Isaías 37 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Isaías 37 na sua vida hoje

38 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Isaías 37?

Isaías 37 relata a reação do rei Ezequias diante da ameaça devastadora da Assíria. Em vez de se render ao medo e à arrogância de Senaqueribe, Ezequias rasga suas vestes, recorre ao templo e busca a direção do profeta Isaías. O capítulo destaca a oração sincera de Ezequias, a resposta poderosa de Deus por meio da profecia, a promessa de livramento e a intervenção sobrenatural que derrota o exército assírio. Ao final, o inimigo que blasfemara contra o Deus vivo é humilhado e morto, enquanto o remanescente de Judá recebe a promessa de restauração e frutificação.

Temas principais em Isaías 37

A oração na crise (versículos 1–5, 14–20)

Diante de uma ameaça humanamente impossível de vencer, Ezequias não se apoia apenas em alianças políticas ou estratégias militares. Ele leva as cartas de afronta ao templo, estende-as perante o Senhor e clama reconhecendo quem Deus é. A crise se torna ocasião de dependência profunda e de intercessão pelo remanescente.

Versículos-chave: 1, 14, 15, 20

Deus zela pelo seu Nome (versículos 4, 17–23, 28–29, 35)

As blasfêmias de Senaqueribe não são apenas contra Judá, mas contra o próprio Deus vivo. O Senhor deixa claro que conhece o orgulho do rei assírio e que sua intervenção visa demonstrar a todos os reinos da terra que só Ele é o Senhor.

Versículos-chave: 4, 17, 23, 35

A soberania de Deus sobre as nações (versículos 24–27, 33–34)

O Senhor revela que até mesmo as conquistas da Assíria faziam parte de seu plano antigo. O poder humano é colocado em perspectiva: os impérios são instrumentos temporários na mão de Deus, que decide o seu limite e o seu fim.

Versículos-chave: 26, 27, 33

Juízo sobre o orgulho e a blasfêmia (versículos 23–25, 28–29, 36–38)

O orgulho de Senaqueribe, que atribui a si mesmo o domínio sobre montes, rios e cidades, é confrontado pelo Senhor com imagens fortes: anzol no nariz e freio nos lábios. O fim trágico do rei mostra que nenhuma arrogância contra Deus permanece impune.

Versículos-chave: 23, 29, 36, 38

Preservação e restauração do remanescente (versículos 30–32, 35)

Enquanto o inimigo é destruído, Deus promete que de Jerusalém sairá um restante que lançará raízes e dará fruto. Há um futuro de estabilidade, plantio, colheita e vida para além da guerra, garantido pelo zelo do Senhor dos Exércitos.

Versículos-chave: 30, 31, 32

Contexto histórico e literario

Isaías 37 se passa no contexto da campanha assíria contra Judá, durante o reinado de Ezequias, no final do século VIII a.C. A Assíria era o grande império dominante da época, conhecido por sua brutalidade militar e estratégias de cerco. Senaqueribe, rei da Assíria, já havia conquistado muitas cidades fortificadas, inclusive de Judá, e agora ameaçava Jerusalém.

No capítulo anterior, o porta-voz assírio, Rabsaqué, havia zombado de Deus e intimidado o povo junto aos muros da cidade. Agora, as notícias de movimentações militares (como a ação de Tiraca, rei da Etiópia/Cuxe) criam um cenário complexo de alianças e guerras regionais. Em meio a isso, Ezequias, rei de Judá, busca o profeta Isaías, que atuava em Jerusalém, para receber uma palavra do Senhor.

Historicamente, registros assírios mencionam a campanha de Senaqueribe contra Judá e fazem referência ao cerco de cidades, incluindo Laquis. Isaías 37 apresenta a perspectiva teológica do acontecimento: mais do que uma disputa geopolítica, trata-se de um confronto entre o orgulho dos impérios e a soberania do Deus de Israel. O livramento de Jerusalém e a morte posterior de Senaqueribe no templo do seu deus ilustram que até mesmo os grandes reis respondem, em última instância, ao governo de Deus.

