Números 31:1
" E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Números 31 na sua vida hoje
54 versículos | Almeida Corrigida Fiel
A guerra não é apresentada como conquista territorial comum, mas como vingança santa contra o povo que, pelo conselho de Balaão, levou Israel à idolatria e imoralidade em Peor. O juízo recai especialmente sobre aqueles que foram instrumento ativo de corrupção espiritual.
Mesmo em contexto bélico, a santidade de Deus exige purificação de pessoas, roupas e objetos. Matar e tocar mortos trazem impureza ritual, e tudo precisa passar pelo fogo ou pela água da purificação antes de voltar ao arraial.
Deus determina uma divisão equilibrada entre quem foi à batalha e quem ficou, estabelecendo tributos específicos para o sacerdócio e para os levitas. Toda a riqueza conquistada é reconhecida como pertencente, em última instância, ao Senhor.
Os oficiais constatam que nenhum soldado morreu e, movidos por gratidão e temor, oferecem voluntariamente objetos de ouro para expiação e memorial, reconhecendo que a preservação da vida veio de Deus.
Moisés, Eleazar e os oficiais assumem papéis diferentes, mas complementares: liderança militar, orientação sacerdotal, fiscalização e obediência rigorosa às ordens divinas. A liderança é vista como serviço responsável diante de Deus.
Números 31 está localizado no final da jornada de Israel pelo deserto, nas campinas de Moabe, perto do Jordão, diante de Jericó (v.12). Pouco antes, em Números 25, Israel havia sido seduzido pelas mulheres midianitas e moabitas à idolatria e à imoralidade no episódio de Peor, o que resultou em uma praga devastadora entre o povo. Balaão, personagem já apresentado em Números 22–24 como profeta contratado para amaldiçoar Israel, aparece aqui novamente (v.8, 16) como conselheiro que indicou aos midianitas o uso da sedução para levar Israel a pecar. Midiã não é uma nação cananeia fixa, mas um conjunto de clãs seminômades espalhados pelo deserto e região de Moabe; o conflito não é uma campanha de conquista de território, e sim uma ação punitiva específica contra grupos midianitas envolvidos diretamente na corrupção de Israel. A presença de Finéias, filho do sumo sacerdote Eleazar, levando os utensílios sagrados e as trombetas (v.6), vincula a guerra ao culto e à intercessão, mostrando que se trata de guerra declarada por Deus, não apenas por interesse político. As leis de purificação (v.19-24) retomam instruções anteriores do livro, aplicando-as agora ao retorno de uma campanha militar. A contagem minuciosa dos despojos e a forma de divisão (v.26-47) refletem uma sociedade organizada por tribos, com clero (sacerdotes e levitas) sustentado por ofertas vinculadas ao tabernáculo.
O capítulo se organiza de forma ordenada e quase administrativa, alternando narrativa e instruções:
Números 31 traz questões teológicas profundas e difíceis, especialmente em relação à guerra, juízo divino e santidade.
Deus como juiz santo: A guerra contra Midiã é apresentada como vingança do Senhor (v.2-3), não como iniciativa arbitrária de Israel. O foco recai sobre o pecado de sedução espiritual em Peor (v.16). O juízo é duro, mas coerente com a gravidade de afastar um povo inteiro de Deus para idolatria.
Santidade que alcança todas as esferas: A santidade não é restrita ao culto. A realidade da morte na guerra gera impureza ritual (v.19), exigindo purificação de pessoas, roupas e utensílios. Até os despojos devem ser purificados (v.20-23). Em perspectiva bíblica mais ampla, isso mostra que a santidade de Deus abrange corpo, comunidade, objetos e processos sociais.
Guerra como instrumento excepcional de juízo: O texto mostra uma situação específica, dentro de um momento particular da história da redenção: o povo da aliança, sob direção direta de Deus, executando juízo sobre uma nação que o havia atacado espiritualmente. Não se trata de modelo generalizável para qualquer conflito humano, mas de evento singelo no contexto do Antigo Testamento.
Deus como dono de tudo: Os despojos, embora obtidos pela força humana, são tratados como pertencentes a Deus em primeiro lugar. A divisão e o tributo (v.27-30) declaram que a vitória vem do Senhor e que os recursos conquistados devem servir ao culto e à manutenção do tabernáculo.
