência sexual com seriedade, proteção à vítima e busca de justiça responsável.', 'Perceber como a raiva, mesmo quando nasce de uma causa legítima, pode se transformar em vingança desmedida se não for filtrada por sabedoria, limites e responsabilidade.', 'Evitar usar símbolos e práticas de fé como instrumentos de manipulação, chantagem ou controle em relacionamentos familiares, comunitários ou religiosos.', 'Cuidar para que decisões sobre casamento, alianças e parcerias não sejam tomadas apenas por conveniência econômica ou social, mas considerando caráter, respeito e valores.', 'Refletir sobre a forma como famílias lidam com conflitos graves: em vez de silenciar, negar ou explodir, buscar espaços de diálogo, apoio e ajuda externa segura quando necessário.', 'Aprender com o medo de Jacó a importância de avaliar consequências mais amplas de ações impulsivas, especialmente quando podem colocar em risco outras pessoas sob nossa responsabilidade.']

Perguntas frequentes

Siquém amou Diná de verdade ou apenas tentou compensar o que fez?

O texto diz que a "alma de Siquém... se apegou" a Diná e que ele a "amou" e falou afetuosamente com ela (v. 3). Ao mesmo tempo, deixa claro que ele primeiro a tomou à força e a humilhou (v. 2). Ou seja, qualquer afeto posterior não apaga o abuso inicial. A narrativa não apresenta o comportamento de Siquém como correto ou aceitável, mas como uma grande insensatez. Seu desejo de casar e pagar um alto dote mostra remorso e apego, porém não muda o caráter violento da primeira ação.

Os irmãos de Diná agiram certo ao matar todos os homens da cidade?

O texto não elogia a atitude de Simeão e Levi. Ele mostra que o motivo inicial era a indignação pelo abuso da irmã, mas descreve um massacre e um saque generalizado, envolvendo inocentes, mulheres e crianças. Mais à frente, em Gênesis 49:5-7, o próprio Jacó, já idoso, condena a violência de Simeão e Levi, chamando sua ira de cruel. A Escritura reconhece a legitimidade de se indignar com a injustiça, mas não legitima uma vingança desproporcional e destrutiva como modelo a ser seguido.

Por que os filhos de Jacó exigem a circuncisão dos homens de Siquém?

A circuncisão era o sinal da aliança de Deus com Abraão e sua descendência. No entanto, em Gênesis 34, os filhos de Jacó não pedem a circuncisão como porta de entrada sincera para a fé no Deus de Israel, e sim como parte de um plano enganoso de vingança. Eles aproveitam a fraqueza física dos homens recém-circuncidados para atacá-los. Isso mostra o uso distorcido de algo sagrado para alcançar objetivos violentos e pessoais.

Qual é a principal preocupação de Jacó ao final do capítulo?

No versículo 30, Jacó demonstra temor em relação às consequências políticas e militares do massacre: ele teme que os cananeus e perizeus se unam contra sua família, que ainda é numericamente pequena. Sua principal angústia expressa ali é a sobrevivência do clã. Simeão e Levi, por sua vez, enfatizam a defesa da honra de Diná (v. 31), o que revela uma tensão entre preocupação com segurança e desejo de justiça, ainda que distorcida.

O que Gênesis 34 ensina sobre como lidar com injustiça e violência hoje?

