Isaías 50 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Isaías 50 na sua vida hoje

11 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Isaías 50?

Isaías 50 apresenta um discurso do Senhor que confronta o povo por sua incredulidade e pecado, afirmando que o afastamento não foi culpa de Deus, mas das transgressões de Israel. No centro do capítulo aparece a figura do Servo obediente, que mesmo sofrendo humilhação e violência permanece firme, confiante na ajuda e na justificação de Deus. O capítulo termina com um chamado à confiança em Deus em meio às trevas e um alerta solene contra quem tenta produzir sua própria luz, afastando-se do Senhor.

Temas principais em Isaías 50

Responsabilidade do povo pelo afastamento de Deus (versículos 1-2)

Deus rejeita a ideia de que tenha abandonado o seu povo por capricho. Ele usa as imagens de divórcio e venda como escravo para mostrar que não houve documento de repúdio nem credor algum: foi o próprio pecado de Israel que criou a separação e as consequências dolorosas.

Versículos-chave: 1, 2

Poder salvador de Deus (versículos 2-3)

O Senhor questiona a incredulidade do povo: sua mão não está encolhida, nem enfraquecida para remir. Ele recorda seu domínio sobre a criação, capaz de secar o mar, tornar rios em deserto e cobrir os céus de trevas, demonstrando que continua plenamente poderoso para salvar.

Versículos-chave: 2, 3

O Servo obediente e sofredor (versículos 4-9)

Surge a voz do Servo que recebe de Deus uma língua ensinada e ouvidos abertos. Ele não se rebela, oferece as costas aos que o ferem, o rosto aos que o humilham e cospe, mas permanece firme como pedra, convicto de que Deus o ajuda e o justifica. Essa figura aponta para um modelo perfeito de obediência em meio ao sofrimento, com clara antecipação messiânica.

Versículos-chave: 4, 6, 7

Confiar em Deus nas trevas (versículos 10)

Há um chamado específico àqueles que temem ao Senhor e ouvem a voz do seu Servo: quando atravessarem trevas e parecer não haver luz alguma, a atitude correta é confiar no nome do Senhor e firmar-se em Deus, não na própria capacidade.

Versículos-chave: 10

Perigo da autoconfiança rebelde (versículos 11)

Em contraste com os que confiam em Deus, o texto denuncia os que acendem seu próprio fogo e se cercam de faíscas, símbolo de soluções humanas independentes de Deus. O resultado desse caminho é juízo e tormento, fruto da própria rebeldia.

Versículos-chave: 11

Contexto histórico e literario

Isaías 50 está inserido na segunda grande seção do livro (caps. 40–55), que fala de consolo, restauração e esperança para Israel diante do exílio iminente ou já vivido. O povo experimentava disciplina de Deus por causa de sua idolatria, injustiça e dureza de coração. A linguagem de divórcio e venda de filhos reflete práticas conhecidas no antigo Oriente Próximo: um marido podia, em alguns contextos, repudiar a esposa; e uma família endividada podia ser forçada a vender membros como servos. Deus usa essas imagens para negar que tenha abandonado seu povo por falta de amor ou por obrigação a um credor. Em vez disso, revela que a ruptura foi causada pelos pecados de Israel.

Nesse contexto, a figura do Servo do Senhor ganha relevo em Isaías 40–55. Em alguns trechos, “servo” pode se referir coletivamente a Israel; em outros, como aqui e especialmente nos cânticos do Servo (por exemplo, caps. 42, 49, 50 e 53), destaca-se uma figura individual que cumpre a missão de Deus com obediência perfeita, mesmo através do sofrimento. Nos dias de Isaías, essa mensagem chamava o povo a reconhecer seu pecado, confiar novamente no poder salvador do Senhor e esperar pela ação redentora que viria através do Servo escolhido.

Estrutura de Isaías 50

O capítulo pode ser organizado em três movimentos principais:

1) Contestação divina e explicação do afastamento (vv. 1–3) - Deus começa com perguntas retóricas: onde está a carta de divórcio? Quem é o credor? O objetivo é mostrar que Ele não abandonou sua “esposa” (Sião) por iniciativa arbitrária. - Afirma que as maldades do povo foram a verdadeira causa da separação e da “venda”. - Segue-se uma declaração do poder divino: com uma palavra, Deus seca o mar, devasta rios e cobre céus de trevas.

