Versículo em destaque
Ezequiel 24:15 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
Ezequiel 24:15
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
13 Na imundícia está a infâmia, porquanto te purifiquei, e não permaneceste pura; nunca mais serás purificada da tua imundícia, enquanto eu não fizer descansar sobre ti a minha indignação.
14 Eu, o SENHOR, o disse: viva isso, e o farei, não me tornarei atrás, e não pouparei, nem me arrependerei; conforme os teus caminhos, e conforme os teus feitos, te julgarão, diz o Senhor DEUS.
15 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
16 Filho do homem, eis que, de um golpe tirarei de ti o desejo dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas.
17 Geme em silêncio, não faças luto por mortos; ata o teu turbante, e põe nos pés os teus sapatos, e não cubras os teus lábios, e não comas o pão dos homens.
Explore estudos bíblicos guiados
Sessões estruturadas com notas, perguntas e insights de orientadores
As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
Prévia da sessão 1:
Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
6 min
Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
Prévia da sessão 1:
O Cuidado do Pastor
5 min
Crie uma conta grátis para salvar notas, acompanhar progresso e desbloquear todas as sessões
Criar conta grátisComentário Bible Guided
Estes versículos encerram o tema principal que acompanhamos desde o começo deste livro: as profecias de Ezequiel sobre a destruição de Jerusalém. Depois disso, embora ele ainda fale bastante sobre outras nações, não volta a tratar de Jerusalém até ouvir que a cidade havia caído, quase três anos depois (Ezequiel 33:21). Na primeira parte deste capítulo, ele já havia deixado claro que não havia mais esperança de evitar o desastre. Aqui, ele mostra que eles nem sequer teriam o consolo de prantear essa calamidade.
Primeiro, é preciso notar o sinal que Deus usou para transmitir essa mensagem, e isso custou caro a Ezequiel. A vergonha maior, porém, era do povo, porque, mesmo quando Deus faz o profeta pagar um preço tão pessoal para despertá-los, eles continuam insensíveis.
Ezequiel iria perder a esposa amada, que morreria repentinamente. Deus o avisou de antemão para que o choque fosse um pouco menos doloroso: ele diz que tiraria dele, de repente, “o desejo dos seus olhos” (Ezequiel 24:16). Isso ensina várias coisas. O casamento é plenamente compatível com o chamado de um profeta e é honroso para todos, portanto não é algo pecaminoso para os ministros. Grande parte da felicidade humana vem de relações de amor. Sem dúvida, Ezequiel encontrava em sua esposa sábia e afetuosa um verdadeiro auxílio e consolo em seu exílio. No casamento, marido e mulher devem ser mais do que um “véu sobre os olhos” (Gênesis 20:16), no sentido de freio contra a infidelidade. Devem ser também o prazer dos olhos um do outro, olhando-se com amor e contentamento.
O que mais amamos costuma ser justamente o menos seguro. Não sabemos quão depressa o “desejo dos nossos olhos” pode ser tirado de nós e se tornar a dor do nosso coração. Isso é um forte motivo para que os que têm esposa vivam como se não tivessem, e os que se alegram, como se não se alegrassem (1 Coríntios 7:29-30). A morte é um golpe do qual nem mesmo as pessoas mais piedosas, úteis e amáveis são poupadas. Quando o desejo de nossos olhos é tirado com um golpe repentino, precisamos reconhecer a mão de Deus nisso. É Deus quem diz: “Eu estou tirando.” Ele nos dá os consolos, mas conserva para si a propriedade deles. Ele não tem o direito de fazer o que quer com o que é dele?
Quando passamos por uma perda dessas, ajuda lembrar que somos apenas humanos, e é assim que Deus fala com o profeta aqui. Se você é filho de Adão, sua esposa é filha de Eva, e portanto também é uma criatura mortal. Esse é um tipo de tristeza que faz parte da condição humana. Será que a terra deve ser abandonada por nossa causa?
Mesmo com essa perda diante de si, Ezequiel não deixou de cumprir sua tarefa. Ele diz: “Então falei ao povo pela manhã” (Ezequiel 24:18). Deus envia seus profetas cedo e repetidas vezes, e Ezequiel pensava que, se o povo fosse dar ouvidos algum dia, aquele era o momento. Embora soubesse que essa dor se aproximava, permaneceu em seu posto. Também suportamos melhor as aflições quando elas nos encontram ocupados no nosso dever. Nada pode realmente nos prejudicar ou dar errado para nós enquanto permanecemos no amor de Deus.
