Números 18 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Números 18 na sua vida hoje

32 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Números 18?

Números 18 estabelece, com detalhes, as responsabilidades espirituais de Arão, de seus filhos e de toda a tribo de Levi, bem como as formas de sustento que o Senhor destina a eles. O capítulo organiza quem carrega a responsabilidade pelo santuário, define o papel exclusivo dos sacerdotes e dos levitas, explica quais ofertas e primícias pertencem a Arão e à sua descendência e institui os dízimos como herança dos levitas. Também ordena que os próprios levitas ofereçam ao Senhor o “dízimo dos dízimos”, reforçando que tudo o que recebem é sagrado e deve ser tratado com reverência.

Temas principais em Números 18

Responsabilidade e culpa pelo santuário (versículos 1-7, 22-23)

Arão, seus filhos e os levitas recebem do Senhor a incumbência de cuidar do santuário e do sacerdócio, assumindo a culpa caso haja profanação. A proximidade com o sagrado traz privilégios, mas também um peso de responsabilidade e prestação de contas diante de Deus.

Versículos-chave: 1, 5, 7, 23

Separação de funções entre sacerdotes e levitas (versículos 2-4, 6-7, 22-24)

O texto diferencia claramente o que cabe ao sacerdócio de Arão e o que cabe aos levitas. Estes auxiliam em todo o serviço da tenda, mas não podem tocar nos utensílios sagrados nem no altar, para que não morram. Essa distinção preserva a santidade do culto e evita abusos.

Versículos-chave: 3, 4, 6, 7, 22

Sustento dos sacerdotes pelas ofertas santíssimas (versículos 8-19)

Deus entrega a Arão e a seus filhos as ofertas santíssimas, as ofertas de alimento, expiações pelo pecado e pela culpa, primícias e coisas consagradas de Israel. Isso não é apenas provisão material, mas um estatuto perpétuo vinculado à unção sacerdotal.

Versículos-chave: 8, 9, 12, 19

A herança dos levitas: o dízimo em vez de terra (versículos 20-24)

Os levitas não recebem uma porção de terra em Israel, pois o Senhor é sua herança. Em lugar disso, Deus lhes concede todos os dízimos de Israel como sustento pelo ministério que exercem na tenda da congregação.

Versículos-chave: 20, 21, 23, 24

Dízimo dos dízimos e santidade dos recursos (versículos 25-32)

Quando os levitas recebem os dízimos de Israel, devem separar deles uma oferta ao Senhor, o “dízimo dos dízimos”, e entregá-la a Arão. Isso reforça que mesmos os que vivem do altar também ofertam, e que o melhor daquilo que recebem pertence a Deus.

Versículos-chave: 26, 28, 29, 32

Aliança perpétua de sal (versículos 19-20)

A relação de Deus com Arão e sua descendência é chamada de “aliança perpétua de sal”. A imagem do sal comunica permanência, preservação e fidelidade na aliança, indicando que o compromisso de Deus com o sacerdócio é estável e duradouro.

Versículos-chave: 19

Contexto histórico e literario

Números 18 está situado durante a peregrinação de Israel pelo deserto, após a rebelião de Corá (Números 16–17). A contestação da liderança de Moisés e do sacerdócio de Arão havia gerado morte e juízo no meio do povo. Diante desse cenário de tensão e medo em relação à santidade de Deus, este capítulo organiza, de forma ainda mais clara, quem tem permissão para se aproximar do santuário e como deve ser mantido o culto.

A tribo de Levi já havia sido separada para o serviço do tabernáculo, e a casa de Arão para o sacerdócio. Agora, o texto define seus privilégios e deveres: os levitas cuidam do serviço geral da tenda da congregação e recebem os dízimos; os sacerdotes, descendentes de Arão, cuidam diretamente do altar e do que está dentro do véu, recebendo porções específicas das ofertas do povo.

Israel ainda não havia entrado na terra prometida, mas Deus já estabelecia como as tribos se organizariam em torno do santuário, e como funcionaria o sustento dos que se dedicavam exclusivamente ao serviço religioso. Ao mesmo tempo, reafirmava que os levitas não teriam território próprio como herança, em contraste com as demais tribos que, mais tarde, receberiam lotes de terra em Canaã.

