Isaías 48:1
" Ouvi isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça. "
Entenda os temas principais e aplique Isaías 48 na sua vida hoje
22 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O povo usa o nome de Deus, menciona a cidade santa e faz juramentos, mas sem verdade nem justiça. Deus expõe a dureza de cerviz e a infidelidade de um povo chamado transgressor desde o ventre.
O Senhor relembra que anunciou desde a antiguidade o que iria fazer e cumpriu rapidamente, para que ninguém atribuísse aos ídolos. Agora, ele revela coisas novas e ocultas, que o povo não conhecia.
Deus afirma que purificou seu povo, mas não como a prata; escolheu-o na fornalha da aflição. A correção não é destruição, mas um processo doloroso de refinamento e restauração da aliança.
O Senhor age primariamente por amor do seu próprio nome e da sua glória, que não será compartilhada com ídolos. Sua fidelidade à promessa está ligada à honra do seu nome diante das nações.
Deus se apresenta como o Redentor e Santo de Israel, o Deus que ensina o que é útil e guia pelo caminho em que se deve andar. A obediência traria paz como um rio e justiça como ondas do mar.
O povo é chamado a sair de Babilônia com voz de júbilo, proclamando que o Senhor remiu Jacó. Deus relembra como sustentou Israel no deserto com água da rocha, sinal de cuidado contínuo.
Isaías 48 se encaixa na parte do livro que fala ao contexto do exílio babilônico e do futuro retorno. Embora Isaías tenha profetizado no século VIII a.C., antes da queda de Jerusalém, esta seção do livro (caps. 40–55) antecipa profeticamente um período posterior, quando Judá seria levada cativa para Babilônia e depois libertada.
Babilônia era o grande império que, no século VI a.C., destruiu Jerusalém e o templo, deportando muitos judeus. Os “caldeus” (v.14) são os babilônios. Dentro dessa realidade, o povo vivia cercado de idolatria, pressão cultural e sensação de abandono. Deus, por meio de Isaías, revela que o cativeiro não pegou o Senhor de surpresa; fazia parte de sua disciplina para um povo endurecido e infiel.
O anúncio de alguém que executaria a vontade de Deus contra Babilônia (v.14-15) é tradicionalmente associado a Ciro, rei da Pérsia, que conquistaria Babilônia e permitiria o retorno dos judeus à sua terra. A ordem “Saí de babilônia, fugi de entre os caldeus” (v.20) ecoa o chamado histórico para que os exilados deixassem a segurança aparente da terra estrangeira e confiassem na restauração prometida em Judá.
O capítulo também dialoga com a forte presença de idolatria, tanto em Israel quanto nas nações. Deus insiste que sua revelação prévia dos acontecimentos tinha o propósito de impedir que o povo atribuisse livramentos e mudanças históricas aos deuses falsos e às imagens de escultura.
Isaías 48 apresenta uma composição profética com forte tom de tribunal divino e de apelo pastoral, que pode ser esquematizada assim:
Acusação de hipocrisia e infidelidade (v.1-2)
O povo é convocado a ouvir. São descritos como aqueles que usam o nome de Israel, juram pelo nome do Senhor e se firmam sobre o Deus de Israel, mas sem verdade nem justiça.
Recordação das profecias antigas e seu cumprimento (v.3-5)
Deus relembra que anunciou desde a antiguidade acontecimentos que se cumpriram rapidamente, para que o povo não atribuísse tudo aos ídolos.
Revelação de coisas novas e ocultas (v.6-8)
O Senhor introduz “coisas novas e ocultas” que o povo não conhecia. Essa novidade é contraposta à surdez e perfídia de Israel, chamado transgressor desde o ventre.
Motivo da paciência divina: seu nome e sua glória (v.9-11)
Deus explica por que retarda sua ira e não destrói o povo: por amor do seu nome e da sua glória. A disciplina é descrita como purificação na “fornalha da aflição”.
Afirmação da identidade do Deus eterno e Criador (v.12-13)
O Senhor reafirma: “eu o primeiro, eu também o último”, e relembra sua obra criadora dos céus e da terra.