2) Testemunho do Servo obediente e sofredor (vv. 4–9) - A voz muda para a primeira pessoa do Servo. - Ele descreve o ensino que recebe de Deus: língua erudita para consolar o cansado e ouvido desperto como discípulo. - Afirma sua obediência: não foi rebelde, não recuou. - Relata o sofrimento físico e humilhação (espancamentos, arrancar de barba/cabelos, cusparadas), e ao mesmo tempo sua determinação e confiança. - Conclui com declarações judiciais: Deus o justifica, auxilia e ninguém poderá condená-lo de forma última.

3) Duas respostas possíveis: fé ou rebeldia (vv. 10–11) - É feita uma chamada àqueles que temem ao Senhor para confiarem em Deus mesmo sem luz visível. - Em contraste, é pronunciado um oráculo de juízo sobre os que tentam andar pela luz de seu próprio fogo, antecipando tormento como resultado de sua escolha.

Significado teológico

Isaías 50 traz temas centrais para a fé bíblica. Em primeiro lugar, corrige a imagem de um Deus arbitrário: Ele não abandona seu povo sem motivo, mas reage à realidade do pecado. A disciplina e o exílio não são sinais de que Deus perdeu o controle ou o amor, e sim expressão de justiça e santidade frente à rebeldia.

Em segundo lugar, o capítulo reafirma a soberania e o poder de Deus para salvar. A mão do Senhor não está encolhida; não há limitação externa que o impeça de agir. Se a salvação parece distante, o problema não está na fraqueza divina, mas na incredulidade e na dureza humana.

O texto também aprofunda a teologia do Servo do Senhor. O Servo recebe o ensino direto de Deus, fala palavras que revigoram os cansados e vive em plena obediência, mesmo quando isso o leva ao sofrimento injusto. Ele suporta agressões físicas e vergonha pública sem recuar, ancorado na certeza de que Deus o ajudará e o justificará. Essa figura se articula com a expectativa messiânica e encontra cumprimento pleno em Jesus Cristo, que suportou humilhação, escárnio e violência, permaneceu obediente até a morte e foi vindicado na ressurreição.

Por fim, Isaías 50 apresenta um princípio espiritual duradouro: em tempos de trevas, a postura de fé não é criar luz própria, mas confiar no nome do Senhor e firmar-se em Deus. A tentativa de substituir a luz divina por soluções autônomas conduz a tormento. A salvação e a verdadeira direção vêm da escuta obediente à voz do Servo e da confiança na justiça de Deus.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Isaías 50 pode ser lido como um texto profundamente relevante para processos de cura emocional e espiritual. Ele aborda o sentimento de abandono, a experiência de vergonha e violência injusta, e o desafio de confiar em Deus quando tudo parece escuro.

O início do capítulo toca na percepção de rejeição: o povo se sente abandonado, como uma esposa repudiada. Deus responde descontruindo essa narrativa equivocada, mostrando que Ele não é um cônjuge arbitrário, mas um Deus que continua poderoso e presente, embora confronte o pecado. Essa distinção é importante para quem carrega experiências de rejeição: o texto mostra um Deus que não abandona por capricho, mas que também não minimiza a responsabilidade humana.

A figura do Servo dá voz ao sofrimento injusto. Ele é ferido, humilhado, cuspido, mas mantém uma identidade sólida, alicerçada na ajuda e na justificação de Deus. Isso oferece um paradigma para lidar com injustiças: o valor da pessoa não é determinado pelos agressores, e sim por Deus que a sustenta. A imagem do rosto firme como um seixo comunica estabilidade interior em meio à hostilidade externa.

O chamado à confiança nas trevas acolhe a realidade de períodos onde não há “luz nenhuma”, sem negar a dor e a confusão. A orientação é permanecer apoiado no caráter de Deus, e não em percepções momentâneas. Essa perspectiva ajuda a integrar emoções difíceis com fé perseverante.

Em contraste, o alerta contra acender o próprio fogo evidencia o risco de respostas impulsivas ao sofrimento: tentar controlar tudo sozinho, buscar alívio em práticas autodestrutivas ou se fechar em autossuficiência. O resultado descrito é de tormento, indicando que tais caminhos, embora pareçam oferecer alívio imediato, aprofundam a dor.

