Isaías 63 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Isaías 63 na sua vida hoje

19 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Isaías 63?

Isaías 63 apresenta a visão de um guerreiro divino que vem de Edom com vestes manchadas, símbolo do juízo de Deus sobre as nações opressoras, contrastando com a memória da misericórdia, salvação e cuidado de Deus pelo seu povo ao longo da história. O profeta relembra os atos poderosos do Senhor nos dias de Moisés, lamenta a rebeldia de Israel que entristeceu o Espírito Santo e, em seguida, eleva uma súplica intensa para que Deus olhe novamente do céu, se lembre de sua aliança e restaure seu povo.

Temas principais em Isaías 63

Juízo de Deus contra as nações e defesa do seu povo (versículos Isaías 63:1-6)

A figura daquele que vem de Edom com vestes vermelhas mostra Deus como guerreiro justo que pisa o lagar do juízo, executando vingança contra os inimigos e defendendo seus remidos. O juízo não é arbitrário, mas resposta santa à injustiça e à opressão.

Versículos-chave: 1, 3, 4

Misericórdia e fidelidade de Deus ao seu povo (versículos Isaías 63:7-9)

Apesar da linguagem forte de juízo, o capítulo relembra as muitas benignidades do Senhor, seu amor, compaixão e o fato de que Ele mesmo se fez Salvador do seu povo, sofrendo com suas angústias e resgatando-o ao longo da história.

Versículos-chave: 7, 8, 9

Rebeldia de Israel e entristecimento do Espírito Santo (versículos Isaías 63:10)

O povo responde às misericórdias de Deus com rebeldia, entristecendo o Espírito Santo. Como consequência, experimenta Deus como inimigo em juízo. O texto mostra a seriedade do pecado e como ele rompe a comunhão com Deus.

Versículos-chave: 10

Memória dos atos redentores de Deus no Êxodo (versículos Isaías 63:11-14)

O profeta volta à história do Êxodo, recordando o braço glorioso de Deus, a travessia do mar, a condução segura no deserto e o descanso dado pelo Espírito. Essa lembrança alimenta a esperança de um novo agir salvador.

Versículos-chave: 11, 12, 14

Clamor por restauração, paternidade de Deus e identidade do povo (versículos Isaías 63:15-19)

Diante do aparente abandono, o profeta clama: Deus é Pai e Redentor, mesmo quando os patriarcas não podem interceder. O povo sofre ao ver o santuário profanado e se percebe como se não pertencesse mais a Deus, suplicando para que o Senhor volte e restaure sua herança.

Versículos-chave: 15, 16, 17, 18, 19

Contexto histórico e literario

Isaías 63 se encaixa na parte final do livro (caps. 56–66), muitas vezes entendida como direcionada a um contexto pós-exílico ou à fase final do exílio babilônico, quando o povo lida com a frustração, a sensação de abandono e a expectativa de restauração. A menção a Edom (v.1) representa não apenas uma nação específica, inimiga histórica de Israel, mas um símbolo mais amplo das nações hostis e da oposição ao povo de Deus. A imagem do “lagar” remete ao método antigo de esmagar uvas com os pés, usado como metáfora gráfica para o juízo divino.

A recordação dos dias de Moisés (vs. 11–14) situa a reflexão no grande ato redentor do Êxodo: a saída do Egito, a passagem pelo mar Vermelho e a condução no deserto. Essa memória serve como base para o clamor atual: o mesmo Deus que salvou no passado pode intervir novamente. Ao mesmo tempo, o texto reconhece a rebeldia contínua de Israel, que levou ao cativeiro e à destruição do templo (v.18, “pisaram o teu santuário”). O capítulo expressa a tensão entre juízo e misericórdia, disciplina e esperança.

