Números 11:1
" E aconteceu que, queixou-se o povo falando o que era mal aos ouvidos do SENHOR; e ouvindo o SENHOR a sua ira se acendeu; e o fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu os que estavam na última parte do arraial. "
Entenda os temas principais e aplique Números 11 na sua vida hoje
35 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O povo se queixa do cuidado divino, idealiza o Egito e despreza o maná, preferindo as lembranças da escravidão à dependência diária de Deus. A murmuração não é apenas sobre comida, mas sobre um coração insatisfeito com a forma como Deus conduz a vida de Israel.
Moisés confessa esgotamento e desesperança diante das exigências do povo. Deus não o repreende por ser honesto, mas responde providenciando companheiros de liderança, mostrando que o chamado é pesado, porém não deve ser carregado sozinho.
O Senhor tira do espírito que está sobre Moisés e o coloca sobre setenta anciãos, que passam a profetizar. A liderança é ampliada, e o agir do Espírito não fica preso a estruturas rígidas, como se vê em Eldade e Medade profetizando no arraial.
O desejo descontrolado por carne transforma-se em rejeição ao próprio Deus. A codorniz chega em abundância, mas o alimento desejado se torna instrumento de juízo, revelando que nem todo “pedido atendido” é sinal de aprovação divina.
Moisés questiona como Deus poderia alimentar um povo tão grande por um mês com carne. Deus responde lembrando que sua mão não está encolhida, reafirmando sua capacidade ilimitada de cumprir o que promete, mesmo quando os recursos humanos parecem impossíveis.
Números 11 se passa durante a peregrinação de Israel pelo deserto, após a saída do Egito e depois que o maná já havia sido estabelecido como alimento diário. O povo estava a caminho da terra prometida, vivendo em tendas e organizado em arraial ao redor do tabernáculo. A memória do Egito ainda era recente, e muitos lembravam dos alimentos de lá como se fossem sinais de bem-estar, ignorando a escravidão e a opressão que sofriam.
O “vulgo” (v. 4) provavelmente indica um grupo misto, composto por estrangeiros que saíram com Israel e possivelmente israelitas menos comprometidos, que influenciam o povo com suas queixas. O sistema de liderança já incluía anciãos e oficiais (v. 16), mas a pressão sobre Moisés demonstra a necessidade de um arranjo mais amplo de liderança espiritual.
A descida da nuvem (v. 25) remete à presença manifesta de Deus sobre o tabernáculo. O ato de Deus “tirar do espírito” que estava sobre Moisés e repartí-lo com os anciãos não significa divisão em partes menores, mas compartilhamento do mesmo poder e vocação para governar o povo. Eldade e Medade profetizando dentro do arraial mostram que a atuação do Espírito não se limita à proximidade física da tenda da congregação.
As codornizes (v. 31-32) são aves migratórias que podiam ser trazidas por ventos sazonais a partir do mar Mediterrâneo. Deus usa esse fenômeno natural de forma extraordinária, em volume descomunal, como resposta à cobiça do povo. Os nomes dos lugares, Taberá (“incêndio”) e Quibrote-Ataavá (“sepulturas da cobiça”), funcionam como memoriais históricos dos pecados e juízos ocorridos ali.
O capítulo apresenta uma narrativa contínua, mas pode ser organizado em seções claras:
Primeira murmuração e juízo com fogo (11:1-3)
Cobiça pela carne e desprezo ao maná (11:4-9)
O desabafo de Moisés e sua angústia na liderança (11:10-15)
Resposta de Deus: compartilhamento da liderança e anúncio de carne (11:16-23)
O Espírito sobre os anciãos e a questão de Eldade e Medade (11:24-30)
Envio das codornizes e juízo sobre a cobiça (11:31-35)
Números 11 oferece um retrato intenso da dinâmica entre Deus, seu povo e seus líderes. A murmuração não é uma simples reclamação circunstancial; é apresentada como rejeição direta ao Senhor que está “no meio” do povo (v. 20). Ao desprezar o maná, Israel demonstra desprezo pela forma como Deus escolheu sustentá-los, evidenciando um coração que prefere as seguranças da escravidão a confiar na provisão diária de Deus.