Convocação a ouvir e anúncio da ação contra Babilônia (v.14-15)
Uma nova assembleia é convocada. Deus destaca alguém amado por ele, que executará sua vontade contra Babilônia e os caldeus.
Chamado a se aproximar e referência ao Enviado e ao Espírito (v.16)
O texto declara que Deus não falou em segredo e menciona o envio do mensageiro pelo Senhor Deus e por seu Espírito, criando um momento de profunda densidade teológica.
Oráculo do Redentor que ensina e guia (v.17-19)
O Senhor se apresenta como Redentor e Santo de Israel, que ensina o que é útil. Há um lamento condicional: se o povo tivesse dado ouvidos, teria paz abundante e descendência incontável.
Ordem de sair de Babilônia e proclamar a redenção (v.20-21)
Um chamado prático: sair de Babilônia, anunciar com júbilo a redenção de Jacó e lembrar o cuidado de Deus com água no deserto.
Conclusão solene: ausência de paz para os ímpios (v.22)
O capítulo se fecha com um dito categórico que contrasta com as promessas de paz: “os ímpios não têm paz”.
Isaías 48 entrelaça temas centrais da teologia bíblica: a soberania de Deus na história, a pecaminosidade persistente do povo, a disciplina purificadora e a fidelidade divina ao próprio nome.
Deus se apresenta como Senhor da história e da criação. Ele é o primeiro e o último (v.12), expressando sua eternidade e supremacia. Sua mão fundou a terra e mediu os céus (v.13), de modo que todos os eventos históricos – inclusive a ascensão e queda de impérios como Babilônia – estão sob seu controle. Nada acontece fora do seu governo providencial.
O capítulo enfatiza a incapacidade do povo de se autojustificar. Israel é descrito como duro, de cerviz de ferro e testa de bronze (v.4), transgressor desde o ventre (v.8). A hipocrisia religiosa é denunciada: jurar em nome do Senhor e se identificar com a cidade santa não basta, se não houver verdade e justiça (v.1-2). Essa visão está em harmonia com toda a Bíblia, que mostra que pertença ao povo de Deus é aliança viva, e não apenas identidade cultural.
Teologicamente, o texto sublinha que a revelação de Deus é proposital e suficiente. Ele anuncia antecipadamente o que fará (v.3-5), e agora revela coisas novas (v.6-7), para que se reconheça sua mão e não se dê glória aos ídolos. A profecia não é mero prognóstico, mas instrumento para preservar a glória de Deus e fortalecer a fé.
A disciplina de Deus aparece como “fornalha da aflição” (v.10). Não é destruição definitiva, mas tratamento severo para purificar. Esse quadro antecipa a compreensão bíblica de que o sofrimento pode ser meio de refinamento espiritual. A razão última pela qual o povo não é cortado está em Deus, não em Israel: “por amor do meu nome retardarei a minha ira” (v.9); “por amor de mim, por amor de mim o farei” (v.11). Isso ressalta a doutrina da graça e da eleição: Deus mantém a aliança para honrar seu próprio nome.
O capítulo também possui relevo cristológico nas referências ao Enviado e ao Espírito (v.16), que a tradição cristã costuma ver como um vislumbre da relação intratrinitária: o Senhor Deus envia, juntamente com seu Espírito, aquele que fala desde o princípio. Ainda que o texto não detalhe plenamente essa identidade, ele prepara o terreno para a revelação posterior de Cristo como o Enviado do Pai, ungido pelo Espírito.
Por fim, a tensão entre paz e ausência de paz traz uma dimensão escatológica. A paz, ligada à obediência (v.17-18), é apresentada como plenitude de vida sob o governo de Deus, enquanto o veredito “os ímpios não têm paz” (v.22) antecipa o juízo final sobre o mal. A libertação de Babilônia se torna um sinal histórico de uma redenção maior, em que Deus chama seu povo a deixar toda escravidão espiritual e a viver na liberdade e paz que ele oferece.
Isaías 48 oferece um olhar realista sobre o coração humano e, ao mesmo tempo, uma profunda fonte de esperança para quem se sente confuso, castigado ou cansado. O povo vive tensões semelhantes às de muitas pessoas hoje: identidade religiosa sem convicção profunda, teimosia, repetição de erros, sensação de estar em “fornalha de aflição” e dificuldade de confiar em Deus em meio a cativeiros literais ou simbólicos.
