Isaías 21 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Isaías 21 na sua vida hoje

17 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Isaías 21?

Isaías 21 reúne três oráculos de juízo: contra a Babilônia, contra Dumá (Edom) e contra a Arábia, especialmente Quedar. O profeta descreve visões angustiantes de destruição que o abalam profundamente, enquanto sentinelas vigiam e anunciam a queda de grandes potências. Ao mesmo tempo, o texto mostra que Deus governa a história, determina prazos e derruba a glória humana, por mais segura que pareça.

Temas principais em Isaías 21

Queda inevitável de poderes orgulhosos (versículos Isaías 21:2, 9, 16-17)

Babilônia, símbolo de grandeza e soberba, cai de forma repentina, e suas imagens são quebradas. A glória de Quedar também é reduzida. Nenhum poder humano, por mais forte, permanece diante do juízo de Deus.

Versículos-chave: 2, 9, 16, 17

Deus como Senhor da história e do tempo (versículos Isaías 21:2, 10, 16-17)

O Senhor determina quem se levanta e quem cai, estabelece até o tempo do juízo: “dentro de um ano, como os anos de jornaleiro”. A história das nações não é aleatória; está sob o governo do Deus de Israel.

Versículos-chave: 2, 10, 16, 17

A vigilância espiritual da sentinela (versículos Isaías 21:6-9, 11-12)

A imagem da sentinela na torre de vigia mostra a responsabilidade de ver, discernir e anunciar o que Deus revela. A sentinela observa com atenção, persevera dia e noite e proclama fielmente a mensagem recebida.

Versículos-chave: 6, 7, 8, 9, 11, 12

Angústia do profeta diante do juízo (versículos Isaías 21:3-4)

Isaías não fala friamente sobre o juízo. Ele sente dores como de parto, fica abalado, aterrorizado pela visão. O juízo de Deus o impacta emocionalmente, revelando um coração sensível ao sofrimento humano.

Versículos-chave: 3, 4

Hospitalidade em meio à guerra e ao exílio (versículos Isaías 21:13-15)

Enquanto muitos fogem da guerra, alguns são chamados a levar água e pão aos fugitivos. Em meio ao cenário de violência, surge um chamado à misericórdia e cuidado com os necessitados.

Versículos-chave: 13, 14, 15

Contexto histórico e literario

Isaías 21 se insere no conjunto de oráculos contra as nações (Is 13–23). O primeiro oráculo (vv. 1–10), sobre o “deserto do mar”, é entendido por muitos estudiosos como referência à Babilônia. A expressão pode aludir à região alagadiça ao redor de Babilônia ou ser uma forma poética de falar de uma potência instável e ameaçadora. A menção a Elão e Média (v. 2) aponta para povos do leste que, em períodos posteriores, foram usados para derrubar o poder babilônico.

O profeta descreve o juízo como uma invasão repentina que atinge uma Babilônia distraída, banqueteando-se (v. 5). A sentinela deve observar os carros e cavaleiros, sinais de exércitos em marcha. Quando vê o que Deus havia anunciado, proclama: “Caída é Babilônia” (v. 9).

O segundo oráculo (vv. 11–12) é dirigido a Dumá, termo ligado à região de Edom e Seir. A cena apresenta alguém clamando ao guarda sobre “a noite”, imagem de sofrimento, opressão ou juízo. A resposta é enigmática: a manhã vem, mas também a noite, sugerindo que algum alívio poderia chegar, porém não de forma definitiva.

O terceiro oráculo (vv. 13–17) é contra a Arábia, com destaque a Dedã, Tema e Quedar, tribos e regiões ligadas aos árabes nômades no deserto ao leste e sudeste de Israel. O texto descreve fugitivos da guerra, necessitados de água e pão. Quedar, conhecida por seus guerreiros arqueiros e rebanhos, terá sua glória reduzida em pouco tempo: “dentro de um ano, como os anos de jornaleiro” (v.16), uma imagem de tempo contado com precisão.

Assim, Isaías 21 reflete um período de intensas tensões geopolíticas, em que impérios cresciam e caíam rapidamente. O profeta interpreta esses movimentos não apenas como eventos políticos, mas como parte do juízo e do governo soberano de Deus sobre as nações.