Estrutura de Números 18

Números 18 apresenta uma estrutura organizada em blocos temáticos, com um tom legal e administrativo:

  1. Responsabilidade de Arão e dos levitas pelo santuário (vv. 1-7)
    – Deus dirige-se a Arão, atribuindo a ele, seus filhos e a casa de seu pai a responsabilidade pelo santuário e pelo sacerdócio.
    – Definição dos limites: levitas auxiliam, mas não tocam nos utensílios do santuário nem no altar.

  2. Privilégios sacerdotais: porções das ofertas santíssimas (vv. 8-19)
    – Listagem das ofertas que pertencem a Arão e seus filhos: ofertas de alimento, expiações, primícias, coisas consagradas, primogênitos.
    – Detalhes sobre como devem ser consumidas (em lugar santíssimo, por quem está limpo).
    – Declaração da “aliança perpétua de sal”.

  3. Herança dos sacerdotes e levitas (vv. 20-24)
    – Deus afirma que Ele mesmo é a herança de Arão; não haverá porção de terra para os sacerdotes.
    – Concessão dos dízimos de Israel aos levitas como herança pelo seu ministério.

  4. Instruções sobre o dízimo dos dízimos (vv. 25-32)
    – Ordem para que os levitas também ofereçam ao Senhor uma parte dos dízimos que recebem.
    – Descrição de como essa oferta deve ser considerada (como grão da eira, plenitude do lagar).
    – Orientações sobre o consumo pelos levitas e suas famílias e advertência para não profanar as coisas santas.

Significado teológico

Números 18 destaca a seriedade da santidade de Deus e a necessidade de mediação para que o povo se aproxime Dele. A responsabilidade que recai sobre Arão, seus filhos e os levitas mostra que lidar com o sagrado não é neutro: há bênção e também risco, caso haja irreverência. O conceito de “levar sobre si a iniquidade do santuário” aponta para a função mediadora do sacerdócio.

O capítulo também enfatiza que o serviço a Deus envolve tanto privilégios espirituais quanto provisão concreta. As ofertas, primícias e dízimos são meios pelos quais Deus sustenta aqueles que se dedicam integralmente ao ministério. Ao mesmo tempo, esses recursos continuam sendo sagrados, exigindo fidelidade e pureza no seu uso.

A declaração de que o Senhor é a herança de Arão revela um princípio profundo: a maior recompensa do serviço a Deus não é material, mas a própria comunhão com Ele. Esse tema ecoa na teologia bíblica, indicando que, em última instância, o povo de Deus é chamado a encontrar sua verdadeira herança no Senhor, e não em posses ou territórios.

O “dízimo dos dízimos” reforça que todos, inclusive os que vivem do altar, estão debaixo do senhorio de Deus e devem honrá-lo com o melhor do que recebem. A “aliança de sal” reforça a ideia de uma relação duradoura, firme e preservadora entre Deus e o sacerdócio, antecipando o conceito mais amplo de aliança fiel que percorre toda a Escritura.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo dialoga com temas como responsabilidade, confiança e provisão. A noção de que Arão e os levitas “levam sobre si” a iniquidade do santuário pode lembrar o peso emocional de quem carrega funções importantes, cuida de outros ou se sente sempre responsável por tudo. Números 18 mostra que Deus não ignora esse peso: Ele reconhece, organiza e distribui tarefas e recursos, mostrando que a carga não é caótica nem injusta, mas parte de um chamado.

A promessa de que o Senhor é a herança de Arão fala a experiências de perda, insegurança material ou sensação de desamparo. Quando a segurança visível (terra, bens, estruturas humanas) parece frágil, o texto aponta para um Deus que se coloca como porção e sustento último. Para quem vive ansiedade em relação ao futuro, essa visão de Deus como herança ajuda a construir uma base interna de confiança.

A organização em torno dos dízimos e do “dízimo dos dízimos” também toca a saúde emocional. Ela mostra uma ordem em que todos participam, dão e recebem. Essa dinâmica pode aliviar sentimentos de injustiça ou comparação: cada grupo tem uma função, uma forma de servir e uma maneira de ser cuidado. Em termos terapêuticos, o texto convida a enxergar a própria vocação e limites com mais serenidade, reconhecendo que nem todos fazem tudo, mas cada um é chamado a ser fiel na parte que lhe cabe.

warning Importante: maus usos comuns

A leitura deste capítulo pode acionar alguns pontos sensíveis. A linguagem de morte ligada à aproximação indevida do santuário e a ênfase em culpa e iniquidade podem intensificar sentimentos de medo religioso em pessoas com histórico de espiritualidade baseada em punição, culpa excessiva ou abuso espiritual.