Estrutura de Isaías 37

O capítulo pode ser organizado em cinco grandes movimentos narrativos e proféticos:

  1. A reação de Ezequias e a busca por Isaías (37.1–7)
    Ezequias rasga suas vestes, se cobre de pano de saco e vai ao templo. Em seguida, envia uma comitiva a Isaías, descrevendo o dia como de angústia e blasfêmia e pedindo intercessão pelo remanescente. Isaías responde com uma palavra de encorajamento: não temer as blasfêmias, pois Deus fará Senaqueribe voltar à sua terra e morrer ali.

  2. A segunda ameaça assíria (37.8–13)
    Rabsaqué volta e encontra Senaqueribe em outra frente de batalha. Ameaçado por Tiraca, o rei assírio envia novas cartas a Ezequias, insistindo que confiar em Deus é ilusão e recordando a destruição de outras nações e seus reis.

  3. A oração de Ezequias no templo (37.14–20)
    Ezequias sobe à casa do Senhor, estende as cartas diante de Deus e ora. Reconhece o Senhor como Criador e Deus único sobre todos os reinos, apresenta a afronta de Senaqueribe como ataque ao Deus vivo e pede livramento para que todos saibam que só o Senhor é Deus.

  4. A resposta profética de Isaías (37.21–35)
    Isaías envia uma mensagem a Ezequias em nome do Senhor. O discurso se divide em:

    • A zombaria de Sião contra Senaqueribe (v.22);
    • A acusação contra a blasfêmia e o orgulho assírio (v.23–25);
    • A revelação de que as conquistas da Assíria faziam parte do plano antigo de Deus (v.26–27);
    • O anúncio do juízo sobre o orgulho de Senaqueribe (v.28–29);
    • O sinal dado a Judá sobre sustento e restauração agrícola (v.30);
    • A promessa de um remanescente enraizado e frutífero (v.31–32);
    • A garantia de que Senaqueribe não entrará em Jerusalém nem lançará flecha nela, pois o Senhor a defenderá por amor de si mesmo e de Davi (v.33–35).
  5. A intervenção divina e o fim de Senaqueribe (37.36–38)
    O anjo do Senhor fere 185 mil soldados assírios em uma única noite. Senaqueribe recolhe o exército e volta para Nínive. Anos depois, é assassinado por seus próprios filhos enquanto estava no templo de Nisroque, seu deus, e Esar-Hadom assume o trono.

Significado teológico

Isaías 37 ressalta a soberania absoluta de Deus em contraste com a fragilidade dos reinos humanos. Senaqueribe se vangloria de suas conquistas e despreza o Deus de Judá, mas o Senhor revela que até o sucesso militar assírio foi, em última instância, permitido e planejado por Ele. Nada foge do governo divino, nem mesmo o avanço de impérios hostis.

A oração de Ezequias revela uma teologia madura: ele se dirige a Deus como Senhor dos Exércitos e Criador, reconhece que os ídolos destruídos não eram deuses verdadeiros e pede livramento não apenas para sobrevivência, mas para que o Nome do Senhor seja conhecido entre as nações. O foco está na glória de Deus, não só no bem-estar imediato. Assim, a fé bíblica é apresentada como confiança num Deus vivo, pessoal, que ouve, vê e intervém na história.

O capítulo também reafirma a doutrina do remanescente. Mesmo em meio a juízo e guerra, Deus preserva um povo que lançará raízes e dará fruto. Essa preservação não é mérito humano, mas resultado do zelo do Senhor dos Exércitos e do compromisso com as promessas feitas a Davi. A defesa de Jerusalém é “por amor de mim e por amor do meu servo Davi”, apontando para a fidelidade de Deus à aliança e, em perspectiva maior, para a esperança messiânica que brota da linhagem de Davi.

Por fim, Isaías 37 mostra que o juízo divino recai sobre a arrogância e a blasfêmia. O destino de Senaqueribe, morto no templo do deus que não pôde salvá-lo, contrasta com a proteção concedida ao povo que se humilha e clama ao Senhor. A mensagem central é que a verdadeira segurança se encontra apenas em Deus, e que Ele age na história para vindicar o seu Nome, sustentar o seu povo e humilhar todo orgulho que se levanta contra o Santo de Israel.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Em linguagem de cuidado emocional, Isaías 37 apresenta um retrato de como lidar com ameaças esmagadoras. O contexto é de medo real, risco de destruição, sensação de impotência e profunda angústia. Ezequias expressa essa dor de forma forte, descrevendo o dia como de angústia e sem forças para o parto, imagem de exaustão e esgotamento.