Estrutura de Isaías 21

Isaías 21 apresenta uma estrutura poética e profética, com imagens fortes e linguagem simbólica:

  1. Oráculo contra Babilônia (21:1-10)

    • v.1: Introdução: “Peso do deserto do mar” – anúncio de juízo em forma de tempestade.
    • v.2: Visão do traidor e do destruidor, convocação de Elão e Média.
    • vv.3-4: Reação pessoal de Isaías: angústia, dor e temor.
    • v.5: Cena de banquete e alerta às autoridades: “levantai-vos, príncipes”.
    • vv.6-7: Ordem do Senhor para colocar uma sentinela e o que ela deve observar.
    • v.8: A sentinela fala: vigilância constante dia e noite.
    • v.9: A visão confirmada: chegada do carro e anúncio da queda de Babilônia.
    • v.10: Palavra de encerramento, dirigida à “malhada” e “trigo da eira”, com ênfase na fidelidade à mensagem recebida de Deus.
  2. Oráculo sobre Dumá/Edom (21:11-12)

    • v.11: Clamor vindo de Seir, questionando a sentinela sobre a noite.
    • v.12: Resposta curta e enigmática, combinando esperança (manhã) e persistência da adversidade (noite), com convite a voltar e perguntar de novo.
  3. Oráculo contra a Arábia e Quedar (21:13-17)

    • v.13: Introdução: “Peso contra Arábia” e menção aos viandantes de Dedanim.
    • v.14: Convocação para prover água e pão aos fugitivos.
    • v.15: Motivo da fuga: guerra, espada e arco.
    • v.16: Declaração temporal específica: em um ano, a glória de Quedar desaparecerá.
    • v.17: Resultado: diminuição dos flecheiros e dos poderosos de Quedar, confirmada pela palavra do Senhor Deus de Israel.

A linguagem do capítulo alterna entre narração, discurso divino, lamento do profeta e diálogos breves (como entre a voz que pergunta e a sentinela), criando um clima de tensão e vigilância contínua. As metáforas do deserto, da noite, da guerra e da colheita reforçam o impacto do juízo.

Significado teológico

Teologicamente, Isaías 21 reforça que o Senhor é soberano sobre todas as nações, não apenas sobre Israel. Babilônia, Dumá/Edom e as tribos árabes são colocadas sob o mesmo olhar julgador e cuidador de Deus. O juízo não é apresentado como explosão arbitrária de ira, mas como resposta à perfídia, à violência e à confiança em glórias humanas e ídolos.

A queda de Babilônia e a quebra das imagens (v. 9) ressaltam a inutilidade da idolatria. Deuses esculpidos não protegem ninguém quando o verdadeiro Deus age. A cena ecoa um princípio central na teologia bíblica: somente o Senhor é digno de confiança e adoração.

O envolvimento emocional de Isaías (vv. 3-4) mostra que o profeta de Deus não contempla o juízo com frieza. A revelação divina atravessa seu coração, evidenciando que a justiça de Deus não se separa de sua compaixão. O profeta sofre ao ver o que virá, ainda que reconheça a retidão do que Deus faz.

A figura da sentinela enfatiza a responsabilidade de vigiar e anunciar fielmente o que Deus revela. O profeta é chamado a uma atenção contínua, de dia e de noite, e a proclamar a verdade, por dura que seja. Isso reflete a vocação profética como serviço de fidelidade à palavra de Deus acima de interesses humanos.

O tempo determinado para o juízo sobre Quedar (vv. 16-17) evidencia que Deus controla não só os eventos, mas também os prazos. A expressão “como os anos de jornaleiro” sugere exatidão: o jornaleiro conta seus dias com cuidado; assim também Deus conta o tempo de cada nação. A história humana, com suas guerras e alianças, é vista como palco em que a vontade soberana do Senhor se cumpre.

Ao mesmo tempo, no meio dos juízos, surge o chamado à hospitalidade e cuidado com fugitivos (v.14). Isso aponta para o caráter de Deus, que se agrada de atos de misericórdia, mesmo em contextos marcados pelo juízo, e para a responsabilidade das nações e dos povos em acolher os que sofrem.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Isaías 21 traz imagens fortes de angústia, medo e instabilidade, que conversam com vivências de crise, perda e insegurança. O profeta sente dores como de parto, o coração agitado, a noite desejada se transformando em pavor. Esse retrato legitima o impacto emocional diante de notícias difíceis e tempos de guerra, luto ou ruptura.

