Êxodo 9 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 9 na sua vida hoje

35 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 9?

Êxodo 9 descreve a continuação das pragas sobre o Egito: a morte do gado, as úlceras dolorosas sobre pessoas e animais, e a impressionante chuva de saraiva com fogo. Em contraste, Deus preserva Israel em Gósen. O capítulo destaca o endurecimento persistente de Faraó, mesmo após sinais claros do poder e da justiça de Deus, e mostra que o propósito dessas pragas é revelar que não há outro como o Senhor em toda a terra.

Temas principais em Êxodo 9

O poder soberano de Deus sobre povos e natureza (versículos 1-6, 18-25)

Deus demonstra domínio total sobre a vida dos animais, a saúde humana e os elementos da natureza (saraiva, fogo, trovões). Nada escapa ao seu controle, e até o tempo exato das pragas é marcado por Ele.

Versículos-chave: 5, 23, 24

Separação entre o povo de Deus e o Egito (versículos 4-6, 26)

Enquanto o gado dos egípcios morre e a saraiva devasta a terra, Deus poupa o gado e a região de Gósen, onde estão os israelitas. Essa distinção mostra cuidado específico de Deus por seu povo e revela que o julgamento não é aleatório.

Versículos-chave: 4, 6, 26

Endurecimento do coração de Faraó (versículos 7, 12, 27-28, 34-35)

Mesmo vendo sinais incontestáveis e até confessando pecado em certo momento, Faraó continua resistindo. O texto alterna entre o endurecimento voluntário de Faraó e a ação de Deus endurecendo seu coração, revelando a profundidade da rebeldia humana diante de Deus.

Versículos-chave: 12, 34, 35

Julgamento com propósito redentor e revelador (versículos 14-16, 27-29)

As pragas não são apenas punição, mas têm objetivo: mostrar o poder de Deus, levar ao reconhecimento de que o Senhor é justo e fazer com que seu nome seja anunciado em toda a terra.

Versículos-chave: 14, 16, 29

Resposta à Palavra de Deus: temor ou desprezo (versículos 19-21)

Alguns servos de Faraó levam a sério a palavra do Senhor e recolhem gado e servos para as casas; outros ignoram o aviso e sofrem as consequências, evidenciando que ouvir ou desprezar a mensagem de Deus produz resultados muito diferentes.

Versículos-chave: 20, 21

Contexto histórico e literario

Êxodo 9 se insere na série das dez pragas derramadas sobre o Egito, um dos maiores impérios do antigo Oriente Próximo. O Egito era fortemente agrário, dependente da agricultura e da criação de gado. Cavalos, jumentos, camelos, bois e ovelhas eram essenciais para transporte, trabalho e economia. A morte do gado e a devastação da lavoura pela saraiva representam um golpe direto na força econômica e militar do país.

Cada praga também confronta a religiosidade egípcia, que venerava diversas divindades ligadas a animais, saúde, clima e fertilidade da terra. A pestilência no gado, as úlceras em pessoas e animais, e a saraiva com fogo mostram que o Deus de Israel tem autoridade acima de todos esses deuses.

O texto menciona o linho e a cevada já desenvolvidos e o trigo e o centeio ainda protegidos (vv. 31-32). Isso indica um momento específico do calendário agrícola egípcio, provavelmente entre o fim do inverno e o início da primavera, dando um cenário concreto às pragas e ao impacto social causado. Em meio a esse contexto, Deus preserva a região de Gósen, onde viviam os israelitas, enfatizando que a libertação do povo não é um ato impulsivo, mas um plano cuidadoso executado em meio à história real.