O caminho que o texto sugere passa por alguns movimentos significativos: reconhecimento honesto da situação, procura de ajuda espiritual madura (no caso, o profeta Isaías), exposição da dor diante de Deus e confiança de que o Senhor vê, ouve e cuida. A resposta divina não ignora a ameaça, mas coloca a realidade dura dentro de uma perspectiva maior, em que Deus continua no controle e o mal tem limites.

Há, ainda, uma dimensão de consolo na promessa de futuro: depois da crise, viria o tempo de plantar, colher e lançar raízes novamente. A imagem da terra voltando a produzir e do remanescente dando fruto traz esperança para além do momento traumático, indicando que a vida não ficará para sempre congelada na experiência da ameaça.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo retrata situações que podem refletir gatilhos emocionais: angústia extrema diante de perigo iminente, sensação de não ter forças para seguir, discursos intimidadores que minam a confiança, além da experiência de se sentir pequeno diante de um poder opressor. Há, ainda, linguagem de guerra, morte em massa e violência política, que pode remeter a memórias traumáticas ou medos profundos.

É importante notar que o texto não idealiza a negação da realidade: o sofrimento é reconhecido, e a vulnerabilidade de Judá é explicitada. Em contextos de saúde emocional, esse tipo de quadro pode se aproximar de experiências de crise de ansiedade, desamparo ou ameaça real à segurança. Nesses casos, é saudável que a leitura bíblica caminhe em paralelo com apoio humano concreto, ajuda profissional quando necessário e ambientes seguros para compartilhar o que se sente, sem sobrecarregar o indivíduo com interpretações culpabilizadoras da fé.

Aplicação prática para hoje

Isaías 37 oferece diversas direções práticas para a vida cotidiana:

  1. Levar a crise à presença de Deus
    Diante de ameaças e notícias desanimadoras, Ezequias sobe ao templo e coloca as cartas diante do Senhor. A atitude é de transparência: o que o fere e ameaça é exposto diretamente a Deus, sem máscaras religiosas.

  2. Reconhecer quem Deus é antes de pedir
    Na oração, Ezequias começa exaltando o Senhor como Criador e Deus sobre todos os reinos. Esse foco ajuda a reorganizar a percepção da realidade, lembrando que nenhum problema é maior do que o governo de Deus.

  3. Buscar orientação sábia e piedosa
    O rei recorre a Isaías, alguém comprometido com a voz de Deus. Em tempos de crise, cresce a importância de ouvir conselhos de pessoas maduras na fé, em vez de se apoiar apenas em medo, impulsos ou opiniões superficiais.

  4. Enxergar o orgulho como perigo espiritual
    O texto denuncia a arrogância que se atribui todo poder e ignora Deus. Em termos práticos, isso incentiva a cultivar humildade, reconhecer limites pessoais e lembrar que talentos, recursos e conquistas não são absolutos nem autossuficientes.

  5. Aguardar o tempo da restauração
    O sinal dado a Judá fala de um processo: primeiro comer o que nasce espontaneamente, depois o que procede, e só então voltar a semear e colher normalmente. Em muitas áreas da vida, a reconstrução após crises também ocorre em etapas, exigindo paciência, perseverança e esperança.

  6. Confiar que Deus preserva um remanescente
    Mesmo quando tudo parece prestes a ruir, o texto afirma que haverá raiz e fruto para o povo de Deus. Isso inspira a manter fidelidade, ainda que em pequena escala, crendo que Deus valoriza e sustenta a perseverança, mesmo em tempos de pressão.

Perguntas frequentes

Por que Ezequias rasgou suas vestes e se cobriu de saco em Isaías 37?

Rasgar as vestes e vestir pano de saco eram sinais culturais de luto, humilhação e arrependimento. Diante da ameaça assíria e das blasfêmias contra Deus, Ezequias demonstra profunda angústia e dependência do Senhor. Não é apenas reação emocional, mas um gesto espiritual: ele se coloca em posição de humildade diante de Deus, reconhecendo que não tem forças para enfrentar a crise por si mesmo.

O que significa Ezequias estender as cartas de Senaqueribe perante o Senhor?

