Números 26:1
" Aconteceu, pois, que, depois daquela praga, falou o SENHOR a Moisés, e a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Números 26 na sua vida hoje
65 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O censo mostra que a primeira geração incrédula morreu, mas Deus preservou o povo e levantou uma nova geração pronta para entrar na terra. A promessa não falha, mesmo quando pessoas específicas são infiéis.
O texto relembra a punição dos rebeldes (como Datã, Abirão, Coré, Nadabe e Abiú) e, ao mesmo tempo, mostra preservação em meio ao juízo (os filhos de Coré, o povo ainda numeroso). Deus leva o pecado a sério, mas também mantém um remanescente.
A contagem está diretamente ligada à herança em Canaã: mais pessoas significam porções maiores, menos pessoas porções menores. Ainda assim, a divisão final se faz por sorteio, mostrando a soberania de Deus sobre a distribuição.
As listas de famílias reforçam a identidade de cada tribo e a importância das gerações. O destaque para casos específicos, como as filhas de Zelofeade, aponta para a continuidade da herança mesmo diante de realidades familiares diferentes.
Números 26 se situa no final da peregrinação de Israel pelo deserto, cerca de quarenta anos após a saída do Egito. O povo está acampado nas campinas de Moabe, perto do Jordão, em frente a Jericó, prestes a entrar em Canaã sob a liderança que sucederá a Moisés.
Este é o segundo censo em Números: o primeiro ocorreu no deserto do Sinai (Nm 1) e contava a geração que saiu do Egito; o segundo, aqui, registra a nova geração que sobrevivera ao juízo divino sobre a incredulidade e às várias rebeliões. Nesse período, Israel era organizado por tribos e clãs patriarcais, e o número de homens em idade militar tinha importância tanto para a guerra quanto para a distribuição da terra.
O capítulo também relembra eventos históricos recentes: a rebelião de Coré, Datã e Abirão (Nm 16), em que a terra se abriu e o fogo do Senhor consumiu muitos, e a morte de Nadabe e Abiú por oferecerem fogo estranho (Lv 10). Ao mencionar esses episódios dentro do censo, o texto vincula a história do povo ao juízo e à misericórdia de Deus.
A menção às filhas de Zelofeade antecipa discussões legais que aparecem em Números 27 e 36 sobre herança para mulheres; isso reflete a organização social de Israel, centrada em famílias patriarcais, mas aberta a ajustes para preservar a herança dentro da tribo.
Os levitas são contados separadamente, pois não receberiam território como as demais tribos. Sua função era o serviço no tabernáculo, vivendo de cidades específicas e dos dízimos do povo. Isso ressalta que, enquanto as outras tribos se preparavam para herdar terras, os levitas se preparavam para servir continuamente diante de Deus.
Números 26 é um texto predominantemente genealógico e administrativo, organizado de forma cuidadosa e repetitiva, o que transmite ordem e clareza.
Introdução e ordem divina para o censo (26:1-4)
Censo das tribos de Israel (26:5-51)
Instruções sobre a herança na terra (26:52-56)
Censo dos levitas (26:57-62)
Conclusão teológica e histórica (26:63-65)
A repetição de fórmulas (“estas são as famílias de…”, “segundo os que foram deles contados…”) dá ritmo ao texto e sublinha a precisão do registro, característica de listas oficiais e documentos de herança em contextos antigos.
Números 26 articula temas centrais sobre o caráter de Deus, a identidade de Israel e a relação entre promessa, juízo e graça.
Deus cumpre promessas mesmo em meio ao juízo A morte da geração incrédula não anulou a promessa de Deus a Abraão, Isaque e Jacó. Pelo contrário, o censo mostra um povo ainda numeroso, prestes a possuir a terra. A fidelidade de Deus se manifesta de forma transgeracional: pessoas podem falhar, gerações podem ser julgadas, mas o plano de Deus avança. A presença de Josué e Calebe como remanescentes fiéis destaca que a confiança na promessa tem consequências concretas.
Deus vê o povo em detalhes, tribo por tribo, família por família A longa lista de nomes e famílias mostra que Deus lida com o povo de forma coletiva e individual. Tribos, clãs e indivíduos são conhecidos e registrados. Isso sublinha a importância da identidade comunitária de Israel, mas também a lembrança de histórias específicas dentro dessa comunidade, incluindo tanto fracassos (Coré, Datã, Abirão, Nadabe, Abiú) quanto exemplos de preservação (filhos de Coré, filhas de Zelofeade).