O capítulo mostra duas coisas ao mesmo tempo: a injustiça e gravidade do abuso cometido contra Diná, e a injustiça e gravidade da vingança desmedida de seus irmãos. Serve como alerta contra a banalização do abuso e também contra o ciclo de violência que nasce da ira descontrolada. Não oferece um modelo detalhado de resposta, mas abre caminho para buscar formas de justiça que protejam a vítima, responsabilizem o agressor e evitem repetir a lógica de destruição. Em toda a Escritura, Deus se apresenta como justo juiz e chama seu povo a confiar nele e a praticar justiça com sabedoria e limites.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 34 é um daqueles capítulos que doem de ler. Há uma jovem ferida, uma família em choque, irmãos tomados por raiva e um pai com medo de perder tudo. Não é uma história limpa, organizada ou fácil de encaixar em respostas prontas. É um retrato cru de dor, abuso, indignação e descontrole. A ferida de Diná ocupa o centro silencioso do texto. Quase não se ouve sua voz, mas tudo gira em torno do que aconteceu com ela. Isso lembra quantas pessoas machucadas ficam em segundo plano quando a família discute culpa, honra, reputação. A Bíblia não esconde esse silêncio nem o trauma; ela o registra, como quem reconhece que essa dor existiu e é séria demais para ser varrida para debaixo do tapete. Os irmãos de Diná sentem algo que muitos sentiriam: revolta profunda, vontade de defender quem foi injustiçado, desejo de que o mal não fique impune. Mas a raiva deles vira um incêndio que queima muito além do que deveria. A história mostra como sofrimentos reais podem, se não forem cuidados, gerar mais violência e mais sofrimento, inclusive para inocentes. Jacó, por sua vez, parece paralisado entre a dor de pai, o medo dos povos ao redor e a vergonha pública. O coração dele aparece dividido, preocupado com a segurança e com o risco que a atitude dos filhos trouxe para todos. É o retrato de alguém que tenta segurar os cacos de uma família machucada em um ambiente hostil. Esse capítulo não oferece um final reconfortante, mas mostra que até nas histórias mais confusas e sombrias o sofrimento não é invisível para Deus. A Bíblia não romantiza o abuso, não chama de normal o que machuca profundamente, nem apresenta a vingança desenfreada como cura. Ela reconhece a dor, o peso da injustiça e a confusão que tudo isso causa dentro de uma família. No meio dessa narrativa tensa, o cuidado de Deus aparece não em grandes discursos, mas no fato de que Ele continua acompanhando essa família imperfeita ao longo da história. O capítulo deixa um espaço aberto para luto, para indignação, para choro, e também para aprender, com o tempo, caminhos de justiça e proteção que não alimentem mais destruição.

Mind
Mente

Gênesis 34 é um relato narrativo complexo que entrelaça questões morais, identitárias e teológicas. Do ponto de vista literário, a ausência de comentários diretos do narrador sobre quem está “certo” ou “errado” obriga o leitor a observar as consequências e conexões com outros textos bíblicos. O crime de Siquém é descrito com rigor: ele "viu", "tomou", "deitou-se" e "humilhou" Diná (v. 2). Em seguida, o texto surpreende ao relatar que sua alma se apegou à moça e que ele a amou (v. 3). A sequência sugere uma mistura de violência inicial com apego posterior, algo moralmente ambíguo que não anula a gravidade do ato, mas configura um quadro mais complexo do que um simples estupro seguido de fuga. A reação dos irmãos é clara: foi uma "insensatez" em Israel, algo que não se devia fazer (v. 7). O discurso de Hamor e Siquém introduz um tema político-econômico: por meio de casamento e circuncisão, haveria fusão de povos, compartilhamento de terras e bens (v. 9-10, 21-23). O convite é para uma assimilação cultural e econômica em que "seu gado, as suas possessões, e todos os seus animais não serão nossos?" (v. 23). Assim, a proposta não é apenas reparação, mas um projeto de integração vantajoso para Siquém. Os filhos de Jacó respondem com engano (v. 13). O narrador não esconde que a exigência de circuncisão está contaminada por intenção dolosa. A circuncisão, sinal da aliança em Gênesis 17, é usada aqui como arma. Isso sugere uma reflexão crítica sobre o uso de sinais religiosos: não basta praticá-los; o propósito e o coração importam. O massacre de Simeão e Levi, no terceiro dia após a circuncisão, é cuidadosamente descrito: ambos matam todos os homens, inclusive Hamor e Siquém, resgatam Diná e, em seguida, os demais irmãos saqueiam a cidade (v. 25-29). A menção posterior em Gênesis 49:5-7, onde Jacó condena a violência e a ira desses filhos, ajuda a interpretar Gênesis 34: a narrativa não celebra a vingança deles, mas a expõe como problemática. A fala final de Jacó (v. 30-31) evidencia duas perspectivas em conflito. Jacó destaca o perigo político: “tendes-me turbado... serei destruído, eu e minha casa”. Os filhos enfatizam a moral sexual e a honra familiar: “devia ele tratar a nossa irmã como a uma prostituta?”. O texto não escolhe explicitamente um lado, mas mostra uma família dividida entre sobrevivência e honra, ambas feridas pelo ato inicial de Siquém e pela resposta extrema dos irmãos. Teologicamente, Gênesis 34 serve como pano de fundo para a formação das tribos: a violência de Simeão e Levi terá repercussões em suas bênçãos futuras. Ao mesmo tempo, o capítulo introduz com força o tema da convivência de Israel entre povos cananeus, antecipando conflitos morais, religiosos e culturais que marcarão os livros seguintes.