Estrutura de Êxodo 9

O capítulo apresenta uma sequência organizada de três pragas (quinta, sexta e sétima), com um padrão repetitivo e progressivo:

  1. Praga sobre o gado (vv. 1-7)

    • Ordem de Deus a Moisés (v. 1)
    • Advertência a Faraó e anúncio da praga (vv. 2-3)
    • Distinção entre gado de Israel e do Egito (v. 4)
    • Tempo marcado por Deus (v. 5)
    • Cumprimento da praga e verificação de Faraó (vv. 6-7)
  2. Praga das úlceras e sarnas (vv. 8-12)

    • Instrução de Deus a Moisés e Arão (v. 8)
    • Cinza lançada ao céu, tornando-se pó e produzindo úlceras (vv. 9-10)
    • Incapacidade dos magos de ficar diante de Moisés (v. 11)
    • Declaração do endurecimento do coração de Faraó (v. 12)
  3. Praga da saraiva (vv. 13-35)

    • Nova confrontação de Faraó pela manhã (v. 13)
    • Declaração do propósito das pragas e da soberania de Deus (vv. 14-16)
    • Acusação da exaltação de Faraó contra o povo de Deus (v. 17)
    • Anúncio da saraiva sem precedentes (vv. 18-19)
    • Reação diferenciada dos servos de Faraó à palavra do Senhor (vv. 20-21)
    • Ordem a Moisés e início da tempestade de saraiva e fogo (vv. 22-24)
    • Destruição generalizada e preservação de Gósen (vv. 25-26)
    • Confissão momentânea de Faraó e seu pedido de intercessão (vv. 27-28)
    • Resposta de Moisés, intercessão e cessação da praga (vv. 29, 33)
    • Nota agrícola sobre as culturas atingidas e poupadas (vv. 31-32)
    • Novo endurecimento de Faraó e recusa em libertar Israel (vv. 34-35)

Há um desenvolvimento dramático: as pragas tornam-se mais abrangentes e destrutivas, as declarações sobre o propósito divino ficam mais explícitas, e a dureza de Faraó se torna mais evidente, alternando entre confissão superficial e rebeldia renovada.

Significado teológico

Êxodo 9 aprofunda a compreensão de Deus como Senhor soberano sobre a criação, a história e os corações humanos. A mão do Senhor que atinge o gado, a saúde, a lavoura e o clima mostra que nada está fora do seu alcance. A distinção clara entre Israel e Egito revela que o julgamento divino é justo, não aleatório: Deus disciplina uma nação opressora enquanto protege seu povo em aliança.

O endurecimento de Faraó é teologicamente significativo. O texto mostra tanto a responsabilidade humana quanto a ação divina: Faraó resiste continuamente à palavra de Deus, e Deus, em sua justiça, confirma essa resistência endurecendo ainda mais o coração do rei. Isso destaca a seriedade de rejeitar repetidamente a verdade revelada.

Os versículos 14-16 revelam o propósito maior das pragas: para que o Egito saiba que não há outro como o Senhor em toda a terra, para mostrar o poder de Deus e para que seu nome seja anunciado em toda parte. A libertação de Israel não é apenas um ato local, mas um evento com alcance universal na revelação de quem Deus é.

Ao mesmo tempo, o capítulo mostra que a confissão de pecado sem verdadeira mudança de coração não produz arrependimento genuíno. Faraó admite culpa e pede oração, mas assim que a situação melhora, volta à rebeldia. A narrativa ilustra que reconhecer intelectualmente a justiça de Deus é diferente de se submeter de fato a Ele.

No conjunto, Êxodo 9 apresenta um Deus que julga, preserva, revela seu nome e trabalha dentro da história para cumprir seus propósitos redentores, apesar da resistência humana.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo apresenta um cenário intenso de juízo e endurecimento, mas também revela aspectos que dialogam com processos emocionais humanos. A repetição das pragas e a dureza do coração de Faraó podem ser lidas como uma imagem da resistência interior de pessoas e sistemas diante da verdade, mesmo quando as consequências já são evidentes. Em termos terapêuticos, lembra como padrões destrutivos podem se repetir quando não há disposição real para mudança.

A distinção entre a destruição no Egito e a preservação em Gósen traz uma imagem de proteção em meio ao caos, que pode ajudar pessoas em sofrimento a visualizar que é possível ser guardado por Deus mesmo quando tudo ao redor parece em colapso. O texto reforça que Deus não age de forma impensada: há tempo, aviso, propósito e limites claros.

Em nível emocional, a confissão parcial de Faraó, seguida por recaída, espelha experiências de culpa superficial: o desconforto com as consequências leva a promessas de mudança, mas sem transformação profunda. A narrativa pode ajudar a perceber a diferença entre alívio momentâneo e arrependimento genuíno, favorecendo reflexões mais honestas sobre motivação interna.