A experiência de Moisés destaca a realidade da fragilidade humana em tarefas espirituais elevadas. O desabafo sincero do líder, sentindo-se incapaz e esmagado pelo peso do povo, não é condenado, mas acolhido por Deus, que provê ajuda concreta. A solução divina passa não por tornar Moisés “mais forte” em si mesmo, mas por repartir o Espírito com outros, apontando para um modelo de liderança compartilhada e comunitária na obra de Deus.
O derramamento do Espírito sobre setenta anciãos, e até sobre Eldade e Medade, antecipa a visão de um povo amplo, capacitado pelo Espírito, e não de um único indivíduo carismático. A frase de Moisés, “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta” (v. 29), ressoa como um anseio que encontra eco posterior na promessa de um derramamento universal do Espírito sobre filhos e filhas.
A resposta de Deus à incredulidade de Moisés quanto à capacidade de prover carne para um mês (“Teria sido encurtada a mão do Senhor?”, v. 23) reafirma a onipotência divina e a fidelidade de sua palavra. Ao mesmo tempo, o envio das codornizes acompanhado de juízo mostra que Deus pode, em certos casos, conceder o que é pedido em rebelião para expor o caráter destrutivo da cobiça. Nem toda provisão é sinal de aprovação; o texto alerta para os desejos que afastam o coração do Senhor.
Assim, o capítulo entrelaça a santidade de Deus, sua paciência, seu poder, a seriedade do pecado de ingratidão e a importância da liderança espiritual marcada pelo Espírito e pelo serviço compartilhado.
Este capítulo toca em emoções e experiências humanas muito comuns: insatisfação crônica, nostalgia idealizada do passado, esgotamento na liderança, sensação de peso insuportável e conflitos diante da forma como Deus conduz a vida. O povo expressa uma fome que vai além de comida; é a ânsia por controle, conforto e segurança segundo padrões próprios. Moisés, por sua vez, revela um cansaço profundo, uma exaustão que o leva a desejar a morte, retratando o limite emocional de quem carrega responsabilidades pesadas.
A narrativa mostra que Deus leva a sério tanto o pecado da murmuração quanto a dor real de um líder sobrecarregado. Há um contraste terapêutico: a queixa do povo nasce da rebelião e da ingratidão; o lamento de Moisés nasce da fraqueza sincera. Deus corrige o povo, mas acolhe e ampara o líder cansado, provendo comunidade e partilha de carga.
A idealização do Egito ilustra o mecanismo psicológico de romantizar o passado em tempos difíceis, filtrando apenas o que parecia bom e esquecendo o sofrimento. Isso mostra como o sofrimento atual pode distorcer a memória e alimentar decisões destrutivas. A disciplina divina, inclusive na forma da praga, aparece como um limite firme colocado por Deus à autodestruição coletiva da cobiça.
Ao mesmo tempo, o derramamento do Espírito sobre os anciãos revela que Deus não espera que seus servos enfrentem pressões espirituais sozinhos. O cuidado divino se manifesta em suporte relacional e espiritual para dividir tarefas e responsabilidades, reforçando a importância de comunidades que compartilham o peso da caminhada e do serviço.
O texto apresenta alguns sinais de alerta importantes:
Murmuração persistente e coletiva (v. 1-4, 10): quando a reclamação deixa de ser um desabafo pontual e se torna um padrão constante, alimentado em grupo, pode indicar um coração endurecido, resistência a encarar a realidade e dificuldade de reconhecer qualquer aspecto positivo da situação.
Idealização do passado e negação do sofrimento anterior (v. 5): lembrar do Egito apenas pelos alimentos “de graça” ignora a escravidão. Esse tipo de memória seletiva pode conduzir a decisões que reabrem antigos ciclos de opressão e pecado.
Desprezo pelas formas de provisão atuais (v. 6): olhar para o “maná” da vida — aquilo que Deus tem provido — com desprezo, como se fosse “nada”, pode indicar ingratidão profunda, comparações destrutivas e incapacidade de perceber cuidado no cotidiano.
