Números 10:1
" Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Números 10 na sua vida hoje
36 versículos | Almeida Corrigida Fiel
As trombetas, a ordem das tribos e o papel dos levitas mostram que Deus organiza seu povo com clareza, funções definidas e disciplina. Nada é caótico: até o momento de partir, a posição de cada tribo e a desmontagem do tabernáculo são guiados por instruções específicas, revelando que a caminhada com Deus envolve obediência e estrutura.
A nuvem sobre o tabernáculo e a arca da aliança indo adiante do povo são sinais visíveis de que é o próprio Senhor que guia Israel, decide o tempo de partir e o lugar de descanso. A confiança do povo não está apenas em estratégias humanas ou conhecimento do deserto, mas na direção contínua de Deus.
As trombetas são usadas em momentos de guerra, festa, alegria e início de meses, servindo como memorial diante de Deus. Elas marcam que o povo leva suas batalhas e suas celebrações à presença do Senhor, reconhecendo que tanto livramentos quanto alegrias vêm dEle.
Mesmo com a nuvem e a arca guiando Israel, Moisés valoriza a experiência de Hobabe como conhecedor do deserto. Há uma combinação entre confiança na liderança divina e uso responsável de recursos humanos e sabedoria prática.
Moisés desenvolve uma prática de oração curta e direta tanto ao partir quanto ao repousar. Cada movimento da arca se torna ocasião de clamor e de pedido pela proteção e presença de Deus, integrando a espiritualidade do povo ao ritmo da jornada.
Números 10 se situa ainda na região do Sinai, pouco depois da entrega da Lei e da construção do tabernáculo. Israel está no segundo ano após a saída do Egito, no segundo mês, vigésimo dia. O povo já foi organizado em tribos, contagens e funções, e o sistema de sacrifícios e do sacerdócio está estabelecido.
As trombetas de prata mencionadas eram instrumentos litúrgicos e militares. Diferente das trombetas de chifre de carneiro (shofar), estas eram de metal, confeccionadas pelos artesãos do santuário, e tocadas exclusivamente pelos sacerdotes. Serviam para convocação civil (reunir líderes ou toda a congregação), sinal de marcha, aviso de guerra e celebração de datas sagradas.
A ordem detalhada das tribos reflete o modelo de “exército” do Senhor: Israel é apresentado como um povo em formação militar e espiritual, caminhando em direção à terra prometida. Os clãs levíticos (Gérson, Merari e Coate) têm responsabilidades específicas sobre as partes do tabernáculo e do santuário, garantindo que a adoração acompanhe o povo em sua jornada.
Hobabe, ligado à família midianita de Reuel (ou Jetro), sogro de Moisés, representa uma aliança de hospitalidade e cooperação com povos vizinhos. Como conhecedor do deserto, ele poderia auxiliar em caminhos, pontos de água e locais de acampamento, mostrando como Deus também pode usar sabedoria e experiência humana dentro do seu plano soberano.
O capítulo pode ser dividido em quatro blocos principais:
Instruções sobre as trombetas de prata (10:1-10)
Partida de Israel do Sinai e ordem das tribos (10:11-28)
Convite a Hobabe para acompanhar a jornada (10:29-32)
A arca, a nuvem e as orações de Moisés (10:33-36)
Números 10 destaca verdades teológicas importantes sobre Deus e seu relacionamento com o povo.
Deus como organizador do povo
O capítulo mostra que o Deus de Israel não é apenas libertador, mas também organizador. Ele define sinais, sons, funções e uma ordem de marcha. A fé bíblica não é anárquica; há lugar para disciplina, liderança reconhecida e papéis distintos, especialmente ligados ao culto e ao serviço.
Presença e direção contínuas de Deus
A nuvem e a arca, indo à frente e pairando sobre o povo, comunicam que Deus não apenas dá um destino, mas também conduz cada etapa do caminho. Sua presença é protetora (dissipa inimigos) e cuidadora (busca lugar de descanso). A jornada até a promessa não é conduzida pela força do povo, mas pela liderança do Senhor.