A presença constante de Deus, que fala, avisa, delimita e preserva, oferece um contraponto de estabilidade e segurança diante do sofrimento coletivo descrito no capítulo. Essa imagem de um Deus que vê tanto a opressão quanto a fragilidade do seu povo pode ser fonte de consolo para quem se sente esmagado por estruturas injustas ou por situações fora de controle.

warning Importante: maus usos comuns

O conteúdo de Êxodo 9 é carregado de imagens de destruição, doença física (úlceras, sarna) e juízo divino, o que pode ser sensível para pessoas com histórico de traumas, medo intenso de punição religiosa ou transtornos de ansiedade ligados à fé.

Alguns pontos que exigem cuidado na leitura e aplicação:

  • A linguagem de juízo e morte de animais e pessoas no campo (especialmente vv. 3-6, 19-25) pode acentuar angústias em quem tem sensibilidade extrema à perda ou experiências recentes de luto.
  • A ideia de Deus endurecendo o coração de Faraó (v. 12) pode ser mal interpretada por pessoas em sofrimento psicológico como sinal de que Deus poderia também “endurecer” o coração delas ou abandoná-las, gerando medo ou desespero espiritual.
  • A noção de pragas e doenças como castigo direto pode ser distorcida para interpretar qualquer enfermidade pessoal como punição específica, o que não é uma aplicação responsável do texto e pode intensificar culpa e vergonha.
  • A repetição da recusa de Faraó em obedecer, apesar de avisos claros, pode disparar sentimentos de autocrítica extrema em pessoas com perfil perfeccionista ou com grande dificuldade de lidar com falhas, se aplicada de forma rígida.

Leituras pastorais e terapêuticas precisam enfatizar o contexto específico da narrativa (uma grande potência opressora enfrentando o Deus libertador) e destacar que o objetivo principal do texto é revelar a justiça, o poder e a fidelidade de Deus, não oferecer um modelo direto para interpretar todo sofrimento individual. Em situações de sofrimento emocional intenso, é importante ler este capítulo acompanhado de outras passagens que enfatizam consolo, misericórdia e graça.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 9 traz princípios práticos para a vida diária, mesmo sendo um relato antigo de juízo sobre uma nação opressora.

  1. Levar a sério a Palavra de Deus Os servos de Faraó que temeram a Palavra recolheram seu gado e seus servos para dentro de casa e foram preservados (vv. 20-21). Isso mostra como ouvir e responder com respeito ao que Deus diz produz consequências concretas. Na prática, valorizar a instrução bíblica e ajustá-la às decisões diárias abre caminho para proteção e sabedoria.

  2. Reconhecer o perigo do coração endurecido O endurecimento progressivo de Faraó revela como a resistência repetida à verdade pode criar um padrão de insensibilidade. Em termos práticos, isso convida a não normalizar desculpas, racionalizações e promessas vazias de mudança. Admitir um erro é importante, mas mudança real envolve atitudes consistentes, não apenas palavras em momentos de pressão.

  3. Discernir entre confissão genuína e alívio momentâneo Faraó diz: “Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo ímpios” (v. 27), mas logo volta atrás quando a praga cessa (vv. 34-35). A vida cotidiana mostra situações semelhantes: desculpas feitas para encerrar conflitos, sem intenção real de transformação. O texto incentiva uma integridade maior entre o que se declara com a boca e o que se pratica após o fim da crise.

  4. Confiar na distinção que Deus faz Deus distingue entre Egito e Israel, entre o gado dos egípcios e o de Israel, entre a terra devastada e Gósen preservada (vv. 4-6, 26). Isso inspira a lembrar que Deus conhece aqueles que lhe pertencem e sabe preservar em meio a ambientes hostis. Esse princípio pode fortalecer a perseverança em contextos de injustiça, lembrando que a fidelidade a Deus não é ignorada.