Santidade e pecado têm impacto histórico real Ao recordar a rebelião de Coré e a morte de Nadabe e Abiú em meio ao censo, o capítulo mostra que as escolhas do povo diante de Deus deixam marcas na história da comunidade. O juízo não é abstrato, mas altera a realidade demográfica e a continuidade familiar. Ainda assim, a frase “Mas os filhos de Coré não morreram” introduz a ideia de que o juízo não é mecanicamente transmissível e que Deus pode preservar ramos dentro de uma família marcada pelo pecado.
Herança como dom de Deus e responsabilidade A terra não é apenas recurso econômico; é herança concedida por Deus, distribuída conforme seus critérios. O uso do número total e do sorteio aponta para um equilíbrio entre ordem humana e soberania divina. A herança é ao mesmo tempo garantia da promessa e teste de fidelidade: Israel receberá a terra para viver sob o senhorio de Deus.
Vocação distinta no corpo do povo de Deus Os levitas, sem herança territorial, representam uma vocação específica de serviço. Sua contagem própria, com critérios diferentes, sublinha que, no povo de Deus, há diferentes chamadas e funções, todas integradas no propósito geral de Deus. O fato de não possuírem terra aponta para uma dependência especial do Senhor e do cuidado do restante do povo.
Transição entre gerações sob a mão de Deus O contraste entre o primeiro e o segundo censo enfatiza a transição de uma geração que viu o êxodo, mas pereceu pela incredulidade, para outra que herda as promessas. Teologicamente, isso levanta a importância da fidelidade geracional e de como cada geração responde à palavra de Deus. A continuidade do povo é garantida por Deus, mas a participação em certas bênçãos pode ser perdida por incredulidade.
Lido com sensibilidade, Números 26 pode oferecer algumas perspectivas terapêuticas importantes.
A transição de gerações, marcada por perdas, rebeliões e juízos, se conecta com experiências de luto coletivo, mudanças familiares profundas e sensação de recomeço após crises. A narrativa mostra um povo que, mesmo depois de muitas perdas, ainda tem futuro, ainda é contado, ainda é visto por Deus. Essa ideia de ser “contado” pode trazer conforto para experiências de invisibilidade ou de sentir-se descartado por erros do passado.
O registro cuidadoso de famílias, inclusive com histórias difíceis (como a de Coré) e realidades diferentes (como as filhas de Zelofeade), mostra um Deus que não apaga nomes por causa de falhas familiares, mas reconhece complexidades e preserva pessoas em meio a contextos quebrados. Isso pode aliviar culpas herdadas e medos de repetir padrões familiares, abrindo espaço para perceber novas possibilidades dentro da mesma história.
Ao mesmo tempo, o capítulo destaca que Deus leva a sério escolhas e consequências. Isso pode ajudar a elaborar sentimentos de culpa e de responsabilidade, entendendo que decisões têm peso, mas que nem por isso o futuro está fechado. A presença de Josué e Calebe como sobreviventes da geração passada sinaliza que fidelidade e esperança não são inúteis, mesmo em meio a uma maioria incrédula.
Por fim, a preparação para a herança e a organização do povo reforçam um sentido de ordem e propósito após o caos da praga. Para quem enfrenta períodos de desorganização emocional, perda de rumo ou transições difíceis, essa imagem de Deus reorganizando, recontando e preparando um novo capítulo pode ser terapeuticamente restauradora.
Alguns elementos de Números 26 podem ser emocionalmente sensíveis para certas pessoas e exigem leitura cuidadosa.
Juízo severo e mortes em massa A menção à praga, à terra se abrindo para engolir rebeldes e ao fogo consumindo 250 homens pode ser perturbadora, especialmente para quem vive luto recente, medo intenso de punição divina ou tem histórico de espiritualidade marcada por terror. Isso pode ativar imagens de um Deus apenas punitivo, se o texto for isolado de seu contexto mais amplo de misericórdia e promessa.
Ideias de culpa familiar e maldição geracional Ao ver nomes de pessoas ligadas a rebeliões dentro das listas familiares, alguém pode reforçar a sensação de estar preso a “maldições de família” ou de que erros dos antepassados definem o próprio destino. É importante notar que o texto também mostra preservação (como os filhos de Coré), contrariando uma leitura determinista.