O capítulo mostra um Deus que reconhece a dureza do coração humano, mas não desiste de corrigir e resgatar. A disciplina divina não é apresentada como rejeição, e sim como purificação. Essa visão ajuda a reinterpretar experiências dolorosas, não como prova de abandono definitivo, mas como parte de um processo de refinamento que visa o bem último. Ao mesmo tempo, o texto traz consolo ao lembrar que Deus conhece antecipadamente nossa infidelidade e, ainda assim, escolhe agir com paciência.
Há um foco especial na importância de ouvir. A repetição do chamado “ouvi isto” aponta para a escuta como caminho de transformação. A falta de paz é ligada à desobediência e à dureza, enquanto a paz como um rio está associada à prática dos mandamentos. Em termos emocionais, isso sugere que boa parte da agitação interna está relacionada a resistências profundas à vontade de Deus e à confiança nele.
A lembrança do cuidado de Deus no deserto, fazendo brotar água da rocha, traz uma imagem poderosa para quem se sente esgotado. Mesmo em terrenos áridos da vida, o texto afirma que Deus é capaz de prover recursos inesperados. O chamado a sair de “Babilônia” também tem implicações terapêuticas: envolve desapego de ambientes, hábitos e vínculos que reforçam cativeiros interiores.
Ao final, a distinção entre quem encontra paz e quem permanece sem paz convida à reflexão sobre escolhas espirituais e emocionais. Isaías 48 valida a dor da disciplina, mas sustenta que a verdadeira segurança não está em ídolos ou sistemas humanos, e sim no Deus que fala, purifica, guia e redime.
A imagem da fornalha da aflição aponta para a disciplina severa pela qual Israel passou, especialmente o cativeiro e as crises nacionais. Como o metal é aquecido para ser purificado, o povo foi submetido a situações difíceis para ser refinado em sua fé e fidelidade. Não se trata de destruição definitiva, mas de um processo doloroso com objetivo restaurador: remover impurezas espirituais, quebrar a idolatria e renovar a confiança exclusiva em Deus.
Quando Deus afirma que age por amor do próprio nome, ele destaca que sua fidelidade não depende do merecimento do povo, mas do compromisso que assumiu consigo mesmo e com suas promessas. O “nome” de Deus representa seu caráter, sua reputação e sua glória diante das nações. Se ele abandonasse completamente seu povo, pareceria que seus planos falharam ou que os ídolos venceram. Assim, Deus retarda sua ira e preserva Israel para demonstrar quem ele é: fiel, soberano e digno de toda glória.
Historicamente, muitos intérpretes entendem que essa figura aponta para Ciro, rei da Pérsia, a quem Deus usaria para derrubar Babilônia e permitir o retorno dos judeus à sua terra. Ele é descrito como alguém cujo caminho o Senhor faria próspero. Ao mesmo tempo, o modo como Isaías apresenta esses servos de Deus prepara o terreno para uma compreensão mais ampla do agir divino através de instrumentos humanos e aponta, em última instância, para a obra definitiva de libertação cumprida por Cristo.
Essa frase resume um princípio teológico e existencial: afastar-se de Deus e rejeitar seus caminhos conduz a uma vida sem verdadeira paz, mesmo que haja prosperidade aparente. A falta de paz envolve inquietação interior, conflito com o próximo e, em última instância, separação de Deus. O texto não diz que quem teme a Deus nunca terá lutas, mas que a paz profunda prometida por ele é incompatível com uma postura persistente de rebeldia e injustiça.
No contexto histórico, “sair de Babilônia” era o chamado literal para que os exilados deixassem a terra do cativeiro e retornassem a Judá. Em sentido espiritual mais amplo, a expressão passou a simbolizar o rompimento com sistemas, hábitos e ambientes que escravizam e afastam de Deus. Implica rejeitar a segurança ilusória oferecida por estruturas injustas ou idólatras e confiar na direção de Deus, ainda que o caminho pareça mais arriscado ou desconhecido.