Life
Vida

Gênesis 34 traz questões duras, mas muito práticas para a vida em família, relacionamentos e decisões do dia a dia. É a história de uma tragédia que se multiplica porque ninguém lida bem com o que aconteceu. Diná é ferida por alguém que mistura desejo, poder e falta de limites. Essa combinação ainda hoje destrói relacionamentos e famílias: pessoas que confundem amor com posse, desejo com direito, influência com autorização. O texto lembra que corpo e dignidade não são negociáveis, nem dentro nem fora de casa. Os irmãos de Diná têm algo valioso: não aceitam ver a irmã tratada como coisa. A indignação deles mostra um senso forte de proteção e de valor da família. Mas, ao não colocar freios nessa raiva, eles passam de defensores a agressores, repetindo, em outra escala, a lógica da violência. O resultado são muitos mortos, famílias destruídas e uma situação política extremamente arriscada. Na prática, isso fala de como lidamos com conflitos graves hoje: traições, abusos, injustiças no trabalho, ofensas públicas. A linha entre buscar justiça e alimentar vingança é fina. Quando decisões são tomadas no auge da ira, sem reflexão, sem conselhos e sem considerar consequências, toda a casa pode sofrer. Há também o tema das alianças. Hamor e Siquém oferecem casamento, negócios e compartilhamento de terras. Parece vantajoso para todos, mas a base da proposta é frágil: começa com uma injustiça não resolvida. Na vida real, parcerias conjugais, familiares e profissionais que ignoram o mal de origem tendem a carregar conflitos escondidos. A história sugere que não basta buscar o melhor acordo econômico ou social; é preciso perguntar se há respeito, caráter e verdade por trás. A postura de Jacó no fim mostra outro lado comum: o medo de encarar o problema de frente. Ele teme as consequências externas e se vê com pouca gente para enfrentar um conflito maior. Muitos líderes de família, igrejas ou organizações vivem esse dilema: proteger o grupo, enfrentar o erro, assumir a dor, tudo ao mesmo tempo. Na rotina, esse capítulo encoraja a: - levar a sério qualquer forma de abuso ou falta de respeito; - não tomar decisões importantes no calor da raiva; - não usar a fé ou práticas religiosas como ferramenta de manipulação ou negociação; - pensar nas consequências coletivas de atitudes impulsivas; - construir relacionamentos e parcerias sobre justiça, verdade e respeito, não apenas vantagens aparentes. É um texto forte, mas que ajuda a enxergar onde ciclos de violência podem começar e o quanto é necessário buscar caminhos de justiça que interrompam, não reforcem, essa cadeia de dor.

Soul
Alma

Gênesis 34 mostra o pecado em uma de suas faces mais cruéis: um corpo violado, uma família rompida, um povo massacrado. É um quadro onde a imagem de Deus no outro é ignorada, seja no abuso de Diná, seja na vingança desmedida de seus irmãos. Espiritualmente, o capítulo revela o que acontece quando a vida é conduzida sem escuta profunda de Deus, guiada apenas por impulso, desejo e medo. Siquém age movido por paixão e poder, e só depois fala em amor, dote, casamento. A ordem das ações é significativa: primeiro ele toma, depois tenta reparar. Essa inversão mostra uma espiritualidade desconectada do respeito ao outro. Mesmo quando palavras bonitas surgem, o fundamento já foi ferido. A fé bíblica convida a uma outra lógica: antes de qualquer vínculo, reconhecer no outro alguém criado por Deus, que não pode ser reduzido a objeto de satisfação. Os filhos de Jacó, por sua vez, reagem com indignação justa diante do mal, mas não discernem limites espirituais. Pegam um sinal sagrado – a circuncisão – e fazem dele uma arma de engano. Há aqui um alerta profundo: até práticas da aliança, marcadas por Deus para comunhão, podem ser distorcidas em instrumentos de violência quando o coração está tomado por ódio. Quando símbolos da fé se tornam ferramentas de manipulação, a tragédia se aprofunda. No centro disso tudo, a voz de Deus não aparece no texto. Há silêncio divino e muito barulho humano. Esse silêncio não sugere ausência de Deus na história, mas ressalta o contraste: decisões são tomadas sem consulta, sem busca de direção, sem espaço para arrependimento verdadeiro. O resultado é uma sequência de ações extremas, nascidas de dores reais, porém conduzidas sem sabedoria do alto. Espiritualmente, o capítulo lembra que: - a dignidade do corpo e da pessoa é parte da boa criação de Deus e não pode ser violada sem graves consequências; - a indignação com o mal é correta, mas precisa ser submetida à justiça de Deus, que não legitima ciclos intermináveis de vingança; - sinais e práticas religiosas não têm poder automático; seu valor está ligado ao coração que os pratica e ao Deus que os instituiu; - famílias e comunidades que decidem apenas por impulso, sem buscar a voz de Deus, tendem a multiplicar feridas. Ao acompanhar Jacó, Diná, Simeão e Levi, amplia-se a consciência de que a salvação e a restauração não virão da força humana nem da justiça própria. Mais adiante, a história bíblica apontará para um justo que, em vez de retribuir mal com mal, se entregará para quebrar o ciclo da violência e abrir um caminho novo. Gênesis 34 prepara o terreno para a percepção de necessidade de um Redentor que trate o mal com seriedade, mas sem reproduzir sua lógica destrutiva.

