Números 21 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Números 21 na sua vida hoje

35 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Números 21?

Números 21 narra uma etapa decisiva da caminhada de Israel rumo à Terra Prometida. O capítulo mostra batalhas vencidas, mas também murmuração, disciplina divina e restauração. Israel faz um voto ao Senhor e derrota o rei cananeu de Arade; em seguida, ao reclamar do deserto e do maná, o povo é ferido por serpentes ardentes, até que Deus provê cura por meio de uma serpente de metal levantada por Moisés. Depois são registrados novos acampamentos, um cântico de gratidão pela água no deserto e as vitórias sobre Siom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã, com a posse de suas terras.

Temas principais em Números 21

Murmuração, disciplina e arrependimento (versículos 4-9)

A angústia da jornada leva o povo a falar contra Deus e contra Moisés, desprezando até o maná. As serpentes ardentes são juízo direto, mas o povo reconhece o pecado, procura Moisés e encontra misericórdia quando se volta para o remédio que Deus provê.

Versículos-chave: 5, 7

Salvação mediante olhar de fé (versículos 8-9)

A serpente de metal levantada num poste se torna sinal de cura: quem, picado, olha para ela vive. Não há remédio humano, apenas confiança obediente na provisão de Deus, apontando para a lógica da fé que recebe vida ao se voltar para o que Deus levantou.

Versículos-chave: 8, 9

Fidelidade de Deus na jornada (versículos 1-3, 10-20, 21-35)

Apesar da instabilidade do povo, Deus continua guiando, dando vitórias sobre inimigos, provendo água e estabelecendo Israel na terra dos amorreus. O cântico do poço celebra que até no deserto o Senhor abre fontes.

Versículos-chave: 3, 16, 17, 34

Transição do deserto para a conquista (versículos 21-35)

As vitórias sobre Siom e Ogue marcam a passagem de uma geração errante para um povo que começa a tomar posse da herança prometida. As conquistas a leste do Jordão preparam o cenário para a entrada em Canaã.

Versículos-chave: 24, 31, 35

Contexto histórico e literario

Números 21 situa-se na fase final da peregrinação de Israel pelo deserto, após muitos anos desde a saída do Egito. A geração que saiu do Egito está quase toda desaparecendo, e uma nova geração começa a se preparar para entrar na Terra Prometida. Israel se move ao redor de Edom, porque esse povo havia negado passagem anteriormente, obrigando um caminho mais longo e cansativo. Arade era um rei cananeu do Neguebe, região sul de Canaã, que se sentiu ameaçado e atacou Israel, levando prisioneiros. A derrota desse rei e a destruição de suas cidades levaram ao nome “Hormá”, ligado à ideia de destruição consagrada. O episódio das serpentes ardentes acontece nesse contexto de fadiga e insatisfação, quando o povo reclama da falta de comida e água e despreza o maná. Mais adiante, o texto registra estações da marcha (Obote, Ije-Abarim, Zerede, Arnom, Beer, Mataná, Naaliel, Bamote, Pisga), mostrando a aproximação de Moabe. O “livro das guerras do Senhor” mencionado parece ser uma antiga coleção de cânticos ou relatos militares que já circulava entre o povo. Siom, rei dos amorreus, havia tomado terras de Moabe e reinava em Hesbom; ao recusar a passagem de Israel e atacar, perde todo o seu território para Israel. Em seguida, Ogue, rei de Basã, célebre por seu reino e fortificações, também enfrenta Israel e é derrotado. Essas vitórias, registradas com provérbios e cânticos, fixam a ideia de que Deus está entregando nações poderosas àquele povo recém-saído do deserto.

Estrutura de Números 21

O capítulo pode ser organizado em quatro blocos literários principais:

  1. Conflito com o rei de Arade e voto de Hormá (21.1-3)
    Breve relato militar: ataque de Arade, voto de Israel, resposta divina e destruição das cidades, encerrado com a nomeação do lugar como Hormá.