Adoração que permeia toda a vida
As trombetas conectam guerra, festas, sacrifícios e calendário (princípios de meses) à memória de Deus. Em Israel, não há separação rígida entre o “religioso” e o “cotidiano”: batalhas, alegrias e rotinas do tempo são relacionados ao altar e à lembrança da aliança. A vida inteira é vivida diante de Deus.
Cooperação entre graça divina e responsabilidade humana
Ao mesmo tempo em que a nuvem guia o povo, Moisés pede a ajuda de Hobabe pela sua experiência. A soberania de Deus não exclui o uso de meios humanos: sabedoria prática, pessoas com dons específicos e cooperação entre diferentes grupos. O cuidado de Deus pode se manifestar por meio de relacionamentos e da competência de outros.
Oração como moldura da caminhada
As frases de Moisés (v.35-36) funcionam quase como um “salmo em miniatura” para abrir e fechar movimentos importantes. A caminhada é tecida por oração: saída e chegada, risco e descanso. Teologicamente, isso mostra que o povo não confia apenas em sua organização, mas clama pela ação direta de Deus sobre inimigos e na preservação do seu povo.
Memorial e identidade diante de Deus
O uso das trombetas como “memorial” reforça a ideia de que Israel vive lembrando e sendo lembrado: o povo deve constantemente trazer à mente quem Deus é, e, ao mesmo tempo, vive na confiança de que Deus “se lembra” da sua aliança, intervindo em favor deles. Essa relação de aliança sustenta a identidade de Israel como povo do Senhor.
Lido em chave terapêutica, Números 10 fala de ordem em meio à transição, segurança na presença de Deus e da importância de sinais e rituais que tragam significado às mudanças da vida.
A descrição detalhada das trombetas e da ordem de marcha pode ressoar com quem enfrenta fases de mudança, instabilidade ou imprevisibilidade. O texto revela um Deus que organiza o caminho, estabelece ritmos e fornece meios concretos (sons, líderes, estrutura) para que o povo não se perca. Isso conversa com a necessidade humana de estrutura e direção em tempos de incerteza.
A nuvem e a arca à frente do povo funcionam como imagens fortes de cuidado contínuo, que podem oferecer conforto a pessoas ansiosas, inseguras ou com medo do futuro. A ideia de que alguém maior está “à frente”, buscando lugar de descanso, conecta-se ao desejo de encontrar refúgio e de não caminhar sozinho.
As orações curtas de Moisés mostram que a espiritualidade pode ser integrada a momentos de deslocamento, trabalho e risco. Elas representam expressões emocionais simples e diretas: pedido de proteção, desejo de derrota do mal e ânsia por ver Deus presente no meio do povo. Isso valida o clamor sincero, sem necessidade de discursos longos ou complexos.
Por fim, o diálogo com Hobabe ilustra o valor do apoio humano e da cooperação: mesmo confiando em Deus, Moisés reconhece a importância de caminhar com alguém que conhece o deserto. Para quem lida com solidão, sobrecarga ou temor de errar o caminho, essa imagem reforça a legitimidade de buscar ajuda e compartilhar a jornada.
Algumas leituras deste capítulo podem gerar mal-entendidos ou gatilhos em certas pessoas.
Rigidez e perfeccionismo religioso
A ênfase na ordem, funções específicas e estatutos perpétuos pode ser interpretada por pessoas muito rígidas ou perfeccionistas como exigência de controle total ou de obediência sem espaço para fragilidade. Isso pode intensificar sentimentos de culpa ou inadequação em quem já luta para se sentir “à altura”.
Medo da punição e da guerra espiritual
Os versículos que falam de inimigos, opressores e dispersão dos que odeiam podem acionar medos em quem tem histórico de trauma, violência ou experiências religiosas muito marcadas por linguagem de guerra e ameaça. É importante lembrar que o foco do texto está na proteção e intervenção de Deus, não em glorificar conflitos.
Sentimento de exclusão ou inferioridade
A presença de líderes definidos, príncipes e sacerdotes pode disparar sentimentos de invisibilidade em pessoas que já se percebem à margem ou sem voz. A leitura terapêutica precisa destacar que a organização de Israel inclui todo o povo no cuidado de Deus, não apenas os líderes.