A ideia de funções rigidamente separadas (sacerdotes, levitas, povo) pode ser mal interpretada como justificativa para hierarquias opressoras, onde líderes se colocam acima de qualquer questionamento e usam textos como este para controlar ou explorar. Em contextos de exploração financeira, menções a dízimos e sustento ministerial podem reacender traumas ou desconfianças.

Para quem vive luto, pobreza ou carência material, a noção de que “o Senhor é a herança” pode soar distante ou espiritualizada demais, se usada para minimizar dores reais. É importante ler o texto sem desconsiderar necessidades concretas nem usar a teologia da provisão para invalidar sofrimento legítimo.

Quando surgirem sentimentos de medo intenso de Deus, culpa paralisante, confusão sobre autoridade espiritual ou lembranças de manipulação financeira e religiosa, é prudente buscar apoio pastoral saudável e, se necessário, ajuda profissional em saúde mental, para que a Escritura seja reinterpretada em um ambiente seguro e cuidadoso.

Aplicação prática para hoje

Números 18 inspira atitudes práticas em diferentes áreas da vida. Em primeiro lugar, convida à seriedade com as responsabilidades recebidas. Assim como Arão e os levitas tinham funções definidas, cada pessoa é chamada a reconhecer seus encargos familiares, profissionais e comunitários, exercendo-os com diligência e respeito a limites. Respeitar os “limites do altar” pode significar, hoje, reconhecer o que é ou não é da própria competência e aprender a dizer “sim” e “não” com sabedoria.

A forma como Deus organiza o sustento dos que servem no tabernáculo lembra a importância da generosidade e da corresponsabilidade. Comunidades saudáveis participam do cuidado material daqueles que se dedicam ao serviço espiritual, e, ao mesmo tempo, esperam desses líderes transparência e integridade no uso dos recursos. Isso inspira ética e responsabilidade também na vida financeira pessoal.

O princípio de que o Senhor é a verdadeira herança estimula um realinhamento de prioridades. Em meio à busca por carreira, estabilidade e bens, o texto chama à consciência de que segurança definitiva não está em posses, mas em Deus. Isso pode influenciar decisões de consumo, planejamento, trabalho e descanso, evitando que a vida seja guiada apenas pela ansiedade material.

Por fim, o “dízimo dos dízimos” aplicado aos levitas mostra que ninguém está acima de prestar contas a Deus. Em termos práticos, isso incentiva líderes e servos a manterem uma espiritualidade humilde, ofertando o melhor de si, do tempo, dos dons e dos recursos ao Senhor, e cultivando transparência ética em todas as áreas da vida.

Perguntas frequentes

O que significa Arão e seus filhos levarem sobre si a iniqüidade do santuário?

Quando Deus diz que Arão, seus filhos e a casa de seu pai levarão sobre si a iniquidade do santuário e do sacerdócio (v. 1), está afirmando que eles são responsáveis diretos por qualquer profanação ou descuido no culto. Isso não significa que assumem o pecado dos outros de modo absoluto, mas que, como encarregados do serviço sagrado, respondem diante de Deus por zelar para que tudo seja feito em santidade e obediência. A posição de liderança espiritual vem acompanhada de um maior grau de responsabilidade e prestação de contas.

Por que os levitas não podiam tocar nos utensílios do santuário nem no altar?

Os levitas foram separados para ajudar no serviço da tenda da congregação, mas Deus determinou limites claros: eles não podiam se aproximar dos utensílios do santuário nem do altar (v. 3). Essa proibição protegia tanto os levitas quanto o povo, lembrando que a santidade de Deus exige mediação específica, no caso, dos sacerdotes descendentes de Arão. A distinção de funções evitava que qualquer pessoa, mesmo sendo levita, tratasse as coisas santas com familiaridade excessiva ou irreverência.

O que é a “aliança perpétua de sal” mencionada em Números 18:19?