  2. Murmuração, serpentes ardentes e serpente de metal (21.4-9)
    Narrativa de crise espiritual: cansaço do povo, queixa contra Deus e Moisés, juízo pelas serpentes, arrependimento coletivo, intercessão de Moisés e provisão de cura por meio da serpente levantada.

  3. Etapas da jornada e cântico do poço (21.10-20)
    Lista de acampamentos, referência ao “livro das guerras do Senhor” e um pequeno cântico de louvor pela provisão de água em Beer. O tom aqui é de lembrança e celebração no meio do deserto.

  4. Conflitos e conquistas contra Siom e Ogue (21.21-35)
    a) Pedido formal de passagem recusado por Siom, batalha e conquista da terra dos amorreus, ilustrada por um cântico/provérbio a respeito de Hesbom (21.21-32).
    b) Avanço rumo a Basã, enfrentando Ogue. Com promessa divina de vitória, Israel destrói totalmente o rei e seu povo e toma sua terra (21.33-35).

O texto alterna entre narrativa simples, registros de itinerário, citações de escritos antigos e pequenos cânticos, compondo um quadro da transição do deserto para a conquista.

Significado teológico

Teologicamente, Números 21 destaca o caráter de Deus como justo e misericordioso, além de reforçar a fidelidade às promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. A murmuração do povo, especialmente o desprezo ao maná, revela incredulidade ante a provisão de Deus. As serpentes ardentes simbolizam juízo: o pecado tem consequências reais, e Deus não banaliza a rebeldia contra si. No entanto, o mesmo Deus que disciplina oferece cura. A serpente de metal sobre a haste é um meio de salvação paradoxal: algo que representa o juízo (serpente) se torna instrumento de vida quando obedecidamente contemplado. A cura não vem pela arte humana, mas pela obediência confiada à palavra de Deus. Esse princípio de graça mediada pela fé é central em toda a Escritura.

As vitórias sobre Arade, Siom e Ogue reforçam a soberania de Deus sobre as nações. Reis estabelecidos, com cidades e fortalezas, são entregues nas mãos de um povo que até pouco tempo era escravo. O Senhor dirige a história, decide limites de terras e derruba poderes que se opõem ao seu propósito. O cântico do poço e as menções ao “livro das guerras do Senhor” mostram que a caminhada do povo de Deus é marcada não só por lutas, mas por memória litúrgica: a comunidade grava em cânticos o que Deus faz, para que as gerações seguintes se lembrem.

O capítulo também enfatiza que a herança prometida passa por conflito. A fidelidade de Deus não elimina a necessidade de batalhas, mas garante que, quando o seu povo confia e obedece, nenhuma oposição pode impedir o cumprimento do plano divino.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo oferece material rico para reflexão terapêutica sobre queixa crônica, frustração com o caminho da vida e a experiência de disciplina e restauração. A angústia do povo “naquele caminho” ecoa momentos em que a jornada pessoal parece longa demais, cansativa e sem sentido. A reação deles, de reclamar e desvalorizar o que têm, mostra como o sofrimento pode distorcer a percepção da realidade e levar à ingratidão. A presença das serpentes ardentes ilustra o impacto destrutivo de atitudes repetidas de amargura e rebeldia interior.

Ao mesmo tempo, há um movimento de cura emocional e espiritual. O povo reconhece o erro, procura ajuda por meio da intercessão de Moisés e aceita o caminho de restauração proposto por Deus. O gesto de “olhar para a serpente de metal” se torna uma imagem de deslocar o foco da dor para a esperança que Deus oferece. Em termos de cuidado emocional, isso aponta para a importância de admitir falhas, buscar apoio, aceitar correção e aprender a olhar para além do sintoma imediato.

O cântico do poço no meio do deserto sugere a força terapêutica da gratidão e da celebração mesmo em contextos áridos. Já as vitórias contra reinos poderosos ilustram que situações e estruturas que pareciam intransponíveis podem, com o tempo, ser transformadas, o que fortalece a sensação de que a história pessoal não está condenada a repetir apenas derrotas.

warning Importante: maus usos comuns

O texto toca em temas que podem ser sensíveis para algumas pessoas: juízo divino, morte em grande escala e imagens de serpentes que matam. Quem lida com ansiedade intensa, fobias específicas ou traumas ligados a punição severa pode sentir-se abalado por essas descrições. A experiência de disciplina de Deus pode ser facilmente confundida com castigos abusivos sofridos no passado, o que exige cuidado para não projetar figuras humanas destrutivas sobre o caráter de Deus.

