Gênesis 43 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Gênesis 43 na sua vida hoje

27 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Gênesis 43?

Gênesis 30 mostra a continuação da história de Jacó em Harã: a rivalidade entre Raquel e Lia por filhos, o nascimento da maioria das tribos de Israel por meio de esposas e servas, a lembrança de Deus para com Raquel e, em seguida, a negociação tensa entre Jacó e Labão sobre salário e rebanhos. Ao mesmo tempo em que revela inveja, competição e manipulação humanas, o capítulo destaca a fidelidade de Deus em cumprir sua promessa de multiplicar a descendência de Jacó e prosperá-lo, mesmo em meio a relacionamentos marcados por conflitos e injustiças.

Temas principais em Gênesis 43

Inveja, rivalidade e dor dentro da família (versículos Gênesis 30:1-13)

A tensão entre Raquel e Lia aparece com força: inveja, sentimento de rejeição, disputa por atenção e busca desesperada por filhos. As duas usam servas como meio de aumentar sua própria honra, transformando maternidade em competição. O texto não idealiza a família de Jacó, mas mostra como Deus age até em contextos quebrados.

Versículos-chave: 1, 8

Deus que ouve, vê e lembra (versículos Gênesis 30:6,17,22-24)

Apesar dos meios tortuosos que a família utiliza, o capítulo afirma repetidamente que Deus ouve, lembra, recompensa e remove a vergonha. Ele ouve Lia, lembra-se de Raquel e concede filhos que farão parte do povo da aliança. A graça de Deus se destaca sobre a fraqueza humana.

Versículos-chave: 6, 17, 22, 23

Multiplicação da descendência de Jacó (versículos Gênesis 30:5-21,24)

A maior parte dos filhos de Jacó nasce neste capítulo: Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, Diná e, por fim, José. Esses filhos representarão tribos de Israel. Em meio ao caos emocional e relacional, o plano de Deus de formar um povo permanece avançando.

Versículos-chave: 8, 13, 20, 24

Trabalho, exploração e provisão de Deus (versículos Gênesis 30:25-43)

Depois do nascimento de José, Jacó deseja voltar para sua terra, mas Labão procura retê-lo por causa da bênção que recebe por meio dele. Há uma negociação complexa sobre salário, marcada por desconfiança e tentativa de vantagem. Mesmo assim, Deus faz Jacó prosperar, protegendo-o num ambiente de exploração.

Versículos-chave: 27, 30, 43

Sabedoria humana e soberania divina (versículos Gênesis 30:31-43)

O plano de Jacó com as varas e a separação dos rebanhos mostra iniciativa, esperteza e tentativa de controlar resultados. Porém, o conjunto da história bíblica aponta que a prosperidade de Jacó não vem de truques, mas da bênção de Deus. O texto coloca lado a lado o esforço humano e a ação soberana de Deus.

Versículos-chave: 31, 32, 43

Contexto histórico e literario

Gênesis 30 se passa no período patriarcal, quando Jacó vive em Harã, na casa de seu sogro Labão. Naquela cultura do Antigo Oriente Próximo, a fertilidade era vista como sinal de honra e favor divino, enquanto a esterilidade era motivo de vergonha social. Por isso a capacidade de gerar filhos se torna um ponto central na identidade de Raquel e Lia. Era comum que servas fossem entregues como concubinas ao marido para gerar filhos em nome da senhora, prática que aparece também nos relatos de Sara e Agar.

Os acordos de trabalho, como o de Jacó com Labão a respeito de rebanhos, eram baseados em confiança, mas também sujeitos a abusos, especialmente quando o patrão tinha mais poder que o empregado. Animais listrados, malhados ou de cor diferente do padrão eram menos comuns, o que torna o pedido de Jacó aparentemente modesto à primeira vista. Labão, contudo, separa logo os animais combinados, tentando reduzir a chance de Jacó prosperar.

Em pano de fundo, permanece a promessa feita por Deus a Abraão e confirmada a Isaque e Jacó: multiplicar a descendência e abençoar. A multiplicação dos filhos de Jacó, mesmo por meios imperfeitos, é parte do processo de formação de Israel como povo da aliança.

