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Isaías 48:16 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito. "

Isaías 48:16

menu_book Versículo no contexto

14 Ajuntai-vos todos vós, e ouvi: Quem, dentre eles, tem anunciado estas coisas? O SENHOR o amou, e executará a sua vontade contra babilônia, e o seu braço será contra os caldeus.

15 Eu, eu o tenho falado; também já o chamei, e o trarei, e farei próspero o seu caminho.

16 Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito.

17 Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.

18 Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar!

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, como antes, Jacó e Israel são chamados a ouvir o profeta falando em nome de Deus, ou melhor, a ouvir o próprio Deus falando por meio do profeta. Isso aponta para o grande Profeta, Cristo, por meio de quem Deus nos falou nestes últimos dias, e isso basta. Por isso Deus diz: “Chegai-vos a mim e ouvi isto”. Os que querem ouvir e entender o que Deus diz precisam se aproximar dele, o máximo possível. Os que deram ouvidos ao tentador devem agora chegar-se e ouvir isto, para serem fortalecidos no propósito de servir a Deus. Os que se chegam a Deus podem confiar que o seu segredo estará com eles.

Primeiro, Deus os faz olhar para trás, para o que já tinha dito e feito por eles. Se considerassem o passado, encontrariam fortes motivos para confiar nele agora. Ele sempre lhes falou claramente desde o princípio, por meio de Moisés e de todos os profetas. “Não falei em segredo” significa que ele não escondeu sua mensagem. Ele falou abertamente no monte Sinai e nas assembleias públicas das tribos. Ele não deu mensagens obscuras ou confusas, mas falou de modo que pudessem entender (Habacuque 2:2).

Ele também sempre agiu de modo maravilhoso em favor deles. Desde o momento em que se tornaram um povo, “ali estava eu” significa que ele estava presente entre eles e dirigia seus negócios. Enviou-lhes profetas, levantou juízes e muitas vezes interveio a seu favor. Portanto, é como se dissesse: “ali ainda estarei”. O Deus que esteve com o seu povo até agora estará com ele até o fim.

Em segundo lugar, o próprio profeta, como figura do grande Profeta, declara sua missão de transmitir essa mensagem. “Agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito” (Isaías 48:16). Aqui o Espírito de Deus é apresentado como distinto do Pai e do Filho, com autoridade divina para enviar profetas. Aqueles que Deus envia, o Espírito envia. A quem Deus designa para qualquer obra, o Espírito também capacita, em certa medida, para essa obra. Por isso, os que são enviados por Deus e pelo seu Espírito podem falar com ousadia, e devem ser obedecidos. O que é dito aqui, em linha com Isaías 61:1, é aplicado a Cristo em (Lucas 4:21), e assim este texto também pode ser. O Senhor Deus o enviou, e ele tinha o Espírito sem medida.

Em terceiro lugar, Deus lhes envia uma mensagem graciosa para consolo em seu sofrimento. As palavras iniciais são solenes e cheias de esperança: “Assim diz o Senhor, o teu Redentor”, o Deus eterno que muitas vezes já os havia redimido, que havia prometido fazê-lo e cumpriria essa promessa. Ele é o Santo, que não pode mentir, o Santo de Israel, que não engana o seu povo. As mesmas palavras que introduzem a lei e lhe dão autoridade também introduzem a promessa e lhe conferem peso. “Eu sou o Senhor teu Deus” significa: “Vocês podem depender de mim, porque estou em aliança com vocês”.

Deus menciona primeiro a boa obra que fará neles. Como seu Redentor, ele será o seu Mestre. “Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil” significa que ele lhes ensina o que é realmente bom para eles, o que pertence à sua paz. Isso mostra Deus como Deus de aliança, porque ele mesmo ensina o seu povo (Hebreus 8:10-11). Ninguém ensina como ele, porque ele dá entendimento. A quem Deus redime, ele também ensina. A quem ele tenciona tirar da angústia, primeiro ensina a aproveitar essa aflição e os torna participantes da sua santidade; esse é o proveito para o qual ele nos disciplina (Hebreus 12:10).

Ele também será o seu guia. Ele os conduz no caminho em que devem andar e continua guiando-os enquanto percorrem esse caminho. Ele não apenas abre os olhos, mas dirige os passos. Pela sua graça, guia-os no caminho do dever, e pela sua providência, guia-os no caminho do livramento. Felizes os que estão sob tal guia.

Depois Deus declara sua boa vontade para com eles em seus santos desejos a respeito deles (Isaías 48:18-19). De fato, ele os tinha levado ao cativeiro, mas eles mesmos haviam provocado isso, e ele não os afligiu de bom grado. Assim como, quando lhes deu a sua lei, desejou sinceramente que obedecessem, agora, depois de castigá-los pela desobediência, ele deseja que tivessem obedecido: “Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos!” (Isaías 48:18). “Ah! se o meu povo me tivesse ouvido!” (Salmo 81:13). Isso confirma o que Deus já disse e jurou, que ele não tem prazer na morte do pecador.

Ele ainda lhes assegura que, se tivessem sido obedientes, o cativeiro teria sido evitado, e a prosperidade deles teria permanecido e crescido. Ele tinha abundância de bens preparados para lhes dar, se os pecados deles não os tivessem afastado disso (Isaías 59:1-2). A paz deles teria sido como um rio, um fluxo constante de misericórdia, uma bênção sucedendo à outra, como a água que continua correndo. Não teria sido como uma enchente que logo seca. A justiça deles, sua honra e a retidão de sua causa, teria levado tudo adiante, como as ondas do mar. Nada teria resistido a eles. Mas agora, por terem sido desobedientes, o curso de sua prosperidade foi interrompido, e sua justiça foi vencida.

