Versículo em destaque
Isaías 66:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso? "
Isaías 66:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso?
2 Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o Senhor; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.
3 Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.
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Aqui, o templo é colocado em posição inferior a uma alma cheia da graça de Deus (Isaías 66:1-2). Os judeus, tanto nos dias de Isaías quanto nos dias de Cristo, tinham grande orgulho do templo e nele depositavam enormes expectativas. Para humilhá-los e quebrar essa falsa confiança, tanto os profetas quanto Cristo anunciaram a ruína do templo. Deus o abandonaria, e então logo se tornaria desolado.
Depois que o templo foi destruído pelos caldeus, ele foi reconstruído, e o culto cerimonial foi retomado. Mas, quando os romanos o destruíram, ele ficou desolado de modo permanente, e a lei cerimonial foi abolida juntamente com ele. Para preparar o mundo para isso, Deus muitas vezes deixou claro, como aqui, que o templo em si tinha pouco valor diante dele.
Em primeiro lugar, Deus não precisava do templo. O céu é o trono de sua glória e de seu governo. Ali ele se assenta, infinitamente elevado em majestade e autoridade, acima de toda bênção e louvor. A terra é o estrado de seus pés, o lugar onde ele dirige todos os acontecimentos conforme o seu querer. Se Deus já tem tal trono e tal estrado, que casa o ser humano poderia construir para ele? Onde poderia ser o lugar do seu descanso? O que a Mente eterna teria a ganhar com uma casa feita por mãos humanas?
Que necessidade ele teria, como nós, de um lugar para descansar? Ele não se cansa nem se fatiga. Não dorme nem tosqueneja. Se precisasse de uma casa, não teria de pedi-la a nós, pois sua mão fez todas as coisas (Salmo 50:12). Ele fez o céu e todos os seus átrios, a terra e todos os seus confins, e todas as suas hostes. Como já existia em perfeita bem-aventurança antes de qualquer coisa ser criada, nada do que foi feito poderia acrescentar algo a ele.
Alguns entendem o versículo como dizendo: “Todas essas coisas ainda estão aí.” Elas permanecem porque o mesmo poder que as criou continua a sustentá-las. Assim também, a nossa bondade não acrescenta nada a ele. Se ele quisesse uma casa para habitar, tê-la-ia feito por si mesmo quando fez o mundo. E, se a tivesse feito, ela estaria de pé até hoje, assim como o restante da criação, segundo a sua ordem. Portanto, ele não tinha necessidade de um templo feito por mãos humanas.
Em segundo lugar, Deus não olha para o templo como olha para um coração humilde, arrependido e cheio de graça. Ele tem o céu e a terra como obra de suas mãos, e o templo como obra das mãos humanas; mas passa por cima de tudo isso para voltar-se com favor para quem é pobre de espírito. Essa pessoa é humilde, séria, quebrantada e negada a si mesma. O seu coração é verdadeiramente partido por causa do pecado, entristecido por ele e ansioso por perdão. Treme diante da palavra de Deus, não com um medo passageiro, como o de Félix (Atos 24:25), mas com reverência constante à santidade de Deus e com contínuo temor de sua justiça e ira.
Um coração assim é um templo vivo para Deus. É ali que ele habita, e ali é o lugar do seu descanso. Ele é para Deus como o céu e a terra, como seu trono e o estrado de seus pés. O templo pode ser glorioso aos olhos humanos, mas um coração contrito é muito mais precioso para Deus.
Também os sacrifícios são desprezados quando vêm de mãos ímpias. O sacrifício dos perversos não é apenas inaceitável; é abominável ao Senhor (Provérbios 15:8). Essa verdade é exposta com força nos versículos 3 e 4. Depois do retorno do cativeiro, os judeus carnais não voltaram formalmente à idolatria, mas se tornaram descuidados e relaxados no serviço de Deus. Trouxeram para o sacrifício animais rasgados, coxos e doentes (Malaquias 1:8, 13), e isso tornou o culto deles odioso a Deus.
Eles não davam honra aos próprios sacrifícios; por que então imaginar que Deus os honraria? Os judeus incrédulos, depois que o evangelho foi pregado e o grande sacrifício de Cristo foi anunciado, continuaram oferecendo sacrifícios como se a lei de Moisés ainda estivesse em vigor e pudesse tornar perfeitos os que prestavam culto. Isso era uma abominação. Uma pessoa pode matar um boi para a sua mesa, e isso é aceitável. Mas, se o mata para o altar de Deus de modo irreverente e incrédulo, é como se tivesse matado um homem. É tão ofensivo a Deus quanto um homicídio.