Responsabilidade coletiva e expiação: Os oficiais reconhecem que, apesar de terem voltado sem baixas (v.49), ainda precisam de expiação (v.50). A oferta de ouro é um reconhecimento de que a preservação da vida depende da misericórdia de Deus, e que até em vitória há necessidade de purificação e reconciliação.
Liderança sacerdotal e mediação: Eleazar aparece não apenas como figura ritual, mas também como legislador que aplica a lei ao contexto da guerra (v.21). O sacerdócio é mediador entre o povo e Deus, garantindo que o retorno da batalha seja integrado à vida santa da comunidade.
Este capítulo, lido à luz de toda a Escritura, mostra a seriedade do pecado, a radicalidade da santidade divina e a necessidade constante de mediação e expiação, elementos que apontam para a obra redentora definitiva em Cristo.
Números 31 contém cenas de violência que podem despertar desconforto, tristeza ou confusão. Do ponto de vista de cuidado emocional, este capítulo revela a tensão entre juízo e proteção: o povo é preservado, mas por meio de medidas duras e difíceis de assimilar. Em termos terapêuticos, o texto evidencia que a Bíblia não ignora a existência de guerra, trauma e perdas, e que até experiências de vitória podem exigir processos de purificação, luto e reorganização. A oferta final dos oficiais, reconhecendo que ninguém morreu e ainda assim buscando expiação, revela um movimento de consciência e responsabilidade: mesmo quando externamente tudo “deu certo”, existe a necessidade de processar o que foi vivido, reconhecer a fragilidade da vida e colocá-la diante de Deus. O capítulo também pode servir como ponto de partida para refletir, de forma cuidadosa, sobre a dor causada pela violência, a dificuldade de lidar com passagens duras e a importância de buscar segurança, acolhimento e clareza quando se entra em contato com textos bíblicos que evocam sofrimento.
Este capítulo descreve guerra, matança em massa e morte de crianças e mulheres (v.7-8, 17), bem como a tomada de pessoas como cativas (v.9, 18, 35). Para pessoas com histórico de trauma relacionado à violência, abuso, guerra ou perdas familiares, a leitura pode despertar lembranças dolorosas, ansiedade ou sentimentos intensos de injustiça e revolta. A linguagem de juízo e vingança divina também pode ser muito perturbadora para quem já sofreu abusos espirituais ou foi exposto a interpretações rígidas. Em contextos de acompanhamento pastoral ou psicológico, é importante que esse texto seja trabalhado com muito cuidado, validando reações emocionais, evitando aplicações diretas à realidade atual e, quando necessário, intercalando a leitura com passagens que ressaltam cuidado, consolo, justiça restauradora e o chamado ao amor ao próximo.
Números 31, apesar de descrever um contexto muito distante, traz princípios que podem ser traduzidos para a vida prática.
Levar a sério o que leva ao pecado: O foco do juízo está na sedução espiritual de Peor (v.16). Em termos de vida diária, isso aponta para a necessidade de tratar com firmeza aquilo que, persistentemente, afasta de Deus e destrói relacionamentos, não com violência, mas com decisões claras, limites saudáveis e abandono de padrões destrutivos.
Processar experiências difíceis: Após a guerra, o povo não simplesmente volta ao normal; há um período de sete dias de afastamento e purificação (v.19-24). Isso inspira a importância de dar tempo, cuidado e ritos (mesmo que simbólicos ou emocionais) para processar experiências intensas, perdas, conflitos ou grandes mudanças.
Reconhecer Deus como fonte de vitória e provisão: A divisão dos despojos com tributo ao Senhor (v.28-30) e a oferta voluntária dos oficiais (v.50-54) reforçam o princípio de gratidão e devolução. Na prática, isso pode significar consagrar a Deus resultados profissionais, conquistas materiais e oportunidades, usando-os de maneira responsável, generosa e alinhada com valores do Reino.
Valorizar a responsabilidade na liderança: Moisés, Eleazar e os oficiais são chamados a agir com obediência, justiça e consciência espiritual. Liderança familiar, profissional ou comunitária também pede esse senso de responsabilidade diante de Deus e das pessoas, evitando decisões impulsivas, buscando orientação e prestação de contas.
Reconhecer que até a vitória exige cuidado interior: Os soldados retornam ilesos, mas sentem a necessidade de expiação (v.50). Sucessos e conquistas podem esconder desgastes, culpas, medos e tensões que precisam ser tratados. Cuidar da vida interior, mesmo quando externamente tudo parece bem, é um princípio importante para uma vida equilibrada.