Isaías 48 revela um Deus que conhece a dureza, as falhas e as traições do seu povo, mas ainda assim decide não abandoná-lo. O texto não suaviza a realidade: há hipocrisia, ídolos, teimosia e muitos enganos. Mesmo assim, o Senhor diz: “por amor do meu nome retardarei a minha ira” e declara que purifica, em vez de simplesmente destruir. Essa combinação de verdade dura e amor fiel cria um cenário onde a dor é reconhecida e, ao mesmo tempo, envolvida por esperança. A imagem da “fornalha da aflição” fala de sofrimentos que parecem intensos demais. O povo sente o fogo, mas Deus deixa claro que não perdeu o controle: ele está usando a aflição como um processo de refinamento, não como castigo cego. Isso mostra que a dor não é o capítulo final. A disciplina não é rejeição; é um sinal de que Deus ainda se importa com o destino daquele povo. Também chama atenção o lamento de Deus: “Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos...” Há um tom de pesar, como de um Pai que sabe o quanto a obediência teria poupado feridas e dado paz “como o rio”. Não é um “eu avisei” triunfante, mas um suspiro de quem ama e vê quanto sofrimento poderia ter sido evitado. Isso mostra um Deus emocionalmente envolvido, que sente e se importa com o bem-estar profundo de seu povo. A lembrança da água no deserto diz que, mesmo em cenários secos e áridos, Deus é capaz de fazer brotar recursos inesperados. Ele não promete ausência de desertos, mas presença fiel nesses lugares. E, enquanto encerra o capítulo afirmando que “os ímpios não têm paz”, também deixa implícito o outro lado: ele deseja paz para seu povo, uma paz que nasce de ouvir, confiar e caminhar com ele, mesmo depois de muitas quedas.
Isaías 48 se insere na secção do livro frequentemente chamada de “Segundo Isaías” (caps. 40–55), marcada por oráculos de consolo e restauração dirigidos a um Israel em contexto de exílio. Este capítulo funciona como um discurso de tipo processual, onde Deus convoca o povo como testemunha, faz acusações, lembra sua atuação histórica e anuncia novos atos salvíficos. Do ponto de vista exegético, há um contraste programático entre forma e substância da identidade de Israel. O povo “se chama” do nome de Israel, “saído das águas de Judá” e “faz menção do Deus de Israel” (v.1-2), mas a denúncia é que isso não ocorre “em verdade nem em justiça”. A expressão “casa de Jacó” aponta para a totalidade da nação, enquanto “águas de Judá” provavelmente remete à origem genealógica, sublinhando que o problema não é de pertencimento étnico, e sim de infidelidade ética e espiritual. Um eixo teológico central é a revelação profética como antídoto contra a idolatria. Deus diz que, sabendo da propensão do povo a atribuir tudo aos ídolos, anunciou “desde a antiguidade” o que faria e cumpriu rapidamente (v.3-5). A introdução de “coisas novas e ocultas” (v.6-7) não nega a continuidade com revelações prévias, mas indica estágios na economia da revelação divina: há elementos que só são revelados em momentos específicos da história da aliança. O motivo da disciplina aparece vinculado à pureza do nome de Deus: “por amor do meu nome retardarei a minha ira” (v.9). Aqui se vê a lógica da teologia da aliança: a honra do nome divino, manifestada na fidelidade às promessas, é o fundamento da preservação de Israel, mesmo na infidelidade. A metáfora metalúrgica da purificação “não como a prata” (v.10) sugere que o processo não é apenas técnico, mas relacional: Deus escolhe o povo “na fornalha da aflição”, isto é, em meio ao fogo das tribulações históricas. Os vv.12-13 reafirmam atributos que, em outros textos, serão associados ao monoteísmo estrito: Deus é o primeiro e o último, criador dos céus e da terra. Isso prepara o discurso contra os ídolos e fundamenta a confiança em sua capacidade de controlar a história, inclusive o destino de Babilônia (v.14-15). A referência ao Enviado “pelo Senhor Deus e pelo seu Espírito” (v.16) é um dos textos mais enigmáticos do capítulo, sugerindo uma complexa dinâmica intra-divina que, à luz da revelação cristã posterior, é frequentemente lida como prenúncio trinitário. O clímax prático do oráculo está em v.17-19, quando o Senhor se apresenta como Redentor e Mestre, que ensina “o que é útil” e guia no “caminho em que deves andar”. O condicional “Ah! se tivesses dado ouvidos...” explicita a conexão entre obediência e shalom. O chamado “Saí de Babilônia” (v.20) já projeta o retorno do exílio e se vincula a outros textos (como Is 52:11), onde sair da cidade opressora implica também purificação cultual. O oráculo se encerra com uma fórmula sentenciosa (“os ímpios não têm paz”), que reaparece em Isaías 57:21, servindo como refrão teológico e advertência escatológica.
