Isaías 66:1
" Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso? "
Entenda os temas principais e aplique Isaías 66 na sua vida hoje
24 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Deus se apresenta como o Criador cujo trono é o céu e cujo estrado é a terra, mostrando que nenhuma construção humana pode contê-lo ou servi-lo como se Ele dependesse dela. O que Ele busca não é um edifício majestoso, mas um coração humilde, quebrantado e reverente diante de sua palavra.
Sacrifícios e rituais, quando praticados por pessoas que amam o pecado, são comparados a atos abomináveis. Deus mostra que obras religiosas, sem arrependimento e obediência, tornam-se ofensivas, e que Ele trará juízo sobre os que escolhem seus próprios caminhos em vez da vontade divina.
Aqueles que tremem diante da palavra de Deus e são rejeitados por causa do nome do Senhor recebem a promessa de consolo profundo, comparado ao cuidado de uma mãe. Jerusalém é apresentada como fonte de alegria, nutrição e paz abundante para todos os que a amam.
Com imagens de parto e nascimento, o texto descreve uma transformação rápida e inesperada: uma nação nascendo de uma vez só, filhos vindo à luz sem o processo normal de dores. Essa figura aponta para a restauração de Sião e para a formação de um povo numeroso em torno da glória de Deus.
O Senhor é apresentado vindo com fogo e carros como um redemoinho para exercer juízo sobre toda carne. A imagem é de julgamento decisivo e inescapável, onde muitos serão mortos por causa de sua rebeldia e práticas abomináveis.
Deus promete juntar todas as nações e línguas para ver sua glória. Sobreviventes são enviados como mensageiros aos povos distantes, e até mesmo estrangeiros são incluídos como sacerdotes e levitas. No futuro, toda carne virá adorar ao Senhor, em um cenário de novos céus e nova terra.
Isaías 66 conclui a segunda parte do livro, geralmente associada ao período do exílio babilônico e ao pós-exílio, quando o povo de Judá enfrentava a destruição de Jerusalém, a perda do templo e depois a expectativa de restauração. Havia grande tensão em torno da reconstrução do templo e da identidade do povo de Deus após o cativeiro. Muitos confiavam em rituais e estruturas religiosas como se fossem garantias automáticas da presença divina, ao mesmo tempo em que persistiam em práticas idólatras e sincretistas, inclusive em jardins sagrados e comidas proibidas. Nesse contexto, Isaías 66 corrige a falsa segurança baseada apenas em sacrifícios e no templo, enfatizando o caráter de Deus como Senhor universal, Criador de tudo, e reafirmando que Ele olha para o quebrantado de espírito. O capítulo também amplia a visão de Israel: Deus não apenas restauraria Jerusalém, mas atrairia nações de lugares distantes, integrando gentios ao seu povo e até mesmo ao serviço sacerdotal. A menção a novos céus e nova terra indica uma esperança que vai além da simples restauração política ou territorial, apontando para uma realidade futura e definitiva.
Isaías 66 apresenta uma composição profética com contrastes fortes entre juízo e consolo, estruturada em blocos temáticos:
A grandeza de Deus e o verdadeiro culto (66:1-2): Declaração majestosa sobre o céu como trono e a terra como estrado, seguida da afirmação de que Deus se volta para o humilde e contrito.
Condenação da religiosidade hipócrita (66:3-4): Série de paralelos irônicos que igualam sacrifícios formais a atos abomináveis, mostrando o vazio do culto sem obediência.
Palavra aos que tremem diante de Deus e são perseguidos (66:5-6): Encorajamento aos fiéis desprezados por seus irmãos, com promessa de que o Senhor retribuirá aos seus inimigos.
Imagens de parto e nascimento de Sião (66:7-9): Perguntas retóricas e metáforas que ressaltam o caráter surpreendente e soberano da ação de Deus na formação de seu povo.
Convite à alegria e promessas de consolo (66:10-14): Linguagem poética, plena de imagens maternas e de abundância, descrevendo paz como rio e glória transbordante.
Anúncio do juízo com fogo e espada (66:15-17): Descrição vívida da vinda do Senhor em juízo, com foco nas práticas idólatras e impuras que serão julgadas.