Exclusão, perda de lugar e herança A ênfase na herança e na distribuição da terra pode tocar em feridas de quem perdeu bens, casa, terra ou lugar na família. Também pode intensificar sentimentos de inferioridade ou abandono em pessoas que se sentem sem “herança” emocional, afetiva ou espiritual.
Ansiedade espiritual sobre “não entrar na terra” A afirmação de que toda uma geração morreu no deserto, sem ver a promessa, pode acentuar medos de fracassar espiritualmente ou de “não ser aceito por Deus”. Pode ser gatilho especialmente para pessoas com escrúpulos religiosos, pensamentos obsessivos sobre salvação ou autocondenação severa.
Diante desses pontos, é saudável que leitura e ensino deste capítulo sejam feitos com cuidado, enfatizando o conjunto da narrativa bíblica, a graça de Deus, o convite à confiança e ao arrependimento, e não apenas o medo do castigo.
Números 26, embora pareça apenas um censo, sugere aplicações práticas importantes para a vida cotidiana.
Valor da memória e da história Registrar nomes e famílias mostra a importância de lembrar de onde se veio, quais histórias formam uma comunidade e uma família. Valorizar a própria história, conhecer a trajetória familiar, reconhecer falhas e atos de fidelidade pode ajudar a compreender melhor a própria identidade hoje.
Responsabilidade pessoal dentro de uma herança coletiva Cada tribo herda uma porção, mas a forma como essa herança é vivida depende de cada geração. Isso inspira a assumir responsabilidade pelas escolhas atuais, sem usar a família ou o passado como desculpa para a falta de fidelidade ou integridade.
Ordem e planejamento diante de novos ciclos Antes de entrar na terra, Deus manda contar o povo e organizar a herança. Há um princípio de preparação: contar recursos, entender responsabilidades e planejar. Em transições de vida (novo trabalho, mudança de cidade, casamento, aposentadoria), organizar-se com realismo e sob a direção de Deus é uma prática sábia.
Reconhecer diferentes vocações e funções Os levitas não têm a mesma herança que as outras tribos, mas isso não os torna menos importantes. Aplicado à vida comunitária e profissional, isso lembra que nem todos terão o mesmo tipo de “terra” (posição, visibilidade, recursos), mas cada vocação tem valor diante de Deus. Isso encoraja respeito e cooperação entre funções diferentes.
Levar escolhas espirituais a sério A ausência dos antigos que se rebelaram e a presença de Josué e Calebe apontam para o peso das decisões diante de Deus. Em termos práticos, isso incentiva a cultivar confiança, obediência e perseverança, especialmente quando a maioria é incrédula ou resistente.
Esperança em meio a recomeços Mesmo depois de falhas graves como povo, Israel é recontado e preparado para receber a promessa. Para situações de recomeço após erros, fracassos ou tempos de deserto, este capítulo inspira a buscar novo alinhamento com Deus, reorganizar a vida e seguir em frente com esperança.
O segundo censo foi necessário porque a geração que saiu do Egito havia morrido no deserto, conforme a palavra do Senhor, e uma nova geração se levantara. O censo identifica quem compõe agora o povo, quantos homens estão aptos para a guerra e serve de base para a futura distribuição da terra em Canaã. Também reforça que, apesar do juízo, Deus preservou e multiplicou o povo, mantendo sua promessa.
O censo determina a proporção da herança: tribos mais numerosas receberiam porções maiores, e tribos menos numerosas, porções menores. No entanto, a distribuição final seria feita por sorteio, de modo que, mesmo havendo critérios numéricos, a soberania de Deus guiaria a divisão. Assim, a herança é ao mesmo tempo organizada de forma justa e recebida como dom do Senhor.
Os levitas têm uma vocação específica de serviço no tabernáculo e nas coisas sagradas. Por isso, são contados a partir de um mês de idade, não em idade de guerra, e não participam da herança territorial como as demais tribos. Sua “porção” é o próprio serviço ao Senhor e o sustento vindo dos dízimos e ofertas do povo, mostrando um modelo de vida mais diretamente ligado ao culto e à instrução espiritual de Israel.
Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza são filhas de Zelofeade, da tribo de Manassés, que não tinha filhos homens. Sua menção aqui antecipa o caso que será desenvolvido em Números 27 e 36, onde elas pedem ao Senhor e a Moisés o direito à herança do pai. Esse episódio mostra a preocupação em preservar a herança dentro da tribo e sinaliza certa flexibilidade da lei para lidar com situações familiares específicas.