Ao estender as cartas no templo, Ezequias simbolicamente coloca a situação inteira diante de Deus. Ele não guarda o ataque para si, nem tenta resolver apenas com recursos humanos. Esse gesto expressa fé de que Deus vê e lê aquilo que foi escrito, reconhece a afronta e tem poder para agir. É uma forma concreta de transformar uma ameaça externa em assunto trazido para a intimidade com o Senhor.

Como entender a afirmação de que Deus havia planejado as conquistas da Assíria?

Nos versículos 26–27, Deus declara que as vitórias assírias já estavam em seu plano “desde os dias antigos”. Isso não significa aprovação moral dos abusos da Assíria, mas revela que até mesmo impérios violentos podem ser usados por Deus como instrumentos de disciplina ou juízo sobre as nações. A soberania divina não anula a responsabilidade humana: o orgulho e a crueldade da Assíria continuam sujeitos ao juízo de Deus, como o capítulo mostra no fim de Senaqueribe.

Quem é o ‘remanescente’ mencionado em Isaías 37?

O remanescente é o grupo que permanece fiel e é preservado por Deus em meio a juízo, guerra e afastamento espiritual do povo como um todo. Em Isaías 37, esse remanescente é identificado com aqueles que escapam de Jerusalém e do monte Sião, que “lançarão raízes para baixo e darão fruto para cima”. A ideia é que, mesmo em cenários de grande perda, Deus guarda um povo a partir do qual traz renovação e cumprimento de suas promessas.

O que representa o sinal dos três anos comendo o que nasce espontaneamente?

O sinal dos versículos 30–32 indica um processo gradual de restauração após a crise. Nos dois primeiros anos, o povo sobreviveria com o que brotasse espontaneamente da terra, provavelmente porque as condições de guerra e cerco dificultavam o cultivo normal. No terceiro ano, poderiam semear, colher e plantar vinhas. Isso mostra que Deus não apenas livra da ameaça imediata, mas também cuida da reconstrução da vida cotidiana, devolvendo estabilidade e capacidade de produzir fruto.

Quem é o anjo do Senhor que destrói o exército assírio?

O texto afirma que “o anjo do Senhor” feriu 185 mil soldados assírios em uma noite, sem dar detalhes sobre o meio usado. Na literatura bíblica, o anjo do Senhor representa frequentemente a ação poderosa e específica de Deus em favor do seu povo, seja em livramento, seja em juízo. O foco não está na curiosidade sobre o “como”, mas em afirmar que o livramento de Jerusalém foi obra direta do Senhor, impossível de ser atribuída à força humana.

Por que a defesa de Jerusalém é ‘por amor de mim e por amor do meu servo Davi’?