Reunião das nações e missão aos povos distantes (66:18-21): Deus declara conhecer obras e pensamentos, anuncia a convocação de todas as nações, o envio de mensageiros e a inclusão de alguns dentre as nações no ofício sacerdotal.
Novos céus, nova terra e adoração contínua (66:22-23): Promessa de permanência do povo de Deus e visão de adoração regular de toda carne perante o Senhor.
Encerramento com a visão do juízo final (66:24): Imagem forte e duradoura dos cadáveres dos rebeldes, com verme e fogo que não se extinguem, como sinal permanente da seriedade do pecado.
Teologicamente, Isaías 66 é um ponto de síntese e culminação. Em primeiro lugar, reafirma a transcendência e a soberania de Deus: Ele é o Criador de tudo, não limitado por templos, rituais ou fronteiras nacionais. O foco não está em estruturas, mas em um coração humilde, abatido de espírito e submisso à sua palavra (v.2).
Em segundo lugar, o capítulo aprofunda a crítica profética à religiosidade externa. Sacrifícios e incenso, quando divorciados da obediência e da pureza moral, tornam-se equivalentes a práticas pagãs e impuras. Isso ressalta que o culto verdadeiro envolve todo o ser, não apenas atos litúrgicos.
Em terceiro lugar, Isaías 66 desenvolve a esperança escatológica. A linguagem de nascimento repentino de uma nação, a reunião de todas as nações e a visão de novos céus e nova terra apontam para uma obra futura e abrangente de Deus, que transcende o retorno do exílio. A inclusão de gentios como sacerdotes e levitas antecipa a universalidade do povo de Deus, não restrito a uma etnia, mas composto de todas as nações que veem e anunciam a glória do Senhor.
Por fim, o capítulo mantém em tensão consolo e juízo. Deus se revela como Mãe que consola e como Juiz que vem com fogo e espada. Essa dupla ênfase impede uma visão reduzida de Deus, lembrando que sua graça não anula sua santidade. A visão final dos cadáveres dos rebeldes funciona como advertência permanente sobre a seriedade da rebelião contra Ele e sobre a realidade de um juízo final que contrasta com a vida e a adoração sem fim prometidas aos que pertencem ao Senhor.
Isaías 66 oferece um equilíbrio precioso entre confronto e consolo. Para pessoas que sofrem com rejeição, injustiça ou perseguição, o texto reafirma que Deus vê e valoriza o humilde e o abatido de espírito, mesmo quando outros desprezam ou excluem. A imagem de Deus consolando como uma mãe conforta corações cansados, trazendo sensação de segurança, acolhimento e ternura em meio à dor.
Ao mesmo tempo, o capítulo fala àqueles que enfrentam confusão religiosa ou culpa por não “corresponder” a expectativas externas de religiosidade. A ênfase de que Deus olha para o coração quebrantado pode aliviar a pressão de performances religiosas vazias e ajudar na reconstrução de uma espiritualidade mais autêntica, sincera e alinhada com a palavra.
As promessas de paz como um rio, de ossos reverdecendo como erva tenra e de novos céus e nova terra oferecem base para esperança em contextos de sofrimento crônico, luto prolongado ou sensação de estagnação. Essa esperança não nega a dor, mas a coloca dentro de uma história maior, em que Deus reúne povos, restaura o que parecia perdido e garante um futuro de adoração e presença contínua.
Para quem lida com medo do juízo ou imagens severas de punição, o texto pode ser trabalhado com cuidado, destacando tanto a seriedade do pecado quanto o caminho de misericórdia aberto àqueles que se humilham e se voltam para Deus. A visão de um Deus que é ao mesmo tempo justo e consolador ajuda na elaboração interna de uma imagem mais equilibrada e verdadeira do caráter divino.
Isaías 66 contém imagens fortes de juízo, fogo, cadáveres e condenação que podem ser gatilhos para pessoas com histórico de traumas religiosos, ansiedade religiosa intensa, escrúpulos ou pensamentos obsessivos ligados à culpa e punição divina. A cena final, com referência ao verme que não morre e ao fogo que não se apaga, pode provocar medo paralisante em pessoas vulneráveis, especialmente se lida fora de seu contexto de contraste com o consolo oferecido aos humildes.