Josué e Calebe foram os dois espias que, ao observar a terra de Canaã, creram que Deus era poderoso para dar a terra a Israel, mesmo diante de gigantes e cidades fortificadas. Enquanto a maioria dos espias e do povo se entregou ao medo e à incredulidade, eles mantiveram confiança e obediência. Por isso, Deus prometeu que somente eles, daquela geração incrédula, entrariam na terra, como sinal de que a fé e a fidelidade são honradas por Ele.
Este capítulo, cheio de números e nomes, carrega por trás muitas histórias de dor, perda e recomeço. A referência à praga, às mortes no deserto, às famílias marcadas por rebelião, revela um povo que passou por traumas profundos. E ainda assim, ali estão eles, vivos, contados, conhecidos. Há algo muito consolador em perceber que Deus continua a olhar para o povo, nome por nome, mesmo depois de tanta falha e sofrimento. Cada família listada em Números 26 representa gente real, com medos, lembranças e esperanças. Alguns trazem no próprio sobrenome o peso de um passado difícil, como os ligados a Coré, Datã e Abirão. No meio disso, aquela frase: “Mas os filhos de Coré não morreram.” Comunica que uma história não precisa terminar no pior capítulo. Mesmo em famílias marcadas por decisões desastrosas, Deus preserva pessoas, abre novos caminhos, escreve novos começos. Também chama atenção a presença de Josué e Calebe, sobreviventes da geração antiga. Eles carregam a memória de tudo o que foi perdido e, ao mesmo tempo, a promessa de tudo o que ainda viria. Há dor em ser remanescente, mas há honra e propósito também. O capítulo testemunha que Deus não esquece aqueles que permaneceram fiéis em meio ao caos. Neste censo, ninguém é um número frio; cada contagem aponta para cuidado. Ao ver Deus mandando contar o povo de novo, depois da disciplina e das perdas, transparece um gesto de acolhimento: ainda há lugar, ainda há herança, ainda há futuro. Até os levitas, que não recebem terra, são lembrados com carinho, como gente com uma vocação especial no meio da comunidade. Assim, Números 26 se torna um retrato de um Deus que não abandona seu povo nos escombros, mas recolhe os fragmentos, recompõe a comunidade e reafirma a promessa. A mensagem que emerge é que, mesmo depois de anos de deserto, de erros e lágrimas, não se está esquecido. Há um Deus que conta, conhece, lembra e prepara um novo capítulo.
Números 26 é um texto-chave dentro da estrutura do livro. Ele marca uma transição entre a geração que saiu do Egito e a geração que de fato entrará em Canaã. O segundo censo, portanto, não é apenas administrativo, mas teológico: confirma o juízo pronunciado anteriormente (Nm 14) e, ao mesmo tempo, a continuidade da promessa. Comparando este censo com o de Números 1, é possível perceber mudanças no tamanho de algumas tribos, refletindo, possivelmente, consequências de eventos narrados ao longo do livro. Por exemplo, Simeão sofre uma grande redução, o que pode ser relacionado à praga do capítulo 25, onde um príncipe dessa tribo é citado. Mesmo quando o texto não explica cada flutuação, ele sugere que a história espiritual do povo deixa marcas concretas. O capítulo também funciona como registro genealógico e jurídico. As famílias (mishpakhot) e casas paternas são importantes para determinar posições no acampamento, responsabilidades militares e, agora, a distribuição da herança. O texto mostra uma sociedade organizada em torno de estruturas patriarcais, mas com abertura para casos atípicos, como o das filhas de Zelofeade, que se tornará um precedente legal. A inclusão de notas históricas dentro da lista – como a rebelião de Coré, Datã e Abirão, a morte de Nadabe e Abiú e a menção de Er e Onã – insere as genealogias numa narrativa maior. As listas não são neutras; elas lembram que certas linhas familiares foram reduzidas ou interrompidas por causa de atos de rebelião, enquanto outras foram preservadas apesar de um contexto de juízo. Isso reforça um princípio teológico: santidade e pecado influenciam a continuidade do povo. A seção sobre a herança (vv. 52–56) traz um equilíbrio interessante entre proporcionalidade e soberania divina. O critério de “aos muitos, mais; aos poucos, menos” garante justiça numérica, enquanto o sorteio reconhece que a terra, em última instância, é dom de Deus, não conquista puramente humana. Historicamente, isso prepara o leitor para o livro de Josué, onde a distribuição efetiva da terra é detalhada. Quanto aos levitas, o texto deixa claro que sua identidade é distinta. Eles são contados a partir de um mês de idade porque sua função não é militar. Não recebem território como herança, mas têm um papel espiritual no centro da vida nacional, o que se harmoniza com outras passagens que apresentam o Senhor como a porção deles. Teologicamente, isso reforça a ideia de que, no povo de Deus, há diversidade de vocações que transcende critérios puramente territoriais ou econômicos. Por fim, a conclusão (vv. 63–65) amarra as linhas teológica e histórica: nenhuma das pessoas contadas no primeiro censo, exceto Josué e Calebe, está presente agora. Isso comprova que a palavra de Deus, tanto na promessa quanto no juízo, se cumpre precisamente. O censo, então, é uma espécie de “memorial em números”, que traduz em dados objetivos a fidelidade divina ao longo de décadas de peregrinação.