No conjunto, o capítulo oferece uma visão em que honestidade sobre o pecado, reconhecimento da dor e confiança perseverante em Deus se unem como elementos de restauração.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns pontos do capítulo podem ser mal-interpretados de forma emocionalmente prejudicial. A linguagem de divórcio e repudiar a mãe (v. 1) pode ser sensível para pessoas que viveram abandono familiar ou conjugal. O texto usa imagens fortes para descrever a condição espiritual de Israel, não para normalizar abusos ou justificar rejeições humanas.

A descrição do Servo oferecendo as costas aos que o ferem e o rosto aos que o humilham (v. 6) pode ser usada de maneira distorcida para incentivar tolerância passiva a abusos físicos, emocionais ou espirituais. No contexto bíblico, trata-se da missão única do Servo de Deus e de sua obediência redentora, não de um modelo para aceitar qualquer tipo de violência sem buscar proteção ou justiça.

O trecho de juízo sobre os que acendem o próprio fogo (v. 11) pode ser lido por pessoas fragilizadas como condenação total de qualquer tentativa de tomar decisões ou buscar ajuda. O alvo do texto é a rebeldia consciente que rejeita a luz de Deus, não a iniciativa saudável de buscar apoio, tratamento ou soluções responsáveis.

Leituras que associem sofrimento a castigo imediato de Deus, sem considerar todo o testemunho bíblico, também podem gerar culpa indevida em quem sofre injustamente. Isaías 50 distingue de forma clara o pecado de Israel e o sofrimento justo do Servo, mostrando que nem toda dor é fruto de erro pessoal.

Aplicação prática para hoje

Isaías 50 oferece princípios que podem orientar decisões e atitudes no cotidiano:

1) Reconhecer responsabilidade pessoal: o texto lembra que muitas rupturas e consequências dolorosas não surgem do nada, mas podem ter relação com escolhas, padrões de pecado ou decisões repetidas. Isso encoraja autoexame humilde, arrependimento e busca de reconciliação onde for possível.

2) Manter viva a consciência do poder de Deus: em situações que parecem sem saída, a tendência é concluir que Deus não se importa ou não pode agir. O capítulo convida a lembrar que a “mão” do Senhor não está encolhida. Essa lembrança fortalece a oração, a perseverança e a disposição de esperar pela intervenção de Deus.

3) Falar de forma que fortaleça os cansados: o Servo recebe uma língua ensinada para dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado (v. 4). Isso inspira uma comunicação mais cuidadosa: ouvir antes de falar, procurar palavras oportunas, evitar julgamentos apressados e cultivar encorajamento realista.

4) Praticar obediência mesmo quando custa: o Servo não foi rebelde e não recuou, embora sofresse. Na prática, isso pode significar permanecer fiel à integridade no trabalho, em compromissos familiares e em valores do Reino de Deus, mesmo quando isso não traz reconhecimento imediato.

5) Firmar o coração em Deus diante da vergonha: o Servo enfrenta humilhações, mas sua identidade está assegurada em Deus que o justifica. Esse foco ajuda a não basear o valor pessoal em opiniões alheias, críticas ou difamações, e sim no que Deus declara.

6) Confiar em Deus nas trevas: quando falta clareza sobre o futuro, em vez de agir impulsivamente, o texto encoraja a descansar no nome do Senhor, continuando a fazer o que é certo com a luz já recebida, enquanto se aguarda nova direção.

7) Evitar soluções autônomas destrutivas: “acender o próprio fogo” aponta para decisões tomadas em rebeldia consciente, ignorando a orientação de Deus. Na vida prática, isso pode significar rejeitar atalhos antiéticos, vícios, relacionamentos destrutivos ou esquemas que prometem alívio rápido, mas afastam da vontade de Deus.

Perguntas frequentes

O que significa a pergunta sobre a carta de divórcio em Isaías 50:1?

A imagem da carta de divórcio remete a uma prática conhecida na antiguidade, em que um marido podia repudiar a esposa formalmente. Deus pergunta: “Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual eu a repudiei?”, para mostrar que não há documento algum de repúdio da parte dele. Ou seja, o afastamento entre Deus e seu povo não aconteceu porque Deus decidiu abandonar Israel sem razão, mas porque as maldades e transgressões do povo criaram a separação e trouxeram o juízo.

Quem é o Servo que fala em Isaías 50:4–9?