A expressão “aliança perpétua de sal” (v. 19) usa uma imagem culturalmente conhecida em Israel. O sal era símbolo de preservação, durabilidade e fidelidade, usado também em ofertas (como em Levítico 2:13). Chamar a relação de Deus com Arão e sua descendência de “aliança de sal” indica que essa aliança é firme, duradoura e não está sujeita a fácil rompimento. É uma forma poética de expressar a estabilidade do compromisso de Deus com o sacerdócio estabelecido por Ele.

Como funcionavam os dízimos em relação aos levitas e sacerdotes neste capítulo?

Neste capítulo, Deus dá aos levitas todos os dízimos de Israel como herança, em substituição a uma porção de terra (vv. 21-24). Isso significa que as outras tribos entregavam um décimo de sua produção ao Senhor, e Ele destinava esse dízimo aos levitas como sustento pelo serviço na tenda. Em seguida, os próprios levitas, ao receberem esses dízimos, deviam separar deles uma parte ao Senhor, o “dízimo dos dízimos”, e entregá-la a Arão, o sacerdote (vv. 26-28). Assim, até mesmo aqueles que viviam do altar participavam ativamente da oferta a Deus.

Por que os levitas não receberam herança de terra como as outras tribos?

Deus declara que, para Arão, Ele mesmo é a herança, e que os levitas não teriam herança de terra no meio dos filhos de Israel (vv. 20, 23-24). Em vez de propriedades territoriais, sua herança seriam os dízimos que o povo oferecesse ao Senhor. Isso reforça a ideia de que sua vocação estava ligada diretamente ao serviço no santuário e à dependência da provisão de Deus por meio das ofertas. Simbolicamente, aponta para uma realidade espiritual em que a presença e o favor de Deus são a maior herança, acima de posses materiais.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Números 18 revela um Deus que leva muito a sério tanto o sagrado quanto os corações das pessoas que Ele chama para servir. Arão e os levitas recebem uma tarefa pesada: cuidar do santuário, carregar a responsabilidade pelo culto e, de certa forma, proteger o povo do perigo de se aproximar de Deus de forma imprudente. Entre as linhas, há a realidade do peso emocional de quem cuida de outros, de quem sente que precisa estar sempre atento para que nada dê errado. Ao mesmo tempo, Deus não apenas cobra; Ele também cuida. Para aqueles que servem, Ele separa porções, provisões, um sustento concreto. As ofertas, primícias e dízimos não aparecem aqui como carga sobre o povo apenas, mas como sinais de que Deus não deixa Seus servos desamparados. Em vez de exigir que Arão e os levitas carreguem tudo sozinhos, o Senhor organiza o povo de modo que o cuidado seja compartilhado. Em meio às palavras sobre culpa e responsabilidade, brilha uma frase cheia de ternura: “Eu sou a tua parte e a tua herança” (v. 20). Quando faltam garantias humanas, quando o futuro parece incerto, Deus se apresenta como a porção segura. Para corações cansados, que talvez se sintam sobrecarregados de tarefas, o capítulo lembra que quem chama também sustenta, e que, por trás das obrigações, há um Deus que se oferece como herança, companhia e descanso interior.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Números 18 funciona como um ajuste fino após a crise da rebelião de Corá. A contestação da legitimidade de Arão e dos levitas é respondida, aqui, por uma codificação detalhada de funções, privilégios e limites. O texto está estruturado como um estatuto sacerdotal-levítico, consolidando a mediação cultual no período do deserto. Há uma distinção precisa entre sacerdócio aarônico e levitas: os primeiros têm acesso ao altar e ao que está dentro do véu (v. 7), enquanto os levitas auxiliam no serviço externo, sem tocar nos utensílios sagrados (v. 3). Essa diferenciação preserva tanto a transcendência divina quanto a ordem comunitária. É uma teologia da santidade que delimita fronteiras para evitar profanação e morte. O capítulo também desenvolve o tema da herança cultual. Os sacerdotes recebem porções de “coisas santíssimas” – ofertas de alimento, expiações, primícias – e os levitas recebem os dízimos de Israel. A expressão “aliança perpétua de sal” (v. 19) merece atenção: associada a práticas culinárias e sacrificial (sal como conservante e elemento de sabor), ela sugere permanência, integridade da aliança e fidelidade divina. Teologicamente, há aqui uma antecipação de princípios que mais tarde serão reinterpretados: a mediação sacerdotal, o sustento de quem serve ao altar e a centralidade de Deus como herança. Na leitura canônica, esse arranjo aponta para a necessidade de um mediador perfeito e para a ideia de um povo que, mais do que terra, recebe o próprio Deus como porção definitiva.