Ao olhar para Números 26 por um ângulo prático, a primeira impressão pode ser de uma longa lista burocrática. Mas, por trás desses números, há princípios que tocam decisões, responsabilidades e organização de vida. Israel está às portas de um grande passo: entrar na terra prometida. Antes disso, Deus manda contar, organizar, definir heranças. Há um padrão claro: antes de avançar para uma nova fase, é sábio saber quem está com você, quais recursos existem, quais responsabilidades cabem a cada grupo. Esse princípio vale para mudanças importantes hoje: planejar, mapear pessoas e recursos, pensar na distribuição de tarefas evita confusão e frustração mais adiante. O critério de herança também é instrutivo. Tribos com mais gente recebem mais terra, tribos menores recebem menos, mas todos têm lugar. É uma combinação de justiça proporcional com reconhecimento de limites. Isso dialoga com a gestão de recursos pessoais: tempo, dinheiro, energia. Nem todos receberão o mesmo, mas cada um é chamado a administrar com fidelidade o que tem, sem comparação destrutiva. A presença dos levitas, com uma vocação diferente e sem herança de terra, lembra que nem todo caminho profissional ou de vida segue o mesmo modelo. Alguns terão menos segurança visível ou patrimônio, mas um chamado diferente, mais ligado ao serviço, ao ensino, ao cuidado. Numa sociedade obcecada por posse e status, esse retrato incentiva a valorizar vocações que não se medem apenas em bens acumulados. As notas sobre as rebeliões e seus efeitos funcionam quase como alertas práticos. Decisões motivadas por inveja, rebeldia ou desconfiança crônica da liderança de Deus e das pessoas podem custar caro, não só espiritualmente, mas também socialmente e até materialmente. O capítulo mostra que atitudes repetidas no tempo moldam o futuro de famílias e comunidades. Ao mesmo tempo, nomes como os das filhas de Zelofeade mostram que, quando situações novas surgem, é possível buscar ajustes justos, dentro da vontade de Deus, para que ninguém seja apagado ou injustiçado. Na prática, isso aponta para a necessidade de rever estruturas e costumes à luz de princípios maiores de justiça e cuidado. Em resumo, Números 26 encoraja a encarar a vida com senso de responsabilidade e planejamento, sem perder de vista que tudo é, em última análise, herança concedida. Convida a valorizar o lugar de cada um na comunidade, a administrar bem o que se recebeu e a caminhar em fidelidade, sabendo que escolhas ao longo do caminho deixam marcas concretas no futuro.