Isaías 48 toca temas profundamente práticos para qualquer tempo: hipocrisia religiosa, teimosia, aprendizado pela dor, decisões difíceis e a busca por paz verdadeira. O povo mantém rótulos espirituais corretos, mas vive distante da verdade e da justiça. Isso mostra como é possível assumir um nome, frequentar tradições e, na prática, conduzir a vida por outros valores. Em termos de vida diária, o texto alerta para a incoerência entre o que alguém professa e o que de fato pratica. A metáfora da “cerviz de ferro” e “testa de bronze” (v.4) descreve um tipo de personalidade resistente a correção, que apenas aprende quando bate de frente com as consequências. Esse perfil gera muitos conflitos em família, casamento, trabalho e comunidade. Isaías 48 indica que, quanto maior a dureza, maior tende a ser a intensidade das “fornalhas de aflição” necessárias para quebrar padrões nocivos. Aplicado à rotina, isso incentiva a desenvolver humildade, escuta ativa e disposição para revisar posturas antes que as crises se agravem. O texto também mostra a importância de reconhecer a mão de Deus nos acontecimentos para não atribuir resultados a “ídolos” modernos: dinheiro, status, relacionamentos, carreira, política. Deus faz questão de dizer que anunciou suas ações para que o povo não dissesse “o meu ídolo fez estas coisas” (v.5). Na prática, isso chama para um olhar mais atento sobre vitórias, livramentos e oportunidades, evitando a autoglorificação ou a idolatria de recursos humanos. Quando Deus diz que ensina “o que é útil” e guia pelo “caminho em que deves andar” (v.17), isso tem forte implicação para decisões cotidianas: escolhas profissionais, relacionamentos, uso de tempo e dinheiro. A promessa associada é paz como um rio e justiça como ondas do mar, caso os mandamentos fossem ouvidos (v.18). Em outras palavras, não se trata apenas de evitar pecado, mas de abraçar um estilo de vida que produz estabilidade, integridade e frutos duradouros. O chamado para “sair de Babilônia” (v.20) pode ser visto como convite a deixar contextos de opressão e valores contrários à vontade de Deus. Nem sempre isso se traduz em rompimentos imediatos; muitas vezes exige planejamento, sabedoria, busca de apoio e passos graduais para sair de ciclos destrutivos – seja em relacionamentos abusivos, ambientes de trabalho corruptos ou hábitos que aprisionam. A lembrança de que Deus dá água no deserto (v.21) encoraja a romper com o que é prejudicial, confiando que ele suprirá no processo de transição.