Life
Life

Números 18 fala muito de organização, responsabilidades claras e provisão concreta, temas extremamente práticos para a vida diária. Deus não deixa o serviço do santuário solto ou confuso: Ele define quem faz o quê, o que cada grupo pode ou não pode tocar, como devem ser usados os recursos e como a provisão vai circular. Isso se aproxima da necessidade, hoje, de clareza de papéis em família, trabalho, igreja e comunidade. A distinção de funções entre sacerdotes e levitas lembra a importância de reconhecer limites. Nem todo mundo faz tudo, e tentar assumir o que não foi confiado pode trazer desgaste, conflito e até “morte” de relacionamentos. Em termos práticos, o princípio é: servir com zelo na área em que se foi chamado, respeitando limites e reconhecendo a contribuição dos outros. Esse capítulo também apresenta um modelo saudável de sustento: quem serve ao cuidado espiritual do povo é sustentado por esse mesmo povo, e, ao mesmo tempo, também oferta ao Senhor o melhor do que recebe. Hoje, isso se traduz em responsabilidade financeira, generosidade e transparência. Comunidades maduras não ignoram a necessidade de sustentar quem serve nem relaxam na prestação de contas. Ao afirmar que Deus é a herança dos sacerdotes, o texto desafia a base sobre a qual se fazem planos de vida. É um chamado a não construir segurança apenas em cima de salário, carreira e patrimônio, mas a organizar decisões, prioridades e uso do tempo a partir da confiança em Deus como porção maior. Isso afeta a forma de trabalhar, descansar, planejar e até de lidar com perdas e mudanças.

Soul
Soul

Números 18 abre uma janela para realidades espirituais profundas: santidade, mediação, herança e aliança. O fato de Arão e seus filhos “levarem sobre si” a iniquidade do santuário e do sacerdócio aponta para a necessidade de alguém que se situe entre um Deus santo e um povo imperfeito. Ao longo da história bíblica, essa linguagem prepara o coração para a ideia de um Sumo Sacerdote perfeito que carregaria, de forma plena, o peso do pecado diante de Deus. A frase “Eu sou a tua parte e a tua herança” (v. 20) é uma das declarações mais densas espiritualmente deste capítulo. Ela desloca a esperança do que é visível (terra, propriedades, estruturas) para o próprio Deus. A espiritualidade que nasce desse texto não é apenas ritual; é uma vida em que o centro da identidade e da segurança passa a ser a presença de Deus. Em termos de propósito, isso significa viver não apenas para obter uma “terra”, mas para habitar na realidade de Deus como porção eterna. A “aliança perpétua de sal” fala de uma relação preservada, resistente ao tempo e à corrupção. Na perspectiva da eternidade, isso antecipa a certeza de que o compromisso de Deus com Seu povo e com Seu plano de redenção não é frágil. Nada, nem rebeliões internas nem ameaças externas, consegue dissolver a aliança que Deus decide manter. Ao ordenar o “dízimo dos dízimos”, o texto também mostra que ninguém, por mais próximo que esteja do altar, está além da necessidade de oferecer algo a Deus. Toda vocação, todo dom, toda posição espiritual é chamada à entrega e à adoração. Espiritualmente, isso convida a uma vida em que tudo o que se recebe – dons, tempo, oportunidades – é devolvido em consagração, num movimento contínuo de reconhecer Deus como fonte e fim de todas as coisas.