Números 26 situa o povo de Deus num ponto delicado: entre uma geração que viu grandes atos divinos, mas pereceu na incredulidade, e uma nova geração chamada a entrar na terra e viver a promessa. Espiritualmente, é um retrato profundo da tensão entre promessa e resposta humana. O censo funciona quase como um espelho espiritual: quem permanece de pé depois de anos de deserto? Quem está pronto para atravessar o Jordão? A resposta mostra que Deus é fiel ao que diz, tanto no consolo quanto no juízo. A história não sai dos trilhos por causa da infidelidade humana, mas a participação de cada um nas bênçãos pode ser afetada pelas respostas do coração ao longo do caminho. A presença de Josué e Calebe, isolados como remanescentes da geração anterior, carrega significado espiritual intenso. Eles encarnam a fé perseverante que atravessa décadas, sustenta a esperança e, no final, vê a promessa se cumprir. Em termos de caminhada espiritual, sugerem um padrão: não basta começar bem; é necessário terminar confiando, mesmo quando a maioria desanima ou se desvia. Os nomes e famílias lembrados, inclusive aqueles ligados a histórias de queda, apontam para a seriedade da vida diante de Deus. Cada escolha, cada ato de rebelião ou obediência, é parte de uma história maior. Ao mesmo tempo, casos como os filhos de Coré não perecendo mostram que Deus não está preso a fatalismos familiares. Há espaço para novos começos, para resistir ao fluxo de um legado de infidelidade. A questão da herança na terra de Canaã, teologicamente, ecoa temas mais amplos de herança espiritual. A terra é um sinal visível da promessa de Deus e antecipa realidades maiores, como o descanso definitivo em Deus. A forma como essa herança é distribuída – por número, mas também por sorteio – afirma que a porção de cada um provém, em última instância, da mão soberana do Senhor. Isso convida à confiança na sabedoria divina sobre a “porção” que cada pessoa recebe nesta vida, e à expectativa da herança incorruptível prometida aos que pertencem a Deus. Os levitas, sem parte na terra, apontam simbolicamente para aqueles cuja verdadeira porção é o próprio Deus. Na perspectiva da eternidade, isso antecipa o chamado a encontrar a identidade mais profunda não no território, nos bens, nas posições, mas na comunhão com o Senhor. Eles são um lembrete vivo de que a herança última não é geográfica, mas relacional e espiritual. Assim, Números 26 convida a olhar a vida como parte de uma narrativa mais longa, onde o que conta não é apenas o número de anos ou conquistas, mas a resposta ao Deus que chama, julga e promete herança. Ele chama à fidelidade que atravessa gerações, à confiança humilde na porção recebida e à esperança firme na promessa que vai além de qualquer deserto terreno.
" Aconteceu, pois, que, depois daquela praga, falou o SENHOR a Moisés, e a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, dizendo: "
" Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, da idade de vinte anos para cima, segundo as casas de seus pais; todos os que em Israel podem sair à guerra. "
" Falaram-lhes, pois, Moisés e Eleazar, o sacerdote, nas campinas de Moabe, junto ao Jordão na altura de Jericó, dizendo: "
" Conta o povo da idade de vinte anos para cima, como o Senhor ordenara a Moisés e aos filhos de Israel, que saíram do Egito. "
" Rúben, o primogênito de Israel; os filhos de Rúben: de Enoque, a família dos enoquitas; de Palu, a família dos paluítas; "
Números 26:5 apresenta a família de Rúben na contagem do povo de Israel. O versículo mostra que Deus conhece cada grupo e cada história, nada …
Ler análise completa" De Hezrom, a família dos hezronitas; de Carmi, a família dos carmitas. "
Números 26:6 registra famílias específicas de Israel, mostrando que cada clã contava e importava para Deus. O versículo reforça identidade e pertencimento. Em situações de …
Ler análise completa" Estas são as famílias dos rubenitas; e os que foram deles contados foram quarenta e três mil e setecentos e trinta. "
" E os filhos de Palu, Eliabe; "
" E os filhos de Eliabe, Nemuel, e Datã, e Abirão: estes, Datã e Abirão, foram os do conselho da congregação, que contenderam contra Moisés e contra Arão no grupo de Coré, quando rebelaram contra o Senhor; "
Números 26:9 relembra Datã e Abirão, líderes que se juntaram à rebelião de Corá contra Moisés e, na verdade, contra o próprio Deus. O versículo …
Ler análise completa" E a terra abriu a sua boca, e os tragou com Coré, quando morreu aquele grupo; quando o fogo consumiu duzentos e cinqüenta homens, os quais serviram de advertência. "
" Mas os filhos de Coré não morreram. "
