Isaías 33 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Isaías 33 na sua vida hoje

24 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Isaías 33?

Isaías 33 alterna entre um forte “ai” contra o opressor e uma visão de restauração para Sião. O capítulo começa denunciando o despojador traçoeiro e anunciando que sua violência recairá sobre ele. Em seguida, apresenta uma oração confiante pedindo misericórdia e salvação em tempos de tribulação. Deus se levanta para julgar, abalando nações e terras, mas também promete estabilidade, sabedoria e temor do Senhor como verdadeiro tesouro. No meio do juízo, surge a pergunta sobre quem pode habitar com o “fogo consumidor”, e a resposta aponta para um povo justo, íntegro e afastado do mal. O capítulo culmina numa visão de Sião restaurada: um lugar seguro, firme, onde o Senhor é Juiz, Legislador e Rei, e onde o pecado é perdoado e a enfermidade não tem a última palavra.

Temas principais em Isaías 33

Juízo sobre o despojador e justiça retributiva de Deus (versículos 1, 10-12)

O capítulo abre com um “ai” contra o despojador que agiu com traição sem ter sido traído. A mensagem é que a opressão e a perfídia voltam-se contra quem as pratica: ao terminar de despojar, será despojado. Deus mostra que não ignora a injustiça; Ele mesmo se levanta para julgar, tornando os povos como cal queimada e espinhos em chamas.

Versículos-chave: 1, 10, 11, 12

Clamor por misericórdia e confiança em Deus na tribulação (versículos 2-4, 7-9)

No meio do contexto de ameaça e destruição, o povo fiel clama: “Senhor, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado”. Reconhece que Deus é o braço a cada manhã e a salvação em tempos difíceis. Essa oração marca a postura dos que escolhem depender do Senhor em vez de confiar em alianças humanas.

Versículos-chave: 2, 3, 7, 9

O temor do Senhor como verdadeiro tesouro (versículos 5-6)

Deus promete estabilidade, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento nos tempos de crise. O centro de tudo é o “temor do Senhor”, descrito como o tesouro do povo. Não se trata de medo paralisante, mas de reverência e dependência que geram segurança mesmo quando as estruturas externas estão abaladas.

Versículos-chave: 5, 6

Quem pode habitar com o fogo consumidor? (versículos 14-16)

Quando Deus se revela em santidade, pecadores e hipócritas em Sião se assustam e se perguntam quem pode habitar com as labaredas eternas. A resposta não aponta para rituais, mas para um estilo de vida justo: andar em justiça, falar com retidão, rejeitar ganhos opressores, afastar-se da violência e do mal. Esse é o povo guardado por Deus em refúgio alto.

Versículos-chave: 14, 15, 16

Sião restaurada e o governo perfeito do Senhor (versículos 17-23)

Depois do juízo, surge a promessa de uma Sião renovada: visão do rei em sua formosura, fim da opressão estrangeira, cidade firme que não será removida. O Senhor é Juiz, Legislador e Rei, e Ele mesmo é descrito como rios e correntes largas, fonte de vida e segurança. A vitória será tão grande que até os fracos participarão dos despojos.

Versículos-chave: 17, 20, 21, 22

Perdão e cura como marca do povo de Deus (versículos 24)

O capítulo termina com uma afirmação poderosa: nenhum morador dirá “estou enfermo”, pois o povo ali será absolvido da iniquidade. A visão une reconciliação com Deus e restauração integral, apontando para um povo curado porque foi perdoado.

Versículos-chave: 24

Contexto histórico e literario

Isaías 33 se encaixa no bloco de profecias voltadas para o juízo e a salvação relacionados à Assíria e à situação de Judá no século VIII a.C. A nação enfrentava ameaça militar intensa, possivelmente ligada ao cerco assírio a Jerusalém nos dias do rei Ezequias. Há sinais de que Judá buscou alianças políticas e militares, inclusive com nações estrangeiras, rompendo pactos e confiando mais em estratégias humanas do que no Senhor. As referências a embaixadores clamando, mensageiros de paz chorando e estradas desoladas refletem uma época de guerra, diplomacia fracassada e acordos quebrados. Isaías denuncia um “despojador” perfidamente agressivo, provavelmente ligado à Assíria ou a opressores que se aproveitaram da fraqueza de Judá. Ao mesmo tempo, aponta para uma realidade futura de restauração de Sião, indo além da situação imediata. A linguagem de cidade firme, rei na sua formosura e ausência de doença e culpa sugere uma antecipação profética de uma obra de Deus mais ampla que a simples libertação de uma campanha militar específica.

