Versículo em destaque
Isaías 63:15 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Atenta desde os céus, e olha desde a tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A comoção das tuas entranhas, e das tuas misericórdias, detém-se para comigo? "
Isaías 63:15
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
13 Aquele que os guiou pelos abismos, como o cavalo no deserto, de modo que nunca tropeçaram?
14 Como o animal que desce ao vale, o Espírito do Senhor lhes deu descanso; assim guiaste ao teu povo, para te fazeres um nome glorioso.
15 Atenta desde os céus, e olha desde a tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A comoção das tuas entranhas, e das tuas misericórdias, detém-se para comigo?
16 Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome.
17 Por que, ó Senhor, nos fazes errar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que não te temamos? Volta, por amor dos teus servos, às tribos da tua herança.
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O louvor que vem antes deste versículo é, na verdade, o início de uma oração que segue até o fim do capítulo seguinte. É uma oração calorosa, urgente e cheia de súplicas. Ela combina com o tempo do exílio, e Deus havia dado promessas e orações próprias para aquele tempo de necessidade, para que seu povo pudesse levar de volta a ele as próprias palavras dele. Alguns bons intérpretes entendem que essa oração também vai além desse momento, alcançando a rejeição posterior dos judeus e sua destruição pelos romanos. Uma de suas frases, em Isaías 64:4, é usada pelo apóstolo para falar da graça do evangelho (1 Coríntios 2:9), a graça pela qual eles foram rejeitados por recusá-la.
Nesses versículos, vemos primeiro os pedidos que fazem a Deus. Eles pedem que Deus note a condição deles e o seu desejo por ele: “Atenta desde os céus, e olha” (Isaías 63:15). Sabem que Deus já vê todas as coisas, mas pedem que ele os olhe com misericórdia e cuidado. Querem que ele os considere como um dia olhou para o sofrimento de Israel no Egito, pouco antes de livrá-los. Ao pedirem que ele atente desde os céus e olhe, também apelam à sua justiça contra os inimigos, confiando, porém, em sua misericórdia e sabedoria para trazer socorro da maneira certa (Salmo 25:18; Salmo 33:14).
Eles também pedem que Deus aja para resgatá-los (Isaías 63:17). Em essência, dizem: “Volta para nós. Muda o teu trato para conosco e não continues a lidar conosco em juízo. Volta em misericórdia, e não nos dês apenas um olhar favorável, mas a tua presença graciosa conosco”. O povo de Deus não teme nada tanto quanto quando Deus parece retirar-se deles, e nada deseja tanto quanto o seu retorno. Eles sabem que a presença dele é o seu verdadeiro bem.
Em seguida vêm as queixas. Primeiro, lamentam terem sido deixados a si mesmos, e que a graça de Deus não os tenha recuperado (Isaías 63:17). É uma questão séria: “Por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração para que não te temamos?”. Alguns entendem essas palavras como a fala dos abertamente ímpios, que culpavam a Deus pelo próprio pecado e depois perguntavam por que ele ainda os culpava. Isso é realmente perverso, porque lança sobre Deus a culpa pela maldade.
Mas é melhor tomar essas palavras como o lamento de pessoas fiéis, que se entristeciam por causa da incredulidade e dureza da nação. Elas não estavam acusando Deus de causar o pecado. Estavam confessando que se haviam desviado dos caminhos de Deus e que seus corações se tinham endurecido contra o seu temor, isto é, contra a adoração reverente ou o temor correto que conduz à obediência. Lamentam que seus pecados as tenham levado a esse estado, pois Deus, com justiça, as havia deixado à própria dureza. Ele retirara o seu Espírito porque havia sido contristado, provocado e apagado (Isaías 63:10), e também lidara com elas em juízo, como na palavra: “Engorda o coração deste povo” (Isaías 6:9-10).