Estrutura de Isaías 63

O capítulo apresenta um fluxo literário que alterna entre visão, lembrança histórica e oração:

  1. Visão do guerreiro divino vindicador (63:1-6)

    • Diálogo em forma de pergunta e resposta: “Quem é este…?” (v.1-2).
    • Descrição do guerreiro que pisa o lagar sozinho, com vestes manchadas de sangue, simbolizando o juízo (v.3-6).
  2. Hino de lembrança das misericórdias de Deus (63:7-9)

    • Decisão de mencionar as benignidades do Senhor (v.7).
    • Reconhecimento de Israel como povo de Deus e de Deus como Salvador participante nas angústias do povo (v.8-9).
  3. Confissão da rebeldia e da disciplina divina (63:10)

    • Declaração concentrada: o povo foi rebelde e entristeceu o Espírito Santo, resultando em juízo.
  4. Recordação do Êxodo e da condução divina (63:11-14)

    • Perguntas retóricas: “Onde está o que os fez subir do mar…?” (v.11-12).
    • Relembrança do braço glorioso, da travessia do mar, da guia segura e do descanso dado pelo Espírito (v.13-14).
  5. Oração de súplica e apelo à paternidade de Deus (63:15-19)

    • Pedido para que Deus olhe desde a sua habitação santa e gloriosa (v.15).
    • Afirmação de Deus como Pai e Redentor, mesmo sem apoio de Abraão ou Israel (patriarcas) (v.16).
    • Clamor por retorno de Deus, confissão da dureza do coração e lamento pela profanação do santuário e pela perda da identidade de povo (v.17-19).

Significado teológico

Isaías 63 oferece um retrato denso de quem Deus é e de como Ele se relaciona com o seu povo.

  1. Deus como juiz justo e guerreiro santo
    A imagem do guerreiro vindo de Edom com vestes manchadas destaca a santidade e a justiça de Deus. O “dia da vingança” (v.4) não é explosão de ira caprichosa, mas a resposta do Deus santo ao pecado, à injustiça e à opressão. O fato de Ele pisar o lagar “sozinho” enfatiza que a salvação e o juízo pertencem exclusivamente a Ele.

  2. Deus como Salvador compassivo e presente no sofrimento
    Ao lado do juízo, o texto revela um Deus profundamente compassivo: “Em toda a angústia deles ele foi angustiado” (v.9). Deus não é indiferente à dor do seu povo; Ele se envolve, envia “o anjo da sua presença”, remindo e conduzindo. O capítulo sustenta a tensão bíblica entre justiça e misericórdia, mostrando que o mesmo Deus que julga é aquele que ama e salva.

  3. A realidade do pecado e o entristecer do Espírito Santo
    O versículo 10 apresenta uma verdade teológica importante: é possível ser objeto da misericórdia de Deus e, ainda assim, rebelar-se, entristecendo o Espírito Santo. A disciplina divina, descrita como Deus tornando-se “inimigo” em combate contra o seu próprio povo, mostra a seriedade do pecado e a necessidade de arrependimento real.

  4. Memória como ato teológico e esperança de restauração
    Recordar os atos de Deus no Êxodo não é mera nostalgia, mas um ato de fé: o mesmo Deus que agiu no passado continua sendo Pai e Redentor (v.16). A memória da história redentora alimenta o clamor presente por restauração. A fé bíblica olha para trás (Êxodo) para sustentar a esperança em um novo agir salvador de Deus.

  5. Paternidade de Deus e identidade do povo
    A declaração “tu és nosso Pai” (v.16) aprofunda a ideia de aliança: mesmo quando os vínculos humanos (Abraão, Israel patriarcal) parecem distantes, a relação com Deus permanece. Ao se perceber “como aqueles sobre quem tu nunca dominaste” (v.19), o povo experimenta uma crise de identidade espiritual. O texto mostra que a verdadeira identidade do povo de Deus depende da presença, do governo e do nome do Senhor sobre ele.