Estrutura de Isaías 33

Isaías 33 apresenta uma composição poética profética, com alternância entre lamento, oração, anúncio de juízo e promessa de restauração:

  1. Ai contra o despojador (v.1): abertura com oráculo de juízo, em forma de “ai”, anunciando a reversão da injustiça.
  2. Oração e exaltação de Deus (v.2-6): súplica por misericórdia, seguida de descrição do Senhor exaltado, que enche Sião de juízo e justiça, e concede estabilidade, salvação e sabedoria.
  3. Desolação presente e crise nacional (v.7-9): imagem de embaixadores e mensageiros chorando, estradas vazias, alianças rompidas e a terra inteira lamentando.
  4. Deus se levanta para julgar (v.10-13): declaração divina de que agora Ele se erguerá, seguida de figuras de juízo sobre os povos como fogo e cal queimada, e um chamado para todos ouvirem seus feitos.
  5. Temor diante da santidade e descrição do justo (v.14-16): reação assustada dos pecadores em Sião e resposta descrevendo quem pode habitar com o fogo consumidor: o justo, reto e que rejeita o mal.
  6. Visão do rei e de Sião restaurada (v.17-21): promessa de contemplar o rei na sua formosura, fim dos opressores estrangeiros, e imagem de Jerusalém como habitação segura e estável, onde o Senhor é como rios largos.
  7. Confissão da soberania do Senhor Rei-Juiz-Legislador (v.22): síntese teológica do governo absoluto de Deus sobre seu povo.
  8. Imagens de vitória e provisão (v.23): metáfora náutica invertida (cordas frouxas do inimigo) e distribuição abundante dos despojos, até aos mais frágeis.
  9. Conclusão com perdão e cura (v.24): declaração final sobre a absolvição da iniquidade e o fim da enfermidade como marca da cidade restaurada.

Significado teológico

Teologicamente, Isaías 33 articula com força o caráter de Deus como justo juiz e ao mesmo tempo salvador e rei de seu povo. O “ai” contra o despojador reforça o princípio bíblico de justiça retributiva: a violência praticada volta sobre o próprio opressor. Deus não é indiferente à traição, à opressão econômica e à quebra de alianças; Ele se levanta na história para corrigir e julgar.

O texto enfatiza também a centralidade do “temor do Senhor” como tesouro real do povo. Em um contexto de instabilidade política e militar, a verdadeira segurança não vem de tratados ou exércitos, mas de um relacionamento reverente e obediente com Deus. Salvação, sabedoria e conhecimento são fruto dessa postura de temor reverente.

A pergunta “Quem habitará com o fogo consumidor?” traz uma imagem forte da santidade divina. Deus é descrito como fogo, não para destruição cega, mas como presença santa diante da qual o pecado não permanece. A resposta concentra-se em ética e justiça: integridade nas palavras, rejeição de ganhos injustos, afastamento da violência e da contemplação do mal. Isso revela que a fé verdadeira se expressa em conduta concreta.

A visão de Sião restaurada e da contemplação do rei na sua formosura possui dimensão escatológica. A declaração de que o Senhor é Juiz, Legislador e Rei aponta para um governo pleno de Deus, que encontra cumprimento maior na obra do Messias e no reino definitivo de Deus. A união entre perdão de iniquidade e fim da enfermidade antecipa a restauração integral prometida nas Escrituras, em que culpa e suas consequências são finalmente tratadas.

Assim, Isaías 33 mantém em tensão o juízo severo contra a injustiça e a graça abundante reservada a um povo purificado, mostrando que a esperança do povo de Deus está na intervenção soberana do Senhor e na transformação ética que Ele opera.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo oferece uma base rica para conforto emocional em contextos de injustiça, medo e instabilidade. A denúncia contra o despojador comunica que Deus vê e leva a sério o sofrimento causado pela traição e pela opressão. Para quem foi ferido por abusos de poder, o texto afirma que a injustiça não é a palavra final e que o mal praticado não fica impune diante de Deus.