Estrutura de Gênesis 43

O capítulo pode ser dividido em duas grandes seções, com transições claras:

  1. Rivalidade e nascimentos (30:1-24)

    • 30:1-8 – Raquel estéril, inveja de Lia e filhos por meio de Bila (Dã e Naftali).
    • 30:9-13 – Reação de Lia, que dá Zilpa a Jacó (Gade e Aser).
    • 30:14-16 – Episódio das mandrágoras e a negociação entre Raquel e Lia pela atenção de Jacó.
    • 30:17-21 – Deus ouve Lia: nascem Issacar, Zebulom e Diná.
    • 30:22-24 – Deus se lembra de Raquel: nascimento de José, com foco em remoção de vergonha e expectativa de mais um filho.
  2. Negociação e enriquecimento de Jacó (30:25-43)

    • 30:25-30 – Jacó pede para voltar à sua terra; Labão reconhece que foi abençoado por causa dele e tenta retê-lo.
    • 30:31-34 – Proposta de salário baseada em animais salpicados, malhados e de cor diferente.
    • 30:35-36 – Labão separa os animais combinados, aumentando a distância entre os rebanhos.
    • 30:37-43 – Estratégia de Jacó com as varas, distinção entre animais fortes e fracos e resultado: grande prosperidade de Jacó.

O texto alterna descrições breves de eventos (nascimentos, acordos) com falas cheias de emoção e tensão, especialmente entre Raquel e Lia, e entre Jacó e Labão. A repetição de fórmulas como “e concebeu”, “e chamou-lhe” e “Deus ouviu/ lembrou-se” cria um ritmo que reforça a ênfase na ação contínua de Deus ao longo do caos humano.

Significado teológico

Gênesis 30 aprofunda temas centrais da teologia bíblica.

1) Deus age em famílias imperfeitas. A família de Jacó, que se tornará o núcleo de Israel, é marcada por inveja, favoritismo, barganha e manipulação. O texto não embeleza essa realidade. Ainda assim, é justamente dessa família complexa que surgem as tribos que carregarão a promessa. Isso ressalta que a eleição de Deus não é baseada em perfeição humana, mas em graça soberana.

2) Deus ouve e responde no tempo dele. A esterilidade de Raquel não é esquecida. “Deus lembrou-se de Raquel” indica uma intervenção ativa, não que Deus houvesse esquecido, mas que chegou o momento de agir em favor dela. Lia também é ouvida repetidamente. Em meio a pedidos misturados com competição e dor, Deus age de forma fiel, mesmo quando os motivos humanos não são puros.

3) A bênção é de Deus, não da esperteza humana. A trama envolvendo rebanhos, varas e animais malhados destaca a sagacidade de Jacó, mas o desenvolvimento maior de Gênesis mostra que é a mão de Deus que o enriquece. A Bíblia apresenta tanto o trabalho e a inteligência humana quanto a soberania divina, mas deixa claro que a verdadeira fonte de prosperidade e proteção é o Senhor.

4) Formação do povo da aliança. Com o nascimento de tantos filhos, o capítulo avança de forma decisiva na concretização da promessa feita a Abraão de uma grande nação. Cada nome escolhido carrega interpretações teológicas e emocionais (“Deus me ouviu”, “Deus me deu galardão”, “Tirou-me Deus a vergonha”), mostrando que a história familiar e a história da salvação estão entrelaçadas.

5) Deus transforma vergonha em testemunho. A vergonha de Raquel por não ter filhos é explicitamente mencionada e, em seguida, revertida. O nascimento de José não é apenas um alívio pessoal, mas o surgimento de uma figura-chave na história de Israel. O que era motivo de humilhação se torna parte do testemunho da fidelidade de Deus.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo toca em temas profundamente humanos: inveja dentro da família, sensação de comparação constante, dor da infertilidade e busca por aceitação. Lia e Raquel, cada uma à sua maneira, carregam feridas emocionais: Lia busca o amor de Jacó por meio de filhos; Raquel sente a dor de não conseguir gerar e se compara à irmã. A família vive uma dinâmica de barganha por afeto e status, o que alimenta ressentimentos e rivalidades.