  6. Deus transcendente que ouve o clamor do seu povo
    Deus é apresentado como aquele que habita em lugar santo e glorioso (v.15), mas a oração ousada pede que Ele “atente” e “olhe”. A transcendência de Deus não o impede de se inclinar; pelo contrário, a grandeza e a glória divina são o fundamento da esperança de que Ele pode intervir de forma decisiva na história.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Isaías 63 traz elementos que dialogam profundamente com processos emocionais de sofrimento, arrependimento e restauração. A visão do guerreiro divino pode ressoar com quem anseia por justiça diante de injustiças sofridas. A lembrança da compaixão de Deus, que se angustia com as angústias do seu povo, oferece consolo para dores antigas e atuais.

O capítulo valida a experiência de quem se sente disciplinado, distante ou até “lutando contra Deus” por causa de escolhas erradas. Ao mesmo tempo, abre espaço para a esperança: mesmo depois de rebeldia e perda, ainda existe caminho para clamar, lembrar quem Deus é e reafirmar a identidade de filhos.

A oração final expressa confusão, sensação de abandono, perda de referência espiritual e dor pela destruição do que era sagrado. Isso reflete cenários de luto, traumas comunitários e crises de fé. O texto mostra que essas emoções podem ser levadas honestamente a Deus, sem maquiagem religiosa, e que o ato de se lembrar da fidelidade de Deus no passado ajuda a reorganizar o coração em meio ao caos.

Assim, Isaías 63 contribui terapeuticamente ao:
- legitimar a sensação de injustiça e o clamor por defesa;
- acolher a culpa e a consciência da rebeldia;
- fortalecer a esperança em um Deus que continua sendo Pai e Redentor;
- mostrar que a memória da ação de Deus no passado é um recurso espiritual para atravessar crises profundas.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do texto podem ser mal interpretados e causar sofrimento adicional se lidos fora do contexto bíblico e pastoral:

  1. Imagens fortes de violência e juízo (vs. 1-6)
    A linguagem do lagar, do sangue e da ira de Deus pode ser muito perturbadora para pessoas sensíveis a temas de violência, trauma ou com histórico de abuso religioso. É importante lembrar que se trata de linguagem simbólica e profética, voltada contra a injustiça e a opressão, não uma autorização para violência humana.

  2. Percepção de Deus como inimigo (v.10)
    A frase de que Deus se tornou “inimigo” pode ser gatilho para pessoas que já se sentem rejeitadas ou sem valor. O contexto mostra que se trata de disciplina corretiva a um povo em aliança, não de rejeição absoluta nem de ódio pessoal. Sem esse cuidado, pode reforçar sentimentos de desespero espiritual.

  3. Ideia de Deus “endurecendo o coração” (v.17)
    Para quem luta com culpa intensa, ansiedade religiosa ou escrúpulos, esse tipo de expressão pode gerar medo de que Deus tenha fechado a porta para sempre. O texto expressa um lamento poético e complexo sobre responsabilidade humana e soberania divina; não descreve um Deus que arbitrariamente impede pessoas sinceras de se aproximarem.

  4. Sensação de abandono e perda de identidade espiritual (v.19)
    Essa linguagem pode ecoar em pessoas que já se sentem “fora” da fé ou da comunidade. É importante enfatizar que a própria Bíblia registra esse tipo de sentimento como parte da caminhada de fé, e que o capítulo se encaminha justamente para o clamor por restauração, não para o desespero definitivo.

Nesses pontos sensíveis, o acompanhamento pastoral, comunitário ou profissional é valioso para ajudar a interpretar o texto de forma segura, evitando que imagens de juízo sejam usadas para autoacusação destrutiva ou manipulação espiritual.

Aplicação prática para hoje

  1. Lembrar-se ativamente das misericórdias de Deus
    Assim como o profeta decide “mencionar as benignidades do Senhor” (v.7), é possível cultivar o hábito de registrar e revisitar evidências da fidelidade de Deus: respostas de oração, livramentos, consolos recebidos, mudanças de caráter. Essa memória espiritual se torna recurso concreto em tempos de crise.