Transições e ansiedade
Para pessoas em crise com mudanças (luto, perda, mudança de cidade, separações), a ideia de partir do “monte do Senhor” e entrar em jornada pelo deserto pode tocar medos profundos de instabilidade. Nesses casos, convém enfatizar a imagem da nuvem e da arca como presença constante, não o risco do deserto em si.
Qualquer uso pastoral ou terapêutico deste capítulo precisa ser sensível à história emocional de quem lê, evitando aplicar o texto de forma moralista ou ameaçadora, e destacando a dimensão de cuidado, presença e direção de Deus.
Números 10 oferece várias aplicações práticas para a vida contemporânea.
Valor da organização e da clareza de papéis
A forma como Israel marcha, desmonta o tabernáculo e responde aos toques das trombetas mostra a importância de estruturas claras em comunidades, famílias e equipes de trabalho. Definir responsabilidades, canais de comunicação e sinais consensuais ajuda a reduzir confusão em momentos de transição.
Discernir tempos de partir e de permanecer
A nuvem que se levanta e a arca que vai à frente lembram a necessidade de discernir quando avançar e quando descansar. Em decisões importantes, isso se traduz em buscar direção de Deus, avaliar circunstâncias e não agir apenas por impulso ou medo.
Integrar fé às rotinas e às crises
As trombetas são usadas tanto em festas quanto em guerras. Isso sugere uma vida que leva a Deus tanto as comemorações quanto as lutas. Na prática, significa cultivar gratidão em tempos bons e oração confiante em tempos difíceis, reconhecendo a presença de Deus em ambos.
Buscar e valorizar ajuda especializada
Moisés reconhece que Hobabe conhece bem o deserto e pode servir de guia. Aplicado hoje, isso incentiva a procurar conselheiros, mentores, profissionais e amigos experientes em áreas em que se precisa de orientação, sem ver isso como falta de fé.
Criar pequenos rituais de oração na rotina
As frases de Moisés ao sair e ao chegar podem inspirar hábitos simples, como breves orações ao começar o dia, antes de viagens, ao iniciar um trabalho ou ao encerrar atividades. Pequenos gestos de entrega e gratidão podem moldar a forma como se atravessam os desafios diários.
Reconhecer a presença de Deus nas mudanças
A saída do Sinai, lugar de revelação e segurança, rumo ao desconhecido, mostra que Deus continua conosco mesmo quando cenários familiares mudam. Essa consciência pode apoiar decisões difíceis, como mudanças de emprego, cidade ou etapa de vida, reforçando a confiança de que a direção de Deus acompanha a transição.
As trombetas de prata tinham funções múltiplas: convocar toda a congregação ou apenas os príncipes, sinalizar o momento de partir dos arraiais em ordem específica, soar em tempos de guerra como clamor por intervenção divina e marcar dias de alegria, festas e princípios de meses sobre os sacrifícios. Elas serviam como meio de comunicação prática e também como memorial espiritual diante de Deus.
Os filhos de Arão, sacerdotes, foram designados para tocar as trombetas como “estatuto perpétuo” (v.8). Isso ligava o toque das trombetas ao serviço do santuário e ao papel mediador dos sacerdotes. Assim, os sinais que organizavam o povo e marcavam guerra ou festa vinham do centro da vida espiritual de Israel, mostrando que a direção do povo estava conectada à presença de Deus e à adoração.
A nuvem era um sinal visível da presença de Deus. Quando ela se levantava do tabernáculo, indicava que era hora de o povo partir; quando parava, era o sinal para acampar. Em Números 10:11-13, a nuvem se levanta pela primeira vez desde que o tabernáculo foi instituído, marcando o início efetivo da jornada de Israel do Sinai ao deserto de Parã sob a direção direta do Senhor.
Hobabe é apresentado como filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés. Ele provavelmente fazia parte do clã de Jetro/Reuel, sacerdote de Midiã. Moisés pede que ele vá junto porque conhece bem o deserto e saberia onde acampar. Moisés entende que esse conhecimento seria valioso, e promete que Hobabe participará do bem que o Senhor fizer a Israel, mostrando uma parceria entre direção divina e ajuda humana qualificada.