  5. Reconhecer que Deus age com propósito Deus afirma que manteve Faraó de pé para mostrar seu poder e para que seu nome seja anunciado em toda a terra (v. 16). Mesmo em cenários de grande tensão, o texto aponta para um Deus que age com intenção e objetivo. No cotidiano, isso convida a enxergar circunstâncias difíceis também como oportunidades para testemunho, crescimento e revelação do caráter de Deus, sem negar a realidade do sofrimento, mas reconhecendo que não é sem sentido.

Perguntas frequentes

Por que Deus atingiu especificamente o gado e as colheitas do Egito em Êxodo 9?

O gado e as colheitas eram a base da economia, da segurança alimentar e da força militar do Egito. Ao atingir esses recursos com pestilência e saraiva, Deus não apenas enfraquece uma nação opressora, mas também desmonta as falsas seguranças em riqueza, trabalho e deuses ligados à fertilidade e à natureza. A mensagem é que a verdadeira sustentação de um povo não está na força econômica ou agrícola, mas em Deus. Além disso, a preservação do gado de Israel e da região de Gósen mostra que o julgamento de Deus é direcionado, não aleatório, e visa libertar os oprimidos, não destruir indiscriminadamente.

O que significa Deus endurecer o coração de Faraó em Êxodo 9?

O endurecimento do coração de Faraó é apresentado de duas formas na narrativa bíblica: Faraó endurece o próprio coração, e Deus endurece o coração de Faraó. Isso não significa que Deus força um inocente a pecar, mas que Ele, em juízo, confirma a postura obstinada já escolhida por Faraó. Após múltiplos avisos e sinais, Faraó continua resistindo à vontade de Deus. O endurecimento divino é Deus entregando Faraó às consequências de sua própria rebeldia, usando até mesmo essa resistência para revelar seu poder e cumprir seus propósitos. A responsabilidade moral de Faraó permanece, enquanto a soberania de Deus se manifesta sobre a história.

Por que alguns servos de Faraó foram poupados na praga da saraiva?

Os versículos 20-21 mostram que parte dos servos de Faraó temeu a palavra do Senhor e agiu em conformidade com o aviso: recolheram seus servos e seu gado para as casas. Como resultado, foram preservados da destruição da saraiva. Isso ilustra que a mensagem de Deus não era exclusiva de Israel; até egípcios que ouviram e respeitaram a palavra foram poupados daquele juízo específico. O texto ressalta a responsabilidade pessoal de responder ao que Deus revela: não é apenas a posição social ou nacional que define o resultado, mas a atitude diante da palavra de Deus.

A confissão de Faraó em Êxodo 9:27 foi sincera?

Faraó declara: “Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo ímpios”, e pede a Moisés que ore para cessarem os trovões e a saraiva. Contudo, quando a praga acaba, ele volta a endurecer o coração e não deixa o povo ir (vv. 34-35). O próprio desenvolvimento do texto indica que a confissão de Faraó foi mais uma reação ao sofrimento momentâneo do que um arrependimento verdadeiro. Ele reconhece verbalmente a justiça de Deus, mas não se submete à vontade divina. A narrativa enfatiza a diferença entre admitir culpa sob pressão e uma mudança de coração que leva à obediência real.

Qual é o principal propósito das pragas segundo Êxodo 9?