Ao mesmo tempo, o texto mostra que, mesmo em contextos emocionais confusos, Deus não abandona ninguém. Ele vê a humilhação, ouve o clamor e age em seu tempo. Isso abre espaço para reflexões terapêuticas sobre identidade que não dependa apenas de desempenho, fertilidade, produtividade ou aprovação de pessoas importantes. Em vez de idealizar a família, o capítulo legitima a existência de lares conflituosos e problemáticos, e mostra que o cuidado de Deus alcança esse tipo de realidade.

Na parte final, há também um olhar para questões de trabalho e exploração. Jacó sente que já fez muito pelo crescimento do patrimônio de Labão e começa a buscar justiça e equilíbrio. Isso conversa com experiências de quem se sente explorado ou desvalorizado no trabalho, lembrando que dignidade, limite saudável e reconhecimento justo são necessidades legítimas.

Gênesis 30, lido com sensibilidade, pode ajudar pessoas a nomearem sentimentos de inveja, rejeição, vergonha e esgotamento, oferecendo um horizonte em que Deus se mostra presente, ainda que as relações humanas estejam desorganizadas.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do capítulo exigem cuidado na leitura pastoral e terapêutica:

1) Esterilidade e vergonha: o texto mostra claramente o peso cultural da esterilidade na época, mas isso não deve ser transposto de forma direta para hoje como se a falta de filhos fosse sinal de menor valor ou de falta de fé. Aplicações simplistas podem gerar culpa e sofrimento indevidos.

2) Uso de servas como “barrigas de aluguel”: Bila e Zilpa são entregues como mulheres a Jacó sem que o texto descreva seu consentimento. Essa realidade cultural antiga não legitima abusos, exploração sexual ou tratamento despersonalizado de pessoas. Em contextos de abuso, essa passagem não pode ser usada para justificar opressão.

3) Competições familiares: a disputa entre Raquel e Lia não deve ser romantizada nem vista como modelo. Em ambientes já marcados por ciúmes e favoritismos, enfatizar apenas a vitória de uma sobre a outra pode reforçar padrões tóxicos.

4) Trabalho e exploração: Labão tenta tirar vantagem de Jacó diversas vezes. Em situações atuais de exploração trabalhista, é perigoso usar o texto para sugerir que a pessoa deve apenas suportar injustiças sem buscar ajuda, proteção e alternativas.

5) Interpretações mágicas: a estratégia das varas diante do rebanho, lida sem contexto, pode ser mal interpretada como “técnica espiritual” ou fórmula mística para prosperidade. Isso abre espaço para leituras supersticiosas ou manipulações religiosas.

Qualquer acompanhamento pastoral ou terapêutico que use esse texto deve ressaltar o cuidado de Deus, a dignidade de cada pessoa e o caráter descritivo, não prescritivo, de muitos comportamentos narrados.

Aplicação prática para hoje

1) Lidar com inveja e comparação: a história de Raquel e Lia incentiva a reconhecer quando a comparação com irmãos, colegas ou amigos se torna fonte de dor e rivalidade. Em vez de alimentar disputas, o texto convida a trazer esses sentimentos à luz, buscando cura e aprendizado de contentamento.

2) Reconhecer a dor sem anulá-la: a esterilidade de Raquel e o sentimento de rejeição de Lia mostram que sofrimento emocional profundo não é sinal de fraqueza espiritual. Há espaço para lamentar diante de Deus, sem precisar fingir força. O texto também aponta que Deus ouve, ainda que a resposta não venha no tempo nem da forma esperada.

3) Evitar transformar pessoas em meios para um fim: Bila e Zilpa são usadas como instrumentos para cumprir um desejo. Essa dinâmica inspira a refletir sobre situações em que alguém pode estar tratando pessoas apenas como recursos para atingir metas – na família, no trabalho, na igreja – e buscar uma postura mais respeitosa e amorosa.

4) Reavaliar relacionamentos de trabalho: a relação entre Jacó e Labão convida a pensar em acordos justos, limites saudáveis e reconhecimento adequado. Pode inspirar a buscar diálogos mais claros sobre expectativas e remuneração, bem como a não aceitar indefinidamente situações injustas sem procurar orientação e caminhos responsáveis.

