Números 25 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Números 25 na sua vida hoje

18 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Números 25?

Números 25 descreve a queda de Israel em imoralidade e idolatria com as mulheres moabitas e midianitas, a severa disciplina de Deus por meio de uma praga, o ato zeloso de Finéias que interrompe o juízo divino e a aliança de paz que Deus estabelece com ele e sua descendência sacerdotal. O capítulo termina com a ordem de Deus para que Israel confronte os midianitas por causa dos seus enganos.

Temas principais em Números 25

Perigo da idolatria e da sedução espiritual (versículos 1-3)

O povo se deixa seduzir pelas mulheres moabitas, participa de seus sacrifícios e se une a Baal-Peor. A queda não é apenas moral, mas profundamente espiritual: afastamento da aliança com o Senhor para adorar deuses estrangeiros.

Versículos-chave: 2, 3

Santidade de Deus e disciplina severa (versículos 4-9)

A ira do Senhor se acende contra Israel e Ele ordena juízo sobre os líderes envolvidos. A praga que mata milhares mostra que a infidelidade espiritual tem consequências coletivas e sérias diante da santidade de Deus.

Versículos-chave: 4, 9

Zelo santo que promove expiação (versículos 6-13)

Finéias age com zelo pelo Senhor ao interromper publicamente o pecado deliberado de Zimri e Cosbi. Deus interpreta seu ato como expiação pelo povo e, por causa desse zelo, desvia Sua ira.

Versículos-chave: 11, 13

Aliança de paz e sacerdócio perpétuo (versículos 11-13)

Deus recompensa Finéias com uma aliança de paz e promete que sua descendência terá um sacerdócio perpétuo. O sacerdócio é visto como um chamado ligado ao zelo pela glória de Deus e ao cuidado espiritual do povo.

Versículos-chave: 12, 13

Engano como arma espiritual (versículos 16-18)

Os midianitas são descritos como agentes de engano, que afligem Israel por meio de sedução e idolatria. Deus ordena que Israel os confronte, mostrando que o povo de Deus não deve tratar o engano espiritual com indiferença.

Versículos-chave: 17, 18

Contexto histórico e literario

Números 25 se situa no fim da peregrinação de Israel no deserto, nas campinas de Moabe, perto de Sitim, às margens do Jordão, em frente a Jericó. O povo está prestes a entrar em Canaã, após aproximadamente quarenta anos de caminhada desde o Egito. Nesse período, Israel já havia recebido a Lei, o sistema sacrificial e as instruções sobre santidade, inclusive proibições claras contra a idolatria e casamentos mistos com povos que os levariam a outros deuses.

Os moabitas e midianitas, povos aparentados a Israel por laços distantes (Moabe descendente de Ló; Midiã associado a Abraão), tornam-se aqui instrumentos de tropeço espiritual. Em Números 22–24, Balaque, rei de Moabe, buscou amaldiçoar Israel por meio de Balaão, mas não teve sucesso. A narrativa de Números 25 é muitas vezes entendida como o resultado posterior do conselho de Balaão, que teria sugerido a sedução como estratégia para fazer Israel cair (tema explicitado mais adiante no livro).

Baal-Peor era uma divindade cananeia associada à fertilidade e à imoralidade ritual. “Juntar-se” a Baal-Peor significava participar de rituais pagãos que misturavam sacrifícios, refeições cúlticas e práticas sexuais idolátricas. O episódio reforça a tensão permanente de Israel cercado por nações com outros deuses e costumes, e a necessidade de distinguir-se como povo da aliança do Senhor.

Finéias, neto de Arão, representa a linhagem sacerdotal. Seu ato, embora extremo aos olhos modernos, é apresentado no contexto da Torá como uma ação de zelo para preservar a pureza da comunidade e deter um juízo já em andamento, numa cultura onde idolatria nacional era tratada como alta traição contra o Rei divino.