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Versiculos em Gênesis 47

Gênesis 47:1

" Depois disto me fez voltar à porta da casa, e eis que saíam águas por debaixo do umbral da casa para o oriente; porque a face da casa dava para o oriente, e as águas desciam de debaixo, desde o lado direito da casa, ao sul do altar. "

Gênesis 47:2

" E ele me fez sair pelo caminho da porta do norte, e me fez dar uma volta pelo caminho de fora, até à porta exterior, pelo caminho que dá para o oriente e eis que corriam as águas do lado direito. "

Gênesis 47:3

" E saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; e mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. "

Gênesis 47:4

" E mediu mais mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; e outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas que me davam pelos lombos. "

Gênesis 47:5

" E mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar, porque as águas eram profundas, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar. "

Gênesis 47:8

" Então disse-me: Estas águas saem para a região oriental, e descem ao deserto, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, as águas tornar-se-ão saudáveis. "

Gênesis 47:9

" E será que toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá; e haverá muitíssimo peixe, porque lá chegarão estas águas, e serão saudáveis, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio. "

Gênesis 47:10

" Será também que os pescadores estarão em pé junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim haverá lugar para estender as redes; o seu peixe, segundo a sua espécie, será como o peixe do mar grande, em multidão excessiva. "

Gênesis 47:12

" E junto ao rio, à sua margem, de um e de outro lado, nascerá toda a sorte de árvore que dá fruto para se comer; não cairá a sua folha, nem acabará o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; e o seu fruto servirá de comida e a sua folha de remédio. "

Gênesis 47:13

" Assim diz o Senhor DEUS: Este será o termo conforme o qual repartireis a terra em herança, segundo as doze tribos de Israel; José terá duas partes. "

Gênesis 47:14

" E vós a herdareis, tanto um como o outro; terra sobre a qual levantei a minha mão, para dá-la a vossos pais; assim esta mesma terra vos cairá a vós em herança. "

Gênesis 47:16

" Hamate, Berota, Sibraim, que estão entre o termo de Damasco e o termo de Hamate; Hazer-Haticom, que está junto ao termo de Haurã. "

Gênesis 47:17

" E o termo será desde o mar até Hazar-Enom, o termo de Damasco, e na direção do norte, para o norte, está o termo de Hamate. Este será o lado do norte. "

Gênesis 47:18

" E o lado do oriente, entre Haurã, e Damasco, e Gileade, e a terra de Israel será o Jordão; desde o termo do norte até ao mar do oriente medireis. Este será o lado do oriente. "

Gênesis 47:19

" E o lado do sul, para o sul, será desde Tamar até às águas da contenda de Cades, junto ao ribeiro, até ao mar grande. Este será o lado do sul. "

Gênesis 47:20

" E o lado do ocidente será o mar grande, desde o termo do sul até a entrada de Hamate. Este será o lado do ocidente. "

Gênesis 47:22

" Será, porém, que a sorteareis para vossa herança, e para a dos estrangeiros que habitam no meio de vós, que gerarão filhos no meio de vós; e vos serão como naturais entre os filhos de Israel; convosco entrarão em herança, no meio das tribos de Israel. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.