Nos versículos 14-16, o próprio Deus explica o propósito das pragas: para que Faraó, seus servos e o povo saibam que não há outro como o Senhor em toda a terra; para mostrar o poder de Deus em Faraó; e para que o nome do Senhor seja anunciado em toda a terra. Assim, as pragas visam tanto julgar a opressão quanto revelar quem Deus é. Elas não são apenas castigos isolados, mas fazem parte de um plano maior de libertação de Israel e de testemunho global da soberania, justiça e glória de Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 9 descreve cenas duras: pestilência, úlceras, tempestades violentas, destruição no campo, medo espalhado pela terra. Em meio a tantas imagens fortes, o texto deixa claro que Deus vê a dor e a injustiça, e não é indiferente ao sofrimento do seu povo. A opressão que Israel vivia não passa despercebida; Deus age, ainda que de forma severa, para enfrentar um sistema que os mantinha escravos. Há também um movimento de cuidado no meio do caos: o gado de Israel é poupado, e na terra de Gósen não cai saraiva. Enquanto o Egito é sacudido, há um lugar preservado. Essa distinção sugere que, mesmo quando tudo à volta parece ruir, a presença de Deus pode ser um abrigo real. Não significa que não haja dor, mas que não se está abandonado. A atenção de Deus àquela pequena região em um império tão grande é um lembrete de que Ele enxerga os que parecem pequenos e vulneráveis. O coração de Faraó, endurecido apesar dos sinais e da própria confissão de pecado, mostra outra face da realidade humana: às vezes, mesmo cercadas de evidências, pessoas e estruturas se recusam a mudar. Isso pode tocar em experiências de quem já viu promessas quebradas muitas vezes. O texto não romantiza essa dor; ele expõe como a resistência pode prolongar o sofrimento. Ao mesmo tempo, Deus continua fiel ao seu propósito de libertar, passo a passo. Para corações cansados de injustiças repetidas, Êxodo 9 traz a imagem de um Deus que não ignora o clamor dos oprimidos e que sabe distinguir quem sofre daqueles que endurecem o coração. Essa certeza pode trazer algum alívio: a sensação de que não se está invisível e de que, mesmo quando a situação parece imutável, Deus continua trabalhando, mesmo que isso ainda não seja visível por completo.

Mind
Mind

Êxodo 9 é teologicamente e literariamente denso. Ele narra a quinta, sexta e sétima pragas, com progressão evidente: da morte do gado, passando pela aflição física das úlceras, até a devastação abrangente da saraiva com fogo. O esquema narrativo de ordem divina, anúncio, execução e reação de Faraó aparece de forma relativamente padronizada, mas com variações significativas, como a ênfase crescente na explicação teológica das pragas, especialmente nos versículos 14-16. O tema da distinção entre Israel e Egito é reforçado em duas frentes: na pestilência do gado (vv. 4-6) e na saraiva (v. 26). Essa separação funciona como sinal de que o julgamento de Deus não é cego, mas direcionado, e de que a eleição de Israel tem implicações concretas na história. Ao mesmo tempo, há abertura para que até mesmo egípcios respondam à palavra do Senhor (vv. 20-21), o que mostra que a graça de ser poupado daquele juízo específico alcança quem teme a voz de Deus, ainda que não pertença etnicamente a Israel. O endurecimento do coração de Faraó em v. 12 deve ser interpretado à luz do conjunto da narrativa. Antes de Deus endurecer Faraó, o texto já havia mostrado Faraó endurecendo o próprio coração. A ação divina aqui não elimina a responsabilidade humana; ela confirma e utiliza a obstinação do rei para fins de revelação. É relevante notar a declaração de Deus: “para isto te mantive, para mostrar meu poder em ti, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra” (v. 16). Faraó se torna um exemplo histórico de oposição a Deus transformada em palco para manifestação da soberania divina. A referência ao linho, à cevada, ao trigo e ao centeio (vv. 31-32) ancora o relato em um contexto agrícola específico, reforçando o caráter histórico da narrativa. O autor não descreve apenas um milagre geral, mas interage com o calendário e com o estágio das plantações. Isso adiciona verossimilhança e mostra atenção aos detalhes da economia egípcia. Do ponto de vista teológico, o capítulo enfatiza quatro eixos: a unicidade de Deus (“não há outro como eu em toda a terra”, v. 14), a soberania sobre nações e natureza, a responsabilidade humana diante da revelação, e o uso do juízo como meio de proclamação do nome divino. Esses elementos formam a base de uma teologia bíblica em que a libertação de Israel é simultaneamente ato de salvação e de revelação global do caráter de Deus.