No versículo 35, Deus diz que defenderá Jerusalém por amor de si mesmo e por amor de Davi. Isso aponta para a fidelidade de Deus ao seu próprio Nome e às promessas feitas à casa de Davi, de que haveria sempre um descendente seu no trono. A salvação da cidade não repousa na justiça de Ezequias ou do povo, mas na graça e no compromisso de Deus com a aliança. Em perspectiva mais ampla, isso prepara o caminho para a esperança messiânica, cumprida no descendente maior de Davi.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Isaías 37 mostra um coração em profunda aflição. Ezequias não tenta disfarçar a dor nem a sensação de impotência. Ele se veste de pano de saco, fala de um dia de angústia e admite que não há forças para o “parto”. Essa linguagem de exaustão emociona, porque reflete momentos em que o cansaço é tão grande que parece não haver energia nem para o passo seguinte. Nesse cenário, o texto mostra um Deus que leva a sério tanto o sofrimento quanto as palavras de afronta que pesam sobre o coração. A imagem de Ezequias estendendo as cartas diante do Senhor é profundamente acolhedora: tudo o que o fere, assusta e humilha é colocado à vista de Deus. Não há necessidade de suportar sozinho o peso das ameaças; elas podem ser trazidas à presença divina. Também há consolo na forma como Deus responde. Ele não apenas ordena que Ezequias “não tema”, mas explica que ouviu as blasfêmias e sabe do orgulho do inimigo. O Senhor vê, sabe, conhece o assentar, o sair, o entrar e até o furor que se levanta contra Ele. Isso comunica cuidado atento, não indiferença distante. Outra dimensão confortadora está na promessa de futuro: a imagem de comer o que nasce espontaneamente, depois plantar e colher, sugere que o tempo de terror não será a última palavra. Há um amanhã em que raízes se aprofundam e frutos aparecem. A história do povo não termina no cerco, mas na preservação do remanescente. Essa perspectiva consola corações cansados: mesmo quando tudo parece reduzido a ruínas, o zelo do Senhor continua ativo, sustentando silenciosamente a possibilidade de uma nova estação de vida.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Isaías 37 é um ponto-chave na seção de narrativas históricas em Isaías (36–39). Ele faz ponte entre as profecias contra as nações e o anúncio mais explícito de esperança futura, ao mostrar na prática como Deus governa sobre a política internacional. Textualmente, o capítulo possui paralelos estreitos com 2 Reis 19, mostrando que o material foi preservado em diferentes tradições históricas, com pequenas variações. Esse paralelismo reforça a importância do evento para a fé de Israel: trata-se de um livramento paradigmático, em que Jerusalém é cercada por uma potência mundial, mas não cai, em contraste com o que havia acontecido ao Reino do Norte (Israel) pouco antes. Um ponto teológico significativo é a tensão entre responsabilidade humana e soberania divina. Senaqueribe se vangloria de suas campanhas (v.24–25), mas Deus reivindica a autoria última do cenário geopolítico: “Já há muito tempo eu fiz isto…”. Esse tipo de afirmação, recorrente em Isaías, não visa descrever um determinismo cego, mas proclamar que a história não está fora do plano de Deus – mesmo quando envolve agentes ímpios. A Assíria é instrumento, mas não está acima do Senhor. A estrutura da profecia de Isaías (v.21–35) articula bem o tema do remanescente: primeiro o juízo do orgulho, depois o sinal de sustento, e, por fim, a garantia da sobrevivência de um grupo fiel. Essa ideia se liga a outras passagens do livro (como Isaías 6.13; 10.20–22), formando um fio condutor importante: Deus julga, mas preserva um núcleo a partir do qual cumprirá suas promessas. Do ponto de vista literário, a ironia é forte: Jerusalém, descrita como “virgem, filha de Sião”, zomba daquele que a cercou. A cidade frágil, aparentemente indefesa, é retratada como quem ri por último, não por causa de sua força militar, mas porque o Senhor a defende. No desfecho, Senaqueribe é morto em seu próprio templo, diante do deus que não o salva, em contraste com Ezequias, que havia encontrado livramento ao buscar o templo do Senhor. A teologia da verdadeira divindade é, assim, dramatizada na narrativa.

Life
Life

Isaías 37 traz lições práticas fortes para o cotidiano, especialmente em tempos de pressão. A postura de Ezequias mostra que enfrentar grandes problemas não significa negar a dor, mas escolher onde colocar o foco. Ele reconhece o perigo, ouve ameaças concretas e, ao mesmo tempo, decide que seu primeiro movimento será ir à “casa do Senhor” e consultar alguém espiritualmente sábio. No campo das decisões, é perceptível o contraste entre dois caminhos: a autoconfiança orgulhosa da Assíria e a dependência conscientemente assumida de Judá. Senaqueribe lê suas vitórias passadas como prova de que nada o deterá; Ezequias relembra que Deus é Senhor de todos os reinos, inclusive da Assíria. Na prática, isso convida a reavaliar onde se apoia a segurança: em recursos, histórico de sucesso, estratégias humanas, ou numa confiança real de que Deus continua governando a situação. Outro ponto útil é o processo de restauração que o texto descreve. O sinal dado a Judá, com a sequência de anos até voltar a semear e colher, aponta para uma realidade comum em reconstruções de vida: raramente há recuperação instantânea. Primeiro, aproveita-se o que já existe; depois, o que cresce a partir disso; apenas num terceiro momento a vida retoma a produtividade plena. Aplicado a finanças, trabalho, relacionamentos ou saúde, esse padrão encoraja a não desprezar pequenos começos e adaptações provisórias. A forma como Deus trata o orgulho de Senaqueribe também traz reflexão prática. Linguagem de “anzol no nariz” e “freio nos lábios” sugere que a arrogância cega pode levar a caminhos dos quais a pessoa depois será forçada a voltar. Há um chamado implícito à humildade: reconhecer limites antes que seja necessário ser “puxado de volta” por circunstâncias duras. Em termos de decisões diárias, isso se traduz em abrir espaço para correção, checar motivações e lembrar que poder e sucesso, se não forem submetidos a Deus, podem se tornar armadilhas. Por fim, o capítulo encoraja a nutrir uma visão de futuro mesmo quando o presente é hostil. A promessa de raízes e frutos para o remanescente inspira a manter, em pequenas escolhas diárias, um compromisso com aquilo que permanece – fidelidade, integridade, confiança – ainda que os resultados não sejam imediatos. A vida prática, sob essa luz, é um campo onde a fé se traduz em perseverança, plantio paciente e expectativa de que Deus continua escrevendo a história para além das ameaças atuais.