Ezequiel também teve de negar a si mesmo o consolo do luto público por sua esposa, algo que honraria a memória dela e aliviaria a sua própria dor. Ele não tinha permissão de demonstrar os sinais habituais de tristeza (Ezequiel 24:16). Não devia chorar nem deixar as lágrimas correrem, embora as lágrimas sejam uma justa homenagem aos mortos e seja correto “regar” com elas o corpo que está sendo semeado na sepultura. No entanto, Ezequiel não podia fazer isso, apesar de ter todos os motivos humanos para tanto e de correr o risco de ser mal interpretado se não o fizesse. Também não deveria seguir os costumes externos de luto. Deveria usar suas roupas normais, cingir o seu turbante, aqui chamado de adereço da cabeça, calçar as sandálias em vez de andar descalço e não cobrir os lábios ou o rosto, como os pranteadores costumavam fazer (Levítico 13:45). Não devia parecer abatido, como muitos fazem quando jejuam (Mateus 6:18). Não deveria comer a comida trazida por vizinhos e amigos, prática comum em tempos de luto, mas continuar no seu trabalho habitual.
Isso certamente contrariava profundamente seus sentimentos. Mas Deus havia ordenado, e Ezequiel obedeceu: “fiz pela manhã como me fora mandado”. Ele apareceu em público com sua vestimenta usual, sem sinais de luto. Era algo fora do comum e, para tornar-se um sinal para o povo, Ezequiel precisou violentar suas emoções e praticar uma dura renúncia de si mesmo. Nossos desejos precisam sempre ceder às orientações de Deus, e seu mandamento deve ser obedecido justamente quando é mais difícil e menos agradável.
Lamentar pelos mortos é um dever, mas precisa ficar submetido ao governo da fé e do bom senso. Não devemos nos entristecer como os que não têm esperança. Não devemos lamentar a perda de nenhuma criatura, por mais querida que seja, como se tivéssemos perdido o próprio Deus ou como se toda a nossa felicidade tivesse se acabado. Os ministros, quando enfrentam perdas assim, devem ser exemplo desse domínio de si. Nessas ocasiões, devemos procurar tirar proveito espiritual da tristeza, ajustar-nos a ela e crescer na compreensão do mundo vindouro pela remoção daqueles que amamos. Devemos aprender, com o santo Jó, a bendizer o Senhor tanto quando toma quanto quando dá.
Em seguida, o povo pergunta a Ezequiel o que significava aquele sinal (Ezequiel 24:19): “Não nos farás saber o que significam para nós estas coisas que fazes?” Eles sabiam que Ezequiel amava profundamente sua esposa e percebiam que ele não agiria de maneira tão estranha se isso não tivesse uma mensagem para eles. Talvez até esperassem que apontasse para algo bom, quem sabe que Deus logo os consolaria novamente e faria brilhar o seu rosto depois do sofrimento. Quando tratamos das coisas de Deus, é assim que devemos perguntar: “O que isso significa para nós? Que relação isso tem conosco? Que tipo de convencimento, conselho ou consolo traz? Como fala à nossa situação?”
Ezequiel respondeu exatamente como o Senhor havia mandado falar à casa de Israel. Primeiro, ele lhes mostra que, assim como sua esposa foi tirada dele com um golpe repentino, Deus tiraria deles tudo aquilo que lhes era mais caro (Ezequiel 24:21).
Se isso foi feito à árvore verde, o que não será feito à seca? Se um servo fiel de Deus sofreu assim apenas como prova, passará impune uma geração tão rebelde contra Deus? Com esse ato tão chocante, Deus deixa claro que cumpre o que diz e não voltará atrás.
Podemos supor que Ezequiel tenha orado pedindo que, se fosse da vontade de Deus, sua esposa fosse poupada. Mas Deus não atendeu essa oração. Então, que razão haveria para esperar que fosse ouvido ao interceder por um povo tão obstinado? Não, a questão estava decidida. Deus tiraria o “desejo dos olhos” deles.