Exaustão extrema na liderança, com desejo de morte (v. 14-15): a fala de Moisés expressa um ponto crítico de esgotamento. Em qualquer contexto, quando a pessoa sente que a única saída seria morrer, isso é um sinal grave de sofrimento emocional e espiritual que exige atenção e suporte.
Cobiça descontrolada e foco em um único desejo (v. 4, 13, 20): quando a vida passa a girar em torno de uma única coisa desejada, vista como condição indispensável para a felicidade, há risco de idolatria e autossabotagem.
Confusão entre “pedido atendido” e aprovação divina (v. 31-34): o fato de Deus permitir que o povo obtenha carne não significa que esteja aprovando seu coração. Ler qualquer ganho ou conquista imediata como sinal automático de bênção pode levar a autoengano espiritual.
Números 11 oferece vários pontos de aplicação prática:
Avaliação da murmuração: a repetição das queixas de Israel convida a uma autoanálise das conversas, pensamentos e reclamações. É uma chamada para distinguir entre lamento sincero e murmuração que rejeita o modo de Deus agir.
Reconhecimento da provisão atual: o desprezo pelo maná mostra o perigo de tratar como “nada” aquilo que Deus tem colocado diariamente diante de nós. Há um convite implícito à gratidão concreta pelas formas simples, constantes e talvez pouco glamorosas de cuidado divino.
Cuidado com a nostalgia distorcida: a memória seletiva do Egito alerta contra idealizar fases passadas de vida ou situações de pecado apenas pelos aparentes benefícios, ignorando o custo espiritual e emocional que traziam.
Saúde emocional na liderança e no serviço: o desabafo de Moisés mostra que é legítimo reconhecer limites, confessar cansaço e admitir que não é possível carregar tudo sozinho. O texto encoraja estruturas de apoio, delegação e partilha de responsabilidades em qualquer contexto de liderança ou serviço.
Valorização da liderança compartilhada e do agir do Espírito: Deus reparte o espírito de Moisés entre muitos, mostrando que o trabalho de Deus não foi projetado para heróis solitários. A visão de Moisés desejando que todo o povo fosse profeta aponta para comunidades em que muitos são capacitados e envolvidos.
Discernimento sobre desejos e orações: o juízo ligado às codornizes ajuda a refletir sobre desejos insistentes que podem estar enraizados na insatisfação com Deus, e não numa fé madura. Convida a examinar motivações e a submeter anseios ao caráter de Deus, não o contrário.
Confiança na capacidade de Deus: a pergunta divina — se a mão do Senhor teria sido encurtada — desafia a incredulidade prática que calcula apenas com os próprios recursos. O texto chama a incluir o poder de Deus nas contas, especialmente em situações que parecem humanamente impossíveis.
A murmuração não era apenas reclamação de circunstâncias difíceis, mas rejeição direta ao cuidado e à presença de Deus. O povo idealizava o Egito, o lugar de escravidão, e desprezava o maná, que era o sinal diário da provisão divina. Ao dizer, na prática, que preferiam o Egito à condução do Senhor no deserto, Israel estava questionando o caráter, a sabedoria e a bondade de Deus. Isso tornava a queixa um ato de rebelião, e não apenas desabafo de dor.
A expressão indica que Deus repartiu com os anciãos a mesma capacitação espiritual e autoridade que já havia concedido a Moisés para liderar o povo. Não se trata de diminuir o que Moisés tinha, mas de estender a outros a mesma obra do Espírito, para que a carga do povo fosse compartilhada. O foco é a multiplicação da liderança espiritual e a confirmação divina de que eles estavam sendo oficialmente capacitados para ajudar na condução de Israel.
Eldade e Medade estavam entre os escolhidos, mas não saíram até a tenda com os outros anciãos. Mesmo assim, o Espírito repousou sobre eles, e profetizaram no arraial. Isso mostra que a atuação do Espírito de Deus não fica presa a formalidades de localização ou à presença física em um único lugar. Deus confirma o chamado deles independentemente da posição em que estavam, e a reação de Moisés, desejando que todo o povo tivesse o Espírito, ressalta que a profecia não é privilégio de um pequeno círculo fechado.