5) Trabalhar com diligência, confiando na provisão de Deus: Jacó planeja, trabalha duro e usa inteligência; mas, ao longo da narrativa bíblica, fica claro que o crescimento vem da bênção de Deus. Isso incentiva a unir esforço responsável com confiança, sem se apoiar apenas na própria esperteza.

6) Entender que Deus age em processos: entre a dor inicial de Raquel e o nascimento de José, há um longo caminho marcado por conflitos e frustrações. A vida espiritual também é feita de processos. O capítulo estimula a cultivar paciência e esperança, lembrando que Deus pode estar trabalhando por trás de circunstâncias desorganizadas.

Perguntas frequentes

Por que Raquel e Lia deram suas servas a Jacó como mulheres?

Na cultura do Antigo Oriente Próximo, era socialmente aceito que uma mulher estéril desse sua serva ao marido como concubina para gerar filhos em seu lugar. Os filhos eram considerados legalmente da senhora. Esse costume também aparece na história de Sara e Agar. A Bíblia registra essa prática, mas não a apresenta como ideal eterno nem modelo a ser imitado. O relato mostra as consequências emocionais complicadas dessa escolha, sem esconder a dor e a rivalidade que surgem a partir dela.

O que eram as mandrágoras mencionadas em Gênesis 30?

As mandrágoras eram plantas conhecidas na antiguidade, com raízes de forma peculiar. Em muitos contextos antigos, acreditava-se que tinham propriedades relacionadas à fertilidade e ao amor. Por isso Raquel, estéril, se interessa pelas mandrágoras que Rúben encontra e quer obtê-las de Lia. O texto não afirma que as mandrágoras tenham causado fertilidade; ele apenas descreve a crença e a negociação entre as irmãs. A concepção é atribuída explicitamente à ação de Deus, não a qualquer poder da planta.

Deus aprovou a rivalidade entre Raquel e Lia?

O texto não mostra Deus aprovando a rivalidade. Ele apenas descreve o que aconteceu, inclusive os sentimentos de inveja, competição e dor que marcaram essas relações. Ao mesmo tempo, Deus age com graça sobre todas, ouvindo tanto Lia quanto Raquel e concedendo filhos. Isso revela que Deus pode agir em meio a situações quebradas, sem que isso signifique aprovação da forma como as pessoas se tratam. A rivalidade produz sofrimento, não shalom; a ação de Deus é de misericórdia no meio desse sofrimento.

A estratégia de Jacó com as varas realmente funcionava de modo natural?

O texto descreve que Jacó usou varas descascadas diante dos animais no momento em que concebiam e que, assim, nasceram mais animais listrados, salpicados e malhados. Do ponto de vista científico moderno, isso não explica a genética dos rebanhos. Muitos intérpretes entendem que o autor bíblico está mostrando a iniciativa e a crença de Jacó, enquanto a prosperidade real vem da intervenção de Deus. Ou seja, Deus abençoa Jacó apesar de suas técnicas, e não por causa de um poder especial das varas em si.

Por que o nascimento de José é tão importante em Gênesis 30?

José é o primeiro filho de Raquel, a esposa amada de Jacó, e seu nascimento representa a remoção da vergonha dela. Além disso, José terá um papel decisivo na história posterior: será vendido ao Egito, se tornará um líder importante e, por meio dele, Deus preservará a família de Jacó da fome. Assim, o nascimento de José, narrado com destaque em Gênesis 30, prepara o terreno para um novo grande movimento da história da salvação em Gênesis.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Gênesis 30 é um retrato de uma família cheia de sentimentos intensos: inveja, carência, humilhação, desejo de ser vista e amada. Raquel sofre por não ter filhos e chega a dizer que prefere morrer a continuar assim. Lia, por sua vez, se sente preterida e tenta conquistar o amor de Jacó por meio de cada novo filho. Há servas que entram nessa dinâmica sem que seus sentimentos apareçam. Ninguém aqui está inteiro. O texto não esconde o que dói. Mostra que, mesmo dentro de casas cheias de bênçãos, podem existir comparações, ciúmes e negociações por atenção. Isso ajuda a enxergar que famílias complicadas não são um fracasso isolado, mas parte da realidade humana que a Bíblia conhece bem. Deus está presente também nesse tipo de história, não só nas histórias bonitas e organizadas. É tocante perceber como, em meio a tantas disputas, Deus é descrito como alguém que ouve, lembra-se e responde. Ele ouve o choro de Lia, que tantas vezes se sente em segundo plano. Ele se lembra de Raquel, que carrega vergonha no coração. Mesmo quando as atitudes delas são misturadas de fé, competição e desespero, Deus não se afasta. Ele cuida, visita, dá filhos e transforma vergonha em nova fase. Para corações cansados, esse capítulo é um lembrete de que Deus não exige histórias perfeitas para permanecer perto. Ele conhece as comparações silenciosas, os ciúmes que dão vergonha de admitir, a sensação de estar sempre atrás do outro. E, ainda assim, escolhe agir em graça. A história de Jacó e sua família não é limpa nem linear, mas é nesse terreno cheio de rachaduras que a fidelidade de Deus vai criando caminhos de vida.