Ao mesmo tempo, o capítulo apresenta um eixo de estabilidade: Deus observa, fala, determina limites e tempos. Nem mesmo a queda de grandes poderes escapa ao seu controle. Para a saúde emocional, essa visão oferece um fundamento para lidar com ansiedade diante de cenários que parecem fora de controle, lembrando que existe uma autoridade maior que acompanha a história.

A figura da sentinela, que vigia persistentemente, pode ser lida como metáfora de autoconsciência e vigilância interior: perceber sinais, reconhecer mudanças, não se anestesiar diante do perigo. E o chamado à hospitalidade com os fugitivos apresenta uma forma prática de enfrentar a dor coletiva: cuidar, repartir, sustentar quem está mais vulnerável.

Do ponto de vista terapêutico, o texto: - valida emoções intensas diante de ameaças; - contrapõe glórias humanas frágeis à estabilidade de Deus; - reforça a importância de reconhecer a realidade, sem negação, mas também sem desesperar; - sugere que atos de cuidado com outros sofredores podem ser resposta saudável à experiência de crise.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo contém imagens de guerra, destruição, fuga, armas (espada, arco) e queda de cidades, o que pode reativar memórias dolorosas em pessoas com histórico de traumas ligados à violência, conflitos armados ou deslocamento forçado. A linguagem de angústia extrema e “dores como de parto” pode encontrar ressonância com quem vive crises de pânico ou sofrimento intenso não elaborado.

Além disso, o foco em juízo sobre nações pode ser interpretado de forma distorcida por leituras que associem automaticamente sofrimento pessoal a punições diretas, trazendo culpa ou medo exacerbado. Outro risco é usar o texto como justificativa para hostilidade étnica ou nacionalista, vendo determinados povos como especialmente “malditos”, o que contraria a revelação bíblica mais ampla sobre o amor de Deus por todas as nações.

Para uma leitura mais segura, é importante: - diferenciar juízo histórico coletivo de experiências pessoais individuais; - evitar aplicar diretamente a condenação a grupos contemporâneos; - acolher o impacto emocional das descrições de guerra e angústia; - buscar interpretação que valorize a justiça e a misericórdia de Deus, não o medo paralisante.

Aplicação prática para hoje

Isaías 21 pode inspirar algumas aplicações práticas para a vida cotidiana:

  1. Reconhecer a fragilidade das seguranças humanas As glórias de Babilônia e Quedar caem rapidamente. Isso convida a avaliar em que se tem colocado confiança: poder, status, recursos, fama, estruturas políticas. A consciência dessa fragilidade ajuda a cultivar humildade e dependência de Deus.

  2. Cultivar vigilância e discernimento A figura da sentinela fala de atenção constante. Em termos práticos, significa desenvolver discernimento espiritual, observar os sinais de perigo moral, relacional ou espiritual, não viver distraído em meio a “banquetes” e distrações que podem preceder quedas.

  3. Levar a sério o impacto emocional das notícias Isaías não minimiza o próprio sofrimento. Isso estimula a reconhecer e nomear a angústia diante de crises, em vez de escondê-la. Em contextos de más notícias contínuas, a honestidade emocional combinada com busca de consolo em Deus contribui para um equilíbrio mais saudável.

  4. Praticar hospitalidade e solidariedade A chamada para levar água e pão aos fugitivos mostra uma forma concreta de resposta a tempos de guerra e deslocamento. Hoje, isso pode se traduzir em acolher pessoas em sofrimento, apoiar refugiados, ajudar famílias em crise e exercer generosidade em contextos de vulnerabilidade.

  5. Confiar no controle de Deus sobre o tempo O anúncio de um prazo definido para o juízo sobre Quedar lembra que o tempo pertence a Deus. Na prática, isso incentiva a suportar períodos difíceis lembrando que têm limite, e a usar o tempo com responsabilidade, sabendo que Deus vê e estabelece épocas e oportunidades.