O sofrimento deles também se tornara causa de afastamento espiritual. Como Davi em seu desterro, que sentiu como se estivesse sendo impelido a servir a outros deuses (1 Samuel 26:19), eles perceberam que a aflição fizera muitos passarem a desgostar do serviço de Deus. Quando a vara dos ímpios permanece por muito tempo sobre o lote de um povo, ele pode ser tentado a desviar-se para o pecado (Salmo 125:3). Por isso, eles se entristecem mais com o dano espiritual de seus sofrimentos do que com o sofrimento em si, porque esse dano os afasta de Deus e do dever. A consciência se perturba mais com juízos que ferem a alma.
Em segundo lugar, lamentam terem sido deixados nas mãos de seus inimigos, e que a providência de Deus não os tenha livrado (Isaías 63:18). Doía-lhes profundamente que, no cativeiro, a maior parte deles tivesse perdido o amor ao culto de Deus e se tornado endurecida pelos problemas. Mas doía ainda mais o fato de estarem privados do culto público de Deus. Não se queixam tanto de os inimigos terem pisado suas casas e cidades, como de terem pisado o santuário de Deus, pois isso era uma afronta direta contra Deus e a perda do consolo que mais estimavam.
Então suplicam a Deus por misericórdia e livramento. Fundamentam seu apelo na própria compaixão e no poder de Deus; esses são sempre fortes argumentos na oração. Perguntam: “Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas?”. O zelo de Deus é o seu santo cuidado por sua própria glória e pelo bem de seu povo. Seu nome é Zeloso, e ele é um Deus ciumento. Ele também tem poder para proteger sua glória e o bem-estar de seu povo contra todo inimigo. Assim, perguntam, em essência, por que essas coisas não se manifestam agora, já que se manifestaram antes. Não é possível que o zelo divino, que é perfeitamente sábio e justo, tenha esfriado, nem que a força divina, que é ilimitada, tenha enfraquecido.
O povo de Deus havia experimentado não apenas o seu zelo e poder, mas também a comoção de suas entranhas, isto é, a movimentação de sua profunda compaixão. Haviam conhecido um amor tão terno que nele se movia como um forte sentimento no coração humano (Oséias 11:8; Jeremias 31:20). Perguntam, em efeito: “Terá Deus, que costumava mostrar tanta misericórdia, fechado agora o seu cuidado terno?” (Salmo 77:9). Isso jamais poderia ser. Podemos construir expectativas cheias de esperança quanto à misericórdia futura sobre a misericórdia que já vimos.
Eles também suplicam com base na relação de Deus com eles como Pai (Isaías 63:16). Se ele é seu Pai, então suas ternas misericórdias não estão bloqueadas, pois um pai pode se desgostar por um tempo, mas o amor o traz de volta rapidamente. “Tu és nosso Pai”, dizem, “então tua compaixão se moverá em nossa direção”. Devemos guardar tais pensamentos sobre Deus em nossos corações. Por mais duras que as coisas pareçam, Deus continua sendo bom, porque é nosso Pai.
Eles admitem que, se ele não fosse seu Pai, estariam órfãos. Nesse caso, lançar-se-iam sobre aquele que dá misericórdia ao órfão (Oséias 14:3). Era honra para a nação que Abraão e Israel fossem seus pais: Abraão, amigo de Deus, e Israel, o homem que lutou com Deus e prevaleceu (Mateus 3:9). Mas de que adiantaria isso se não tivessem o próprio Deus como Pai? Abraão e Israel não podiam ajudá-los ali. Há muito estavam mortos, inconscientes da aflição do povo, incapazes de lhes fazer qualquer bem adicional. Quando um pai morre, seus filhos podem chegar a grande honra, mas ele não o sabe (Jó 14:21).