Isaías 48 expõe uma batalha espiritual profunda: entre a surdez ao chamado de Deus e a oferta de um caminho de paz e redenção. O povo é descrito como transgressor desde o ventre (v.8), imagem que toca na raiz da condição humana caída. Ao mesmo tempo, Deus se apresenta como Redentor e Santo de Israel (v.17), isto é, aquele que não apenas aponta o erro, mas intervém para resgatar, purificar e reorientar o destino. A afirmação de que Deus é o primeiro e o último (v.12) abre uma perspectiva eterna. Ele inicia e conclui a história, inclusive a história pessoal de cada vida. Nada que acontece no meio do caminho pega esse Deus de surpresa. A menção à criação da terra e dos céus (v.13) conecta o propósito de Deus com uma escala cósmica: a redenção de um povo e o juízo sobre impérios se encaixam em um plano muito maior, que culmina na restauração de todas as coisas sob o governo do Criador. A disciplina como “fornalha da aflição” (v.10) ganha, então, um sentido escatológico: não é apenas correção momentânea, mas parte de um processo de purificação que prepara um povo para viver na presença de Deus. A motivação principal não é a dor em si, mas a santificação do nome de Deus e a preservação de um povo que reflete sua glória. Quando o texto diz que Deus não dará a sua glória a outrem (v.11), está enfatizando que o fim último da existência é a exaltação desse Deus único, e que toda idolatria é um desvio dessa finalidade. Há, ainda, o mistério do Enviado “pelo Senhor Deus e pelo seu Espírito” (v.16). À luz da revelação posterior, muitos veem aqui um prenúncio da obra de Cristo, o Enviado do Pai, ungido pelo Espírito, que vem falar não em segredo, mas em plena luz. Esse Enviado encarna a voz que, em Isaías 48, insiste: “Chegai-vos a mim, ouvi isto”. A salvação, portanto, passa pela escuta, pela aproximação e pela resposta ao chamado do próprio Deus que se envolve na história. O contraste final – “os ímpios não têm paz” (v.22) – não é apenas sociológico, mas espiritual e eterno. Paz aqui aponta para um estado de reconciliação com Deus, harmonia interior e, em última análise, participação no reino futuro de Deus. A ausência de paz dos ímpios antecipa a realidade de um juízo definitivo para quem insiste em rejeitar a voz e o caminho de Deus. Em contrapartida, a promessa de paz como um rio para os obedientes (v.18) antecipa o shalom pleno da nova criação, onde a fidelidade de Deus ao seu nome e à sua glória será plenamente manifesta.
" Ouvi isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça. "
" E até da santa cidade tomam o nome e se firmam sobre o Deus de Israel; o Senhor dos Exércitos é o seu nome. "
" As primeiras coisas desde a antiguidade as anunciei; da minha boca saíram, e eu as fiz ouvir; apressuradamente as fiz, e aconteceram. "
" Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. "
" Por isso te anunciei desde então, e te fiz ouvir antes que acontecesse, para que não dissesses: O meu ídolo fez estas coisas, e a minha imagem de escultura, e a minha imagem de fundição as mandou. "
" Já o tens ouvido; olha bem para tudo isto; porventura não o anunciareis? Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, e que nunca conheceste. "
" Agora são criadas, e não de há muito, e antes deste dia não as ouviste, para que porventura não digas: Eis que eu já as sabia. "
" Nem tu as ouviste, nem tu as conheceste, nem tampouco há muito foi aberto o teu ouvido, porque eu sabia que procederias muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre. "
" Por amor do meu nome retardarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar. "
" Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. "
" Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem. "
" Dá-me ouvidos, ó Jacó, e tu, ó Israel, a quem chamei; eu sou o mesmo, eu o primeiro, eu também o último. "
" Também a minha mão fundou a terra, e a minha destra mediu os céus a palmos; eu os chamarei, e aparecerão juntos. "
" Ajuntai-vos todos vós, e ouvi: Quem, dentre eles, tem anunciado estas coisas? O SENHOR o amou, e executará a sua vontade contra babilônia, e o seu braço será contra os caldeus. "
" Eu, eu o tenho falado; também já o chamei, e o trarei, e farei próspero o seu caminho. "
" Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito. "
" Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. "
Isaías 48:17 mostra Deus como quem salva, ensina e orienta para o que realmente faz bem. O sentido é que não abandona seu povo nas …
Ler análise completa" Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar! "
Isaías 48:18 mostra que ouvir e obedecer a Deus traz paz constante e profunda, como um rio que nunca seca, e uma vida correta, firme …
Ler análise completa" Também a tua descendência seria como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como os seus grãos; o seu nome nunca seria cortado nem destruído de diante de mim. "
" Saí de babilônia, fugi de entre os caldeus. E anunciai com voz de júbilo, fazei ouvir isso, e levai-o até ao fim da terra; dizei: O SENHOR remiu a seu servo Jacó. "
" E não tinham sede, quando os levava pelos desertos; fez-lhes correr água da rocha; fendeu a rocha, e as águas correram. "
" Mas os ímpios não têm paz, diz o Senhor. "
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