Também há o risco de alguns utilizarem o texto de forma acusatória, aplicando o juízo sobre outros grupos, alimentando atitudes de superioridade espiritual ou exclusão, em vez de reconhecer o apelo ao arrependimento e à humildade para todos. A crítica à religiosidade vazia pode ser interpretada, de modo distorcido, como desprezo por práticas litúrgicas saudáveis, gerando culpa em pessoas sensíveis sobre sua participação em cultos e tradições.
Por fim, as referências à rejeição e perseguição por causa do nome do Senhor, se mal aplicadas, podem ser usadas para justificar comportamentos abusivos ou divisivos dentro de comunidades de fé, interpretando qualquer correção legítima como perseguição espiritual. Ao trabalhar pastoralmente e terapeuticamente com este capítulo, é importante contextualizar as imagens de juízo, reforçar a centralidade da graça e do arrependimento, e cuidar para que corações frágeis não sejam esmagados por leituras desequilibradas.
Isaías 66 inspira algumas aplicações práticas claras para a vida cotidiana:
Valorizar um coração humilde mais do que aparências religiosas: atividades, ministérios e gestos externos ganham sentido quando brotam de um espírito quebrantado e obediente. Isso incentiva a revisar motivações e a cultivar sinceridade diante de Deus.
Rejeitar a hipocrisia e o sincretismo: o texto convida a alinhar práticas de fé com a vontade de Deus revelada na sua palavra, evitando misturar devoção com atitudes ou hábitos claramente contrários à santidade divina.
Sustentar a esperança em meio à rejeição: para quem enfrenta desprezo ou exclusão por convicções de fé, Isaías 66 lembra que Deus vê, conhece a dor e promete consolo e honra. Isso encoraja a permanecer firme sem ressentimento, confiando na justiça de Deus.
Viver com perspectiva de missão: a visão de nações distantes ouvindo sobre a glória de Deus estimula a apoiar iniciativas que anunciam o evangelho, acolher pessoas de outras culturas na comunidade de fé e romper barreiras de preconceito ou exclusivismo.
Integrar consolo e responsabilidade: a imagem de Deus como consolador materno, unida à certeza de juízo, conduz a uma fé equilibrada, em que se descansa na graça, mas também se leva a sério o chamado ao arrependimento e à santidade.
Alimentar-se da palavra e da presença de Deus: as metáforas de mamar, fartar-se de consolações e deleitar-se na glória apontam para uma vida que busca, com regularidade, forças em Deus, e não apenas em recursos humanos.
O início do capítulo enfatiza que Deus é Criador de tudo e não pode ser contido por um templo ou edifício. O objetivo não é negar o valor do templo em si, mas corrigir a ideia de que a presença de Deus está presa a estruturas físicas ou que Ele depende de obras humanas. O foco é redirecionado para aquilo que Deus verdadeiramente busca: pessoas pobres e abatidas de espírito, que tremem diante da sua palavra.
Tremor aqui não descreve apenas medo, mas profundo respeito, reverência e sensibilidade ao que Deus diz. É a atitude de quem leva seriamente a vontade de Deus, não trata sua palavra com indiferença e está disposto a ajustar a própria vida em resposta a ela. Essa postura contrasta com os que praticam rituais religiosos enquanto escolhem caminhos que Deus reprova.
A referência é a pessoas que participavam de rituais idólatras em jardins consagrados, possivelmente ligados a cultos pagãos. Elas se auto declaravam santas e puras, mas na prática realizavam abominações, incluindo consumo de alimentos proibidos como carne de porco e de animais considerados impuros. Deus promete julgá-las, mostrando que autossantificação sem obediência verdadeira é vazia.
As imagens de parto sem dores e de uma nação nascendo de uma vez só destacam o caráter surpreendente e soberano da obra de Deus. Em vez de um processo longo e previsível, Deus faz surgir rapidamente um povo restaurado. Historicamente, isso se conecta à restauração de Sião após o exílio, mas também aponta para uma realidade maior: Deus formando um povo numeroso, de muitas nações, de modo inesperado aos olhos humanos.