As orações de Moisés são breves fórmulas que acompanham o movimento da arca. Ao partir, Moisés pede: “Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos”, clamando por proteção ativa de Deus contra tudo que ameaça o povo. Ao repousar, pede: “Volta, ó Senhor, para os muitos milhares de Israel”, expressando o desejo pela presença de Deus no meio do povo em descanso e segurança. Essas orações revelam dependência constante de Deus, tanto em movimento quanto em repouso.
Números 10 mostra um povo prestes a sair de um lugar conhecido, o Sinai, e caminhar pelo deserto. Há algo profundamente humano nessa transição: deixar para trás um espaço marcado por encontros fortes com Deus e entrar em um futuro que ainda não está claro. Para corações cansados ou inseguros, essa imagem pode despertar muitos sentimentos. Ao longo do capítulo, surgem sinais de cuidado: as trombetas, que impedem que alguém se perca no barulho e na multidão; a nuvem, que se levanta no momento certo; a arca, que vai adiante procurando descanso para o povo. Tudo isso fala de um Deus que não abandona os seus no meio da mudança, mas organiza o caminho de forma a que ninguém fique para trás. É tocante perceber também que Deus não espera um povo impecável para conduzi-lo. Ele sabe que Israel ainda é frágil, que tem memórias de escravidão e medos do deserto, mas mesmo assim prepara cada passo: quem vai na frente, quem protege a retaguarda, quem cuida do lugar da presença de Deus. Esse cuidado detalhado comunica que fraqueza e insegurança não são motivos para Deus se afastar; ao contrário, são ocasiões em que sua presença se torna ainda mais visível. As orações de Moisés, tão simples e diretas, lembram que não é preciso palavras elaboradas para ser ouvido. “Levanta-te, Senhor” e “Volta, ó Senhor” são clamores que nascem de um coração consciente de sua dependência. Em meio a medos e ameaças, o capítulo retrata um povo que não caminha sozinho, mas envolvido por sinais, cuidado e presença. É uma narrativa que conforta, especialmente quando as mudanças da vida parecem grandes demais para suportar.
Sob a perspectiva do estudo bíblico, Números 10 é uma peça-chave de transição entre a organização interna de Israel e o início efetivo da marcha rumo à terra prometida. O capítulo conecta liturgia, organização militar e direção divina em um todo coerente. As trombetas de prata constituem um elemento ritual e funcional. A distinção entre toques (retinindo ou não, uma ou duas trombetas) cria um sistema sonoro de comunicação que evita confusão na grande massa de pessoas. A atribuição do toque aos sacerdotes, “por estatuto perpétuo”, insere esse sistema dentro da esfera sacerdotal, ligando decisões de assembleia e movimento à autoridade religiosa, não apenas civil. A seção central, que descreve a ordem de marcha, mostra que Israel é retratado como “exércitos” do Senhor. A divisão em bandeiras (normalmente agrupando três tribos) retoma a organização já delineada antes no livro, mas agora aplicada dinamicamente à jornada. A posição dos levitas no deslocamento do tabernáculo e do santuário merece destaque: Gérson e Merari saem antes com a estrutura, e os coatitas vêm depois com os objetos santos, de forma que ao chegarem ao local de descanso, o tabernáculo possa ser rapidamente remontado e receber os utensílios sagrados. Há uma lógica funcional orientada pela prioridade da adoração. O pequeno episódio com Hobabe oferece um interessante contraponto à condução sobrenatural pela nuvem e pela arca. Moisés reconhece a importância do conhecimento geográfico e prático de Hobabe sobre o deserto. Isso sugere uma visão equilibrada da providência divina: Deus guia por meio de sinais extraordinários, mas também por instrumentos humanos qualificados. O convite acompanha a promessa de participar do bem que o Senhor fará, aproximando Hobabe da bênção da aliança. As fórmulas de oração dos versículos 35–36 se tornaram litúrgicas na tradição de Israel, ecoando em outros textos e práticas posteriores. Elas condensam teologia em poucas palavras: Deus é guerreiro que dispersa inimigos e também pastor que retorna ao meio de uma multidão incontável. Estruturalmente, encerram o capítulo com uma moldura de dependência e louvor, enfatizando que toda a complexa organização de Israel só faz sentido sob a ação ativa do Senhor.