Também aparece o risco de uma leitura que interpreta qualquer sofrimento pessoal como punição direta de Deus, o que pode agravar sentimentos de culpa patológica ou desespero. A derrota total de povos inteiros pode reabrir feridas ligadas a violência, guerra ou perda de familiares. Em contextos de sofrimento emocional intenso, a leitura desse texto se beneficia de acompanhamento pastoral ou terapêutico sensível, ajudando a distinguir entre disciplina amorosa, consequências naturais das escolhas e agressões injustas que não representam a vontade de Deus.

Aplicação prática para hoje

Números 21 inspira aplicações práticas para a vida diária em diversas áreas:

  1. Cuidar da atitude no meio do cansaço
    O povo se angustiou “naquele caminho” e, cansado, passou a reclamar de tudo. Em momentos de desgaste, é importante reconhecer o cansaço, mas também vigiar a forma como se fala de Deus, da vida e das pessoas. Desenvolver uma disciplina de gratidão, ainda que simples, ajuda a não cair em murmuração destrutiva.

  2. Reconhecer a própria responsabilidade
    Quando percebem o erro, os israelitas dizem: “Havemos pecado”. Em conflitos, é valioso sair da postura de vítima permanente e admitir a própria parte nas atitudes e palavras que pioram a situação. Isso abre espaço para reconciliação e mudanças reais.

  3. Buscar ajuda e intercessão
    O povo procura Moisés para que ore. De forma semelhante, em períodos de dor e confusão, faz diferença procurar pessoas maduras espiritualmente, mentores, conselheiros ou irmãos de confiança para compartilhar a luta e pedir apoio em oração.

  4. Aprender a “olhar” para o que Deus provê
    A cura vinha quando a pessoa olhava para a serpente de metal. Na prática, isso lembra a importância de direcionar a mente e o coração para as promessas de Deus, para a verdade da Palavra e para sinais concretos da sua graça, em vez de ficar preso apenas ao problema.

  5. Celebrar pequenos poços no deserto
    O cântico do poço mostra um povo que canta porque encontrou água. Valorizar provisões pequenas – um relacionamento fiel, um trabalho simples, uma palavra de encorajamento – sustenta a esperança no “deserto” da rotina.

  6. Enfrentar desafios com base em promessas
    Nas batalhas contra Siom e Ogue, a palavra de Deus a Moisés é: “Não o temas, porque eu o tenho dado na tua mão”. Lembrar-se de promessas bíblicas fortalece a coragem para enfrentar conversas difíceis, decisões de mudança e obstáculos que parecem maiores do que a própria capacidade.

  7. Registrar vitórias e aprendizados
    Cânticos, provérbios e livros de guerras registravam o agir de Deus. Praticamente, isso pode significar escrever diários, registrar testemunhos, ou simplesmente revisitar memórias de livramentos, para alimentar a confiança em meio a novos desafios.

Perguntas frequentes

O que foram as serpentes ardentes em Números 21?

As serpentes ardentes eram serpentes venenosas enviadas pelo Senhor como juízo sobre Israel por causa da murmuração e da rejeição ao maná. O texto enfatiza que o povo havia falado contra Deus e contra Moisés, e o resultado foi a presença dessas serpentes no acampamento, causando muitas mortes. O termo “ardentes” pode se referir tanto à cor das serpentes quanto ao efeito ardente do veneno. Elas simbolizam as consequências dolorosas da rebeldia, mas também servem de cenário para a revelação da misericórdia de Deus por meio da serpente de metal que trazia cura a quem olhasse para ela em fé.

Qual o significado da serpente de metal levantada por Moisés?