Novos céus e nova terra descrevem uma renovação radical da criação, em que o mal e a corrupção não terão mais lugar. Não é apenas uma pequena reforma, mas uma realidade nova diante de Deus, onde seu povo e seu nome permanecerão para sempre. Essa promessa fundamenta a esperança de um futuro em que a adoração ao Senhor será contínua e a comunhão com Ele plena.
A cena final funciona como um contraste com a adoração universal descrita nos versículos anteriores e como um sinal permanente da seriedade do pecado. Os cadáveres dos que se rebelaram, com verme que não morre e fogo que não se apaga, são uma lembrança vívida do destino daqueles que rejeitam a Deus. O objetivo não é mero terror, mas advertência solene, reforçando a urgência da humildade, do arrependimento e da fidelidade ao Senhor.
Isaías 66 revela um Deus grandioso que se inclina com ternura aos corações feridos. Logo no início, quando tudo parece girar em torno de templos e sacrifícios, aparece uma frase que muda tudo: Deus olha para o pobre e abatido de espírito, para quem treme da sua palavra. Isso mostra um Senhor que enxerga além das aparências, que percebe o cansaço, a humilhação e o peso que muitos carregam em silêncio. Os que tremem diante de Deus, em vez de serem aplaudidos, são rejeitados por irmãos que os odeiam e os lançam para longe por causa do nome do Senhor. Essa dor de ser mal interpretado e excluído por tentar ser fiel é reconhecida e acolhida neste capítulo. Deus não ignora essas lágrimas; Ele promete que aqueles que hoje parecem humilhados terão alegria verdadeira, enquanto os que zombam serão confundidos. As imagens de consolo são profundamente tocantes. Jerusalém é descrita como uma mãe que alimenta, consola e abraça. Deus fala de paz como um rio, de ser carregado no colo, afagado nos joelhos, e de consolo tão terno quanto o de uma mãe com seu filho. Para corações cansados, isso soa como um convite silencioso ao descanso: não é preciso provar valor com rituais, nem se defender o tempo todo; há um colo seguro em Deus. Mesmo quando o texto fala de juízo, a ênfase para os quebrantados é outra: seus ossos reverdecerão como erva tenra, o coração se alegrará, a mão do Senhor será visível sobre seus servos. A última palavra de Deus para os que se humilham diante dele é vida, consolo e permanência em sua presença, em novos céus e nova terra. Assim, Isaías 66 acolhe a dor, valida as feridas e, ao mesmo tempo, abre uma janela de esperança duradoura para os que se sentem pequenos e invisíveis aos olhos do mundo.
Isaías 66 funciona como um epílogo teológico e literário para todo o livro. O capítulo retoma temas centrais desenvolvidos ao longo de Isaías: a santidade de Deus, a crítica à formalidade religiosa, a restauração de Sião e a inclusão das nações. A abertura com o céu como trono e a terra como estrado ecoa a teologia da criação, colocando o templo e o culto dentro de uma perspectiva correta: Deus não é confinado ao espaço sagrado; Ele o transcende. O verdadeiro “lugar de descanso” de Deus é o coração humilde e contrito. A seção sobre sacrifícios (vv.3-4) faz uso de paralelismos chocantes para igualar práticas cultuais legítimas a atos repugnantes quando divorciadas da obediência. A mensagem é coerente com outros profetas: o culto sem justiça e sem retidão é vazio. O juízo anunciado contra os que escolhem “o que em que Deus não tem prazer” reforça que não há neutralidade diante da revelação divina. A figura de parto em vv.7-9 é notável em sua retórica. Perguntas sucessivas sublinham a singularidade da obra de Deus: uma nação nascendo de uma só vez, sem o processo usual de dores. Historicamente, essa linguagem aponta para a restauração repentina de Sião, mas a amplitude da promessa sugere um cumprimento escatológico mais amplo, especialmente quando ligada à reunião das nações e à visão de novos céus e nova terra. A seção missionária (vv.18-21) é teologicamente rica. Deus declara conhecer obras e pensamentos, enfatizando sua onisciência, e anuncia uma assembleia de todas as nações e línguas, antecipando uma comunidade internacional de adoradores. O envio de sobreviventes como mensageiros a Társis, Pul, Lude, Tubal, Javã e ilhas distantes indica uma expansão centrífuga da revelação de Deus. A inclusão de alguns dentre essas nações como sacerdotes e levitas rompe categorias tradicionais, sugerindo que o serviço cultual não será mais monopólio étnico de Israel. A promessa de novos céus e nova terra (v.22) conecta Isaías a uma visão escatológica que será retomada mais adiante na revelação bíblica, associada a um estado permanente de adoração (v.23). O encerramento com a visão dos cadáveres (v.24) cria um contraste literário marcante: enquanto toda carne vem adorar, os rebeldes permanecem como testemunho permanente da seriedade do juízo divino. Essa tensão entre consolação e juízo, graça e santidade, é típica de Isaías e impede uma leitura simplista do caráter de Deus.