  6. Ser fiel na comunicação da verdade A sentinela e o profeta transmitem exatamente o que Deus lhes revelou. Isso inspira compromisso com a verdade nas relações, nas responsabilidades profissionais e comunitárias: falar com honestidade, mesmo quando a mensagem é difícil, mas sempre com cuidado e senso de responsabilidade.

Perguntas frequentes

Quem é o “deserto do mar” mencionado em Isaías 21:1?

A expressão “deserto do mar” provavelmente é uma designação poética para Babilônia e sua região, que combinava áreas desérticas com zonas alagadiças por causa de rios e canais. O contexto do capítulo, especialmente o anúncio “Caída é Babilônia” no versículo 9, indica que esse oráculo de juízo está direcionado a ela, ainda que a linguagem seja simbólica.

Por que Isaías sente tanta angústia ao ver a visão do juízo?

Isaías descreve dores intensas, como de parto, e grande terror (vv. 3-4) porque enxerga tanto a justiça de Deus quanto o sofrimento humano que acompanha o juízo. Ele não se alegra com a destruição, mas se sensibiliza com as consequências. Isso revela que o profeta verdadeiro não é indiferente à dor, mesmo quando anuncia algo que vem de Deus.

Qual é o significado da sentinela em Isaías 21?

A sentinela é a figura de alguém colocado em posição de vigilância para ver e anunciar o que se aproxima. Simboliza a função profética e, de forma mais ampla, a responsabilidade de estar atento aos movimentos de Deus na história, discernir sinais de perigo ou mudança e comunicar a verdade com fidelidade, dia e noite, sem relaxar na missão recebida.

O que quer dizer a resposta enigmática: “Vem a manhã, e também a noite” (Isaías 21:12)?

Essa resposta sugere que, para Dumá/Edom, pode haver algum alívio (manhã), mas que a adversidade (noite) não está completamente afastada. Comunica a ideia de alternância entre momentos de esperança e de juízo, sem uma libertação plena e definitiva naquele momento. Também reforça que, embora haja perguntas insistentes, o tempo e a forma da intervenção de Deus permanecem em parte misteriosos.

Quem era Quedar e por que sua glória desapareceria em um ano?

Quedar era um grupo tribal árabe nômade, conhecido por seus rebanhos e por arqueiros habilidosos, mencionado em várias passagens bíblicas. Em Isaías 21:16-17, Deus anuncia que a glória de Quedar será reduzida em um período curto e definido: “dentro de um ano, como os anos de jornaleiro”. Isso enfatiza que a força militar e a fama de Quedar não a protegeriam do juízo divino, e que Deus controla até os prazos dos acontecimentos históricos.

Como o chamado para dar água e pão aos fugitivos se aplica hoje?