Ao agir assim, essa pessoa despreza o sacrifício de Cristo, pisa o sangue da aliança e se torna cúmplice da culpa de rejeitar o corpo e o sangue do Senhor. Está tentando restabelecer aquilo que Cristo morreu para remover. Se alguém oferece um cordeiro defeituoso, em vez do melhor macho do rebanho, quer dar a Deus um presente miserável. Isso é insulto, não adoração. É como se degolasse um cão, pois a lei considerava o cão tão impuro que o seu preço não podia ser levado ao tesouro do Senhor, ao passo que mesmo um jumento podia ser resgatado (Deuteronômio 23:18).
Se oferece uma oferta de manjares ou libação com esse espírito, é como se tentasse fazer expiação com sangue de porco, que era impuro e abominável (Isaías 65:4). Se queima incenso a Deus, desprezando o incenso da intercessão de Cristo, é como se abençoasse um ídolo. É tão grave quanto se estivesse adorando um falso deus. A hipocrisia e a impiedade aberta são tão provocadoras a Deus quanto a idolatria.
A razão de seus sacrifícios serem tão odiosos estava em seu modo de vida perverso. Eles haviam escolhido seus próprios caminhos, os caminhos que seus corações pecaminosos preferiam, e suas almas se deleitavam em suas abominações. Viviam de modo imoral e preferiam o caminho do pecado em vez dos mandamentos de Deus. Achavam prazer naquilo que ofendia a Deus, e isso tornava seus sacrifícios ainda mais ofensivos a ele (Isaías 1:11-15).
Os que afirmam honrar a Deus com religião, mas vivem perversamente, o insultam como se ele aprovasse o pecado. A culpa deles se agravava porque continuavam assim mesmo depois de muitos chamados ao arrependimento e à reforma. Ignoraram cada advertência da justiça divina e cada oferta da graça divina. “Quando chamei, ninguém respondeu”, como em (Isaías 65:12). A mesma acusação aparece aqui: fizeram o que era mau diante dos meus olhos. Já que não se importaram com o que ele dizia, tampouco se importaram com o que ele via. Escolheram o que sabiam que não lhe agradava.
Como poderiam esperar agradar a Deus no culto, se não se importavam em agradá-lo na vida diária? Nem sequer tentavam evitar aquilo que sabiam que o provocaria. Por isso Deus pronuncia a sentença. Eles escolheram os seus próprios caminhos; então Deus diz: “Eu também escolherei os seus enganos.” Eles fizeram a sua escolha, agora ele fará a dele. Tomaram com Deus a liberdade de seguir qualquer rumo que quisessem; ele, por sua vez, seguirá com eles o rumo que quiser.
Ele escolherá os seus enganos, ou zombarias, como alguns entendem. Já que zombaram de Deus e o desonraram com sua maldade, ele os entregará aos inimigos, para serem pisados e insultados. Ou então serão enganados pelas falsas esperanças em que confiaram. Deus fará do próprio pecado deles o seu castigo. Serão feridos com a própria vara e levados à ruína pela mesma falsa confiança em que se apoiavam.
Deus trará sobre eles os seus temores. Isto é, enviará exatamente aquilo que mais os apavorava, ou aquilo que esperavam evitar por meio de artimanhas pecaminosas. Corações incrédulos e consciências não purificadas e sem paz nada mais precisam, para serem completamente infelizes, do que ver seus próprios temores se cumprindo.
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Deste capítulo
Isaías 66:2
"Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o Senhor; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra."
Isaías 66:3
"Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações."
Isaías 66:4
"Também eu escolherei as suas calamidades, farei vir sobre eles os seus temores; porquanto clamei e ninguém respondeu, falei e não escutaram; mas fizeram o que era mau aos meus olhos, e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer."
Isaías 66:5
"Ouvi a palavra do Senhor, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o Senhor, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos."
Isaías 66:6
"Uma voz de grande rumor virá da cidade, uma voz do templo, a voz do Senhor, que dá o pago aos seus inimigos."
Isaías 66:7
"Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino."
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