Estrutura de Números 25

O capítulo apresenta uma narrativa curta, intensa e progressiva, com ênfase teológica e dramática:

  1. Introdução: pecado de Israel em Sitim (vv. 1-3)

    • Descrição do envolvimento com as filhas dos moabitas.
    • Participação em sacrifícios aos deuses estrangeiros.
    • União com Baal-Peor e acendimento da ira do Senhor.
  2. Ordem de juízo e execução parcial (vv. 4-5)

    • Deus ordena a Moisés que puna os cabeças do povo.
    • Moisés convoca os juízes para executar os culpados.
  3. Provocação aberta e reação de Finéias (vv. 6-9)

    • Zimri traz publicamente uma mulher midianita diante de Moisés e da congregação em choro.
    • Finéias se levanta com uma lança e mata ambos.
    • A praga cessa, com o saldo de 24.000 mortos.
  4. Pronunciamento divino sobre Finéias (vv. 10-13)

    • Deus explica o significado do ato de Finéias.
    • Reconhecimento de seu zelo.
    • Concessão da aliança de paz e do sacerdócio perpétuo à sua descendência.
  5. Identificação dos culpados principais (vv. 14-15)

    • Nomeação do israelita (Zimri) e da midianita (Cosbi).
    • Ênfase em suas posições de destaque em Israel e Midiã.
  6. Ordem de hostilidade contra os midianitas (vv. 16-18)

    • Novo discurso de Deus a Moisés.
    • Ordem para afligir e ferir os midianitas.
    • Motivo: os enganos ligados ao caso de Peor e de Cosbi.

A estrutura destaca o contraste entre o choro da congregação impotente diante da praga e a ação zelosa de Finéias, seguido da interpretação divina que dá sentido ao acontecimento e o insere no plano da aliança.

Significado teológico

Números 25 traz temas centrais para a compreensão da relação de Deus com seu povo e da gravidade da idolatria.

  1. Deus ciumento e santo: A linguagem do texto (ira acesa, juízo, praga) sublinha que a idolatria não é uma falha leve, mas adultério espiritual contra o Deus que havia libertado Israel e feito aliança com ele. A conexão entre prostituição física e infidelidade espiritual faz eco à ideia de que o povo pertence a Deus de forma exclusiva.

  2. Solidariedade coletiva no pecado e no juízo: A praga atinge a comunidade como um todo, ainda que alguns sejam agentes mais diretos da transgressão. Essa solidariedade de destino reflete o caráter corporativo da aliança: o pecado de parte do povo contamina o todo, e a restauração também passa por atos representativos em nome da comunidade.

  3. Zelo santo versus complacência com o mal: Finéias é apresentado como alguém que compartilha do zelo de Deus. Seu ato não é descrito como vingança pessoal, mas como defesa da santidade de Deus e proteção do povo. A narrativa realça que a tolerância com o pecado aberto e desafiador diante de Deus tem consequências destrutivas, enquanto o zelo pela glória de Deus pode ser instrumento de expiação.

  4. Sacerdócio como ministério de expiação e paz: A “aliança de paz” e o “sacerdócio perpétuo” dados a Finéias ressaltam a função sacerdotal como mediadora da paz entre Deus e o povo. O sacerdote é chamado a zelar pela pureza da adoração, a confrontar o pecado e, ao mesmo tempo, a ser canal de reconciliação.

  5. Engano espiritual como arma de oposição: O uso de sedução e idolatria como estratégia para enfraquecer o povo de Deus mostra que nem toda oposição vem em forma de força militar. A corrupção interna, por meio de alianças e práticas que distorcem a fé, é tão ou mais perigosa do que ameaças externas.

  6. Juízo e misericórdia em tensão: O capítulo mantém em paralelo a severidade do juízo (24.000 mortos) e a misericórdia de Deus, que interrompe a praga por meio da intervenção de um mediador zeloso. A ira não é o último capítulo; ela é desviada quando a justiça de Deus é satisfeita e o povo é trazido de volta ao caminho da aliança.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Lido com sensibilidade, Números 25 toca em temas de infidelidade, culpa coletiva, vergonha e disciplina severa, que podem ressoar com experiências de falha moral, traição ou consequências duras de escolhas erradas.

Psicologicamente, o texto expõe a dinâmica da sedução: o povo é gradualmente atraído, primeiro pelo relacionamento com as filhas dos moabitas, depois pela participação em rituais, até chegar à idolatria aberta. Esse movimento mostra como rupturas profundas na identidade espiritual muitas vezes começam por pequenas concessões, ambientes e vínculos que parecem inofensivos, mas vão afastando o coração do centro da fé.

A praga e o choro da congregação revelam a experiência de desamparo diante das consequências de um erro coletivo. Há dor, perda e, ao mesmo tempo, um clamor silencioso por intervenção. O surgimento de Finéias, com sua ação decisiva, reflete o desejo humano por alguém que intervenha de forma clara em situações de desordem moral e espiritual, ainda que a linguagem e o método sejam marcadamente antigos e difíceis de transpor literalmente para o contexto atual.