Isso nos ensina algo importante. Quando vemos outras pessoas perderem seus consolos, devemos pensar em como também podemos perder os nossos. Seremos nós melhores do que elas? Não sabemos quão logo o mesmo cálice, ou um ainda mais amargo, poderá ser colocado em nossas mãos. Por isso, devemos chorar com os que choram, pois também vivemos em corpos sujeitos ao sofrimento.
Deus tiraria aquilo de que a alma deles se compadecia, isto é, aquilo sobre o que diriam: “Que pena que isso tenha de ser cortado e destruído.” Alguns entendem como “o que sua alma teme”, ou seja, perderiam justamente o que mais receavam perder. O que era isso?
Em primeiro lugar, era o orgulho público deles, o templo. Deus diz: “Profanarei o meu santuário”, isto é, entregaria o templo aos inimigos para ser saqueado e incendiado. Isso é representado pela morte da esposa amada e nos ensina que o santuário de Deus deve ser mais caro a nós do que qualquer consolo terreno. A igreja de Cristo, que é sua noiva, também deve ser-nos preciosa. Embora esse povo estivesse profundamente corrompido e já tivesse desonrado o santuário, ainda assim ele é chamado de “desejo dos seus olhos”. Muitas pessoas não têm verdadeira piedade, mas amam a forma externa da religião. É justo que Deus castigue essa hipocrisia tirando até isso. O santuário é chamado também de “orgulho da sua força”. Eles tinham muitas fortalezas e defesas, mas acima de todas se orgulhavam do templo. Gabavam-se de ter o templo do Senhor (Jeremias 7:4). Quando as pessoas se envaidecem dos privilégios da igreja e ao mesmo tempo os profanam com seus pecados, Deus é justo em desonrá-los por meio de seus juízos.
Deus tiraria também a alegria doméstica deles, aquilo que contemplavam com prazer. Seus filhos e filhas, poucos já, depois de muita fome e peste, cairiam pela espada dos caldeus, o exército babilônico. Que visão terrível seria ver seus próprios filhos, partes tão queridas de si mesmos, criados com tanto cuidado e amados como a própria vida, mortos por conquistadores impiedosos. Esse era o castigo do pecado.
Eles também precisavam aprender que, assim como Ezequiel não chorou a sua perda, eles também não deveriam chorar as deles. Ele devia dizer: “Vós haveis de fazer como eu fiz” (Ezequiel 24:22). “Não lamentareis nem chorareis” (Ezequiel 24:23). Jeremias tinha dito a mesma coisa: que o povo não choraria pelos mortos, nem se feriria, nem se sangraria em sinal de luto (Jeremias 16:6). Isso não quer dizer que não haveria tristeza alguma por fora, nem graça alguma de Deus por dentro para suavizar a dor, mas que não haveria o costumeiro luto, e por vários motivos. A dor seria tão pesada que os esmagaria; as desgraças viriam em sequência tão rápida, uma após a outra, que o sofrimento prolongado os endureceria e os deixaria atônitos. Eles também teriam medo de demonstrar tristeza, para que os conquistadores não interpretassem isso como rebeldia. E não teriam coração, nem tempo, nem recursos para praticar as cerimônias de luto. Estariam tão tomados pela dor real que não sobraria espaço para as demonstrações externas dessa dor.
Também não haveria necessidade de pranteadores profissionais cobrirem os lábios, deixarem de lado os enfeites ou andarem descalços, porque todos saberiam que a tristeza estava em toda parte. E não seria uma tristeza que os conduziria ao arrependimento. Pelo contrário, só os empurraria mais para o desespero. Assim, eles se definhariam por causa dos seus pecados, com a consciência endurecida e o coração rebelde. Lamentariam, não diante de Deus em oração e confissão, mas apenas uns com os outros, murmurando, reclamando e tornando o seu fardo ainda mais pesado.
A passagem então aponta para o próprio acontecimento, como prova da veracidade do aviso (Ezequiel 24:24). Quando tudo ocorresse exatamente como foi anunciado, quando Jerusalém, já sitiada, fosse completamente destruída e arrasada, então conheceriam que eu sou o Senhor Deus, que lhes dera um aviso justo e antecipado. Então se lembrariam de que Ezequiel tinha sido um sinal para eles. Aqueles que desprezam os avisos de Deus quando são anunciados terão de se lembrar deles quando forem cumpridos.