  2. Levar a Deus tanto a dor quanto a culpa
    O capítulo combina lamento e confissão: fala de angústia, injustiça sofrida, mas também admite rebeldia e entristecimento do Espírito (v.10). Na prática, isso incentiva a não separar artificialmente sofrimento e pecado, permitindo que ambos sejam colocados diante de Deus com sinceridade, sem autojustificação nem autodesprezo.

  3. Alinhar o desejo de justiça com o caráter de Deus
    A figura do guerreiro que executa juízo lembra que a verdadeira justiça está nas mãos de Deus. Isso desafia impulsos de vingança pessoal e convida à confiança de que Deus vê e julga com retidão. No cotidiano, isso pode significar buscar caminhos justos e legais diante de injustiças, sem se entregar ao ódio destrutivo.

  4. Reconhecer sinais de coração endurecido e buscar retorno
    O lamento sobre o coração endurecido (v.17) sugere atenção a sinais como insensibilidade espiritual, resistência persistente à correção e indiferença ao pecado. Na prática, isso aponta para a importância de examinar o próprio coração, ouvir a Palavra com abertura, valorizar a correção amorosa da comunidade e responder prontamente quando Deus confronta.

  5. Afirmar a identidade de filhos de Deus mesmo em tempos de ruína
    Mesmo diante da destruição do santuário (v.18) e da sensação de não pertencer mais (v.19), o profeta declara: “tu és nosso Pai” e “nosso Redentor” (v.16). Em situações de perda, fracasso ou desordem, essa verdade pode ser reafirmada: a identidade em Deus não depende das circunstâncias, templos, estruturas ou sentimentos, mas do caráter e da promessa do próprio Deus.

  6. Fazer da oração um diálogo honesto e ousado
    A oração em Isaías 63 é reverente, mas ousada: faz perguntas, expressa dor, lembra Deus de sua história com o povo. Isso inspira uma vida de oração em que a pessoa se apresenta de forma verdadeira, sem máscaras religiosas, confiando que Deus suporta o peso das perguntas e das lágrimas enquanto conduz ao arrependimento e à esperança.

Perguntas frequentes

Quem é o personagem que vem de Edom com vestes tintas em Isaías 63?

O personagem descrito nos versículos 1–6 é uma figura divina, apresentada como um guerreiro vitorioso que vem de Edom e Bozra com vestes manchadas. Ele fala em justiça e é “poderoso para salvar”. No próprio contexto de Isaías, trata-se do Senhor agindo em juízo contra as nações que oprimem seu povo. A imagem é simbólica, usando linguagem de guerra e lagar para comunicar o juízo justo de Deus e a defesa dos seus remidos.

O que significa o lagar e as vestes manchadas de sangue?

O lagar era o local onde as uvas eram pisadas com os pés para extrair o suco. Os profetas usam essa imagem como metáfora do juízo divino: assim como as uvas são esmagadas, Deus “esmaga” a arrogância e a maldade das nações rebeldes. As vestes manchadas de sangue não descrevem um ato de violência aleatória, mas simbolizam o resultado do juízo de Deus sobre a injustiça. É linguagem figurada que comunica a seriedade do pecado e a certeza de que Deus não ignora o mal.

Como Isaías 63 pode falar de um Deus amoroso e ao mesmo tempo de juízo severo?

Isaías 63 segura juntos dois aspectos do caráter de Deus: Ele é justo e santo, e por isso julga o mal; e Ele é amoroso e compassivo, e por isso salva e sofre com o seu povo. O mesmo capítulo que fala do “dia da vingança” (v.4) também declara que em toda a angústia do povo, Deus se sentiu angustiado (v.9). O juízo aparece como resposta santa ao pecado e à opressão, não como explosão de crueldade. A misericórdia aparece como fidelidade de Deus à sua aliança, mesmo diante da rebeldia do povo. A Bíblia não opõe amor e justiça; apresenta ambos como inseparáveis na pessoa de Deus.