Os filhos deles também teriam sido muitos e prósperos. Em vez disso, eram poucos, como mostra o pequeno número dos que voltaram do cativeiro (Esdras 2:64). Nem sequer eram tantos quanto havia em uma só tribo quando saíram do Egito. Deveriam ser inumeráveis como a areia, conforme a promessa (Gênesis 22:17), mas perderam essa bênção por causa do próprio pecado. Seus filhos teriam sido tão numerosos como o cascalho do mar, se sua justiça tivesse sido forte e firme como as ondas do mar.

A honra deles também teria permanecido intacta. “Seu nome não teria sido cortado” significa que o nome de Israel não teria sido apagado, como agora parece na terra de Israel, que está arruinada ou ocupada por estrangeiros. Uma família ou um reino não é verdadeiramente destruído até ser destruído diante de Deus, até não ter mais lugar na sua santa presença. Deus lhes diz tudo isso para que se humilhem pelos pecados que lhes custaram bênçãos tão ricas. Isso deve acender em nós uma forte aversão ao pecado, pois o pecado não apenas tirou os bens de que já desfrutamos, mas também nos privou de bens que Deus havia preparado. Torna ainda mais amarga a miséria dos desobedientes pensar em quão felizes poderiam ter sido.

Em segundo lugar, isso mostra que a misericórdia de Deus brilharia ainda mais claramente ao libertá-los, embora tivessem perdido qualquer direito a ela e se tornado indignos. Nada menos que pura misericórdia poderia tê-los salvado.

Em terceiro lugar, Deus dá aqui plena segurança quanto à grande obra que pretendia fazer por eles, a libertação do cativeiro, depois de completar sua obra neles. Primeiro, ele lhes dá permissão para sair de Babilônia. Deus anunciou muito antes de Ciro que todo aquele que desejasse voltar para sua terra poderia fazê-lo (Isaías 48:20). É como se dissesse: “Vocês estão plenamente soltos. Saiam de Babilônia. As portas da prisão estão abertas, e a trombeta da liberdade está soando”. Talvez o Espírito do Senhor tenha usado esta palavra para despertar o coração dos que responderam ao decreto de Ciro (Esdras 1:5). Deviam fugir dos caldeus, não com vergonha, como um ladrão que foge, mas com santo desprezo, como quem não quer mais permanecer entre eles. Deviam sair, não em silêncio e tristeza, mas com cânticos, como seus antepassados saíram do Egito (Êxodo 15:1).

Em segundo lugar, a notícia devia ser espalhada por toda parte. “Seja anunciado, contado, falado e ouvido”, até pelos mais distantes e menos atentos. Deveria ser transmitida por palavra e por escrito, de cidade em cidade, de reino em reino, até os confins da terra. Isso aponta para a pregação do evangelho ao mundo inteiro. O evangelho traz boas novas de que todos os homens precisam, enquanto esta mensagem chamava principalmente a notar o que Deus estava fazendo, deixar os ídolos e entrar no serviço do Deus de Israel.

Todos deviam saber, primeiro, que aqueles a quem Deus reclama como seus são um povo que ele adquiriu por alto preço. O Senhor remiu o seu servo Jacó. Ele já tinha feito isso antes, quando os tirou do Egito, e estava prestes a fazê-lo de novo. Jacó era servo de Deus, por isso Deus o remiu, pois nenhum outro senhor tinha direito de reter os servos de Deus. Israel era filho de Deus, por isso Faraó teve de deixá-lo ir. Sendo Deus o redentor de Jacó, Jacó devia pertencer a ele em retorno (Salmo 116:16). As cadeias que Deus rompeu por eles os ligavam mais estreitamente a ele. Aquele que nos redime tem direito pleno sobre nós.

Em segundo lugar, aqueles a quem Deus planeja trazer de volta para si não vão ficar sem o que precisam na jornada. Quando Ele os tirou do Egito e os guiou pelo deserto, eles não tiveram sede (Isaías 48:21), porque a água da rocha os acompanhava. Ele fez a água jorrar da rocha, e, como a água da rocha é especialmente pura e excelente, Deus fendeu a rocha e a água irrompeu em abundância. Ele pode suprir o que seu povo necessita de maneiras totalmente inesperadas. Isso se referia primeiro ao que Ele de fato fez ao tirá-los do Egito. Mas também se cumpriria novamente no retorno da Babilônia, de modo que eles e suas famílias seriam bem supridos ao longo do caminho. Deus realiza sua obra com a mesma eficácia por meio de atos surpreendentes de providência — isto é, seu cuidado sábio nos acontecimentos de cada dia — como por meio de milagres, embora as pessoas talvez percebam menos. Isso também aponta para os tesouros de graça reservados para nós em Jesus Cristo, de onde nos vem todo bem, assim como a água veio para Israel a partir da rocha, pois aquela rocha é Cristo.

Em terceiro lugar, há uma advertência contra os perversos que persistem no pecado. Eles não devem esperar ter parte nas bênçãos do povo de Deus. Mesmo que se unam a eles exteriormente e afirmem pertencer ao povo, não devem imaginar que receberão o mesmo bem. Embora os planos de Deus para aquele povo, como conjunto, fossem planos de paz, os que estavam entre eles e eram ímpios, recusando-se a ser corrigidos, não tinham paz, não tinham paz com Deus nem com a própria consciência, nem verdadeiro bem algum, por mais que alegassem o contrário. Que relação podem ter com a paz aqueles que estão lutando contra Deus? Seus falsos profetas prometiam paz a pessoas que não tinham direito a ela. Mas Deus declara com toda clareza que não haverá paz, nem nada que se pareça com paz, para os ímpios. Se os pecadores iniciam uma contenda com Deus e não voltam atrás a tempo, por meio do arrependimento, essa contenda continuará para sempre.

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