Deus atende ao pedido do povo, mas deixa claro que o desejo deles expressa rejeição a Ele, e não fé. A carne é dada em abundância, porém o próprio pedido se torna ocasião de disciplina severa, revelando a gravidade da cobiça. Nesse caso, Deus permite que o povo experimente as consequências de um desejo insistente e idolatrado, para expor como esse coração insatisfeito é destrutivo. A concessão da carne não representa aprovação, mas uma forma de juízo pedagógico.
Taberá significa algo como “incêndio” ou “queimadura” e lembra o fogo do Senhor que ardeu entre o povo quando murmuraram (v. 1-3). Quibrote-Ataavá significa “sepulturas da cobiça” ou “sepulturas do desejo”, referindo-se ao lugar onde foram enterrados aqueles que foram feridos pela praga após cobiçarem carne de forma rebelde (v. 34). Os nomes funcionam como memoriais permanentes de como Deus trata a murmuração e a cobiça do seu povo.
Números 11 revela um povo cansado, um líder esgotado e um Deus que ouve tudo isso. Há lágrimas por toda parte: o povo chora nas portas de suas tendas, e Moisés chora diante do Senhor, sentindo-se incapaz e sobrecarregado. O capítulo não esconde essa dor; ele a expõe com honestidade. A murmuração do povo nasce de um coração insatisfeito, que olha para trás e idealiza aquilo que já foi, como se o passado de escravidão fosse melhor do que a caminhada difícil com Deus. Essa nostalgia ferida é compreensível na experiência humana, mas aqui se transforma em rejeição ao próprio cuidado divino. A dor legítima se mistura com revolta, e isso machuca tanto o relacionamento com Deus quanto com as lideranças. Moisés, por outro lado, aparece vulnerável. Ele não finge força quando não a tem. Sente o peso do povo como se fosse impossível de carregar, a ponto de dizer que preferia morrer a continuar daquele jeito. Nessa confissão extrema, o texto deixa claro que Deus não despreza a angústia profunda de seus servos. Em vez de descartá-lo, o Senhor provê ajuda: reparte o espírito que está sobre Moisés com outros anciãos, para que ele não fique sozinho em sua carga. Há consolo em perceber que Deus enxerga o coração exausto, entende o limite humano e responde com companhia e suporte. O derramamento do Espírito sobre os anciãos mostra que a solução de Deus para o cansaço não é apenas exigir mais força, mas cercar o fraco com gente cheia do seu Espírito. Mesmo onde há disciplina severa por causa da cobiça, o capítulo não termina em abandono, mas na continuidade da caminhada. Isso sugere uma verdade silenciosa: a história do povo de Deus não para nas crises, nem nos pontos de colapso emocional; Deus permanece conduzindo, mesmo quando corrige.