A “aliança de paz” pode ser vista, em chave terapêutica, como a promessa de que a restauração é possível, mesmo depois de grandes falhas. O texto ressalta que Deus não permanece para sempre em estado de ira, mas procura caminhos de reconciliação, ainda que esses caminhos passem por confronto e purificação. A dor do juízo não é o fim da história; há uma nova configuração de paz e ordem comunitária após o caos.

Para quem carrega culpa ou vergonha, o capítulo mostra que Deus leva o pecado a sério, mas também que Ele provê meios de interromper ciclos destrutivos. Em vez de normalizar o mal ou varrer conflitos para debaixo do tapete, a narrativa aponta para a importância de lidar de frente com aquilo que corrói a vida espiritual e comunitária, visando um ambiente mais seguro, íntegro e alinhado com a vontade divina.

warning Importante: maus usos comuns

Números 25 contém elementos que podem ser gatilhos para algumas pessoas e exigem leitura cuidadosa:

  1. Violência religiosa: O ato de Finéias e a ordem de matar os envolvidos na idolatria podem ser extremamente perturbadores, especialmente para quem sofreu violência física, perseguição religiosa ou abuso em contextos de fé. Esse texto não deve ser usado para justificar violência contemporânea, linchamentos morais ou punições cruéis em nome de Deus.

  2. Disciplina severa e culpa: A morte de 24.000 pessoas e a ênfase na ira divina podem intensificar sentimentos de culpa ou medo em pessoas já afetadas por escrúpulos religiosos, transtornos de ansiedade, depressão ou crenças distorcidas sobre Deus como apenas punitivo. É fundamental lembrar o contexto histórico e o desenvolvimento progressivo da revelação bíblica.

  3. Uso abusivo por líderes religiosos: Há risco de manipulação desse texto para legitimar controle excessivo, punições desproporcionais ou vergonha pública em comunidades religiosas. A aplicação saudável exige reconhecer que o papel de juízo civil e teocrático dado a Israel não se transfere diretamente para estruturas atuais.

  4. Temas de sexualidade e vergonha: A conexão entre sexualidade e juízo pode acionar memórias de ensino religioso marcado por culpa extrema em torno do tema sexual, ou experiências de abuso. Leituras pastorais precisam diferenciar entre a condenação específica da idolatria e prostituição cultual no texto e a dignidade do corpo e da sexualidade em si.

Diante desses pontos, o texto deve ser abordado com sensibilidade, preferencialmente em contextos que permitam diálogo, esclarecimento teológico e acolhimento emocional, evitando leituras isoladas e literais que possam acentuar sentimentos de medo, desvalor ou desespero.

Aplicação prática para hoje

  1. Vigiar as influências que moldam o coração: A queda de Israel começa com relacionamentos e convites para sacrifícios a outros deuses. Na prática, isso encoraja a avaliar ambientes, vínculos e conteúdos que, pouco a pouco, deslocam a lealdade a Deus, seja por valores contrários ao evangelho, seja por normalizar o que fere a santidade.

  2. Levar a sério a idolatria moderna: Mesmo sem Baal-Peor, há ídolos contemporâneos: sucesso, prazer, poder, dinheiro, aprovação social. O texto inspira a identificar aquilo que ocupa na vida o lugar que só Deus deveria ocupar e a tratar essas distorções com seriedade, não como detalhes sem importância.

  3. Enfrentar o mal com coragem e responsabilidade: A postura de Finéias ilustra a necessidade de agir quando o pecado é normalizado e exposto sem vergonha. Hoje isso se traduz, não em violência, mas em coragem ética: dizer não a práticas injustas, não se calar diante de corrupção, abuso ou infidelidade, buscando correção com amor, verdade e meios adequados.

  4. Zelo equilibrado com misericórdia: O zelo de Finéias é aprovado porque está alinhado com o zelo de Deus, não com caprichos pessoais. Aplicado à vida, isso aponta para um compromisso apaixonado com a santidade de Deus, mas temperado pela consciência de que todos carecem de graça. Zelo saudável confronta o erro, mas também deseja restauração.

  5. Cuidar da saúde espiritual comunitária: O pecado de alguns afeta muitos. Em comunidades de fé, isso incentiva a cultivar transparência, disciplina amorosa, acompanhamento mútuo e ensino claro sobre santidade, para que as estruturas coletivas não sejam corroídas por práticas escondidas ou toleradas.

  6. Esperar por uma paz que vem após a purificação: A aliança de paz com Finéias indica que, após confrontar o mal, há possibilidade de uma ordem nova. Em termos práticos, isso encoraja processos de arrependimento, reparação e reorganização de relações e estruturas, com a expectativa de que Deus pode estabelecer um novo começo mais alinhado com Sua vontade.