A serpente de metal, colocada sobre uma haste, foi a forma específica de cura que Deus determinou. Aquele que tivesse sido picado por uma serpente e olhasse para a serpente de metal viveria. O poder não estava no objeto em si, mas na obediência à palavra de Deus e na confiança na sua provisão. A serpente, que representa o problema (o juízo), é transformada em sinal de restauração, mostrando que Deus pode usar até o símbolo da dor como ponto de encontro com a sua graça. Em toda a tradição bíblica, esse episódio se torna um exemplo de salvação recebida pela fé em uma provisão que Deus mesmo levanta.

Por que Israel pediu passagem a Siom em vez de simplesmente conquistar a terra?

Israel, ao se aproximar da região dos amorreus, pede a Siom apenas o direito de passagem, comprometendo-se a não usar os recursos da terra (campos, vinhas, poços). Esse pedido demonstra que, naquele momento, não havia intenção inicial de guerra com Siom; o objetivo principal era avançar rumo à Terra Prometida. A recusa de Siom e a iniciativa de ataque contra Israel levam ao conflito. Assim, a conquista da terra de Siom é apresentada como resultado da hostilidade dele e como parte do agir de Deus, que transforma uma resistência humana em ocasião para ampliar a herança de Israel.

O que é o “livro das guerras do Senhor” mencionado em Números 21?

O “livro das guerras do Senhor” parece ser uma coleção antiga de relatos ou cânticos sobre intervenções de Deus em batalhas a favor do seu povo. Não se trata de um livro preservado no cânon bíblico, mas de um registro histórico ou poético que circulava na época. A citação mostra que os feitos de Deus eram documentados e celebrados em outras fontes, e o autor de Números aproveita esse material para lembrar que a história de Israel se insere num quadro maior de ações poderosas do Senhor em favor do seu povo.

Qual a importância das vitórias sobre Siom e Ogue para a história de Israel?

As vitórias sobre Siom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã, são marcos importantes porque estabelecem Israel em territórios significativos a leste do Jordão, antes mesmo da entrada em Canaã propriamente dita. Essas conquistas mostram que Deus já está cumprindo sua promessa de dar a terra ao povo, fortalecem a confiança de Israel e servem como testemunho às nações vizinhas de que o Senhor está com aquele povo. Além disso, as terras de Siom e Ogue se tornam herança de algumas tribos de Israel, integrando-se permanentemente à história da ocupação da Terra Prometida.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Números 21 retrata um povo cansado, angustiado pelo caminho, que chega ao ponto de desprezar até o alimento que Deus lhes dá. A dor deles não é negada: o texto diz que a alma do povo se angustia. Esse reconhecimento é importante, porque a caminhada longa, de fato, pesa. Mas, no meio desse peso, surgem palavras duras contra Deus e contra Moisés, e a história mostra como isso fere a relação com o Senhor. As serpentes ardentes são uma imagem forte de como, às vezes, a amargura e a rebeldia vão deixando feridas por toda parte. A boa notícia é que o povo, ferido e assustado, consegue dizer: “Havemos pecado”. Há um ponto de virada quando se admite que a dor existe, mas que também é preciso rever atitudes. Moisés, que tantas vezes foi alvo de críticas, ora por esse povo, mostrando o coração de alguém que ama mesmo quando é incompreendido. A cena da serpente de metal levantada é especialmente consoladora: no meio da dor, Deus não se afasta; Ele abre um caminho de cura. Quem olha para aquilo que Ele mandou levantar encontra vida. Existe espaço, aqui, para perceber que, mesmo depois de escolhas ruins, o coração pode ser restaurado. O cântico do poço, mais à frente, mostra esse mesmo povo cantando porque encontrou água. Entre lágrimas, queixas e correções, o Senhor ainda faz brotar fontes no deserto. O capítulo termina com vitórias que pareciam impossíveis, lembrando que temporadas de sofrimento não são o fim da história de quem caminha com Deus.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Números 21 é um ponto de transição entre a fase errante no deserto e o início concreto da conquista territorial. A estrutura alterna relatos de murmuração e disciplina (vv.4-9), itinerários com referências litúrgicas e históricas (vv.10-20) e narrativas de guerra (vv.1-3; 21-35). O uso de nomes como “Hormá” reforça uma teologia da consagração total ao Senhor, inclusive no juízo contra povos hostis. O episódio das serpentes ardentes é teologicamente denso. Ele articula pecado (fala contra Deus e contra o líder), juízo (enviadas as serpentes), intercessão (Moisés ora) e um meio de graça paradoxal (a serpente de metal). O remédio não é eliminação imediata das serpentes, mas a oferta de vida a quem olhar, em obediência, para o sinal erguido. A lógica é de fé mediada por um sinal estabelecido por Deus, não por técnicas humanas. A menção posterior desse episódio em outras partes da revelação bíblica reforça o seu valor tipológico como figura de salvação recebida pela fé. Os versículos 10–20 funcionam como um trecho quase “diário de viagem”, incluindo o cântico do poço e a referência ao “livro das guerras do Senhor”. Isso indica que Números dialoga com tradições literárias prévias, incorporando cânticos e provérbios à narrativa. As conquistas sobre Siom e Ogue consolidam uma teologia da terra: Deus é quem concede e remove fronteiras, e sua promessa patriarcal se concretiza na história por meio de guerras que Ele mesmo dirige. A recusa de Siom em permitir a passagem justifica a guerra, apresentando Israel não como agressor gratuito, mas como povo que responde a uma hostilidade. A repetição da fórmula “não o temas, porque eu o tenho dado na tua mão” mostra que, para o narrador, a soberania de Deus sobre os eventos militares é a chave interpretativa da conquista.