Mind
Mente

Gênesis 30 se situa no ciclo de Jacó em Harã, ampliando os temas de promessa, conflito familiar e formação do povo de Deus. Do ponto de vista literário, o capítulo continua a ênfase iniciada em Gênesis 29 na rivalidade entre Lia e Raquel. O uso de servas como concubinas (Bila e Zilpa) é coerente com costumes legais conhecidos em códigos do Antigo Oriente Próximo, em que a serva podia gerar filhos em nome de sua senhora. A narrativa, porém, não faz apologia dessa prática, apenas a descreve e expõe suas tensões. Os nomes dos filhos ajudam a interpretar teologicamente o texto. Dã (“ele julgou”) é ligado ao reconhecimento de Raquel de que Deus a julgou favoravelmente. Naftali (“minhas lutas”) reflete a competição com a irmã. Gade (“afortunado”) e Aser (“feliz”, “bem-aventurada”) mostram a leitura de Lia de que sua situação mudou. Issacar é associado a galardão, Zebulom a dádiva e convivência mais estável com o marido. José (“que ele acrescente”) olha para a remoção da vergonha e pede mais. Assim, os nomes funcionam como pequenas confissões de fé e também como janelas das motivações e dores de cada personagem. A frase “Deus ouviu Lia” e “Deus lembrou-se de Raquel” retoma a linguagem da intervenção divina em outros textos do Antigo Testamento. “Lembrar-se” em linguagem bíblica não indica esquecimento prévio, mas o momento em que Deus decide agir conforme sua aliança. O autor enfatiza, assim, que, por trás da multiplicação dos filhos, está a mão de Deus guiando a história da promessa abraâmica. A partir do versículo 25, a discussão muda para trabalho e rebanho. Labão reconhece que foi abençoado por causa de Jacó, ecoando a promessa de que, por meio dos patriarcas, outros seriam abençoados. A negociação do salário com animais malhados e salpicados parece inicialmente favorecer Labão, já que tais animais eram minoritários. A separação prévia feita por Labão (v. 35) é uma tentativa clara de manipular o acordo. A sequência das varas descascadas é um trecho que gera debates interpretativos. Alguns veem ali apenas o registro da crença de Jacó em um método visual para influenciar a prole dos animais; outros enfatizam que o ponto principal do narrador, ao longo de Gênesis, é que Deus é quem faz Jacó prosperar, não fórmulas naturais ou mágicas. Seja como for, o desfecho do capítulo (v. 43) declara que Jacó cresceu muito em bens, preparando o conflito futuro com os filhos de Labão e o retorno à terra prometida. Teologicamente, o capítulo reforça que Deus conduz sua promessa por meio de pessoas ambíguas, e que a bênção divina pode coexistir com estruturas sociais e familiares falhas, sem ser aval de todas elas. A narrativa tem caráter descritivo, revelando tanto a cultura da época quanto o fio da fidelidade divina que atravessa essas circunstâncias.