A oração do versículo 2 expressa a experiência de viver sob pressão contínua: tribulação, ameaça e incerteza. Nela aparece um ritmo de confiança diária: Deus como “braço cada manhã” e “salvação no tempo da tribulação”. Essa visão oferece um recurso interno de esperança: em vez de exigir controle total sobre o futuro, aprende-se a receber força renovada dia após dia.

A descrição da terra que geme e pranteia reflete o impacto coletivo do sofrimento. O texto legitima a dor comunitária e a sensação de desolação diante das perdas. Ao mesmo tempo, a declaração “Agora me levantarei” mostra um ponto de virada possível, em que Deus interrompe ciclos de destruição.

O retrato do justo que se afasta do mal, da violência e do ganho opressor serve como referência saudável de limites. Rejeitar acordos injustos, não se alimentar de narrativas violentas e afastar os olhos do mal pode ser visto como um caminho de proteção emocional e espiritual. Essa postura está ligada à promessa de refúgio seguro, pão e água garantidos.

Por fim, a visão de uma cidade onde o povo é absolvido da iniquidade e ninguém se declara enfermo aponta para cura e restauração profundas. Culpa, vergonha e sensação de condenação são confrontadas com a promessa de perdão. A ideia de que até os “coxos” participam dos despojos de vitória reforça a dignidade dos mais frágeis e a inclusão daqueles que se sentem menos capazes. O texto, assim, alimenta esperança, reorienta a confiança para Deus e oferece imagens de cuidado, estabilidade e renovação.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns pontos do capítulo podem ser emocionalmente desafiadores em determinados contextos. A linguagem de juízo, fogo consumidor e destruição de povos pode ser gatilho para quem foi marcado por discursos religiosos de medo extremo, culpa opressiva ou ameaças de condenação. Pessoas com histórico de abuso espiritual podem sentir intensificação de ansiedade ou culpa ao ler imagens como “labaredas eternas”.

A descrição de terras desoladas, choro e clamor de mensageiros pode ressoar fortemente em quem vivenciou guerra, violência urbana intensa, desastres ou lutos coletivos, reacendendo memórias traumáticas. A conexão entre pecado, iniquidade e ausência de enfermidade no versículo 24, se lida de forma distorcida, pode ser usada para sugerir que toda doença é resultado direto de falta de perdão ou pecado pessoal, o que pode aumentar a culpa e o sofrimento de quem enfrenta enfermidades crônicas.

Por isso, a leitura terapêutica precisa enfatizar o caráter de Deus como justo e também salvador, e não como um agressor arbitrário. As imagens de juízo devem ser interpretadas no contexto de combate à opressão e à injustiça, não como autorização para violência humana ou condenação simplista de pessoas em sofrimento físico ou emocional. Em situações de saúde mental delicada, é importante cuidado para que textos de juízo não sejam usados para reforçar autoacusação destrutiva.

Aplicação prática para hoje

Isaías 33 convida a atitudes concretas em meio à instabilidade. A primeira é aprender a transformar medo e angústia em oração honesta, como no versículo 2, reconhecendo diariamente a dependência de Deus e pedindo força para cada manhã, em vez de buscar controle absoluto de tudo.

Outra aplicação é reavaliar onde está a verdadeira segurança. O texto contrasta alianças humanas quebradas e estradas desoladas com a promessa de que o temor do Senhor é o tesouro. Isso incentiva escolhas que valorizam integridade, reverência a Deus e busca de sabedoria acima de vantagem fácil ou alianças comprometedoras.

A descrição de quem pode habitar com o fogo consumidor aponta para práticas éticas claras: andar em justiça, falar com retidão, rejeitar ganhos provenientes de opressão, dizer “não” a presentes e acordos que comprometem a consciência, recusar-se a se alimentar de discursos de violência e fechar os olhos para entretenimentos que normalizam o mal. São passos concretos para uma vida coerente e protegida.