Life
Life

Números 21 expõe comportamentos muito humanos em situações de pressão e cansaço. O povo está cansado do caminho, o que é compreensível, mas transforma o cansaço em desrespeito, reclamação constante e desprezo pelo que tem. Em termos práticos, isso mostra como, na rotina da vida – trabalho, família, responsabilidades – o desgaste pode virar terreno fértil para palavras destrutivas e decisões impulsivas. Aprender a reconhecer o limite pessoal antes de explodir, a pedir ajuda e a expressar insatisfação com respeito é um passo importante para não produzir “serpentes” ao redor: conflitos, mágoas e rupturas desnecessárias. O caminho de restauração passa por três gestos concretos que aparecem no texto: reconhecer o erro, procurar alguém maduro para pedir ajuda (no caso, Moisés) e seguir a orientação dada, mesmo que pareça estranha ou simples demais (olhar para a serpente de metal). Isso se traduz, hoje, em assumir responsabilidade pelas próprias palavras, buscar conselhos de gente experiente e estar disposto a praticar mudanças reais, não apenas falar sobre elas. O cântico do poço revela o valor de celebrar provisões em meio a um cenário duro. Em vez de focar apenas na aridez do deserto, o povo canta quando encontra água. Na prática, isso inspira a cultivar hábitos de gratidão: registrar conquistas, agradecer por recursos básicos, reconhecer ajuda recebida. Já as vitórias contra Siom e Ogue falam sobre enfrentar grandes desafios com planejamento e confiança: Israel tenta o caminho da negociação, mas, diante da recusa e da agressão, precisa lutar. Há momentos em que manter a paz exige firmeza, limites claros e coragem, sempre confiando que, se a causa é justa e está alinhada com o propósito de Deus, Ele mesmo abre portas que pareciam fechadas.