Perguntas frequentes

O que foi o pecado de Israel em Baal-Peor?

O pecado envolveu duas dimensões interligadas: imoralidade sexual com as filhas dos moabitas e participação em cultos idolátricos a Baal-Peor. O povo aceitou convites para os sacrifícios, comeu das refeições cúlticas e se inclinou diante de deuses estrangeiros. Essa atitude representou uma traição à aliança com o Senhor, comparável a adultério espiritual, e provocou a ira de Deus.

Por que Deus ordenou uma punição tão severa, inclusive com morte?

No contexto da aliança do Antigo Testamento, Israel era uma teocracia: dimensões religiosa, civil e jurídica estavam integradas. Idolatria pública e coletiva era vista como alta traição ao Rei divino e ameaça à identidade de todo o povo. A severidade da punição, com a praga e a morte dos líderes culpados, visa preservar a santidade do povo e impedir que o afastamento de Deus se torne irreversível. Embora difícil de aceitar em categorias modernas, o texto expressa a seriedade com que Deus vê a infidelidade espiritual e como o pecado de alguns pode afetar muitos.

Como entender o ato violento de Finéias à luz da fé hoje?

O ato de Finéias precisa ser lido no seu contexto específico: ele é sacerdote, representante oficial da aliança, agindo em uma situação extrema, no auge de uma praga enviada por Deus e diante de um pecado provocador e público. O próprio texto interpreta sua ação como expressão de zelo alinhado ao zelo de Deus e como meio de interromper o juízo. No entanto, isso não autoriza que hoje se use violência em nome da fé. A revelação bíblica caminha para uma ênfase crescente em meios de confrontar o mal por meio da verdade, arrependimento, disciplina espiritual e amor sacrificial, não por execuções físicas. O princípio aplicável é o zelo pela santidade de Deus e pela pureza da fé, e não o método violento.

O que significa a “aliança de paz” dada a Finéias?

A “aliança de paz” é uma promessa divina de relacionamento estável, favor e continuidade do sacerdócio na linhagem de Finéias. Paz, nesse contexto, inclui bem-estar, ordem e reconciliação entre Deus e o povo. Ao reconhecer o zelo de Finéias, Deus garante que ele e seus descendentes terão um papel permanente na mediação dessa paz, por meio do serviço sacerdotal, zelando pela pureza da adoração e pela expiação dos pecados da comunidade.

Por que os midianitas são mencionados como enganadores e alvo de juízo?

Embora o episódio comece com as filhas dos moabitas, o texto destaca a participação dos midianitas, especialmente por meio de Cosbi, filha de um chefe midianita. Eles são descritos como responsáveis por enganos que afligiram Israel no caso de Peor. A ordem de afligi-los e feri-los aponta para a resposta de Deus à estratégia de corrupção espiritual usada contra Seu povo. Isso reforça a ideia de que Deus não é indiferente quando há tentativa deliberada de destruir a fé do Seu povo por sedução e idolatria.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Números 25 é um capítulo pesado, cheio de dor, perda e choque diante do pecado e de suas consequências. A congregação está chorando à porta da tenda da congregação, vendo uma praga se espalhar, vidas se perderem e um pecado exposto de forma pública e humilhante. Há um clima de luto coletivo, de sensação de falha profunda, de limite ultrapassado. Em meio a toda essa dureza, existe um fio de esperança: Deus permite que a ira seja interrompida. A praga não dura para sempre. O zelo de Finéias, ainda que difícil de compreender, é acolhido por Deus como um ponto de virada. Isso revela que, mesmo quando tudo parece quebrado, ainda pode haver um gesto, um movimento de retorno à santidade que abra uma porta para a paz. Para corações que se sentem esmagados pela culpa, pela vergonha ou pelas consequências de escolhas erradas, esse capítulo mostra um Deus que, sim, leva o pecado a sério, mas que não Se alegra em destruir Seu povo. Ele se deixa tocar por um ato de fidelidade, Ele fala de “aliança de paz” depois de um cenário de caos. Há espaço na história de Deus para recomeços, mesmo depois de grandes tragédias espirituais. A dor coletiva aqui não é negada, nem minimizada. O luto é real: 24.000 vidas se vão. Ainda assim, Deus fala novamente, chama pelo nome, estabelece uma nova aliança, reorganiza o povo. O coração que lê essa história pode encontrar consolo em saber que, quando tudo parece desandar, Deus continua capaz de transformar juízo em caminho de paz, disciplina em recuperação, vergonha em convite para uma vida mais alinhada com Seu amor fiel.