Life
Life

A narrativa de Êxodo 9 traz à tona dinâmicas muito presentes em relações e estruturas humanas atuais: poder que resiste a ser confrontado, promessas feitas sob pressão e quebradas quando a crise passa, e escolhas diferentes diante do mesmo aviso. Faraó é o retrato de quem só cede quando sente dor imediata. Ele admite erro e promete deixar Israel ir quando a saraiva e os trovões o aterrorizam, mas volta ao padrão antigo assim que a situação se acalma (vv. 27-28, 34-35). Esse comportamento se vê em ambientes de trabalho, famílias e até em decisões pessoais: mudanças ensaiadas em momentos de crise, sem compromisso real quando o desconforto diminui. A história desafia a olhar para além do discurso e avaliar a consistência das ações ao longo do tempo. Os servos de Faraó que temeram a palavra do Senhor e recolheram gado e servos (vv. 20-21) ilustram outro aspecto prático: mesmo em sistemas opressivos, indivíduos podem tomar decisões mais sábias dentro do alcance que têm. Eles não podiam mudar o coração do rei nem encerrar as pragas, mas podiam escolher dar crédito ao aviso e proteger o que estava sob sua responsabilidade. Esse detalhe mostra que, em contextos difíceis, ainda é possível agir com prudência e respeito a Deus no espaço que se tem, tomando decisões preventivas e responsáveis. A distinção que Deus faz entre o Egito e Gósen ensina que fidelidade a Deus não garante ausência de turbulência no mundo, mas aponta para uma forma de proteção e direção dentro da realidade. Em termos práticos, isso se traduz em viver com consciência de que decisões baseadas na Palavra de Deus influenciam concretamente áreas como trabalho, finanças, relacionamentos e uso de recursos. Cuidar bem do que foi colocado em nossas mãos, à luz daquilo que Deus revela, é parte da resposta prática que o capítulo inspira. Por fim, o juízo sobre estruturas injustas lembra que nenhum sistema fundamentado em opressão é definitivo. O texto convida a não se acomodar com injustiças como se fossem imutáveis, mas a enxergar que Deus age na história e que escolhas alinhadas à sua justiça, mesmo que pareçam pequenas, participam de um movimento maior em direção à libertação e à restauração.

Soul
Soul

Êxodo 9 amplia o olhar para além do momento e revela um Deus que age com vistas a algo maior que a situação imediata do Egito. Quando Deus afirma que manteve Faraó para mostrar seu poder e para que seu nome seja anunciado em toda a terra (v. 16), a história ganha dimensão espiritual e eterna. Não se trata apenas de libertar um povo de um império, mas de revelar, na arena da história humana, quem Deus é. O juízo sobre o Egito e a preservação de Israel servem a um propósito duplo: confrontar o orgulho de um rei que se exalta contra o povo de Deus (v. 17) e consolidar, diante das nações, o testemunho de que o Senhor é único e soberano. Isso dialoga com a questão do sentido da existência: vidas e reinos inteiros se tornam palco para que a glória de Deus seja conhecida. O capítulo convida a pensar a própria história não apenas em termos de sucesso ou fracasso terreno, mas em como ela se alinha à revelação do nome de Deus. O endurecimento do coração de Faraó levanta questões profundas sobre liberdade, responsabilidade e juízo. A narrativa mostra que rejeitar repetidamente a voz de Deus não é neutro; há um ponto em que a resistência se cristaliza, e o juízo se torna não apenas possível, mas inevitável. Em perspectiva espiritual, isso alerta para o perigo de tratar com leveza os chamados de Deus à mudança, ao arrependimento e à fé. O tempo de resposta não é infinito. Ao mesmo tempo, até no meio das pragas há uma janela de misericórdia: quem teme a palavra do Senhor e se abriga é poupado da saraiva (vv. 20-21). Essa imagem ecoa a realidade espiritual em que aqueles que se abrigam em Deus, respondendo à sua voz, encontram refúgio definitivo, não apenas temporário. A distinção entre a destruição no campo e a preservação em Gósen aponta para uma separação final entre juízo e salvação, tema que percorre toda a Escritura. Assim, Êxodo 9 chama à contemplação de um Deus que governa a história com propósito eterno, que usa até a resistência humana para demonstrar sua glória e que, mesmo em meio ao juízo, oferece espaço real para refúgio. A vida, vista a partir desse capítulo, não é apenas uma sequência de eventos, mas parte de um drama maior, em que a resposta à voz de Deus tem implicações que transcendem o tempo presente.