Soul
Soul

Espiritualmente, Números 21 mostra um movimento profundo: de uma alma angustiada e murmuradora para um povo que, pouco a pouco, começa a tomar posse do que Deus prometeu. A angústia do caminho é real, mas ela revela o que há no coração: confiança ou incredulidade. A murmuração constante não é apenas um desabafo emocional; é sintoma de um coração que já não crê que Deus sabe o que faz. As serpentes ardentes simbolizam o veneno do pecado que corrói por dentro. O fato de Deus oferecer cura por meio de uma serpente levantada sobre uma haste mostra que Ele mesmo provê um ponto de foco para a fé, algo para onde a alma pode se voltar em meio ao desespero. Aquele que estava condenado à morte encontra vida quando olha para aquilo que Deus estabeleceu como caminho de salvação. Esse olhar não é mero ato físico; é entrega interior, reconhecimento de que não há outro recurso. O cântico do poço, brotando em pleno deserto, ilustra a espiritualidade que aprende a louvar não apenas quando tudo se resolveu, mas já no meio da travessia. E as vitórias sobre reinos estabelecidos indicam que, na jornada espiritual, existem “poderes” que parecem inabaláveis – hábitos, medos, estruturas de pecado –, mas que são derrubados quando a pessoa caminha em aliança com Deus. Essa passagem convida a ver a vida com Deus como uma peregrinação onde, mesmo passando por correções dolorosas, a história aponta para herança, plenitude e descanso em Sua presença.

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Versículos em Números 21

Números 21:1

" Ouvindo o cananeu, rei de Arade, que habitava para o lado sul, que Israel vinha pelo caminho dos espias, pelejou contra Israel, e dele levou alguns prisioneiros. "

Números 21:2

" Então Israel fez um voto ao Senhor, dizendo: Se de fato entregares este povo na minha mão, destruirei totalmente as suas cidades. "

Números 21:3

" O Senhor, pois, ouviu a voz de Israel, e lhe entregou os cananeus; e os israelitas destruíram totalmente, a eles e às suas cidades; e o nome daquele lugar chamou Hormá. "

Números 21:4

" Então partiram do monte Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom; porém a alma do povo angustiou-se naquele caminho. "

Números 21:5

" E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil. "

Números 21:7

" Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo. "

Números 21:8

" E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela. "

Números 21:9

" E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia. "

Números 21:11

" Depois partiram de Obote e alojaram-se nos outeiros de Ije-Abarim, no deserto que está defronte de Moabe, ao nascente do sol. "

Números 21:13

" E dali partiram e alojaram-se no lado de Arnom, que está no deserto e sai dos termos dos amorreus; porque Arnom é o termo de Moabe, entre Moabe e os amorreus. "

Números 21:18

" Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo, e o legislador com os seus bordões; e do deserto partiram para Mataná; "

Números 21:22

" Deixa-me passar pela tua terra; não nos desviaremos pelos campos nem pelas vinhas; as águas dos poços não beberemos; iremos pela estrada real até que passemos os teus termos. "

Números 21:23

" Porém Siom não deixou passar a Israel pelos seus termos; antes Siom congregou todo o seu povo, e saiu ao encontro de Israel no deserto, e veio a Jaza, e pelejou contra Israel. "

Números 21:24

" Mas Israel o feriu ao fio da espada, e tomou a sua terra em possessão, desde Arnom até Jaboque, até aos filhos de Amom; porquanto o termo dos filhos de Amom era forte. "

Números 21:26

" Porque Hesbom era cidade de Siom, rei dos amorreus, que tinha pelejado contra o precedente rei dos moabitas, e tinha tomado da sua mão toda a sua terra até Arnom. "

Números 21:28

" Porque fogo saiu de Hesbom, e uma chama da cidade de Siom; e consumiu a Ar dos moabitas, e os senhores dos altos de Arnom. "

Números 21:29

" Ai de ti, Moabe! perdido és, povo de Quemos! entregou seus filhos, que iam fugindo, e suas filhas, como cativas a Siom, rei dos amorreus. "

Números 21:32

" Depois mandou Moisés espiar a Jazer, e tomaram as suas aldeias, e daquela possessão lançaram os amorreus que estavam ali. "

Números 21:33

" Então viraram-se, e subiram o caminho de Basã; e Ogue, rei de Basã, saiu contra eles, ele e todo o seu povo, à peleja em Edrei. "

Números 21:34

" E disse o Senhor a Moisés: Não o temas, porque eu o tenho dado na tua mão, a ele, e a todo o seu povo, e a sua terra, e far-lhe-ás como fizeste a Siom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom. "

Números 21:35

" E de tal maneira o feriram, a ele e a seus filhos, e a todo o seu povo, que nenhum deles escapou; e tomaram a sua terra em possessão. "

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