O que significa entristecer o Espírito Santo em Isaías 63:10?

Entristecer o Espírito Santo, em Isaías 63:10, significa resistir ao agir de Deus, rejeitar sua direção e persistir em rebeldia, mesmo depois de ter recebido graça e misericórdia. O Espírito de Deus estava no meio do povo, guiando e sustentando, mas o povo respondeu com desobediência. A tristeza atribuída ao Espírito é uma forma humana de expressar que Deus não é indiferente ao pecado do seu povo; Ele se importa, se entristece e, quando necessário, disciplina para corrigir. Não se trata de fragilidade, mas de amor santo ferido pela infidelidade.

Por que o texto fala que Deus endurece o coração e faz o povo errar (Isaías 63:17)?

O versículo 17 aparece dentro de uma oração de lamento, em que o profeta fala de forma poética sobre a tensão entre a responsabilidade humana e a soberania divina. Ao dizer “por que nos fazes errar” e “por que endureces o nosso coração”, ele expressa a experiência de sentir-se entregue às próprias escolhas e consequências. Em outras partes da Bíblia, fica claro que o endurecimento do coração envolve tanto a persistência da pessoa no pecado quanto o fato de Deus, em certo momento, deixá-la colher o fruto de sua rebeldia. O texto não ensina que Deus impede pessoas sinceras de buscá-lo, mas reconhece que, sem a graça de Deus, o coração humano tende a se afastar, e por isso clama para que Deus volte e restaure.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Isaías 63 carrega emoções intensas: imagens fortes de juízo, memórias de cuidado amoroso e um clamor quase desesperado por restauração. É um capítulo onde a dor, a culpa e a saudade de Deus aparecem lado a lado. Há um consolo profundo em saber que, mesmo quando o texto fala de juízo, ele também afirma que Deus se angustia com as angústias do seu povo. Não se trata de um Deus frio, distante, observando de longe o sofrimento. Ele entra na história, sente, resgata, conduz. Nas palavras do capítulo, Ele é Salvador, Pai, Redentor, aquele que carrega e guia. O coração do povo está confuso: sente-se disciplinado, distante, como se tudo o que era sagrado tivesse sido pisado. Esse tipo de dor é real e muitas vezes silenciosa. Isaías 63 mostra que esse sofrimento cabe na presença de Deus. O lamento e as perguntas não são descartados; são acolhidos como parte da caminhada de quem já conheceu a bondade do Senhor, mas agora sente falta dela. A lembrança das “benignidades do Senhor” funciona como um abraço na memória. Em meio às ruínas, o povo relembra que já foi conduzido com cuidado, descanso e presença. Há cura no simples ato de lembrar que Deus já esteve perto, já protegeu, já consolou. Essa memória abre espaço para acreditar que Ele ainda pode se aproximar de novo. Mesmo quando o texto fala de rebeldia e de um coração endurecido, a paternidade de Deus é reafirmada: “tu és nosso Pai”. É como se, no fundo, a identidade de filho sustentasse o clamor. Não é um povo qualquer gritando no escuro; é um povo lembrando-se de que pertence a um Pai amoroso, ainda que momentaneamente se sinta distante. Isaías 63, lido com sensibilidade, acolhe tanto quem está ferido pela injustiça quanto quem se sente culpado por escolhas erradas. Ele mostra que, na presença de Deus, há espaço tanto para chorar quanto para confessar, tanto para lamentar quanto para esperar. E, mesmo quando as circunstâncias parecem dizer o contrário, o coração deste capítulo insiste: Deus continua sendo Pai e Redentor.