Visto pela lente da vida prática, Números 10 é um retrato de como uma grande comunidade se prepara para uma mudança significativa sem perder a referência daquilo que é essencial. O texto mostra que grandes deslocamentos – sejam geográficos, familiares ou profissionais – pedem organização, comunicação clara e consciência de propósito. As trombetas simbolizam o valor de sinais nítidos. Em qualquer grupo – família, trabalho, igreja – decisões importantes ficam mais seguras quando existem formas acordadas de comunicação: quem chama, quando se reúne, como se responde. Isso evita mal-entendidos e alivia tensão. Israel não depende do improviso; há um sistema pensado para momentos de guerra, festa e marcha. A ordem de marcha revela outro princípio prático: cada grupo tem um lugar e uma função, e o conjunto funciona melhor quando cada um cumpre seu papel. Os levitas sabem exatamente o que carregar e em que momento; algumas tribos vão na frente, outras protegem os flancos e a retaguarda. Isso inspira a refletir sobre como deveres e talentos podem ser distribuídos de modo que ninguém fique sobrecarregado nem ocioso. O diálogo entre Moisés e Hobabe trata diretamente da necessidade de ajuda especializada. Embora Moisés confie plenamente na direção de Deus, ele valoriza alguém que conhece o terreno. Na vida concreta, isso se traduz em procurar conselhos de quem já caminhou por problemas semelhantes, seja em decisões de carreira, conflitos familiares ou desafios financeiros. Fé e responsabilidade andam juntas: confiar em Deus não exclui planejar, aprender e ouvir os mais experientes. Por fim, as orações curtas de Moisés apontam para um estilo de vida em que começo e fim de etapas são conscientemente colocados diante de Deus. Em termos práticos, isso pode inspirar a marcar o início de projetos, viagens ou conversas difíceis com um momento, ainda que breve, de entrega e pedido de proteção; e encerrar dias de trabalho, ciclos e mudanças com gratidão e reconhecimento de que não se caminhou sozinho.
Números 10 oferece uma visão profunda da jornada espiritual do povo de Deus, que ultrapassa o cenário geográfico do deserto. Cada elemento – trombetas, ordem de marcha, nuvem, arca e orações – reflete dimensões da vida interior e do caminho rumo ao propósito eterno. As trombetas servem como lembrete audível de que o povo vive em resposta a um chamado. Espiritualmente, elas simbolizam a convocação divina que reúne, envia e desperta. A vida com Deus não é um movimento aleatório, mas resposta a sinais que Ele mesmo estabelece. Guerras, festas, início de meses: tudo é marcado por toques que reorientam o coração para a aliança. Assim, a caminhada espiritual é ritmada por lembranças constantes da presença e das promessas de Deus. A nuvem e a arca à frente do povo oferecem imagens poderosas da condução de Deus na peregrinação interior. A arca, símbolo da aliança, vai à frente “para lhes buscar lugar de descanso”. Em termos de formação espiritual, isso aponta para um Deus que não apenas ordena mandamentos, mas conduz à verdadeira paz e ao descanso da alma. O segredo não está em construir o próprio caminho, mas em seguir a presença de Deus que adiante abre trilhas e prepara repouso. O convite a Hobabe, por sua vez, sugere que a jornada da fé não é solitária. Mesmo com a presença manifesta de Deus, há espaço para companheiros de caminho, guias humanos, tradições e experiências que ajudam a discernir o terreno. A espiritualidade bíblica valoriza a comunhão e o aprendizado mútuo: Deus chama um povo, não apenas indivíduos isolados, para caminhar com Ele. As orações breves de Moisés, ao iniciar e ao concluir o movimento da arca, podem ser vistas como um padrão de vida: entregar ao Senhor as saídas e entradas, as batalhas e os descansos, reconhecendo que toda a peregrinação acontece diante do olhar divino. Nessa perspectiva, Números 10 lembra que a vida presente é uma etapa de uma jornada maior; o povo caminha rumo a uma promessa que ultrapassa o deserto. A alma é convidada a viver cada passo com consciência de que existe um destino preparado, e que o próprio Deus vai adiante, garantindo que a história não termine no caminho, mas na plenitude do descanso que Ele oferece.
" Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: "
" Faze-te duas trombetas de prata; de obra batida as farás, e elas te servirão para a convocação da congregação, e para a partida dos arraiais. "
" E, quando as tocarem, então toda a congregação se reunirá a ti à porta da tenda da congregação. "
" Mas, quando tocar uma só, então a ti se congregarão os príncipes, os cabeças dos milhares de Israel. "
" Quando, retinindo, as tocardes, então partirão os arraiais que estão acampados do lado do oriente. "
" Mas, quando a segunda vez retinindo, as tocardes, então partirão os arraiais que estão acampados do lado do sul; retinindo, as tocarão para as suas partidas. "
" Porém, ajuntando a congregação, as tocareis; mas sem retinir. "
" E os filhos de Arão, sacerdotes, tocarão as trombetas; e a vós serão por estatuto perpétuo nas vossas gerações. "
" E, quando na vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos oprime, também tocareis as trombetas retinindo, e perante o Senhor vosso Deus haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos. "
" Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o Senhor vosso Deus. "
" E aconteceu, no ano segundo, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem se alçou de sobre o tabernáculo da congregação. "
" E os filhos de Israel, segundo a ordem de marcha, partiram do deserto de Sinai; e a nuvem parou no deserto de Parã. "
" Assim partiram pela primeira vez segundo a ordem do Senhor, por intermédio de Moisés. "
" Porque primeiramente partiu a bandeira do arraial dos filhos de Judá segundo os seus exércitos; e sobre o seu exército estava Naassom, filho de Aminadabe. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Issacar, Natanael, filho de Zuar. "
Números 10:15 mostra Natanael liderando o exército da tribo de Issacar na organização do povo durante a viagem pelo deserto. O versículo destaca que cada …
Ler análise completa" E sobre o exército da tribo dos filhos de Zebulom, Eliabe, filho de Helom. "
" Então desarmaram o tabernáculo, e os filhos de Gérson e os filhos de Merari partiram, levando o tabernáculo. "
" Depois partiu a bandeira do arraial de Rúben segundo os seus exércitos; e sobre o seu exército estava Elizur, filho de Sedeur. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Simeão, Selumiel, filho de Zurisadai. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Gade, Eliasafe, filho de Deuel. "
" Então partiram os coatitas, levando o santuário; e os outros levantaram o tabernáculo, enquanto estes vinham. "
" Depois partiu a bandeira do arraial dos filhos de Efraim segundo os seus exércitos; e sobre o seu exército estava Elisama, filho de Amiúde. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Manassés, Gamaliel, filho de Pedazur. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Benjamim, Abidã, filho de Gideoni. "
" Então partiu a bandeira do arraial dos filhos de Dã, fechando todos os arraiais segundo os seus exércitos; e sobre o seu exército estava Aieser, filho de Amisadai. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Aser, Pagiel, filho de Ocrã. "
" E sobre o exército da tribo dos filhos de Naftali, Aira, filho de Enã. "
" Esta era a ordem das partidas dos filhos de Israel segundo os seus exércitos, quando partiam. "
" Disse então Moisés a Hobabe, filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés: Nós caminhamos para aquele lugar, de que o Senhor disse: Vo-lo darei; vai conosco e te faremos bem; porque o Senhor falou bem sobre Israel. "
Números 10:29 mostra Moisés convidando Hobabe a seguir com o povo rumo à terra prometida, garantindo cuidado e bênção. O versículo ensina que Deus conduz …
Ler análise completa" Porém ele lhe disse: Não irei; antes irei à minha terra e à minha parentela. "
" E ele disse: Ora, não nos deixes; porque tu sabes onde devemos acampar no deserto; nos servirás de guia. "
" E será que, vindo tu conosco, e sucedendo o bem que o Senhor nos fizer, também nós te faremos bem. "
" Assim partiram do monte do Senhor caminho de três dias; e a arca da aliança do Senhor caminhou diante deles caminho de três dias, para lhes buscar lugar de descanso. "
" E a nuvem do Senhor ia sobre eles de dia, quando partiam do arraial. "
" Acontecia que, partindo a arca, Moisés dizia: Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam. "
" E, pousando ela, dizia: Volta, ó Senhor, para os muitos milhares de Israel. "
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