Soul
Soul

Em perspectiva de formação espiritual, Isaías 37 é um exercício profundo de aprender a viver diante de Deus em meio a forças que parecem esmagadoras. Ezequias se vê encurralado por um império que se gaba de ter destruído nações e deuses. A reação do rei não é construir uma espiritualidade triunfalista, mas se humilhar, reconhecer a grandeza do Senhor e submeter a Ele o destino de Jerusalém. A oração do rei é teologicamente densa e espiritualmente formadora. Ele começa contemplando quem Deus é – Senhor dos Exércitos, Deus de Israel que habita entre os querubins, Criador dos céus e da terra. Em termos de vida interior, isso sugere que, nas horas de ameaça, a alma é fortalecida não tanto pelo exame obsessivo do problema, mas pela contemplação do caráter de Deus. Só depois de afirmar a grandeza divina é que Ezequias pede: “Inclina o teu ouvido… abre os teus olhos…”. A relação não é mecânica; é de aliança e adoração. O pedido de livramento também revela uma espiritualidade orientada para a glória de Deus: “para que saibam todos os reinos da terra que só tu és o Senhor”. A crise torna-se palco em que o Nome do Senhor pode ser conhecido. A alma amadurece quando passa a enxergar os próprios conflitos não somente como ameaças à sua segurança, mas como oportunidades de testemunhar quem Deus é, seja no agir sobrenatural, seja na fidelidade mantida sob pressão. O anúncio do remanescente que lança raízes para baixo e dá fruto para cima oferece uma imagem rica para a vida espiritual. Raiz profunda fala de intimidade, firmeza em Deus, vida escondida na Sua vontade. Fruto para cima fala de testemunho, impacto, expressão visível da obra divina. O Senhor promete cuidar desse processo, movido por seu zelo. Assim, a jornada da alma não é apenas sobreviver aos cercos da vida, mas se tornar parte desse remanescente que, mesmo provado, é preservado para viver em fidelidade e frutificação. Por fim, o fim de Senaqueribe, morto no templo do seu deus, contrasta com Ezequias, que encontra vida ao buscar o templo do Senhor. Em termos eternos, o capítulo lembra que todos os poderes, ideologias e seguranças alternativas terão fim, enquanto o Deus vivo permanece. A espiritualidade moldada por Isaías 37 aprende a ancorar a confiança não em estruturas passageiras, mas naquele que dirige a história, julga o orgulho e sustenta, para sempre, os que se refugiam em seu Nome.

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Versículos em Isaías 37

Isaías 37:1

" E aconteceu que, tendo ouvido isso, o rei Ezequias rasgou as suas vestes, e se cobriu de saco, e entrou na casa do SENHOR. "

Isaías 37:2

" Então enviou Eliaquim, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e os anciãos dos sacerdotes, cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amós. "

Isaías 37:3

" E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, e de vitupério, e de blasfêmias; porque chegados são os filhos ao parto, e força não há para dá-los à luz. "

Isaías 37:4

" Porventura o SENHOR teu Deus terá ouvido as palavras de Rabsaqué, a quem o rei da Assíria, seu senhor, enviou para afrontar o Deus vivo, e para vituperá-lo com as palavras que o SENHOR teu Deus tem ouvido; faze oração pelo remanescente que ficou. "

Isaías 37:6

" E Isaías lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o SENHOR: Não temas à vista das palavras que ouviste, com as quais os servos do rei da Assíria me blasfemaram. "