O convite aos moradores de Tema para socorrer fugitivos (v.14) mostra que, mesmo em cenários de juízo e guerra, Deus valoriza a compaixão e a hospitalidade. Em contextos atuais, esse princípio se aplica ao cuidado com refugiados, deslocados, pessoas em crise e vulnerabilidade, incentivando a prática de generosidade, acolhimento e apoio prático a quem foge de sofrimento e violência.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Isaías 21 revela um profeta profundamente tocado pelo que Deus lhe mostra. Suas palavras não são frias: ele fala de angústia nos lombos, de dores como parto, de um coração agitado e de uma noite que se tornou aterrorizante. Essa honestidade é importante, porque mostra que Deus não espera corações de pedra diante da dor e do juízo. Há algo consolador no fato de que a própria Escritura registra esse tipo de sofrimento interior. Os sentimentos de Isaías lembram experiências de quem recebe notícias ruins, vive tempos de guerra, instabilidade ou mudanças que parecem desmoronar tudo o que parecia sólido. O texto não repreende esse abalo; ele simplesmente o mostra, como parte do caminho de quem caminha perto de Deus em momentos sombrios. Nesse cenário, a imagem da sentinela que vigia dia e noite fala de alguém que permanece de pé, mesmo cansado. A vigilância não significa ausência de medo, mas perseverança em meio ao medo. Em vez de fugir da realidade dura, a sentinela a observa, reconhece e, ao final, proclama a verdade: “Caída é Babilônia”. Há um ponto em que a palavra de Deus se cumpre, por mais longa que pareça a noite. Também chama atenção o chamado à hospitalidade em meio à guerra: levar água e pão aos fugitivos. Isso dá um tom de ternura a um capítulo marcado por juízos. No meio do caos, Deus ainda aponta para gestos simples de cuidado. Há espaço para compaixão mesmo quando o cenário é de dor generalizada. A glória humana pode cair, mas a misericórdia continua tendo valor aos olhos de Deus. Isaías 21 mostra que o coração que sofre e o Deus justo não estão em lados opostos. O profeta sente a dor daquilo que Deus vai fazer, e essa dor é acolhida no texto. A justiça divina não apaga a compaixão; o juízo não silencia o cuidado. Entre a angústia do profeta, a vigilância da sentinela e o pão dado aos fugitivos, aparece um retrato de fé que não nega o sofrimento, mas aprende a permanecer de pé e a cuidar do outro enquanto confia que Deus continua guiando a história.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Isaías 21 é um texto complexo, com linguagem figurada e referências geopolíticas importantes. O oráculo inicial sobre o “deserto do mar” se encaixa bem no contexto maior de Isaías 13–23, um bloco de profecias contra nações específicas. A combinação de metáforas de tempestade (v.1), perfídia e destruição (v.2), seguida da referência a Elão e Média, sugere uma cena de conquista que, historicamente, encontra paralelos nas campanhas contra Babilônia. A forte reação emocional de Isaías (vv.3-4) é literariamente significativa. Ela insere a voz do profeta na própria estrutura do oráculo, lembrando ao leitor que a revelação não é meramente informativa; ela afeta profundamente o mensageiro. Isso contrasta com caricaturas de profecia como discurso distante e impessoal. Aqui, a teologia do juízo é encarnada em um sujeito que sofre ao antecipar o que virá. A cena da sentinela (vv.6-9) é construída como uma espécie de relato visionário: o Senhor dá instruções, a sentinela observa, descreve o que vê e, por fim, anuncia o cumprimento da palavra (“Caída é Babilônia”). Há, inclusive, uma progressão de sinais (carro com par de cavaleiros, carros com jumentos e camelos) que, para os ouvintes do tempo, evocariam exércitos em deslocamento. O versículo 9, com a repetição enfática da queda de Babilônia e a menção às imagens quebradas, aponta para um juízo não apenas político, mas também religioso, contra a idolatria. O breve oráculo sobre Dumá (vv.11-12) utiliza um diálogo enigmático. Dumá está associado à região de Edom, e Seir é um de seus pontos geográficos. A insistência em “o que houve de noite?” sugere uma situação de prolongada aflição. A resposta “vem a manhã, e também a noite” funciona como uma síntese paradoxal: há uma oscilação entre alívio e continuação do juízo. O convite para voltar e perguntar novamente reforça a ideia de que o entendimento pleno do agir de Deus não é imediato e que a comunidade permanece em atitude de busca. O oráculo final (vv.13-17) desloca o foco para a Arábia e seus grupos tribais. Dedanim e Tema eram regiões de caravanas e oasis, e Quedar era conhecido por suas tendas, rebanhos e poderio militar. A narrativa de fugitivos que precisam de água e pão, fugindo da espada e do arco, parece refletir a desestabilização de rotas comerciais e a pressão de campanhas militares na região. A indicação temporal “dentro de um ano, como os anos de jornaleiro” é uma fórmula técnica para um prazo certo, lembrando contratos de trabalho. Teologicamente, o capítulo articula um tema central em Isaías: Deus como soberano sobre todas as nações, capaz de usar umas para julgar outras, sem deixar de responsabilizá-las. A queda de Babilônia aqui antecipa temas que voltarão a aparecer em outras partes da literatura profética. Ao mesmo tempo, a inclusão de detalhes como a hospitalidade aos fugitivos demonstra que a literatura profética não é monolítica; dentro de um texto de juízo, há atenção a pequenas práticas éticas que revelam o caráter de Deus e expectativas sobre a conduta humana.