Life
Vida

Na prática do dia a dia, Gênesis 30 mostra o que acontece quando relacionamentos são guiados por comparação e negócio, e não por amor e clareza. Raquel e Lia transformam filhos em medida de valor pessoal e em moeda de troca afetiva. O resultado é uma casa cheia de tensão, onde cada conquista de uma é sentida pela outra como derrota. Na vida real, esse padrão se repete em famílias, empresas, ministérios: quando o sucesso do outro vira ameaça, a convivência se desgasta. O texto convida à reflexão sobre a tendência de buscar aprovação através de desempenho. Lia pensa que, ao dar mais um filho a Jacó, finalmente será amada. Raquel acredita que, com filhos, sua vergonha acabará. As duas apostam que algo externo resolverá a carência interna. Na rotina contemporânea, isso pode aparecer como obsessão por conquistas, imagem ou resultados para, enfim, “merecer” afeto e respeito. A narrativa sugere que essa lógica aprisiona, porque sempre será possível comparar com alguém que aparenta ter mais. A gestão dos conflitos também é significativa. Em vez de conversas diretas e reconciliação verdadeira, surgem barganhas – como no episódio das mandrágoras – e estratégias para assegurar vantagem. É um alerta prático sobre a importância de conversas honestas, definição de limites e busca de reconciliação saudável, em vez de acumular ressentimentos silenciosos ou manipular o comportamento do outro. Na área profissional, a relação entre Jacó e Labão é um espelho para acordos desequilibrados. Labão desfruta da bênção trazida pelo trabalho de Jacó, mas tenta retê-lo e controlar os termos da relação. Jacó, por sua vez, aprende a negociar de forma mais assertiva, pensando também em sua própria casa. Isso inspira a revisar situações de trabalho em que alguém dá demais e recebe de menos, sem clareza de acordo, e a buscar formas mais justas de estabelecer expectativas, dentro do possível. Por fim, a história lembra que planejamento e esforço são importantes, mas não controlam tudo. Jacó é estratégico com os rebanhos, mas, no conjunto bíblico, fica claro que a prosperidade dele vem da mão de Deus. Em termos práticos, isso encoraja a trabalhar com excelência, sem se apoiar em esperteza ou “atalhos”, e a reconhecer limites pessoais, confiando que resultados últimos não dependem apenas do próprio controle.

Soul
Alma

Gênesis 30 coloca diante dos olhos uma verdade espiritual profunda: o coração humano tende a buscar identidade e segurança em dons específicos – filhos, afeto conjugal, bens, capacidade de produzir –, enquanto Deus, silenciosamente, continua conduzindo sua história de aliança. Raquel e Lia medem seu valor principalmente pela fertilidade e pelo lugar no coração de Jacó; Jacó, por um tempo, mede seu sucesso pelo tamanho dos rebanhos; Labão mede tudo pelo lucro que obtém. No entanto, por trás desses movimentos, Deus está formando Israel, o povo por meio do qual virá a bênção ao mundo. Essa perspectiva amplia o olhar para além do imediato. O sofrimento de Raquel e a frustração de Lia não são ignorados; ao contrário, são nomeados e colocados em relação direta com Deus, que “ouve” e “lembra”. Ao mesmo tempo, seu significado não se esgota no nível pessoal. Os filhos que nascem ali, com todas as histórias complicadas que os cercam, farão parte de uma trama muito maior, que aponta para a vinda de Cristo. A alma é convidada a reconhecer que a própria história, com dores e alegrias, está inserida numa narrativa mais ampla do Reino de Deus. O modo como Deus age também instrui a vida espiritual. Ele não se limita a recompensar méritos claros nem a responder apenas a orações perfeitamente motivadas. Ele abençoa onde há inveja e disputa, corrige ao longo do caminho, transforma vergonha em cenário para seu agir. Isso revela um Deus que não espera pureza absoluta de intenção para começar a trabalhar, mas que, no processo, vai purificando o coração e os desejos. A prosperidade de Jacó, por sua vez, ensina sobre providência. Embora ele use meios questionáveis aos olhos modernos, o foco da narrativa ao longo de Gênesis é que Deus prometeu abençoá-lo e cumpre essa promessa. A fé madura aprende a ver que, mesmo quando se está cercado por injustiças, manipulações ou limites pessoais, a mão de Deus não está impedida. Ele conduz, abre e fecha portas, permite certas lutas para moldar caráter e, ainda assim, permanece fiel à palavra dada. No fim, Gênesis 30 é um convite à confiança de longo prazo. A alma é chamada a descansar não em resultados imediatos, nem em sinais visíveis de aprovação humana, mas na certeza de que Deus vê, ouve, lembra-se e conduz cada etapa rumo a um propósito eterno mais amplo do que se pode perceber no momento.