Isaías 37:7

" Eis que porei nele um espírito, e ele ouvirá um rumor, e voltará para a sua terra; e fá-lo-ei cair morto à espada na sua terra. "

Isaías 37:8

" Voltou, pois, Rabsaqué, e achou ao rei da Assíria pelejando contra Libna; porque ouvira que já se havia retirado de Laquis. "

Isaías 37:9

" E, ouviu ele dizer que Tiraca, rei da Etiópia, tinha saído para lhe fazer guerra. Assim que ouviu isto, enviou mensageiros a Ezequias, dizendo: "

Isaías 37:10

" Assim falareis a Ezequias, rei de Judá, dizendo: Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalém não será entregue na mão do rei da Assíria. "

Isaías 37:11

" Eis que já tens ouvido o que fizeram os reis da Assíria a todas as terras, destruindo-as totalmente; e escaparias tu? "

Isaías 37:12

" Porventura as livraram os deuses das nações que meus pais destruíram: Gozã, e Harã, e Rezefe, e os filhos de Éden, que estavam em Telassar? "

Isaías 37:12 mostra o rei da Assíria zombando de Deus, dizendo que nenhum deus das outras nações conseguiu salvá-las. O sentido é revelar arrogância humana …

Ler análise completa

Isaías 37:14

" Recebendo, pois, Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros, e lendo-as, subiu à casa do Senhor; e Ezequias as estendeu perante o Senhor. "

Isaías 37:16

" Ó Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins; tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. "

Isaías 37:17

" Inclina, ó Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, Senhor, os teus olhos, e vê; e ouve todas as palavras de Senaqueribe, as quais ele enviou para afrontar o Deus vivo. "

Isaías 37:19

" E lançaram no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, senão obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. "

Isaías 37:20

" Agora, pois, ó Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão; e assim saberão todos os reinos da terra, que só tu és o Senhor. "

Isaías 37:21

" Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Quanto ao que pediste acerca de Senaqueribe, rei da Assíria, "

Isaías 37:22

" Esta é a palavra que o Senhor falou a respeito dele: A virgem, a filha de Sião, te despreza, de ti zomba; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti. "

Isaías 37:23

" A quem afrontaste e blasfemaste? E contra quem alçaste a voz, e ergueste os teus olhos ao alto? Contra o Santo de Israel. "

Isaías 37:24

" Por meio de teus servos afrontaste o Senhor, e disseste: Com a multidão dos meus carros subi eu aos cumes dos montes, aos últimos recessos do Líbano; e cortarei os seus altos cedros e as suas faias escolhidas, e entrarei na altura do seu cume, ao bosque do seu campo fértil. "

Isaías 37:26

" Porventura não ouviste que já há muito tempo eu fiz isto, e já desde os dias antigos o tinha formado? Agora porém o fiz vir, para que tu fosses o que destruísse as cidades fortificadas, e as reduzisse a montões de ruínas. "

Isaías 37:27

" Por isso os seus moradores, dispondo de pouca força, andaram atemorizados e envergonhados; tornaram-se como a erva do campo, e a relva verde, e o feno dos telhados, e o trigo queimado antes da seara. "

Isaías 37:29

" Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua arrogância subiu até aos meus ouvidos, portanto porei o meu anzol no teu nariz e o meu freio nos teus lábios, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste. "

Isaías 37:30

" E isto te será por sinal: Este ano se comerá o que espontaneamente nascer, e no segundo ano o que daí proceder; porém no terceiro ano semeai e segai, e plantai vinhas, e comei os frutos delas. "

Isaías 37:31

" Porque o que escapou da casa de Judá, e restou, tornará a lançar raízes para baixo, e dará fruto para cima. "

Isaías 37:32

" Porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte de Sião os que escaparem; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. "

Isaías 37:33

" Portanto, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Não entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma; tampouco virá perante ela com escudo, ou levantará trincheira contra ela. "

Isaías 37:36

" Então saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles; e, quando se levantaram pela manhã cedo, eis que todos estes eram corpos mortos. "

Isaías 37:38

" E sucedeu que, estando ele prostrado na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus filhos, o feriram à espada; escaparam para a terra de Ararate; e Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar. "

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