Números 11 funciona como uma peça crucial na narrativa do deserto, revelando tensões internas de Israel e aprofundando o entendimento da liderança mosaica. O capítulo se abre com uma queixa generalizada, pouco especificada (v. 1), que contrasta com a queixa específica pela falta de carne (v. 4-6). Isso sugere que a insatisfação do povo vinha se acumulando em múltiplos níveis. O juízo inicial com fogo em Taberá prepara o leitor para encarar a murmuração como questão séria diante do Senhor. A seção sobre o “vulgo” (v. 4) é importante: há ali uma indicação de que elementos externos ou marginais podem ter alimentado um clima de rebelião. Literariamente, a memória dos alimentos do Egito é recitada com detalhes, enquanto o maná é descrito com objetividade quase técnica (v. 7-9). O contraste mostra que a imaginação do povo se apega aos sabores do passado, enquanto a provisão divina presente é tratada com frieza. Isso revela um deslocamento teológico: a confiança em Deus é substituída pela confiança naquilo que se come. A queixa de Moisés (v. 11-15) é carregada de metáforas familiares: ele não é mãe do povo, não é ama, não gerou Israel. Essas imagens reforçam que a verdadeira origem e responsabilidade final pelo povo pertencem a Deus, não ao líder humano. Deus responde de modo estrutural, estabelecendo um conselho de setenta anciãos (v. 16-17), e teológico, repartindo o espírito de Moisés. Essa partilha não indica divisão ontológica do Espírito, mas extensão funcional da autoridade profética e governamental. A breve, mas significativa, profecia dos anciãos (v. 25) e o caso de Eldade e Medade (v. 26-29) mostram que o Espírito é soberano em seu agir. O desejo de Moisés de que todo o povo fosse profeta antecipa temas desenvolvidos na teologia posterior sobre o derramamento do Espírito sobre todos os crentes. Aqui, porém, o foco é a validação de uma liderança ampliada e a crítica a qualquer ciúme institucional. A segunda metade do capítulo enfatiza o juízo sobre a cobiça. Deus promete carne, não como resposta favorável, mas como meio de expor a gravidade do desejo (v. 18-20). A pergunta de Deus a Moisés sobre sua “mão encurtada” (v. 23) reforça a teologia da onipotência e da fidelidade da palavra divina, presente em toda a Torá. O episódio das codornizes, com dados de medida e extensão (v. 31-32), confere realismo à narrativa, enquanto o nome Quibrote-Ataavá fixa a lembrança do evento como advertência para as futuras gerações. Teologicamente, o capítulo une temas de provisão, juízo, liderança, Espírito e memória, compondo uma teologia do deserto onde cada crise serve tanto para disciplinar quanto para formar o povo na dependência de Deus.
Números 11 é extremamente prático porque expõe padrões de comportamento que se repetem em contextos de trabalho, família, igreja e comunidade. O povo, insatisfeito, transforma frustração em queixa coletiva. A reclamação se espalha de tenda em tenda, até se tornar um ambiente tóxico que afeta tudo. Em qualquer grupo humano, quando a rotina é dominada por comparações com o “antigamente” e por queixas constantes sobre liderança e provisão, a coesão começa a se romper. O texto mostra também como a nostalgia pode ser perigosa. Israel lembra do Egito pelos alimentos e não pela escravidão. Em termos práticos, é o retorno mental a situações que, apesar de terem algum benefício aparente, eram destrutivas. Isso se aplica a relacionamentos abusivos, hábitos nocivos, estilos de vida que pareciam “mais fáceis” mas carregavam grandes consequências. Quando a dificuldade atual leva a romantizar o passado destrutivo, há risco de recaída em velhos padrões. Na figura de Moisés, o capítulo aborda o esgotamento de quem assume responsabilidade por muita coisa sem rede de apoio adequada. Ele se sente sozinho, responsável por tudo, e chega ao limite. A resposta de Deus — multiplicar lideranças, repartir o peso, distribuir tarefas — é uma lição direta para qualquer ambiente de liderança: ninguém foi feito para carregar tudo só. A sustentabilidade de um projeto, de um ministério, de uma família ou de um trabalho requer divisão responsável de funções e reconhecimento de limites. A questão da cobiça pela carne é igualmente prática. O desejo por algo em si não é o problema; o perigo é quando esse desejo domina, define o humor, orienta decisões e coloca em xeque até a confiança em Deus. Isso serve de alerta para áreas como finanças, carreira, consumo e status: quando a vida passa a girar em torno de “eu só vou ficar bem se tiver isso”, há sinal de desequilíbrio. O episódio das codornizes também mostra que nem tudo que se consegue é bom. O povo obtém o que queria, mas isso vem acompanhado de consequências duras. Na vida real, é possível alcançar metas, acordos ou conquistas que, na prática, trazem peso, conflitos e frustração. O texto convida a avaliar não apenas se algo é possível de alcançar, mas se é saudável e alinhado com o caráter de Deus e com os valores que se deseja manter. Por fim, a multiplicação de pessoas cheias do Espírito para ajudar Moisés é um modelo prático de como comunidades mais saudáveis funcionam: muita gente envolvida, responsabilidades compartilhadas e menos peso concentrado em uma única pessoa.