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Versículos em Gênesis 43

Gênesis 43:2

" E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória. "

Gênesis 43:3

" E o aspecto da visão que tive era como o da visão que eu tivera quando vim destruir a cidade; e eram as visões como as que tive junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. "

Gênesis 43:7

" E disse-me: Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; e os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome santo, nem eles nem os seus reis, com suas prostituições e com os cadáveres dos seus reis, nos seus altos, "

Gênesis 43:8

" Pondo o seu limiar ao pé do meu limiar, e o seu umbral junto ao meu umbral, e havendo uma parede entre mim e eles; e contaminaram o meu santo nome com as suas abominações que cometiam; por isso eu os consumi na minha ira. "

Gênesis 43:9

" Agora lancem eles para longe de mim a sua prostituição, e os cadáveres dos seus reis, e habitarei no meio deles para sempre. "

Gênesis 43:10

" Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel esta casa, para que se envergonhe das suas maldades, e meça o modelo. "

Gênesis 43:11

" E, envergonhando-se eles de tudo quanto fizeram, faze-lhes saber a forma desta casa, e a sua figura, e as suas saídas, e as suas entradas, e todas as suas formas, e todos os seus estatutos, todas as suas formas, e todas as suas leis; e escreve isto aos seus olhos, para que guardem toda a sua forma, e todos os seus estatutos, e os cumpram. "

Gênesis 43:12

" Esta é a lei da casa: Sobre o cume do monte todo o seu contorno em redor será santíssimo; eis que esta é a lei da casa. "

Gênesis 43:13

" E estas são as medidas do altar, em côvados (o côvado é um côvado e um palmo): e o fundo será de um côvado de altura, e um côvado de largura, e a sua borda em todo o seu contorno, de um palmo; e esta é a base do altar. "

Gênesis 43:14

" E do fundo, desde a terra até a armação inferior, dois côvados, e de largura um côvado, e desde a pequena armação até a grande, quatro côvados, e a largura de um côvado. "

Gênesis 43:17

" E a armação, catorze côvados de comprimento, e catorze de largura, nos seus quatro lados; e o contorno, ao redor dela, de meio côvado, e o fundo dela de um côvado, ao redor; e os seus degraus davam para o oriente. "

Gênesis 43:18

" E disse-me: Filho do homem, assim diz o Senhor DEUS: Estes são os estatutos do altar, no dia em que o fizerem, para oferecerem sobre ele holocausto e para aspergirem sobre ele sangue. "

Gênesis 43:19

" E aos sacerdotes levitas, que são da descendência de Zadoque, que se chegam a mim (diz o Senhor DEUS) para me servirem, darás um bezerro, para oferta pelo pecado. "

Gênesis 43:20

" E tomarás do seu sangue, e o porás sobre as suas quatro pontas, e sobre os quatro cantos da armação, e no contorno ao redor; assim o purificarás e o expiarás. "

Gênesis 43:21

" Então tomarás o bezerro da oferta pelo pecado, e o queimará no lugar da casa para isso designado, fora do santuário. "

Gênesis 43:22

" E no segundo dia oferecerás um bode, sem mancha, como oferta pelo pecado; e purificarão o altar, como o purificaram com o bezerro. "

Gênesis 43:24

" E oferecê-los-ás perante a face do Senhor; e os sacerdotes deitarão sal sobre eles, e oferecê-los-ão em holocausto ao Senhor. "

Gênesis 43:25

" Por sete dias prepararás, cada dia um bode como oferta pelo pecado; também prepararão um bezerro, e um carneiro do rebanho, sem mancha. "

Gênesis 43:27

" E, cumprindo eles estes dias, será que, ao oitavo dia, e dali em diante, os sacerdotes oferecerão sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu me deleitarei em vós, diz o Senhor DEUS. "

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