“Mas tu, Senhor, ainda és nosso Pai”, dizem, “o Pai eterno, que jamais nos perde de vista”. Pais terrenos podem amar intensamente, mas só Deus é o Pai vivo que nunca está longe. Por isso, “nosso Redentor desde a antiguidade” é o seu nome, o nome pelo qual sempre o conheceram. Desde os tempos antigos, o povo de Deus olha para ele como aquele que pode endireitar suas causas e pleitear sua defesa. Alguns também entendem o sentido assim: ainda que Abraão e Israel não pudessem ajudá-los, Deus o faria. Aqueles patriarcas não tinham a mesma compaixão que Deus tem. O povo estava tão arruinado pelo pecado que Abraão e Israel não os reconheceriam como filhos; no entanto, ainda assim corriam para Deus como Pai. Abraão expulsou Ismael, e Jacó rejeitou Rúben e amaldiçoou Simeão e Levi; mas Deus, ao perdoar o pecado, é Deus e não homem (Oséias 11:9).
Eles ainda evocam o direito que Deus tem sobre eles como Senhor e dono. “Somos teus servos”, dizem, “logo todo serviço que podemos prestar pertence a ti”. Por isso, não deveriam servir a reis estrangeiros nem a deuses estranhos. “Volta, por amor dos teus servos”, pedem. Assim como um pai se sente obrigado, por amor, a proteger seu filho, um senhor se sente obrigado, por honra, a livrar seu servo. Eles pertencem a Deus pelos laços mais fortes e pelos vínculos mais calorosos. Ele reinou sobre eles; portanto, agora deve defender o seu próprio direito. São chamados pelo seu nome; para onde mais poderiam ir em busca de socorro? “Sou teu, salva-me” (Salmo 119:94). São suas próprias tribos, não apenas seus servos, mas também seus “posseiros”, por assim dizer, devendo-lhe lealdade e louvor. Se são a parte do mundo da qual ele recebe culto, permitirá ele que o seu próprio povo seja maltratado?
Eles ainda argumentam que possuíram a terra da promessa e desfrutaram das bênçãos do santuário por pouco tempo (Isaías 63:18). De Abraão a Davi, e de Davi até o exílio, o período foi curto, se comparado com a promessa de uma herança perpétua em Canaã (Gênesis 17:8; Mateus 1:17). Eram o povo de sua santidade, separados para ele, e ainda assim foram rapidamente expulsos. Contudo, haviam trazido isso sobre si mesmos. Embora fossem, de nome, o povo santo de Deus, sua maldade os havia forçado a sair da terra.
Por fim, o argumento é que aqueles que agora possuíam a terra eram estranhos a Deus. Ele não recebia deles culto, nem honra. A oração coloca nos lábios do povo algo como: “Eles nunca estiveram debaixo do teu domínio, nunca foram chamados pelo teu nome”. A ideia é: Deus deixará que os que não têm relação nenhuma com ele pisem e humilhem os que lhe pertencem?
Alguns entendem a frase de outra forma: “Nós nos tornamos como aqueles sobre os quais tu nunca dominas e que nunca foram chamados pelo teu nome”. Ou seja, o povo havia caído tão baixo que parecia rejeitado, desprezado e pisado, como se nunca tivesse pertencido a Deus. Era como o escudo de Saul, lançado de lado como coisa sem valor, embora um dia tivesse sido ungido com óleo (comparação com 2 Samuel 1:21). Ainda assim, a aliança que parece esquecida será novamente lembrada por Deus.
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Deste capítulo
Isaías 63:1
"Quem é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar."
Isaías 63:2
"Por que está vermelha a tua vestidura, e as tuas roupas como as daquele que pisa no lagar?"
Isaías 63:3
"Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura."
Isaías 63:4
"Porque o dia da vingança estava no meu coração; e o ano dos meus remidos é chegado."
Isaías 63:5
"E olhei, e não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse, por isso o meu braço me trouxe a salvação, e o meu furor me susteve."
Isaías 63:6
"E atropelei os povos na minha ira, e os embriaguei no meu furor; e a sua força derrubei por terra."
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