" E aconteceu que, queixou-se o povo falando o que era mal aos ouvidos do SENHOR; e ouvindo o SENHOR a sua ira se acendeu; e o fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu os que estavam na última parte do arraial. "
" Então o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao Senhor, e o fogo se apagou. "
" Pelo que chamou aquele lugar Taberá, porquanto o fogo do Senhor se acendera entre eles. "
" E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? "
" Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. "
Números 11:5 mostra o povo de Israel sentindo saudade da comida do Egito e esquecendo o sofrimento da escravidão. O versículo revela como, em momentos …
Ler análise completa" Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos. "
" E era o maná como semente de coentro, e a sua cor como a cor de bdélio. "
" Espalhava-se o povo e o colhia, e em moinhos o moía, ou num gral o pisava, e em panelas o cozia, e dele fazia bolos; e o seu sabor era como o sabor de azeite fresco. "
" E, quando o orvalho descia de noite sobre o arraial, o maná descia sobre ele. "
" Então Moisés ouviu chorar o povo pelas suas famílias, cada qual à porta da sua tenda; e a ira do Senhor grandemente se acendeu, e pareceu mal aos olhos de Moisés. "
" E disse Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o cargo de todo este povo? "
" Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? para que me dissesses: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais? "
" De onde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer; "
" Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim. "
" E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver o meu mal. "
Números 11:15 mostra Moisés exausto, sentindo que não aguenta mais a responsabilidade. Ele fala de forma extrema, pedindo a morte, para mostrar seu desespero. O …
Ler análise completa" E disse o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da congregação, e ali estejam contigo. "
" Então eu descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu não a leves sozinho. "
" E dirás ao povo: Santificai-vos para amanhã, e comereis carne; porquanto chorastes aos ouvidos do Senhor, dizendo: Quem nos dará carne a comer? Pois íamos bem no Egito; por isso o Senhor vos dará carne, e comereis; "
" Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte dias; "
" Mas um mês inteiro, até vos sair pelas narinas, até que vos enfastieis dela; porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito? "
" E disse Moisés: Seiscentos mil homens de pé é este povo, no meio do qual estou; e tu tens dito: Dar-lhes-ei carne, e comerão um mês inteiro. "
" Degolar-se-ão para eles ovelhas e vacas que lhes bastem? Ou ajuntar-se-ão para eles todos os peixes do mar, que lhes bastem? "
" Porém, o Senhor disse a Moisés: Teria sido encurtada a mão do Senhor? Agora verás se a minha palavra se há de cumprir ou não. "
" E saiu Moisés, e falou as palavras do Senhor ao povo, e ajuntou setenta homens dos anciãos do povo e os pôs ao redor da tenda. "
" Então o Senhor desceu na nuvem, e lhe falou; e, tirando do espírito, que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; e aconteceu que, quando o espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas depois nunca mais. "
" Porém no arraial ficaram dois homens; o nome de um era Eldade, e do outro Medade; e repousou sobre eles o espírito (porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda), e profetizavam no arraial. "
" Então correu um moço e anunciou a Moisés e disse: Eldade e Medade profetizam no arraial. "
" E Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus jovens escolhidos, respondeu e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-lho. "
" Porém, Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele! "
" Depois Moisés se recolheu ao arraial, ele e os anciãos de Israel. "
" Então soprou um vento do Senhor e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial quase caminho de um dia, de um lado e de outro lado, ao redor do arraial; quase dois côvados sobre a terra. "
" Então o povo se levantou todo aquele dia e toda aquela noite, e todo o dia seguinte, e colheram as codornizes; o que menos tinha, colhera dez ômeres; e as estenderam para si ao redor do arraial. "
" Quando a carne estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se acendeu a ira do Senhor contra o povo, e feriu o Senhor o povo com uma praga mui grande. "
" Por isso o nome daquele lugar se chamou Quibrote-Ataavá, porquanto ali enterraram o povo que teve o desejo. "
" De Quibrote-Ataavá caminhou o povo para Hazerote, e pararam em Hazerote. "
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