No campo relacional e comunitário, o capítulo estimula a valorizar ambientes de paz e fidelidade, em contraste com pactos quebrados e desprezo pelas pessoas. Buscar ser pessoa confiável, que honra compromissos e respeita a dignidade do outro, alinha-se à visão de Sião como habitação quieta e estável.

Por fim, há um chamado a enxergar a vida sob o governo de Deus como Juiz, Legislador e Rei (v.22). Isso pode se traduzir em consultar a vontade de Deus revelada na Escritura ao tomar decisões, submeter desejos pessoais a padrões mais altos de justiça e confiar que, mesmo quando não se vê saída, Deus pode inaugurar um “agora me levantarei” na história.

Perguntas frequentes

Quem é o “despojador” mencionado em Isaías 33:1?

O “despojador” é uma figura representando o opressor que age com traição e violência sem ter sido traído antes. No contexto histórico imediato de Isaías, muitos estudiosos veem ligação com o império assírio, conhecido por campanhas brutais e que, em certos momentos, quebrou acordos firmados com Judá. Ao mesmo tempo, o texto assume um tom mais amplo, servindo como denúncia contra qualquer poder ou pessoa que se aproveita dos fracos e confia na perfídia como estratégia. A mensagem central é que esse tipo de opressão será revertido pelo próprio juízo de Deus.

O que significa o “temor do Senhor” ser o tesouro em Isaías 33:6?

Em Isaías 33:6, o temor do Senhor é apresentado como o verdadeiro tesouro do povo, acima de recursos materiais ou proteção militar. Temor do Senhor não é pânico diante de Deus, mas reverência profunda, reconhecimento de quem Ele é, confiança e submissão à sua vontade. Esse temor produz sabedoria, estabilidade e salvação prática em tempos de crise. O texto ensina que, enquanto alianças humanas falham, uma relação reverente com Deus oferece segurança real e duradoura.

Como entender o “fogo consumidor” em Isaías 33:14?

O “fogo consumidor” é uma metáfora da santidade de Deus. Longe de ser um fogo caótico, ele representa a pureza que consome o pecado e tudo o que é incompatível com o caráter divino. Os pecadores e hipócritas em Sião se assustam ao perceber que a presença de Deus não é neutra em relação ao mal. A resposta nos versículos seguintes mostra que quem pode habitar com esse fogo é o justo, aquele cuja vida é marcada por integridade e afastamento da injustiça. Assim, o foco não é em terror paralisante, mas em transformação ética diante de um Deus santo.

O que significa ver “o rei na sua formosura” em Isaías 33:17?

Ver “o rei na sua formosura” aponta, no primeiro plano, para a esperança de ver um rei de Judá reinando em paz e dignidade após a ameaça inimiga, possivelmente relacionado à restauração nos dias de Ezequias. No entanto, a linguagem ultrapassa o momento histórico e muitos intérpretes veem aqui um vislumbre messiânico: a beleza do governo perfeito que Deus estabeleceria em seu Ungido. Em termos teológicos, é a promessa de contemplar um reinado justo, belo e estável, em contraste com a opressão dos invasores estrangeiros.

Isaías 33:24 ensina que quem é perdoado nunca mais ficará doente?