Mind
Mind

Isaías 63 é teologicamente rico e literariamente elaborado. Ele combina uma visão profética de juízo (vs. 1–6), um hino de lembrança histórica (vs. 7–14) e uma oração de súplica e lamento (vs. 15–19). Esses blocos interagem para articular a tensão entre a justiça de Deus, a infidelidade de Israel e a esperança de restauração. Do ponto de vista exegético, a figura que vem de Edom e Bozra com vestes manchadas (v.1) se apoia em tradições proféticas em que Edom simboliza os inimigos de Deus e do seu povo. O lagar (v.3) é metáfora clássica do juízo divino, já presente em outros textos proféticos. A linguagem é deliberadamente chocante para transmitir a seriedade do “dia da vingança” e o caráter unilateral da salvação: Deus “sozinho” pisa o lagar e “sozinho” traz a salvação (vs. 3, 5). A partir do versículo 7, o texto muda de tom e gênero literário. O profeta assume a voz de um intercessor que recapitula a “história da graça”: eleição, salvação, presença do “anjo da sua presença” e ação do Espírito. O verso 9 é teologicamente notável ao atribuir a Deus uma espécie de empatia: Ele se angustia com as angústias do povo. O Espírito Santo aparece como agente ativo na história de Israel (vs. 10–11, 14), o que é significativo para uma compreensão bíblica mais ampla da obra do Espírito. O versículo 10 marca um ponto de virada: a rebeldia do povo entristece o Espírito Santo e transforma a relação com Deus em relação de julgamento. Isso explica a ruína histórica sem negar a fidelidade de Deus. A disciplina é vista como resposta à infidelidade da aliança, não como falha do compromisso divino. O bloco 11–14 oferece uma releitura teológica do Êxodo, destacando o braço glorioso de Deus, a condução segura no deserto e o descanso dado pelo Espírito. Essa releitura não é mera recordação, mas um argumento: se Deus agiu assim no passado, o que impede um novo agir no presente? Na seção final (vs. 15–19), o texto assume a forma de súplica comunitária. A linguagem de paternidade (“tu és nosso Pai”) e redenção (“nosso Redentor desde a antiguidade”) reancora a teologia da aliança em termos relacionais. A menção a Abraão e Israel (v.16) tem função retórica: mesmo que as figuras históricas fundamentais não possam interceder, Deus permanece como a referência última da identidade do povo. Teologicamente, Isaías 63 trabalha com a dialética entre soberania divina e responsabilidade humana. A expressão sobre Deus “endurecer o coração” (v.17) precisa ser lida à luz de todo o Antigo Testamento, onde o endurecimento envolve tanto a persistência humana no pecado quanto o juízo divino que confirma essa escolha. O texto não resolve essa tensão de forma abstrata, mas a transforma em oração: o povo, consciente de sua responsabilidade, clama para que Deus intervenha e transforme o coração. Em síntese, Isaías 63 oferece um quadro robusto da teologia bíblica: Deus é juiz e salvador; o povo é amado e infiel; a história passada é fundamento da esperança presente; a oração é o espaço em que essas tensões são trazidas à presença de Deus, aguardando sua intervenção renovadora.