O próprio texto liga a guerra ao episódio de Peor (Números 25), quando Israel foi levado à idolatria e imoralidade pelas mulheres midianitas e moabitas. Em Números 31:2-3, Deus ordena a Moisés que faça a vingança contra os midianitas, e em 31:16 fica claro que, por conselho de Balaão, eles foram instrumento de tropeço espiritual para Israel. Assim, a guerra aparece como juízo específico contra um povo que buscou destruir a fidelidade de Israel ao Senhor, num momento particular da história da aliança.
Balaão aparece em Números 22–24 como profeta solicitado por Balaque, rei de Moabe, para amaldiçoar Israel. Deus não permitiu que ele amaldiçoasse o povo, e Balaão chegou a pronunciar bênçãos. Porém, Números 31:8 e 31:16 revelam um outro lado: ele aconselhou os midianitas a usar a sedução e a idolatria para levar Israel a pecar. Por isso, sua morte à espada é mencionada junto com a dos reis midianitas, como parte do juízo divino sobre quem se opôs aos propósitos de Deus.
As regras de Números 31:19-24 aplicam princípios já dados anteriormente em Números sobre impureza causada por contato com mortos. Quem matou ou tocou em cadáveres ficava ritualmente impuro e precisava de sete dias, uso da água da purificação e, em alguns casos, passar objetos pelo fogo. Isso não é apenas questão de higiene, mas símbolo da distância entre a morte e a santidade de Deus. O processo ensina que até atividades consideradas necessárias, como a defesa do povo, não anulam a necessidade de purificação e de reaproximação do Deus santo.
Deus ordena que a presa seja dividida entre os que foram à guerra e toda a congregação (v.27). Isso reconhece o esforço direto dos soldados, mas também o fato de que eles lutaram em nome de todo o povo, que se beneficiaria da vitória. A partir de cada metade é separado um tributo para o Senhor: da parte dos guerreiros, um de cada quinhentos (v.28-29), entregue a Eleazar; da parte da congregação, um de cada cinquenta (v.30), entregue aos levitas. Essa divisão reforça justiça, solidariedade interna e a consciência de que tudo vem de Deus.
Depois de contarem os soldados, os oficiais percebem que não faltou ninguém, ou seja, não houve baixas (v.49). Em resposta, eles trazem uma oferta voluntária de objetos de ouro para o Senhor, com o propósito de fazer expiação por suas almas (v.50). Isso expressa gratidão pela preservação da vida, reconhecimento de que a vitória veio de Deus e consciência de culpa ou impureza associada à guerra. O ouro é levado à tenda da congregação como memorial (v.54), para lembrar às gerações futuras da intervenção e misericórdia divinas.
Números 31 é um capítulo pesado, com descrições de guerra, morte e juízo que podem gerar angústia ao ser lido. Esse desconforto é compreensível. As cenas de violência e as ordens duras mexem com a sensibilidade e levantam muitas emoções. O texto mostra um tempo em que o povo vivia conflitos visíveis, externos, mas também travava lutas internas de fidelidade e infidelidade a Deus. Nesse cenário duro, aparece um detalhe que carrega consolo: ao final, os oficiais contam os homens de guerra e percebem que não falta nenhum (v.49). Em meio a um ambiente marcado por morte, todas as vidas dos soldados foram preservadas. Eles reconhecem isso e trazem uma oferta, não por obrigação, mas por gratidão e consciência de que foram sustentados. Há, nesse gesto, um eco de cuidado: Deus não é indiferente à vida, mesmo quando o contexto é de juízo. O capítulo também revela que, depois de experiências intensas, o povo precisa de um tempo de afastamento e purificação (v.19-24). Isso se parece com momentos em que corações machucados precisam de espaço, silêncio, cuidado e processos para lidar com o que viveram. A Escritura não romantiza as batalhas: ela mostra que, mesmo quando há vitória, há marcas, memórias e a necessidade de tratamento. Ao olhar para este texto, surgem muitas perguntas que nem sempre encontram respostas simples. Ainda assim, permanece a certeza de que Deus leva a sério tanto o mal que destrói quanto a vida que Ele preserva. Em meio à dureza, Ele continua atento às pessoas, às perdas, às feridas e aos passos de quem caminha. A história termina com um memorial de ouro na tenda (v.54), um sinal visível para lembrar o povo do cuidado e da intervenção divina. Em muitos caminhos difíceis, memórias assim — de preservação, socorro, sustento — se tornam pontos de apoio para corações cansados.