O Servo descrito em Isaías 50:4–9 é uma figura central nos chamados cânticos do Servo em Isaías. Ele aparece como alguém que recebe ensino direto de Deus, fala palavras que revigoram os cansados, obedece plenamente e sofre injustamente, mas é ajudado e justificado por Deus. No contexto do livro, o Servo às vezes representa Israel como povo, mas esses trechos de obediência e sofrimento inocente apontam para uma pessoa específica. Na leitura cristã, essa figura se cumpre de forma plena em Jesus Cristo, o Servo fiel que sofreu, foi humilhado e, ainda assim, foi vindicado por Deus.

Por que o Servo permite ser ferido e humilhado em Isaías 50:6?

O Servo declara: “As minhas costas ofereci aos que me feriam... não escondi a minha face dos que me afrontavam e me cuspiam”. Isso mostra uma obediência radical à missão recebida de Deus, mesmo quando essa missão inclui sofrimento e oposição. Ele não reage com vingança, nem abandona o caminho determinado por Deus por causa da dor. No quadro maior da Bíblia, isso antecipa a atitude de Cristo, que suportou a cruz sem retaliar. Não se trata de legitimar abusos em relações humanas, mas de mostrar o caráter do Servo redentor que se entrega voluntariamente para cumprir o plano de Deus.

O que significa confiar em Deus quando se anda em trevas, em Isaías 50:10?

Em Isaías 50:10, o foco está em pessoas que temem ao Senhor e ouvem a voz do seu Servo, mas se veem em trevas, sem luz aparente. A orientação é que, nessas circunstâncias, confiem no nome do Senhor e se firmem em Deus. Isso indica que fé não é ausência de trevas, mas perseverança em depender de Deus mesmo quando a situação é confusa, difícil ou dolorosa. Em vez de abandonar a confiança por causa da falta de clareza, o texto convida a continuar sustentando-se no caráter e nas promessas de Deus.

Quem são os que acendem fogo e se cercam de faíscas em Isaías 50:11?

A expressão descreve pessoas que, em vez de confiarem na luz de Deus, produzem sua própria luz simbólica: caminham segundo sua própria vontade, independentes de Deus e em rebeldia à sua palavra. Esse “fogo” representa soluções e caminhos autônomos, guiados pela autossuficiência. O texto alerta que quem escolhe viver assim acabará em tormento, isto é, colherá as consequências amargas de rejeitar a luz divina. O contraste é com o justo que, mesmo nas trevas, prefere confiar em Deus em vez de seguir apenas seus próprios recursos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Isaías 50 fala profundamente às dores de quem se sente rejeitado, envergonhado ou confundido. A imagem inicial de uma mãe repudiada e de filhos vendidos toca em feridas muito reais, como abandono, traição e perdas familiares. No entanto, o próprio Deus desconstrói a ideia de que Ele tenha simplesmente virado as costas. O afastamento não nasce da falta de amor divino, mas de feridas abertas pelo pecado. Ainda assim, o Senhor se apresenta como alguém cuja mão não está encolhida, pronto para resgatar. A figura do Servo é um consolo especial. Ele sabe o que é ser ferido sem merecer, humilhado em público, cuspido e desprezado. Conhece a sensação de ter o corpo e a dignidade atacados. Mas, em vez de ser definido pelo abuso, sua identidade permanece segura em Deus: “o Senhor Deus me ajuda... sei que não serei envergonhado”. Esse testemunho acolhe a dor de quem carrega marcas de violência, mostrando que Deus se aproxima justamente aí, e que a vergonha final não recairá sobre o inocente. Há também um cuidado delicado com quem atravessa fases escuras. O texto não ignora que existem momentos de “trevas” e ausência de luz. Nesses tempos, o convite não é se culpar por sentir medo ou confusão, mas apoiar-se no nome do Senhor. A fé aqui não inibe o choro, mas sustenta o coração no meio dele. O alerta contra “acender o próprio fogo” não vem como condenação fria, mas como aviso para proteger corações cansados de darem passos precipitados que podem aprofundar a dor. Isaías 50, assim, oferece um lugar onde a dor é reconhecida, a vergonha é confrontada com a dignidade que Deus dá, e o coração é lembrado de que, mesmo quando a noite é densa, não está sozinho nem esquecido.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Isaías 50 está intimamente ligado aos cânticos do Servo (42; 49; 50; 52–53). O capítulo alterna entre a voz de YHWH (vv. 1–3), a voz do Servo (vv. 4–9) e uma exortação sapiencial (vv. 10–11). A estrutura literária claramente intencional realça o contraste entre a infidelidade de Israel e a fidelidade do Servo. Nos vv. 1–3, Deus usa perguntas retóricas típicas da literatura profética para expor a falsa percepção do povo. A menção à carta de divórcio e ao credor remete ao contexto legal do antigo Israel e de seus vizinhos, onde esses documentos eram prova formal de repúdio e obrigação. Ao perguntar “onde está?” e “quem é?”, Deus sublinha a ausência de qualquer base legal para acusá-lo de abandono. Em seguida, a referência a secar o mar e escurecer os céus ecoa o êxodo e a teofania, reforçando a identidade do Senhor como Redentor e Criador soberano. Nos vv. 4–9, o Servo é apresentado com linguagem de discipulado. Deus “desperta o ouvido” do Servo “como discípulos”, enfatizando uma relação mestre–aluno. A expressão “língua erudita” (ou “discípula”) aponta para a capacitação divina para o ministério da palavra, especialmente em favor dos cansados. A obediência é ativa: ele não se rebela e não recua, apesar da violência sofrida. A descrição de agressões físicas e humilhação (arrancar cabelos, cuspir) aproxima esse cântico do retrato do Servo sofredor em Isaías 52–53, sugerindo uma progressão na revelação do papel redentor do Servo. Teologicamente, os vv. 7–9 assumem tom forense: “perto está o que me justifica; quem contenderá comigo?”. A linguagem lembra um tribunal, em que o Servo se sabe declarado justo pelo próprio Deus, o que torna vãs as acusações dos adversários. Isso prepara terreno para o desenvolvimento posterior da doutrina da justificação e, na perspectiva cristã, é visto à luz da vindicação de Cristo na ressurreição. Por fim, os vv. 10–11 funcionam como aplicação. Verso 10 dirige-se aos “que temem ao Senhor e ouvem a voz do seu Servo”, articulando fé, temor do Senhor e escuta obediente. A metáfora das trevas e da ausência de luz alude à experiência existencial da prova. Verso 11, por contraste, utiliza a imagem do fogo e das faíscas para retratar a autoconfiança arrogante. O resultado de seguir a “luz” fabricada é juízo. Essa antítese ecoa temáticas de sabedoria (justo x ímpio) e enfatiza a centralidade da resposta humana ao chamado de Deus mediado pelo Servo.