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Versículos em Êxodo 9

Êxodo 9:1

" Depois o SENHOR disse a Moisés: Vai a Faraó, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que me sirva. "

Êxodo 9:3

" Eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo, sobre os cavalos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois, e sobre as ovelhas, com pestilência gravíssima. "

Êxodo 9:4

" E o Senhor fará separação entre o gado dos israelitas e o gado dos egípcios, para que nada morra de tudo o que for dos filhos de Israel. "

Êxodo 9:6

" E o Senhor fez isso no dia seguinte, e todo o gado dos egípcios morreu; porém do gado dos filhos de Israel não morreu nenhum. "

Êxodo 9:7

" E Faraó enviou a ver, e eis que do gado de Israel não morrera nenhum; porém o coração de Faraó se agravou, e não deixou ir o povo. "

Êxodo 9:8

" Então disse o Senhor a Moisés e a Arão: Tomai vossas mãos cheias de cinza do forno, e Moisés a espalhe para o céu diante dos olhos de Faraó; "

Êxodo 9:9

" E tornar-se-á em pó miúdo sobre toda a terra do Egito, e se tornará em sarna, que arrebente em úlceras, nos homens e no gado, por toda a terra do Egito. "

Êxodo 9:10

" E eles tomaram a cinza do forno, e puseram-se diante de Faraó, e Moisés a espalhou para o céu; e tornou-se em sarna, que arrebentava em úlceras nos homens e no gado; "

Êxodo 9:11

" De maneira que os magos não podiam parar diante de Moisés, por causa da sarna; porque havia sarna nos magos, e em todos os egípcios. "

Êxodo 9:13

" Então disse o Senhor a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Faraó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que me sirva; "

Êxodo 9:14

" Porque esta vez enviarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não há outro como eu em toda a terra. "

Êxodo 9:15

" Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com pestilência, e para que sejas destruído da terra; "

Êxodo 9:16

" Mas, deveras, para isto te mantive, para mostrar meu poder em ti, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. "

Êxodo 9:18

" Eis que amanhã por este tempo farei chover saraiva mui grave, qual nunca houve no Egito, desde o dia em que foi fundado até agora. "

Êxodo 9:19

" Agora, pois, envia, recolhe o teu gado, e tudo o que tens no campo; todo o homem e animal, que for achado no campo, e não for recolhido à casa, a saraiva cairá sobre eles, e morrerão. "

Êxodo 9:20

" Quem dos servos de Faraó temia a palavra do Senhor, fez fugir os seus servos e o seu gado para as casas; "

Êxodo 9:22

" Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e haverá saraiva em toda a terra do Egito, sobre os homens e sobre o gado, e sobre toda a erva do campo, na terra do Egito. "

Êxodo 9:23

" E Moisés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor deu trovões e saraiva, e fogo corria pela terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito. "

Êxodo 9:24

" E havia saraiva, e fogo misturado entre a saraiva, tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito desde que veio a ser uma nação. "

Êxodo 9:25

" E a saraiva feriu, em toda a terra do Egito, tudo quanto havia no campo, desde os homens até aos animais; também a saraiva feriu toda a erva do campo, e quebrou todas as árvores do campo. "

Êxodo 9:27

" Então Faraó mandou chamar a Moisés e a Arão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo ímpios. "

Êxodo 9:28

" Orai ao Senhor (pois que basta) para que não haja mais trovões de Deus nem saraiva; e eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui. "

Êxodo 9:29

" Então lhe disse Moisés: Em saindo da cidade estenderei minhas mãos ao Senhor; os trovões cessarão, e não haverá mais saraiva; para que saibas que a terra é do Senhor. "

Êxodo 9:31

" E o linho e a cevada foram feridos, porque a cevada já estava na espiga, e o linho na haste. "

Êxodo 9:31 mostra que o granizo atingiu o linho e a cevada porque já estavam maduros, evidenciando perda real e concreta. O versículo ensina que …

Ler análise completa

Êxodo 9:33

" Saiu, pois, Moisés da presença de Faraó, da cidade, e estendeu as suas mãos ao Senhor; e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu mais sobre a terra. "

Êxodo 9:34

" Vendo Faraó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, pecou ainda mais; e endureceu o seu coração, ele e os seus servos. "

Êxodo 9:35

" Assim o coração de Faraó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o Senhor tinha dito por Moisés. "

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