Devemos notar a grande ruína em que o cerco de Jerusalém terminaria (Ezequiel 24:25). Naquele dia terrível, quando a cidade fosse arrombada, Deus tiraria deles três coisas. Ele tiraria aquilo em que confiavam, a sua força: muros, riquezas, fortalezas e soldados, que de nada lhes serviriam. Tiraria aquilo de que se orgulhavam, o gozo da sua glória, isto é, o que consideravam a sua honra, especialmente o templo e os palácios dos seus príncipes. E tiraria aquilo em que se deleitavam, o desejo dos seus olhos, as coisas às quais tinham prendido o coração. As pessoas mundanas fixam sua mente no que conseguem ver e, tolamente, confiam no que não têm garantia de conservar. Seus filhos e filhas tinham sido tudo isso para eles: sua força, sua alegria e sua glória; e iriam para o cativeiro.
O profeta não aprenderia isso por uma revelação direta, como soubera do próprio cerco (Ezequiel 24:2), mas por notícias comuns (Ezequiel 24:26). Um fugitivo viria até ele, por especial providência de Deus, para trazer o relato, como de fato aconteceu depois (Ezequiel 33:21). As más notícias viriam lentamente, mas, para Ezequiel e os demais cativos, ainda assim chegariam cedo demais.
A partir desse momento, Ezequiel ficaria em silêncio em certo sentido, porque não profetizaria mais contra a terra de Israel. Em vez disso, falaria contra as nações vizinhas, como mostram os capítulos seguintes. Depois Deus ordenaria de novo que ele falasse ao seu próprio povo, como em (Ezequiel 33:2) e (Ezequiel 33:22). Então a sua boca seria novamente aberta.
Ele foi impedido de falar contra Israel por um tempo porque Jerusalém estava sitiada, de modo que suas palavras não poderiam alcançar a cidade. Além disso, quando Deus já estava falando de maneira tão forte por meio da própria calamidade, havia menos necessidade de mais mensagens. E, uma vez cumpridas suas profecias, esse cumprimento confirmaria o seu chamado e tornaria mais fácil para ele voltar a falar. O que Deus tinha planejado precisava aguardar esse desfecho. Da mesma forma, Cristo impediu seus discípulos de anunciarem abertamente que ele era o Cristo até depois da sua ressurreição, pois esta seria a prova plena disso.
Então Ezequiel falaria com maior confiança, e suas palavras serviriam para convencer as pessoas de culpa ou para envergonhá-las. Deus nunca silencia seus profetas sem motivos sábios e santos. E, quando Deus lhes abre novamente a boca, como fará a seu tempo, até as testemunhas que foram mortas se levantarão, e ficará claro que o silêncio deles foi para a glória de Deus. Então os homens saberão, de forma mais plena e segura, que o Senhor é Deus.
Como a sua IA cristã pode ajudar
Explore as Escrituras e a vida por uma perspectiva cristã
Estudo bíblico
Orientação para a vida
Apoio em oração
Sabedoria diária
Faça 3 perguntas grátis por semana. Não é necessário cartão de crédito. Ver planos
Deste capítulo
Ezequiel 24:1
"E veio a mim a palavra do SENHOR, no nono ano, no décimo mês, aos dez do mês, dizendo:"
Ezequiel 24:2
"Filho do homem, escreve o nome deste dia, deste mesmo dia; porque o rei de babilônia se pôs contra Jerusalém neste mesmo dia."
Ezequiel 24:3
"E fala por parábola à casa rebelde, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Põe a panela ao lume, põe-na, e deita-lhe também água dentro."
Ezequiel 24:4
"Ajunta nela pedaços, todos os bons pedaços, as coxas e as espáduas; enche-a de ossos escolhidos."
Ezequiel 24:5
"Escolhe o melhor do rebanho, e queima também os ossos debaixo dela; faze-a ferver bem, e cozam-se dentro dela os seus ossos."
Ezequiel 24:6
"Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Ai da cidade sanguinária, da panela que escuma por dentro, e cuja escuma não saiu dela! Tira dela pedaço por pedaço; não caia sorte sobre ela;"
Oração diária
Receba uma reflexão bíblica diária por e-mail
Comece cada manhã com um versículo, uma oração e um próximo passo simples.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.
Bible Guided oferece orientação baseada na fé e deve complementar, não substituir, apoio terapêutico profissional.