Isaías 66 toca diretamente em como a fé se expressa na vida real. A primeira correção vai para a tendência de colocar confiança em estruturas e rituais: Deus afirma que fez céu e terra e pergunta que casa poderia contê-lo. Isso desloca o foco de prédios, cargos e aparências para a disposição interna: ser humilde, reconhecendo limites; abatido de espírito, consciente da própria necessidade; sensível à palavra de Deus, disposto a obedecer. A crítica à religiosidade hipócrita é muito prática. Pessoas ofereciam sacrifícios e incenso, mas escolhiam caminhos que Deus chamava de abominações. Em termos contemporâneos, isso alerta contra o descompasso entre o que se faz nos ambientes religiosos e o que se vive em casa, no trabalho e nas relações. A coerência entre fé declarada e atitudes diárias se torna um ponto central. Para quem enfrenta rejeição por causa da fé, o texto mostra que isso não é uma anomalia. Os que tremem da palavra são odiados e lançados para longe pelos próprios irmãos. A orientação implícita é não medir a fidelidade por aceitação social ou religiosa, mas pela resposta de Deus: Ele é quem trará compensação, confundirá o orgulho e honrará os que permaneceram firmes. As imagens de consolo e paz como um rio incentivam uma busca contínua de nutrição espiritual. Assim como uma criança depende da mãe para alimento e conforto, o capítulo sugere uma rotina de depender de Deus para forças emocionais, direção e descanso interior, em vez de tentar sustentar a vida apenas em produtividade, controle ou reconhecimento humano. A perspectiva das nações sendo ajuntadas e de alguns sendo chamados para servir como sacerdotes aponta para uma vida aberta à missão. Isso se traduz em disposição para compartilhar a fé, acolher pessoas de contextos diversos na comunidade cristã, apoiar iniciativas que levem a mensagem de Deus a lugares distantes e romper barreiras de etnia, classe ou cultura. Por fim, a lembrança do juízo divino funciona como um chamado prático à responsabilidade. Escolhas morais, decisões profissionais, condutas em relacionamentos não são neutras. Há um Deus que conhece obras e pensamentos. Viver à luz disso significa considerar as consequências espirituais das decisões, buscar arrependimento quando necessário e alinhar escolhas diárias com a santidade e a misericórdia de Deus.