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Versículos em Números 18

Números 18:1

" Então disse o SENHOR a Arão: Tu, e teus filhos, e a casa de teu pai contigo, levareis sobre vós a iniqüidade do santuário; e tu e teus filhos contigo levareis sobre vós a iniqüidade do vosso sacerdócio. "

Números 18:2

" E também farás chegar contigo a teus irmãos, a tribo de Levi, a tribo de teu pai, para que se ajuntem a ti, e te sirvam; mas tu e teus filhos contigo estareis perante a tenda do testemunho. "

Números 18:3

" E eles cumprirão as tuas ordens e terão o encargo de toda a tenda; mas não se chegarão aos utensílios do santuário, nem ao altar, para que não morram, tanto eles como vós. "

Números 18:4

" Mas se ajuntarão a ti, e farão o serviço da tenda da congregação em todo o ministério da tenda; e o estranho não se chegará a vós. "

Números 18:5

" Vós, pois, fareis o serviço do santuário e o serviço do altar; para que não haja outra vez furor sobre os filhos de Israel. "

Números 18:6

" E eu, eis que tenho tomado vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel; são dados a vós em dádiva pelo Senhor, para que sirvam ao ministério da tenda da congregação. "

Números 18:7

" Mas tu e teus filhos contigo cumprireis o vosso sacerdócio no tocante a tudo o que é do altar, e a tudo o que está dentro do véu, nisso servireis; eu vos tenho dado o vosso sacerdócio em dádiva ministerial e o estranho que se chegar morrerá. "

Números 18:8

" Disse mais o Senhor a Arão: Eis que eu te tenho dado a guarda das minhas ofertas alçadas, com todas as coisas santas dos filhos de Israel; por causa da unção as tenho dado a ti e a teus filhos por estatuto perpétuo. "

Números 18:9

" Isto terás das coisas santíssimas do fogo; todas as suas ofertas com todas as suas ofertas de alimentos, e com todas as suas expiações pelo pecado, e com todas as suas expiações pela culpa, que me apresentarão; serão coisas santíssimas para ti e para teus filhos. "

Números 18:11

" Também isto será teu: a oferta alçada dos seus dons com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos, e a tuas filhas contigo, as tenho dado por estatuto perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa, delas comerá. "

Números 18:12

" Todo o melhor do azeite, e todo o melhor do mosto e do grão, as suas primícias que derem ao Senhor, as tenho dado a ti. "

Números 18:13

" Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao Senhor, serão teus; todo o que estiver limpo na tua casa os comerá. "

Números 18:15

" Tudo que abrir a madre, e toda a carne que trouxerem ao Senhor, tanto de homens como de animais, será teu; porém os primogênitos dos homens resgatarás; também os primogênitos dos animais imundos resgatarás. "

Números 18:16

" Os que deles se houverem de resgatar resgatarás, da idade de um mês, segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte geras. "

Números 18:17

" Mas o primogênito de vaca, ou primogênito de ovelha, ou primogênito de cabra, não resgatarás, santos são; o seu sangue espargirás sobre o altar, e a sua gordura queimarás em oferta queimada de cheiro suave ao Senhor. "

Números 18:19

" Todas as ofertas alçadas das coisas santas, que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor, tenho dado a ti, e a teus filhos e a tuas filhas contigo, por estatuto perpétuo; aliança perpétua de sal perante o Senhor é, para ti e para a tua descendência contigo. "

Números 18:20

" Disse também o Senhor a Arão: Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio deles, nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel. "

Números 18:21

" E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação. "

Números 18:22

" E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. "

Números 18:22 mostra que chegar à presença de Deus de qualquer jeito traria morte; apenas os levitas podiam servir no santuário. O versículo ensina respeito …

Ler análise completa

Números 18:23

" Mas os levitas executarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniqüidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão, "

Números 18:24

" Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao Senhor em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão. "

Números 18:26

" Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao Senhor, os dízimos dos dízimos. "

Números 18:28

" Assim também oferecereis ao Senhor uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta alçada do Senhor a Arão, o sacerdote. "

Números 18:29

" De todas as vossas dádivas oferecereis toda a oferta alçada do Senhor; de tudo o melhor deles, a sua santa parte. "

Números 18:30

" Dir-lhes-ás pois: Quando oferecerdes o melhor deles, como novidade da eira, e como novidade do lagar, se contará aos levitas. "

Números 18:31

" E o comereis em todo o lugar, vós e as vossas famílias, porque vosso galardão é pelo vosso ministério na tenda da congregação. "

Números 18:32

" Assim, não levareis sobre vós o pecado, quando deles oferecerdes o melhor; e não profanareis as coisas santas dos filhos de Israel, para que não morrais. "

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