Life
Life

Isaías 63 fala de realidades espirituais profundas, mas traz implicações muito práticas para a vida diária. Ele aborda o que acontece quando um povo que já experimentou a graça se torna rebelde, como lidar com injustiça sofrida e como reagir quando tudo ao redor parece em ruína. A figura do guerreiro que executa juízo (vs. 1–6) lembra que a justiça final não está nas mãos humanas. No cotidiano, isso desafia a responder a injustiças com integridade, buscando meios justos (diálogo, reconciliação, recursos legais), mas evitando cair em ciclos de vingança. A confiança de que Deus vê e julga libera a pessoa da necessidade de “acertar tudo à força”, o que pode destruir relacionamentos e a própria saúde emocional. A decisão do profeta de “mencionar as benignidades do Senhor” (v.7) aponta para uma disciplina concreta: em tempos difíceis, escolher lembrar evidências da fidelidade de Deus. Isso pode se traduzir em práticas simples, como manter registros de respostas de oração, compartilhar testemunhos em comunidade e recontar histórias de livramentos. Esse exercício ajuda a contrabalançar a tendência de enxergar apenas o que está dando errado. O reconhecimento de que o povo entristeceu o Espírito Santo (v.10) mostra a importância de levar a sério os sinais de afastamento de Deus: escolhas repetidas que desconsideram a vontade divina, insensibilidade à Palavra, resistência à correção. Na prática, isso chama à autoavaliação honesta: examinar atitudes, pedir feedback de pessoas maduras na fé e buscar realinhamento antes que o distanciamento se aprofunde. A lembrança do Êxodo (vs. 11–14) mostra que a fé não se sustenta apenas no que se sente no momento, mas também na memória da ação de Deus na história. Em termos práticos, isso inclui ancorar decisões e atitudes em princípios bíblicos já revelados, e não apenas em impressões momentâneas. O Deus que guiou com segurança no passado continua confiável para orientar decisões atuais em família, trabalho, finanças e relacionamentos. A oração de Isaías 63:15–19 é um exemplo de como falar com Deus em crises profundas: com reverência, mas com honestidade. Em vez de fingir que “está tudo bem”, o texto verbaliza dor, confusão e sensação de perda de identidade espiritual. Aplicado ao dia a dia, isso encoraja a cultivar um relacionamento com Deus no qual as dificuldades reais – problemas familiares, crises na igreja, frustrações pessoais – são levadas diretamente a Ele, sem mascaramento religioso. Por fim, a insistência em chamar Deus de Pai e Redentor em meio à ruína (v.16) aponta para uma postura prática: não definir a própria identidade apenas pelas circunstâncias atuais. Mesmo em fases de falhas, perdas ou recomeços, a identidade de quem pertence a Deus é sustentada pela fidelidade dEle, não pelo desempenho ou pelo cenário momentâneo. Essa consciência influencia escolhas concretas, motivando perseverança, arrependimento quando necessário e disposição para reconstruir o que foi destruído.

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Versículos em Isaías 63

Isaías 63:1

" Quem é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. "

Isaías 63:1 descreve Deus vindo como um guerreiro vitorioso, com roupas manchadas, simbolizando juízo contra o mal e libertação para seu povo. O versículo lembra …

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Isaías 63:3

" Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura. "

Isaías 63:5

" E olhei, e não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse, por isso o meu braço me trouxe a salvação, e o meu furor me susteve. "

Isaías 63:7

" As benignidades do Senhor mencionarei, e os muitos louvores do Senhor, conforme tudo quanto o Senhor nos concedeu; e grande bondade para com a casa de Israel, que usou com eles segundo as suas misericórdias, e segundo a multidão das suas benignidades. "

Isaías 63:9

" Em toda a angústia deles ele foi angustiado, e o anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor, e pela sua compaixão ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade. "

Isaías 63:10

" Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles. "

Isaías 63:11

" Todavia se lembrou dos dias da antiguidade, de Moisés, e do seu povo, dizendo: Onde está agora o que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está o que pôs no meio deles o seu Espírito Santo? "

Isaías 63:12

" Aquele cujo braço glorioso ele fez andar à mão direita de Moisés, que fendeu as águas diante deles, para fazer para si um nome eterno? "

Isaías 63:14

" Como o animal que desce ao vale, o Espírito do Senhor lhes deu descanso; assim guiaste ao teu povo, para te fazeres um nome glorioso. "

Isaías 63:15

" Atenta desde os céus, e olha desde a tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A comoção das tuas entranhas, e das tuas misericórdias, detém-se para comigo? "

Isaías 63:16

" Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome. "

Isaías 63:17

" Por que, ó Senhor, nos fazes errar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que não te temamos? Volta, por amor dos teus servos, às tribos da tua herança. "

Isaías 63:17 expressa o sentimento de um povo que percebe quão longe foi de Deus e entende que colhe as consequências disso. O versículo mostra …

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