Isaías 66 convida a olhar para além do imediato e enxergar a história a partir da perspectiva eterna de Deus. O Senhor se apresenta como aquele que tem o céu por trono e a terra por estrado dos pés, deslocando a atenção de qualquer centro humano de poder para sua soberania absoluta. Nessa visão ampla, a pergunta essencial não é onde Deus habita, mas com quem Ele escolhe habitar: com o humilde e abatido de espírito, que leva sua palavra a sério. O capítulo expõe dois caminhos espirituais opostos. De um lado, os que escolhem seus próprios caminhos, deleitando-se em abominações e tratando o culto como formalidade; do outro, os que tremem da palavra, suportam rejeição por amor ao nome do Senhor e esperam sua intervenção. As consequências são eternamente distintas: juízo com fogo e espada para os rebeldes; consolo profundo, alegria e permanência diante de Deus para os que se rendem. A imagem do nascimento súbito de uma nação e da reunião de todas as nações em torno da glória de Deus aponta para o propósito divino de formar um povo para si, não restrito a uma etnia. O envio de mensageiros às ilhas mais distantes e a inclusão de alguns dentre as nações como sacerdotes e levitas sugerem uma vocação missionária e um sacerdócio ampliado, onde a vida inteira se torna serviço diante de Deus. Em termos espirituais, isso indica uma identidade: pertencimento a um povo que existe para refletir e anunciar a glória do Senhor. A promessa de novos céus e nova terra abre uma janela para a esperança final. Não se trata apenas de melhorar circunstâncias presentes, mas de uma realidade em que o nome e a descendência do povo de Deus permanecem para sempre, em adoração contínua. A regularidade simbólica de lua nova a lua nova, de sábado a sábado, expressa uma existência marcada pela presença de Deus, onde o culto não é um evento isolado, mas o ritmo permanente da vida eterna. O quadro final, com os cadáveres dos que prevaricaram, é duro, mas espiritualmente significativo: lembra que o pecado não é trivial e que a rebelião consciente tem consequências que ultrapassam esta vida. Essa visão reforça a seriedade da resposta ao chamado de Deus. Entre juízo e consolo, Isaías 66 orienta o coração para uma decisão fundamental: viver humilhado diante de Deus, acolhendo sua palavra, confiando em seu consolo e esperando, com esperança segura, o cumprimento completo de sua promessa de restauração em novos céus e nova terra.
" Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso? "
" Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o Senhor; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra. "
" Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações. "
" Também eu escolherei as suas calamidades, farei vir sobre eles os seus temores; porquanto clamei e ninguém respondeu, falei e não escutaram; mas fizeram o que era mau aos meus olhos, e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer. "
" Ouvi a palavra do Senhor, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o Senhor, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos. "
" Uma voz de grande rumor virá da cidade, uma voz do templo, a voz do Senhor, que dá o pago aos seus inimigos. "
" Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino. "
" Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos. "
" Abriria eu a madre, e não geraria? diz o Senhor; geraria eu, e fecharia a madre? diz o teu Deus. "
" Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela pranteastes; "
Isaías 66:10 mostra Deus restaurando Jerusalém e transformando choro em alegria. Quem sofreu e orou pela cidade agora é chamado a celebrar, pois a esperança …
Ler análise completa" Para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações; para que sugueis, e vos deleiteis com a abundância da sua glória. "
" Porque assim diz o Senhor: Eis que estenderei sobre ela a paz como um rio, e a glória dos gentios como um ribeiro que transborda; então mamareis, ao colo vos trarão, e sobre os joelhos vos afagarão. "
" Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados. "
Isaías 66:13 mostra Deus prometendo consolo profundo e terno, comparado ao cuidado de uma mãe. Indica que, em meio a luto, medo, exaustão no trabalho …
Ler análise completa" E vós vereis e alegrar-se-á o vosso coração, e os vossos ossos reverdecerão como a erva tenra; então a mão do Senhor será notória aos seus servos, e ele se indignará contra os seus inimigos. "
" Porque, eis que o Senhor virá com fogo; e os seus carros como um torvelinho; para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo. "
" Porque com fogo e com a sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne; e os mortos do Senhor serão multiplicados. "
" Os que se santificam, e se purificam, nos jardins uns após outros; os que comem carne de porco, e a abominação, e o rato, juntamente serão consumidos, diz o Senhor. "
" Porque conheço as suas obras e os seus pensamentos; vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e virão e verão a minha glória. "
" E porei entre eles um sinal, e os que deles escaparem enviarei às nações, a Társis, Pul, e Lude, flecheiros, a Tubal e Javã, até às ilhas de mais longe, que não ouviram a minha fama, nem viram a minha glória; e anunciarão a minha glória entre os gentios. "
" E trarão a todos os vossos irmãos, dentre todas as nações, por oferta ao Senhor, sobre cavalos, e em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, trarão ao meu santo monte, a Jerusalém, diz o Senhor; como quando os filhos de Israel trazem as suas ofertas em vasos limpos à casa do Senhor. "
" E também deles tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas, diz o Senhor. "
" Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. "
" E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. "
" E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne. "
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