Do ponto de vista exegético, Números 31 funciona como fechamento de um ciclo iniciado em Números 25, o episódio de Peor. O próprio texto fornece a chave interpretativa: as mulheres midianitas, por conselho de Balaão, levaram Israel a transgredir contra o Senhor (v.16). Assim, a guerra contra Midiã é apresentada como juízo divino, não expansão territorial. A presença de Finéias, figura ligada ao zelo pela santidade em Números 25, agora à frente da guerra com os vasos do santuário e trombetas (v.6), reforça o caráter religioso do conflito. A lista dos reis mortos (v.8) e a menção de Balaão estabelecem continuidade literária com os capítulos anteriores. Balaão, que em Números 22–24 é impedido de amaldiçoar Israel, aparece aqui como conselheiro por trás da estratégia de corrupção espiritual. Sua morte sela o veredito divino contra um personagem ambíguo. As instruções de purificação (v.19-24) retomam temas de Números 19, aplicando a água da purificação e o contato com mortos ao contexto militar. A distinção entre objetos que passam pelo fogo e os que passam apenas pela água mostra sensibilidade prática e ritual, indicando que a santidade permeia até o manejo de bens materiais. O foco não é higiene apenas, mas a separação simbólica entre morte e vida diante de Deus. A divisão dos despojos (v.25-47) é notavelmente detalhada. A ordem é: contagem, divisão em duas metades (soldados e congregação), tributo da metade dos guerreiros (um de cada 500 para o sacerdote) e tributo da metade da congregação (um de cada 50 para os levitas). Essa diferença nas proporções provavelmente reflete funções distintas: o sacerdote representa o culto central no tabernáculo; os levitas cuidam de sua guarda e transporte. A aritmética presente reforça a veracidade administrativa do relato e mostra um sistema de sustento do culto vinculado a acontecimentos concretos da vida nacional. Teologicamente, o capítulo apresenta Deus como juiz santo, mas também como aquele que protege seu povo — nenhum soldado morre (v.49). Os oficiais, ao trazerem sua oferta de ouro para expiação (v.50), reconhecem que participação em guerra, ainda que sob ordens divinas, exige purificação e reconciliação. O ouro, levado à tenda por Moisés e Eleazar como memorial (v.54), transforma a experiência bélica em marca litúrgica e didática. Em síntese, o capítulo integra narrativa histórica, lei ritual e teologia da santidade em um bloco coeso, porém complexo, que exige leitura atenta dentro do conjunto de Números e da teologia bíblica como um todo.
Lido com atenção, Números 31 traz princípios práticos relevantes para a vida cotidiana, mesmo estando em um contexto distante e duro de guerra. A primeira lição é a seriedade com que o texto trata aquilo que desvia o povo de Deus. Midiã não é apenas um inimigo político; foi instrumento de sedução em Peor (v.16). Em termos de vida diária, isso lembra que influências que corroem caráter, fé e relacionamentos, quando toleradas, trazem consequências. Nem tudo que parece vantajoso, agradável ou inofensivo é neutro. Há situações que pedem decisão firme, corte de ciclos e redefinição de limites para preservar o que é essencial. Outra lição é a gestão responsável de recursos. Quando os despojos da guerra são contados e divididos (v.26-31, 36-47), há critério, transparência e reconhecimento de que Deus tem prioridade. Nada fica sem prestação de contas. É um contraste com atitudes de apropriação individualista: cada vitória é tratada como algo que deve beneficiar o coletivo e sustentar o serviço a Deus. Em termos práticos, isso toca finanças, tempo, talentos e posições: o que se conquista não é apenas “meu”, mas deve ser administrado com senso de missão. Há ainda um princípio de cuidado com quem está na linha de frente e com quem fica atrás. Os soldados recebem metade da presa, mas a outra metade vai para toda a congregação (v.27). Essa lógica de partilha valoriza tanto quem enfrenta diretamente os desafios quanto quem apoia de outras formas. Em famílias, igrejas, equipes de trabalho, isso inspira reconhecimento mútuo: nem todos têm a mesma função, mas todos participam dos frutos. O comportamento dos oficiais no final do capítulo também é instrutivo. Eles percebem que voltaram sem perder ninguém (v.49) e não tratam isso como algo automático. Ao contrário, demonstram gratidão e senso de responsabilidade, trazendo uma oferta para expiação (v.50). Em aplicações contemporâneas, isso se aproxima da atitude de avaliar grandes projetos, crises vencidas ou períodos intensos, reconhecer que a preservação e os resultados não dependem apenas de esforço humano, e responder com gratidão concreta, ajustes de rota e compromisso renovado. Vitória, na perspectiva bíblica, não é pretexto para orgulho, mas oportunidade para rever prioridades à luz de Deus.