O versículo 24 descreve uma realidade ideal de Sião restaurada: um povo absolvido da iniquidade e livre da enfermidade. É uma visão de restauração plena, que une perdão e cura como expressão da salvação total de Deus. Não significa, de forma simplista, que qualquer doença atual seja sinal direto de falta de perdão ou pecado pessoal. Na perspectiva bíblica mais ampla, esse tipo de promessa aponta para a obra completa de Deus, que começa agora mas só se cumpre plenamente na restauração final, quando não haverá mais sofrimento nem doença. Até lá, pessoas perdoadas podem enfrentar enfermidades, sem que isso negue o perdão recebido.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Isaías 33 descreve um tempo de medo coletivo, traições e ameaças reais. A dor dos mensageiros que choram, das estradas vazias e da terra que geme mostra um povo cansado, pressionado por situações maiores do que suas forças. Nesse cenário pesado, o capítulo guarda uma oração simples e profunda: “Senhor, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã.” É o clamor de quem se sente frágil, mas ainda escolhe depender de Deus. Há uma ternura especial na maneira como Deus responde. Ele não nega o sofrimento, mas declara: “Agora me levantarei.” Quando tudo parece desmoronar, o texto afirma que Deus não é indiferente. Ele se levanta contra o opressor, vê a injustiça e promete estabilidade num tempo em que tudo balança. A promessa de que o temor do Senhor será o tesouro aponta para um lugar de segurança interior, mesmo quando o lado de fora parece em ruínas. Ao descrever quem pode habitar com o fogo consumidor, o capítulo não exige perfeição impossível, mas um coração que escolhe afastar-se da opressão e da violência. É um retrato de pessoas que, mesmo feridas pelo mundo, decidem não reproduzir o mal que sofreram. Para essas, Deus promete refúgio nas alturas, pão e água garantidos – uma imagem de cuidado constante. O final do capítulo traz uma palavra de alívio para corações carregados de culpa e cansaço: um povo absolvido da iniquidade, onde ninguém diz “estou enfermo”. A visão é de um cuidado tão profundo que toca tanto o interior quanto o exterior. Para histórias marcadas por traição, doença e medo, Isaías 33 oferece um fio de esperança: o sofrimento é visto, a injustiça é confrontada e um futuro de perdão e restauração é preparado por um Deus que se levanta em favor dos seus.

Mind
Mind

Isaías 33 articula, de forma densa, temas centrais da teologia profética: juízo, salvação, ética e esperança escatológica. O oráculo inicia com um “ai” dirigido ao despojador, cuja identidade histórica se aproxima da Assíria, mas com formulação aberta, permitindo que funcione como tipo de todo poder opressor. A estrutura retributiva é nítida: a perfídia retorna sobre o próprio traidor, demonstrando que, no plano de Deus, a injustiça carrega em si mesma o germe de seu juízo. Os versículos 2–6 formam um núcleo teológico importante. A súplica por misericórdia é imediatamente seguida pela afirmação da exaltação de Deus e da plenitude de “juízo e justiça” em Sião. O versículo 6 condensa uma teologia de segurança: estabilidade, salvação, sabedoria e conhecimento estão ancorados no temor do Senhor, que é descrito como o “tesouro”. Em contraste com alianças políticas frágeis (v.7–9), Deus se apresenta como fundamento inabalável. A declaração “Agora me levantarei” (v.10) marca um ponto de virada retórico, ampliado pelas imagens de gestação de palha e combustão de espinhos (v.11–12). O chamado universal (“vós os que estais longe… e vós que estais vizinhos”) sublinha que o juízo de Deus não é mero evento local, mas tem implicações globais. O diálogo implícito em v.14–16 é teologicamente sofisticado. O “fogo consumidor” e “labaredas eternas” evocam a santidade de Deus, relembrando imagens de outros textos proféticos. A resposta à questão “Quem habitará?” não se foca em cultos ou identidade étnica, mas em ética: justiça no andar, veracidade no falar, recusa do ganho opressor, afastamento da violência e da contemplação do mal. Trata-se de uma espiritualidade integral, que une fé e prática. A seção final (v.17–24) desloca a cena para uma Sião idealizada. Ver o “rei na sua formosura” pode ter referência imediata ao rei de Judá, mas a amplitude das promessas e o acento na estabilidade eterna de Jerusalém sugerem um horizonte mais amplo, de caráter escatológico e messiânico. O versículo 22, com a tríplice função de Deus como Juiz, Legislador e Rei, compõe uma cristologia preparatória no cânon cristão, pois antecipa o governo pleno de Deus que se realiza em Cristo. O encerramento com perdão de iniquidade e fim da enfermidade aproxima esse quadro da visão de restauração total desenvolvida no restante da Escritura, especialmente em textos que descrevem novos céus e nova terra. Assim, Isaías 33, embora enraizado numa crise histórica específica, projeta uma teologia de esperança que transcende seu próprio contexto.