Life
Life

Isaías 50 conversa diretamente com desafios práticos de escolhas, relacionamentos e perseverança. O início do capítulo desmascara uma tendência comum: culpar circunstâncias, pessoas ou até Deus pelas consequências de ações próprias. Deus lembra que o distanciamento não veio de uma decisão arbitrária dele, mas das maldades e transgressões do povo. Isso aponta para a importância de assumir responsabilidade por padrões de comportamento que geram rupturas familiares, conflitos e perdas. A forma como o Servo lida com sua missão oferece um modelo concreto de postura. Ele recebe ensino diariamente, escuta antes de falar e usa suas palavras para fortalecer os cansados. Em ambientes de trabalho, família ou comunidade, essa combinação de escuta atenta e fala cuidadosa é extremamente prática: ouvir de fato as pessoas, buscar sabedoria em Deus antes de responder, e evitar transformar a comunicação em arma de ataque ou defesa. A obediência do Servo também se expressa na coragem de enfrentar oposição sem abandonar a integridade. Ele não negocia sua fidelidade por medo de sofrer. Na vida cotidiana, isso se traduz em não ceder a atalhos desonestos, não trair valores importantes para obter vantagens rápidas, e persistir no que é correto mesmo sob pressão. A firmeza do “rosto como um seixo” sugere convicção interior, não teimosia vazia. O trecho sobre andar em trevas e confiar no Senhor é muito aplicável em momentos de decisões difíceis, quando não há todas as respostas. Em vez de agir impulsivamente apenas para sair do desconforto, o texto incentiva a tomar decisões à luz do caráter de Deus, dos princípios já revelados e do que se sabe ser correto, mesmo sem ver todo o caminho. Já o alerta aos que “acendem fogo” e se cercam de faíscas é um lembrete contra a autossuficiência destrutiva. Em termos práticos, abrange escolhas como entrar em acordos desonestos para resolver problemas financeiros, buscar alívio em vícios para escapar da dor ou manipular pessoas para chegar a um objetivo. São soluções que parecem práticas no curto prazo, mas produzem tormento no longo prazo. O caminho mais sábio, ainda que pareça mais lento, é alinhar decisões com a vontade de Deus, buscar conselhos saudáveis e reconhecer limites pessoais.