Mind
Mind

Números 25 funciona como uma espécie de clímax negativo na peregrinação de Israel, imediatamente após as bênçãos de Balaão em Números 22–24. Do ponto de vista literário e teológico, é surpreendente e intencional: quando a maldição externa falha, o ataque bem-sucedido vem por meio de sedução interna e idolatria. O texto usa termos fortes: Israel “se prostitui” com as filhas dos moabitas, “se une” a Baal-Peor, linguagem que, em outros lugares do Antigo Testamento, está ligada à teologia da aliança e do casamento espiritual entre Deus e Seu povo. A idolatria aqui não é apenas troca de objetos de culto, mas quebra de um vínculo de exclusividade. Historicamente, Baal-Peor é um culto cananeu local, associado à fertilidade, e sua adoração podia incluir práticas sexuais cultuais e refeições sacrificiais. A ordem de Deus a Moisés para executar os cabeças do povo (vv. 4–5), e depois a ação de Finéias, refletem um contexto jurídico e teocrático específico, onde idolatria nacional era passível de pena capital, conforme instruções da Torá. A narrativa não é um manual atemporal de conduta penal, mas uma ilustração extrema da gravidade da infidelidade de Israel no momento em que está às portas da terra prometida. O reconhecimento divino do ato de Finéias é central. O Senhor declara que ele “desviou a minha ira”, “teve zelo com o meu zelo” e “fez expiação pelos filhos de Israel” (vv. 11–13). Isso coloca o episódio na esfera sacerdotal e expiatória: o gesto de Finéias é visto como ação representativa em favor da comunidade, interrompendo a praga. Em resposta, Deus concede a ele uma “aliança de paz” e um “sacerdócio perpétuo”. Na teologia bíblica, isso reforça o papel do sacerdote como guardião da santidade do culto e mediador entre Deus e o povo. A menção nominal de Zimri e Cosbi, com seus títulos de liderança, sublinha que não se trata apenas de indivíduos comuns, mas de figuras emblemáticas de uma transgressão pública e desafiadora. A partir daí, a ordem contra os midianitas (vv. 16–18) é explicada: eles não são simplesmente inimigos étnicos, mas agentes de engano religioso. Teologicamente, o episódio ilustra como a ameaça à identidade de Israel como povo santo pode vir tanto de ataques militares quanto de alianças sedutoras que minam a fidelidade à aliança. Lido à luz da totalidade da Escritura, Números 25 prepara o terreno para uma compreensão mais profunda da necessidade de um mediador perfeito e definitivo, que lidará com o pecado de forma plena e não violenta: um sacerdócio que une zelo absoluto pela santidade de Deus com amor sacrificial, realizando expiação sem derramar sangue de terceiros de maneira judicial-histórica como aqui, mas oferecendo a si mesmo.

Life
Life

Números 25, quando traduzido para o cotidiano, fala diretamente sobre influência, escolhas, ambientes e limites. Israel não cai de um dia para o outro em adoração a Baal-Peor. O processo começa com relacionamentos, convites, refeições compartilhadas em contextos que pareciam, talvez, apenas momentos de integração com o povo ao redor. Aos poucos, o que era só aproximação social vira participação em práticas que contradizem a fé. Esse movimento é muito semelhante ao que acontece em áreas práticas da vida. Alguém não se torna desonesto do nada; isso começa com pequenos acordos, favores, concessões que aliviam a consciência. Um casamento não se rompe, geralmente, por um único gesto, mas por uma sequência de olhares, conversas, segredos, fronteiras ultrapassadas. O texto mostra que minimizar “pequenas” transgressões pode abrir portas para rupturas muito maiores. O comportamento de Zimri é um alerta especial: ele traz a midianita “à vista de Moisés e de toda a congregação”, enquanto o povo chora. Isso é pecado assumido publicamente, sem vergonha, em total desrespeito à dor coletiva. Na prática, isso se parece com quem normaliza o errado e ainda desafia qualquer tentativa de correção. O resultado é devastador para a comunidade, porque transmite a mensagem de que valores fundamentais podem ser pisoteados sem consequência. Finéias, por outro lado, encarna a figura de quem assume responsabilidade quando ninguém mais sabe o que fazer. Sua atitude, embora pertença a um contexto antigo e não sirva de modelo literal de ação hoje, inspira coragem para se posicionar. Em ambientes de trabalho, família ou igreja, isso pode significar não compactuar com injustiças, confrontar padrões tóxicos ou denunciar abusos, mesmo quando isso é desconfortável. A “aliança de paz” destaca que, depois de lidar com o mal, é possível reconstruir. Aplicado ao cotidiano, isso sugere que comunidades e famílias podem, sim, passar por tempos de disciplina, confronto e dor, e ainda assim caminhar em direção a uma nova fase de paz: com regras mais claras, relacionamentos mais íntegros, fronteiras mais saudáveis. A lição prática é valorizar a integridade e a santidade não apenas como ideias religiosas, mas como proteção real para relacionamentos, decisões e estruturas de vida duradoura.