Life
Life

Isaías 33 fala de um mundo parecido com muitos cenários atuais: alianças quebradas, desrespeito às pessoas, sensação de insegurança nas “estradas” da vida. Nesse contexto, o capítulo mostra dois caminhos bem diferentes. De um lado, o despojador que constrói sua vida sobre a perfídia, a vantagem rápida e o uso dos outros como meio. De outro, o justo que escolhe andar em retidão, mesmo sob pressão. Na prática, o despojador é quem manipula, mente, fecha acordos injustos, explora o fraco e rompe promessas quando deixam de ser convenientes. O texto deixa claro que esse tipo de estratégia é insustentável: mais cedo ou mais tarde, a mesma lógica que a pessoa usa contra os outros se volta contra ela. Em ambientes de trabalho, negócios ou relações familiares, isso significa que viver de engano mina a própria segurança que se tenta construir. O justo descrito em v.15 oferece um modelo concreto para decisões diárias. Andar em justiça e falar com retidão implica dizer a verdade mesmo quando é mais fácil omitir, recusar ganhos provenientes de injustiça (como esquemas ilícitos, corrupção ou exploração de vulneráveis), e criar limites claros em relação a conversas e conteúdos marcados por violência e maldade. Essa postura não é apenas moral, mas protetiva: reduz exposição a ambientes tóxicos e diminui o peso da culpa e do medo. O capítulo também sugere uma forma de lidar com o medo do futuro: em vez de buscar segurança em acordos frágeis, aprender a viver confiando em Deus como “braço cada manhã”. Em termos práticos, isso significa organizar a vida de modo a depender menos de manobras e mais de obediência simples: trabalhar com honestidade, administrar recursos com responsabilidade, cultivar relacionamentos baseados em respeito e fidelidade, e tomar decisões alinhadas com princípios, não apenas com oportunidades momentâneas. Por fim, a visão de Sião como lugar estável, onde o Senhor é Juiz, Legislador e Rei, oferece um critério para escolhas: antes de perguntar se algo vai funcionar a curto prazo, vale perguntar se isso está de acordo com o que Deus aprovou, orientou e governa. Essa perspectiva ajuda a priorizar o que é duradouro sobre o que é apenas vantajoso por um tempo, construindo uma vida menos vulnerável a colapsos morais e emocionais.

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Versículos em Isaías 33

Isaías 33:1

" Ai de ti, despojador, que não foste despojado, e que procedes perfidamente contra os que não procederam perfidamente contra ti! Acabando tu de despojar, serás despojado; e, acabando tu de tratar perfidamente, perfidamente te tratarão. "

Isaías 33:2

" Senhor, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação no tempo da tribulação. "

Isaías 33:4

" Então ajuntar-se-á o vosso despojo como se ajunta a lagarta; como os gafanhotos saltam, assim ele saltará sobre eles. "

Isaías 33:6

" E haverá estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; e o temor do Senhor será o seu tesouro. "

Isaías 33:6 mostra que Deus é a verdadeira segurança em tempos instáveis. A estabilidade, a salvação e a sabedoria não vêm de dinheiro ou poder, …

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Isaías 33:8

" As estradas estão desoladas, cessou o que passava pela vereda, ele rompeu a aliança, desprezou as cidades, e já não faz caso dos homens. "

Isaías 33:9

" A terra geme e pranteia, o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se tornou como um deserto; e Basã e Carmelo foram sacudidos. "

Isaías 33:14

" Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? "

Isaías 33:15

" O que anda em justiça, e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal. "

Isaías 33:16

" Este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. "

Isaías 33:18

" O teu coração considerará o assombro dizendo: Onde está o escrivão? Onde está o que pesou o tributo? Onde está o que conta as torres? "

Isaías 33:18 mostra um tempo em que o povo, antes oprimido por inimigos e impostos pesados, lembra com espanto como tudo mudou. Deus afasta a …

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Isaías 33:19

" Não verás mais aquele povo atrevido, povo de fala obscura, que não se pode compreender e de língua tão estranha que não se pode entender. "

Isaías 33:20

" Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades; os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas e das suas cordas nenhuma se quebrará. "

Isaías 33:21

" Mas ali o glorioso Senhor será para nós um lugar de rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por ele, nem navio grande navegará por ele. "

Isaías 33:23

" As tuas cordas se afrouxaram; não puderam ter firme o seu mastro, e nem desfraldar a vela; então a presa de abundantes despojos se repartirá; e até os coxos dividirão a presa. "

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