Soul
Soul

Isaías 50 conduz o olhar para dimensões profundas da relação com Deus e da própria identidade espiritual. O capítulo confronta a ideia de um Deus distante e indiferente, revelando um Senhor que continua poderoso para salvar e que não abandona seu povo por capricho. A ruptura é explicada em termos de pecado, o que reposiciona a questão fundamental: mais do que circunstâncias externas, o verdadeiro drama é a separação do coração humano de seu Criador. A figura do Servo ilumina o caminho da reconciliação. Ele é retratado como discípulo perfeito, que ouve e obedece integralmente. Sua língua e seus ouvidos são consagrados a Deus, e sua missão é falar palavras que restauram os cansados. Ao mesmo tempo, ele se oferece ao sofrimento injusto sem retroceder, confiando que Deus o justifica e o defende. Nessa combinação de obediência, sofrimento e vindicação, o texto lança bases para compreender a obra redentora de Cristo: o Servo que, ao carregar violência e vergonha, abre um caminho de restauração entre Deus e a humanidade. Do ponto de vista da vida espiritual, esse retrato mostra que seguir a Deus não é apenas buscar livramentos imediatos, mas alinhar-se com o Servo em uma obediência que pode incluir oposição e dor, com os olhos fixos na justificação que vem de Deus. A verdadeira segurança não está em evitar todo sofrimento, mas em ser encontrado em Deus, ajudado e justificado por Ele. O chamado a confiar no Senhor em meio às trevas aponta para o cerne da fé: crer no caráter de Deus quando as circunstâncias não revelam sua luz. Momentos de ausência de respostas não são necessariamente sinal de abandono, mas podem ser ocasiões de amadurecimento espiritual, em que a alma aprende a firmar-se mais na pessoa de Deus do que em resultados imediatos. Por outro lado, a advertência aos que andam à luz de seu próprio fogo fala da tentação de construir um projeto de vida totalmente centrado no eu, nas próprias certezas e estratégias, deixando Deus de lado. Espiritualmente, isso significa optar por uma autonomia que, no fim, desemboca em tormento, pois afasta da verdadeira fonte de sentido e vida. Isaías 50, assim, integra três dimensões: a exposição honesta do pecado que separa de Deus, a revelação de um Servo fiel que sofre e é justificado, e o convite para uma fé que se apoia no Senhor mesmo quando ainda não enxerga o desfecho. Essa combinação desenha um caminho de salvação, amadurecimento e esperança eterna.

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Versículos em Isaías 50

Isaías 50:1

" Assim diz o SENHOR: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor a quem eu vos tenha vendido? Eis que por vossas maldades fostes vendidos, e por vossas transgressões vossa mãe foi repudiada. "

Isaías 50:2

" Por que razão vim eu, e ninguém apareceu? Chamei, e ninguém respondeu? Porventura tanto se encolheu a minha mão, que já não possa remir? Ou não há mais força em mim para livrar? Eis que com a minha repreensão faço secar o mar, torno os rios em deserto, até que cheirem mal os seus peixes, porquanto não têm água e morrem de sede. "

Isaías 50:4

" O Senhor DEUS me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem. "

Isaías 50:6

" As minhas costas ofereci aos que me feriam, e a minha face aos que me arrancavam os cabelos; não escondi a minha face dos que me afrontavam e me cuspiam. "

Isaías 50:7

" Porque o Senhor DEUS me ajuda, assim não me confundo; por isso pus o meu rosto como um seixo, porque sei que não serei envergonhado. "

Isaías 50:7 mostra alguém certo de que Deus o apoia, por isso não desiste nem sente vergonha, mesmo sendo criticado ou maltratado. O “rosto como …

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Isaías 50:8

" Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim. "

Isaías 50:9

" Eis que o Senhor DEUS me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles como roupas se envelhecerão, e a traça os comerá. "

Isaías 50:10

" Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus. "

Isaías 50:11

" Eis que todos vós, que acendeis fogo, e vos cingis com faíscas, andai entre as labaredas do vosso fogo, e entre as faíscas, que acendestes. Isto vos sobrevirá da minha mão, e em tormentos jazereis. "

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