Soul
Soul

Números 25 expõe, em forma narrativa, a profundidade da luta espiritual que envolve o povo de Deus. A questão aqui não é simplesmente moralidade sexual ou obediência a regras, mas lealdade do coração: quem ocupa o centro da adoração, quem é o Deus verdadeiro em meio a tantos deuses concorrentes. A prostituição com as filhas dos moabitas e a união a Baal-Peor revelam como o ser humano é vulnerável ao fascínio do que é visível, imediato, prazeroso. O chamado de Deus é para um amor exclusivo, mas o coração facilmente se divide. O capítulo mostra que a batalha espiritual mais perigosa não é sempre contra inimigos armados, e sim contra seduções que oferecem sentido, prazer e pertencimento à margem do Deus vivo. O zelo de Finéias é uma figura do zelo do próprio Deus por um povo inteiro. Deus não aceita que Seu povo se perca sem reagir. A praga e a disciplina revelam a seriedade com que Ele trata aquilo que destrói a alma, mesmo quando a própria alma não percebe o perigo. Ao mesmo tempo, Ele se agrada quando encontra alguém que compartilha de Seu zelo, alguém disposto a se levantar contra o fluxo de infidelidade. A “aliança de paz” mostra o resultado final que Deus deseja: paz, não guerra; reconciliação, não afastamento eterno. A paz aqui não é ausência de conflito apenas, mas uma ordem nova em que Deus e Seu povo vivem em harmonia, e o sacerdócio garante continuamente expiação e comunhão. Isso aponta, em perspectiva ampla, para a necessidade de um Sumo Sacerdote perfeito que estabeleça uma paz definitiva entre Deus e a humanidade. O caso de Baal-Peor convida a encarar a vida espiritual como uma jornada de fidelidade em meio a muitos apelos contrários. A própria existência se coloca como escolha diária de adoração: ceder à sedução de ídolos que prometem segurança e prazer imediato, ou permanecer na aliança com o Deus que, às vezes com disciplina, mas sempre com propósito, conduz à vida eterna. No horizonte maior, o juízo e a ira não são fins em si mesmos; são expressões da santidade de Deus que, paradoxalmente, abrem espaço para uma paz mais profunda, baseada em expiação verdadeira e em um amor que não desiste de resgatar Seu povo.

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Versículos em Números 25

Números 25:4

" Disse o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os ao Senhor diante do sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel. "

Números 25:6

" E eis que veio um homem dos filhos de Israel, e trouxe a seus irmãos uma midianita, à vista de Moisés, e à vista de toda a congregação dos filhos de Israel, chorando eles diante da tenda da congregação. "

Números 25:7

" Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, sacerdote, se levantou do meio da congregação, e tomou uma lança na sua mão; "

Números 25:8

" E foi após o homem israelita até à tenda, e os atravessou a ambos, ao homem israelita e à mulher, pelo ventre; então a praga cessou de sobre os filhos de Israel. "

Números 25:11

" Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles; de modo que, no meu zelo, não consumi os filhos de Israel. "

Números 25:11 mostra que Deus valoriza quem leva a sério a fidelidade a Ele e enfrenta o pecado com firmeza. Finéias age com coragem para …

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Números 25:13

" E ele, e a sua descendência depois dele, terá a aliança do sacerdócio perpétuo, porquanto teve zelo pelo seu Deus, e fez expiação pelos filhos de Israel. "

Números 25:14

" E o nome do israelita, que foi morto com a midianita, era Zimri, filho de Salu, príncipe da casa paterna dos simeonitas. "

Números 25:18

" Porque eles vos afligiram a vós com os seus enganos com que vos enganaram no caso de Peor, e no caso de Cosbi, filha do príncipe dos midianitas, irmã deles, que foi morta no dia da praga no caso de Peor. "

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