" Os filhos de Simeão, segundo as suas famílias: de Nemuel, a família dos nemuelitas; de Jamim, a família dos jaminitas; de Jaquim, a família dos jaquinitas; "
" De Zerá, a família dos zeraítas; de Saul, a família dos saulitas. "
" Estas são as famílias dos simeonitas, vinte e dois mil e duzentos. "
" Os filhos de Gade, segundo as suas gerações; de Zefom, a família dos zefonitas; de Hagi, a família dos hagitas; de Suni, a família dos sunitas; "
Números 26:15 mostra que Deus conhece cada família pelo nome ao contar o povo de Israel. Não é só uma lista antiga; indica que ninguém …
Ler análise completa" De Ozni, a família dos oznitas; de Eri, a família dos eritas; "
" De Arode, a família dos aroditas; de Areli, a família dos arelitas. "
" Estas são as famílias dos filhos de Gade, segundo os que foram deles contados, quarenta mil e quinhentos. "
" Os filhos de Judá, Er e Onã; mas Er e Onã morreram na terra de Canaã. "
" Assim os filhos de Judá foram segundo as suas famílias; de Selá, a família dos selanitas; de Perez, a família dos perezitas; de Zerá, a família dos zeraítas. "
" E os filhos de Perez foram: de Hezrom, a família dos hezronitas; de Hamul, a família dos hamulitas. "
" Estas são as famílias de Judá, segundo os que foram deles contados, setenta e seis mil e quinhentos. "
" Os filhos de Issacar, segundo as suas famílias, foram: de Tola, a família dos tolaítas; de Puva, a família dos puvitas; "
" De Jasube, a família dos jasubitas; de Sinrom, a família dos sinronitas. "
" Estas são as famílias de Issacar, segundo os que foram deles contados, sessenta e quatro mil e trezentos. "
" Os filhos de Zebulom, segundo as suas famílias, foram: de Serede, a família dos sereditas; de Elom, a família dos elonitas; de Jaleel, a família dos jaleelitas. "
" Estas são as famílias dos zebulonitas, segundo os que foram deles contados, sessenta mil e quinhentos. "
" Os filhos de José segundo as suas famílias, foram Manassés e Efraim. "
" Os filhos de Manassés foram; de Maquir, a família dos maquiritas; e Maquir gerou a Gileade; de Gileade, a família dos gileaditas. "
" Estes são os filhos de Gileade; de Jezer, a família dos jezeritas; de Heleque, a família dos helequitas; "
" E de Asriel, a família dos asrielitas; e de Siquém, a família dos siquemitas; "
" E de Semida, a família dos semidaítas; e de Hefer, a família dos heferitas. "
" Porém, Zelofeade, filho de Hefer, não tinha filhos, senão filhas; e os nomes das filhas de Zelofeade foram Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza. "
Números 26:33 mostra que as filhas de Zelofeade foram registradas mesmo sem irmãos homens, algo incomum na época. Isso destaca o valor e a identidade …
Ler análise completa" Estas são as famílias de Manassés; e os que foram deles contados, foram cinqüenta e dois mil e setecentos. "
" Estes são os filhos de Efraim, segundo as suas famílias: de Sutela, a família dos sutelaítas; de Bequer, a família dos bequeritas; de Taã, a família dos taanitas. "
" E estes são os filhos de Sutela: de Erã, a família dos eranitas. "
" Estas são as famílias dos filhos de Efraim, segundo os que foram deles contados, trinta e dois mil e quinhentos; estes são os filhos de José, segundo as suas famílias. "
" Os filhos de Benjamim, segundo as suas famílias: de Belá, a família dos belaítas; de Asbel, a família dos asbelitas; de Airã, a família dos airamitas; "
" De Sufã, a família dos sufamitas; de Hufã, a família dos hufamitas. "
" E os filhos de Belá foram Arde e Naamã; de Arde, a família dos arditas; de Naamã, a família dos naamanitas. "
" Estes são os filhos de Benjamim, segundo as suas famílias; e os que foram deles contados, foram quarenta e cinco mil e seiscentos. "
" Estes são os filhos de Dã, segundo as suas famílias; de Suã, a família dos suamitas. Estas são as famílias de Dã, segundo as suas famílias. "
" Todas as famílias dos suamitas, segundo os que foram deles contados, foram sessenta e quatro mil e quatrocentos. "
" Os filhos de Aser, segundo as suas famílias, foram: de Imna, a família dos imnaítas; de Isvi, a família dos isvitas; de Berias, a família dos beriítas. "
" Dos filhos de Berias, foram; de Héber, a família dos heberitas; de Malquiel, a família dos malquielitas. "
" E o nome da filha de Aser foi Sera. "
" Estas são as famílias dos filhos de Aser, segundo os que foram deles contados, cinqüenta e três mil e quatrocentos. "
" Os filhos de Naftali, segundo as suas famílias; de Jazeel, a família dos jazeelitas; de Guni, a família dos gunitas; "
" De Jezer, a família dos jezeritas; de Silém, a família dos silemitas. "
" Estas são as famílias de Naftali, segundo as suas famílias; e os que foram deles contados, foram quarenta e cinco mil e quatrocentos. "
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