Números 31 lança luz sobre dimensões profundas da relação entre Deus, pecado, juízo e preservação da vida. No centro do capítulo está a lembrança de Peor (v.16), onde o povo se desviou para a idolatria. A guerra contra Midiã, com toda sua dureza, aparece como resposta de um Deus que leva a sério o que destrói a comunhão com Ele. Em termos espirituais, isso revela que a infidelidade a Deus não é algo superficial: é ruptura de aliança, adoecimento espiritual que contamina toda a comunidade. Ao mesmo tempo, há um traço de cuidado na narrativa: os homens de guerra retornam sem perdas (v.49). Em meio a juízo, há preservação. Os oficiais, conscientes disso, trazem ouro “para fazer expiação pelas nossas almas perante o Senhor” (v.50). Eles entenderam que, mesmo poupados, permanecem dependentes de expiação. Essa consciência é central na espiritualidade bíblica: ninguém se apresenta diante de Deus apenas com méritos; todos precisam de reconciliação. As leis de purificação (v.19-24) lembram que o contato com a morte marca as pessoas e as coisas, pedindo um processo de retorno à santidade. Espírito e corpo, culto e cotidiano, tudo é atravessado por essa necessidade de ser purificado. Em perspectiva mais ampla da revelação bíblica, isso aponta para a realidade de que a humanidade inteira vive em um mundo marcado pela morte e pelo pecado, e necessita de um caminho de purificação mais profundo e definitivo. O memorial de ouro levado à tenda (v.54) encerra o capítulo com um símbolo de memória espiritual. O povo carrega para o lugar da presença de Deus a lembrança de uma guerra, de juízo e de proteção. A história não é apagada; é colocada diante de Deus. No horizonte da fé, essa dinâmica encontra cumprimento pleno em Cristo, onde juízo e misericórdia se encontram na cruz. O Deus que julga o pecado é o mesmo que oferece expiação perfeita. Assim, mesmo textos difíceis como este contribuem para formar uma consciência espiritual séria sobre a gravidade do mal e, ao mesmo tempo, uma esperança profunda na graça que preserva, purifica e reconcilia.
" E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: "
" Vinga os filhos de Israel dos midianitas; depois recolhido serás ao teu povo. "
" Falou, pois, Moisés ao povo, dizendo: Armem-se alguns de vós para a guerra, e saiam contra os midianitas, para fazerem a vingança do Senhor contra eles. "
" Mil de cada tribo, entre todas as tribos de Israel, enviareis à guerra. "
" Assim foram dados, dos milhares de Israel, mil de cada tribo; doze mil armados para a peleja. "
" E Moisés os mandou à guerra, mil de cada tribo, e com eles Finéias, filho de Eleazar, o sacerdote, com os vasos do santuário, e com as trombetas do alarido na sua mão. "
" E pelejaram contra os midianitas, como o Senhor ordenara a Moisés; e mataram a todos os homens. "
" Mataram também, além dos que já haviam sido mortos, os reis dos midianitas: a Evi, e a Requém, e a Zur, e a Hur, e a Reba, cinco reis dos midianitas; também a Balaão, filho de Beor, mataram à espada. "
" Porém, os filhos de Israel levaram presas as mulheres dos midianitas e as suas crianças; também levaram todos os seus animais e todo o seu gado, e todos os seus bens. "
" E queimaram a fogo todas as suas cidades com todas as suas habitações e todos os seus acampamentos. "
" E tomaram todo o despojo e toda a presa de homens e de animais. "
" E trouxeram a Moisés e a Eleazar, o sacerdote, e à congregação dos filhos de Israel, os cativos, e a presa, e o despojo, para o arraial, nas campinas de Moabe, que estão junto ao Jordão, na altura de Jericó. "
" Porém Moisés e Eleazar, o sacerdote, e todos os príncipes da congregação, saíram a recebê-los fora do arraial. "
" E indignou-se Moisés grandemente contra os oficiais do exército, capitães dos milhares e capitães das centenas, que vinham do serviço da guerra. "
" E Moisés disse-lhes: Deixastes viver todas as mulheres? "
" Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, deram ocasião aos filhos de Israel de transgredir contra o Senhor no caso de Peor; por isso houve aquela praga entre a congregação do Senhor. "
" Agora, pois, matai todo o homem entre as crianças, e matai toda a mulher que conheceu algum homem, deitando-se com ele. "
" Porém, todas as meninas que não conheceram algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós. "
" E alojai-vos sete dias fora do arraial; qualquer que tiver matado alguma pessoa, e qualquer que tiver tocado algum morto, ao terceiro dia, e ao sétimo dia vos purificareis, a vós e a vossos cativos. "
" Também purificareis toda a roupa, e toda a obra de peles, e toda a obra de pêlos de cabras, e todo o utensílio de madeira. "
" E disse Eleazar, o sacerdote, aos homens da guerra, que foram à peleja: Este é o estatuto da lei que o Senhor ordenou a Moisés. "
" Contudo o ouro, e a prata, o cobre, o ferro, o estanho, e o chumbo, "
" Toda a coisa que pode resistir ao fogo, fareis passar pelo fogo, para que fique limpa, todavia se purificará com a água da purificação; mas tudo que não pode resistir ao fogo, fareis passar pela água. "
" Também lavareis as vossas roupas ao sétimo dia, para que fiqueis limpos; e depois entrareis no arraial. "
" Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: "
" Faze a soma da presa que foi tomada, de homens e de animais, tu e Eleazar, o sacerdote, e os cabeças das casas dos pais da congregação, "
" E divide a presa em duas metades, entre os que se armaram para a peleja, e saíram à guerra, e toda a congregação. "
" Então para o Senhor tomarás o tributo dos homens de guerra, que saíram a esta peleja, de cada quinhentos uma alma, dos homens, e dos bois, e dos jumentos e das ovelhas. "
" Da sua metade o tomareis, e o dareis ao sacerdote Eleazar, para a oferta alçada do Senhor. "
" Mas, da metade dos filhos de Israel, tomarás um de cada cinqüenta, um dos homens, dos bois, dos jumentos, e das ovelhas, e de todos os animais; e os darás aos levitas que têm cuidado da guarda do tabernáculo do Senhor. "
" E fizeram Moisés e Eleazar, o sacerdote, como o Senhor ordenara a Moisés. "
" Foi a presa, restante do despojo que tomaram os homens de guerra, seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas; "
" E setenta e dois mil bois; "
" E sessenta e um mil jumentos; "
" E, das mulheres que não conheceram homem algum, deitando-se com ele, todas as almas foram trinta e duas mil. "
" E a metade, que era a porção dos que saíram à guerra, foi em número de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas. "
" E das ovelhas, o tributo para o Senhor foi de seiscentas e setenta e cinco. "
" E foram os bois trinta e seis mil; e o seu tributo para o Senhor setenta e dois. "
" E foram os jumentos trinta mil e quinhentos; e o seu tributo para o Senhor sessenta e um. "
" E houve de pessoas dezesseis mil; e o seu tributo para o Senhor trinta e duas pessoas. "
" E deu Moisés a Eleazar, o sacerdote, o tributo da oferta alçada do Senhor, como o Senhor ordenara a Moisés. "
" E da metade dos filhos de Israel que Moisés separara da dos homens que pelejaram, "
" (A metade para a congregação foi, das ovelhas, trezentas e trinta e sete mil e quinhentas; "
" E dos bois trinta e seis mil; "
" E dos jumentos trinta mil e quinhentos; "
" E das pessoas, dezesseis mil). "
" Desta metade dos filhos de Israel, Moisés tomou um de cada cinqüenta, de homens e de animais, e os deu aos levitas, que tinham cuidado da guarda do tabernáculo do Senhor, como o Senhor ordenara a Moisés. "
" Então chegaram-se a Moisés os oficiais que estavam sobre os milhares do exército, os chefes de mil e os chefes de cem; "
" E disseram a Moisés: Teus servos tomaram a soma dos homens de guerra que estiveram sob as nossas ordens; e não falta nenhum de nós. "
" Por isso trouxemos uma oferta ao Senhor, cada um o que achou, objetos de ouro, cadeias, ou manilhas, anéis, arrecadas, e colares, para fazer expiação pelas nossas almas perante o Senhor. "
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