Life
Life

Isaías 21, apesar de tratar de nações antigas e guerras, toca em questões bastante práticas para o cotidiano. Há três linhas claras: a fragilidade das estruturas humanas, a importância da vigilância e a responsabilidade de agir com compaixão em tempos difíceis. A queda de Babilônia e a redução da glória de Quedar mostram como situações vistas como estáveis podem mudar rapidamente. Isso fala com a tendência de construir a vida sobre seguranças que parecem inabaláveis: posição profissional, redes de influência, estabilidade financeira, reputação. O texto lembra que nenhum desses pilares é absoluto. Na prática, isso encoraja a manter flexibilidade, prudência e, sobretudo, um senso de dependência de algo maior do que resultados e status. A figura da sentinela traz um princípio útil para diversas áreas da vida: vigiar com atenção constante. Em termos de trabalho, família ou vida pessoal, isso significa não viver no piloto automático. Identificar sinais de desgaste no casamento, sinais de desonestidade em ambientes profissionais, tendências nocivas de consumo ou de uso de tempo requer esse olhar atento. A sentinela é instruída a observar “atentamente com grande cuidado” e a falar o que vê, sugerindo a importância de nomear problemas em vez de fingir que não existem. O contexto de banquete às vésperas da invasão (v.5) serve como alerta para a distração. Em nível prático, é o perigo de se anestesiar com entretenimento, consumo e rotina, enquanto questões sérias se acumulam: conflitos não resolvidos, dívidas, decisões morais. A ordem “levantai-vos, príncipes, e untai o escudo” indica que, em certos momentos, é hora de se preparar com seriedade, e não apenas continuar celebrando. Já o trecho sobre os fugitivos (vv.13-15) traz à tona a responsabilidade de cuidar de quem é atingido por crises maiores. Em vez de olhar apenas para a própria segurança, os moradores de Tema são convocados a sair ao encontro dos sedentos e famintos. Hoje, isso se traduz em decisões concretas: apoiar quem perdeu emprego, acolher famílias em vulnerabilidade, envolver-se em iniciativas que amparam refugiados ou vítimas de violência. Mesmo sem poder mudar o cenário global, há ações possíveis no círculo de influência de cada um. Por fim, a referência a prazos definidos para certas mudanças (v.16) sugere a necessidade de levar o tempo a sério. Se certas situações têm limites estabelecidos, isso incentiva a planejar, preparar-se e não adiar indefinidamente decisões importantes. Em momentos de crise, ajuda também a lembrar que fases difíceis não são infinitas, e essa perspectiva sustenta escolhas mais responsáveis e menos impulsivas.

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Versículos em Isaías 21

Isaías 21:1

" Peso do deserto do mar. Como os tufões de vento do sul, que tudo assolam, ele virá do deserto, de uma terra horrível. "

Isaías 21:2

" Dura visão me foi anunciada: o pérfido trata perfidamente, e o destruidor anda destruindo. Sobe, ó Elão, sitia, ó Média, que já fiz cessar todo o seu gemido. "

Isaías 21:3

" Por isso os meus lombos estão cheios de angústia; dores se apoderam de mim como as dores daquela que dá à luz; fiquei abatido quando ouvi, e desanimado vendo isso. "

Isaías 21:4

" O meu coração se agita, o horror apavora-me; a noite que desejava, se me tornou em temor. "

Isaías 21:4 mostra um coração profundamente abalado diante de más notícias e tempos de perigo. A “noite desejada” virando medo retrata quando um momento esperado …

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Isaías 21:7

" E quando vir um carro com um par de cavaleiros, um carro com jumentos, e um carro com camelos, ela que observe atentamente com grande cuidado. "

Isaías 21:8

" E clamou: Um leão, meu Senhor! Sobre a torre de vigia estou em pé continuamente de dia, e de guarda me ponho noites inteiras. "

Isaías 21:9

" E eis agora vem um carro com homens, e um par de cavaleiros. Então respondeu e disse: Caída é babilônia, caída é! E todas as imagens de escultura dos seus deuses quebraram-se no chão. "

Isaías 21:10

" Ah, malhada minha, e trigo da minha eira! O que ouvi do Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, isso vos anunciei. "

Isaías 21:15

" Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada desembainhada, e de diante do arco armado, e de diante do peso da guerra. "

Isaías 21:16

" Porque assim me disse o Senhor: Dentro de um ano, como os anos de jornaleiro, desaparecerá toda a glória de Quedar. "

Isaías 21:17

" E os restantes do número dos flecheiros, os poderosos dos filhos de Quedar, serão diminuídos, porque assim disse o Senhor Deus de Israel. "

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